Este blogue apresenta os pensamentos, opiniões e contributos de um homem livre que ama a sua Pátria.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
segunda-feira, 15 de junho de 2015
NO RESCALDO DO 10 DE JUNHO DE 2015. HOMENAGEM AOS COMBATENTES DA PÁTRIA: UM DEVER DE SEMPRE
As Forças Armadas são o poder
executivo da consciência nacional, o braço da Pátria, a Nação em atalaia, a vigilância
dos berços, o resguardo dos túmulos, a segurança do presente e do porvir. Nobreza não
há maior que a da sua missão”.
“As praças D’el - Rei D. João IV, nosso senhor, não se rendem senão depois de todos mortos!”
Rui Barbosa, 1938.
As últimas campanhas militares
ultramarinas portuguesas – ultramarinas porque se desenrolaram em terras onde
os portugueses se estabeleceram além-mar – tiveram início no Estado Português
da Índia, em 1954, quando se reforçou aquele território militarmente, por a
ameaça assim o justificar; continuaram em Angola com o deflagrar do terrorismo,
em 1961, e na Guiné e Moçambique, respectivamente em 1963 e 1964, com o início
da guerrilha.
Pelo caminho ficou a mesquinha
ocupação da fortaleza de S. João Baptista de Ajudá, pelo Daomé, em 1 de Agosto
de 1961 – facto de que já ninguém se deve lembrar – e o reforço de todos os
restantes territórios, como precaução, havendo a registar uma séria alteração
da ordem pública, em Macau, em 1966, no auge da revolução cultural maoísta.
Directa ou indirectamente ligados
a todos estes eventos, foi ainda necessário intervir ou fazer face, aos
acontecimentos resultantes da secessão do Catanga, entre 1960 e 1963; na guerra
do Biafra, entre 1967 e 1970 e ao bloqueio do Canal da Beira, por parte da Inglaterra
a partir de Janeiro de 1966, na sequência da independência unilateral da
Rodésia.
Na Metrópole teve ainda que se
fazer frente, a partir dos anos 70, a um conjunto de atentados violentos e
propaganda subversiva, por parte de algumas organizações clandestinas de
orientação comunista e que visavam protestar e, objectivamente prejudicar o
esforço de guerra em que a nação estava empenhada.
A soberania portuguesa terminou
de forma dramática em Goa, Damão e Diu, em 19 de Dezembro de 1961, após
ocupação “manu militari” do nosso território, por parte da União Indiana,
resultante de uma vergonhosa invasão militar, sem declaração de guerra, à revelia
do Direito Internacional e do normal convívio entre povos do século XX, e sem
que a mais pequena réstia de razão o justificasse.
A luta nas restantes frentes
desenrolou-se, vitoriosamente, em termos de guerra de guerrilha de baixa
intensidade, até que os acontecimentos ocorridos em Lisboa, em 25 de Abril de
1974, quebraram psicologicamente a vontade de continuar a luta.
A extrema incompetência,
ignorância e ingenuidade com que os autores do golpe de Estado então ocorrido,
actuaram, fez com que rapidamente o poder caísse na rua; lançou o país no caos
político, económico, social e financeiro, quebrou a disciplina e a confiança
nas Forças Armadas e fez desmoronar todo o aparelho político/ militar nas
quatro partes do mundo onde flutuava a bandeira das quinas.
O resultado foi a outorga do
poder às forças marxistas – e só a essas – do poder político em todo o ultramar
de uma forma atrabiliária, o que impediu qualquer tipo de autodeterminação
minimamente organizada e que respeitasse fosse o que fosse. As independências
surgiram assim, de qualquer maneira e em catadupa, por todo o ano de 1975 o que
resultou, durante décadas, nas abominações mais indiscritíveis.
Macau foi excepção a esta debacle,
não porque o desvario que corria em Lisboa o quisesse, mas porque a China
milenar impôs a sabedoria dos antigos.
Na parte europeia de Portugal,
chegou-se nesse ano às portas da guerra civil, evitada “in extremis” por
alturas de 25 de Novembro de 1975.
Timor ficou ainda a pairar como
uma chaga viva na consciência nacional, durante os anos que durou a ocupação
indonésia, ocupação essa de que nós fomos, senão os únicos, pelo menos os
principais responsáveis. O que se passou por causa disso, na sociedade
portuguesa assemelhou-se a uma catarse de expiação de culpas, colectiva.
O período histórico em que tudo
isto se passou, entre Abril de 74 e Novembro de 75, foi um tempo muito curto,
mas olhando para toda a História de Portugal, não vislumbro nenhum outro, de
tanta ignomínia e que tantos danos causasse.
Assim regressámos às fronteiras
medievais europeias sem lustre e sem glória, depois de uma debandada de pé
descalço – como lhe chamou o insuspeito Professor António José Saraiva.
A Nação dos portugueses não
merecia que as coisas se tivessem passado desta maneira.
Muito menos, o cerca de milhão de
homens que combateram abnegadamente nos quatro continentes e mares em que o
território nacional de então se espalhava e que carinhosamente foram apelidados
de “os melhores de todos nós”.
*****
“Pelo que toca a nossa pessoa não
fico em cuidado, porque por cada pedra daquela fortaleza arriscarei um filho… Eu
vos ponho no caminho da honra, em vós está agora ganhá-la”.
D. João de Castro
(A seu filho enviado de
socorro a Diu durante o Segundo Cerco, 24Abr1546)
Não mereciam estes, nem os
anteriores que lutaram por ideias e interesses que fazem parte da matriz
nacional portuguesa desde a I Dinastia, alguns dos quais levaram a um combate de
600 anos – tantos quanto durou a diáspora portuguesa.
Esta é a primeira reflexão que vos
proponho: nós não andávamos nisto há meia dúzia de dias, não o fizemos de ânimo
leve e tal nunca teve a ver com regimes, pessoas, interesses de grupo ou
sistemas políticos.
Não foi uma ideia de um qualquer
rei louco; de corsários, ou aventureiros; de “lobies” económicos ou interesses
mesquinhos. Foi obra de toda a Nação – da Coroa, dos Nobres, do Clero e do Povo
e teve uma ideia transcendente como referência; a globalização espiritual do
império de nosso Senhor Jesus Cristo, através da Terceira Pessoa da Trindade, o
Espírito Santo.
É tudo isto e a maneira superior
dos portugueses em se relacionarem com os outros povos que explica a
especificidade da colonização portuguesa e o modo como organizávamos e
sentíamos os nossos territórios e as gentes que sempre procurámos integrar na
coroa portuguesa e não descriminar.
*****
“As praças D’el - Rei D. João IV, nosso senhor, não se rendem senão depois de todos mortos!”
Palavras que D. Pedro de Menezes, Capitão-Mor da Fortaleza de
Massangano, dirigiu aos seus soldados no mais aceso da luta contra um ataque
holandês.
A segunda reflexão que vos queria
propor tem a ver com a escala dos ataques exteriores de que Portugal foi sujeito,
que desembocaram nestas campanhas, e que modernamente foram explicados pela
falácia dos “Ventos da História”.
Basicamente desde o início da
Nacionalidade até à perda da independência, em 1580, Portugal contou apenas com
dois inimigos que se podem classificar de clássicos: a Moirama e Castela; tendo
de se fazer ainda frente, a partir do século XV à guerra de corso movida principalmente
por franceses e ingleses.
Porém, a partir do domínio
filipino, Portugal veio a herdar todos os inimigos da coroa espanhola, pelo
simples facto de Filipe I como Rei de Espanha não poder estar em guerra com
vários países e como Rei de Portugal, poder gozar a paz. E foi assim que
passámos a ser atacados por povos do centro e norte da Europa.
Os judeus, que tinham sido bem
tratados em Portugal até D. Manuel I, passaram a guardar inimizade ao nosso
País após a sua expulsão, em 1496 e posterior perseguição pela Inquisição.
No século XX, a URSS tornou-se
nossa inimiga política, por razões ideológicas e nunca perdoou ao estado
português o facto de ter ajudado a derrotar as forças republicanas durante a
guerra civil espanhola. Isto significa o empenho que colocou no apoio à autodeterminação
dos povos e o anti colonialismo (leia-se dos povos que estavam debaixo do domínio
político das nações da Europa Ocidental e apenas dessas) – e entre estas
estavam englobados os territórios portugueses. Conceito que tinha sido posto em
marcha após o fim da II GM e do início da Guerra Fria, de que passou a ser uma
forma indirecta de a travar.
A este desiderato juntaram-se os
EUA, a fim de tentarem subtrair os novos estados ao controlo da União
Soviética, ganharem acesso a fontes de matérias-primas e a posições
estratégicas relevantes, e por preconceito político/social, já que eles
próprios tinham sido uma colónia.
Chamaram a isto os “Ventos da
História”, que tinham muito mais a ver com a substituição de soberanias do que
com a autodeterminação dos povos.
E farão os leitores o favor de
reparar, que os ventos da história são sempre soprados por quem tem o poder na
altura, no sentido dos seus interesses e não por causa dos eventuais princípios
filantrópicos que proclamam.
Portugal tem sido amiúde vítima,
destes “ventos”, por uma razão muito simples: as grandes potências do mundo jamais
perdoaram a uma pequena potência como Portugal, se tenha alcandorado a tão
grande grandeza histórica e territorial e sempre que puderam, aproveitaram-se
das circunstâncias para nos depredar.
Foi isso mais uma vez que
aconteceu no Ultramar a partir de 1954, e já é tempo de nós todos termos noção
da realidade dos factos e não dos mitos e falácias que nos quiseram e querem
vender.
Portugal tinha, ao tempo em que
começaram a ocorrer os eventos que descrevemos, poder efectivo – político,
diplomático, económico, financeiro, psicológico e militar; vivia uma paz social
e dispunha de uma liderança forte, patriótica e competente, que se dispôs,
altaneira, a defender as suas gentes e património e a vender cara a pele. Nenhum
bom português pode condenar esta atitude.
E foi assim que cerca de um
milhão de homens foi ocupar sucessivamente os seus postos de combate, naquilo
que constituiu, sem sombra de dúvidas, a melhor campanha efectuada desde os
tempos do Sr. D. Afonso de Albuquerque, chegando-se a combater simultaneamente
em três teatros de operações de uma extensão enorme, separados entre eles e a
Metrópole – que era a base logística principal – por milhares de quilómetros,
sem generais ou almirantes importados – o que já não sucedia, note-se, desde
Alcácer Quibir - e fazendo-o vitoriosamente com a excepção já referida do
Estado da Índia, devido à esmagadora desproporção de forças em presença.
Mesmo assim fizemos frente com
sucesso a 10 anos de malfeitorias da União Indiana, não foi coisa de somenos!
Todo este esforço foi feito sem
qualquer disrupção política, social ou financeira; mantendo-se o
desenvolvimento económico sempre a subir e de forma sustentável, em todos os
territórios do Minho a Timor; sem qualquer tipo de ruptura logística, casos de
indisciplina notórios e com uma taxa de desertores (incluindo as tropas
negras), que não encontra paralelo em nenhuma campanha contemporânea.
Até ao 25 de Abril de 1974, os
batalhões embarcaram todos completos e em boa ordem de marcha!... E lembro que
antes de embarcarem, permitia-se que os militares fossem a casa, despedir-se
dos familiares durante 10 dias …
Foi pois todo um povo irmanado de
um mesmo ideal e sentir, que aguentou firme e estoicamente, anos e anos de
campanhas e sacrifícios.
E se eram os combatentes que na
linha da frente aguentavam os embates da guerrilha, eram as suas famílias que
na retaguarda, suportaram os sacrifícios e a incerteza que as frentes de
combate implicavam. Neste âmbito há que fazer uma menção especial às mulheres
portuguesas.
Se é certo que aos
expedicionários cabia sofrer as agruras da campanha, que não poucas vezes lhes
causavam ferimentos ou a própria morte, foi a mulher portuguesa que desde a
expedição a Ceuta, em 1415, aguentou a retaguarda, tratou da casa, criou os
filhos e passou toda a sorte de infortúnios para que a gesta se cumprisse. É
ela que verdadeiramente cria e justifica a palavra “saudade” e foram a suas
lágrimas que salgaram o mar português.
Algumas se destacaram: mulheres,
como Filipa de Vilhena e Mariana de Lencastre, que armaram, elas próprias, os
filhos, cavaleiros e os incentivaram a defenderem a Pátria; as mulheres de Diu,
que atrás das pedras da fortaleza, obraram prodígios, ajudando a aguentar dois
terríveis cercos, tratando dos feridos, transportando armas e munições, municiando
espingardas, etc.; como as mulheres de S. Aleixo da Restauração, que mesmo
correndo o risco de ficarem sepultadas debaixo dos escombros da igreja, motivaram
os homens a resistir.
Foram estes e outros exemplos que
perduraram nas mulheres do terceiro quartel do seculo XX e que permitiram que
as famílias se mantivessem coesas na defesa dessa família maior que é a Nação
dos Portugueses!
Da mesma têmpera são as
enfermeiras paraquedistas (oficiais e sargentos) que, a partir de 1961, numa
iniciativa percursora e original, integraram a Força Aérea Portuguesa tendo
prestado relevantes serviços à Pátria.
A homenagem que lhes foi feita
neste último Dia de Portugal foi justíssima e só perdeu por tardia.
*****
“O peso das grilhetas do escravo é bem maior que o da mochila do
soldado”
Eisenhower.
Esta questão do “tardia” leva-nos
à última reflexão:
Porque é que 41 anos depois de as
campanhas terem terminado e os centuriões regressado a casa, ainda existem
tantas reticências nas homenagens que lhe são devidas?
A resposta sendo triste e
dolorosa, é simples de dar. E eu tenho de a dar.
A Pátria não se tem mostrado
agradecida porque está de mal com ela própria.
As forças políticas que saíram
vitoriosas daquilo que era para ser um golpe de estado e virou revolução, sem
lei nem roque, eivadas de ideias erradas e anti - nacionais, fizeram seu, o
ideário político dos, até então, inimigos da nação portuguesa – fazendo crer
que eram apenas inimigos do estado português – sanearam quem se lhes opunha e
intimidaram a restante população.
Quem não concordava, não
conseguiu, quis ou soube, fazer frente a tudo isto. Depois iniciaram um
processo de lavagem ao cérebro onde participaram muitos desertores, traidores,
repatriados e refugiados políticos, de modo a fazer crer que a acção dos
portugueses tinha sido criminosa; que os combatentes andaram a defender o
imperialismo, o fascismo, o colonialismo e outros “ismos”, que eles tinham metido
na cabeça mas colados com cuspo, arrumando-os na prateleira da ignomínia histórica.
E decretaram, liminarmente e sem
direito a contraditório, que a guerra que travámos era injusta!
O condicionalismo psicológico foi
enorme e, de omnipresente nos “media”, no discurso político, na literatura e
artes plásticas, passou para os livros da escola.
Um vento mau assolou o país e,
porque não dizê-lo, uma onda de cobardia também o varreu.
Por isso, só muito lentamente a
população tem estado a acordar das mentiras em que a enlearam e cujos efeitos morais
e materiais estão hoje à vista de todos.
Lembrar e homenagear estes e
outros combatentes no dia maior do calendário português, é um momento desta
reacção. E é preciso gritar bem alto que os combatentes portugueses, de então,
o merecem, que fizeram uma guerra justa, pois actuaram em legítima defesa e
proporcionadamente e além de justa, limpa, com pouquíssimas quebras na ética
militar; foram, generalizadamente, humanos e usufruindo de meios materiais
pouco sofisticados. E podem justamente orgulhar-se de, para lá de legitimamente
defenderem territórios e gentes herdadas dos seus antepassados e que eram incontestavelmente
portugueses – nossos! – ajudaram ao desenvolvimento dos mesmos, o que
ultrapassou tudo o que se fez nos quatro séculos anteriores.
Divisava-se, assim, a formação de
uma sociedade multirracial e pluricontinental, que vivia em harmonia, única no
mundo e que constituía e constitui um dos mais altos ideais da Humanidade. Era
um Ideal digno dos nossos maiores de que, justamente devemos estar orgulhosos.
E o facto de não se ter
conseguido fazê-lo perseverar, não invalida o que atrás se disse.
Caros leitores afirmar a verdade
histórica e as boas intenções e repudiar a mentira e os mentirosos, é um
imperativo de sempre; há que separar águas e voltar à matriz original portuguesa.
Os “ventos da História” não foram
erradicados e podem voltar a soprar contra nós, de novo; não sei até, se o
deixaram de fazer...Há que estar preparado e nunca, mas nunca, baixar as
guardas! Lembro apenas que, presentemente nos querem esbulhar do nosso mar, da
nossa ZEE.
O combate não acabou e creio que
não irá acabar enquanto Portugal existir.
E o primeiro dever dos
combatentes portugueses ainda vivos é, no ano 887 da sua existência como ser
independente e soberano, não ter dúvidas sobre a continuação do seu devir
colectivo!
É mister terminar.
E faço-o, curvando-me comovido e
grato, perante a memória de todos os nossos combatentes já desaparecidos e cuja
evocação devemos garantir enquanto perdurarmos.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
segunda-feira, 8 de junho de 2015
“MIGRANTES”, DEFESA NACIONAL, COISAS GRAVES E PARVOÍCES AVULSAS
“E ainda muitos dos meus naturais
que, por alguns negócios estão desterrados dos meus reinos, é melhor que
estejam aqui fazendo serviço a Deus e cumprindo sua justiça, do que irem-se para
terras estranhas e desnaturarem-se para sempre da sua terra”.
Fala de D. João I, in “Crónica da
Tomada de Ceuta”, de Zurara
Parece que passámos a ter uma nova classe de cidadãos no mundo: Os “migrantes”!
De um dia para o outro, deixou de
se falar em imigração/emigração; refugiados; fugitivos; párias; perseguidos
políticos, etc.; passámos a ter migrantes.
Fomos ao dicionário ver: vem do
latim e designa aquele que muda de país.
Ora quem muda de país tem que se
sujeitar às regras dos países objecto da mudança. Não parece ser nada disto que
se passa, por um lado porque de uma parte não há regras e do outro não se
aplicam…
O que se passa é que esta
designação passou a designar (vá-se lá saber porque bulas) as sucessivas vagas
de refugiados que vêm do Norte de África, tentarem acolher-se ao “velho
Continente”.
Porque o fazem?
Basicamente para fugir à guerra,
às injustiças, à pobreza, às purgas, ao genocídio, às perseguições e a todo um
restante rol de desgraças que assola o mundo desde o seu começo.
Sobretudo ao desespero e à falta
de esperança…
As “migrações” não são de agora,
sempre ocorreram desde a Antiguidade, acomodando-se à força.
Desde que começou a haver
fronteiras e o seu contínuo oscilar (Portugal é um felizardo neste âmbito pois
tem as suas – no Oeste da Europa, que é o que nos resta - mais antigas e
estabilizadas, desde 1297, havendo apenas o lamentável contencioso relativo a
Olivença e seu termo, pendente).
Bolsas de nacionalidades têm
ficado espalhadas por outros territórios que não são originalmente o seu, com
as graves implicações para o futuro que tal fenómeno sempre acarretou.
Ora a questão dos refugiados (não
migrantes) levanta sempre um problema ético grave, de muito difícil solução, já
que não é moralmente aceitável não prestar ajuda a quem está em risco de morrer
ou ficar desamparado.
A situação actual está, porém, na
fronteira de ficar fora de controlo, por insustentável e poder vir a criar
tensões sociais explosivas, originando mini guerras civis por toda a Europa.
Vejamos.
A partir, sobretudo, dos anos 50
e 60, do século XX, verdadeiras vagas de emigrantes vieram procurar trabalho
nos países europeus vindos, na sua maioria, de África e alguns da Ásia e do
Médio Oriente.
Por outro lado, também se
verificaram deslocações de milhões de pessoas dentro da própria Europa (já para
não falar dos deslocamentos directamente relacionados com o fim da II Guerra
Mundial), nomeadamente dos países mais pobres para os mais ricos.
Ficou imune ao fenómeno (salvo o
relacionado com a II GM) o bloco soviético, não só pela pobreza que por lá
existia, como pela odiosa ideologia com que escravizavam os seus povos e o
controlo paranoico exercido nas fronteiras.
Um lote alargado de razões
originou as vagas de emigração referidas, a saber: o “boom” económico no Ocidente,
após a guerra; o excesso de população e pobreza existente em vários países do
globo e a estreita relação de muitos países europeus com povos e territórios
que estavam ou tinham estado sob sua administração colonial.
Por outro lado, a partir dos anos
60, a facilidade do controlo artificial da fertilidade; o aumento do aborto
legal; a luta da “libertação da mulher”; o predomínio dos direitos face aos
deveres; o consumismo e o hedonismo, etc., complementadas com a melhoria da
segurança social e outros fenómenos sociais, levaram à quebra brutal da
natalidade, na Europa, com os consequentes problemas demográficos.
Tal originou a necessidade de
emigrantes, o que levou ao aparecimento de redes de tráfico e a modernas formas
de “escravatura” social.
A demagogia da caça ao voto – que
é a doença infantil da “Democracia” – fez o resto.
E já nem quero falar noutro
âmbito – que é um patamar diferente de discussão – que tem a ver com a mistura
“artificial” de populações, que visa objectivamente, o desaparecimento da raça
branca e, a prazo, o fim das nações (dada a misturada alargada e não só) e, em
sua substituição haver apenas uma cidadania universal com o respectivo governo
mundial…
Ideias que nasceram na Europa dos
anos 20 (interrompido pela IIGM), com origem num tal senhor Richard Kallergy e no
Movimento Pan - Europeu, e cujo nome deu origem a um prémio ainda hoje
entregue, em Viena de Áustria, no âmbito da UE.
Vamos, sem embargo, deixar esta
discussão para outras núpcias.
A questão da emigração envolve,
outrossim, um lado ideológico, politicamente correcto, que foi consubstanciado
na doutrina do “multicuralismo”, e que se transformou num desastre extenso,
pois representa um modelo que separa e não integra, dando origem a uma ilusão
de prosperidade e de respeito mútuo.
Para além do mais o sistema
estava condenado a falhar pela simples razão de que a grande maioria das
populações é racista e uma percentagem elevada de emigrantes também o é, e não
se quer ou consegue, integrar.
Entre estes últimos, tomam
especial relevância, aqueles imbuídos da religião muçulmana que, além de não
quererem integrar-se e serem uma espécie de “racistas religiosos” – como aliás
a maioria dos judeus sionistas, que tratam os não aderentes à Lei do Talmude,
com o termo depreciativo “goyin” – ainda querem impôr as suas regras e o seu
modo de vida, aos locais!
Ora tudo isto passou a tomar
proporções tais que está, aos poucos, a sair fora de controlo e a gerar tensões
que se não forem esvaziadas – e nada aponta para tal – irão pulverizar a Europa
em depredações violentas, cujo alcance, extensão e consequências ninguém pode
prever.
A reacção dos políticos tem sido
a de meter a cabeça na areia como a avestruz e assobiar para o lado – ou não
fosse a sua actuacção no passado a principal causa do imbróglio em que estamos
metidos.
A maioria da população
narcotizada pela imbecilidade e cultura do desfrute, reinante; inchada de
direitos e bajulada pelo sistema dito democrático, opulento; vivendo centrada
em si, num egoísmo e narcisismo que se suplanta a Deus, vive anestesiada,
baralhada e, até, acobardada na esperança (vã) de ir vivendo sem ser afectada.
Todos os ingredientes estão
reunidos para que as coisas acabem mal.
É neste quadro, assaz sucinto,
que as fronteiras Sul da Europa – depois da fuga em catadupa dos cidadãos dos
países de leste, após a queda do muro de Berlim – se vêm ameaçadas por dezenas
de milhares de refugiados (hão - de ser mais!) vítimas do descalabro
civilizacional que varre grande parte do globo.
Descalabro em muitos casos
causado pelas grandes potências do Ocidente, que abandonaram cobardemente a
África à sua sorte; não sabem lidar com os países muçulmanos (que têm uma
maneira de ser e estar em tudo distinta); que se afundam voluntariamente no
vício, na corrupção dos negócios e na rejeição da sua matriz cristã; na negação
da sua própria cultura e no assalto geopolítico às fontes de matérias - primas,
só para ficarmos por aqui.
Mas não podemos deixar de frisar
a sua completa sujeição às fontes de poder financeiro que se escondem constantemente
atrás de organizações difusas.
Tendo, ainda, há muito esquecido
um princípio de Jean Bodin: “Contudo, mesmo assim, a pior das tiranias não é
tão má como a anarquia, onde não há qualquer forma de República, nem ninguém
que comande, ou que obedeça” (livro VI, Cap. IV)[1].
O exemplo mais gritante foram as
recentes consequências da “Primavera árabe”…
É difícil – a não ser que seja
propositado – fazer tantas asneiras seguidas, em qualquer parte do mundo!
A União (!) Europeia, onde
aparenta confluir a mais incapaz classe política de todos os tempos, não lhe
ocorre mais nada do que querer distribuir, mais equitativamente, os refugiados
pela totalidade dos países membros, estabelecendo quotas.
Falta porém arranjar uma
definição de “equitativamente”, que satisfaça a miríade de interesses de cada
estado…
E, apesar da Comissão Europeia
oferecer dinheiro – que é a única coisa, insiste-se, que sabem fazer, estão a
arranjar mais um molho de brócolos que a todos dividirá.
Todos? Eu disse todos?
Perdão, em Lisboa grassa o
optimismo e a mania parola de querer ser sempre o melhor aluno e de aceitar
tudo o que vem de fora numa despersonalização acéfala que até doí.
E além de aceitarem – agora com
uma “nuance” de finta, lembrando o problema do desemprego – os 778 refugiados
propostos, que não irão parar de subir se o sistema for aprovado, pois há
milhões a fugir, ainda vem o Primeiro-Ministro defender que a política de
emigração deve ser liberalizada!
Há que o enviar já a uma junta de
médicos, que são três (ao contrário de uma junta de bois, que são dois), para
aferir do seu estado psicossomático…
O que há a fazer, infelizmente, -
o pragmatismo neste caso vai ter que ferir alguma justiça e preceitos éticos,
sob pena da situação se tornar ainda pior para todos – é justamente o de cerrar
mais as portas e exercer um controlo maior. O acordado em Schengen tem de ser
revisto de alto a baixo.
Como medida preventiva,
profilática e dissuasora!
Se assim não acontecer, além de
não se resolver nenhum problema, arriscamo-nos a um verdadeiro “tsunami”
político e social que a todos prejudicará.
Os problemas devem ser resolvidos
fora das nossas fronteiras (não os importando), evitando-se a guerra e as
injustiças sociais; obrigando a que cada país resolva os seus problemas; responsabilizando
quem mal procede (a eterna luta entre o Bem e o Mal…) e impondo sanções;
prendendo e, ou, eliminando os traficantes de humanos e devolvendo à
procedência os clandestinos.
Em tudo isto tem mais uma vez
evidenciado a sua falência, aquela organização desconforme, com sede em Nova
Iorque, conhecida por ONU.
E, sobretudo, impondo o respeito
da nossa ordem e valores sociais e morais a quem vem viver connosco.
Deve-se ainda perguntar, já
agora, ao Governo de Passos Coelho/Portas, quantos “migrantes” irão viver para
casa de cada um dos políticos que fazem parte do Executivo; dos Parlamentares
ou, eventualmente, irão acampar nos jardins da Presidência.
É que estão a tentar meter gente
em nossa casa, que nós não convidámos e ninguém perguntou se queríamos receber.
Há uma luta contra o tempo, que é
um recurso escasso.
Mais escasso até, que o dinheiro.
[1]
“Six livres de la République”, publicado em 1576. Jean Bodin (1530-1596),
jurisconsulto francês – um clássico da Ciência Política.
quarta-feira, 3 de junho de 2015
AINDA HÁ GENTE COM PINTA!
Assunto: INSTITUTO ODIVELAS - Carta de pai de aluna do IO
terça-feira, 2 de junho de 2015
segunda-feira, 1 de junho de 2015
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