quarta-feira, 24 de julho de 2019



OS FOGOS …
23/7/19




                         “Tanto é ladrão o que rouba a vinha, como o que fica a ver”
                                                                  Provérbio popular

            Vou escrever o artigo mais curto da minha lavra, até hoje. Podia até ser apenas isto: o que se escreve a 90% sobre os fogos em Portugal são apenas lucubrações mentais mentirosas e, ou, acessórias.
            Mas tenho que acrescentar algo mais.          
            O país continua a arder – nomeadamente nos locais onde já ardeu – e assim continuará, enquanto não se puser o dedo nas razões porque arde. Ora estas podem-se resumir a duas causas principais: naturais (diria menos de 1%) e humanas (as restantes). Esta última (causas humanas) pode ainda subdividir-se em três, a saber: por desleixo/imprevidência; por acção de tarados e “doentinhos”, que sentem prazer patológico em ver arder, e por intenção dolosa, isto é, criminosa.
            Não sei, nem é possível saber em concreto, a percentagem de umas e outras.
            Sei apenas – como qualquer cidadão mesmo sem escolaridade obrigatória – que para haver fogo são precisas três coisas em simultâneo: combustível, comburente e uma ignição.
            Em simultâneo.
            Isto é o fogo não nasce por geração espontânea.
            Neste momento percorrem as pantalhas da televisão imagens de artefactos supostamente usados na deflagração propositada de incêndios. São numerosas as vezes que tal já ocorreu.
            Há dezenas de pessoas presas todos os anos, que depois não se sabe o que lhes acontece sendo que a maioria é posta em liberdade sem mais aquelas.
            Ora não se resolverá jamais o problema desta desgraça dos fogos florestais que, lembra-se, não tem paralelo em qualquer outro país, senão se fizer duas de duas coisas, a saber: castigar a sério os autores de fogos por descuido ou irresponsabilidade e, “enforcar in situ”, aqueles apanhados em flagrante delito, o que seria acompanhado de investigação da possível “mão que os arma” o que está seguramente ligado a vários “negócios” que de algum modo possam prosperar, directa ou indirectamente, com os fogos.
            Enquanto não houver coragem para se fazer isto a tragédia continuará. Esta tragédia deve ser encarada como um problema de Segurança Nacional e os criminosos equiparados a terroristas.
            Mas não, ainda não vai ser desta.
            Quando a coisa amainar os adiantados mentais de serviço, lá vão voltar às velhas desculpas, a saber: as alterações climáticas; as populações que não limpam os terrenos à volta das casas; o reordenamento da floresta, a prevenção, blá, blá, blá…
            A que se segue a conclusão costumeira de que se vai envidar esforços (para o ano) na prevenção e no reforço de meios.
            Sem nunca se atacar o essencial. [1]
            Até quando é que vamos todos andar a fazer de estúpidos e a aturar este estado de coisas?




                                            João José Brandão Ferreira
                                           Oficial Piloto Aviador (Ref.)



[1] Lembram-se por acaso de uma reportagem passada num canal de televisão onde se descreveu e mostraram imagens assaz importantes de como se organizou a destruição do Pinhal de Leiria há dois anos atrás? Aconteceu alguma coisa?

segunda-feira, 22 de julho de 2019


A REACÇÃO DO MDN À ENTREVISTA DO CEMGFA[1]
20/07/19
                 “Tem a palavra o Senhor Deputado:
                   - Senhor Primeiro-Ministro, isto está de tal maneira mau
                   que até as raparigas licenciadas têm que se prostituir
                    para sobreviver.
                   O Primeiro- Ministro com o seu sorriso responde:
                  - Lá está o Senhor Deputado a inverter tudo, o que se passa
                   é que o nosso sistema de ensino está tão bom, que até as
                    as prostitutas, hoje, são licenciadas.”
                                                                                                     Conversa de Parlamento 


   Com cerca de 30 anos de atraso – altura em que os mais responsáveis desta III e infeliz República, começaram a atacar com denodo, as Forças Armadas (FA) e a Instituição Militar (IM) – o actual CEMGFA, Almirante Silva Ribeiro deu uma entrevista à Rádio Renascença, onde falou de alguns problemas que afectam as FA Portuguesas.
    Não falou de todos os problemas, pois para isso precisava de uma entrevista de 48 horas…
     Referiu, porém, algumas questões que são prementes e que se arrastam penosamente, que decorreram da entrevista (que ignoramos como foi preparada), nomeadamente, do furto das armas em Tancos – uma história ainda muito mal contada; a aproximação das FA à Sociedade Civil (ou deverá ser o contrário?); a gestão das carreiras das praças, a sua retenção, vencimentos e condições de vida; tipo de serviço militar (de cuja discussão toda a gente foge como o chifrudo da cruz); a missão (secundária) do combate aos incêndios – melhor dizendo o apoio à Protecção Civil; a cooperação com as Forças de Segurança – um tema sensível; a pensão de sangue e estatuto a atribuir aos militares em regime de contrato, que sejam vítimas de acidente em serviço (nomeadamente em combate!); a situação do Hospital das FA (em verdade devia ser de toda a Saúde Militar e do IASFA) e o momentoso problema da falta de efectivos, que não só se tornou uma situação insustentável (como referido três vezes), como dramática.
     Todas estas questões foram tratadas com decoro, calmamente, com dados objectivos, com conhecimento de causa, com sentido de Estado e com dignidade.
       E, sobretudo, com verdade – coisa a que a generalidade dos políticos não sabe o que é e se dá mal – e, se pecou, foi por defeito.
     Ora perante tudo isto - que só acontece depois das chefias militares esgotarem tudo aquilo que está ao seu alcance fazer (a partir daqui só passando à “agressão”) – como é que o “curioso” que ocupa com aparente enfado, a pasta da Defesa – figura que o cómico do comentador Sousa Tavares se congratulou por ser alto, pois “assim podia falar de cima para baixo” com os generais – reagiu?
    Pois reagiu com os pés, os quais, infelizmente, nunca tiveram bolhas por calçarem umas botas de uniforme (antigamente cardadas, por economia…).
    Com voz agastada proferiu uma série de enormidades e convidou sibilinamente o CEMGFA a demitir-se, ficando no ar a ameaça de o fazer.
     O Almirante além de ter colocado as questões com urbanidade, pensou seguramente várias vezes antes de dar o passo da entrevista. Mas que lhe restava fazer?
    Os chefes militares aguentam, faz décadas, cortes e reduções de toda a ordem, que se têm revelado autênticos torniquetes em termos financeiros, materiais, em pessoal e em autonomia; ataques à imagem da IM e ao Estatuto da Condição Militar – que os diferencia positivamente de todos os corpos do Estado e de qualquer profissão civil; degradação das suas condições de vida; menorização das suas missões primárias; desfasamento continuado da justiça relativa com os restantes sectores do Estado equivalentes (Cátedra, Diplomacia, Forças de Segurança; Magistratura, etc.); tudo misturado com atitudes e “tiques” de humilhação, desprezo e hipocrisia.
    Repito, faz 30 anos, não são 30 meses…
Enquanto isto se passava, é bom frisar, os diferentes sectores do Estado e também da Sociedade Civil, viviam na maior das irresponsabilidades, cuja dívida escabrosa e impossível de pagar (em metal sonante) que temos, representa a síntese mais perfeita e evidente, do que afirmámos. E o filme que a explica varia entre a classificação de “terror” e “pornográfico”!
    Por tudo isto a reacção a todo este estado de coisas, tem décadas de atraso (sendo por isso que se chegou ao estado em que estamos) e se tal não favorece os poderes públicos pela perfídia, falta de seriedade e patriotismo revelados, tão pouco ilustra os militares, naturalmente nas pessoas das mais altas hierarquias, em cada época, por não se terem feito respeitar e à Instituição que serviam e representavam.
     Já para não falar no País no seu todo, a que parece ninguém liga patavina.
    É certo que a grande maioria dos chefes militares, não é gente mal formada e nunca esperou dos políticos contemporâneos, a irresponsabilidade, desprezo e incompetência com que passaram a tratar os militares e as FA (o que tem origens diversas e fundas); são avessos por formação ética, moral e técnica, a tomar atitudes que ponham em causa os princípios militares e o decoro público (o “PREC” é uma anormalidade insana, que tem que ser avaliado fora de um contexto de normalidade); têm pruridos de sentido de Estado, da defesa da Nação e das instituições; esperam que o bom senso prevaleça; aprenderam a “encaixar danos”; sabem que em tempos de paz os militares têm tendência a ser desvalorizados; mantêm, diria naturalmente, uma neutralidade político/partidária, etc..
    Mas tudo tem sido em vão.
   Esta cáfila de políticos, aproveitando-se das restrições de cidadania aplicada aos militares, tem praticado a política da terra queimada e não respeitam nada. A não ser a força.
    Por isso o confronto vai ser inevitável.
    Trata-se da sobrevivência da IM e sem ela a Nação não sobreviverá.
    O ministro Cravinho mostrou-se agastado e já tratou mal o CEMGFA.
    Este não se deve demitir (é o que eles querem) e também não deve deixar que o ministro o trate mal – que é o mesmo que tratar mal a IM. Os chefes militares não são “boys nem girls” dos Partidos; as FA não são propriamente um simples órgão de administração corrente e os militares não são funcionários públicos.
    Os outros três Chefes devem unir-se e actuar como um bloco e atrás deles (formados) devem estar os Conselhos Superiores dos Ramos. E deve ser enviada mensagem para que caso pensem em demitir alguém, ninguém assumirá o cargo.
    Os governantes, de um modo geral, têm sido uns cobardes relativamente àquilo que, eufemisticamente, apelidam de “tropa”. Sabem que é a única profissão no país que não pode ter sindicatos (e bem) – caramba, até os juízes têm! (e mal) – os militares no activo não podem falar, nem defender-se seja do que for (sem autorização superior); que os próprios gabinetes de relações públicas dos Ramos estão condicionados naquilo que podem fazer e dizer; que se pode facilmente avençar jornalistas e comentadores, para criticar e denegrir a imagem dos militares e das FA, etc..
      Os poderes públicos pouco (diria, nada) fazem, para compensar os militares pelas suas restrições cívicas e deveres acrescidos, além de não exercerem o seu dever de tutela na defesa do seu bom nome e imagem.
    Por isso não tenho pejo em adjectivar a sua conduta de miserável.
    O actual ministro da tutela, que perdeu o direito a que o trate por “senhor”, após as declarações que exalou, como os seus anteriores, está fartinho de saber dos problemas existentes. A razão é simples, aliás: foram eles que os criaram; e agora mostra-se indignado pelo CEMGFA, depois de muitas démarches internas (atiradas para a gaveta), dizer o óbvio!
    Acusa ainda o CEMGFA de não conhecer as suas funções e que estas se resumem a fazer o que ele, ministro, lhe disser para fazer…
      Espero que o Almirante CEMGFA lhe responda à letra, oportunamente, mas fica-me a ideia de que quem não sabe o que anda a fazer é o emproado urdidor de blagues, que por um solavanco político/partidário foi exercer funções que certamente nunca lhe passaram pela cabeça desempenhar.
    E teve o despautério de zunir: ”em vez de nos preocuparmos em lastimarmo-nos devemos é deitar mãos à obra”. Deitar mãos à obra? Apetece-me estrafega-lo! Sabe por acaso, as condições em que se tem trabalhado nos últimos anos com a asfixia permanente em termos financeiros, material, pessoal e administrativos? Com as mil e uma pseudo reformas que tiraram da cartola e que apenas querem dizer reduzir? Das mudanças constantes de regras a meio do jogo? De tratarem as FA como se de um bocado de plasticina se tratasse?
    Passa-lhe pela cabeça que possa haver em Portugal algum órgão do Estado ou empresa ou organismo civil, que suportasse um cem avos do que têm feito ao Exército, Força Aérea e Armada Nacionais?!
    Tenha tento e vergonha na cara!
E como pode ter, se remata assim: “não podemos queixar-nos que não temos suficientes militares e esquecermos o recrutamento de mulheres”...
    Sim senhora, esta tirada é digna de Napoleão após a vitória de Wagram!
    Diplomata Cravinho, V. mercê é uma vergonha e uma lástima.
    Por certo conhece a lastimável frase de um antigo e já desaparecido, maioral do PS, para um humilde guarda da PSP que apenas cumpria o seu dever.
    Aplica-se a si.


                                                             João José Brandão Ferreira
                                                             Oficial Piloto Aviador (Ref.)



[1] MDN Ministro da Defesa Nacional; CEMGFA, Chefe do Estado-maior - General das Forças Armadas…


EPISÓDIO NUNCA VISTO! [1]
19/7/19

“Fomos descobrir o mundo em Caravelas e regressámos dele em traineiras.
A fanfarronice de uns, a incapacidade de outros e a irresponsabilidade de todos deu este resultado: o fim sem a grandeza de uma grande aventura.
Metade de Portugal a ser o remorso da outra metade.”

                                         Miguel Torga
                                (Sobre a Descolonização)

            Estando o meu cadáver adiado - como diria o Pessoa – cuja procriação já conheceu melhores dias, em franca discussão degustativa com uma gostosa sopinha de beldroegas – há que aproveitar, pois não se sabe até quando estes tesouros gastronómicos vão durar – deu entrada no restaurante um rapaz na casa dos 20 anos.
            Pelas beldroegas certamente já os leitores identificaram que a cena se passa no Alentejo. Desta vez em Beja.
            O moço de nacionalidade indeterminada (com o mau uso que fazem da lei frouxa, que permite a naturalização “à balda”, até já pode ser português) arranhava umas palavras na língua de Camões e tinha aspecto (creio que utilizar apalavra “aspecto” ainda não pode ser considerada “racismo”), de ser etnicamente cigano ou romeno (dos de tez escura).
            Era “vendedor ambulante”, pois carregava cintos, meias e um saco com parafernália afim. Dirigiu-se ao balcão e numa linguagem confusa inquiriu que comida havia.
            A proprietária começou por lhe dizer que ele não podia vender nada ali dentro e quando entendeu que o sujeito queria comer, começou a explicar-lhe os pratos que havia, ao que ele mostrou não perceber, ou querer perceber, quase nada.
            Depois de uma conversa de surdos lá escolheu carne de porco à alentejana.
            Depois perguntou se podia provar, sendo a resposta negativa.
            A senhora, já curtida nestas coisas, manteve a calma e perguntou se ele queria almoçar e sentar-se. Ele disse que sim (se é que percebeu). Depois foi-lhe perguntado o que queria beber, a resposta foi uma “cola”.
            O rapaz (que nunca se sentou) anda para a frente e para trás, até que a (aparente) dona do restaurante e cozinheira da dita sopa, com presciência, perguntou-lhe se ele tinha dinheiro para pagar. Meneou com a cabeça e perguntou quanto custava. Dez euros, foi-lhe dito.
            A agitação continuava, tendo o jovem ameaçado abrir a lata de cola, no que foi questionado, serena mas firmemente, pela interlocutora, se tinha dinheiro para a pagar.
            Até que, sem mais aquelas, o calcorreador de ruas pousou a lata e retirou-se.
            Ainda o vi, mais tarde, a interpelar cidadãos no intuito de lhes impingir algo do que transportava e a entrar e sair de estabelecimentos congéneres.
            Que quereria de facto o sujeito ao entrar no restaurante, onde ainda tentou trocar uma refeição por um dos objectos que transportava?
            Que lhe oferecessem algo para comer por medo ou filantropia? Esperava que algum dos clientes – a quem nunca se dirigiu para pedir fosse o que fosse, mas apenas se queriam algo (do que vendia) – se oferecesse para lhe dar de comer?
            Eis alguns comentários elucidativos da senhora do restaurante, que estava acompanhada de uma empregada, e cujo marido se tinha ausentado no entretanto: “estas situações estão a tornar-se mais recorrentes”; “é preciso ter cuidado, pois já foram detectados comércio de órgãos”, “é preciso não mostrar medo”; “eu até lhe podia dar de comer, mas depois não me largava a porta”.
            A situação representa um microcosmo que se tende a transformar num macrocosmo, como já sofrido em muitos países do mundo, nomeadamente na Europa, onde a situação se agravou com a permeabilidade das fronteiras e a crise (altamente provocada) dos “migrantes”. Um termo desenterrado como por magia, de um dia para o outro.
            A situação em Portugal ainda não saiu fora de controlo por razões que agora não vou dilucidar, mas já está demasiado abandalhada sob a capa do “humanitarismo” (tendo a Igreja caído neste arame de tropeçar); desculpabilizada por causa da demografia negativa e por os nativos não quererem trabalhar numa série alargada de profissões (afinal “trabalhar sempre é bom é para o “preto, o monhé, os tipos de leste”, etc…); e, finalmente, camuflada com o abuso do alçapão da lei da nacionalidade que transforma, por ilusionismo, estrangeiros – que nada têm a ver com a matriz cultural nacional – em portugueses!
            Tudo isto acompanhado por um número alargado de tugas espertalhões que dizem à boca pequena (claro está), que não estão preocupados, pois os tais migrantes (muito poucos dos quais, são refugiados), não querem ficar cá, mas irem para sítios onde lhes paguem melhor, ou têm mais regalias…
            Não sei se dizem isto, por convicção, por esperteza saloia, porque perderam a noção da realidade ou, simplesmente, porque lhes dá um enfado dos diabos preocuparem-se com estas “chatices”.
            Resumindo, parece ser urgente para ontem:
            - Controlar as fronteiras e sair do acordo de Schengen;
            - Dificultar e dar dignidade à Lei da Nacionalidade;
            - Combater as redes ilegais de contrabando de pessoas;
            - Reter prioritariamente os meios de fiscalização nacionais para controlarem as fronteiras terrestres, aéreas e marítimas do país;
            - Expulsar sem contemplações todos os ilegais (apostando até na prevenção);
            - Obrigar todos os que cá ficam, a trabalhar, a integrar-se e a dispersar-se pelo território;
            - Desenvolver serviços de informação adequados;
            - Controlar estritamente qualquer Organização Não Governamental” (ONG), que passe pelo nosso país;
            - Prender, em prisões a sério, todos os que prevaricarem;
            - Dar autoridade às polícias e reformar o Código do Processo Penal;
            - Atacar a contrafacção, contrabando e a venda ilegal. [2]
           
            Portugal não pode ser transformado numa espécie de “passe-vite”, sem lei, nem roque, muito menos sem soberania.
            Cumulativamente lembrei - me que seria útil:
            - Enviar-se umas quantas aspirinas para o Palácio de Vidro, em Nova Iorque, destinadas a aliviar as aflições do “nosso” engenheiro Guterres;
            - Chamar-se urgentemente o Núncio Apostólico, a fim de transmitir a Sua Santidade o Papa, que o governo português, com o alto patrocínio do Palácio de Belém, está disposto a alugar um porta contentores (dado que deixámos, há muito de ter Marinha Mercante), que transportará gratuitamente para o Vaticano umas centenas de tendas – que só não serão climatizadas para não aumentar o “deficit” – com que poderão instalar uns milhares de migrantes (obviamente não cristãos) na praça de S. Pedro e na Capela Sistina.
            O núncio será, porém, informado “off record” de que o nosso país – dado até, que a Igreja passa o tempo nessas práticas – espera um pedido de desculpas por a Santa Sé ao tempo do Papa Paulo VI, ter passado ostensivamente a tentar correr com a presença política dos portugueses, fora do continente europeu;
            - Finalmente devia enviar-se uma carta armadilhada ao inenarrável e inadjectivável cidadão “do mundo”, Soros (George, para os amigalhaços), que ao explodir o cobrisse com a mais fina fragância mal cheirosa do mercado, pela acção que tem tido no meio disto tudo. E está longe de ser o único.
            Já me esquecia, não seria má ideia, por outro lado, pegar num tal “activista” senegalês, um adiantado (e avençado) mental, do Bloco Canhoto e metê-lo na fronteira. Melhor ainda seria levá-lo numa mota de água da Polícia Marítima até à Costa da Líbia e deixá-lo lá (enfim, com água q. b. e um saco de alcagoitas) à espera que os apaniguados pagos pelo Soros o vão “salvar”.
            Enfim, não quero deixar de recomendar o restaurante, que além da magnífica sopa já referida, é tradicional de costumes e decoração; o serviço é simpático e “last but not the least”, tem licor de poejo.
            Uma raridade nos quatro Alentejos que nos restam (o alto, o baixo, o da margem esquerda e o Termo de Olivença – este último algo esquecido), desde os tempos em que uma entidade com a sigla ASAE decidiu no seu superior critério, atacar os subprodutos de uma cultura inferior e decrépita, tentando elevá-los aos altares científicos bruxelenses do século XXI (prá frente!).
            Haja Deus.




                                               João José Brandão Ferreira
                                              Oficial Piloto Aviador (Ref.)


[1] Isto é, que eu nunca tinha assistido. Ocorrido a 13/7/19.
[2] Apesar de ter havido há pouco tempo, um festival em Castro Marim evocando o contrabando de outros tempos não muito antigos…

sábado, 13 de julho de 2019

A CP E A FESTA DOS TABULEIROS


A CP E A FESTA DOS TABULEIROS

12/07/19

                             “O mundo conduz-se por mentiras.
                              Quem quiser despertá-lo ou conduzi-lo,
                              cuidará de mentir delirantemente.
                              Fá-lo-á com tanto mais êxito, quanto a si
                              próprio mais mentir e se compenetrar da
                              verdade da mentira que criou.”
                                                    Fernando Pessoa

            Como é do conhecimento geral esta festa – uma das mais importantes, pelo que representa, no nosso país – leva à cidade de Tomar centenas de milhares de visitantes, sobretudo no seu dia mais importante: o da Procissão dos Tabuleiros.
            Avisado das dificuldades em entrar e circular de carro na cidade decidi, amparado no desconto de 50% no preço do bilhete (isto da “terceira idade” também tem as suas vantagens…) ir de comboio.
            Bilhete comprado com antecedência, pois a demora nas bilheteiras assim o aconselha, e resolvido o problema de estacionar o carro junto a S. Apolónia – tarefa nada fácil por não haver nenhum parque digno desse nome junto a tão vetusta estação – lá consegui entrar no comboio regional que me levaria a Tomar em duas horas.
            Não sem um pequeno percalço.
            A composição (das 07H45) teria umas seis ou sete carruagens, mas só consegui entrar na terceira da frente por o mecanismo (botão) que abria as portas se recusar a funcionar em todas as carruagens da retaguarda. Diga-se que também não se pode passar interiormente de uma para a outra carruagem.
            O resultado disto foi que o comboio saiu com as carruagens disponíveis completamente cheias e com muita gente em pé.
            As carruagens, cuja idade ignoro, têm um aspecto “idoso” e pouco cuidado com assentos muito desconfortáveis, onde qualquer conceito ergonómico está ausente.
            Na primeira paragem – a estação do Oriente – o comboio foi invadido por uma turba de gente (com muitos turistas), resultando ficar tipo “sardinha em lata”. E nunca mais deixaram de entrar pessoas até Tomar…
            Aquelas acomodavam-se como podiam no meio de carros de bebé, “gaiolas” de cães, gente sentada no chão.
            Era nítido o desconforto das pessoas idosas e ou, alquebradas, o que fez com que lhes fossem cedidos alguns lugares, mas noutros casos também não…
            O problema das portas abrirem só ficou resolvido por alturas de Vila Franca de Xira e até hoje não sei dizer se foi avaria ou feito de propósito.
            Não há lugares marcados nos bilhetes e nunca apareceu um revisor. Dado que as paragens passassem a ser mais longas que o normal, o comboio chegou com cerca de 25 minutos de atraso.
            A única coisa que felizmente funcionou, foi o ar condicionado.
            O regresso a Lisboa foi idêntico, salvo o problema das portas e o atraso.
            Não fiquei cliente da opção que fiz.
            A gestão estatal dos transportes públicos tem-se mostrado, há mais de quatro décadas, ruinosa e incompetente. Foi agora notícia nos “média” que o Governo não aprova as contas da CP faz anos; o prejuízo acumulado é estimado em 2000 mil milhões de euros…
            O que se passa na, e com a “Soflusa” é simplesmente escabroso, e fiquemos por aqui. A população tem-se mostrado mansa e tansa.
            A responsabilidade maior tem a ver com as sucessivas administrações nomeadas pelos diferentes governos, nomeadamente de entre os “boys e girls” dos Partidos que os apoiam. Um forró que já bate de longe a bandalheira da Monarquia Liberal e sobretudo da I República.
            A seguir temos que considerar as leis da greve e do trabalho que potenciam e exponenciam as injustiças e barbaridades, nas greves, nos contratos de trabalho, na desorganização e indisciplina laboral, baixas fraudulentas, abusos das horas extraordinárias, etc.
            A falta de fiscalização adequada favorece o desregramento financeiro e a corrupção, já de si facilitada pelo decaimento da educação moral, religiosa e ética da população, por via do descalabro das relações familiares, do funcionamento da Escola e do desregramento da comunicação social.
            No caso do transporte ferroviário a má prestação do serviço ainda tem uma agravante de peso: este sector fundamental dos transportes (e da economia) deixou de ter qualquer prioridade – o que só deve ter sido ultrapassado pela quase liquidação da Marinha Mercante – nos últimos 40 anos em favor das auto - estradas e dos camiões ”TIR”. Um erro estratégico de monta.
            Parece que agora se estão a dar conta disso. Pois é, mas agora a dívida é que lidera as coisas…
            Seja como for podíamos tentar minorar os problemas. Ocorre-me dizer que sendo difícil reservar os lugares neste tipo de composição dado o número de paragens que efectua, talvez se pudesse tentar não vender mais bilhetes do que lugares disponíveis e já que se sabe com uma antecedência de quatro anos que vai haver festa dos tabuleiros – uma coisa que até hoje em dia a Igreja aceita participar depois de ter tentado solapar, no século XVI, os fundamentos que a sustentam – talvez se pudesse programar uns quantos comboios extra. Partindo do princípio, é claro, que existe material circulante suficiente (e operacional) e gente disponível, para tal. O que, a acreditar nas notícias que há algum tempo a esta parte começaram a transbordar, não existe.
            Lamentavelmente não podemos, assim, aceder aos apelos lancinantes cheios de argumentos e apelos sociais, financeiros, de cidadania e sobretudo ecológicos, que as mais diferentes personalidades, governantes, autarcas, comentadores, forças partidárias, nos fazem com uma frequência inusitada, para deixarmos o carro na garagem (ou mais propriamente na rua) e utilizarmos os transportes públicos, de resto um cancro mal cheiroso da Sociedade e do Estado Português.
            Uma última questão: já alguma vez se fizeram contas de quanto é que o Ministério das Finanças deixava de arrecadar em impostos, cobrados leoninamente nos combustíveis, se a maior parte dos portugueses deixasse o carro para andar encaixotado nos transportes públicos?



                                      João José Brandão Ferreira
                                     Oficial Piloto Aviador (Ref.)

quinta-feira, 11 de julho de 2019

ESSENCIAL LER:

ESSENCIAL LER: 
 
 
Um senhor de 70 anos viajava de trem, tendo ao seu lado um jovem universitário, que lia o seu livro de ciências.

O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos.

Sem muita cerimónia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?

Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?

Respondeu o jovem:
- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda creem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.

- É mesmo? Disse o senhor.

E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?

- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação,
falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.

O velho então cuidadosamente abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário.
 
Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se a pior pessoa do mundo.

No cartão estava escrito:
Professor Doutor Louis Pasteur
Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional
da França. 

E, um pouco mais abaixo da frase, estava escrito em letras gótica e negrito:

*"Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muita, nos aproxima".*
 
Fato verídico ocorrido em 1892, integrante da biografia de Louis Pasteur...