quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

SOBRE OS RECENTES CORTES NAS FORÇAS ARMADAS E DECLARAÇÕES AVULSAS

Eis (parte) do que ficou por dizer.

À laia de introdução:

A Instituição Militar está ainda longe de ter recuperado completamente das sequelas do 25/4 e do “PREC” (só isto dá um programa televisivo de várias horas);

As Forças Armadas (FAs) deixaram de ter qualquer responsabilidade directa na condução dos destinos do País após o fim do Conselho da Revolução e da entrada em vigor da Lei 29/92 [1];

O país ainda não está devidamente reconciliado com o seu passado mais próximo;

O conjunto das forças políticas entendeu que Portugal ia ser amigo de todos e todos iam ser nossos amigos e portanto não haveria ameaças. Se, por remota hipótese, houver algum conflito lá estaria a NATO para “resolver” a questão…

A incultura cívica (quando não a subversão ou simplesmente a estupidez natural) faz com que não se entenda a necessidade de FAs, a especificidade da condição militar e os rituais, tradições e cerimonial daqueles abencerragens, algo arqueológicos, que teimam em gastar do mesmo barbeiro e do mesmo alfaiate; (mais umas horas de programa…)

Os Partidos Políticos, os órgãos de comunicação social, comentadores, entidades e instituições várias têm mostrado a sua irresponsabilidade ao tratarem as questões militares e bastantes deles não se coíbem de lançar verdete e, até, ódio sobre uma Instituição séria, estruturante da Nação (embora não isenta de erros) e cuja história se confunde com a de Portugal.

Ou seja, e em síntese, existe uma convicção alargada – e idiota – de que as FAs são um gasto supérfluo para o país e uma maçada!

Com isto dito podemos passar ao corpo da coisa.

Assim:

As FAs, ao contrário do resto do país, rapidamente se disciplinaram e reorganizaram, reconvertendo-se para os novos cenários de actuação, armamentos, tácticas, técnicas, etc. e, ao longo dos últimos 30 anos conseguiram um grau de desempenho que iguala as mais avançadas forças militares do mundo e ultrapassa a maioria das restantes;

E, neste espaço de tempo não deixaram por cumprir qualquer missão de que tenham sido incumbidas e que passaram por projetar forças para cerca de 30 teatros de operações diferentes (mais de 30.000 homens aviões navios, viaturas e diverso equipamento), que já efecturam quase todas as missões possíveis, incluindo o combate.

Não houve, no mesmo período de tempo, qualquer entidade do Estado – e arrisco-me mesmo a dizer no sector privado (salvo alguma devida proporção) – que se tenha reformado e racionalizado no verdadeiro sentido do termo (e reduzido), mais e melhor do que a Instituição Militar (IM);

Mesmo assim, e sobretudo a partir do consulado do Ministro Fernando Nogueira, nunca nenhum governo se satisfez com nada, passando a aplicar o "slogan" dos 3 “Rs” que, na prática, apenas quis dizer reduzir, reduzir e reduzir! Trataram as FAs como se estas fossem um bocado de plasticina (que se moldava a esmo) e desrespeitaram constantemente todas as regras de Ética e de metodologia adequadas às mesmas;

Os responsáveis políticos quase nunca assumiram claramente as responsabilidades fosse do que fosse, não definiram prioridades, mantiveram todas as missões (e até acrescentaram outras) sem sequer as priorizar, ao mesmo tempo que iam obrigando a cortar capacidades, não raras vezes lançando os Ramos uns contra os outros;

Nunca foram claros a alocar recursos nem nunca actuaram lealmente relativamente ao cumprimento das Leis de Programação Militar (nenhuma foi cumprida);

O próprio Ministério da Defesa Nacional foi sempre uma mentira pois nunca existiu – na medida em que nunca nenhum ministro, ou governo, olhou para a defesa nacional como tal – limitando-se a ser um ministério para as FAs, o mesmo se passando com o ministro cuja única característica que se vislumbrou até hoje – além de ir às reuniões internacionais do que deveria ser o seu âmbito – foi o de, eufemisticamente, pôr a tropa na ordem e esmifrá-la…

Por tudo isto não espanta que a sua quase exclusiva actividade até agora, tenha sido a de asfixiar financeiramente e em termos administrativos e de pessoal o que foi restando da IM.

Haver preocupação em comparar a percentagem do PIB dos países europeus ou outros, gasta na Defesa, com o que se passa connosco é um exercício deletério de pertinência duvidosa. De facto cada país tem uma geopolítica própria e diferente dos demais e aquilo que cada um gasta na defesa deve ter a ver com as suas opções, necessidades e capacidades, não em copiar exemplos alheios.

Por outro lado comparar percentagens é enganador já que 1% do PIB holandês, por ex., pode permitir comprar 1000 aviões de um certo tipo, e 1% do nosso PIB só dar para 50…

Finalmente é necessário estar atento para ver se as contas não estão viciadas pois, e também como ex., o Governo português é useiro e vezeiro em incluir os gastos da GNR nas contas da defesa…

Quanto à questão da “austeridade ser para todos” há que dizer claramente que, em primeiro lugar, as FAs não têm qualquer responsabilidade na crise, não andaram a desbaratar dinheiro, não usufruíram de prebendas, não andaram metidos em corrupções medonhas, nem se endividaram para além do que podiam pagar (vão pedir contas a quem tem culpas no cartório, primeiro…);

E quanto a apertar o cinto já o andam a fazer vai para 20 anos enquanto o resto do país folgava como cigarra, com os responsáveis políticos em destaque! Por isso não venham dizer que a austeridade tem que ser para todos (insinuando nas entrelinhas), pois as FAs estão fartinhas de dar para este peditório (e nunca se eximiram a fazê-lo, nem nunca pediram excepções à lei) – quando mais alguém as igualar que atire a primeira pedra!

*****

Segundo capítulo do “Corpo”.

Por outro lado os ataques à condição militar e ao “Ethos” da IM têm – se sucedido no tempo e são devastadores. ´Trata-se de uma agressão constante, que vai acumulando uma revolta surda e que transformará, brevemente, a tropa num fardo inútil. A desconsideração é vasta.

O silêncio sobre as barbaridades feitas tem sido ensurdecedor.

Ilustremos:

A IM perdeu qualquer capacidade de interferir na escolha das chefias militares;

O vencimento deixou de estar sintonizado com as outras profissões de referência do Estado, havendo uma desproporção negativa muito acentuada;

As chefias militares têm vindo a perder a autoridade de poderem decidir sobre quase tudo;

Os militares têm sido enxotados (é o termo) de todas as funções fora da estrutura das FAs, como se tivessem lepra;

A IM não possui qualquer representação política;

As chefias militares raramente são chamadas ao Parlamento ou à Presidência da República;

A justiça Militar (com foro próprio) foi destruída;

O Serviço Militar deixou de ser universal e obrigatório (um erro de lesa Pátria…);

Institui-se o “duplo voluntariado” no pessoal contratado – uma aberração;

Permitiu-se as mulheres na tropa – uma demagogia dispensável e escusada; permitiu-se, de seguida, o acesso a especialidades relacionadas directamente com o combate – uma demagogia perigosa e anti natural;

A Disciplina Militar está despedaçada e ferida, depois da aprovação do novo Regulamento de Disciplina Militar;

O MDN está invadido de "boys e girls" dos partidos;

Assistiu-se à “invasão” do ensino militar pelo ensino civil;

Tenta-se, constantemente, transformar os militares em funcionários públicos de manga – de - alpaca; e insiste-se na submissão em vez da subordinação;

O estatuto da reserva tem sido destruído paulatinamente;

A reforma da saúde militar é um “molho de brócolos”;

Insistem em misturar os estabelecimentos de ensino militar – como se pudessem fazer omeletes com ovos cozidos;

As FAs foram diminuídas e algo achincalhadas em termos de protocolo de Estado;

As FAs estiveram cerca de 30 anos afastadas de poder participar no Dia de Portugal, a 10 de Junho;

Não há defesa política e institucional das FAs a não ser em palavras de circunstância;

O poder político faz leis para as FAs e os militares, que depois não cumpre: uma altura houve, em que havia cerca de 40 diplomas em incumprimento!

Por último “emparedaram” a carreira militar retirando aos militares a única coisa que lhes restava, com a redução constante dos quadros; mudança aleatória, no tempo e no modo, das regras existentes e congelamento inaudito das promoções.

O Decreto - Lei 373/73 – que deu origem ao 25 de Abril – em comparação com este último parágrafo, é apenas um conto de fadas…

Em súmula, o desrespeito e desconsideração institucional tem sido enorme: generais e almirantes achincalhados na praça pública; ministros pornograficamente ignorantes e impreparados para a função (houve um que só aguentou duas semanas); outro que nunca chegava a horas a lado nenhum (e até chegou a escolher um Secretário de Estado da Defesa num clube de oficiais!); outro, ainda, que resolve ir a uma cerimónia militar que já se efectuara e depois mandou repetir; a lista podia continuar.

Talvez o único ministério que durante anos e anos tinha as contas em dia era o da Defesa, as FAs sempre pagaram a horas, pois não descansaram enquanto não acabaram com isto. Quiseram rebaixar-nos ao nível deles!

O MDN devia, sem dúvida, mudar de nome, devia chamar-se aquilo em que na verdade se tornou: a comissão liquidatária das FAs.

*****

Em Conclusão:

Gentinha arrivista e ignorante que tem passado pelos paços do poder tem-se comportado como sociopatas e militaricidas. São perigosos.

Transformaram os militares em cidadãos de terceira categoria e as FAs num apêndice do Estado, mal tolerado.

Por isso já se compreende muito mal, que quem é chamado (ou tem oportunidade) a pronunciar-se sobre o estado das coisas castrenses, se refugie no maldito do politicamente correcto e não fale, naturalmente, na realidade das coisas; saiba ao menos explicar quais são as missões e razão de ser das FAs e não se encolha – quase em retirada estratégica – a dizer que ainda há coisas que podem ser racionalizadas. Além de não ser verdade, dão tiros nos pés e passam um atestado de incompetência aos chefes anteriores…

E também já chega de haver quem ande a agitar espantalhos de indisciplina ou insubordinação e depois concluir que agora como é tudo democrático, toda a gente vai portar-se bem…

A Democracia não é para aqui chamada (e até me parece ser mais fácil que ocorram problemas em Democracia do que em ditadura…) e não tem nada a ver com o que se passa.

O que se passar tem a ver com decência…

O que tiver que ocorrer ocorre em função de três coisas: haver um conjunto suficientemente alargado de disparates; ambiente, maturado, em que se possa reagir aos mesmos e um “ignidor”. É uma espécie de triângulo do fogo…

As coisas são como são e acontecem quando têm de acontecer.

Foi sempre assim e sempre assim será.

Por isso juízo.

O conjunto da IM tem suportado estoicamente todo este rol de agressões inomináveis tendo como único escape o abandono do serviço activo.

Os militares têm carregado a cruz da servidão militar, agarrados ao espirito de serviço e do dever, no mais da vez de boa mente, quiçá com alguma esperança. Com sentido de estado e a encaixar danos, faz décadas (eu, confesso, que há muito – mesmo muito - que me desiludi e lhes perdi o respeito).

A paga que têm tido é a que está à vista e confluíram nestas miseráveis medidas que andam no ar.

Convém, ao menos, que os militares morram como as árvores, de pé. E ser disciplinado não tem o mesmo significado de ser castrado.

Resolver os problemas do país não passa pela destruição da IM [2]. Nem o governo está mandatado para o fazer. Muito menos a “Troika”, ou quem ela representa.

Seria crime de traição à Pátria.

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[1] Lei da Defesa Nacional e das FAs
[2] Mas acabar com a IM é acabar com o país…

sábado, 2 de fevereiro de 2013

ESTRATÉGIA, ÓH ESTRATÉGIA!...

“Beneficium accipere libertatem est vendere”
(Aceitar um benefício é vender a Liberdade).
Publilius Syrius, século I, a.c.

Se bem estão lembrados o Sr. Ministro da Defesa – presume-se que por ordem do Chefe do Governo, dado ser ele o primeiro responsável pela Política de Defesa Nacional – solicitou a um grupo de 27 personalidades, com provas dadas em diferentes sectores da vida nacional, a elaboração de uma proposta de um novo Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN).

Antes do grupo ter começado a trabalhar atrevi-me a fazer algumas considerações das quais, é justo referir, ter-me enganado numa: a de ter augurado (dado o elevado número de elementos que o compunham e o curto prazo fixado) que teriam muita dificuldade em ter o documento pronto. Mas, o que é certo, é que o conseguiram e não consta que as suas 109 páginas sejam despiciendas.

Desse facto me penalizo, ao mesmo tempo que realço o feito.

No restante, porém, não me enganei muito, sobretudo no parecer que tudo não serviria mais do que para “épater le bourgeois” e que, no fim, o papiro iria para a gaveta.

Não me passa pela cabeça ir analisar o que ficou escrito no sentido de o “criticar” mas, talvez, seja pertinente fazer alguns comentários, à volta do mesmo.

A primeira consideração é a de que seria desnecessário o trabalho. Porquê?

Porque do anterior nada de significativo mudou (a não ser uma coisa): não mudou a geografia, nem o carácter das pessoas, nem as ameaças ou riscos – foram apenas diminuindo as nossas capacidades…

O que mudou – e sobreleva tudo o resto – foi o desregramento financeiro medonho que colocou o país à beira da bancarrota, e debaixo do escrutínio de uma comissão internacional (e internacionalista), que reduziu grande parte da Soberania Nacional, a estilhas.

Logo, seria natural que o CEDN a delinear incidisse sobre este ponto (que impede, na prática, a decisão sobre qualquer outro).

Ou seja e em súmula, como pôr a “Troika” daqui para fora.

Mas nada disto se passou nem o Ministro Gaspar deixava…

No entretanto esclareci duas dúvidas e obtive uma informação que desconhecia.

Em primeiro lugar que o GT não recebeu qualquer directiva política sobre o Conceito Estratégico e que a diferença de designação de CEDN para Conceito Estratégico de Segurança e Defesa Nacional (CESDN) tinha sido uma iniciativa do GT e não por indicação de quem encomendou o trabalho.

Finalmente, o GT baseou todo o seu articulado na perspectiva de que o país está no limiar da sobrevivência o que, sendo uma postura realista e correcta, caíu mal em diversos círculos do poder e terá exasperado algumas figuras da política. O que deve ter ajudado à subalternização senão mesmo, à irrelevância do documento, arduamente elaborado durante 75 dias.

Para obviar a que tal possa acontecer por completo, só há uma coisa a fazer que é o de o divulgar e manter a discussão sobre o tema em diferentes “fora”.

Já relativamente à iniciativa referida de mudar o nome para CESDN e à inexistência de orientações, parece querer significar que o MDN deu carta-branca ao GT para elaborar sobre o que muito bem entendesse. O que não deixa de ser curioso a vários títulos.

Primeiro porque a Estratégia (ou as estratégias), deve derivar de uma orientação política (embora os caminhos a percorrer sejam, simultaneamente, ascendentes e descendentes) e isto significa que o Governo não a tem e delegou no GT delineá-la.

Definir objectivos políticos, estabelecer prioridades, hierarquizar cenários e considerar “timings”, é fundamental para se objectivar esforços, adquirir capacidades, orientar sinergias, etc.

E, ainda, para evitar um dos principais erros em que se caíu quando se elaboraram os anteriores CEDN, que é serem generalistas e abrangentes, ou seja davam para tudo o que resultou serem consequentes em nada!

Aliás, nada faz sugerir que todos os governos que tivemos, nas últimas décadas, tivessem a mais remota intenção de se orientarem pelo que pudesse estar escrito nesses documentos. E tirando os ministros da defesa e alguns deputados da Comissão Parlamentar de Defesa, mais nenhum político os deve ter lido alguma vez.

Tudo isto seria já de si suficiente para que o GT tivesse como base de trabalho o “nada” ou a sua imaginação.

As 109 páginas demonstram que essa imaginação foi usada, mas ela teve que ultrapassar ainda um outro “nada”, ou “vazio”.

Expliquemo-nos.
Uma estratégia pressupõe adversários, inimigos, riscos e ameaças. E pressupõe que existe algo a defender ou, no caso vertente, a tornar seguro – um conceito mais alargado.

Para tal é necessário definir o que importa defender, dado que se encontra esbatido na mente de quase todos desde que, na sequência do 25/4/74 se estabeleceu, de algum modo como um dogma, que “Portugal era amigo de todos e todos eram nossos amigos”…

Além disso em “Democracia” não há lugar a conflitos...[1]

Daí à genuflexão militante, foi um passo.

Ainda tivemos um arrobo de personalidade (melhor dizendo, uma má consciência do tamanho do mundo!), aquando da questão timorense – e após 10 anos de inatividade – lá tentámos reparar uma desgraça da qual os poderes em Lisboa tinham sido os principais (senão os únicos) responsáveis.

Bom, mas as relações internacionais são baseadas no Poder: poder político, diplomático, económico, financeiro, cultural, psicológico e militar. Mas sempre poder real, efectivo, que exista e possa ser exercido.

Ora os sucessivos governos portugueses têm-se entretido a desbaratar todo o Poder Nacional Português - TODO - como, aliás, o GT reconheceu ao afirmar que “apenas nos resta algum poder residual”…

E, neste âmbito, bem se pode afirmar que os diferentes órgãos de soberania se têm comportado como subversivos da Nação dos portugueses!

Logo, se não existir Poder – que se decompõe em capacidades várias - permitindo opções estratégicas variadas (quanto mais poder, mais opções…), não é possível delinear qualquer estratégia. De onde decorre que a elaboração de um CEDN torna-se um exercício vão, por se estar a elaborar sobre o … nada!

Quando muito pode-se enunciar uma estratégia genética com o título “o que se pode fazer para obter um mínimo de poder que nos baste”…

Um derradeiro comentário: 
No início das “Disposições Finais” da proposta de CESDN, pode ler-se o seguinte: “O CESDN fundamenta-se na agregação de todos os elementos com o objectivo final e permanente de proteger a nação portuguesa, garantindo a sua sobrevivência como entidade política e humana, independente e soberana”.

Ora este conceito - que está correctíssimo como defensor e garante, daquele que foi o Objectivo Nacional Permanente Histórico, número um, desde a fundação da nacionalidade - encerra uma contradição insanável.

Esta contradição diz respeito à nossa permanência na União Europeia, sobretudo desde que o nosso país assinou o Tratado de Maastricht e, depois, o Tratado de Lisboa.

É que estes tratados são incompatíveis com aquele desiderato expresso na proposta de CESDN. Até porque, tudo isto, de nacional não tem nada!

Esta coisa do “Rei” teimar em se passear nú, pelas diferentes épocas e serem só as crianças[2] a exclamar a evidência acaba, por norma, mal.

Muito mal.


[1] E, se por remota hipótese, algo surgisse, lá estaria a NATO (quiçá a ONU e a UE – ah, ah, ah).
[2] A quem, ainda, não taparam os olhos ou a boca…

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A REFORMA DO ESTADO

Com a frase infeliz ditada pelo Sr. Primeiro-Ministro da “refundação” do Estado (que ninguém percebeu exactamente o que quis dizer) foi espoletada, da forma mais insólita, a “reforma” do Estado. Parece que a instâncias da “Troika” e para … ontem.

Para este tema, como para quase todos, podemos ter um discurso diferente. Um discurso académico; um discurso erudito; um discurso de campanha eleitoral; um discurso tecnocrático, um discurso popularucho, etc.. Conforme os interesses e as finalidades.

Prefiro optar por uma linguagem simples (e verdadeira), que todos possam entender.

O princípio da discussão deve ser a de definir termos e objectivos.

Deste modo, vale a pena, começar por definir o que é o Estado. É simples: o Estado é a Nação politicamente organizada.

E o que será a Nação (palavra que desapareceu do léxico político)? Bom, a Nação é o conjunto daqueles que nasceram no território soberano e juridicamente constituindo, que tem uma História comum, através de laços e aspirações comuns e que, em comum, querem continuar a construir o seu futuro.

Quando essa comunidade, amalgamada por uma cultura própria, língua própria, idiossincrasia própria, etc., que gera uma identidade própria, consegue desenvolver uma espiritualidade e um devir moral comum, que se transmite e enriquece de geração em geração, passamos a ter uma Pátria – singelamente, a terra dos nossos antepassados.

E aqueles que a Providência Divina ou o acaso cósmico – conforme as crenças – fez nascer no seio dessa nação, deixam apenas de ostentar um bilhete de identidade, passam a ser patriotas: aqueles que amam a sua Pátria.

Muito bem, como a ideia anunciada não foi a de “refundar” a Nação, nem a Pátria mas, apenas, o Estado, vamos ver o que faz o Estado, para que serve o Estado?

Pois o Estado – não sendo um fim em si mesmo, note-se – serve para tentar alcançar e manter, as “aspirações utópicas” dos seres humanos, à Segurança, Justiça e Bem-Estar.[1] Por esta ordem, já que a ordem dos termos não é arbitrária.[2]

Existindo o Estado para servir a Nação, a exigência primeira que se deve fazer aos cidadãos que vão preencher os lugares da estrutura desse Estado é a que eles estejam lá para servir.

Esta Ética deve ser interiorizada com grau de exigência crescente à medida que se sobe na hierarquia (outro termo desaparecido), desse mesmo Estado.

O caso deontológico mais exigente de todos é o dos militares, que não têm só a obrigação de cumprir as suas missões, mas em que o morrer faz parte do dever (de que tomam compromisso público).[3]

Uma das coisas principais que dá alguma garantia de tal poder ser cumprido é aquilo que é conhecido pela “condição militar” e o que lhe está subjacente, coisa que os sucessivos governos se têm esmerado, não em reformar, mas em destruir.

Aqui chegados põe-se a questão: porque é necessário reformar o Estado?

Porque o que existe é incompetente para cumprir o que é suposto?

Porque a estrutura é inadequada? Tem gente a mais? Há falta de liderança? É demasiado caro?

Os objectivos estão desfasados das realidades? Existe descoordenação entre entidades?

Que capacidades quero reter e, ou, alienar?

Eis uma quantidade de perguntas a que é necessário dar resposta antes de começar a trabalhar (não a refundar!).

E também não seria má ideia elaborar sobre qual a matriz, os “standards” morais e a ética pública, que deve enformar o que se vai fazer…

Ora uma reforma (se for isso que se pretende, o que desde já duvidamos) complexa como é esta, não deve (porque poder pode) ser feita de supetão, como são aquelas que surtem de revolucionarites agudas!

Será então de bom senso tentar moderar a compressão do tempo e do espaço para que o feto não verta em aborto (apesar de não pagar, ainda, taxa moderadora).

Depois é aconselhável priorizar a reforma e ponderar o que pode ou deve, ser feito em simultâneo.

E logo uma coisa se destaca: a reforma de todo o sistema político, que é o pai e a mãe de todos os males – sem esquecer a preparação e escolha das pessoas que o vão operacionalizar.

E que, praticamente ninguém, quer discutir (o que é a negação da própria Democracia…).

Daqui resultaria uma nova Constituição (esta é mázinha graças a Deus e aos homens) e a macro estrutura do Estado e suas instituições.

Segue-se em hierarquia as funções do Estado, a Segurança, a Justiça e o bem - estar. Isto é, como é que nos vamos organizar para atingir os múltiplos objectivos dentro destes três âmbitos. Que estruturas e capacidades se devem edificar, qual o número de pessoas necessárias e quanto é que tudo custa.

E será sustentável?

Se não for sustentável então é necessário rever todo o processo e os objectivos, que podem estar desajustados.

E tudo tem de ser pensado e feito tendo como pano de fundo a realidade social, cultural e a idiossincrasia própria do povo português.

Tudo tem que ser muito bem balanceado e aferido em termos que mais se assemelham a uma arte do que a uma ciência e como tal é incompatível com modelos tecnocráticos de aplicação cega, por gente sem jeito nem conhecimentos adequados das realidades e, por vezes ao serviço de interesses estranhos (quando não, obscuros), que não têm nada a ver com a “tal Nação” e a “tal Pátria”!... [4]

Finalmente, uma reforma destas, não pode ser feita ou discutida por toda a gente, ou apenas por meia dúzia de iluminados – partindo do princípio que há alguma seriedade em tudo isto.

Tem que haver prazos e regras.

Vários modelos se podem conceber, mas todos eles devem procurar estabelecer diferentes patamares de decisão (três parece razoável) e procurar a nomeação de grupos de trabalho (GT) específicos para diferentes áreas, com profissionais capazes e independentes de “lobies” e ideologias político- partidárias. Nestes GT confluiriam contributos específicos que pudessem ter origem em iniciativas da chamada “sociedade civil”.

Os GT devem ser suficientemente alargados para acolherem todos os saberes e, em simultâneo, reduzidos para poderem funcionar. E, claro, tem que ser chefiado por alguém com capacidade de liderança.

A coordenação de todos os GT é essencial e a coordenação deve começar por estes no sentido de verificarem a áreas de sobreposição, em falta ou complementares, de modo a harmonizar todo o “edifício”.

E chega.[5]

A melhor reforma é aquela que não se dá por ela nem é anunciada previamente como indispensável, para … ontem!

É aquela que se vai fazendo à medida que se antecipa a sua necessidade.

Infelizmente, não fomos por esse caminho e estamos a pagar caro por isso.

Demasiado caro.

______________________

[1] “Utópicas” no sentido em que jamais serão alcançadas na sua plenitude; sendo intangíveis, devem constituir meta a tentar ser atingida.
[2] Se não houver Segurança não pode haver Justiça e sem existir Segurança e Justiça, não pode haver Bem-Estar…
[3] Embora se espere que, preferencialmente, façam com que sejam os da trincheira oposta a fazer esse sacrifício…
[4] Já não deve ser nada fácil encontrar portugueses que conheçam (e sintam) Portugal, dadas as tremendas machadadas que foram dadas na identidade nacional nas últimas quatro décadas…
[5] Pois não é fácil, mas tem que se tentar…

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

MORREU JAIME NEVES

Português, transmontano, militar e amante das coisas da vida.
 
Conheci o Major General Jaime Neves, mas não privei com ele. Por isso não tenho um conhecimento sequer razoável do seu carácter e personalidade, não podendo, assim, escrever sobre ele com profundidade. Estimáva - o como camarada mais antigo.

Mas sei que foi um combatente de eleição e um bom condutor de homens.
Era um homem franco, rijo e amigo do seu amigo.
Como militar as suas qualidades operacionais destacavam-se relativamente aos atributos relacionados com a actividade de Estado-Maior. Não era um teórico nem um estudioso, mas sim um prático e um intuitivo.
Participou no golpe de estado do 25 de Abril, como a maioria que o fez, por queixas várias contra governos e hierarquias, algum idealismo e muita ingenuidade à mistura. Situação que virou pouco refletida e ponderada a que não é estranha a falta de preparação política e intelectual da maioria.
Sem embargo, e "a posteriori", de muitos terem manchado a sua “folha de serviços” por oportunismo e acções contrárias ao dever, brio e decoro militares.
Neste último lote não está incluído o “Comando” – especialidade que sempre honrou – Jaime Neves que, vendo-se envolvido na espiral de loucura que assolou o país, no Verão de 1975, se situou no lado são, da Instituição Militar.
E, nesse âmbito, se destacou na acção preponderante que teve como comandante do Regimento de Comandos na contenção (mas não na derrota) das forças político – partidárias de carácter internacionalista e totalitário, que tinham colocado o país à beira da guerra civil. O que restou do país deve-lhe isso.
O que, infelizmente, não foi possível fazer nas parcelas ultramarinas.
Só depois daquela acção - onde se destacaram, também, algumas unidades aéreas da Força Aérea- se conseguiu prosseguir com a retoma da “Democracia” (a ser tentada desde 1820…), previsto no Programa do MFA e único desiderato dos “3 Ds” nele constante, a ter algum sucesso até hoje.
Pelo que fez o Major General Jaime Neves ganhou jus a ter o seu nome, para sempre, gravado na História de Portugal.
Jaime Neves foi, sobretudo, um bravo.
Um bravo militar do Exército Português.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

THATCHER, OBAMA E AS FORÇAS ARMADAS

Passaram, recentemente, a circular na Net algumas afirmações da antiga Primeira-Ministro Margaret Thatcher, relativamente à presença de mulheres nas Forças Armadas.

Texto com o qual não podemos deixar de concordar.

Por me parecer pertinente (e a memória dos homens ser curta) junto três artigos que (nas datas assinaladas escrevi) sobre o tema (o último dos quais já inserido na temática do casamento homossexual).

Nem por acaso, no dia 23 do corrente mês de Janeiro, caiu na imprensa que a Admnistração Obama, vai permitir que as militares estado-unidenses possam entrar em combate. Quanto às "mariquices", infere-se do discurso da tomada de posse...

Caíram assim por terra todas as objecções da hierárquia militar americana quanto a estes assuntos - que eram públicos e tinham anos (ao menos esses ainda se opuseram...).

Até onde nos afundaremos nos abismos morais e no erro, eis a questão que fica em aberto.

UMA CERIMÓNIA “PARA-MILITAR” ESTRAMBÓLICA

  PARA VISUALIZAR CLIQUE AQUI!       Em 2011 (há 15 anos) escrevi um artigo descrevendo o que se passava junto ao monumento dedicado ao ...