terça-feira, 26 de outubro de 2021

O “GOLFE” E AS FORÇAS ARMADAS

 


O “GOLFE” E AS FORÇAS ARMADAS

25/10/21

                                              “Julgando um dever cumprir,

                                               Sem descer do meu critério

                                                Digo verdades a rir,

                                                Aos que me mentem a sério.”

                                                António Aleixo

 

Confesso que não sou fã do jogo.

Mas também nada tenho contra o mesmo, muito menos relativamente a quem o pratica, grande parte dos quais o faz mais pela parte social que comporta.

Até já conheci o “pior Campo de Golfe do mundo”, assim cognominado pelos habitantes da Ilha de Ascensão minúscula ilha no meio do Atlântico Sul, onde tal “infraestrutura” existe e que à falta de água e de terreno apropriado, aquilo parece uma paisagem lunar.

Mas lá vão bater umas bolas os militares que estacionam ou passam por uma base de rastreio de mísseis americana e um “Aeródromo de Trânsito” da RAF, que ajudou “só” os ingleses, a ganhar a guerra das Falkland/Malvinas.

Parece, no entanto, que a prática ligada ao golfe, passou a ser utilizada para efectuar mudanças nas chefias militares.

Começou com a destemperada acusação feita ao Major General Carlos Perestrello, para lhe abreviar a estadia como Comandante Operacional da Madeira e agora pretende aplicar-se a mesma receita para ajudar a empurrar o actual Chefe de Estado-Maior da Armada convés abaixo, da Marinha inteira. A coisa fede.

Sem querer fazer disto um cavalo de batalha, nem andar a responder taco a taco às barbaridades que todos os dias saem nos noticiários de que somos servidos, nem tão pouco “ensinar a missa ao padre”, convém colocar de vez em quando os pontos nos “i” e os traços nos “t”.

Como institucionalmente nada acontece, já que o Ministério da Defesa (um nome que representa uma mentira), gosta e pretende impôr, chamar a si, a expressão pública do que se passa nos diferentes Ramos das Forças Armadas e estes raramente reagirem a estímulos (deixo aos leitores tirarem conclusões e, ou, aos responsáveis dizerem de sua justiça), venho chamar a atenção do que segue.

Começou por se inventar que a Marinha tinha mandado construir um campo de golfe no Alfeite; depois a coisa ficou por uma “plataforma onde se podia treinar, isto é, bater umas bolas de golfe (em inglês “driving range"); que a Marinha conseguiu fazer com dinheiro de “mecenato”.

Em simultâneo pôs-se a correr, com foros de escândalo, que a Armada vive dificuldades financeiras muito grandes (mas não se adianta de quem é a responsabilidade), com os navios quase todos parados (o que é verdade) e está-se a gastar dinheiro com tais práticas, como se isso – “ó tempora, ó mores” - pudesse resolver quaisquer despesas com os fabricos que os navios carecem...

Chegou-se ao ponto de “alguém”, certamente bem-intencionado, colocar a público a factura de mil e tal euros referente a uma compra de bolas de golfe, assinada pelo Comandante Naval do Continente, dando-se a entender que o fez por ser praticante da modalidade. E tudo isto com direito a “honras” de polígrafo, aguardando eu, em jubilosa esperança, o dia em que aparecerá o polígrafo do polígrafo…

Ora como as Forças Armadas, juntamente com a Igreja Católica, quando vem a público, hoje em dia, se resumem a quase só pedirem desculpa por existirem, resta-me fazer esta coisa simples: assumir a legitimidade e conveniência do material adquirido.

Em primeiro lugar porque o Comandante tem competência (cada vez mais coartada, o que é péssimo) para o fazer; a despesa estava prevista na rubrica adequada e que é da maior demagogia e estupidez, comparar a despesa efectuada com aquela que se destina à manutenção da frota, à pintura de edifícios, ou ao raio que os parta.

O material adquirido trata-se tão - somente de um equipamento para a prática de educação física, mais propriamente para a manutenção da mesma (as forças militares americanas que operam na Base Aérea nº 4 (que é portuguesa e não americana), nas Lajes, por exemplo, fizeram há muito tempo um campo de golfe na ilha, para usufruto dos seus militares, famílias e não só; vão lá ver.

A boa preparação física é fundamental para o combate - fim último de qualquer força militar - e faz parte da “condição militar” de todos os que passam pelas fileiras, sobretudo do pessoal do quadro permanente.

Convém lembrar, ainda, que todos os militares têm que prestar provas físicas anuais até aos 45 anos e que daí para a frente é importante continuar a ter uma boa condição física que ajude a conservar, a vitalidade e a saúde e que se tal não se verificar, a sua carreira pode ser interrompida a qualquer momento.

Contestar os equipamentos agora em causa, é o mesmo que contestar qualquer uma das infraestruturas desportivas existentes.

Acresce que existem competições desportivas a nível militar, não só a nível nacional, mas também a nível do CISM (Conselho Internacional do Desporto Militar), organização fundada, em 18 de Fevereiro de 1948, em Nice, por cinco países (a Bélgica, Holanda, Luxemburgo, França e Dinamarca), que foram aumentando até aos actuais 140, entre eles também o nosso país. Onde o golfe está incluído.

Por tudo isto, resta classificar o que veio a público de pura maldade, para não utilizar um outro termo mais consentâneo, existente no rico vernáculo português.

É que já não há paciência, ao contrário de tantos marmeleiros existentes, por esses campos, abandonados.

 

NOTA: Vamos supor que os “equívocos” relacionados com a frustrada demissão do Chefe de Estado Maior da Armada e invocados pelo Presidente da República eram outros. Ou seja, o Ministro da Defesa Nacional, a quem foi soprada a ideia, tenta obter a anuência do Dr. A. Costa o qual no meio das preocupações da discussão orçamental (e outras), terá percebido mal a situação e atirou com um “andem lá com isso para a frente”, ou assim entendido pelo Dr. Titterington C.

Caindo o assunto a público, ainda sem se saber publicamente o (s) autor (es) da “fuga” de informação, o ex-líder da Juventude Socialista alcandorado a Primeiro - Ministro, estranhou a coisa e inquiriu o senhor que faz o frete de “tutelar” as Forças Armadas, dos trocadilhos havidos, de que resultou a intenção de quem tinha escorregado na casca da banana, em se demitir. Ora um ministro demitir-se, é tudo menos o que o Dr. Costa quer, neste momento, muito menos que o PR o provoque.

Adiou-se, portanto, o desenlace, daí a secura (que nada adianta) do comunicado de Belém.

E o respectivo inquilino acumulou no seu paiol - que não o de Tancos - algumas munições.

Mas, claro, isto é apenas um "suponhamos".

 

 

                                              João José Brandão Ferreira 

                                             Oficial Piloto Aviador (Ref.)

Grupo quer questão de Olivença debatida na cimeira luso-espanhola

 

OBSERVADOR
16 OUTUBRO 2021

https://observador.pt/2021/10/16/grupo-quer-questao-de-olivenca-debatida-na-cimeira-luso-espanhola/?fbclid=IwAR3XwxeXqJLXBJsHE1tldxhQgkEe4ISQ3oJ8zyXvqVFx9EcYZ4-jY9zolU4

 

 

Grupo quer questão de Olivença debatida na cimeira luso-espanhola


O Grupo dos Amigos de Olivença quer o litígio entre Portugal e Espanha sobre a cidade raiana de Olivença debatido na cimeira luso-espanhola, que decorrerá no fim do mês em Trujillo.

O Grupo dos Amigos de Olivença quer que o litígio entre Portugal e Espanha sobre a cidade raiana de Olivença seja debatido na cimeira luso-espanhola, que decorrerá no fim do mês em Trujillo, na Estremadura espanhola.

Numa deliberação da direção do Grupo dos Amigos de Olivença, enviada aos órgãos de soberania, a associação lembrou que a questão de Olivença continua por resolver entre os dois Estados, com Portugal a não reconhecer a soberania espanhola sobre aquele território.

“É escusado, é inadmissível e é insustentável prosseguir na tentativa de esconder um problema desta magnitude. A existência política da questão de Olivença e os prejuízos que traz ao relacionamento peninsular impõem que a mesma seja tratada com natural frontalidade, isto é, que seja inscrita — sem subterfúgios — na agenda diplomática luso-espanhola”, defendeu.

O grupo considerou que “não é razoável nem correto o entendimento de que tal agendamento põe em causa as boas relações entre Portugal e Espanha e prejudica outros interesses importantes”, uma vez que “uma política de boa vizinhança entre os dois Estados não pode ser construída sobre equívocos, ressentimentos e factos (mal) consumados”.

“O litígio à volta da soberania de Olivença, propiciando, pela sua natureza, desconfiança e reserva entre os dois Estados, tem efeitos reais e negativos no seu relacionamento e em nada contribuí para uma desejada relação renovada entre os dois países”, acrescentou.

O grupo realçou que as atuais circunstâncias, em que Portugal e Espanha integram os mesmos espaços económicos e militares internacionais, “são as mais favoráveis para que, sem inibições nem complexos, ambos os Estados assumam finalmente que é chegado o momento de colocar a questão de Olivença na agenda diplomática peninsular e de dar cumprimento à legalidade e ao Direito Internacional”.

Olivença é uma cidade na zona raiana reivindicada por direito por Portugal, desde o tratado de Alcanizes, em 1297, mas que Espanha anexou e mantém integrada na província de Badajoz, na comunidade autónoma da Estremadura, apesar de ter reconhecido a soberania portuguesa sobre a cidade quando subscreveu o Congresso de Viena, em 1817.

A XXXII Cimeira Luso-Espanhola realiza-se em 28 de outubro em Trujillo, na Estremadura espanhola.

 

sábado, 9 de outubro de 2021

O PADRE FEYTOR PINTO E A HISTÓRIA DA IGREJA PORTUGUESA NOS ÚLTIMOS 60 ANOS

 Para dar a conhecer melhor a figura do Padre Feytor, agora falecido. Que o Senhor o tenha no esplendor da vida eterna.

    Brandão F.
 
 
 

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

A Figura de Cristóvão Colon (Colombo para alguns) e a Apresentação de um Novo Livro

 A controvérsia está lançada há muito tempo, e disso não deve vir mal ao mundo. Mas era bom que se aprendesse a discutir os assuntos respeitando os argumentos alheios, de preferência com objectividade científica e liberdade académica, em vez de preconceitos vários, ingerências ideológicas e,ou, desatinos de personalidade.

   Cumpts
    BF

 

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