quarta-feira, 18 de maio de 2011

ULTRAPASSAR A CRISE? COMPREM MAIS SUBMARINOS!

“É a nação Portugal que está a acabar”
Resposta que um idoso, único habitante de um monte, a 20 km de Bragança, deu a um repórter de uma estação de TV, sobre se sabia o que se estava a passar no país.

Não acreditam que precisamos de mais submarinos? Já vão acreditar.
do http://psiquiatruras.blogspot.com/
Em 1926 a situação económica e financeira de Portugal era bastante melhor do que a actual mas, em termos políticos e sociais, estávamos muito pior. De facto os indicadores pelos quais se aferem os dois primeiros âmbitos assim o provam. Aquando do 28 de Maio a dívida pública era cerca de 63% do PIB; de 1910 a 28 houve um deficit acumulado de 2.684.724 contos (78.900.000 libras); em 1920 os salários referidos aos preços já valiam apenas um terço do que em 1910, e tudo isto apesar de a seguir à IGG se viver sem contas e sem orçamento, já que a classe política da altura não se entendeu sobre como pôr um de pé…
Presentemente a divida pública é já de cerca de 100% do PIB (e não está lá tudo!) – em 1974 era de 15% - e segundo o conceituado docente Santos Pereira, Portugal está na lista dos 10 países mais endividados do mundo. Nem vale a pena falar nos restantes indicadores macro económicos, um verdadeiro filme de terror que a pouco e pouco se vem tornando público. Acresce que agora já não temos onde ir buscar um saco de diamantes, se é que me faço entender. Nós estamos a viver a pior crise dos últimos 120 anos, diria até desde 1820, que foi quando toda a actual tragédia começou…
Relativamente a questões políticas e sociais presentemente estamos melhor, não deve, contudo, durar muito. É preciso notar que, em 1926, já íamos em 100 (cem!) anos de guerra civil, se contarmos com a imposição da Carta Constitucional de 1826 (decorrendo das desgraças das invasões francesas e da perda do Brasil); a adulteração da Casa de Bragança pela influência da Casa de Coburgo – Gotha e a interferência constante e transversal das lojas maçónicas. Tudo isto visava a implantação do liberalismo político – económico anglo – francês, em tudo avesso às tradições e matriz portuguesas.
A I República quis, em cima disto, implantar uma espécie de “democracia directa” misturada com ditadura jacobina que lembrava Danton e Robespierre. O resultado foi o período mais infame que em Portugal já houve. Lembra-se resumidamente: oito PRs (um cada dois anos), dos quais um foi assassinado (idem para um chefe de governo), dois foram exilados, um resignou, dois renunciaram e outro foi destituído; 45 governos (média de três governos/ano); oito parlamentos, dos quais cinco foram dissolvidos violentamente, e 11 ditaduras, ou seja restaram apenas cinco anos cumpridos dentro da legalidade constitucional.
Por outro lado, de um relatório do comandante da policia, coronel Ferreira do Amaral, datado de 1925, podemos ler que numa semana de Setembro de 1920 se contaram 15 greves, e que nos quatro anos anteriores, só na cidade de Lisboa houve oito guardas assassinados e 45 feridos a tiro e à bomba, além de 30 mortos civis e 92 feridos, da mesma maneira. O número de bombas deflagradas nas ruas da capital elevou-se a 325! Ou seja Na altura, Lisboa assemelhava-se a Bagdad, na actualidade…
A ditadura militar instaurada em 1926, pôs ordem nas ruas, mas não soube resolver o problema financeiro que se agravou. Os generais Sinel de Cordes e Ivens Ferraz negociaram um empréstimo (parece que só se sabe fazer isto…), de 12 milhões de libras, na Sociedade das Nações, mas as condições leoninas que nos impuseram levaram o governo a rejeitar o empréstimo. Só então se concordou com as condições de um certo professor de Coimbra, que foram buscar para ministro das finanças. O resto da história é conhecida, embora muito mal contada e convenientemente esquecida.
O actual empréstimo, negociado com a “Troika” devia ter levado o caminho daquele, por variadíssimas razões, a saber:
·         Enquanto nos continuarem a emprestar dinheiro, o problema político – de onde derivam todos os outros – não será resolvido em Portugal;
·         O empréstimo (e os que se seguirão), não são passíveis de serem pagos, nem daqui a 200 anos, a não ser que se descubra petróleo no Beato ou ouro em Foz Côa;
·         O empréstimo é feito a uma taxa de usurário e, por isso, inadmissível;
·        O dinheiro só vai servir para pagar juros, dívidas externas e internas, afim de não deixar colapsar o Estado. Não vai ser investido na economia nem em actividades reprodutivas, logo não tem mais-valia futura. É apenas mais um ónus. Até um simples aviador como eu, percebe isto;
·         O empréstimo, que não tem nada de filantropia destina-se, outrossim, a financiar os grandes bancos europeus, nomeadamente, franceses e alemães, em particular, e a alta finança ligada á Wall Street, em geral – nisto é mister dar razão a Jerónimo e a Louçã;
·         Tudo isto representa uma canga insuportável, que nos leva a soberania que nos resta. Depois não vai haver revolta que nos salve. Nem o Conde Duque Olivares se atreveu a tanto;
·         Para garantirmos estes empréstimos e os próximos – por esta lógica isto não vai parar nunca – vamos ter de abrir mão de tudo, privatizar tudo (a TAP, por ex., vai já á vida e por tuta e meia, por causa do enorme passivo que tem…), vender tudo. Quando não restar nada pagamos com sangue. Não parece ter sido para isto que o grande Afonso foi á luta em S. Mamede;
Finalmente, não deveríamos ter feito este acto suicidário, pela simples razão de que os partidos e todo o sistema político existente, não vão conseguir honrá-lo. Irão desentender - se todos e não haverá autoridade para nada. Também não acreditam? Leiam Fernando Pessoa (“O Interregno. Defesa e justificação da Ditadura Militar em Portugal”, 1928):
“Os partidos, (…) como têm um ideal político distinto do ideal nacional (sem o que não seriam partidos), ora sobrepõem aquele a este ora o infiltram neste, assim o pervertendo. Os partidos, ainda, como têm que ter a aparência de se apoiar na opinião pública, buscam “orientá-la”no sentido que desejam, e assim a pervertem; e, para sua própria segurança, buscam servir-se dela, em vez de a servir a ela, e assim a sofismam.”
Ora, lamentavelmente, os partidos actuais não são muito diferentes dos contemporâneos do grande poeta, enfim, aqueles seriam até mais patriotas…
Em súmula, chegando-se à conclusão que o empréstimo nada vai resolver, ao passo que tudo se irá agravar, então mandaria a lógica que interrompêssemos o caminho para o abismo quanto antes.
Mas as coisas não se irão passar assim, pela questão pueril de que não há coesão política e social e pela especificidade da natureza humana: ninguém quer fazer sacrifícios se lhes puder furtar, nem alguém no seu juízo perfeito – muito menos um politico - gosta de ser portador de más notícias. Ou seja, temo bastante que só quando houver fome, greves selvagens e “bombas” se irá atacar os problemas de frente. A alternativa (rara), só existiria com o aparecimento de uma verdadeira elite política. E todos sabemos que tal, de momento, não existe. Aliás, nos últimos 30 anos em vez de as tentarmos formar, fez-se tudo para as eliminar.
O que se deveria então fazer? A lista é longa e dura e teria que ser harmonizada numa política medularmente portuguesa, servida por uma grande estratégia. E quem a delinearia e poria em prática? Voltamos ao mesmo, não pode ser com a actual classe política – que foi quem nos trouxe ao inenarrável cenário contemporâneo - e que o dia seguinte às próximas eleições legislativas irá provar, mais uma vez, à saciedade.
Um conjunto de medidas – quando for possível implementá-las – passará pela eventual saída do euro, da UE (a NATO também não vai por bom caminho), sair da zona de influência das agências de rating, regular fronteiras e trabalhar com os meios que tivermos. Concertar acções com outros devedores; renegociar a divida e embargar o seu pagamento, quando isso nos interessar. Voltarmo-nos para o mar e pôr a CPLP a funcionar. Tornar-nos neutros nas contendas europeias e afastar do poder todos os cidadãos que prefiram obediências estranhas à sua matriz nacional. E claro julgar e prender, numa prisão a sério, todos os que até hoje incorreram em ilícitos criminais. Quem está à frente dos destinos do país tem que dar o exemplo.
Ao contrário do que a maioria dos receosos pensam, só teremos dois problemas sérios pela frente: alimentar a população (água ainda temos alguma e vinho não falta!) e ter um mínimo de energia para nos sustentarmos – não produzimos e não temos como ir buscá-los pois, entretanto, estes adiantados mentais reduziram a marinha à exiguidade!
Finalmente, hélas, precisamos dos submarinos para tirar veleidades a uns quantos membros da "comunidade internacional", para não nos bombardearem como estão a fazer à Líbia ou para, no mínimo, não pensarem que entram aqui a passear.
Creio que, agora, o título já faz sentido.

6 comentários:

Lopo disse...

Muitos parabéns! Só um grande Patriota pode falar assim.Patriota e inteligente,com visão do passado,remoto e recente,e capacidade para adivinhar o futuro.Pena é que não haja mais Homens assim.Bem -haja! VIVA PORTUGAL!

Guilherme de Oliveira Martins disse...

Renovo o meu apoio ás ideias expressas pelo Snr. T.Cor Brandão Ferreira.


Quando surgirá algum Português para mobilizar as latentes energias Nacionais ?



Guilherme de Oliveira Martins

Medina da Silva disse...

O senhor pertence, seguramente, a uma rara ESCOL como diria o grande Fernando Pessoa,que nada tem a ver com a dita elite que nos tem desgovernando. Parabéns mais uma vez, e acredite, poderemos já sermos poucos, mas seguramente "dos bons".
Abraço
Medina da Silva

MIGUEL disse...

FALTAM MUITOS SIMPLES AVIADORES COMO O SR. TE. COR.
CHAME, ANDAMOS TODOS POR AQUI.

Abreu dos Santos (senior) disse...

Caro Brandão Ferreira,
Chegados a este estado-de-sítio, por via do excesso de "submarinos", do que agora estamos mesmo necessitados é de F-16 para atacarmos, ao solo... e às claras!
Abraço,
J.C. Abreu dos Santos

A. João Soares disse...

Caro Bandão Ferreira,

Vale a pena pensar no que está a passar-se no mundo à volta do Poder real internacional:

Deslocação geográfica do Poder mundial
No post Crise, história e mudança ficou resumidamente a ideia de como ao longo da história a sede do Poder mundial se deslocou através do planeta e previa-se que os denominados países emergentes irão ter um papel de realce no futuro próximo.

Aparece agora a notícia de que a China «aconselha» aos Estados Unidos terem responsabilidade para com os seus investidores. Isto passa-se depois de a agência Moody’s ameaçar baixar a classificação da dívida norte-americana.

Por detrás de tal «conselho» ou aviso está o facto de a China ser o maior credor dos Estados Unidos, com mil milhões em títulos no final do mês passado, o que a faz temer dificuldades se a economia norte-americana entrar em recessão e destabilizar os mercados financeiros mundiais.

Sobre as perspectivas de desenvolvimento da China e a sua possibilidade se tornar potência mais poderosa do mundo, sugere-se a leitura dos seguintes textos:

- Os europeus correm contra o muro
- A China entra na Europa pacificamente
- A China e o futuro da geoestratégia
- A China em fase de evolução rápida
- Transformações no Mundo
- As mães chinesas educam melhor?

Um abraço
João