terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O “MEDO” DE SALAZAR…

“Pai, perdoa-lhes que eles não sabem o que fazem”.
Jesus Cristo

O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), dependente do Ministério da Justiça, decidiu não autorizar o rótulo “Memórias de Salazar” com que o Município de Santa Comba Dão pretendia comercializar algum vinho da região.

Não sei se os promotores da iniciativa têm algum desígnio político/ideológico subjacente à mesma ou, apenas, pretendem fazer comercio e, ou, promover a terra, etc. A eles caberá elucidar.

Seja o que fôr parece um direito normalíssimo num regime político e numa sociedade que se afirma da mais pura Democracia – mas que deixa, afinal, muito a desejar quanto à prática.

O que é pasmoso, porém, é a argumentação vertida como justificação (note-se que não se invocou qualquer impedimento legal), atente-se: “Podia ofender a consciência colectiva e fazer perigar a ordem pública”.

Ou seja os senhores do INPI arvoraram-se em censores, lavraram um estatuto de menoridade mental e cívica, à população e, pelo meio, ainda passaram um atestado de incompetência às Forças de Segurança.

Partindo do princípio de que não actuaram como correias de transmissão de poderes fácticos, mas apenas em função da sua consciência, vamos tentar provar que se devem preocupar melhor com esta do que com aquela, a que apelidam de colectiva e de que se confessam estrénuos preocupados e defensores.

Não sabemos em que estudos de opinião se basearam para opinarem sobre os perigos que impendem sobre a tal “consciência colectiva” mas, porventura, um dia nos queiram elucidar.

Meditem bem, pois se a moda pega poucos dos políticos contemporâneos vão poder, futuramente, ter o seu nome em qualquer rótulo e anúncio que se invente!…

Não sei até onde irão os escrúpulos persecutórios do INPI, mas receio que possam lembrar-se de instigar a tutela a proibir a venda de qualquer objecto que lembre o “feroz ditador”, quer seja na Feira da Ladra ou no mais respeitável antiquário ou, quiçá, a criminalizar quem tenha em casa, sei lá, um busto ou uma foto de tão perigosa personagem.

Sugiro, por outro lado, que recomendem à Sociedade Portuguesa de Autores para que qualquer livro ou filme sobre o… (eu já nem me atrevo a dizer o nome!), não escancare a carantonha ou o apelido de quem tratamos.

Iria, até, mais longe: desaconselharia vivamente, sob ameaça de penas eternas, que qualquer historiador – a não ser aqueles formados na escola do Dr. Rosas – investigue sobre o dito cujo.

Finalmente a Conferência Episcopal recomendaria a todos os oficiantes da Santa Missa, que usassem de uma qualquer fórmula que substituísse o nome do mais ilustre nascido no Vimioso, aquando das raras missas rezadas em sufrágio da sua alma (o Sr. Bispo D. Januário estaria, obviamente, dispensado desta fraternidade apostólica).

Coerência oblige!

Se o ridículo e a falta de vergonha matassem, esta gente caía fulminada. Mas estão vivos e recomendam-se.

Faltas de vergonha têm-na em abundância, pois quando se permitem estes despautérios, convivem alegremente, por ex., com a invasão de T-Shirts (e outra memorália), com que se revestiu o peito de muita da juventude do “Ocidente” com a figura do Che Guevara – um psicopata ideológico que assassinou, directa e indirectamente, milhares de pessoas, transfigurado em ícone libertário!

Estranho, outrossim, que o INPI não se moleste com a enorme estátua do Marquês de Pombal, que mandou trucidar os Távoras e o Duque de Aveiro, num espetáculo bárbaro que horrorizou as elites europeias de então.

Como facilmente podem constatar todos os dias passam por lá milhares de pessoas e não há notícia de anomalias na consciência colectiva, nem existem polícias a guardá-la.

E certamente ainda não repararam que a estátua encima a maior avenida de Lisboa, que se chama “da Liberdade”, quando o Marquês encarna, entre nós, o “Despotismo Esclarecido”…

Algo de semelhante se passa com a estátua de estadão com que se agraciou D. Pedro IV, no Rossio (parece que representa o Maximiliano I, do México, mas isso entra no capitulo que refere “escrever Deus direito, por linhas tortas”).

Ora, Pedro de Bragança, enquanto Príncipe Herdeiro, traíu o Rei (que, por acaso, era seu pai) e a Nação, ao revoltar-se e consumar a secessão do Brasil, que era a maior parcela do território nacional.

Passados uns anos e muitos milhares de mortos e outras desgraças, depois, veio a ser coroado Rei de Portugal e lá está na sua estátua, sem que a consciência colectiva (e os pombos) sofra minimamente com isso.

E se estão tão preocupados com “decência” – presumo que seja disso que se trata – porque não se empolgam contra o triste espetáculo da homenagem feita pelo PCP, no último congresso, à memória de Álvaro Cunhal, um estalinista ferrenho que, durante décadas, andou a defender os interesses de uma potência estrangeira, a URSS, inimiga figadal do nosso país?

E chamam-lhe “patriota” e “defensor dos trabalhadores”?

Como se atrevem ao despudor de falarem, agora, em Independência Nacional quando se referem à “Troika”?

Há por aí algum Partido que queira homenagear o Cristóvão de Moura e o Miguel de Vasconcelos?

E por falar em consciência (ou moral) colectiva, digam lá óh senhores do INPI, se espreitarem uma sessão da Assembleia da República e outra da “Casa dos Segredos”, às vezes não sentem dúvidas sobre qual é qual?

Numa época de desenfreado “Relativismo Moral”, desnorte político e corrupção infrene, aquilo que mais vos preocupa é um rótulo com a palavra “Salazar”?

V. Excelências não se enxergam, pois não?

*****

Bom, vamos partir do princípio, que cremos correcto, de que não se deve dar dignidade pública a quem não a merece por uma questão de higiene cívica e moral.

A avaliar pelo que se disse e fez à figura de Salazar, o homem deve habitar no mais profundo dos infernos!

Retiraram o seu nome de ruas e praças; apearam-lhe as estátuas (quando não as destruíram à bomba – isto sim, um problema de ordem pública), mudaram cavilosamente o nome de uma ponte que mandara construir (e que ele, na sua sabedoria, previu), chamando-lhe 25/4 – quando foi inaugurada a 6/8 – assassinaram-no politica e moralmente; apostrofaram-no no discurso público e nos livros da Escola, enterrando-o na mais vil das valas comuns.

Não contentes com tudo isto até querem riscar o seu nome dos rótulos do vinho, de que ele, por sinal, foi um pequeno produtor! Será que entrámos no reino da paranoia?

Não deixa de ser estranho, tudo isto – e aqui sim, entra a consciência colectiva – quando ele foi um homem de origem humilde, que subiu a pulso, sem gozar do favor de ninguém e ter chegado ao Poder sem lutar por ele, mas a pedido de outrem.

Saneou as finanças em menos de dois anos (sem ajuda do FMI nem do BCE) e equilibrou o orçamento durante 40 anos, garantindo uma das moedas mais fortes e respeitadas do mundo e acumulando enormes reservas de ouro e divisas.

Recebeu um país falido, moralmente esfrangalhado, em guerra civil permanente (entre 1921 e 1925 rebentaram, só em Lisboa, 325 bombas)[1] – herança de 90 anos de liberalismo falhado e 16 anos de republicanismo jacobino, serôdio, absolutamente pavorosos – e, em poucos anos tirou a Nação da lama e o Estado da sarjeta, em que se encontravam. E quando por esse mundo fora, se empregava o termo “portugalizar” com um significado dos mais infamantes!

Que lavagem ao cérebro foi feita à população para se ter chegado à falta de consciência histórica actual?!

Como se pode compreender e aceitar tanto desvario mental e cobardia moral?

*****

Porque será, então, que um governante que nunca perdeu uma batalha política em toda a sua vida - excepção feita para a perda inestimável dos sagrados territórios de Goa, Damão e Diu, que só não se podem considerar cativos da escabrosa invasão da União Indiana, em 18/12/1961, porque um desvairado governo português a reconheceu “de Jure”, em 1975 – ganhou, aparentemente, tanta inimizade e ódio?

Vejamos, em termos pessoais:

Ele roubava? Era pedófilo? Batia na governanta (já que nunca casou)? Drogava-se? Embriagava-se? Esteve envolvido nalgum escândalo? Mentia? Tinha outros vícios? Era corrupto? Cobarde? Formou-se ao domingo?

Posta a questão ao contrário, conhece-se algum aleijão moral, que colidisse com os 10 Mandamentos da Lei de Deus ou com a lisura com que nos devemos comportar em sociedade?

Em termos políticos:

Foi incompetente? Não defendeu sempre a individualidade e identidade de Portugal? Traíu o seu País? Desertou de algum combate? Não defendeu sempre os interesses portugueses sem tergiversar, e só esses? Deixou que algum país ou instituição tivesse afrontado Portugal e ficasse sem resposta?

Mandou matar alguém? (Não venham com essa do Delgado, pois não há provas nem é crível); Quis entregar o país a organizações secretas internacionalistas? Havia algum organismo do Estado que não pagasse a horas? Algum se endividou?

Não dava o exemplo? Acaso dizia uma coisa hoje e outra diferente, no dia seguinte, com o maior dos à - vontades? Fez promessas que não cumpriu? Lembram-se de alguma gaffe pública? Desbaratou alguma vez os dinheiros públicos? Inventou alguma “PPP”? Nacionalizou algum banco – e respectivo buraco financeiro - com o dinheiro dos contribuintes?

Não desenvolveu lenta, mas sustentadamente, todo o país?

Não melhorou a Indústria, o Comércio, a Agricultura, a Pesca, as Minas, a Marinha Mercante, as Forças Armadas, as Artes, a Educação, a Justiça, enfim, todos os sectores da vida nacional, tanto na Metrópole como no Ultramar? (Foi pouco, dizem, digamos que foi parcimonioso e equilibrado, gastando o que se podia com a riqueza criada e sem estar enfeudado ou dependente de ninguém!).

A lista podia continuar.

De que se acusa então, o excelente e sério, Professor de Coimbra, de uma integridade rara e à prova de bala, que se alcandorou à categoria de estadista de nível internacional chegando a ser apelidado de “Le sage de l’ Occident”?[2]

Pois acusa-se o Homem de não ser “Democrata”! Coisa que ele, aliás, sempre assumiu e nunca contestou.

Mas também parece que D. João II foi um excelente Rei e não consta que tenha sido democrata…

E, já agora, desde quando é que ser “democrata” é garantia de se ser bom em seja o que for?

Bem lhe chamou, José Hermano Saraiva, na sua derradeira entrevista televisiva, de “Ditador Santo”. Opinião de certo modo corroborada por seu irmão António – um reconhecido e respeitado intectual - e arrependido comunista – que disse de Salazar, e cito: ”Salazar foi, sem dúvida, um dos homens mais notáveis da História de Portugal e possuía uma qualidade que os homens notáveis nem sempre possuem: a recta intenção”.[3]

Creio que esta foi, até hoje, a mais conseguida síntese sobre Salazar.

Por tudo o que se disse e o muito que ficou por dizer, se pode concluir que a campanha constante e doentia, da maioria dos círculos políticos e mediáticos, contra o “Botas”, como depreciativamente lhe chamam – vejam que até aproveitam a sua parcimónia económica no calçar, para o tentarem desprestigiar – apenas reflete um incontrolável medo e pavor por alguém que jaz em campa rasa, por sua vontade, há 44 anos.

Medo e pavor da sua memória e exemplo, que não conseguem apagar e desmerecer.

Não lhes chegam aos calcanhares e sabem disso.

E muitos têm ainda, medo e pavor de que o rol extenso de crimes, traições, incompetências, sujidades morais e alarvidades várias, que cometeram – tudo, aliás, em nome dos princípios democráticos, sempre invocados – apareçam cada vez mais recortados como condenáveis, obscuros e mesquinhos face à luz que emana da obra de um “ditador”.

Parafraseando o Cristo, “Pai tem cuidado ao perdoar-lhes, pois eles sabem bem o que fizeram e continuam a fazer”…

PS. Se quiser mostrar a sua indignação e o ridiculo envie email para o INPI atm@inpi.pt
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[1] Ver relatório do Comandante da PSP de Lisboa, em 1925, Coronel Ferreira do Amaral.
[2] “O sábio do Ocidente”. Ver Boletim Geral do Ultramar, Ano 41, nº 482 (Ago. 1965), p.27-35.
[3] Semanário “Expresso”, de 12/04/1989

17 comentários:

MEDINA DA SILVA disse...

Mais uma vez parabéns. As "gentes" t~em memória curta, ou cheia de casa dos segredos...enfim...
Medina da Silva

António Silva disse...

No princípio era a desordem, em todos os domínios a desordem estabelecida atrofiava o desenvolvimento do país, Salazar constata a desordem política, financeira, económica e social da 1ª República. Inevitavelmente a mudança do caos para a ordem teria de acontecer. A 28 de Maio de 1926, a vontade popular, contando com o apoio dos espíritos mais dignos que a Nação possuía na altura, deu à luz a revolução portuguesa, a revolução nacional. Os particularismos que actuavam em nome de interesses sectários, abrigados pela decadência parlamentar e alicerçados no regime da Constituição republicana de 1911, foram banidos pela Ditadura Nacional. Abrindo-se caminho para uma nova forma de governar, onde reinaria essencialmente a seriedade, foi inevitável a dissolução dos partidos e instituindo-se um governo forte, com a proeza de não se terem verificado exonerações, nem prisões, nem deportações. Imediatamente se deu início à reforma financeira, com Salazar como ministro das Finanças, atingindo-se o equilíbrio financeiro em pouquíssimos anos. A taxa de juro desceu de 11 para 3 por cento e o sucesso só não foi ainda maior porque o Estado teve que injectar enormes verbas para modernizar o país, a bandalheira anteriormente vigente e a falta de perseverança tinham imobilizado o progresso em Portugal. Seguiu-se a reforma económica cujo truque foi simplesmente garantir a liberdade de iniciativa privada, com Salazar sustentando que “quando o Estado se substitui aos particulares sufoca a força criadora de toda a iniciativa privada”. Nas relações externas, contrariando tendências para o isolamento, o proteccionismo em marcha era apenas moderado, Salazar gabava-se de que “somos, a par de alguns outros países, dos raros pontos do globo onde é respeitada a liberdade de importação, de exportação e de comércio de divisas”. A nova forma de governar implementaria o corporativismo, que marcando a diferença permitiu a pujança económica. Segundo Salazar, a alteração das relações com o trabalho surgiu como a tábua de salvação, “a corporação representa, no domínio económico, social e político, o princípio basilar”. Como efeito imediato, apesar da crise mundial de então, recorde-se o ano trágico de 1929, Portugal não teve desemprego e estava garantida a paz social. O portão da glória abriu-se para o renascimento da Nação portuguesa.

António Silva disse...

Este homem divino, do Vimieiro, com que Deus brindou Portugal construiu, logo que possível, a ideologia que deveria orientar os cidadãos do Estado Novo Português com base na sinceridade e do seguinte modo: “noção e sentido de Pátria e de solidariedade nacional; família, célula social por excelência; autoridade e hierarquia; valor espiritual da vida e do respeito devido à pessoa humana; obrigação do trabalho; superioridade da virtude; carácter sagrado dos sentimentos religiosos”, e não esquecendo a origem do mal declara-se “contra todos os internacionalismos, contra o comunismo, contra o socialismo, contra o sindicalismo libertário, contra tudo o que diminui, divide, desagrega a família, contra a luta de classes, contra os sem-Pátria e os sem-Deus, contra a escravatura do trabalho, contra a concepção puramente materialista da vida, contra a força como origem do direito”. De seguida estabelece os princípios da Nova Constituição suportada pela ideia de que “somos anti-parlamentares, anti-democratas, anti-liberais e queremos constituir um Estado corporativo”, argumentando que “a democracia parlamentar conduziu por toda a parte à instabilidade e à desordem”. Contra o liberalismo argumentou que “o liberalismo acabou por cair no seguinte sofisma: não há liberdade contra a liberdade. Mas, nós diremos: só não há liberdade para contrariar o interesse comum”. Em relação à ideologia materialista, representada pela foice e pelo martelo, diz: “ pode-se desejar o comunismo, mas é impossível querer ao mesmo tempo o comunismo e a liberdade”. No topo do insucesso comunista dá o exemplo da Rússia, recorda que momentaneamente houve algum progresso, mas “a Rússia não reconheceu a dívida pública por si contraída antes da revolução”. Isto é, a Rússia comunista ficou a dever, até hoje, àqueles que lhe tinham concedido crédito antes de 1917. O Grande Estadista afasta-se também de outros sistemas políticos totalitários, tais como o fascismo e o nacional-socialismo, porque nestas ideologias, para além da violência implícita “o partido é o Estado, ao qual se encontra subordinada toda a actividade dos cidadãos” e “não há direitos fora do Estado”. Declara assim que o Estado Novo Português não é fascista. Porém, não negando a importância da coesão nacional, o Estado digno e forte estava na sua mira e para o efeito reforçou o Poder Executivo em desfavor do Legislativo. O objectivo era “ manter a honra da Nação, de assegurar a ordem e a tranquilidade públicas, de fazer respeitar as leis”.

António Silva disse...

Sobre o comunismo alerta Salazar: “juntou todas as aberrações da inteligência e é, como sistema e independentemente de quaisquer realizações materiais, a síntese de todas as revoltas tradicionais da matéria contra o espírito e da barbárie contra a civilização”. O providente Dr. Salazar, pensando em todos, preparou as condições necessárias para permitir à população usufruir de uma “inteligência preparada para a acção” e protegeu Portugal de todos os mal intencionados, “não reconhecemos liberdade contra a nação, contra o bem-comum, contra a família, contra a moral”. Em relação ao consumismo, muito fomentado no seu tempo e muito mais no nosso devido às fortes propagandas audiovisuais, Salazar adverte que as riquezas “não significam nada se não estão ao serviço da conservação e da elevação da vida humana”. Sobre o parasitismo, Salazar não vai em tolerâncias que só favorecem oportunistas, e afirma que “o homem que não trabalha prejudica todos os outros”, mas, a bem da moderação advoga que “se o homem não deve ser escravo da riqueza, também não deve nunca organizar a sua vida de forma a ser escravo do trabalho”, e “todo o trabalho é igualmente nobre e digno”.

António Silva disse...

No que diz respeito à emancipação feminina e à entrega das mulheres de corpo e alma à carreira profissional, que muitas vezes é a caixa de um hipermercado, Salazar não deixa dúvidas quanto à sua posição a favor da família, “o trabalho da mulher fora do lar desagrega-o, separa os membros da família, torna-os estranhos uns aos outros. A vida em comum desaparece, a obra educativa das crianças ressente-se, o número de filhos diminui”. O Grande Estadista, fundador da República Corporativa, viu como indispensável a atribuição de limites ao poder económico e à concorrência desregrada, e lembra “como tão bem disse Poincaré, o socialismo começa onde existe o monopólio”. Todavia defende que “a Constituição deve deixar uma larga margem à iniciativa privada e à concorrência”. Salazar nega que o corporativismo se possa confundir com a plutocracia, garante da corrupção, como alguns falaciosos o acusam, e refuta: “O plutocrata não é, pois, nem o grande industrial nem o financeiro: é uma espécie híbrida, intermediária entre a economia e a finança; é a «flor do mal» do pior capitalismo”. A sua intenção era mesmo por um fim ao abominável e indesejável plutocrata. Tendo uma maneira mui sui generis de governar, Salazar entendia “o poder como limitado moralmente” logo, situado longe de qualquer totalitarismo, e acrescenta “valeu-nos não cometer o erro ou crime de divinizar o Estado, a força, a riqueza, a técnica, a beleza ou o vício” e afirma convictamente: “colocamos sem temor o nacionalismo português na base indestrutível do Estado Novo”.

A obra, que dá corpo a este pequeno estudo, é um manual de ciência política de invulgar perícia, que maliciosamente esteve escondida dos portugueses durante 70 anos, apesar de ter sido publicada em 1937, em França, apenas chegou a Portugal em 2007. Como se costuma dizer: a verdade tarda mas chega.

Bibliografia:
António de Oliveira Salazar, Como se Levanta um Estado.

Gonçalo Godinho disse...

Muitos parabéns senhor António Silva! Gostei imenso!

SOL da Esteva disse...

Depois do medo que o nome Salazar debita, qualquer dia é banido todo o indivíduo que, como tal, é parte da sua identificação.Foi a Ponte, é o Vinho, será a Ana...
Se não fosse tão sério até daria para rir!
Parabéns Brandão Ferreira.
Parabéns ao Comentador António Silva.

SOL da Esteva

Ultramar-naveg disse...

_
o recém-falecido Manuel António Pina, quando infante lhe perguntavam o que desejaria ser quando fosse crescido, invariavelmente respondia que "queria ser Salazar"; porque pensava que "Salazar" era uma profissão...
Era!
Mas já não há...

Anónimo disse...

Boa noite Brandão Ferreira, prezado Amigo,

Mtº obg por mais esta dose de boa disposição...

A pesquisa/escolha da ilustração, é um achado!

Um abraço,
do
Abreu dos Santos

joaquim disse...

A "idiotia" é tanta que só dá para rir!

Anónimo disse...

José Leal, o que acho mais graça é que a maneira como o País Portugal tem sido mal Governado há um bom par de décadas com especial incidência na última e aí ninguém se preocupa com “Podia ofender a consciência colectiva e fazer perigar a ordem pública”. Realmente isto é um Drama Trágico-Cómico só que a mim não me faz rir há já uns anos largos. Num País realmente Democrático, o que estamos cada vez mais longe de ser, quem não gostasse do Rótulo não compraria o Vinho. Para votarem em Salazar como o Português mais, mais... aí já não houve problema porque o voto era secreto (Cobardes!).
Carlos Varanda

Anónimo disse...

Ex.mo Senhor
Tenente Coronel Brandão Ferreira

Venho saudá-lo pelo artigo "O medo de Salazar".

Entretanto amigo meu jurista sugeriu impugnar o acto administrativo.

Para a além do mais há razões para deixar comercializar esse vinho: desenvolver a zona e diminuir desemprego. O Ministério da Agricultura deveria saber disto.

Com os melhores cumprimentos

Rodrigo Faria de Castro
Médico Dentista

Rui Morais disse...

É sempre uma satisfação ler ajuizadas palavras sobre alguém que à medida que o tempo passa se agiganta e se equipara, inevitavelmente, aos maiores da História de Portugal.
Mesmo que seja ao invés do debitado pela sempre indigente intelectualidade dominante e predominante, que caracteriza a triste elite portuguesa desde há muito na sua incapacidade de possuir pensamento próprio e por isso vertem e embebedam-se do pensamento alheio para darem ares de inteligentes.
Conforme magistralmente descrito pelo Embaixador Franco Nogueira no excelso e sempre actual livro "Os Homens e as Crises".
Por razão de a desconhecer, o meu muito obrigado pela transcrição da opinião do Prof. António José Saraiva, que sempre soube Pensar sem necessidade de adoptar pensamentos 'europeus' para dar nas vistas deslumbráveis e estonteantes das Elites que nos sairam na rifa indigente.

Rui Morais

O mais humilde dos humildes disse...

Bravo Meu Ten.Cor. por mais um brilhante artigo estendendo o elogio aos comentadores que demonstram também uma capacidade intelectual e coragem muito muito acima da média.Sinto-me feliz por sermos cada vez mais a pensar na Pátria com o Respeito e o Amor que ela Merece e da forma intelectualmente séria e competente que ela tanto carece...

José Evaristo disse...

Olá Brandão!
Gosto do teu artigo. Está escrito com graça, com ironia, e pôs-me bem-disposto.
Não sei se é verdadeira a célebre frase, atribuída a Salazar “beber vinho é dar de comer a um milhão de portugueses”, mas achei interessante a ideia do município de Santa Comba Dão.
Eu sou do concelho de Almeirim, zona de bons vinhos, mas onde os produtores vivem com muita dificuldade pois as vendas não estão famosas. Não sou entendido em publicidade, mas não me chocava que aparecessem no mercado garrafas com o rótulo “Cortes de Almeirim” ou “Febo Moniz”. Antes pelo contrário.
Por isso, não vejo que mal poderia vir ao mundo aparecer no mercado uma garrafa de vinho de boa qualidade com o rótulo “Memórias de Salazar”.
Utilizas estilo “queirosiano” e já me fartei de rir ao ler este teu artigo, sobretudo quando admites a hipótese se ser preso alguém que tenha em casa um busto de Salazar. É que lembrei-me de um teu comentador habitual, que, desta vez, ainda não veio à liça.
Imaginei-nos a comer umas bifanas ali para os lados de Vendas Novas, bem acompanhados por um nosso bom amigo anti-salazarista puro e por uma garrafa de bom vinho “Memórias do Dito a Dor”.
O que faria ele em tal situação? Não beberia o vinho, ou arrancava o rótulo? Espero que ele nos venha tirar esta dúvida em breve A não ser que ande muito ocupado a tentar livrar-se do busto, não vá o diabo tecê-las.
Bom! Vamos às bifanas e deixemos os mortos em paz!
Cumprimentos,

José Baptista Evaristo
Coronel de Engenharia na Reserva

Anónimo disse...

Parabéns pelo artigo sobre tão ilustre governante.Como beirão,sou adepto de disciplina e rigor.
O meu bisavõ "Mestre Albino" foi ele que construiu a casa de Salazar no Vimieiro, sendo um dos seus artifices o meu avõ, o qual eu recordo com saudade das histórias que me contava e dos ensinamentos que me transmitiu.
ZéManel

Marcos Pinto Basto disse...

Dr.António de Oliveira Salazar, o mais ilustre governante que Portugal já teve, deveria servir de exemplo para esse bando de traidores muito ladrões que afundaram o País e ainda têm a ousadia de proibir que se lhe faça singela homenagem, nomeando um vinho com seu nome. Pobres imbecis que tentam apagar a memória daquele competente governante cujos méritos jamais conseguirão sequer passar longe, de tão incompetentes se têm mostrado.