domingo, 18 de agosto de 2019

A DESERÇÃO COMO UMA (FALSA) VIRTUDE


A DESERÇÃO COMO UMA (FALSA) VIRTUDE
10/8/19
“… em boa ou má fortuna, a vida militar não é mais que uma religião de homens honrados.”
Calderon de La Barca

                A edição do jornal das 20h00 da SIC, de 29 de Julho do corrente ano, contou com uma reportagem alargada sobre um episódio lamentável em que 15 elementos da guarnição do futuro NRP (fragata) Roberto Ivens (F-482) desertaram em França.
                O enquadramento da “peça” feita pela jornalista de serviço, quase se podia sintetizar a isto: “fugiram da guerra colonial e da miséria do Portugal de Salazar”.
                Dos 15 foragidos foram entrevistados dois que se dispuseram ao embuste e à ignomínia e um dos restantes 182 homens da guarnição que permaneceram no seu posto, fieis ao juramento que fizeram, mas cujo único argumento que encontrou para justificar a sua acção (não desertar) foi custar-lhe não puder voltar ao país. [1]
                A cena passou-se em 1968 nos estaleiros “Atelier et Chantiers”, em Nantes, França, onde a guarnição estava a adestrar-se numa das quatro modernas fragatas da Classe João Belo, encomendadas pelo governo português; proceder às provas de mar e à incorporação do navio na Armada Nacional e trazê-lo para Lisboa, quando tudo estivesse concluído.[2]
               A guarnição estava aboletada no navio S. Cristóvão que tinha sido levado para lá para servir de “navio depósito” a cujo comandante respondiam disciplinarmente.
              A deserção ocorreu no dia em que se ia tomar posse da “Roberto Ivens” (cujo Comandante era o Capitão de Fragata Pina Cabral) e incorporá-la na Armada Nacional – e não às pinguinhas como referido.
                Dos 15 que desertaram um era oficial médico (cuja influência nos restantes se ignora), outro foi um sargento de abastecimentos e os restantes eram marinheiros e grumetes.
               As motivações, mal explicadas, teriam a ver com a “repressão”, a “fome” e a “guerra”, referindo-se vagamente o “Maio de 68” (em França), argumentos que a “peça televisiva” pressupõe como justificação (mais do que) aceitável…
              Motivações que, no fundo, estavam quase exclusivamente ligadas com a procura de melhoria de vida pessoal, ou pelo encantamento de alguma moça.[3]
                Chegou-se ao ponto de um dos entrevistados ter afirmado que o então Ministro da Marinha, Almirante Quintanilha e Mendonça Dias, terá chamado “nomes” aos desertores, o que teria caído mal na guarnição.
                Decerto deviam estar á espera que o ministro lhes enviasse (aos desertores) uma carta de recomendação e pastilhas para a tosse!
                Estes rapazes vêm agora cantar de alto pois após o golpe libertador florido a cravos, o seu crime – e de facto trata-se de um crime do foro militar – tinha sido amnistiado.
                De facto calha sempre bem aos delinquentes limparem a borrada que fizeram…
                E esta foi a primeira asneira que se fez: amnistiar desertores. Neste âmbito qualquer tolerância é cobardia e qualquer respeito é vilania.
                Mas como o país ensandeceu e as autoridades “revolucionárias”, de então, acolheram toda a casta de traidores, desertores e criminosos de delito comum e muitos deles se guindaram, com ajuda até, a altos postos na vida nacional, o que se poderia esperar?
                Tudo porque se confundiu deliberadamente traição à Pátria com luta política. Daí também confundir-se – com assaz propósito – a defesa do território, das populações e da soberania nacional com “guerra colonial”…
               E muitas outras barbaridades que muitos pretendem “desculpar”, por via dos “desvarios” que sempre acontecem nos “processos revolucionários”.
              Acabou por não se julgar ninguém a não ser os crimes das FP- 25 de Abril, cujos autores foram depois, convenientemente amnistiados…
                Daqui deriva também a falta de explicação e de enquadramento com que não se explicam os eventos da peça televisiva.
                Quem deserta, seja por que motivo for, tem que se sujeitar às consequências. Faz parte das regras e da natureza das coisas.
                Os desertores em causa traíram o Juramento de Bandeira, traíram a Marinha e o seu bom nome; traíram os seus camaradas de armas e o seu espírito de corpo; traíram o ilustre português que deu nome ao seu navio; traíram o povo português que neles confiara a sua defesa e traíram o governo que lhe entregara a missão de operar uma “nau” moderna adquirida com o dinheiro do trabalho dos contribuintes e não pela via simples de um empréstimo aleatório e ruinoso, como hoje é uso.
                No fim traíram-se a si mesmos, pois desertaram das suas convicções, se as tinham, pois desertaram da sua própria acção, tornando-se uns párias. E com a agravante da deserção ter sido feita em tempo de guerra e em país estrangeiro!
                Finalmente para os 15 que desertaram serem quase tratados como heróis na lamentável ligeireza, enviesamento ideológico, erro e mentira, como foi elaborado este momento televisivo, como é que se há - de apodar a esmagadora maioria da guarnição que cumpriu com o seu dever? Idiotas? Vendidos? Cobardolas? Fascistas? Ignorantes? Quiçá, traidores?
             E porque é que a peça não refere que no mesmo período, alargado em ¾ anos, passaram por França, guarnições de mais três fragatas e quatro submarinos (mais o pessoal de apoio) e não há notícia de nenhuma deserção?[4]
                A acusação feita no argumento da “reportagem” de que fugiam da miséria, será compaginável com o facto, da guarnição estar em terra estranha bem tratada pela Armada e a ganhar ajudas de custo, pergunta-se?
                E o oficial médico vivia mal? No Estado Novo os médicos viviam mal? E poderão os argumentistas fazer o favor de me explicar qual foi a época em Portugal, desde Afonso Henriques, onde o povo vivia bem e não havia miséria?
                E agora emigra-se porquê? Porque são ricos? Fogem da “luminosidade” (em contraponto a “obscurantismo da ditadura”) democrática? E os ricos que temos, quantos os são por trabalho honesto? E digam-me senhores jornalistas que andam com os pés no ar e as mãos no chão, como é que se deve reagir, hoje, se um militar português desertar no Afeganistão ou na República Centro Africana? Fazemos-lhe uma estátua, como aquela (inacreditável) erigida no Feijó dedicada ao “marinheiro insubmisso”?
                Agora a guerra já não é colonial? É justa? Para quem?
                Já pensaram em ir coçar a sarna para detrás do sol - posto?
                Estes desertores de má memória não devem, pois, receber encómios, justificações serôdias, desculpas foleiras, que são em simultâneo, acusações ingratas, injustas, funestas e insultuosas a quem sempre cumpriu o seu dever para com as Forças Armadas, a Nação e a Pátria.
                Devem sim ser sujeitos para todo o sempre à censura social e ao gradual desaparecimento da sua triste memória como um episódio nada ilustre da nossa vida colectiva.
                A não ser que, para os obreiros da “peça”, seus eventuais mentores e, ou, padrinhos, a Instituição Militar e a Nação no seu todo, sejam apenas – ao contrário do que defendia Calderon de La Barca - uma comunidade de estômagos e ânus.
               Este trabalho jornalístico é, pela sua falta de objectividade e seriedade, um mau serviço prestado à comunidade.
                Passar bem. [5]


                                                           João José Brandão Ferreira
                                                           Oficial Piloto Aviador (Ref.)



[1] A guarnição do navio era, na altura, de 14 oficiais, 29 sargentos e 159 praças.
[2] As fragatas eram idênticas às da classe “Comandant Riviére”, deslocavam 2250 toneladas, chegavam aos 25 nós de velocidade e possuíam três peças de 100 m/m; duas peças, de 40 m/m; um morteiro A/S de 305 m/m; dois reparos lança torpedos, de 550 m/m e vários sensores anti aéreos e anti submarinos. A F-482 entrou ao serviço em 23/11/1968 e foi abatida em 1998.
[3] O oficial médico tinha passado até a trabalhar até, a tempo parcial, num hospital da cidade e terá pedido para frequentar um curso o que lhe foi indeferido superiormente. Não se sabe ao certo se tal teve alguma influência na sua decisão. Soube-se que passou depois à Suíça, onde se lhe juntou a mulher. E desapareceu. Que Deus o acolha na sua infinita misericórdia.

[4] Apenas voltou a acontecer um caso semelhante, em 1970, com a Fragata João Belo, que numa visita à Austrália, perdeu um sargento e 10 praças, por deserção.
[5] Abaixo a Revolução. Venha a Contra Revolução!

terça-feira, 30 de julho de 2019

O VAZIO DE CRAVINHO


O VAZIO DE CRAVINHO
29/7/19

“O público, como todos os soberanos, como os reis, os povos e as mulheres, não gosta que se lhes diga a verdade”.
Alexandre Dumas
Não contente com a desajeitada (e malcriada) reacção - que teve perante a mais do que adequada entrevista dada pelo Almirante CEMGFA, no pretérito dia 18 de Julho, onde este chamou a atenção para meia dúzia de problemas (das muitas dezenas existentes), há muito tempo por resolver – por culpa do poder político, não dos militares – veio o circunstante escrever no jornal “Público”, de 24/7, um artigo.
Naturalmente, sem o dizer, de resposta ao oficial general de maior hierarquia militar, sem também nunca lhe citar o nome, ou lhe fazer qualquer referência.
Mas se na verdade queria dar alguma resposta ou “tranquilizar” a opinião pública, perante os problemas apresentados, a cartada saiu furada, pois os cerca de quatro mil caracteres impressos espelham basicamente o … nada.
Foi um exercício sobre o nada; a página podia ter saído em branco que era igual, com a vantagem de ser mais honesta.
É bem o espelho deste diplomata por empréstimo (ou também chamado de politico), já que não pertence à carreira diplomática, e da sua equipa, cujos principais membros parecem que foram escolhidos a dedo.
Pelo menos a Instituição Militar esteve até agora a salvo de ter um político ”graduado” ou até mesmo, nomeado general para exercer sabe-se lá que funções…
Como ainda não conseguiram colocar um “boy” de um partido qualquer, a comandar a Base Aérea de Beja, por exemplo, o que pelo andar da carruagem não deve faltar muito …
É de facto inacreditável o número de lugares comuns – ideia traduzida em linguagem castrense, como “generalidades e culatras” – que percorrem todo o escrito.
A outra característica do texto é a mentira; a mentira sem pudor, pois sabem que nenhum chefe militar até hoje, os desacreditou ou desmentiu em público. E a mentira maior que dura pelo menos desde o primeiro governo do Professor Cavaco Silva, é que trabalham em conjunto, ou sintonia, com as chefias militares, o que raramente acontece; tão pouco ligam seja o que for ao que eles dizem ou propõem; consultam-nos às vezes, com prazos curtíssimos para estes se pronunciarem; criam grupos de trabalho à parte, cada vez mais com civis que percebem tanto de coisas militares como a Madonna percebe de lagares de azeite; retiram constantemente aos chefes militares competências administrativas; inoculam o Ministério da Defesa de “primos” ideológicos, chegando-se ao ponto, desta equipa, confrontar as chefias militares com decisões já tomadas sem mais aquelas.
E como o MDN estava aflitinho foi pedir ajuda ao Director – Geral de Pessoal do respectivo ministério, há 17 anos, que tem enormes responsabilidades em todo este desastre.
O cidadão, conhecido como Alberto Coelho, habituado a actuar na sombra, e a influenciar negativamente os ministros e secretários de estado, que por lá passam, desde o tempo do ministro Portas, atreveu-se a fazer duas intervenções na SIC e na RTP 1, que são penosas de se ouvir. Mas penosas mesmo.
Esta alminha além de não saber falar, não conseguir articular uma frase com sujeito, predicado e complemento directo, de meter os pés pelas mãos e falar como se fosse disléxico, a única coisa que acrescentou ao vazio do ministro, foi a novidade (!) de um novo portal!
Insinuou ainda, o capcioso, que os “jovens” (termo, que deve ter repetido duas vezes em cada frase) evoluíram muito e que os Ramos das FA não souberam adaptar-se a essa mudança…
Tal idiotice levar-nos-ia longe, mas convém lembrar-lhe que as missões das FA não mudaram; que na vida militar o conjunto vale mais que o individuo e que o modo como se transformam civis em militares está inventado há mais de dois mil anos e que não é propriamente um avençado político/partidário, que terá algum crédito nas suas declarações descabidas. Sem embargo da pesporrência atrevida com que o faz.
 E, já agora, atente também que sendo o serviço militar voluntário, os recrutas é que têm que mostrar que são capazes de lidar com as exigências requeridas.
               Numa palavra, os voluntários é que se têm que adaptar à “tropa” e não esta àqueles.
               Ainda dito de outra maneira que é para ver se entende (já vimos que precisa): os mancebos é que têm que querer vir para a Instituição Militar; não é esta que tem que andar atrás deles…
               Vamos a ver se não invertemos as coisas mais do que já estão.
                Porque é que não se oferece para tirar uma recruta? Ainda está em boa altura e talvez aprendesse alguma coisa.
                                                                                  *****
Como transpareceu da reacção do ministro à entrevista, os chefes militares existem simplesmente para serem seus mainatos e comerem a papa que lhes é posta à frente.
A situação é pois, muito mais grave do que aparenta ser.
E são vingativos, uma das razões, por exemplo, pela qual o anterior Chefe do Estado-Maior da Força Aérea não foi reconduzido, encontra-se seguramente, no facto de ter chamado, publicamente, a atenção de que não tinha efectivos, nomeadamente para as novas missões que de um dia para o outro, foram atribuídas àquele Ramo, relativamente aos fogos e ter oposto reticências à mudança de dispositivo, para que querem empurrar a Força Aérea.
Ora o Dispositivo faz parte e decorre do Conceito Estratégico Militar, documento que deve ser aprovado pelo Conselho de Chefes; pelo Conselho Superior Militar e ratificado pelo Conselho Superior de Defesa Nacional…
E o actual Director Nacional da PSP que se cuide depois de, no dia de aniversário da força, ter referido a existência de problemas e centenas de guardas terem virado as costas aquando do seu discurso e abandonado o recinto, em protesto, quando chegou a vez do inefável ministro da tutela.       
Creio que nisto a hierarquia da PSP não deve ter qualquer responsabilidade: é que os polícias habituados aos sindicatos (e aparentemente o “movimento zero” é transversal a tudo), já nem lhes obedecem (por enquanto apenas neste âmbito).
Aliás, este pensamento sobre a figura dos “mainatos”, encontra-se mais espalhado do que se pensa, lembro apenas o batpizado Diogo Freitas do Amaral, figura de um peculiar hibridismo político/ideológico, ter lançado publicamente a ideia de pôr os generais e almirantes a andar de bicicleta. Enfim, certamente preocupações ambientais “avant la lettre”!
Insiste o ministro (será que é masoquista?) que os problemas são conhecidos e estão a ser resolvidos.
Pois toda a gente sabe que os problemas existem, a começar pelos responsáveis políticos que os criaram e há muito que, dos mesmos, têm sido avisados pelas chefias militares que, faz tempo, deveriam ter dado um murro na mesa.
E não sei se deveriam ficar-se pela mesa.
Agora que tenha havido qualquer vontade política em os resolver é que é outra afirmação mentirosa, quiçá, ridícula.
E já que focou todo o seu “nada” no pessoal, sempre lhe quero dizer que os quadros permanentes têm sido reduzidos continuadamente; que uma medida sobre pessoal se repercute pelo menos durante 20 anos; que não há reservas mobilizáveis; que o pessoal do Q.P. continua com a carreira congelada, sendo promovidos (uma vez) nos últimos dias do ano, sonegando-lhes proventos; ou seja não há lei nem roque – uma situação cem vezes mais gravosa daquela que levou ao 25 de Abril; os chefes não têm autoridade para promover um soldado, estando essa decisão dependente dos humores de um qualquer quarto secretário do ministério das cativações, perdão, das finanças; que quanto às praças o desastre começou com o fim do serviço militar obrigatório - uma medida política de lesa - Pátria, movida pela demagogia de dar satisfação às juventudes partidárias (PC excluído) e pela convicção tola de que, com a queda do muro de Berlim, iam acabar as guerras e as crises.
A coisa não tem parado de piorar, pois a ignorância militante, a estupidez política e preconceitos atávicos de alguma intelectualidade e jornalistas, tem votado a Instituição Militar para a prateleira das “inutilidades toleradas”.
A cada vez menor perda de referências morais e éticas, virtudes cívicas e a parafernália infecta de “ismos”, que têm decomposto a sociedade actual, fazem o resto.
Por isso as Forças Armadas lutam com gravosos problemas de recrutamento, tanto em qualidade como em quantidade; a retenção é um desastre e a reinserção é outro igual. O pagamento miserável, a falta de incentivos e a falta da defesa institucional da dignidade do “serviço” militar, tornam a situação descontrolada e irreversível.
“Recrutar, Reter e Reinserir” não é mais do que uma reedição serôdia de outros “3 Rs” de má memória (lembram-se do Reestruturar, Redimensionar e Racionalizar, do “cabo” Nogueira?), com que intitulou o artigo, mas que só querem dizer reduzir, reduzir e reduzir.
Aliás, mentem tanto, que depois de reduzirem constantemente o número de efectivos, abaixo de qualquer nível coerente seja com o que for, ainda impedem que os mesmos sejam recrutados para pouparem uns trocos!
Não têm mesmo vergonha na cara!
Faça-me ao menos um favor: não torne a falar na necessidade de recrutar mulheres. As mulheres na tropa são um modernismo idiota e mandá-las combater representa até, um retrocesso civilizacional!
As mulheres só possuem alguma mais - valia em poucas especialidades, a mais evidente das quais é a do âmbito da saúde (desde que não vão para maqueiros de um pelotão de infantaria…).
As mulheres não resolvem problema algum e acrescentam muitos (a gestão de pessoal é, por exemplo, uma dor de cabeça).
E termino dizendo uma coisa que vai adorar ouvir: a grande mais-valia das mulheres é aguentarem a retaguarda – como sempre fizeram – e criarem bons filhos para poderem ser bons soldados, caso necessário.
E até para não termos um dia destes no que resta das fileiras, 90% de voluntários (serão mesmo voluntários?) de gente de várias cores e feitios, nacionalizados à pressa, mas que de portugueses não têm nada.
Deviam era, isso sim, antes de obterem a nacionalidade portuguesa, ser obrigados a cumprir um tempo mínimo de serviço militar.
Entretanto, ministro Cravinho, remeta-se ao silêncio, entretenha-se a ler, sei lá, a História da Guerra do Peloponeso, do Tucídides e, na primeira oportunidade, peça ao “primeiro” arvorado Costa, para sair pela esquerda (muito) baixa.
Suavemente e sem dar nas vistas (e não se esqueça de levar consigo o tal de Coelho).



                                    João José Brandão Ferreira
                                   (Oficial Piloto Aviador Ref.)

É NO QUE ESTAMOS!

UMA FILHA MANDA UM EMAIL AO SEU PAI:

"Querido pai, estou  apaixonada por um rapaz que vive longe de mim. Como sabes, eu estou na  Austrália oriental e ele vive em Nova Iorque. Conhecemo-nos num  chatroom e fizemos amizade no Facebook. Conversamos largas horas no  Whatsapp, propôs- me em casamento pelo Skype e temos dois meses de  relação através do Viber.
Paizinho, preciso que me dês a tua Bênção. "      

RESPOSTA DO PAI:

"Wow, isto realmente é incrível! !
Então, casa-te pelo Twitter, divirtam-se pelo Tango, mandem vir os vossos filhos pelo Amazon e paguem com o Paypal.
Assegurem -se de terem bons Androids e ampliem o Wi -Fi para que a  comunicação seja boa. E se em algum momento te fartares do teu marido,  vende-o no Ebay!"


DIVAGAÇÔES SOBRE MRS NO “14 DE JULHO”

28/7/19
“Estranha revolução, esta, que desilude e humilha quem sempre ardentemente a desejou.
Estamos a viver em pleno absurdo, a escrever no livro da História gatafunhos que nenhuma inteligência poderá decifrar no futuro. Todas as conjecturas têm a mesma probabilidade de acerto ou desacerto. Jogamos uma roleta de loucos, que tanto anda como desanda.
O espectáculo que damos neste momento é o de um manicómio territorial onde enfermeiros improvisados e atrevidos submetem nove milhões de concidadãos a um eletrochoque aberrante e desumano”.
                                          Miguel Torga
                                     20 de Junho de 1975

            O Presidente português, conhecido na língua japonesa como “Ta Ki Ta Li Ta Kula” foi, desta feita, a Paris – provavelmente com o secreto intuito de visitar os alfarrabistas das margens do Sena – presume-se que a convite do seu homólogo Macron, a fim de assistir à festa nacional francesa.
            Um exercício, aliás, de mau gosto como veremos à frente.
            À parte o General Eanes, que era austero, circunspecto e levava a sério os assuntos de Estado, cedo se assistiu ao desregramento das viagens, por parte dos inquilinos de Belém, dos governantes, dos deputados, dos presidentes de câmara e, de uma forma geral, de todos os lugares de chefia da máquina do Estado.
            Parece uma corrida de deslumbrados.
            E, claro, se perguntarmos a cada um e a todos, sobre a importância das suas deslocações, seguramente dirão com ar sério e compenetrado, que sim, são importantes!
            É certo que a cada vez maior complexidade das relações internacionais, o desmesurado aumento do número de países (uma parte considerável dos quais não tem sequer condições para o ser) e a multiplicação absurda de organismos, comités, fóruns, grupos de trabalho, etc., não ajuda nada à questão. E tal ocorre um pouco por todo o mundo, sobretudo nos países tidos por mais desenvolvidos.
            É claro que as agências de viagens, companhias de transporte (sobretudo aéreo), hotéis, restaurantes, e outros ramos de actividade, que beneficiam desta fúria de deslocações, devem esfregar as mãos de contentes, mas a massa dos contribuintes tem que pagar uma nota preta para sustentar todo este rodopio.
            Duvidamos seriamente que os benefícios para os mesmos (contribuintes) superem sequer minimamente, o passivo de toda esta situação. Bem como a justiça social relativa, não parece nada sair reforçada.
            Pensávamos nós, que se tinha atingido o ápice do despudor, ao tempo de um “marajá” que deixou nome na história como Soares, Mário Soares. Mas não, eis que agora – a era dos “Ronaldo's” – passámos a ter um presidente (o Ronaldo das viagens que vai, certamente, querer estilhaçar recordes) que, a avaliar pelo exercício já decorrido, vai bater aos pontos (e por “knock-out”!) a performance do antigo “globetrotter”. As tartarugas gigantes das Seychelles que se cuidem, pois há-de chegar a sua vez e no fim ganham uma “selfie”!
            Uma viagem presidencial deve ser uma coisa bem pensada, ser cirúrgica e ter uma razão forte de interesse nacional que a sustente e justifique. Não é a mesma coisa que ir beber um café a Cacilhas.
            Tudo o que se passa, há muitos anos, aparenta ser o mais das vezes leviano, vulgar; para cumprir calendário; por capricho e sem o menor respeito pelo dinheiro dos contribuintes.
            Não sei mesmo porque é que não se acaba com esta coisa das passadeiras vermelhas; honras militares; condecorações e jantares de estadão…
            Vão de "jeans", arranjem uns ajudantes de campo que carreguem umas mochilas, levem uns “tuk tuk” para passear, bebam uns copos e fiquem fora o mais tempo possível pois já ninguém vos leva a sério ou tem saudades vossas…
            Será que não há fundo para a fossa abissal das viagens? A Assembleia da República devia, supostamente (ah, ah, ah), autorizar e controlar as ditas, mas como os senhores deputados têm um comportamento semelhante, tal prerrogativa nunca passou de um pró-forma, que deve estar permanentemente em modo “automático”.
            Agora o “14 de Julho” leia-se, de 1789, data da tão glorificada Revolução Francesa. [1]    
            Andariam melhor os franceses em mudar a data do seu dia nacional, pois por um azar dos Távoras, em nada os dignifica e não se vislumbra que orgulho possam ter em tão funesta efeméride.
            A data é uma mentira histórica, onde predominaram os baixos instintos da condição humana; não se vislumbram razões sociais e políticas de peso, para mudanças tão radicais; tão pouco são credíveis e verosímeis as terríveis acusações feitas aos responsáveis de então, nomeadamente a Família Real; muito menos se encontra justificação para as depredações efectuadas e os crimes e morticínios cometidos.
            Grande igualdade!
            As aspirações de “liberdade” acabaram rapidamente num reino de terror e pouco depois tudo virou numa ditadura corporizada num homem de génio militar, administrativo e político, que colocou a Europa (e não só) a ferro e fogo, visando uma tentativa de implantação do imperialismo francês em todo o lado. Espetacular fraternidade
            Portugal sofreu cinco invasões do seu território europeu e muitas escaramuças no Ultramar, por causa disso.
            Vou elencar as cinco, pois por norma, só se consideram três – e mesmo estas se perguntarmos quais foram aos licenciados que hoje temos, 95% não as saberá dizer (tão pouco o século em que ocorreram…). A tal geração mais bem preparada de sempre (risos) …
            A primeira corporizou-se em 1801, a chamada “Guerra das Laranjas”, onde só participaram espanhóis (que nos traíram depois da Campanha do Rossilhão), e que estavam feitos com os franceses; a segunda, em 1807, comandada por Junot; a terceira em 1809, com Soult, à testa; a quarta e mais devastadora, liderada por Massena, em 1810 e a quinta (que só durou 20 dias), comandada pelo General Marmont e que se limitou às terras de Riba - Côa, com início em 3/4/1812.
            E ainda tivemos que ir atrás deles, empurrando-os na ponta da espada até Toulouse, quando o cabo-de-guerra corso se rendeu pela 1ª vez.
            Por isso ir às comemorações da risível “Tomada da Bastilha”, não é de bom gosto, nem condecora ninguém e especialmente um dignitário da Terra de Santa Maria.
            Abaixo, pois, a Revolução; e viva a Contra – Revolução!
            A França, aliás, tirando o período do assalto ao ultramar português, nos anos 50 e sobretudo 60, do século passado, em que nos ajudou (ao tempo do General De Gaulle), nunca foi nossa amiga.
            Não o foi na 1ª Dinastia, por via das relações que tínhamos com a Borgonha, depois pela aliança que fez com a Espanha na Guerra dos 100 anos e da nossa Aliança Inglesa, acabando num confronto em Aljubarrota; na II Dinastia, passou a atacar-nos no mar com corsários e tentou desalojar-nos de vários locais nomeadamente do Brasil.
            Sendo em simultâneo uma potência marítima e continental, esta última teve predomínio, o que por norma a opunha às potências marítimas entre as quais Portugal se encontra.
            Ajudaram-nos em parte, na Restauração, mas por puro interesse estratégico e pontual, oscilando o seu auxílio ou inimizade, em função das suas contendas com o reino vizinho.
            Nas grandes guerras em que entrámos (a maioria obrigados), a França esteve sempre do outro lado da contenda, como foram os casos da Guerra da Sucessão de Espanha e da Guerra dos Sete Anos.
            Durante todo o século XIX, humilhou-nos várias vezes, além de terem deixado o país exangue com as invasões, semearam por cá as ideias jacobinas e as lojas maçónicas do Grande Oriente Lusitano, que juntamente com a maçonaria irregular de origem inglesa, têm dilacerado e dividido o país até aos dias de hoje.
            Mas os basbaques nacionais ficam sempre alvoraçados com as ideias que sopram daquelas bandas…
            Durante a I Grande Guerra e tirando um fugaz apoio político por via das ideias republicanas instaladas, para mal dos nossos pecados, após o 5 de Outubro de 1910, ostracizaram o apoio que lhes demos (e nada nos obrigava a fazê-lo) e ignoraram-nos nas negociações de paz e seguintes. Durante a Guerra Civil de Espanha, pouco faltou para se colocarem ao lado de Moscovo contra nós, vindo a claudicar durante a II GM, onde o seu comportamento foi lastimável.
            Passou a ser a Pátria do sempre em festa revolucionário, sempre com gabarolices de galo cantante e quase sempre saídas de sendeiro.
            Resistem e existem, pois na equação estratégica de Cline, a França tem um elevado potencial disponível (por exemplo, o solo e o subsolo mais rico da Europa), mas não são flor que se cheire. E hoje são seguramente um dos países (a Suécia faz-lhe agora concorrência) mais “doentes” do Continente Europeu – o que os incidentes ocorridos com os coletes amarelos ou outros, espelham. Pelos vistos nem o dia nacional, do seu país, respeitam!
            Era bom que MRS entendesse isto para não ficar demasiado vaidoso (basbaque) em ter ficado à direita do presidente francês (apesar de não ser o mais antigo presente), ladeado por uma murcha senhora Merkel (que por acaso se chama Kasner…), nitidamente diminuída de saúde e alquebrada fisicamente.
            Vamos ao senhor Macron. O senhor Macron não era propriamente um desconhecido até aparecer candidato a presidente, mas também não era nenhuma estrela com provas dadas. Era uma espécie de Obama francês.
            Ou seja não existia, foi criado. Não foi eleito, foi lá posto.
            Assim a modos que um tal cônsul Aristides Sousa Mendes, que 99% dos portugueses não conhecia, mas que acabou em 3º lugar (após poucas semanas de propaganda) num concurso bronco, que elegia o melhor português de sempre…
            Ora Macron foi funcionário dos Rothschield’s, nome da família mais rica e poderosa do mundo, mas cujo nome há muito deixou de aparecer em qualquer órgão de comunicação social. Fica aqui esta pista…
            Do mesmo modo que a Sedes, o Expresso e a ala liberal, foram criados para, aparentemente, prepararem a queda do Estado Novo, e a criação da “SIC”, tinha subjacente a mudança sociológica em Portugal e ajudar a eleger ou não, os principais governantes…
            Existe um nome comum a tudo isto e que MRS conhece bem. Muito provavelmente foi até “cooptado” por ele.
            Do mesmo modo, julgo não me enganar, ao dizer que depois da situação política e social, começar a estabilizar em Portugal, após o “PREC” (o que levou cerca de 10 anos), não há nenhum PR, Chefe de Governo e, porventura, Presidente da AR, que não tenha sido convidado a ir a uma reunião do Grupo de Bilderberg.
            A Democracia que surgiu/derivou, nos tempos modernos, da Revolução Francesa (com antecedentes nas Revolução “Gloriosa” Inglesa, de 1688 e na Americana de 1776 – esta última muito ajudada pelos franceses contra os ingleses) e onde predominou o ataque ao Trono e ao Altar, não poderia dar grandes frutos. Mas não deixa de ser uma capa com laivos de virtuosismo e filantropia, para tudo o que se cozinha “debaixo da mesa”.
            Parece que agora o cozinhado que se prepara é o reforço da Defesa Europeia. Pudera, a coisa está de rastos e avizinham-se piores dias com o “Brexit” (com o qual os tais poderes (como fenómeno Trump) aparentemente, não contavam).
            A única réstia de defesa situa-se na NATO, que não é propriamente uma organização que a UE domine…
            Além disso as coisas estão pretas: Trump não está pelos ajustes de pagar a defesa e desistir da concorrência económica; o senhor Putin joga melhor xadrez a dormir do que os outros todos acordados e não está a fim de deixar que lhe entrem nas suas zonas avançadas de defesa e segurança; a China ameaça reduzir as mais-valias económicas e financeiras dos europeus e comprar-lhes tudo o que ainda não está nas mãos dos países árabes ricos; o mundo muçulmano e Israel estão em convulsão permanente e tentam subverter a sociedade ocidental com proselitismo religioso.
            Até o novo califa turco, Erdogan, de sua graça, se puder não se ensaia nada em vir por aí adiante a querer impôr um “país” muçulmano no centro da Europa…
            A cereja em cima do bolo está a surgir com a revolta das populações europeias, que apesar de anestesiadas pelo materialismo galopante, estão a revoltar-se para reganharem a sua soberania nacional; normas morais e éticas, postas em causa pela enxurrada do cano de esgoto a céu aberto do Relativismo Moral e vários “ismos”, postos em voga pelos muitos que tentam controlar, “democraticamente”, as coisas sem ser pelas urnas (lindo nome) dos votos!
            Por isso o reforço da defesa da Europa (qual Europa?) vai ser adiado mais uma vez, pois ninguém está para aí virado e ninguém se entende. E o principezinho Macron tire o cavalinho da chuva que não vai conseguir passar para a França o papel da Alemanha na Europa.
            Por uma vez, os poderes eleitos portugueses tiveram uma posição correcta ao discordarem da criação de um Exército Europeu, o que é sinal de alguma lucidez e esperança, de que não se caminhe mais na integração europeia mas sim na cooperação.
            O PR que temos, sorri-se muito, mas não creio que tenha grandes motivos para tal.
            Enfim, pelo menos está nas suas sete quintas e diverte-se a fazer o que gosta…
                       




                                              João José Brandão Ferreira
                                             Oficial Piloto Aviador (Ref.)


[1] Sobre o 14 de Julho e a Tomada da Bastilha, favor ler o notável artigo do Prof. Soares Martinez no Jornal O Diabo de 12 de Julho.