JÁ ASSISTIU AO SEU REBENTAMENTO DE HOJE?
“Na
morte o homem acaba e a alma começa”.
Victor
Hugo
Pum! Pum! Lá rebentaram mais umas
bombas.
Agora na Bélgica (noutros países é
quase todos os dias…).
Segue-se o costume:
·
Condenação geral – ou seja o que
aparece nos “media” (a questão é: quem está disposto a fazer algo?);
·
Acusações cruzadas (ou seja,
confusão e cortinas de fumo);
·
Reuniões de emergência de órgãos
do Estado, vários;
·
Erupção, um pouco por todo o lado,
de deposição de flores; minutos de silêncio; declarações piedosas; “cartoons” alusivos
e concertos de solidariedade; lágrimas sejam elas sentidas ou de crocodilo
(razoável para amenizar a coisa, prestar “tributo” e fingir que se lava a alma;
no mais, perfeitamente ineficaz);
·
Ressurgimento da célebre frase de
Kennedy, aquando do cerco de Berlim pelos soviéticos, em 1961, “I am a
berliner” – agora junta-se “Eu sou (na língua dos indígenas), seguido do local
onde se deu o atentado – isto, claro, se ocorrer no mundo dito “Ocidental”.
Etc., o que inclui agora a moda de
iluminar edifícios públicos com as cores da bandeira do país atingido e até
cantar a Marselhesa - coisa que não aconteceu com o hino belga que ninguém
conhece, supondo-se apenas que existe.
No entretanto, governantes,
políticos, jornalistas e comentadores, numa percentagem que roça os 95% - no
mundo ocidental, insiste-se – ficam-se pelas “generalidades e culatras” e pelo
politicamente correcto, mas batem com inusitada insistência, na necessidade de
melhorar a cooperação internacional a nível das polícias e dos serviços de
“inteligência”, pois já chegaram ao ponto de recear falar em Serviços de
Informação! Ou seja haver uma melhor coordenação na partilha da informação.
Esta gente não sabe do que fala ou
finge que não sabe do que atira para o ar!
A partilha da informação não existe ou
existe apenas pontualmente, quando há interesses comuns, o que é volúvel, e um
mínimo de confiança o que é raro.
Mesmo na organização de defesa e
segurança mais avançada que se criou até hoje no mundo inteiro, a OTAN, isto
está longe de se passar na sua plenitude, quanto mais numa organização intitulada
União Europeia, que ninguém sabe o que é nem para onde caminha.
A razão é simples: informação é
Poder e ninguém a passa a poderes concorrentes, adversários e muito menos
inimigos. E para que tal suceda é necessário reciprocidade.
A actuação das polícias e sobretudo
dos serviços de informação, representa uma realidade que tem um grau de
confidencialidade que varia entre o “grande e o extremo”, além de serem actividades
- juntamente com as operações militares, a diplomacia, a circulação fiduciária,
a investigação científica de ponta e o exercício da Justiça - que representam o
“core business” da soberania de cada país e o fulcro onde se concentra o
segredo dos povos e dos Estados.
Por isso ninguém vai partilhar nada
a não ser que tenha interesse nisso e exista uma base de confiança para o
fazer.
O que, manifestamente, não existe na
desunião europeia.
Para além disso, que países na
Europa é que dispõem de Serviços de Informação, dignos desse nome, com
capacidade para actuar fora do seu território? Presumo que apenas a Inglaterra
e a França (esta já muito depauperada). A Espanha e a Itália, terão alguma
coisinha mas muito limitada e voltados para os seus interesses mais próximos.
O resto é a quase pobreza
franciscana, retendo a maioria dos estados apenas uma capacidade de actuação
interna que funciona melhor ou pior, segundo a tradição própria e os (poucos) meios
disponíveis.
Vejamos o caso de Portugal, que deve
ser de todos o exemplo mais caricato. Desde o 25 de Abril de Abril de 1974 que
não temos qualquer serviço de informações. Ponto.
Ficaram com o “síndroma” da
PIDE/DGS, confundindo pessoas e regimes, com funções necessárias a qualquer
Estado e arrastando-nos numa agonia dramática.
O resultado é o país como tal,
estar indefeso, coisa que não importa a nenhum Partido, entretidos numa luta
demagógica pelo poder – leia-se arranjar lugares no Parlamento Europeu, nas
Câmaras, AR, Governo e outras entidades, e cujo horizonte não ultrapassa os
negócios e “lobbies” de influência, a que só os ciclos eleitorais causam algum
frenesim.
E que confiança pode algum país ter
em nós, para nos passar informação quando a lista dos agentes do SIEDM foi
entregue ao Parlamento e caiu nos jornais, ao tempo do Professor Veiga Simão
como Ministro da Defesa? Ou quando, como agora, chegou a vir às escâncaras,
referido no Jornal “Expresso”, que as diferentes facções da Maçonaria se
esgatanham entre si para colocarem um “irmão” (agora também há “irmãs”) seu, à
frente do SIS, do SIEDM e do SEF, como já acontece há muitos anos, só para
citar estes casos?
Pois é, quem semeia ventos, não pode
colher calmarias…
A outra frase mais ouvida no éter é
a de que é necessário preservar “os valores em que todos (?) acreditamos”, tais
como a Democracia e a Liberdade”.
Confesso que não vislumbro o que é
que a Democracia tem a ver com toda esta malfadada situação.
A Democracia é apenas um sistema
político – aliás com muitas “nuances” – que se destina a tentar atingir as
aspirações “utópicas” de Segurança, Justiça e Bem-Estar (por esta ordem) –
queremos (os que querem) é lá chegar por via de métodos tidos como
democráticos.
Ora neste momento estamos em face de
um problema grave de Segurança, que não só põe em causa o sistema democrático,
como tudo o resto…
O mesmo se passa com a Liberdade,
que é sempre relativa à situação que temos. Ora sem segurança que liberdade é
que há?
Parece que querem inverter o
sentido às coisas…
O problema não está na Liberdade e
na Democracia (e mais uns apêndices tolos que por aí propagam) mas, na
Moral e no Moral.
Ou seja, porfiarmos no sentido do
Bem e no ânimo que temos em fazê-lo.
Ora neste âmbito a chamada Europa
assemelha-se ao fim do Império Romano no Ocidente e no do Oriente!
E quase só se emitem sinais errados.
*****
O que há então a fazer para parar
esta vaga de terrorismo – esta não é a primeira, já houve várias - que é apenas
um dos muitos problemas que afectam esta putativa União Europeia (e já é
tarde)?
* Em primeiro lugar suspender o
acordo de Schengen e controlar efectivamente as fronteiras;
* Pôr ordem na emigração e reprimir
sem contemplações todos os negócios ilegais a ela associados;
* Mudar drasticamente a lei da
nacionalidade tornando-a muito mais apertada (obrigando por exemplo a dois anos
de Serviço Militar Obrigatório, que é a melhor forma de integração) e favorecendo
o “Jus Sanguini”;
* Expulsar os ilegais;
* Acolher os refugiados de guerra e
tratá-los em zonas controladas, para o efeito criadas e repatriá-los logo que a
situação o permita ou deixá-los seguir caminho para um outro qualquer destino
possível, ao abrigo de um estatuto legal;
* Desmantelar os “bairros
problemáticos” (que nunca deviam ter sido permitidos, em 1º lugar) – fala-se
que só em França existam cerca de 300, onde a polícia só entra com medidas de
segurança extrema;
* Obrigar os emigrantes a
integrarem-se e a cumprirem as leis do país que os alberga e a respeitarem os
costumes e tradições locais;
* Actuar criminalmente contra quem
professe publicamente a violência ou instigue ao ódio e fechar e demolir todos
os locais onde tal seja efectuado;
* Colocar os presos a trabalhar no
duro e com condições espartanas de vida (não em hotéis de 3 estrelas!);
* Exigir respeito e reciprocidade
entre Estados/organizações: não faz sentido nenhum, por exemplo, que a Arábia
Saudita financie a construção de mesquitas por todo o lado e nem uma Igreja exista
no seu território! (ser “democrata” não pode ser sinónimo de ser estúpido…);
* Investir nos Serviços de
Informação, na Polícia e nas Forças Militares e na tecnologia, mas nunca
descurando a Hierarquia, a Disciplina, a Organização e a Ética, sem o que nada
funciona, e acabando com a “paisanice”, as associações sindicais (neste
âmbito), o excremento ideológico e as infiltrações subversivas, que tudo têm
minado;
* Mudar as normas do Código Penal e
do Código do Processo Penal, que dificultam a investigação e favorecem o
prevaricador em vez de quem se porta bem -numa palavra, restaurar a autoridade;
* Finalmente, para grandes males,
grandes remédios – avisar seriamente a rapaziada do “Estado Islâmico” (ou
outros), que se continuarem a fazer execuções públicas e a cortar cabeças, que
lhes vai acontecer o mesmo; parece que é a única linguagem que entendem…
O que me leva à reflexão final que é
esta:
A questão maior do terrorismo é a de
que, quem o pratica não se importa de morrer em nome da defesa de uma ideia ou
“causa” em que acredita.
Quantos de nós serão capazes de
fazer o mesmo?
É esta a grande diferença.
É este o maior perigo.
João
José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador

