domingo, 31 de outubro de 2010

ALMOÇO CURSO ALVES ROÇADAS 39.º ANIVERSÁRIO

Charla que proferi no 39.º aniversário do curso Alves Roçadas (entrada na Academia Militar em 1971/2)

30/10/2010
Ilustres convidados
Para vós a minha primeira e agradecida saudação. A vossa persistência em estar presente nestes convívios certamente que será devidamente apreciada nas contas do deve e do haver para se atingir o etéreo. Sejam bem vindos!

Roçadinhas fêmeas (por afinidade!), folgo em vê-las lustrosas e luzidias apesar do gólgota a que subsistes, quando juntastes os trapinhos com tão jurássicos vertebrados; a minha simpatia por tão penosa penitência que faz parecer as auto flagelações dos xiítas um divertimento de fim de tarde.

Em boa hora nascestes mais cedo e assim não estivestes passíveis de cair na tentação em se alistarem nas fileiras por onde passaram os Gonçalves Mendes da Maia, os Salvadores Correia de Sá e tantos outros e, desse modo, fazerem jus a essa grande conquista do mulherio e da civilização moderna, que foi o de trocarem os carinhos maternais pela dureza da recruta. Sortudas, que não tiveram que escolher entre ouvir um “e que tal se fossemos jantar com música e velas”, e um “às 1000Z (este zulu aplica-se apenas ao pessoal da Força Aérea…), pronta para sair em patrulha…”; e que pena não haver mais generais como aquele comandante dos marines que, a uma pergunta de uma senadora do congresso sobre porque não permitia que as mulheres fossem para as especialidades de combate respondeu: “madam, war is a business of destroying things and killing people, and we both know, that women are not very good is doing that!” Não houve mais perguntas.

Ou seja, antigamente a malta convidava as moçoilas para o namoro e para a cama; agora – os que ainda praticam (parece que vai para aí grande moléstia!), convidam-nas para a guerra! Há quem chame a isto o progresso da sociedade e a igualdade dos direitos.

Roçadinhas machos – vós próprios, mesmos – começo por vos acutilar, não com uma citação de Virgílio, pois o vosso estádio evolutivo não passou ainda do incipiente ao enconatus; dizia, mas apresentando-vos uma simples citação do tempo em que se referiam à Hispânia, como uma entidade geográfica.

Reza assim: “adeamus ad montem fodere putas cum porribus nostrus”; que é como quem diz “vamos à montanha plantar batatas com as nossas enxadas…”. (se tivessem estudado latim não teriam pensado besteira…).

E é assim, caros colegas, que entrámos no trigésimo nono ano em que nos cruzámos pela primeira vez naquela mole infrática, e que ainda hoje não está longe daquela definição que nos persegue.

Ou seja, “um infra é um himalaia de m…. que ocupa a posição de homus erectus por uma aberração da natureza e está 30 pontos abaixo de cão e 5 acima de polícia”!

Ah, e aqui estamos nós, na polícia, usufruindo desses cinco pontos de vantagem que (ainda) vamos tendo, agradecendo aos dois infráticos do curso que atingiram na PSP altos cargos e que parecem irem ser os últimos daquela legião iniciada em 1801, (como guarda real de polícia), que enquadraram a corporação do longo dos tempos. Pelo menos até uma próxima bernarda obrigar novamente o exército (se ainda houver), a pôr ordem na casa. Mas como não viemos aqui fazer futurologia, fiquemo-nos por realçar a qualidade do ágape, que saiu fora das normas da manutenção militar, usando a velha fórmula de que “estava bom, abundante e bem confeccionado, agradando de um modo geral a quem dele se serviu”. O infra cão Aguiar fez, até, a prova prévia do rancho, junto às cavalariças…

Ao fim de 39 anos de vos tentar aspergir a massa encefálica com alguma luz e sustento espiritual, em simultâneo com alguns dizeres com que vos consiga arreganhar a “taxa”, fico sempre com esta dúvida existencial que é o de saber o que dizer mais. Lá me tenho conseguido desenrascar em cada ano, o que não deixa de constituir uma prova teológica de que “Deus existe”. Só pode! …

Desta vez não tive que pedir ajuda à providência divina, a escolha foi fácil, a “crise”, isto é, o início da agonia, dava pano para mangas.

Comecei por me inspirar numa quadra do fado vadio, reza assim:

“A pobre da Miquelina (que era costureira)
trabalha sempre que possa
de dia, de agulha fina,
à noite, de agulha grossa.”

E foi assim que as forças vivas representantes do Estado da República – e do estado a que isto chegou – tenham esperança que vai piorar – vieram pedir a ajuda do curso Alves Roçadas a fim de se debelar a crise.

Os roçadinhas não se fizeram rogados e seguindo sempre o exemplo do seu patrono e o estímulo pavloviano que aprenderam quando formavam nas cagadeiras de número três e sem nada por baixo, responderam em uníssono:

Prontos para se “prejudicarem”, alínea "f"! E lá rumaram todos para a Porcalhota, vulgo Amadora.

Como já não havia corneteiros, nem de resto, quaisquer músicos, por os instrumentos musicais terem sido empenhados, na associação dos prestamistas lisbonenses, a fim de se poder financiar a ida de uma secção de saúde para a fronteira entre a China e a Coreia do Norte e, desse modo, garantir o prestígio português na cena internacional, pediu-se emprestado o vozeirão do infra morteiro para mandar formar (morteiro é a tua deixa…).

E foi assim que o infralhão formou na parada da Amadora, a qual apesar dos apetecíveis hectares, ainda não sucumbiu na especulação imobiliária.

Como o pessoal já estava mais para lá do que para cá e muito relapso à ordem unida e muito menos a acertar o passo, foi chamar-se o candidato Canelas, também conhecido por “bicho”, a fim de impor alguma ordem nos pelotões.

Antes de se entrar na atribuição de tarefas, começou-se por satisfazer um pedido da sociedade republicana das belas artes, que queria homenagear o centenário que se comemorava, com um novo busto da República. Ora dados os custos exorbitantes das coristas para posarem, mesmo que só descascadas em parte, aquela prestimosa agremiação veio solicitar um voluntário ao curso, para cumprir a função.

Resulta que, saiu nomeado por unanimidade e aclamação, para esta patriótica missão, o infra Óbus 14, com a indicação para fazer um implante mamário, a fim de realçar as formas (não vejo porque se riem, a coisa também não merecia mais!).

Ora bem, com o lema “minorar custos (para os lorpas), e aumentar a produção (sem trabalhar muito)”, lá se começou a distribuição de tarefas, isto sem que o infralhão tivesse que formar e destroçar umas 18 vezes já que os estafetas do governo nunca mais entregavam as “ordens” apesar de se apresentarem cheios de sono e com olheiras e se confessarem cansados. Felizmente que nada disto saiu nos “media”, dado que os jornalistas andavam todos num afã à procura do submarino tridente (que a marmotaria escondeu nos braços de Neptuno, não fosse o diabo tecê-las), a fim de lhe encontrarem comprador. Esse afã de venda está a ser prejudicado por causa do processo “face oculta”, que mantém alguns sucateiros arrecadados até que a próxima alteração do código do processo penal, os liberte.

Quando, finalmente, as ordens chegaram a prioridade ia para o estabelecimento de um sistema de comunicações com Bruxelas donde vêm as ordens e o escrutínio dos diplomas que ainda vamos elaborando. Assim o pessoal de cavalaria vai montar um sistema de diligências e estafetas entre o Caia e a “Grand Place” com uma derivação até Estrasburgo. Este sistema tomou o nome de “nova mala-posta”. Como também era necessário chegar ao QG do comandante-chefe, sito em Berlim, que ficava longe e já não havia pilecas suficientes para o transbordo, os infra Truta e Orelhudo foram encarregues de montar um sistema de pombos-correios entre S. Bento e a porta de Brandeburgo e daqui directamente para a srª Merkel.

Ainda na ânsia de reduzir custos o pombal de S. Bento seria feito aproveitando os restos de um galinheiro em tempos utilizado por um obscuro anterior inquilino, que assim aliviava os gastos e mantinha viva a vida campestre.

Obscuro e incompetente, pois não é que o magano, ao fim de um ano de lhe terem entregue as contas públicas para a mão, que estavam em bancarrota havia décadas, ele as equilibrou, tendo a ousadia de as manter equilibradas e com superavit até morrer!? E que mau exemplo deu, entrando pobre para o poder e pobre morrendo, apresentou sempre contas de tudo e nunca mentiu! Não se faz…

O pessoal do barrote ao alto (ao alto, ao alto), ou seja os infras Chicalhão, Cavalo, Contrabandista, Dardo, Velho, Catatau e Get Smart – o infra Valongueiro Nunes teve que ser admoestado para se juntar ao grupo, pois andava baldado, a passear a cadela do capitão “In”, Curado, que apesar dos seus 39 anos andava com um cio desgraçado – dizia, foi encarregue de pôr de novo nos carris o Batalhão dos Caminhos de Ferro.

Para isso foi-lhes entregue a antiga casa mãe onde deixou de funcionar a Escola do Serviço de Saúde Militar, que já não servia para nada pois tinham enviado os enfermeiros que sobravam para as escolas civis por ser… mais barato!

Quartel este cheio de história, pois foi fundado pelo saudoso Conde de Lippe, em 1762, entre cujas primeiras medidas se contam o ter proibido que os oficiais superiores o servissem à mesa pois segundo disse “queria que eles estivessem sentados com ele à mesa”; levantou a infamante obrigação dos algarvios (vá-se lá saber porquê) estarem destinados a servir como tambores ou corneteiros e proibiu os jogos de azar a dinheiro e as paneleirices! Abençoado seja para todo o sempre!

Não esquecer ainda, que anos depois estava lá aquartelada Infantaria 16 que, apesar de ser uma das últimas unidades que os republicanos esperavam que se revoltasse, foi a primeira a sair à rua na madrugada pouco heróica de 5 de Outubro, depois de um grupo de carbonários ter liquidado o comandante, acto que não tem deixado de ser devidamente enaltecido!

Constato agora – no meio desta magnífica oração de sapiência, antigamente chamada “Oração Pró Róstris” – os vossos holofotes esbugalhados, que a miopia galopante não consegue disfarçar, acompanhado da posição da cavidade auricular, que se assemelha à dos ungulados herbívoros, antes de matarem a sede nos riachos africanos, apurando a atenção e sustendo a admiração a fim de descortinarem porque obra de santa Engrácia, o eminente estado-maior havia de querer restaurar os antigos sapadores de caminhos de ferro!? Pois é simples: alguém tem que ir construir o troço de via-férrea entre o Poceirão e Xabregas, a fim do TGV – tanga, grande e vergonhosa – poder chegar à capital do ex-império!

*****
Chegou agora a vez da padaria entrar em cena, Caetano, chama-os lá!... (eh padaria!)

E em boa hora chegaram, pois era urgente despachá-los para S. Bento onde havia um grupo de desgraçados quase a morrerem de forme. Não, não foram os monges beneditinos, que fundaram o convento, muito oportunamente requisitado para servir de parlamento – ó ironia do destino – que queriam montar uma nova sopa dos pobres. Tratava-se de acorrer aos senhores deputados, que aliás são eleitos sem ninguém os conhecer, que se queixaram das desgraçadas condições em que vivem. Ou seja, as ajudas de custo e demais rol de “emolumentos” não chegam para se alimentarem. Tão pouco os 961.000 euros que estão orçamentados para o ano corrente – e nós pagamos – para subsidiar o refeitório de S. Excelências, pois os poucos euros que pagam por refeição, obviamente não chegam para pagar o custo da dita.

Assim lá foram os infra Boi, Minhoca, Landrú, Esqueleto, Tagarela e Rabit, com umas cozinhas de campanha, para lhes preparar uma sopinha e distribuir umas quantas rações de combate, compradas em Espanha (oh meu Santo Nuno Álvares Pereira, volta-me à terra!), e que por serem intragáveis estavam a apodrecer numa cratera enorme onde em tempos funcionou a manutenção militar, a qual em tempos idos – e apesar do Valentim Loureiro – conseguiu alimentar, fardar e equipar 200.000 homens em pé de guerra em quatro continentes e em simultâneo!

Do mesmo modo, a padaria aeronáutica, onde se destacam os infras Paula, Vira Latas, Faquir, Avó e Cricri, munidos dos mealheiros dos antigos peditórios da Cruz Vermelha Portuguesa e depois de vestidos e maquilhados pela Fátima Lopes, iriam pelos caminhos dos diferentes santuários pedir umas moedinhas para complementar as diferentes reformas dos 4560 gestores das empresas públicas, fundações, parcerias público-privadas, empresas municipais, etc., do Estado, que andam combalidos, por já não conseguirem almoçar e jantar no “Eleven” e quejandos, sete dias por semana. Agora só lhes dá para seis vezes, coitados!

O pessoal de Artilharia que tem fama de perceber umas coisas de matemática e balística – embora eu duvide o mais possível, pois os gajos limitam-se a espreitar pela alça e depois bombardeiam as tropas amigas – e que, por vezes, concorrem com a Cavalaria em termos de ver quem é mais bruto, vão reiniciar as escolas regimentais! Isso mesmo, e para uns alunos especiais: a multidão de economistas e financeiros que, nos últimos 30 anos, serviram os governos desta 3.ª república.

Deste modo, os infras Pacote de Tabaco, Freitas, Gansolino, Cueca, Ciclista e Azul, vão ensinar aos seus asnos alunos, coisas simples tais como: a receita tem que igualar a despesa; não se pode pedir mais do que se pode pagar; é preciso produzir primeiro para distribuir depois – e não o contrário –; que a moeda deve valer o seu valor facial; não se pode gastar mais do que o que se tem e outras equações simples de aritmética e de bom senso, que qualquer boa dona de casa sabe, sem ninguém lhe ensinar.

Donde se pode concluir que os economistas e financeiros são um produto supérfluo da sociedade, são ou incompetentes ou mentirosos, pois nunca acertam nas previsões, e perniciosos, pois albardam o burro à vontade da demagogia dos votos e vêm hoje justificar o que contrariaram antes.

E conseguem ainda ser piores que o Conselho de Chefes pois não há dois que acordem em coisa alguma!

O infra Cueca tem ainda uma missão adicional que é o de ministrar uma aula de volteio com as mulas sobreviventes da artilharia de montanha, àqueles que se enganarem nas contas de somar; à parte o Freitas que se voluntariou para assapar os asneantes que tenham cara que peça murro!

*****
Os infantarocos que já estavam a ruminar a um canto por ninguém lhes ligar pevide, pois não se descortinava onde haveria um QG inimigo onde eles pudessem amarinhar pelo poste acima a fim de desfraldar a bandeira e assim consumar a vitória, acabaram por receber guia de marcha para passarem pelas antigas oficinas de fardamento a fim de se disfarçarem à século XVIII e a seguir pelo museu militar – que se devia talvez chamar do exército, pois assim faz parecer que os museu do ar e da marinha não têm aquela qualificação (de militar) – a fim de receberem alabardas. O passo seguinte foi dirigirem-se ao palácio Palmela onde estacionariam com a missão de prestar honras ao respectivo inquilino, o Procurador-Geral da República. A racional é cristalina: tendo S. Ex.ª declarado ser idêntico à rainha de Inglaterra em questão de poderes, ficava mal ao estado português não lhe arranjar uma pequena corte.

Ainda se pensou em contratar dois cidadãos de epiderme negróide para o abanar, que estivessem a receber subsídio de desemprego, mas tal foi chumbado pelos berloqueiros esquerdoides, por tal não ser de bom-tom face à “ética republicana”. Aos observadores independentes pareceu muito mais consequência da srª Merkel ter declarado, recentemente, que o “multiculturalismo tinha falhado na Alemanha!..”

Por falar em justiça, os infras Lamelas e Porco Espinho – que se devem ter zangado com o curso pois nunca puseram os pés nestes encontros – foram despachados para fazer a manutenção da frota de luxo automóvel dos 17 juízes, 17, de nomeação política, do Tribunal Constitucional, apêndice de ostentação oriental, que ninguém sabe muito bem para que serve … ora como a dita frota custou quase um milhão da moeda que em má hora substituiu os saudosos escudos – que ainda espero ver de volta – passo, que nem o Conde Duque Olivares se atrevera a dar – dizia, agora já não resta um cêntimo para os manter, na marca de origem!

Os camaradas infráticos resolveram a questão em três tempos: rebuscando nos apontamentos amarelecidos das mui antigas aulas de química, construíram uns cordões detonantes, e lembrando-se de uma célebre pergunta do infra Tonecas pára-quedista para o catedrático Jack Dinamite, relativamente à quantidade do dito cordão, necessária para destruir um Volkswagen verde (que era o carro do professor), rapidamente os carros dos pobres juízes foram para o galheiro. Eles que se fossem queixar ao sindicato!...

Finalmente, o nosso almirante de esquadra honorário, infra Pedragulho, acolitado pelo infra Pato Donald – que andava a tirar um curso de patrão de costa, a fim de poder utilizar as suas membranas natatórias intersticiais, fora das lagoas, enseadas e charcos onde chapinhava – foram requisitados para o ministério da educação para irem remodelar os cursos das “novas oportunidades” cujo objectivo agora era o de dar mestrados em “generalidades e culatras”, reconhecidos por Bolonha a todos os desvalidos que estavam a receber o rendimento mínimo de inserção, indevidamente (com excepção dos ciganos, já se vê); incendiários presos pela terceira vez; recambiados da prisão de Guantanamo; arrumadores de carros arrebanhados; os expulsos das escolas secundárias por baterem nos professores, ex-drogados a quem a metadona já não faz efeito, etc. mediante a frequência de quatro semanas de aulas com horário entre as 10 e as 16 com duas horas para almoço e dois intervalos para puderem fumar uns charros e curtir umas marmeladas.

Eis algumas perguntas que farão parte do exame final:

• Por que é que os Flintstones comemoravam o natal se eles viviam numa época antes de Cristo?

• Porque é que a série se chamava “missão impossível” se eles sempre conseguiam cumprir as missões?

• Porque é que os filmes de batalhas no espaço tem explosões se o som não se propaga no vácuo?

• Se os homens são todos iguais, porque é que as mulheres escolhem tanto?

• Porque é que as mulheres abrem a boca quando estão a passar um creme no rosto?

• Porque é que a palavra “grande” é menor que a palavra “pequeno”?

• Como se escreve zero em algarismos romanos?

• Porque é que as luas dos outros planetas tem nome, mas a nossa é chamada só de lua?

• Porque é que as pessoas apertam o controlo remoto com mais força quando a pilha está fraca?

• Quando inventaram o relógio, como sabiam que horas eram, para poder acertá-lo?

• Se depois do banho estamos limpos porque lavamos a toalha?

• Como foi que a placa “é proibido pisar a relva” foi lá colocada?

• Porque é que quando alguém nos pede que ajudemos a procurar um objecto perdido, temos a mania de perguntar “onde é que você o perdeu”?

• Porque é que existem pessoas que acordam outras para perguntarem “se estavam a dormir”?

• Porque é que as lojas “24 horas” tem porta, se ela está sempre aberta?

• Se cárcere e prisão são sinónimos, porque é que carcereiro e prisioneiro não são?

• Se a ciência consegue desvendar até os mistérios do ADN, porque é que ainda ninguém descobriu a fórmula secreta da Coca-Cola?

• Se deus está em todo o lugar porque é que as pessoas olham para cima para falar com ele?

• Se o vinho é liquido como pode ser seco?

• Se o pato Donald não usa calças, porque é que ele usa uma toalha enrolada na cintura quando sai do banho?

• Porque é que numa festa ou num bar, as mulheres nunca vão sozinhas à casa de banho?

• Se toda a regra tem excepção, e isso é uma regra, qual é a excepção dessa regra?

• Porque é que “separado” se escreve tudo junto e “tudo junto” se escreve separado?

• Porque “abreviação” é uma palavra tão grande?

• Deve-se usar agulha esterilizada para injecção letal num condenado à morte?

• Porque é que não há comida para gatos com sabor a rato?

• Se uma palavra estivesse mal escrita num dicionário, com saberíamos que estava errada?

• É possível carregar um cacho de bananas no porta – malas do carro junto com o macaco?

• A zebra é preta com listas brancas, ou branca com listas pretas?

• Porque é que os sabonetes tem diversas cores, se a espuma de todos é sempre branca?

• Finalmente, um avião embatendo num navio, configura um acidente aéreo ou marítimo?

Sem dúvida que estes novos cursos tornariam Portugal um exponente na pedagogia do século XXII e imbatível em qualquer modalidade estatística…
Caros camaradas, eis o caminho para o grande futuro que nos espera!

Por isso antevejo e prometo-vos, que para o ano iremos festejar as 40 primaveras do curso numa praia da Polinésia francesa.

Beijinhos, vejam se não morrem ou desfalecem e até para o ano.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

LA CRISE, TOUJOURS LA CRISE!

Pululam as entrevistas, as mesas redondas, os colóquios, as conferências, etc., sobre a crise. Leia-se crise económica e financeira. Desta vez, foi na Universidade Católica, envolvendo três prestigiados economistas.

Pela enésima vez abundaram gráficos, números, razões da desgraça, diagnósticos, que sei seu?

Há muito que se sabe tudo isto, o problema é que ninguém aponta saídas/soluções para o buraco em que estamos metidos.

Desta vez também não se fugiu à regra tirando as já estafadas necessidades de reduzir os gastos do estado e aumentar as exportações. Pois, mas como, onde e quando?

Sala cheia como se, finalmente, as pessoas tivessem acordado duma longa letargia – pudera estão-lhes a ir ao bolso (só é pena que não reajam da mesma maneira quando lhes atingem a alma e o coração) – e não tivessem dado por nada e fossem alheias, ao que foi acontecendo no país ao longo dos últimos 35 anos…

Não serviu então para nada a sessão? Serviu, as pessoas levam tempo a consciencializar-se das coisas e o princípio leninista de que uma mentira repetida muitas vezes, passa a verdade, nunca mais deixou de fazer escola. Agora, não estiveram a discutir o cerne da questão. O cerne da questão não é a economia nem as finanças, mas sim a política. Nós não temos uma crise económica e financeira, temos é uma dramática crise política. Melhor dizendo, nós temos problemas económicos e financeiros, mas estes derivam e são consequência de uma crise profunda, da política e dos políticos. E sem se resolver aquela e estes, não se pode acudir ao resto. Daí a principal razão pela qual os economistas não se atrevem a apresentar soluções...

Aliás tudo, mas tudo, o que os oradores disseram, apontava para isto mas, objectivamente ninguém o referiu. Como, de igual modo, a uma pergunta de um general, que estava na assistência, sobre a qualidade e responsabilidade dos políticos sobre a “crise”, nenhum dos membros da mesa se dignou dirigir-lhe uma palavra!

Houve até, um comentador aos conferencistas, que afirmou várias vezes (desculpou?), que a maioria das asneiras feitas, terá sido feita com boas intenções. Pois é, meu caro senhor mas, como sói dizer-se de boas intenções está o inferno cheio!... E isso não retira responsabilidades aos fautores.

De facto, existe uma crise política que tem três vertentes principais: a qualidade do sistema político em si (que é mauzinho, graças a Deus!); o modo como se põe em funcionamento o sistema político (que é ainda pior…) e a qualidade dos políticos que o servem, melhor dizendo, que dele se servem!

Isto tem tido duas resultantes: uma crise de moral pública e muitos casos de polícia. A crise de moral pública funda-se no relativismo moral que leva à bandalhice dos costumes; os casos de polícia resultam da impunidade que as prevaricações do dia a dia registam, a que não é alheio a alínea anterior e a ineficácia do sistema judicial (entretanto blindado para garantir a corrupção e status quo político). Ora os corruptos e os ladrões têm que ser presos onde não existam estatutos de privilégio, onde se trabalhe no duro, não haja TV, ginásios, telemóveis, droga e salas para actos sexuais aprovados. Não pode, pois, ser numa prisão portuguesa, tem que ser numa prisão a sério!

Uma outra questão fundamental que também cai na área política é que a economia não deve ser encarada como um fim em si mesmo. Tem que derivar de uma política e ser instrumento de uma estratégia. Do mesmo modo, o sistema financeiro deve ter como objectivo apoiar a economia e dar resposta a preocupações sociais e não servir apenas para especulação bolsista (ou outra), apoiar o consumo e engordar banqueiros.

Por tudo isto entende-se a dificuldade dos economistas (que qualquer dia são mais que os consumidores…) – dando já desconto a que não existem dois que se entendam sobre seja o que for – em apontar soluções para o futuro. Tinham que entrar em opções políticas em que não se querem comprometer. Sabendo de antemão – até foi dito que os políticos não se emendam – que só uma ditadura de homens honestos e competentes (uma espada servida por um pensamento, como diria o Eça), poderá fazer sair o país do atoleiro em que está (os países ocidentais, note-se, não estão melhores). Mas isso só apoiarão quando for tarde demais, ou já estiver em curso.

É a razão das coisas...

Ler clicando no título SERÁ PORTUGAL UMA DEMOCRACIA?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

OS POLÍTICOS PODEM MENTIR, OS GENERAIS ESPERA-SE QUE FALEM VERDADE…

O título pode sumarizar o que mais importante se disse no muito actual debate relativo às relações entre a NATO, a UE e a Rússia, que ocorreu no Instituto de Defesa Nacional, no pretérito dia 22 de Outubro.

De facto, nada de relevante a assinalar, tudo muito politicamente correcto, muitas verdades ausentes e quase nenhumas pistas para o futuro…

A síntese que o título encerra deriva de uma pequena história que um dos palestrantes, o general inglês David Leaky contou à laia de introdução a fim de despertar alguns sorrisos na assistência, arte que os anglo-saxónicos dominam na perfeição.

O que é um facto, é que aquilo que ele trouxe à colação com uma ironia típica do humor britânico é a mais pura da realidade: aos políticos “compreende-se” e “desculpa-se” que mintam (faz parte do jogo e da luta política…) e espera-se que os generais falem verdade.

Só que isto é uma realidade cheia de equívocos…

Aceitar que os políticos mintam é um mau princípio que não devia ser tolerado. É assim que as pessoas e os regimes se desacreditam e passa a imperar o reino do faz de conta. É assim que se chegam às actuais crises…

Por outro lado, esperar que os generais falem verdade num sistema destes é não ter a mínima ideia de como funciona a natureza humana. Como é que um general que é nomeado e destituído por quem mente, pode alguma vez dizer a verdade? Se o fizer publicamente, será de imediato exonerado; se o fizer no recato dos gabinetes ou em documentos classificados, resulta uma perda de tempo e não se livra de uma exoneração próxima ou ficar com a carreira prejudicada.

Se quiser “partir a loiça” teremos uma disrupção no sistema, o que resulta, normalmente, ser o general triturado pelo sistema. Se assim não for poderemos acabar num golpe de estado; coisa improvável de acontecer… no dia a dia actual.

Dois factos merecem referência, um “normal” e outro insólito. Este último teve a ver com a insistência de algumas assistentes em formularem perguntas em inglês e até uma professora de Coimbra ter feito a sua palestra nessa mesma língua. Ora tal sucedeu, havendo tradução em simultâneo… Tais ocorrências foram verberadas – e bem – por um senhor que não fixei o nome, que manifestava a sua indignação dizendo que estávamos em nossa casa, tínhamos língua própria e ainda não éramos protectorado de ninguém… (nesta última questão é que ele começa a estar equivocado…). Não custa nada ao IDN emendar a mão neste âmbito.

O que já se pode considerar “normal” foi o facto das perguntas que um membro da plateia – cuja modéstia não me permite dizer o nome – fez (o exagero de quatro), terem sido ignoradas as três primeiras e contornada a última…

De facto tendo os três componentes de um painel feito a defesa da necessidade de reforçar os laços da Democracia entre ambos os lados do Atlântico Norte (e veladamente a sua expansão ao planeta…), fiz notar que a Democracia era apenas um sistema político e não um fim em si mesmo e que entre os seus vícios se conta a demagogia (e outros) o que pode fazê-la derrapar para situações em que seja posta em causa, sendo a questão a de saber se se deve apostar na defesa do sistema ou na melhor escolha das pessoas que o vão servir.

Tendo aprendido que os militares devem ser claros, precisos e concisos para se fazerem entender (sobretudo entre eles!...), devo ter pecado neste âmbito, pois pareceu-me que o ilustre painel entendeu ou quis entender, tudo ao contrário, enredando-se dois deles em citações político-filosóficas, tendo uma terceira limitado a abanar a sua bem penteada cabeça e aos costumes dito nada. Grandes democratas!

Finalmente, o Dr. Marques de Almeida, que é conselheiro do Dr. Durão Barroso, começou a sua intervenção dizendo: “Não há dinheiro…”.

Achei curiosa esta afirmação.

Eu julgava que o dinheiro não desaparecia, isto é, o dinheiro que tem o seu valor facial respaldado em metal sonante, ou em bens produzidos, já que o dinheiro virtual, que inventaram, corre de bolsa em bolsa e de teclado de computador para teclado de computador, pelo mundo inteiro. Saber distinguir a moeda virtual da verdadeira e por onde anda cada uma, é que cada vez é mais difícil de saber. Agora, o dinheiro existe, não desapareceu…

Gostaria de fazer um pedido ao Dr. Marques de Almeida e que é este: que tranquilizasse o Dr. Durão Barroso, que eu, cidadão português subscritor destas linhas, certifico, por minha honra, que relativamente ao dinheiro que não aparece, ou falta, eu não fiquei com nenhum, salvo aquele que, por enquanto, ainda depositam relativo à pensão que legalmente (julgo eu), estabeleceram.

O Senhor Ministro da Defesa encerrou o dia, fazendo uma síntese do que pensa. Já saiu nos jornais.

domingo, 17 de outubro de 2010

A IMPORTÂNCIA DOS COLÉGIOS MILITARES: PASSADO, PRESENTE E FUTURO

07/10/2010
Palestra que fiz sobre os colégios militares, no âmbito da 6.ª conferência da Cooperativa Militar.

“Se você acha que a educação é cara, experimente a ignorância”
Lema do Ministério da Educação de Singapura

Existem em Portugal três estabelecimentos de ensino secundário que são tutelados pelas FAs, isto é, pelo Exército, e se distinguem profundamente, no seu funcionamento, de todos os outros existentes no país e dependentes do Ministério da Educação ou outras entidades civis e religiosas.

São eles o Colégio Militar (CM), o mais antigo a ser criado, no ano de 1803, pelo Marechal Teixeira Rebelo e um dos mais antigos do mundo; o Instituto de Odivelas (IO), fundado em 1900 pelo Infante D. Afonso, irmão do Rei, e destinado a alunos do sexo feminino; e o Instituto Militar dos Pupilos do Exército (IMPE), criado pelo novel regime republicano logo em 1911, destinado a filhos de sargentos e praças (e também oficiais), colmatando assim uma lacuna e uma injustiça já que o CM apenas admitia filhos de oficiais. Foi seu fundador o general António Xavier Correia Barreto, ao tempo ministro da guerra.

Não vou falar-lhes da história dos três colégios, mas vou tentar salientar a importância da sua existência no passado e no presente, fazendo a ponte para a sua necessidade no futuro. Nas conclusões procurarei aduzir algumas das ameaças que se perfilam à sua continuidade.

A razão primeira que justificou a existência de colégios com características militares foi o apoio social aos filhos dos militares (tendo começado pelos oficiais), cujos pais estiveram afastados das suas famílias por motivos de serviço. Este apoio era consubstanciado na existência de um estabelecimento de ensino que lhes ministrasse o ensino primário e, sobretudo, o secundário. Não menos importante, permitia que os órfãos de militares que tivessem falecido em serviço, não ficassem desvalidos.

Com o decorrer dos tempos a vivência em ambiente militar permitiria, mais facilmente, despertar vocações para a carreira das armas. É por demais evidente, que esta vivência em ambiente militar, obriga a uma tutela militar e é por isso que desde o início da sua criação os colégios foram integrados no Exército.

Outra das grandes virtudes dos colégios militares – permitam que assim englobe e trate, os três – tem a ver com o facto de procurarem uma instrução e educação completa e abrangente, dos seus alunos. Isto é, não se limitam a ministrar conhecimentos técnicos e culturais, estão também preocupados com o desenvolvimento físico (mente sã em corpo são), na sua formação moral, sem esquecer o religioso, e na sua educação cívica. Outro aspecto importante: ensina-se e pratica-se a liderança. E pasmem leitores, ainda hoje continuam a instilar nos alunos o amor pela a sua Pátria!...

De realçar, ainda, que o seu ambiente intra – muros permite uma convivência mais íntima o que junto com as praxes académicas e uma prática alargada de experiências comuns, permite soldar laços de amizade e camaradagem para toda a vida. Esta vivência em comum, também conhecida como “internato” permite, por outro lado, a oferta de um leque alargado de actividades – impossíveis de realizar em estabelecimentos de ensino “normais”.

Finalmente, toda esta vivencia, ainda por cima em ambiente militar, obriga ao estabelecimento de regras e disciplina próprias, que harmonizam a liberdade e individualidade de cada um com o bem-estar de todos.

Tudo isto gera uma “ordem”. Esta ordem liberta mais do que oprime.

Onde estão, então, as vulnerabilidades ou os defeitos de toda esta realidade? Nisto: no afastamento das famílias e no eventual deficiente enquadramento dos alunos.

O afastamento familiar tem que ser tentado colmatar através do melhor acompanhamento possível por parte da família, durante os tempos livres e férias. Hoje em dia este problema tem-se agravado pelo facto de muitos dos alunos serem filhos de pais divorciados e, em muitos casos, os colégios funcionarem como uma espécie de “depósito” das crianças. O eventual deficiente enquadramento, tem a ver com a escolha e supervisão do corpo docente, militares destacados e auxiliares civis contratados. E, claro, com os meios financeiros disponíveis.

Se a chefia e o enquadramento forem deficientes, obviamente que a qualidade da formação baixa e dá-se azo à ocorrência de actos impróprios.

Em conclusão, as razões e a importância dos colégios militares não desapareceram e mantêm-se nos dias de hoje; constituem-se alforges de futuras elites de que o país é muito carente; mantêm uma qualidade de ensino e formação, muito acima da média do país, garantindo quase a 100% o acesso ao ensino superior e ao emprego, aos seus finalistas.

Arrisco-me mesmo a dizer mais: a importância é hoje em dia acrescida, já que a consciência cívica, anda pelas ruas da amargura; a dissolução da família tradicional é patente e a qualidade do ensino é marcada pela primazia das estatísticas, a ignorância encartada e o facilitismo militante.

Caros compatriotas, hoje em dia tudo vai funcionando mas, no fundo, nada funciona…

Ora não parecendo terem cessado as razões que levaram à criação e manutenção dos colégios militares, poderíamos concluir que eles estão de pedra e cal e o seu futuro não corre perigo. Nada mais enganador. São várias as razões para isto, que vou tentar sintetizar.

Em primeiro lugar razões internas da própria Instituição Militar.

Como é público as FAs têm sofrido, nos últimos 25 anos uma enorme erosão nos seus orçamentos, nos seus meios, dispositivo e sistema de forças, que as estão a reduzir à ínfima espécie.

Deste modo o Exército luta com as maiores dificuldades para conseguir sustentar os colégios militares tendo havido, até, uma tentativa de fechar o IMPE e concentrar meios no IO e CM. Deste modo, queixam-se que os outros ramos sendo beneficiados com o produto final dos colégios em nada concorrem para isso.

Acontece que o Exército, tendo razão neste aspecto, não quer abrir mão dos colégios, nomeadamente em comandamento e lugares – o que representa vagas. Ora isto cria uma incompatibilidade prática. Colocar os colégios sob a alçada do EMGFA também não parece ser a melhor solução já que aquele órgão está vocacionado para o comando e controle das operações militares e não para gerir colégios; colocar estes sob a alçada do MDN é uma experiência que pedimos a São Nuno Álvares Pereira, nos dispense de suportar, por razões que nos eximimos a referir; fazer dos colégios órgãos semelhantes à Escola dos Serviços de Saúde Militar, vai levantar problemas semelhantes ao cenário número um, além do que iria alienar o cabedal da experiência centenário que o Exército já leva de dirigir estes estabelecimentos. Ou seja, a solução melhorzinha ainda é deixar tudo como está, partindo do princípio que a hierarquia do Exército fará os possíveis e impossíveis para conseguir os meios para o seu correcto funcionamento. Por outras palavras, tem que convencer a tutela da mais valia dos colégios e conseguir os meios financeiros e em pessoal necessários.

Neste âmbito é mister ultrapassar as dificuldades de nomeação de oficiais e sargentos para os respectivos corpos de alunos, já que nem todos servem ou têm apetência para os desafios pedagógicos e humanos que tais funções requerem. Além disso compreende-se que haja militares cuja formação está focalizada na missão primária do Exército – que é combater ameaças externas – e não se sinta motivado para exercer funções colegiais. Noutro sentido já não se pode admitir que possa haver algum prejuízo em termos de carreira para quem exerça aquelas funções que são tão dignas como quaisquer outras. Finalmente, é urgente aumentar o número de candidatos a alunos dos colégios sob pena destes se finarem por falta de alimentação.

Em segundo lugar os colégios militares estão em perigo pois são um “mau exemplo” para o país. Eles destoam da generalidade do ensino. Vou dar alguns exemplos para entenderem melhor o que quero significar:

* os CMs não se limitam a transmitir os conhecimentos técnicos inerentes aos programas aprovados pelo Ministério da Educação: ministram formação militar adequada à idade dos alunos (e ao contrário do que pensam algumas luminárias da nossa praça, isso não lhes faz mal algum), e pretendem formar o indivíduo no seu todo, físico, moral e intelectual. Já me esquecia, é também uma escola de chefes e de patriotismo…;

* os CMs apresentam uma taxa de sucesso de candidaturas à Universidade, que ronda os 100%;

* nos CMs não se aceitam fraquezas de carácter, mentirosos, ladrões, drogados, homossexuais e outras minorias de aleijados morais. Deus seja louvado! E para que as fraquezas não se transformem em vício, corta-se logo o mal pela raiz. Que nunca lhes doam as mãos!;

* os CMs acarinham as tradições, têm lemas, códigos de conduta, brasões e mantém estreitos os elos com os ex-alunos. Ex-alunos não costumam constar nas listas de desertores;

* os CMs foram agraciados com múltiplas condecorações;

* nos CMs os alunos marcham com “cagança” e de queixo levantado, sinal de quem andam de coluna direita e olham o mundo de cima; e do mais pequeno ao mais velho passam imperturbáveis pela multidão que os ladeia;

* os CMs atravessaram todas as conturbações políticas e sociais dos últimos 200 anos (e foram muitas), mas preservando a sua personalidade, passaram incólumes por todas elas;

* nos CMs não há greves, trabalha-se; os alunos não “batem” nos professores nem pintam grafitis, há disciplina; professores e alunos vão às aulas, existe ordem; aos alunos é-lhes oferecido ampla escolha de actividades, existe liberdade; o acompanhamento é constante, há pois controle e ninguém é inimputável, por irresponsável; avaliam-se os resultados, afere-se o conhecimento e não se dá guarida a madraços; enfim, são Escolas a sério, em qualquer parte do mundo;

* nos CMs todos – militares, professores, funcionários civis, alunos e ex-alunos – fazem parte da família colegial e mantêm-se irmanados pelo mesmo ideal;

* nos CMs sabe-se quem manda, melhor dizendo, quem comanda, ao contrário da maioria das outras escolas onde a autoridade se esvai em múltiplos “conselhos”.

Numa palavra os alunos não se limitam a Estar, ao contrário, São, e se é verdade que o objectivo numero um do ensino visa a mudança de comportamentos, os CMs representam o expoente máximo deste conceito.

Em terceiro lugar existem problemas de ordem doutrinária e ideológica. A nível social e político cruza a sociedade um conjunto de forças que pensam que a existência de CMs, no século XXI é um anacronismo sem qualquer razão de ser.

O espectro político-partidário conotado normalmente com a “esquerda” odeia, em termos ideológicos, a ideia da existência de colégios militares – causa-lhes até, erupções de pele, e outros fenómenos do foro psicossomático. Num destes partidos, no manifesto eleitoral da sua fundação estava inscrito a extinção dos colégios militares… Convém não ter a memória curta. Um outro, porém, nunca hostilizou publicamente os CMs – certamente porque é o único que sabe o que anda a fazer – e nem sequer vê qualquer inconveniente na sua existência, desde que, é claro, lá se ensinasse o materialismo dialéctico, o socialismo científico e o internacionalismo proletário!

No espectro político conotado com o centro e a direita, por norma, a ideologia está ausente e não se faz combate doutrinário: sente-se com a carteira e pensa-se com as tripas.

Estamos conversados, portanto.

Finalmente, existe um último perigo, os negócios! Nomeadamente os negócios de especulação imobiliária. Os colégios ocupam espaços de terreno privilegiados, onde sobressai o Colégio Militar. São muitos hectares em zonas de grande valor. Ora isto representa milhões e milhões de euros, oportunidades de negócio para amigos, eventual atenuação de dívidas camarárias, chorudos financiamentos, etc.

Perante isto, o que valem três colégios, cuja mais valia é lançarem no mercado de trabalho ou nos cursos superiores, umas dezenas de cidadãos com uma formação acima da média, e que tanta falta fazem ao nosso desfigurado país? Acertaram, são perfeitamente dispensáveis!

Já imaginaram os leitores uma conjugação das razões apontadas?

De facto, os colégios militares não devem acabar mas podem tentar que isso aconteça. Julgo ter sido suficientemente explícito.

Deixo-vos com Hipócrates (460-374 A.C.):

“Há verdadeiramente duas coisas diferentes: saber e crer que se sabe. A ciência consiste em saber; a ignorância consiste em crer que se sabe”.

Escritos há algum tempo...

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