sábado, 11 de fevereiro de 2017

Os Muçulmanos perante o Mundo...

Para refletir com olhos de ver!


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"Sessão de Homenagem a Isabel Bandeira de Mello (Rilvas)" - 23 de Fevereiro - 18h00 - Sala Algarve



 
                                                 


                   
Os Presidentes da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal convidam V. Ex.ª e Família para a Sessão de Homenagem a Isabel Bandeira de Mello (Rilvas), promovida pelo Instituto Bartolomeu de Gusmão, a realizar na Sala Algarve da Sociedade de Geografia, no dia 23 de Fevereiro de 2017 (quinta-feira), às 18h00.
               Na sessão serão, ainda, evocadas as Enfermeiras Paraquedistas.
Seguir-se-á um Jantar de Homenagem, no Salão Nobre do Palácio da Independência, às 20h00, cujas inscrições se solicita sejam apresentadas telefonicamente até terça-feira 21 de Fevereiro para o número 213241470 (€ 20,00).
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Sociedade de Geografia de Lisboa
Rua das Portas de Santo Antão, 100
1150-269 Lisboa - Portugal
213425401 - 213464552

domingo, 5 de fevereiro de 2017

AS FORÇAS ARMADAS VÃO FICAR REDUZIDAS A MESTRES E DOUTORES?



AS FORÇAS ARMADAS VÃO FICAR REDUZIDAS A MESTRES E DOUTORES?


4/2/2017

            A coisa vem de trás.
            Começa aí por meados dos anos 80 do século passado.
            Os fumos de “glória” do 25 de Abril já se tinham ido há muito, tendo a Instituição Militar saído completamente ferida e rebaixada da Descolonização e do “PREC”.
            O 25 de Novembro ficou a meio (ou nem isso) e as feridas levam tempo a sarar.
            Algumas nunca saram.
            As Forças Armadas ficaram de mal consigo próprias e com a Nação. E esta com aquelas.
            Nunca ninguém quis admitir isto.

                                                               *****
            Extintas as escolas industriais e comerciais – erro imperdoável que ainda não foi reparado – quis fazer-se de toda a gente um licenciado numa área qualquer. Pois não temos todos nós direito a tudo e não somos todos iguais?
            Está até, na Constituição…
            Como entretanto o Ministério da Educação implodiu e foi sendo ocupado por sucessivas vagas de gente dificilmente adjectivável, a qualidade do ensino e dos professores; a disciplina nas escolas; a avaliação; a estabilidade dos programas e dos compêndios, da pedagogia, e as próprias infraestruturas, caíram a pique.
            Deixou de haver escola para haver choldra.
            Daí para cá poucas melhorias houve, apesar dos sucessivos orçamentos de novos - ricos atribuídos ao sistema – um poço sem fundo![1]
            Parece que rendia votos e apaziguava consciências.
            Por isso é risível (se não fosse trágico) a tão apregoada qualidade das actuais gerações que brotam do sistema, baptizadas, sem água benta, das “mais bem preparadas de sempre”!
            Apregoam isto com ar sério e não dei conta, até agora, de nenhum filho d’algo que o rebata.
            Entretanto o “negócio” do ensino disparou, sobretudo nas áreas das ciências sociais (que só exige “papel e lápis”), sem que os poderes do Estado o tentassem regular, assistindo-se apenas a uma inquinada discussão ideológica sobre o ensino privado e o público…

                                                                    *****
            O ensino militar, apesar de tudo, resistiu muito melhor (pondo de lado o que se passou nas escolas militares em 1974/75…).
            Afastados das lides culturais e até dos avanços na guerra convencional, por via das longas campanhas contra subversivas no Ultramar Português entre 1961 e 1974, foi preciso um esforço de reconversão enorme logo que a estabilidade institucional se foi ganhando a seguir aos eventos ocorridos em 25 de Novembro de 75.
            Esse esforço fez-se e foi notável.
            A Força Aérea (FA) e a Marinha recuperaram mais facilmente do que o Exército.
            A FA porque teve um notável Chefe de Estado-Maior (o General Lemos Ferreira) que impôs uma dinâmica difícil de imitar; a Armada porque foi o Ramo menos afectado pela guerra e porque manteve sempre uma presença e ligação à NATO.
            O Exército por ser o Ramo mais causticado pelo conflito e pelo PREC; por ter um número de efectivos superior; ser tecnologicamente mais atrasado e, até, por dominar menos a língua inglesa, teve mais dificuldade em “dar o salto”.
            Mas a Instituição Militar – não por acaso, por causa das suas características – no seu todo andou à frente do ensino civil, coisa que a generalidade dos próprios militares, incluindo as suas chefias, nunca deu conta (os militares acabam sempre por ser vitimas deles próprios…).
            Deu-se, “naturalmente”, sobretudo a partir da publicação da Lei de Defesa Nacional e das FA, em 1982, um auto rebaixamento dos militares e uma sobranceria por parte da chamada intelectualidade civil no âmbito das mais - valias académicas, facto que era exacerbado pelas forças políticas do “centrão” que nunca perdoaram a existência do Conselho da Revolução e os dois Pactos MFA/Partidos.
            O PCP, apesar da sua prudência (enquanto minoritários), nunca reconheceu nada que não se paute pela sua cartilha, e da extrema - esquerda nem vale a pena falar por via dos seus preconceitos, estereótipos e militância contra tudo o que cheire a fardas ou tenha a palavra “militar”.
            Daqui à questão das “equivalências universitárias” foi um passo (questão que nunca se tinha colocado até 1974).
            Convenhamos que até poderia haver vantagens em ter este assunto harmonizados entre militares e civis, mas o que se veio a verificar foi a tentativa de invasão do ensino militar pelo ensino civil, chegando-se ao ponto de ter havido uma tentativa de colocar um catedrático civil como uma espécie de Reitor do Instituto sito em Pedrouços, onde entretanto se agruparam os cursos de formação e promoção comuns aos três Ramos das Forças Armadas (e, nalguns casos, a GNR)! [2]
            A adopção dos cursos de Bolonha veio dar mais um sério abalo em todo o conjunto.
            Pelo meio passaram-se as mais desvairadas coisas: pensar que um oficial das áreas de engenharia ficaria melhor á frente de uma Academia Militar; privilegiar áreas de ensino civil em detrimento das disciplinas militares; querer que um cadete passasse a ser um super-homem académico; fazer cortes a esmo na preparação física e no desporto militar; querer impor limites aos tempos lectivos dos militares e “adequá-los” aos mesmos das universidades civis - como se pudesse haver alguma comparação possível; haver preocupações em dar equivalências civis, para que os futuros oficiais, pudessem encontrar emprego noutras áreas quando abandonassem o serviço activo - como se alguma vez tenha passado pela cabeça de alguém ter essa preocupação relativamente a um outro curso/profissão qualquer, etc.
            Um etecetera penoso.
            E foi assim que, pouco a pouco, se chegou ao ponto de ser “bem”, que um militar, numa altura qualquer da sua carreira, conseguisse um grau académico civil. Os regulamentos de avaliação de mérito dos militares passarem até, a ter isso em conta.
            A exigência de nas escolas superiores militares, passar a haver uma percentagem de professores “doutorados”, também contribuiu para esta “febre”.
            E, claro, com mais um canudo na mão, sempre se pode iludir a ideia feita em áreas de pensamento da sociedade, em que um militar é assim uma espécie de bípede quadrado, aparentado à família dos asnos…
            Ora tudo isto não é mais do que um sintoma profundo do descalabro em que o conceito da “profissão” militar caiu na generalidade da população, o que foi exponenciado pelo desprezo dos políticos, a falta de isenção, silêncio, incompetência e acinte da comunicação social; o fim do serviço militar obrigatório, a ignorância cívica e a falta de consciência colectiva de qualquer tipo de ameaça externa.
            Não quero, porém, ser mal interpretado: obter um grau académico é, à partida, uma mais - valia quer em termos individuais, quer coletivos.
             Mas as coisas têm que estar em perspectiva e não se deve perder de vista os objectivos fundamentais dos oficiais e sargentos das FA, que é o de serem capazes de comandar unidades militares num teatro de operações, onde e quando necessário e em quaisquer circunstâncias.
            Ora isto não se coaduna com diletantismos académicos e logo numa instituição onde os seus quadros já passam, desde há décadas, cerca de um quarto do seu tempo de serviço ocupados em cursos – o que não tem paralelo em qualquer outra profissão…
            Ou seja os graus académicos civis devem ser vistos como complemento das exigências e necessidades militares, ou para cumprir um objectivo específico e sempre devidamente orientados.

                                                                  *****
            A Instituição Militar, como tal, tem-se mostrado perfeitamente incapaz de reagir a toda a degradação que a afecta (e à Nação) e os militares confundem amiúde, causas e efeitos mantendo a “ordem de batalha” constantemente desactualizada.
            Finalmente, a constante redução de efectivos, perspectivas de carreira, fecho de unidades; falta de sistemas de armas; redução de capacidades, competências, retribuições, etc., têm tido efeitos devastadores sobre o moral de todos passando-se, a nível das chefias, ao modo de sobrevivência e ao nível do quadro permanente, ao modo do “salve-se quem puder”.
            E que outras alternativas existem para quem não tenha quem os defenda; não haver navios para navegar, aviões para voar e homens para comandar? Dinheiro para exercícios, para a assistência social, para … nada?
            Por isso, caros leitores e compatriotas, um dia destes verão o que resta da tropa, quase todos transformados em doutores, mas ninguém que saiba dar um tiro.
            Também, que diabo, como é que se pode ter alguém que saiba dar um tiro, se nem sequer há munições?





                                                  João José Brandão Ferreira
                                                      Oficial Piloto Aviador


[1] Muito à custa do orçamento da Defesa e Segurança…
[2] Chamemos-lhe apenas Instituto, pois já não há paciência para referir o nome completo, tal tem sido a profusão de mudanças!

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A VISITA À ÍNDIA


A VISITA À ÍNDIA [1]


24/1/17
“Uma nação pode sobreviver aos seus loucos, mesmo aos ambiciosos. Mas não consegue sobreviver à traição vinda de dentro. Um inimigo às portas é menos formidável, pois ele é conhecido e transporta a sua bandeira à vista. Mas o traidor movimenta-se livremente entre aqueles que estão dentro de portas, o seu murmúrio malicioso percorre todas as ruelas e é ouvido nos corredores do governo, ele próprio. Pois o traidor não aparenta ser traidor; ele fala de um modo familiar às suas vítimas, e desgasta a sua face e os seus argumentos; ele apela à vileza que mora fundo no coração de todos os homens. Ele apodrece a alma de uma nação; ele trabalha secretamente e oculto na noite, a fim de minar os pilares da cidade, ele infecta o corpo político a fim de que este não mais possa resistir. Um assassino é menos de temer.”

                          Marcus Tullius Cícero

           
            O nosso primeiro (não confundir com a linguagem militar, que designava o primeiro sargento da companhia, no antigo Exército Português – figura, aliás, estimável e importante) lá foi à União Indiana (UI), desta feita não à procura de cristãos mas à cata de negócios, onde já não entra a pimenta.
            Evitou Calecut; fez bem, aquilo nunca foi terra que se cheirasse.
            Disse-se abundantemente que era a primeira visita de um Primeiro-Ministro Português nas últimas quatro décadas. É verdade, mas não é a verdade toda; o certo é que desde 15 de Agosto de 1947 – data da independência da União Indiana, que a obteve do Reino Unido – nenhum alto político português visitou aquele novo país, herdeiro de várias civilizações muito antigas (com uma excepção que veremos à frente).
            Nem tal se justificou dado que logo na sequência da sua independência, nos começaram a fazer má vizinhança por causa dos territórios portugueses que constituíam o Estado da Índia (Goa, Damão e Diu e suas dependências – agora é preciso esmiuçar isto, pois o estado do sistema educativo é o que sabemos).
            As relações diplomáticas foram rompidas, em 8 de Agosto de 1955, por iniciativa da UI, ficando o diálogo possível, assegurado pelo Brasil, relativamente à parte portuguesa e pelo Egipto, em representação da UI.
            E assim ficaram (as relações) até 1975, tendo a situação piorado catastroficamente após a inqualificável invasão militar dos territórios portugueses, em 18 de Dezembro de 1961. Depois, note-se, de Portugal ter ganho em Haia (sentença de 12 de Dezembro de 1960), a questão sobre Dadrá e Nagar - Aveli.
            É preciso que se diga e repita, pois a verdade é coisa assaz arredia da política, da comunicação social e da escola portuguesas, que a UI nunca teve uma réstia de razão do seu lado, em todo este conturbado percurso. [2]
            Porém, uma figura destacada do Estado Português visitou a UI já no período desta terceira república, onde as bananas continuam a um preço assaz baixo mesmo com a “crise”: foi o Dr. Mário Soares, enquanto Presidente da República.
            Mais à frente perceberão que ele não foi lá apenas para passear de elefante ou para se diferenciar de Deus: “Deus está em todo o lugar, mas Mário Soares, já esteve”.
            A sabedoria popular é tramada e não perdoa…
            Quero, sem embargo, deixar claro que não estou contra a visita do PM Português, como tal e nas circunstâncias actuais, á UI.
            A vida continua e o interesse dos estados e das populações tem que continuar a ser exercido.
            O que pretendo é recordar como se chegou aqui, para que se possa caminhar para a frente com os pés no chão e com alguma (já nem peço mais) dignidade.
            A ocupação militar de Goa, Damão e Diu nunca foi reconhecida pelo Estado Português. A nacionalidade de quantos nasceram portugueses – como o pai do Dr. Costa – era garantida.
            Aliás, o PM na entrevista que deu em Frankfurt teve a infeliz ideia de dizer que estava orgulhoso de ir à India como descendente de indianos. Está equivocado Dr. Costa, o senhor é descendente de portugueses pois na terra onde nasceu essa parte da sua família, flutuava a bandeira das quinas havia séculos.
            Que menoridades mental e pobreza de espírito, Dr. Costa! Já era tempo de aprender a colocar-se no seu lugar.
            Por isso se percebe que quando o PM Indiano Narendra Modi teve a aleivosia de dizer que o senhor era um “exemplo do dinamismo da diáspora indiana” V. Exª calou-se, em vez de lhe retorquir que era exactamente o contrário, ele a ser exemplo, seria da diáspora portuguesa…
            Até 1974 havia deputados na Assembleia Nacional – na altura o Parlamento era “nacional” e não apenas republicano … - em representação do Estado da Índia (que, lembro, tinha a designação de “Estado” desde o século XVII). Estes territórios foram mantidos na Constituição como portugueses.
            O Governo Português nunca deixou de lutar nos “fora” internacionais contra a injusta e grosseira violação do Direito Internacional, existente. E os oficiais das Forças Armadas Portuguesas não apertavam a mão aos oficiais indianos quando, raramente se cruzavam com eles em países terceiros.
            Chama-se a isto em termos de Estado, ter dignidade e em termos individuais, ter carácter e vergonha na cara.
            Em síntese, a UI tinha o direito da Força mas não tinha a força do Direito, tão pouco, moral política ou qualquer outra.
            Na sequência de uma madrugada ocorrida em 25 de Abril de 1974, o Estado e a sociedade portuguesa anarquizaram-se, situação que ficou para a História (até ver) como a “conquista da Liberdade e da Democracia”.
            Um dos muitos protagonistas de então foi como se sabe, o Dr. Mário Soares.
            A quem cognominaram como o “pai da democracia”.
            Ora foi justamente este cidadão, recentemente desaparecido do mundo dos vivos, que, sendo Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) do II Governo Provisório, procurou o MNE da UI, J.B. Chavan, aquando da XXIX sessão da Assembleia - Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, em 24 de Setembro de 1974.
            E, sem estar mandatado para tal, por ninguém e sem que nada o justificasse, teve a iniciativa de lhe propor o reconhecimento “de jure” da escabrosa invasão e ocupação, de Goa, Damão e Diu, e o reatamento das relações diplomáticas!
            Esta reconhecimento acabou por ser aceite pelas autoridades em Lisboa, por um Tratado em, 31 de Dezembro de 1974, tendo sido aprovado pelo Decreto 206/75.[3]
            O aviso de que se tinham trocado os instrumentos de ratificação só foi tornado público, em “18 de Junho de 1973”, o que se crê ter sido uma gralha de imprensa dado tal data se reportar ao consulado do Dr. Marcello Caetano…
            A data correcta é 13 de Junho de 1975 e, até há muitos anos atrás, ainda não tinha sido feita a emenda.
            Note-se que tudo o que se passou foi ao contrário da posição assumida aquando da invasão de Timor pela Indonésia (que nunca nos tinha feito má vizinhança) situação muito menos gravosa do que aquela ocorrida com a UI [4]
            E Timor, segundo Mário Soares - que passou e ainda passa, por ser um poço de cultura – era apenas “uma ilha esquecida do arquipélago indonésio, com poucas ligações a Portugal”…
            As relações diplomáticas foram restabelecidas, mas poucos frutos deram até hoje, para além da citada visita do conhecido “globetrotter”.
            O Estado Português “esqueceu-se” de preservar a cultura portuguesa nos territórios onde a nossa bandeira flutuou por 450 anos (a UI só tem 70…) e em apoiar quem teimosamente lá ficou e ainda venera Afonso de Albuquerque e Francisco Xavier.
            Os indianos não quiseram saber de “democracias” nem de condenações do “colonialismo”, nem de afirmações de amizade.
            Desde então enviaram cá meia dúzia de conferencistas que, por norma, nos insultam em nossa casa e, até hoje, Nova Deli por razões que só eles sabem, ainda não se “atreveu” a publicar as baixas que tiveram durante a invasão, que tudo fizeram para ser um passeio militar (e alguns de nós ajudaram…).
            Esta é a realidade a que os futuros governos nacionais (?) terão que fazer face.
            Felizmente, do que me foi dado conhecer da visita ambas as partes se mostraram comedidas e prudentes em relação ao passado que referi.
            Querer fazer de Portugal uma porta de entrada das centenas de milhões de indianos para a UE é que já me pareceu ser um grande tiro no metatarso. E o PM não deixará de ouvir remoques, quando for a Bruxelas, por isso…
            E até posso compreender, finalmente, que não quisesse oferecer uma réplica da nau do Gama ao PM indiano, agora entregar-lhe a camisola da selecção com o número do CR7!?
            Oh, Dr. Costa…




                                            João José Brandão Ferreira
                                                Oficial Piloto Aviador


[1] Melhor dizendo à União Indiana, já que não se deve confundir “Índia” com o subcontinente indiano onde vicejam vários estados, embora seguramente nenhuma Nação…
[2] O Ministério dos Negócios Estrangeiros tem até tudo bem documentado nos seus arquivos e publicou uma notável colectânea de documentos intitulados “20 Anos em Defesa do Estado Português da Índia 1947-1967”.
[3] Diário do Governo, I série, nº 90, de 17 de Abril de 1975 e Diário do Governo, I série, nº 106, de 8 de Maio de 1975. Assinaram, Mário Soares, Vasco Gonçalves e Costa Gomes.
[4] Como, facilmente se poderá demonstrar.

sábado, 21 de janeiro de 2017

AS PORTAS DOS CASTELOS ESTÃO ABERTAS OU FECHADAS



AS PORTAS DOS CASTELOS ESTÃO ABERTAS OU FECHADAS?
19/1/17
                                                          “Deus escreve direito por linhas"
                                                            Adágio popular
                No funeral de Estado, inusitadamente bem organizado, do cidadão Mário Soares, ex-PR - com honras normalmente destinadas a quem morre em funções – ocorreu uma situação assaz peculiar (chamemos-lhe assim, pois é difícil de definir).
                A Bandeira Nacional que cobria a urna (aqui na sua função de caixão e não na de recolha de votos) quando esta ia a caminho dos Jerónimos, tinha um desenho que não correspondia à versão oficial.
                Ou seja, os sete castelos apresentavam-se com a porta aberta, em vez da mesma estar cerrada. 


                Ora esta diferença não é despiciente, já que a porta aberta num castelo, tem o significado simbólico de “traição”. A de alguém que abriu as portas do interior, traindo quem o castelo protegia, abrindo as portas aos invasores.
E é bom não esquecer que os castelos na bandeira são “os símbolos mais enérgicos da integridade e independência nacional”…
                Não há dúvida que nesta mal-afamada Terceira República, acontecem coisas curiosas; estão lembrados do também ex-PR, Cavaco Silva a hastear a Bandeira Nacional, ao contrário (certamente por distração de quem a colocou…) nos Paços do Concelho, no feriado da infausta data do 5 de Outubro? Nesse caso o significado é o da rendição…[1]
                Todo este episódio pode resultar apenas de uma incompetência qualquer, mas mesmo assim resta saber quem terá mandado fazer ou adquirido, a bandeira, e como é que uma fábrica faz uma bandeira nacional, cuja configuração é mais do que conhecida e regulamentada, do modo como o fez.[2]
                Ou, pode também dar-se o caso, da bandeira ter sido mandada fazer de propósito e um plano algo maquiavélico ter sido urdido para que as coisas corressem como correram.
                Resta agora perceber como é que todas as pessoas e entidades intervenientes, não deram por nada e quem, finalmente, descobriu e como. (A bandeira errada foi aparentemente trocada na 3ª,dia 10).
                Não deixa de ser curioso notar que o agora desaparecido repousou em último lugar no Mosteiro dos Jerónimos que é o repositório de todas as nossas glórias ligadas às descobertas e que tornaram a História de Portugal um marco indelével e inapagável da História Universal.
               Tendo sido o próprio Mário Soares que aí fez assinar o tratado de adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia que, de facto, abriu as “portas do castelo” à invasão estrangeira e ao início do desaparecimento de Portugal como Nação Independente.
                Do mesmo modo que já tinha ajudado enormemente a colocar um ponto final no Portugal Ultramarino e à abertura das suas portas a tudo o que era lixo marxista e internacionalista.
              Similarmente à assinatura do Tratado de Lisboa, também ocorrido no Mosteiro de Santa Maria de Belém, no dia 13 de Dezembro de 2007, último acto (até ver) desta tragédia onde estamos metidos. Desta feita, sob os auspícios de um PM ufano do tiro que deu nos pés de nós todos. Estão, aliás bem um para o outro, como se constatou depois de Sócrates ter passado de PM a número 44. Não fosse um ser fixe e o outro porreiro. Pá. 


                Do mesmo modo, ainda, que nas alfurjas da Câmara da Capital, já se “conspirou” para destruir os jardins que perpetuavam em arranjos florais, os símbolos das parcelas do Portugal de Além-Mar.
                Tudo isto teria sido evitado, todavia, se não tivessem coberto o féretro com a Bandeira das Quinas - a que de facto, o defunto não deveria ter direito - e colocado, por exemplo, a bandeira do PS, ou do Grande Oriente Lusitano (o PCP, seguramente não lhe emprestaria a sua).
                Porém, o Altíssimo, sempre vai escrevendo a eito, por tortuosas linhas.
                Mesmo que, o agora ido, nisso dizer não acreditar.
              Parece ter sido, aliás, a única coisa em que foi coerente até ao fim da vida.            


                                                                 João José Brandão Ferreira
                                                                      Oficial Piloto Aviador


[1] Também é conhecida a maneira recorrente com que a Bandeira Nacional é exposta, erradamente, em edifícios públicos e cerimónias oficiais. Para já não falar nas tristes figuras de populares que a utilizam como se fosse um “trapo” decorativo, nas jornadas futebolísticas…
[2] Para já não falar do que aconteceu na sede do Conselho Europeu, em 2013, em Bruxelas, onde se teve de substituir a bandeira (antes da conferência de lideres) pois a mesma em vez de castelos tinha pagodes (chineses!...).