domingo, 25 de março de 2012

AS FORÇAS ARMADAS SÃO INSUSTENTÁVEIS…

O Sr. MDN continua a insistir na tecla que faz jus ao título. Com tal insistência tem suscitado a incredulidade e a revolta de muitos. Não se percebe esta desintonia pois, por uma vez, pensamos que o Dr. Aguiar Branco está, até, a ser muito razoável!

Senão vejamos:

Como é que as FAs podem ser sustentáveis se o Governo continua a meter dinheiro no BPN e quejandos? Claro que não podem, pois é preciso, aparentemente, fazer com que aquela mega vigarice seja “esquecida”; se o Governo, certamente eivado dos mais nobres intentos, quer pôr ordem nas empresas públicas, mas logo abre o flanco declarando “excepções”, como se pode sustentar a tropa que, aliás, “eles” nem percebem muito bem para que serve?

Ora para a TAP, por ex., continuar a aumentar o passivo e mesmo assim ter comandantes de longo curso a fazerem 2 (dois) voos/mês e a ganharem cerca de 8000 euros (para já não falar no presidente – ainda gostava de saber porque se exporta divisas escolhendo um brasileiro – que parece que ganha mais do que o inquilino da Casa Branca), é óbvio que a Força Aérea não pode continuar a ter aviões de caça…

E, certamente, será necessário cortar o transporte táctico para poder financiar os trabalhadores da CGD – dos mais bem pagos do País – ou para manter o status quo do Banco de Portugal, que se assemelha a um “Estado dentro do Estado”. Gente, por sinal, da maior competência a avaliar como deram conta e alertaram o País para o descalabro financeiro que aí vinha…

Por isso o Sr. MDN tem toda a razão: é insustentável manter as FAs, que ainda por cima não “produzem” nada que veja possa ajudar na contagem dos votos, apesar de serem um modelo de contenção e racionalização para o País (muito antes de se ouvir falar em crise), e continuarem a cumprir as suas missões com invulgar pundonor e…. paciência.

Ora se é necessário continuar (será mesmo?), a financiar os Partidos – cuja organização, doutrina e modo de actuação é o verdadeiro cancro da sociedade – para eles andarem em guerra civil permanente, é óbvio que não se pode ter submarinos!

Quando ainda agora não se consegue saber quais as reais dividas das Autarquias, dos Governos Regionais e de toda a parafernália política que sugou e desbaratou a riqueza nacional e endividou a Nação por séculos, é claro que o Exército não pode ter unidades de combate dignas desse nome. “Eles” que ajudem a apagar fogos e cara alegre!

O Sr. MDN é, seguramente, presciente pois olhando para a inqualificável negociata da Parcerias Público-Privadas, percebeu que o Estado vai ter que desembolsar, no futuro, milhões em troca de nada, o que torna insustentável ter qualquer navio de superfície com mais de 500 toneladas (e assim sendo até os podem passar para a Brigada Fiscal…).

Depois, pensem bem, para que é que nós precisamos de FAs, servidas por uns tipos esquisitos, com ideias estranhas, cuja missão primária é a de combater os inimigos em tempo de guerra e dissuadir os amigos em tempo de paz, se ao Estado não lhe interessa ter soberania para nada? Então já não se mudou a CR para dar prioridade à legislação oriunda de Bruxelas; não alienámos a nossa ZEE com a assinatura do Tratado de Lisboa; não queremos diluirmo-nos numa federação europeia (olá Srª Merkel!), e não estamos resignados a ver a Troika passear junto do Martinho da Arcada? Alguém se indigna com algo?

Não? Então para que vamos ter a despesa de ter meia dúzia de “palermas” a brincarem às guerras, que toda a gente está fartinha de saber, que tais maçadas nunca mais nos vão bater à porta?

Penso que já ilustrei o suficiente para deixar o Sr. Ministro bem respaldado.

Deixem lá o coitado do homem, ele apenas está a ser coerente na continuidade do descalabro da acção política das últimas décadas.

Deus lhes perdoe que eu cá não consigo.

2 comentários:

Zé quintão disse...

Caro Adamastor: pena seja a boa informação e formação não chegue a todos. Esta, poderia ser,se com uma maior divulgação. Por vezes as boas intenções acabam por ficar nas artérias secundárias não chegando aos espaços de opinião que efectivamente podem galvanizar vontades. Acabamos por andar aos tiros na escuridão e porque irreversívelmente quem se deveria sentir ofendido acaba invariávelmente num silêncio sepulcral, levando muito boa gente a refugiar-se no velho lema "o último que feche a porta". Qual porta? Parece que até essas levaram...Já pensaram o que será um individuo ser treinado para comandar homens e não ter mais exército para chefiar? Como pode um comando deixar-se encurralar assim? Já pensaram o que é um individuo ser treinado para defender valores da honra, da transparência, da equidade e ser a sua própria instituição odiá-lo mais? Até quando continuam os portugueses enganados com os incêndios em Portugal, não há ninguém responsável que explique qual é afinal o papel dos militares no meio disto tudo? Bodes expiatórios como sempre e porque interessa? Será que não é possível colocar estes testemunhos escritos, num qualquer horário nobre da televisão, talvez um pouco antes de um desafio de futebol? Sempre aprendi que a destrinça da planta joio dos cereais nomeadamente dos trigais,é fundamental pela intoxicação que pode provocar, logo seria salutar fazê-lo para a coesão de uma qualquer Nação, porque ao invés, ela desaparecerá moribunda e
envenenada.
O país precisa de uma monda muito séria...Era bom que um sino tocasse por aí, pelo menos para começar a apagar os incêndios que eles lançam por aí, culpando a natureza.

José Carvalho disse...

Para o sr. Ministro o conceito de sustentabilidade é ter um escritóriozinho de advogados para realizar belos e bem remunerados trabalhos a pagar pelo Estado (nós !), como foi por exemplo a Parque Escolar. Isto sim, é que é ser sustentável ! Talvez a ideia do sr. Ministro seja transformar as FA´s num enorme escritório de advogados tendo em vista o seu auto-financiamento. Visão não falta a ínclitos desta envergadura, nós é que não os percebemos.