segunda-feira, 18 de junho de 2018

O SUÍCIDIO (LITERAL) PORTUGÛES


O SUÍCIDIO (LITERAL) PORTUGÛES


15/6/18
                                “O mundo conduz-se por mentiras.
                                 Quem quiser despertá-lo ou conduzi-lo, cuidará de
                                  mentir delirantemente.
                                  Fá-lo-á com tanto mais êxito, quanto a si próprio
                                  mais mentir e se compenetrar da verdade da mentira
                                  que criou.”
                                  Fernando Pessoa

                O país começou a acordar (devagarinho) para a quebra da natalidade que afecta a sociedade portuguesa, de um modo cada vez mais grave desde os anos 80 do século passado.
                Já são muitos anos.
                Ao longo deste tempo todo, poucas foram as vozes que se ergueram contra este descalabro que nos vai custar os olhos da cara. Quiçá a existência.
                E tal envolve os órgãos do Estado e as figuras políticas, comentadores e de um modo geral todas as instituições nacionais. Incluindo a Igreja.
                Andou toda a gente distraída, gozando certamente o materialismo galopante dos direitos versus os deveres; do relativismo moral; do compre agora e pague depois; do primado do individualismo; da crise da família e um conjunto de ideias muito libertárias e para a “frentex”, que concorreram ferozmente para o actual estado de coisas.
                As poucas vozes que se ouviram, estavam apenas e maioritariamente preocupadas com o mercantilismo da coisa; isto é, davam-se conta que a cada vez menor população activa não consegue manter de pé a segurança social…
                As causas apontadas escondem-se sempre atrás dos recursos económicos (como se os ricos sejam caracterizados por terem muitos filhos…) o que, a ser assim, a Humanidade já tinha falido de gente há muito.
                Podiam ao menos assumir as verdadeiras causas do fenómeno – que se situam no facto dos filhos terem deixado de ser a segurança social da velhice; as mulheres terem abandonado o lar para trabalhar como os homens; o feminismo; a invenção da pílula; a irreligiosidade galopante da sociedade; o primado do egoísmo/hedonismo; a actual evolução da homossexualidade e correlativos, etc., mas não, ninguém é capaz, pelos vistos, de assumir uma nesga sequer do politicamente incorrecto.
                Não quer dizer que parte do que atrás apontei seja em si um mal (a Segurança Social foi até uma conquista fundamental – desde que se consiga manter sustentada), mas seja o que for que aconteça na evolução da sociedade tem vantagens, inconvenientes e, sobretudo, consequências.
                Ora não se pode (deve) fechar os olhos às consequências, já que raramente são antecipadas ou ponderadas.
                Para isso existem até, peritos, que são uns tipos que lêem umas coisas e usam slides a cores!...
               Ora como não vai haver dinheiro para dar às pessoas para elas terem filhos - isto claro, depois de um jovem ter acabado um curso qualquer à força de estatística, até uma idade indeterminada; darem subsídios para as pessoas não trabalharem; o jovem ter feito um ano sabático a viajar pelo estrangeiro; ter carro (ou outro meio de locomoção própria que não as pernas); ter mudado muitas vezes de parceiro, para perceber como é que a coisa funciona; saltar duas ou três vezes de emprego, pois isso de ter estabilidade foi chão que deu uvas e claro, só depois de as mulheres garantirem uma carreira qualquer e tiverem o chamamento maternal, etc., etc., - quer dizer que quanto a melhorar a curva demográfica estamos conversados.
              Em síntese a razão principal (de longe) é a de que os jovens (homens e mulheres – talvez mais estas do que aqueles) não querem ter filhos…)
               Existem estudos fiáveis que asseguram que para se manter a renovação das gerações (em termos mínimos) e respectiva cultura, é necessário que cada mulher (em idade fértil) tenha 2,11 filhos; 1,9 é o número mínimo de filhos que assegura a sobrevivência da espécie e quando o número desce para 1,3 filhos por mulher, a reversão é impossível, isto é, leva 80 a 100 anos…
               A média dos últimos anos, nos países da União Europeia, é de 1,38 e em Portugal é já há muitos anos de 1,3…[1]
              O cenário é de uma hecatombe sinistra.[2]
                                                                                *****
                O pior é que há muito mais a concorrer para o suicídio de que falamos – e falamos como uma certeza a prazo, se nada de muito diferente for encetado (ontem). E é tudo mau.
                A primeira é a imigração. Começou na Europa (que não era comunista, obviamente) derivado da desigualdade da distribuição de riqueza e poder entre países e por estes terem sido “obrigados” a retirar de África e da Ásia – onde pelos vistos não podiam estar – para serem “invadidos” pelos anteriores “colonizados” – que pelos vistos têm todo o direito em poder estar.
                Muito por culpa dos próprios europeus que deixaram de querer exercer determinadas profissões e trabalhos (a rapaziada aburguesou-se), esquecendo-se que não há boas nem más profissões, mas sim bons e maus profissionais; por terem permitido a instalação de máfias que prosperam com a imigração clandestina e finalmente porque seitas alarves de adiantados mentais resolveram criar complexos de culpa sobre a História dos seus próprios países.
                Finalmente inventaram o “multiculturalismo”, uma parvoeira perigosa que tende a extinguir a matriz cultural de todos, sob a capa da tolerância e do respeito e experiência mútua.
                Viva a amálgama!
                Complementarmente à imigração veio a emigração.
                A emigração era má quando no tempo do “Estado Novo”, mas passou a ser “boa”, “normal” e consequente, após tal negregado período, em que se deu o melhor e maior exemplo de integração de culturas, raças, etnias, seguindo uma matriz lusíada. Mas, claro, era preciso acabar com uma Nação única no mundo…
                A emigração é uma sangria enorme, que na actualidade não apresenta qualquer vantagem para o país. Mas até houve um governo que a incentivou…
                Outro aspecto terrível é a lei da nacionalidade.
                Esta lei é facilitista, inapropriada a todos os níveis e tem permitido que o Estado oculte e minta descaradamente à população, sobre uma série de factos.
                Ora nós não devemos facilitar a outorga da nacionalidade portuguesa. Ser português deve ser um privilégio raro e ser concedido a quem merece não a quem aparece.
                E devia ter regras estritas, como por exemplo a obrigatoriedade de cumprimento do serviço militar ou cívico de igual penosidade, nunca por menos de três anos.
                E a antiga tradição portuguesa de preferir o “Jus Solis” ao “Jus Sanguini” deve ser alterada, pois as condições actuais são muito diferentes daquelas que vigoraram até 1974.
               Entre 2008 e 2016 (oito anos) obtiveram a nacionalidade portuguesa mais de 225 mil estrangeiros, ou seja mais de 20mil/ano. A actual lei é ainda mais permissiva.[3]
                Ora isto, nomeadamente, pelo modo “escondido” como tem sido feito, serve para aldrabar as estatísticas, logo o cidadão comum.
                Ou seja, os meios de outorga da nacionalidade, diminuem artificialmente o número de imigrantes e o “inverno demográfico”.
                Por outro lado levantam um outro problema que é o da capacidade de absorção de tanta gente e de os transformar em “portugueses”, ou seja na capacidade de preservação da nossa matriz cultural e modo de ser.
                Até se inventam leis estranhas, como sejam o de outorgar a nacionalidade a quem conseguir provar a sua descendência de judeus expulsos de Portugal desde 1496…
              Esta lei entrou em vigor em 1/3/2015 e até finais de 2017 já tinham obtido a nacionalidade mais de mil alegados descendentes dos antigos sefarditas.[4]
                Quando os “mouros” souberem disto, logo começarão também a querer ser abrangidos…
               Mas a escabrosidade maior foi a leis dos “vistos dourados” que representa uma autêntica prostituição da nacionalidade…
                E o argumento de que se não o fizermos eles vão para outro lado, só nos merece um desejo de boa viagem!
                A cereja em cima do bolo aconteceu de repente com a chamada crise dos migrantes – e resta saber verdadeiramente quem a promove, alimenta e incentiva.
                O problema é sobretudo geopolítico, o qual se sobrepõe ao Humanitário, no sentido em que se não se atender ao primeiro, a questão só se irá agravar, resultando mal para todos.
                As autoridades em Portugal não estão a querer ver bem o filme e só dizem disparates, não nos princípios, mas nas consequências. E de boas intenções está o inferno cheio. E por detrás da maioria das atitudes – estamos em crer – está uma de chico espertismo, que é dizerem que “eles”, os migrantes, não querem ficar em Portugal, mas transitam para outros países, ficando ao mesmo tempo bem na fotografia.
                Isto é uma ilusão, que o tempo desfará rapidamente, por motivos vários e que a situação na UE irá agravar, pois a maioria dos países irá fechar as suas fronteiras a este descalabro, e os totós de serviço passaremos a ser nós. Esta última decisão da Itália e de Espanha irá precipitar as coisas, por certo.
                Consta até que existe já um plano em Bruxelas para enviar para Portugal cerca de cinco milhões de migrantes; que diabo, dois terços do país não está já despovoado?
                E enquanto não for anunciado em termos de ser levado a sério, que as fronteiras estão fechadas para todo o tipo de migrantes e imigração clandestina, não se poderá suster esta hecatombe, que irá provocar mini guerras civis por todo o lado.
                Outro fenómeno, porém, se junta a todos os apontados: é que parte da população dos países europeus, nomeadamente, Inglaterra, França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Escandinávia, etc., estão fartinhos de aturar o que se passa nos seus países e da insegurança que tem aumentado exponencialmente (já nem falo dos brasileiros) e estão-se a mudar rapidamente para cá.
                E tudo isto está a ser exponenciado pelo “boom” turístico.
                Ele há presentes envenenados…
                Se juntarmos a tudo isto a venda despudorada de todo o património nacional, incluindo o terreno, para o que não existe qualquer ressalvo legislativo, iremos a breve prazo ser uma minoria na nossa própria terra, e seremos despojados dela.
                Mas como a bebedeira é colectiva quando acordarmos da mesma, vai ser tarde.
                Haja saúde!

                                                       João José Brandão Ferreira
                                                            Oficial Piloto Aviador


[1] A taxa bruta de natalidade, ou seja o número de bebés que nascem por 1000 residentes, caíu em Portugal de 24,1, em 1960, para 8,4, em 2017. Por sua vez a taxa de fecundidade geral, isto é, o número de filhos por cada 1000 mulheres em idade fértil, caíu de 95,7, em 1961, para 37,2, em 2017. (dados da “PORDATA”. E deve acrescentar-se que grande parte das crianças nascidas nos últimos 20 anos são de residentes não portugueses.
[2] Entretanto a média de filhos de uma família muçulmana imigrada na Europa é de 8…
[3] Jornal “Público” de 15/12/2017.
[4] “Observador”, de 10/11/2017.

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