terça-feira, 7 de janeiro de 2020

SERÁ O SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE MAIS IMPORTANTE DO QUE O SISTEMA DE DEFESA AÉREA?


SERÁ O SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE MAIS IMPORTANTE DO QUE O SISTEMA DE DEFESA AÉREA?

05/01/20
                       “Eu acredito que todos nós devíamos pagar
                         nossos impostos com um sorriso. Eu tentei.
                         Mas eles queriam em dinheiro.”
                         Autor desconhecido


Por exemplo.
Como vivemos numa sociedade dita democrática, onde as decisões são tomadas supostamente, pela votação de maiorias (metade mais um) - não por quem sabe e tem boas intenções - não temos dúvidas em afirmar que se submetermos a pergunta a referendo directo, 98% dos chamados a urnar perdão, a votar, seriam a favor do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Neste âmbito a abstenção seria reduzida - a não ser aqueles que, por julgarem a certeza do resultado, não veriam necessidade em dar-se à maçada da deslocação - e quase não haveria urnos, perdão votos, brancos ou nulos.
A percentagem no pessoal da Força Aérea (que opera o Sistema de Defesa Aérea (SDA), dado ainda não ter ainda passado para a GNR ou para a Protecção Civil e o Dr. Marta Soares não o ter reivindicado para o Sporting, perdão para os Bombeiros) caíria - estamos em crer - para 90% de “sim” ao SNS e que - Nossa Senhora do Ar me perdoe - a chefia da mesma, ainda se tentaria a fazer campanha pelo SNS que temos, sugerido por um dos “filhos da viúva” mais conhecidos dos últimos tempos.
É claro que a “Briosa” dado ainda não se terem inventado barcoletas com asas, aos costumes diria nada, enquanto o “Glorioso”, agora de farda nova, está apenas de olho no soldado que de escopeta em punho (mesmo sem munições) vela pela bandeira no cimo da AR. Mesmo que ela (distinta Assembleia) se esteja nas tintas para a bandeira que lá flutue...
Além disso essa coisa de andar no ar é para meia dúzia de estarolas meio delicadinhos - nem podiam ter boxe na Academia, vejam lá! Que vão para um Aeroclube, mas é, e paguem!
A votação seria feita sem debate ou esclarecimento prévio (para quê!?) por desnecessário dado o nível educacional da população - agora distinguida numa das suas partes constitutivas pela “geração mais bem preparada de sempre” mas, sobretudo, para evitar termos de ouvir perorar os habituais comentadores e seus apropriadíssimos ditos.
Estou a lembrar-me daquele vindo de uma direita extrema longínqua, que cobra pareceres ao minuto e logo asseguraria haver dezenas de generais para cada tipo de avião existente; aquele outro que quando fala fica com cara de bulldog (e não é do PAN), para quem os militares são a expressão terrena da besta do apocalipse, ou até o mais pequenino de todos que assim ficava dispensado de consultar o oráculo de Belém para saber o que iria dizer.
Já me esquecia de um outro muito rotativo e que não admite controvérsia, que já veio defender publicamente que se deveria vender mais F-16 à... Croácia.
Há para todos os gostos.
Ainda só não entendi porque é que nós votamos para eleger deputados (isto é, nas listas apresentadas pelo ditador do Partido em funções), mas não elegemos os comentadores. Injustiças!
São assim como que “profissões” para as quais qualquer um pode ir sem ter frequentado sequer um cursilho de novas oportunidades a 90% de créditos...
Mas estávamos a falar do SNS e do SDA.
Vamos lá tentar demonstrar que o SNS não é mais importante que o SDA (início de um coro audível de adjectivos e impropérios, contra a minha pessoa...).
Estou recordado que as três funções clássicas (e utópicas) (assim chamadas) do Estado são a Segurança, a Justiça e o Bem-Estar.
Por esta ordem.
A ordem dos termos não é arbitrária.
Se não houver Segurança e Justiça não pode haver Bem-Estar...
Se o Estado não servir para tentar fazer estes três grandes conjuntos de coisas, não serve para nada.
Ora o Estado tem o dever de enquadrar e liderar a população (a Nação) nos melhores caminhos para realizar tais desideratos. Interagindo com frequência com esta, sobretudo através das grandes instituições nacionais, como são a Universidade, a Igreja, a Magistratura, a Diplomacia, as Forças Armadas, as Academias, corporações diversas, os Parceiros Sociais etc.. Quando se sentam com estes últimos à mesa de qualquer coisa, nunca se entendem. Porque será?
Porém, quase só interagem com os Partidos Políticos, quando lhes convém, os quais representam a pior entidade possível que se pode escolher para esse fim…
Harmonizar tudo isto não é fácil, mas tem que ser tentado em cada momento. Chama-se a isso governar.
Sintetizadas as três funções do Estado de outro modo, pode dizer-se que sem Segurança não há, ou pode não haver, Desenvolvimento.
E acima de tudo temos que ter, como comunidade, um padrão de princípios morais e ético/deontológicos, sob pena de estarmos a resvalar constantemente para o mal e a asneira, que é para onde a coisa tende sempre.
Senão a Eva não tinha trincado a maçã...
Ora quem providencia a Segurança no plano externo e em termos militares são as Forças Armadas - onde está inserido o tal SDA - coadjuvadas com o Sistema de Informações e a Diplomacia.
E para a Segurança Interna, existem as Forças de Segurança, outro ramo dos Serviços de Informações, órgãos de investigação criminal e Serviço de Estrangeiros.
Tudo isto muito debilitado e a precisar de grandes reformas.
Ora o Sistema de Defesa Aérea - foi o exemplo que buscámos - vale mais do que o SNS pois se nós já estivermos mortos não precisamos de ter saúde alguma...
O SDA é um sistema soberano por excelência (algo com pouco crédito hoje em dia, no pensamento político) que em tempo de guerra nos defende dos inimigos e em tempo de paz nos protege dos amigos...
E tomem-no como um seguro. Quem, porém, gosta de pagar seguros?
Todavia se for utilizado apenas uma vez, não vale a pena?
A norma da prudência é outra: a velha discussão entre canhões e manteiga, o que tem a ver com ameaças. E cujo velho princípio é a de tentar fazer frente à (s) mais provávei (s) e ter em conta a mais perigosa.
Ora uma ameaça é o produto de uma capacidade por uma intenção. As intenções mudam de um dia para o outro. As capacidades levam anos a construir. É o caso do SDA.
Mas a questão que se põe e é mais perigosa é deixar destruir o SDA (o que está a acontecer), para salvar o SNS (por exemplo). Acontece porém, que irão os dois para o fundo (e muitos outros mais...).
Ora isto não deve (embora possa) andar ao sabor das conveniências político/partidárias de momento ou de governo.
E aqui é que a porca torce o rabinho.
E torce o rabinho porque para se poder ter alguma qualidade na Segurança, na Justiça e no Bem-Estar, teríamos que ter Economia e Finanças que o sustentassem.
Ora não temos nem uma nem outra, além do que há 45 anos que vivemos do que nos emprestam ou “subsidiam” e mesmo assim a dívida fica a perder de vista.
Ora casa onde não há pão...
E como já começa a ser risível mandar as culpas para cima do Professor Salazar - que Deus tenha em Sua Santa Glória - a classe política que tem (toda ela) responsabilidade no descalabro, não encontra nada melhor para fazer do que tourear-se uns aos outros (e a nós todos) numa de passa culpas constante e mediático, usando dos mais sórdidos métodos para continuar a enganar o Zé Povinho.
Que continua a fazer-lhes manguitos, mas por baixo da mesa...
Nunca houve um adiantado mental que fosse capaz de dizer: “desculpem que meti os pés nisto ou naquilo, vamos lá corrigir...”, ou depois da borrada que fiz vou pintar a cara de preto e nunca mais apareço (vou antes mudar para lilás que está na moda e assim nem sequer me podem chamar racista).
E só prometem o que sabem que não podem dar.
E está difícil (não é por acaso) ao sistema judicial de enfiar na choça quem prevarica.
A falta de seriedade é tão grande que além de se mentir com o maior descaramento sobre tudo e todos, ninguém tem o discernimento de mitigar o delírio com algumas frases de simples bom senso como sejam as de: é preciso trabalhar mais e sobretudo melhor; economizar; não querer ser rico amanhã; seleccionar os mais capazes para exercerem a liderança; impôr hábitos de disciplina, estudo e reflexão; garantir o exercício da autoridade; combater seriamente a corrupção e não só de palavras leva-as o vento; não gastar mais do que aquilo que se produz; apostar na virtude e não no vício, etc..
A lista podia continuar, mas não quero deixar de referir que também nada se conseguirá enquanto não se puserem os Deveres à frente dos Direitos...
Leia-se a Constituição.
Dá para perceber que está tudo mal, ou não?
O Estado depois de se ter demitido de defender a soberania do seu espaço e população, emitir moeda e levantar tropas, apenas serve para cobrar impostos. Para depois fazer justamente o que não deve.
Os políticos que têm gerido o Estado preocupam-se com negócios, gerir a comunicação social (outros que se arrogam o direito de influir e mandar sem serem eleitos nem terem mandato para tal, em vez de se limitarem a informar com verdade) e condicionar o espírito dos cadáveres adiados que vão às urnas, urnar, perdão, votar, que o façam neles. E assim continuar o ciclo.
Ter-vos-ei convencido que o SDA é mais importante que o SNS? Duvido o mais possível.
Deixo-vos então outra questão:
A Federação Portuguesa de Futebol é ou não, mais importante que o SNS?
Não preciso que me respondam.




                     João José Brandão Ferreira
                    Oficial Piloto Aviador (Ref.)

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