quarta-feira, 8 de julho de 2020

A DESASTRADA SAGA DA TAP


A DESASTRADA SAGA DA TAP


7/7/20

                                                                      “ – Olha, há aqui um buraco.
                                                                        - Queres que o TAP?"
                                                                       Do anedotário nacional.

            A TAP (Transportes Aéreos Portugueses) nasceu bem, no já recuado ano de 1945 (a 14 de Março), com gente capaz, gestão equilibrada, objectivos adequados e exploração sustentada.
            Criou uma boa escola na selecção e preparação das tripulações; o serviço era simpático, profissional e competente; a manutenção era boa e mantinham-se elevados padrões de segurança, tendo o primeiro acidente sério, apenas ocorrido em 19 de Novembro de 1977.[1]
            Começou a criar nome e este passou a ser uma imagem de marca do país.
            O último ano em que a TAP gerou lucros com equilíbrio orçamental, foi, creio, em 1974, durante a Administração Vaz Pinto.
            É certo que a TAP tinha uma grande preponderância sobre a então Direcção - Geral de Aeronáutica Civil (a concorrência era diminuta e a actividade aérea civil alargava-se apenas a meia dúzia de aeroclubes) e na gestão do espaço aéreo nacional, bem como gozava de alguma protecção em regime de monopólio, nomeadamente nas carreiras para os territórios ultramarinos portugueses.
            No âmbito da Defesa dominava a Aeronáutica Militar e Naval e depois a Força Aérea.
            Os problemas da TAP começaram em 1974 após a situação que derivou do golpe de estado, alçado a revolução, em 25 de Abril de 1974.
            Como, aliás, praticamente todos os problemas que passámos a ter.
            Para ilustrar o ponto lembro o que escrevi num número da Revista “Mais Alto”, em 1986, onde provei, fazendo umas contas simples, que só o subsídio de almoço dos funcionários da TAP (calculados nessa época em cerca de 10.000 em Portugal e 2.000 no estrangeiro), custava ao erário público mais do que o orçamento da Brigada Ligeira de Paraquedistas que tinha então cerca de 3.100 homens…[2]
            Naqueles tempos conturbados que ficaram para a História (até esta ser reescrita…) como os da implantação da “Liberdade” e da “Democracia”, o país foi atravessado por uma onda de anarquia que destruiu e, ou, prejudicou todo o tecido produtivo nacional.
            Quando as coisas começaram a estabilizar (levou 10 anos), a TAP ficou inundada de “boys e girls” dos diferentes partidos políticos entretanto formados, bem como ao despontar de inúmeros sindicatos, o mais poderoso dos quais se veio a revelar ser o dos pilotos e que, até hoje, nunca deixou de ser, verdadeiramente e apenas, o sindicato dos pilotos da TAP e não dos pilotos portugueses.
            Sendo a TAP do Estado (“nossa”, dizem eles!) assistiu-se a esta coisa única: passou a viver-se simultaneamente, a dualidade da incompetência – pelo menos nenhuma administração conseguiu endireitar a empresa – e o despesismo das diferentes administrações (que vogavam ao sabor dos Partidos e suas conveniências) e à ditadura dos sindicatos, a quem as administrações sempre se vergaram (ajoelharam), para evitar conflitos internos e paralisações, sempre custosas, resultando num contínuo aumento das remunerações e benefícios vários, muito acima da linha média nacional. Os benefícios estendiam-se aos reformados, bastando dizer que uma boa refeição no refeitório da TAP custava uma quantia irrisória. Desconheço como está agora.
            A operacionalidade também passou muito a desejar, com poucas horas de trabalho e excesso de períodos de descanso, sobretudo nas rotas de longo curso e com número excessivo de tripulações por aeronave. Quanto à manutenção, estive (era comandante do avião), por exemplo, mais de uma hora à espera de uma equipa de manutenção, que interrompeu o seu trabalho para ir jantar, sendo o contrato de outra companhia que não a TAP.
            Pelo meio houve a tentativa mal sucedida da criação da “Air Atlantis”, para operações “charter”, e da “LAR”, linhas aéreas regionais, em 1985; tentou-se uma fusão, com a “Swissair”, que resultou em nada e alguns prejuízos e uma aproximação com a Ibéria que deu “bluff”; fez-se um contrato ruinoso com uma companhia de manutenção brasileira, em 2006; mandou-se várias vezes pessoal para casa com reformas antecipadas, para passados poucos meses, já lá terem mais outra catrefada de “colaboradores” e arranjou-se maneira de haver um conflito com os pilotos para se reformarem aos 60 anos (um erro crasso) para a seguir novamente passar para os 65 anos.
Nem a adesão à “Star Alliance”, em 2005, tirou a TAP do vermelho.
            Fora o muito que fica por dizer.
            Com tudo isto só por milagre qualquer empresa conseguiria gerar lucro, mesmo se a operação fosse muito lucrativa.
            Deste modo a TAP só teve, aparentemente um ano de contas positivas uma única vez desde 1974, tendo acumulado dívidas sucessivas que nunca conseguiu pagar. Tão pouco gerou dividendos (a não ser para as administrações!) que permitissem renovar a frota, sendo esta feita à custa de mais dívida.
            Nunca houve coragem, saber e querer, para fechar a TAP um dia e reabri-la no dia seguinte, com regras completamente novas. A situação foi-se deteriorando até que um governo PSD/CDS, que teve que fazer frente a uma bancarrota do País e com os “capatazes” da “Troika” a vigiá-los, resolveu acabar com o “cancro” em que a TAP se tornara (como tantas outras empresas) e intentou privatizar a companhia - o que já tinha sido tentado do anterior sem sucesso. Desta vez a tentativa não só resultou como, aparentemente, foi a melhor privatização feita durante esta malfadada III República. Tudo feito no meio dos protestos das carpideiras do costume que, até hoje, pouco fizeram para sanear devidamente qualquer empresa nem apurar responsabilidades sobre má gestão.
            O governo insistiu mas, nas eleições seguintes, tendo-as ganho, perdeu o Governo. Originalidades portuguesas…
            O novo executivo (da “geringonça”) dando voz e corpo às tais carpideiras (de lágrimas de crocodilo), foram – se aos então sócios maioritários da TAP e negociaram com eles uma retrocessão do acordado, ficando então o Estado com 50% do capital, mas não tendo direito a interferir na gestão operacional da empresa…
            Mais uma originalidade (trapalhada) portuguesa, que deve ser única no mundo.
            E agora chegou-se à situação de não querendo deixar de ver a companhia desaparecer numa vergonhosa falência – atirada ao tapete pela epidemia do Covid 19, mas já com graves problemas do anterior - vai-se optar por a salvar precariamente, à custa de vários artifícios e, claro, injectando uma palete de dinheiro retirado dos fundos públicos. A receita (suicidária) e costumeira, agora capitaneada por um ministro com laivos de arruaceiro meio histérico. E que ainda teve o despautério de afirmar que se iria contratar uma empresa a fim de esta descobrir os melhores gestores a nível do mercado internacional para virem gerir o que vai emergir deste conjunto de cacos…
            Aposto desde já, o que quiserem, que daqui a dois ou três anos, vai estar tudo de pantanas novamente.
            Por isso bem podem vir aqueles que se dizem “Tapistas” a gritarem bem alto que a empresa gera um negócio de muitos milhões; dá emprego a muita gente; é um grande factor de exportação e importação (afinal os termos equiparam-se?); carreia turistas; “vende” a imagem de Portugal, etc.. A TAP desde 1974 que não se sustém a si própria, é um foco de destabilização social e uma vaca com muitas tetas, que tem alimentado muitos gulosos. E deixou de ser desde aquela data, uma história de sucesso apesar dos vários galardões com que foi distinguida.
            Os braços da balança estão irremediavelmente inclinados para a insustentabilidade, seguindo-se o modelo e objectivos que até agora vigoraram, o que fere gravemente o interesse nacional, que todos os filhos d’algo evocam e sempre desprezam.
             Também tenho pena (e revolta) naquilo em que a TAP se tornou, que é um dos espelhos em que o nosso (?) desgraçado país se transformou.
            A TAP é apenas mais um episódio do desmantelamento do país em curso: a alienação de soberania; a almoeda a patacos do patriotismo nacional; a prostituição da nacionalidade; a venda da finança (e não só) aos espanhóis; a crise da Igreja; a corrupção dos costumes e dos negócios; a destruição da Instituição Militar e da Diplomacia; a propalação de mentiras históricas; a destruição da matriz cultural portuguesa; o descalabro criminoso do ensino; o caótico sistema de justiça; a falsa segurança interna, o erro sistémico do regime político e da Constituição; o desregramento (falta de uma Ideia e um Plano) da Economia; o desprezo pela Estratégica e pela Geopolítica; a subversão da Autoridade sem a qual nada se pode realizar.
            Não há uma que se aproveite, nem problema que se resolva.
            Minto, há o vinho, a sua qualidade e até o preço, recomendam-se.
            É curto, mas vai dando para andarmos alegretes, ou já nem isso.


                                                          
                                                        João José Brandão Ferreira
                                                        Oficial Piloto Aviador (Ref.)
                                                        Comandante de Linha Aérea (Ref.)


[1] Se excluirmos a perda de um C-47, com três tripulantes a bordo, no Monte da Caparica, em 27/1/1948.
[2] “Regalias e Outras Coisas Mais”, Mais Alto, nº 241, Mai/Jun. 1986.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

HOMENAGEM À FORÇA AÉREA NO SEU 68º ANIVERSÁRIO


HOMENAGEM À FORÇA AÉREA NO SEU 68º ANIVERSÁRIO

1/7/20



                                                                “EX MERO MOTU”
                                                                “Prontos para a acção”
                                                                 Lema da Força Aérea
                                                                 (Que o é, por “mérito próprio”)

    Para comemorar o seu aniversário deste ano a Força Aérea Portuguesa (FAP) - criada em 1 de Julho de 1952, como Ramo independente das Forças Armadas, e através da junção da Aeronáutica Militar e da Aeronáutica Naval - entendeu sobrevoar o espaço aéreo nacional à sua guarda, nomeadamente sobrevoando a maioria das capitais de distrito, incluindo os Arquipélagos dos Açores e da Madeira. Em simultaneamente presta homenagem às vítimas da epidemia do vírus que nos atinge, através da manobra conhecida por “missing man” (um dos aviões destaca-se da formação em que se integra com uma saída abrupta no sentido vertical).
    A FAP abraça deste modo com as suas asas, todo o país e a sua população. Asas onde figura a cruz de Cristo; da Ordem de Cristo.
    São 68 anos de relevantes serviços prestados à Nação, que devem ser recuados a 14 de Maio de 1914, data da fundação do Serviço de Aeronáutica Militar (o Serviço de Aviação da Armada foi fundado, em 28 de Setembro de 1917).
    Por isso clamamos:
  • Aos pioneiros da Aviação Portuguesa – “Apresentar Armas”!
  • Aos que morreram voando e a todos os que concorreram para que a Missão fosse cumprida – “Apresentar Armas” e “Abater Espadas”!
  • À Esquadra 101, “Roncos” (“check in two…”) – “Apresentar Armas”!
  • À Esquadra 103, “Caracóis” (check in, two…”) – “Apresentar Armas”!
  • À Esquadra 201, “Falcões” (check in, two…”) (permitam-me, o “suprassumo da essência do sublime”) – “Apresentar Armas”!
  • À Esquadra 301, “Jaguares” (chek in, two…) – “Apresentar Armas”!
  • À Esquadra 501, “Bisontes” (check in, two…”) – “Apresentar Armas”!
  • À Esquadra 502, “Elefantes” (check in, two…”) – “Apresentar Armas”!
  • À Esquadra 504,“Linces” (check in, two…”) – “Apresentar Aramas”!
  • À Esquadra 552, “Zangãos” (check in, two…”) – “Apresentar Armas”!
  • À Esquadra 601, “Lobos” (check in, two…) – “Apresentar Armas”!
  • À Esquadra 751, “Pumas” (check in, two…) – “Apresentar Armas”!
  • À Esquadra 802 “Águias”, (check in, two…) – “Apresentar Armas”!
  • A todas as esquadras de voo que já existiram e agora repousam na nossa memória ou aguardam eventual reativação – “Apresentar Armas”!
  • A todas as restantes unidades, comandos e especialidades e categorias, que permitem com a sua inestimável competência, espírito de sacrifício, disciplina e camaradagem, que as tripulações de voo cumpram as suas missões na terceira dimensão do espaço – “Apresentar Armas”!
  • Aos Paraquedistas que estiveram na FAP durante 38 anos (e de onde nunca deviam ter saído), entre 1956 e 1 de Janeiro1994 e que recordamos com saudade – “Apresentar Armas”!
  • À Base Aérea 1, em Sintra, a mais antiga base aérea de Portugal, que perfaz no presente ano a bonita idade de 100 anos (ainda não devidamente comemorados) – “Apresentar Armas”!
  • Ao helicóptero Alouette III, que efectuou o seu último voo, no passado mês (data também ainda não devidamente assinalada), extraordinária aeronave que marcou indelevelmente os últimos 50 anos (os primeiros aparelhos vieram em 1963 e a FAP chegou a adquirir cerca de 120) e que teve um desempenho magnífico nas campanhas ultramarinas entre 1961 e 1975, ficando na memória de todos, nomeadamente na Armada e sobretudo no Exército – “Apresentar Armas”! (fica-se a olhar eternamente o horizonte…);
  • À Nossa Senhora do Ar, que é nossa Padroeira e Mãe – prece de joelho direito em terra e a olhar o Céu!
   Portugueses, eis a vossa Força Aérea!
    Enfim um grande” viva a FAP”, de onda emana o Poder que vem do AR, sempre “on time, on target” e, em “sentido aeronáutico”, isto é, de pés unidos e copo na mão, sai o “Acção, Acção, Acção … Aviação”.


                                              João José Brandão Ferreira
                                              Oficial Piloto Aviador (Ref.)

sábado, 13 de junho de 2020

Dia de Portugal

A Portuguesa cantada por uma Goesa ("cativa") que vive na União Indiana. Malditos sejam, para todo o sempre quem nos roubou a Pátria multirracial e pluricontinental, que constituía um dos maiores e melhores desígnios existentes no planeta Terra, desde o início dos tempos.

Escrito "De Como Portugal se tornou independente do Brasil e suas consequencias"

     Ontem foi 7 de Setembro. Data do "Grito do Ipiranga".    Mais um infausto acontecimento para a Nação Portuguesa...    Fica aq...