segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A PROPÓSITO DE UMA TERTÚLIA...

Recentemente tive ocasião de assistir a uma tertúlia sobre um reconhecido cientista politico do século XX.

No periodo de debate, foi colocada uma questão sobre a explicação das forças de extrema esquerda (leia-se PCP e BE), terem em Portugal - no século XXI - cerca de 20% dos votos, o que era tido pelo questionador, como inexplicável.

O orador, Professor de Ciência Politica, se bem que ainda jovem,  não conseguiu adiantar mais do que também achar estranho e inexplicável, tal facto.

Aqui deixo o texto que publiquei, em 2008, onde se tenta enquadrar e explicar esta mesma questão.

4 comentários:

António Silva disse...

Parece que as forças extremistas sustentadas na utopia marxista, apesar do comprovadíssimo insucesso económico e do terror e temor disseminado para estabelecer a doutrina materialista um pouco por toda a parte do mundo, ainda fazem fulgor em alguns sectores da sociedade portuguesa. Tal facto torna-se inegável, não só observado nas intenções de voto como também na lida diária se constata que as teses do esquerdismo mais radical se encontram bem doutrinadas nas mentes daqueles que nos rodeiam. Vamos tentar explicar os motivos que justificam a sobrevivência desta ideologia visceralmente subversiva com um rasto assombroso de destruição injustificável, implacável e inigualável.

O Século XIX foi o século da afirmação do individualismo e de profundas transformações tecnológicas e económico-sociais, a Revolução Industrial retirou as pessoas aos campos e despejou-as nas cidades. A exploração liberal e também a financeira, uma vez que a usura já se praticava desde o fim da Idade Média, tornaram a vida indigna e muitas vezes insuportável. As sociedades secretas, maçonaria e afins, estavam em processo de afirmação na Europa, que foi o seu berço, o objectivo era então derrubar todos os reinos tradicionais, demolir as nações, e abrir as fronteiras a um mercado livre onde a exploração comercial e financeira fosse mais propícia. A maçonaria conforme nos conta a História era a cabeça da Revolução, porém, há quem afirme que os judeus foram os criadores de tal organização oculta.

A fazer prova do que se afirma, convém aqui deixar o testemunho do ilustre antiliberal Faustino da Madre de Deus, onde na sua obra Os Povos e os Reis declara que “Os inimigos da ordem são inimigos de Deos; porque Deos he o author e conservador de toda a ordem: A facção liberal ou maçónica foi produzida, segundo ella mesma declara, pelos Judeos, e propagada pelos obstinados que virão e não crerão os milagres de Jesu Christo! Esses desgraçados Judeos forão os instrumentos de que se sérvio o espírito das trevas para pôr em duvida os mysterios da Redempção; logo a facção liberal he agente das maquinações de Lúcifer; e logo he inimiga immediata das obras de Deos na Terra”.

Como se sabe os valores maçónicos fundamentais estão no seu lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”. A ambiguidade destes valores é enorme, nunca ninguém explicou os seus conceitos, no entanto ventilados assim em bruto soam bem aos ouvidos e tornam-se sedutores para as massas.

António Silva disse...

O terreno de miséria provocada pelo liberalismo era então favorável ao surgimento de novas ideias. Curiosamente, em vez de uma reacção pujante se destacar contra o domínio burguês, as ideias que viriam a triunfar seriam no campo do liberalismo avançado mais radical, sanguinário, bárbaro e desumano. No livro "Grand Orient Masonry Unmasked as the secret power behind communism" escrito por Monsenhor George E. Dillon DD em 1884, é explicado o plano diabólico da maçonaria e a forma como esta criou o comunismo. A intenção da criação do monstro era ao que parece, e tudo o indica, a intenção duma mais fácil destruição de todos os governos legitimamente constituídos na época e o colapso rápido dos Estados-nação. O sucesso não podia ter sido melhor, a Europa durante o Século XX transformou-se de tal modo que hoje em dia está irreconhecível na sua identidade e descaracterizada na sua civilização. A Europa ardeu e os seus valores ancestrais esfumaram-se.

O processo revolucionário em curso por toda a Europa foi coroado de sucesso, desgraçadamente sucumbiram milhões de inocentes e outros tantos foram lançados na mais abjecta miséria, o caso das mortíferas fomes em África são disso testemunho. No Século XIX provado ficou que as hecatombes e experiências levadas a cabo pelo comunismo falharam. Os poucos regimes comunistas que ainda se conservam não são exemplos merecedores de louvores, são condenáveis e execráveis.

Mas se o marxismo trouxe a escravidão à China, se matou milhões na URSS, se levou a penúria a África, se enclausurou e reprimiu a liberdade em inúmeros lugares, como é possível que atraia tantas simpatias e fanatismo em Portugal?!

Conta-se em tom jocoso que Maomé seduziu os povos prometendo-lhes as virgens no além, pois Marx seduziu prometendo a usurpação aquém para os seguidores e o paraíso na terra para todos os proletários sem distinção de raças, pátrias, religiões ou o mais que seja. A “ditadura do proletariado” e a “luta de classes” eram os motes para o fanatismo materialista. O grande trunfo da sua ideologia quimérica era um dos engodos maçónicos – a Igualdade – todos os homens seriam iguais e todos teriam os mesmos direitos. Um homem reflexivo, de natureza vertical, vê imediatamente aqui uma falácia, uma mentira descarada. No entanto, há um determinado tipo de homem, o mais impulsivo e padecendo de disposição de carácter propenso à inveja, que encontra aqui uma oportunidade para satisfazer os seus instintos mais baixos que de outra forma lhe seria impossível a concretização.

António Silva disse...

A instrução política e religiosa em Portugal nunca foi muito ampla, mesmo hoje, quem é que lê Manuais Políticos, quem estuda a Bíblia ou se interessa pelos Clássicos Gregos?! Poucos, mas muitos opinam, porém, a multidão de opinadores não tem opinado nada bem. Assim, em 1974, a ignorância na arte de governar era muita, mas melhor do que nos dias actuais, pois àquele tempo ainda se sabia governar o lar, hoje nem isso. O marxismo, em moda nos anos 70, entrou nas nossas casas pela janela, pela porta, pela tv, rádio, discos, por todo o lado. Seduziu pelos piores motivos aboliu-se a moral, Deus a entidade reconhecida por toda a tradição como uma referência, passou a “ ópio do povo”, desprezaram-se os valores e condenaram-se e conspurcaram-se os nossos santos e heróis.

Agora, o capitalismo económico está em todo o lado, mas não se descola do marxismo cultural. Do ponto de vista doutrinal, o domínio pertence às correntes socialistas com o marxismo à cabeça, financia-se desregradamente a cultura marxista, são milhões de euros enterrados para mentalizar as pessoas de que o feminismo, o individualismo, o relativismo, o materialismo, o facilitismo e o consumismo são tendências de salutar e que finalmente a humanidade com base em tais princípios se pode emancipar da ignorância e que as portas finalmente se abrem para a felicidade global. Parece absurdo, mas funcionou, e com precisão cirúrgica, porque o marxismo que ainda respira é forte para travar o regresso das forças moralizadoras e patrióticas, mas fraco para se impor à hegemonia do capital. Está doseado ao jeito dos Senhores do Mundo. É usado como uma espécie de droga, anestesia as mentes sedentas de justiça, do bem, do belo e do bom.

Devido à forte propaganda entretanto difundida sob várias formas, repare-se que a extrema-esquerda tem cartazes publicitários com preceitos sugestivos espalhados por todo o país durante todo o ano, o programa rebelde sobrevive. A sugestão funciona. Todos os meios audiovisuais propagandeiam o marxismo cultural. A publicidade agressiva baseada na repetição de uma ideia funciona. As forças chamadas de direita, as tais que a esquerda consente, porque as restantes estão ostracizadas e impedidas de se expressarem, corroboram nas teses principais com as forças mais decadentes da sociedade, ora nada melhor do que o apoio de pseudo-notáveis que se julga serem exemplares e insuspeitos. A mentira repetida muitas vezes convence, funciona. As disposições de carácter passíveis de sentimentos baixos existem, são reais, e sentem apoio no marxismo, o oportunismo é imediato, e funciona.

Em tempo de crise dizer-se às massas que os ricos são os culpados e as causas das suas inúmeras desgraças, que os moralistas (religiosos) são hipócritas e falsos, funciona, muitos acreditam. No meio do lodaçal eis quem sobra imaculado, o marxismo que se apresenta como o eterno defensor do povo, dos fracos e dos oprimidos, que nos vem libertar dos papões fascistas e capitalistas, uma espécie de cristianismo invertido, não olhando aos valores do céu mas às graças da terra. O satanismo é apelativo e funciona.

Não esquecer, ainda, que após a famigerada Revolução dos Cravos Vermelhos durante o PREC, tudo se virou do avesso, enquanto muitos foram tristemente saneados outros foram alegremente usurpando os seus cargos, a borra da sociedade prevaleceu, as forças da clandestinidade chegaram assim ao topo de carreira em muitos sectores essenciais da vida pública, detendo actualmente um enorme poder de influência sobre os jovens estudantes e mesmo de pressão sobre muitos trabalhadores.

Por fim, as forças que logicamente deveriam combater a Besta, não parecem mover uma palha, a postura que seguem é a da extrema passividade e instruem os leigos a serem muito tolerantes, muito mansos e sem que façam acepção de pessoas, é como se todos fossem bons, tudo tem que ser aceite, não julgar para não ser julgado, e outras relíquias que tais.

Não há paciência!

Afonso disse...

Só falta acrescentar(digo eu)o papel decadente da maior instituição religiosa representante?do cristianismo no mundo ocidental,pois sem isso não seria possível o que aconteceu na Europa, e não só,nos ultimos cem anos,e não teríamos agora o representante maior dos católicos a pedir uma nova ordem mundial e a criticar o sistema financeiro global quando o próprio Vaticano está metido no lodo até ao pescoço.