A Entidade Reguladora da Comunicação decidiu a meu favor no sentido do Expresso publicar o direito de resposta que me assiste, por causa de um artigo de José Pedro Castanheira, intitulado "Militares julgados por difamarem Alegre"
Este blogue apresenta os pensamentos, opiniões e contributos de um homem livre que ama a sua Pátria.
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
CARTA ABERTA (E BICUDA) AO DR. DURÃO BARROSO *
O Dr. Durão
Barroso (DB) escreveu no Jornal “Público”, de 14 de Setembro de 2012, e na sua
qualidade de Presidente da Comissão Europeia[1], um artigo intitulado
“Rumo a uma Federação de Estados Nação”. No papiro DB defende, sem qualquer
pudor, uma união política, que entronca numa afirmação prévia de que “ A Europa
precisa de um novo rumo. A Europa precisa de uma nova forma de pensar”.
Aqui
levanta-se o primeiro grande obstáculo, o qual tem a ver com aquilo que DB – um
ex-maoista expulso do MRPP[2], em 1975, e que aderiu ao
PSD (onde pelos vistos cabe tudo), em 1970, entende por “Europa” e de que
Europa fala.
Será a
Europa física que vai do Cabo da Roca aos Urais? Ou só até à fronteira da
Federação Russa (e, já agora, esta situa-se onde?).
Será a
Europa Política, constituída por uma miríade de Estados dos quais só numa
pequena parte os mesmos têm correspondência na Nação que representam?
Será a
Europa da maritimidade ou aquela identificada com a continentalidade?
Será a
Europa que pertence à NATO ou a dos países que estão de fora?
Será a
Europa dos Impérios ou a dos que foram sendo subjugados?
Será que a
Turquia também faz parte?
É que
poderíamos ter começado por cingir - nos à Europa dos 27, mas se calhar fica
muita Europa de fora…
Bom, mas
mesmo quanto aos 27, temos que ter em atenção que só 17 países aderiram ao
“Euro”, serão só estes a quem DB se refere?
E, pergunta-se ainda, sendo a “eurozona”
constituída por 17 estados porque é que a maioria das reuniões tem sido só a
dois, entre a Alemanha e a França? Porque é que eles não se federam, para dar o
exemplo?
A segunda
contradição insanável é a ideia peregrina que veiculou da “Federação de Estados
Nação”! O senhor meditou bem na parvoíce que escreveu, está a tentar reinventar
a Ciência Política ou - o que é mais verosímil - está apenas a mandar areia
para os olhos do cidadão pouco avisado?
Quer fazer
o favor de explicar o significado exacto do que pariu? Como concilia a “federação”
que pressupõe uma soberania a que todos os demais povos aceitam e se submetem,
com a figura de estado-nação que requer uma individualidade e identidade
própria? Será que ainda lê o livrinho vermelho do Mao e anda confuso (não
confundir com Confúcio), ou atem-se ao princípio leninista de que uma mentira
repetida mil vezes torna-se uma verdade?
Porque
labora neste imenso erro que representa a União Europeia? Que desígnios
obscuros escondem? Sim, porque só pode.
Porque se
quis transformar uma organização de sucesso que a Comunidade Económica Europeia
representava (enquanto protegida pela NATO – leia-se guarda – chuva nuclear
americano), numa utopia desastrada, a partir do Tratado de Maastricht?
A História
dos países europeus tem centenas de anos de conflitos – muitos ainda por
resolver – cheia de identidades políticas fortíssimas e o senhor defende que
isto tudo se amalgame, ninguém sabe como? E deixaram entrar na Europa 50
milhões de emigrantes que nada têm de parecido com os europeus, que não se
integram – nem os querem integrar - [3] para facilitar as coisas?
Será que DB
ainda não entendeu que, a maioria das nações europeias são como ovos cozidos e
não se podem fazer omeletes com ovos cozidos? Ou pensa que pode reduzir os povos
a picado primeiro, para melhor os esmagar, depois?
Porque não
propõe a obrigatoriedade do “esperanto” como língua oficial?
É tão
obcecado que não vê que a riqueza da Europa deriva da sua diversidade e não na
sua uniformização?
O Senhor
Comissário quer, por acaso, transformar a UE numa babel ingovernável (onde,
curiosamente, nunca deixou de imperar a hierarquia do poder dos Estados), que
acabará inevitavelmente em várias guerras civis e entre estados?
Ou julga
que uma oligarquia de banqueiros é a solução dos problemas?
O senhor
acredita mesmo naquilo que diz, ou apenas o diz porque lhe pagam para isso?
Tirando os
ensinamentos da História qual é o laboratório da ciência política onde vai
beber as suas tiradas?
Ou trata-se
de mais um experiencialismo político/social, agora já serôdio pela idade,
depois das maluquices maoistas que lhe enxamearam a tola, na juventude?[4]
O que DB
evita dizer é que o que se passa (entre muitas coisas):
Os bancos e
instituições financeiras dos diferentes países emprestaram dinheiro uns aos
outros (e ninguém sabe realmente o que se passa); inflacionaram o “dinheiro de
plástico” e o crédito ao desbarato; especularam; inventaram e transacionaram
“vigarices tóxicas”, tudo acompanhado com propaganda abundante e demagogia
política (para ganhar votos), num sistema que está baseado e vive disso mesmo e
dos negócios (e não de valores).
Com tudo
isto aumentaram exponencialmente as dívidas das famílias e dos Estados - que a
ganância de muitos e a pouca clarividência de quase todos - potenciaram em
extremo.
De repente
esta “Dona Branca” gigantesca rebentou e os governos em vez de
responsabilizarem os fautores do descalabro, “nacionalizaram” os buracos
financeiros pondo os contribuintes a pagá-los. Nem o José Stalin se lembrou de
uma coisa destas!
Não
contentes com isto, os bancos entretanto escorados com o dinheiro dos nossos
impostos ainda querem vir reaver o que emprestaram, com juros de usurário.
Para
facilitar as coisas rebaixam os países, pondo-os de joelhos e o senhor DB em
vez de querer atacar as causas que nos levaram a este desastre, quer é fazer a
união política!
Pois a mim
parece-me que se tem prolongado artificialmente este estado de coisas, até
levarem o desespero às pessoas, justamente para poderem, depois, acenar com
essa suposta solução salvífica!
A Europa só
tem futuro com Estados- Nação que colaborem, não que se federem, ou pensa que
vou trocar as sardinhas assadas pelo arenque fumado? Julgará, por absurdo, que
os interesses geopolíticos dos alemães têm alguma coisa a ver com os dos
ingleses?
Não nos
iludamos: o que a união política europeia significa para nós, portugueses, é o
desaparecimento da nossa individualidade, primeiro, e da nossa identidade,
depois. É a diluição da Pátria Portuguesa numa mirífica escravatura
internacionalista…
Parece ser
isto que o evolucionista social Barroso quer. Espero que aos restantes
compatriotas reste a inteligência e a determinação de o mandarem à fava.
Se o
senhor já não se sente português, aconselho-o a renunciar à nacionalidade,
antes de entrar no âmbito da estrofe lapidar camoniana “entre os portugueses,
alguns traidores houve, algumas vezes”.
Fará,
todavia, o favor de devolver a Grã Cruz da Ordem de Cristo, com que alguém, certamente
distraído, o condecorou, em 8/6/96.
Convenhamos
que lhe assenta mal.
[1]
Para onde marchou (pois “passaram-lhe” guia de marcha), em 23 de Novembro de
2004, quando já exercia a pseudo função de Primeiro - Ministro de Portugal. É
claro que tudo isto só foi possível depois de DB, como MNE, ter participado
pela 1ª vez numa reunião do Clube de Bilderberg, em 1994 (antecedido por um
elogio do “World Economic Forúm”, no ano anterior, em que referindo-se a DB
dizia ser ele um dos “Global leaders for tomorow” e uma “Political Star”. A sua
ida para a Comissão Europeia foi antecedida por mais uma participação numa
reunião do mesmo grupo (cuja 1ª reunião, patrocinada pelo Príncipe Bernardo –
da Casa de Orange – ocorreu, em 1954). Depois participou, por inerência de
funções (?), para receber ordens (?), em mais duas reuniões: na Alemanha, em
2005 e na Grécia, em 2009.
[2]
“Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado”, fundado em 18/09/1980.
[3]
A grande maioria dos europeus é racista, ou muito racista e o único povo que
sabe, verdadeiramente, “integrar” é o português. O reconhecimento do falhanço
do “multiculturalismo” é disso mesmo, prova eloquente!
[4]
Quer que lhe envie uns vídeos para se rever?
sábado, 22 de setembro de 2012
A VISITA DE SUA SANTIDADE O PAPA, AO LIBANO
Sem ter o impacto mediático das visitas de João Paulo
II, nem lograr a empatia pessoal que emanava do anterior Pontífice, as viagens
de Bento XVI não deixam de ter uma densidade pastoral e teológica profunda e
mensagens políticas e sociais diplomaticamente expressas, sem deixarem de ser
assertivas.
A organização e discrição do que é feito não pode, também, deixar de merecer elogios.
Na linha do “não tenhais medo”, Benedito XVI tem
feito visitas corajosas e esta última, ao Líbano, há pouco terminada,
inclui-se, seguramente, nestas últimas.
Sua Santidade dá, deste modo, exemplo a políticos,
diplomatas, generais e a todos aqueles que têm responsabilidades cívicas e
sociais.
Mais uma vez condenou os fundamentalismos religiosos
que, a manterem-se, deitarão por terra qualquer esperança de paz.
É neste âmbito que queremos lembrar, que a tolerância
religiosa (como a política, social ou qualquer outra), para além de necessitar
de reciprocidade não deve, outrossim, pôr em perigo a legitima defesa da
dignidade e da vida humana.
Ora é neste particular que têm sido ultrapassadas
várias fronteiras do admissível relativamente às comunidades cristãs, dentro e
fora da Europa.
Não se deve continuar a assistir à perseguição,
discriminação, quando não ao assassinato e, até, genocídio de cristãos, desde a
Nigéria à Indonésia, passando pelos Coptas do Egipto, as diferentes comunidades
cristãs do Médio Oriente, etc.
Estes conflitos estão, felizmente, reduzidos entre
todas as religiões à excepção da Religião Islâmica, que mantêm conflitos com
todas as outras.
A excepção para este estado de coisas é o regime
Chinês que, por razões mais de ideologia (e poder), do que de religião,
discrimina cristãos e, sobretudo, os tibetanos e o seu líder espiritual, o
Dalai Lama, mantendo um conflito latente com a Santa Sé.
Parece que os governos de países de matriz cristã
(com os mais democráticos à cabeça) preocupam-se com os direitos de tudo o que
mexe, à excepção dos cristãos enquanto tal. O próprio clero aparenta estar adormecido
relativamente a tudo o que se passa.
Dentro da Europa as coisas vão de mal a pior e
arriscam-se a acabar em convulsões sociais gravíssimas e num banho de sangue.
De facto a demografia dos europeus de “jus soli” diminui
a olhos vistos, enquanto que, a demografia islâmica aumenta exponencialmente
com a emigração e as gerações seguintes de “jus sanguini”.
Ora acontece que estas comunidades, na sua grande
maioria, não só não se integram nas sociedades para onde vão viver como, algo surrealista
amente, questionam as leis vigentes e querem impôr os usos e costumes dos seus
países de origem.
Os países europeus, com predomínio dos ocidentais,
numa visão claramente distorcida e irrealista dos “Direitos Humanos” e da
“Democracia” têm fechado os olhos a esta avalanche de eventos, de tal modo que
muitos países já dificilmente controlam o que se passa nas suas sociedades.
Esta atitude tem derivado de uma posição ideológica
conotada de “esquerda liberal”, adepta do “multiculturalismo” – quando o Islão
é arreigadamente “monocultural” – e defendida por uma pluralidade de “istas” e
“ismos”, cujo máximo divisor comum tem sido o pôr em causa e a relativização,
da Moral, da Ética, dos Princípios e dos Valores cristãos tradicionais!
Isto tem minado a sociedade.
Insiste-se, todavia, na ingenuidade, na falta de
entendimento da natureza humana e no desconhecimento da História das relações
entre povos e estados, o que nos tem causado inúmeros sofrimentos e, no caso
vertente, nos pode colocar, novamente, à beira de vagões que nos levem para um
outro qualquer “campo de Auschwitz”.
Ora a matemática é, nestas circunstâncias uma arma de
análise infalível e basta a um aluno médio, com a 4ª classe feita antes de
1974, fazer contas para perceber – mesmo com um desvio padrão muito estreito –
que dentro de poucos anos (cerca de 2050) existirá uma maioria de população
muçulmana e islamizada, em grande parte dos países europeus, o que será,
também, acompanhado de uma previsível degradação das condições de vida para
todos.
Não é preciso ser adivinho para se intuir estarmos
perante uma “bomba nuclear” política e social que pode explodir a qualquer
momento e que, caso não seja despoletada, irá colocar-nos a breve trecho numa
situação de, “ou eles ou nós”.
Seria bom que estivesse enganado, mas alerto desde já
que não parece nada que esteja e, já agora, que nada disto pode ser testado em
nenhum laboratório de ciências sociais.
Por tudo isto, seria avisado impôr medidas
restritivas, não só de emigração, como de acesso à nacionalidade – para a qual
seria indispensável a obrigatoriedade de dois anos de serviço militar; ponderar
direitos sociais (sobretudo face aos deveres); fazer cumprir as leis e expulsar
de imediato quem se portasse mal.
Além disto tem que se exigir reciprocidade de
tratamento nos países de origem dos emigrantes e fazer controlo efectivo de
fronteiras.
Estamos a falar de medidas que têm em conta o bom
senso e a justiça; isto para prevenir o uso de medidas que passem a ter com a
nossa sobrevivência.
E o Papa ser vítima de um atentado e morrer, não é
nenhum cenário de ficção científica.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
OU DAMOS CONTA DOS PARTIDOS OU OS PARTIDOS DESTROEM PORTUGAL!
Este artigo foi publicado em 8 de Novembro de 2005, apesar da acção nefasta
dos actuais Partidos, se fazer sentir hà muito. Presumo que agora já seja mais
fácil perceber porquê.
As pessoas, por norma, indignam-se tarde e a más horas e nem sempre pelas melhores
razões. E, por norma, também, os diferentes escalões hierárquicos teimam em fingir
que não vêem/não entendem, e porfiam em atacar efeitos e não causas. Faz parte da natureza humana.
Não aprender nada, não faz parte da natureza humana".
Brandão Ferreira
D. Manuel I
Frase, que segundo Damião de Góis, o Rei teria proferido após ter
reconhecido a Janes Mendes Cicioso, burguês de Évora, depois de este ser ouvido
uma justificação do seu protesto contra um imposto real.
Não só lhe deu razão, como o louvou apontando-o como exemplo dos homens que
pretendia ter junto de si, de modo a dizerem-lhe “...”
E já o fizeram várias vezes...
Mas como o país tem a memória curta e se faz gala na ignorância militante,
nunca se vai aprendendo nada.
Resumidamente foi assim:
Em 1820, na sequência de uma tentativa de golpe de estado frustrado, de
contornos difusos, chefiada pelo General Gomes Freire de Andrade, em 1817,
surtiu, no Porto, uma revolta que logrou sucesso. Esta revolta de carácter
liberal foi urdida numa loja maçónica – o Sinédrio - e o vulto que assomou
proeminente dava pelo nome de Fernandes Tomás. Rapidamente o movimento alastrou
a pontos - chave do País, nomeadamente Lisboa. Nascia assim o Liberalismo em
Portugal, inspirado nos ideais da Revolução Francesa. Em 1822 foi aprovada a
primeira Constituição Portuguesa – que muitos viam como a chave da resolução
dos problemas nacionais - e o Rei posto a recato no Brasil nos idos de 1807,
resolveu regressar à capital do Reino a tempo de a jurar.
Os acontecimentos, porém,
precipitaram-se: a independência do Brasil em marcha há algum tempo, foi
apressada por imprudências da recém - eleita Assembleia Constituinte; a família
real cindiu-se entre adeptos do novo regime e partidários da Ordem Antiga. E
com eles dividem-se o Exército, o Clero, a Burguesia e o Povo. Estas desavenças
que demoram livros a contar desembocaram na guerra civil mais cruenta que em
Portugal houve, tendo atingido o seu auge entre 1832 e 34. O país, exangue
pelas invasões francesas estava agora esfacelado. Com a paz de Évora - Monte
inaugurou-se a Monarquia Constitucional.
Em 1838, nova Constituição era aprovada que substituía uma outra de 1826.
Mas o sossego estava longe de assentar praça. Em vez dele reacenderam-se ódios;
os partidos desacreditaram-se completamente e irrompiam constantemente
quarteladas, golpes palacianos, revoltas militares à mistura com crises
financeiras terríveis. A desorientação era total e acabámos noutra guerra
civil, em 1847, a Patuleia, que só foi resolvida após intervenções militares da
Espanha e da Inglaterra!
Em 1851, após mais um golpe de estado do Cabo de Guerra Saldanha, as forças
políticas tomaram consciência do desastre em que tinham atolado o país e
tentaram entender-se procurando imitar o parlamentarismo inglês. Surgiram,
então, dois partidos, um mais à direita – o Regenerador e o outro mais à
esquerda, o Progressista, que se alternariam no Poder. Entrou-se na Regeneração
e no “Rotativismo”. Gerou-se alguma paz social e uma melhoria das contas
públicas permitiu algum progresso económico. Apareceu um estadista: Fontes
Pereira de Melo. As coisas foram-se aguentando com altos e baixos até 1890, com
muita chapelada e caciquismo local à mistura.
A luta política nunca foi séria e disso se ressentia o “governo da cidade”.
Eça, Ramalho, Oliveira Martins e o imortal Bordalo, fixaram toda esta época
para sempre. A partir de 1890 com nova crise financeira e o “Ultimatum”,
entrámos no estertor da Monarquia, que iria durar 20 longos anos. Surgia agora
em força a propaganda e agitação republicana e algumas ideias socialistas e
anarquistas.
A Monarquia caiu mal, vítima da inépcia, da cobardia e até da traição dos
partidos e outras forças que a apoiavam e a República nasceu pior, pois que se
fundou num crime de Regicídio. Também, nesses tempos, muitos houve que achavam
que a simples mudança de um regime seria o suficiente para a salvação da
Pátria, mas enganaram-se. Os 16 anos que se seguiram foram de indiscritível
agitação político-social, bancarrota, revoltas, assassinatos, desgraças várias.
Pelo meio combatemos em quatro frentes durante a I Guerra Mundial o que
causou imensos lutos, sacrifícios e desavenças.
Em 1926 o país estava novamente exangue e desacreditado, interna e
internacionalmente. Por isso não espanta, nem se deve criticar, que o Exército
tomasse o Poder. Só que as FAs sabiam o que não queriam, mas não estavam seguras
do que deviam fazer a seguir.
Salvou-nos (é o termo!), um homem que se tornara conhecido pelas suas
ideias e integridade e chamado a pôr ordem nas finanças se houve prestes, com
grande acerto e competência. Chamava-se Salazar e era lente em Coimbra.
Sabendo concitar apoios, dispondo de uma Ideia Telúrica de Portugal e do
seu povo e uma doutrina original que a sustentava, acabou por ser nomeado chefe
do governo e por lá ficou 40 anos. E um dos principais e primeiros actos que
intentou foi acabar com os partidos políticos e não se lhe pode levar a mal a
atitude face aos péssimos serviços que estes tinham prestado ao país no último
século! Não pode pela Ciência Política, ser qualificado de democrático, o
regime então instaurado. Mas não se lhe pode negar coerência, Patriotismo
extremo; princípios elevados; recta intenção; respeito pelo Direito e pela
Moral e, ao contrário do que muitos dizem, elevado progresso económico e
desenvolvimento social. Foi um regime sério e maioritariamente servido por
pessoas sérias.
E, durante décadas, fez com que os portugueses voltassem a ganhar orgulho e
confiança neles próprios. Pelo meio ganhou-se a guerra de Espanha, saímos
incólumes e prestigiados da Segunda Guerra Mundial e quando se montou um dos
maiores ataques à escala mundial que jamais se conjugara contra a maneira
portuguesa de estar no mundo, organizou-se a resistência e a luta de tal modo,
que não encontra paralelo desde o tempo do Senhor Afonso de Albuquerque.
Perdeu-se Goa, Damão e Diu, é certo, mas só depois de termos ultrapassado
vitoriosamente durante mais de 10 anos, todas as tropelias da União Indiana, e
quando esta nos esmagou militarmente com força bruta, perante a inanidade
hipócrita da Comunidade Internacional.
Quando o obreiro de tudo isto faleceu, não possuía palácios, contas na Suíça,
nem qualquer bem que surtisse inveja ao mais pobre dos seus compatriotas. E a
exiguidade da sua conta bancária (140 contos) só encontra paralelo na probidade
com que serviu o Estado e a Nação. Nunca alardeou honrarias e jaz, por seu
desígnio, em campa rasa na sua aldeia natal. Não se encontra exemplo que lhe
possa ir a par, em toda a História de Portugal.
Chegámos a 1974 e uma pequena parte do Exército, entendeu, por razões que
ainda não foram devidamente assumidas, fazer um golpe de estado. Ao contrário
dos seus camaradas de 1926, não se percebeu muito bem o que possam alegar como
justificação.
Todos os órgãos do estado funcionavam em pleno; não havia crise financeira
nem económica; a ordem imperava nas ruas e nos lares.
A Nação encontrava-se em guerra e batia-se no seu melhor ia para 13 anos e
não se pode admitir que profissionais do quadro permanente aleguem, porventura,
estarem cansados de fazer a guerra.
Mas as coisas são o que são e o golpe deu-se. À semelhança de 1926 os
militares também não sabiam o que fazer a seguir e logo se dividiram, prenderam
e sanearam.
Ainda hoje a Instituição Militar está a pagar tanta insensatez. O país
esteve à beira de nova guerra civil. A coisa lá se resolveu menos mal nos territórios
europeus. No Ultramar foi o desastre. O Poder Nacional caiu catastroficamente
mas, “hélas”, passámos a ter um regime democrático, mesmo assim contestado pela
extrema - esquerda. E lá voltámos novamente aos Partidos.
A “pesada herança” (em ouro e divisas), dois acordos com o FMI e a adesão à
CEE, têm aguentado as finanças e permitido a distribuição de benesses com que
se compram votos. Mas tudo isto vai acabar e os vícios do sistema irão começar
a aparecer em verdadeira grandeza. Os partidos são medíocres e são incapazes de
se reformar. O que Eça, Ramalho e Bordalo escreveram voltou a estar actual.
O resto virá com o tempo.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
MARQUES MENDES E OS MILITARES
O Dr. Marques Mendes (MM), no seu comentário
semanal na TVI 24, de 27/8/12, veio afirmar, “en passant”, que Portugal possui
mais militares por mil habitantes do que a Espanha e a Alemanha (e mais
policias do que a França e a Alemanha).
Esta mirabolante informação parece ter sido recolhida
de um estudo de uma obscura “fundação” que assumiu o nome de “Oliveira Martins”,
e citada num editorial do Diário de Noticias.
Presumo que MM o terá feito para respaldar os seus
colegas no Governo nas já anunciadas facadas para as FAs que, seguramente, vão
transpirar da avaliação da “Troika” - não sei até, porque é que eles não se
instalam de vez em S. Bento!
De facto, quando se quer justificar seja o que for,
não faltam argumentos, nem dados estatísticos desenterrados onde calhar.
A argumentação é tola e pobres, mas venenosas, são
outras atoardas do mesmo jaez que por aí se ouvem, a mais comum das quais é a
de que a “tropa” tem pessoal a mais (então generais nem se fala!) – coisa que
oiço há mais de 30 anos (ao mesmo tempo que era confrontado com queixas de que
“o pessoal não me chega”)!...
Ora dizer isto sem dizer mais nada, quer dizer tudo
e não quer dizer nada, pois pelo meio seria pertinente referir que existe
pessoal a mais ou a menos, em relação a quê; perceber as distorções e o porquê
das mesmas; dividir a análise por Ramos, postos e especialidades; correlacionar
o que existe com as missões atribuídas, o sistema de forças e o dispositivo
(aprovados pelos políticos); analisar as medidas já tomadas ou a implementar
para atenuar as eventuais distorções, etc.
Não fazer isto e andar a dizer que há gente a mais
ou a menos, é atirar cuspo para o ar e fazer demagogia. Acresce que as
condições mínimas para se harmonizarem quadros orgânicos e fluxos de carreira
nunca foram criados, pela simples razão de nunca ter havido, nos últimos 38 anos, qualquer factor
estável de planeamento.
Quer isto significar que nunca se cumpriu com os
diplomas enformadores que foram sendo publicados; não parou de haver
alterações, cortes a esmo, reorganizações, missões ao estrangeiro, que vão e
voltam, etc. tudo agravado por ministros da defesa que se sucederam em
catadupa, perfeitamente impreparados para o lugar e acolitados por um Conselho
de Chefes que, por norma, fizeram gala em não tomar posição pública, sobre seja
o que for, e tiveram extrema dificuldade em se entender (e, por isso, também em
andar à frente dos acontecimentos), o que se estendeu desde a cor dos
atacadores das botas à compra de submarinos.
Porém, estamos em crer, que a razão principal do
estado a que as FAs chegaram, resulta dos preconceitos anti-militares da
esmagadora maioria da classe política e na sua convicção de que a tropa não faz
falta para nada.
E enquanto isto for assim não há nada a fazer a não
ser que ser queira utilizar o cano da G-3 para uma função que não é suposto
ter.
Outra atoarda que fere a cavidade auricular é a de
que se gasta 80 ou 90% (ou o que for), em pessoal. Este argumento é imbecil de
todo, já que facilmente se percebe que até se podia gastar 100% em pessoal…[1] Basta que o Governo apenas
contemple o orçamento com as verbas necessárias para tal, que é o que tem sido
a tendência verificada.
Mais uma vez, enviar estas “mensagens” para o éter,
nada explica e esconde desígnios menos honestos!
Outra cretinice esférica (mas insidiosa),que corre
na “Net” e em conversas de café é o suposto rácio entre efectivos e oficiais
generais (e agora, também, os superiores) – chega-se a publicar os números
existentes, mesmo que aproximados, e dizer que está tudo invertido, defendendo
uma pirâmide do tipo “um tenente general, dois majores generais, quatro
coronéis seis tenentes-coronéis”, e por aí abaixo (quanto aos sargentos a coisa
ainda é mais nebulosa). Neste âmbito entra-se mesmo no campo da burrice pura.
Para além de não lhes ocorrer questionar se há
generais a mais ou soldados a menos; qual o equilíbrio dos quadros orgânicos
relativamente ao fluxo de promoções – sem o que não se consegue dar uma
carreira e experiência a ninguém; o facto de não se dever tratar mal pessoas
que entraram para uma instituição onde está previsto ficar 20/30 ou mais anos,
que “monopoliza” os seus servidores – eles não podem mudar de “empresa”, nem
emigrar – e depois quando “estão a mais”, cuspi-los fora (fuzilá-los seria um método
expedito para resolver o problema); etc., ainda devem viver no tempo dos
Romanos…
No Exército Romano as coisas eram simples (apesar
de complexas para a época): um Decurião mandava em 10 legionários; um Centurião
comandava 10 Decúrias; 10 Centúrias formavam uma Coorte e várias Coortes
constituíam uma Legião. Á frente da legião estava um general.
As diferentes “armas” reuniam a Infantaria (ligeira
e pesada), Cavalaria, Artilharia (engenhos piro-balísticos) e, até, Engenharia
(pontes, estradas e fortificações). E havia ainda a Intendência, que já era
complicada. O Estado-Maior só foi inventado por Napoleão…
Convenhamos que as coisas, hoje em dia, são bem
mais complicadas e estão longe de serem feitas na base “10”!
O aumento da tecnologia, da sofisticação, a
complexidade das tácticas e da logística, etc., mudou profundamente a
composição das unidades, a diferenciação dos postos e especialidades, o treino,
“and so on”.
Uma tripulação de um P-3, por ex., é de 11
elementos; não há lá um major, um capitão, dois subalternos, quatro sargentos e
três cabos! Na manutenção de qualquer aeronave não existem soldados, a maioria
são sargentos e entre estes a distribuição obedece a equilíbrios vários; num
navio da Armada aplica-se a mesma lógica.
Até no Exército esta é a realidade que se tem
imposto, pois o grau de avanço tecnológico, a letalidade das armas, a
diversidade de equipamentos, torna cada militar num especialista. Mas as coisas
no Exército nunca se podem comparar aos outros Ramos, pois necessitam de um
maior número de efectivos, dado que as unidades de combate básicas continuam a
ser a companhia, o batalhão e a brigada e este tipo de unidades precisam de se
poder apoiar mutuamente e têm que ocupar o terreno e, ao mesmo tempo, manobrar.
Ainda não se consegue fazer isto com meia dúzia de indivíduos…
Além disso as necessidades de treino e logísticas e
de apoio dispararam, exigindo muito mais pessoal na retaguarda e no apoio ao
teatro de operações. Mas o que é que o agora “analista político” saberá disto?
E que dizer de um órgão de Estado-Maior? Também se
vai usar a “lógica” de ter um coronel, dois Tenentes-coronéis, três Majores e
quatro capitães? Toda a gente sabe que as coisas não se passam assim. E, por
outro lado, é preciso ter a noção que por via das organizações internacionais
de defesa em que participamos e da Cooperação Técnico-Militar, o número de
oficiais e sargentos (até de generais), necessários para ocuparem funções,
disparou.
Também se torna necessário explicar a MM e,
infelizmente, não só a ele, que em termos militares prefere a eficácia e não a
eficiência, mas isso terei que deixar para outras núpcias.
Uma última coisa: para se ter algo a funcionar,
para garantir uma capacidade, é necessário ter um número de pessoas a ela
alocadas, sob pena dessa capacidade não existir. E isto é tanto válido para
Portugal que tem 10.5 milhões de habitantes, como para os EUA que têm 300. Dá
para entender?
Por isso caro Dr. MM quando falar em números ou em
estatísticas convém ter alguma noção do que fala e de como interpretar as
figuras. Já agora, tem alguma explicação para o facto de os Ramos estarem
escalavrados de pessoal e o MDN inchar de civis?
E já se perguntou porque é que os sucessivos
governos têm porfiado em substituir os militares em todas as funções que estes
desempenhavam (e bem) fora das fileiras (Serviços de Informação, Protecção
Civil, algumas EPs, Cruz Vermelha, etc. – e tudo leva a crer que querem reduzir
mais – por pessoal com cartão partidário? Funções estas que também serviam como
almofada reguladora de distorções na área de pessoal, e “saídas” por cima, além
de fornecerem ao Estado bons profissionais a custo zero? (Por não ser
necessário contratar mais ninguém).
Os senhores da política só têm tratado de negócios
e assuntos partidários e agora queixam-se de quê?
Não acha que o que Portugal tem a mais são
políticos (três governos – Continente e ilhas – 333 deputados, 308 camaras,
4259 freguesias, cerca de 1800 vereadores, uma corte assinalável de assessores
em Belém, etc. – quer que continue?), por mil habitantes? Relativamente à
Alemanha, por ex., tinham que reduzir o Parlamento para metade!
E para além de políticos o que parece haver a mais,
no país são comentadores…
Lamentavelmente os militares não têm tido o querer
e o saber para se defenderem, mas como diz o povo “não há bem que não se acabe
nem mal que sempre dure”.
Não sei se o Dr. Aguiar Branco já trocou o jogo da
“canasta” típico das “tias” da Foz do Douro, pela mais proletária “sueca” que
há muito se jogava no município de Oeiras, onde um colega seu também se terá
iniciado nos tristemente célebres três “R” (reduzir, reduzir e reduzir).
Será que é entre um “ás de copas” e um “corto” que
se delineiam os cortes na tropa?
Já me esquecia, também creio que há polícias a
mais: já reparou quantos é necessário arregimentar só para guardar as costas a
todos os políticos que a tal têm direito?
[1]
Ou até mais, o Exército já uma vez teve que pedir dinheiro emprestado à CGD
para pagar vencimentos…
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