segunda-feira, 11 de março de 2019

A POUCA VERGONHA NO IASFA!



A POUCA VERGONHA NO IASFA!

7/3/19
                         “Estimo ter podido concluir o Hospital que mandei
                           construir para descansardes dos vossos honrosos
                           trabalhos. Em recompensa só vos peço paz e o temor
                           de Deus”.
                           Princesa Maria Francisca Benedita[1]
                                                              
            Será que o Senhor Ministro da Defesa (MDN) vai mesmo resolver o “problema” do Instituto de Acção Social das Forças Armadas (IASFA) como afirmou em entrevista recente (8/2) e depois de ter aliviado o fardo ao General Rui Matias que em tal superentendia, remetendo-o para as delícias da reforma?
            General, note-se, que estava lá supostamente, a cumprir com aquilo que o ministro e seu antecessor lhe tinha determinado… [2]
            É que tudo o que o Tribunal de Contas (TC) disse no seu relatório de auditoria (8/2/19) é verdade como punhos!
            Sem embargo nós sabemos como os governos lidam por norma, com os relatórios do TC (que só tem autoridade para fazer pareceres): fecham-nos à chave numa gaveta com poeira ou então remetem-no simplesmente para o lixo!
            Sabe Sr. Ministro, o IASFA pertence exclusivamente aos seus beneficiários, que são os militares do quadro permanente das Forças Armadas (e também civis que trabalhavam para a Instituição Militar e quisessem beneficiar), que para ele descontavam obrigatoriamente uma quota. E era administrado exclusivamente por oficias generais.
            A “asneira” começou ao tempo do Ministro da Defesa (MDN) Luís Amado, em 2005/6, no XVII Governo Constitucional, liderado pelo inefável “Agente Técnico” José Sócrates. Não se sabe exactamente com que intenções.           
            Os militares começaram por ser confrontados com a imposição de descontarem para as suas ADM (Assistência na Doença aos Militares), que eram três (Marinha, Exército e Força Aérea), situação que nunca se tinha verificado por força do Estatuto da Condição Militar, tendo sido imposto um desconto de 1% para a ADM, entretanto fundidas numa só, a Assistência na Doença aos Militares das Forças Armadas (ADM).
            Lembramos que a última formulação do Estatuto da Condição Militar, está plasmada na Lei nº 11/89, de 1 de Junho. Esta Lei em nada contraria a legislação que vem de antes de 1974 e que definia que “a assistência médica e medicamentosa, hospitalar e o fornecimento de meios de diagnóstico, aos militares nas situações de activo, reserva e reforma é concedida por conta do Estado”. E o DL nº 193/2012, de 23 de Agosto, afirma “o pagamento da prestação de cuidados de saúde previstos em diploma próprio, na parte excedente ao pagamento devido pelo beneficiário, é da responsabilidade exclusiva do Estado Português”. O diploma próprio é o Estatuto da Condição Militar.
            E fizeram mais: passaram a gestão das ADM, que era dos Ramos, para a responsabilidade do IASFA, criando uma direcção de serviços, o que só por si causou inúmeros problemas organizacionais e de ajuste. Seria bom, para que a nebulosa do esquecimento não apague, averiguar qual o défice acumulado nas ADM’s dos Ramos que transitou para o IASFA, com a “promessa” de ser totalmente compensado. Muitos ficarão surpreendidos em saber que esse défice se cifrava na casa dos 60 milhões de euros…
            O Conselho Directivo do IASFA, à época, liderado pelo General Fidalgo, foi praticamente colocado perante um facto consumado…
            Neste particular é mister fazer uma ressalva. O funcionamento das ADM, nos Ramos, não é isenta de críticas e de irregularidades, sendo a que funcionava melhor, de longe, era a da Força Aérea. E houve muitos abusos por parte de utentes, sobretudo no período em que os beneficiários tiveram acesso gratuito a medicamentos. Aqui haveria que se ter atacado causas e não efeitos e responsabilizar/castigar, os infractores. Um procedimento, porém, muito arredio aos nossos hábitos…
             Ora o âmbito do IASFA era, e devia continuar a ser, o da Acção Social Complementar (ASC).
            Mas o senhor ministro fez mais: numa operação de cosmética retirou o desconto solidário de 0,8%, para a ASC, do vencimento dos militares, cobrindo com verbas do seu gabinete, os cerca de sete milhões de euros que, à data, era o valor das quotas dos beneficiários (os tais 0,8%). Deste modo os militares só seriam “prejudicados” em 0,2%, o que foi algo camuflado com um aumento de vencimento feito nessa altura…
            E não deixa de ser curioso verificar como o MDN passou o pagamento da diferença (0,2%) para o bolso do contribuinte, num passo de mágica para o qual não tinha competência…
            É claro que as verbas da ASC (a aumentar) foram pagas, “a custo”, durante dois anos pelo MDN, tendo esse pagamento a partir daí, sido convenientemente reduzido e, porque não dizê-lo, parcialmente esquecido…
            Entretanto o desconto para a ADM, bem como a saúde militar – de que os militares estavam isentos e era de facto, a única contrapartida que tinham para o considerável acréscimo de deveres que decorrem da Condição Militar – foi sendo aumentado e já vai em 3,5% (a subir?), sendo um desconto obrigatório ao contrário, por exemplo, da ADSE, que é opcional. Desconto que, aparentemente, não é suficiente para as necessidades e ainda tem ajudado a pagar outras despesas como as do Hospital das Forças Armadas, que deve ser custeado pelo orçamento do EMGFA, que já de si é uma desgraça! Idem para o dos Ramos.[3]
            Este desconto deve ser, pois, encarado como um novo imposto a ser pago pelos militares! (Como também é referido no relatório do TC).
            Mais tarde, em 2004, pela Lei nº 3/2004, de 15 de Janeiro, o IASFA foi transformado em Instituto Público (IP), a fim de acompanhar a reestruturação da Administração Pública, mas não se modificando o seu objecto social, o que se materializou através do DL nº 215/2009, de 4 de Setembro.
            A partir do momento em que o governo passou a meter dinheiro no IASFA, substituindo-se aos beneficiários, passaram a querer mandar. Daí até começarem a tirar militares da direcção e dos diferentes serviços para aí colocarem “boys e girls”, foi um ápice. Desconhecemos como será possível garantir os ordenados de toda esta nova gente.
            Chegou-se ao despautério do Ministro Azeredo Lopes ter afirmado no Parlamento que não queria que “o IASFA se pudesse transformar numa coutada de militares”…
             Por sua vez o famigerado Ministro Aguiar traço Branco, foi o autor do Despacho 511/2015, de 19 de Janeiro, modificado pelo Despacho 139/2015, de 22 de Outubro (não publicado no Diário da República!), que o agora Despacho 1702/2019, de 15 de Fevereiro revogou (muito gosta esta gente de produzir legislação – e não aduzimos nem metade - em modo de diarreia…), que causou a maior confusão entre saúde operacional e saúde assistencial e permitiu que o dinheiro do IASFA fosse ajudar a pagar um certo número de serviços que competia ao Orçamento Geral do Estado, cobrir![4]
            A partir daquele momento – quando supostamente passaram a meter dinheiro no IASFA começou o assalto ao património do mesmo; passaram a garantir o financiamento da ADM com verbas destinadas ou obtidas pela ASC, provocando a sua degradação na prestação dos mais diversos serviços. E ao mesmo tempo que a quantidade e qualidade dos serviços prestados diminuía, em Oeiras, Runa, Porto e demais Centros de Apoio Social (CAS) espalhados pelo país, os preços aumentavam.
             Em simultâneo a degradação do parque habitacional do IASFA (constituído por cerca de 600 imóveis), fonte de rendimento da ASC, reduz as receitas e não se permite a regeneração do parque. Esta situação está bem patente, outrossim, no relatório do TC.
            Os militares, como é de seu hábito, não reagiram e quando o Conselho Directivo do IASFA, de então, na pessoa do seu Presidente, General Fialho da Rosa, já em desespero, foi pedir ajuda a vários chefes militares, estes recusaram alegando que nada tinham a ver com o assunto!
            Debalde o Chefe da Casa Militar da Presidência da República quis vir em auxílio; nada feito…
            As Associações Profissionais de Militares esbracejaram continuadamente, mas foram ignoradas.
            Deste modo chegámos à divida dos 76 milhões de euros (é capaz de ser mais), apontada e diagnosticada no relatório do Tribunal de Contas, que chega ao ponto de afirmar haver irregularidades nas contas. Um diagnóstico tardio que chega quando o doente está já em coma…
            As chefias militares (todas elas) deviam meter a mão na consciência, pois tudo aquilo que o TC denunciou agora, não devia ter sido admitido, desde o início, que acontecesse.
            É por estas e por outras, que vão perdendo a confiança e o respeito de todos a começar pelos políticos a quem, eventualmente pensam desta forma melhor agradar. 
            Tudo isto representa uma pouca - vergonha completa que deve merecer o mais vivo repúdio e todas as “formas de luta” possíveis. Já chega!
            E o objectivo deve ser: abandono do estatuto de IP, por parte do IASFA, regressando à sua condição anterior; a retirada da ADM do IASFA e assumpção do seu custo pelo Estado, e como contrapartida à Condição Militar [5]; acerto de contas e entrega de retroativos; retrocessão imediata de todas as instalações do IASFA e sua direcção para o seio dos militares; passagem da tutela do IASFA para o CEMGFA ou, em alternativa, eleições entre os “sócios” do IASFA, dos corpos sociais respectivos, que passariam a ser responsáveis pela sua gestão, e aprovação em Assembleia – Geral da “quota” a pagar mensalmente (num quadro jurídico que configurasse o IASFA como pessoa coletiva de direito privado e de utilidade pública). Repito: o IASFA é nosso (dos militares do QP).
            E por aqui me fico.
            Ministro João Titterington Gomes Cravinho: parafraseando novamente o General Gomes da Costa, que sendo um excelente militar e homem culto, não tinha jeitinho nenhum para a política, mas não as cortava, “terá V. Exª o coração no seu lugar para desempenhar tal função? É o que resta ver.”[6]
             A notável Princesa Francisca Benedita (cujo marido e herdeiro do trono, tinha os militares em alta estima) merece bem mais e melhor.
             Ao General Serafino, ora empossado como novo “Presidente” do IASFA, desejo boa sorte. Vai precisar dela.



                                                             João José Brandão Ferreira
                                                             Oficial Piloto Aviador (Ref.)




[1] No dia da inauguração do Hospital Real dos Inválidos em Runa, em 25 de julho de 1827 (a sua construção teve início em 1792). Em 1844 foi criado o “Asilo dos Inválidos da Marinha”.
[2] O IASFA é o sucessor dos antigos Serviços Sociais das Forças Armadas (que tem origens em 1925 com a criação do “Cofre de Previdência dos Oficiais do Exército Metropolitano”), em 1958, e que estava na dependência do CEMGFA. Sucede-lhe, e ao “Cofre de Previdência das Forças Armadas”, o IASFA, em 1995, DL nº 284/95, de 30 de Outubro.
[3] E também o Laboratório Militar de Produtos Químicos e Farmacêuticos.
[4] Reparem bem: este último despacho foi feito após o resultado de uma auditoria da Inspecção - Geral das Forças Armadas (a 46/2017), que por sua vez deu origem à criação de uma “Plataforma” – os nomes que inventam – através do despacho 9490/2018, de 4 de Agosto, com gente de uma quantidade de órgãos com a “missão de assegurar a permanente comunicação e articulação entre as entidades com responsabilidades no SSM, tendo em vista a eficaz monitorização do seu funcionamento”. Uff…
[5] Em alternativa atribuir ao IASFA os meios adequados para a sua gestão, assumindo o Estado o seu pagamento. Em qualquer caso separar sempre a ADM da ASC!
[6] Discurso efectuado na tomada de posse do novo Ministro da Guerra, General Vieira da Rocha, em 15 de Agosto de 1925.

segunda-feira, 4 de março de 2019

ALGUMAS REFLEXÕES A PROPÓSITO DO DIA DA ACADEMIA MILITAR


ALGUMAS REFLEXÕES A PROPÓSITO DO DIA DA ACADEMIA MILITAR

01/03/19

                     “Nenhuma coisa desta vida humana é tão aproveitável
                       aos viventes que a lembrança e memória dos bens e
                       males passados para do mal nos guardarmos, regendo
                       a vida para nele não cairmos segundo os bons fizeram”
                       Gaspar Correia (in, “Lendas da India”).
                                                    
            O Senhor Ministro da Defesa – que espero esteja melhor preparado para o lugar que os seus anteriores; idem para a jovem Secretária de Estado e diplomático Chefe de Gabinete (qualquer dia não haverá um único militar no MDN…) – resolveu, no seu afã de conhecer o que resta das tropas, ir presentear a Academia Militar (AM), com a sua presença, na comemoração do seu dia festivo, 12 de Janeiro, [1].
             Convindo nestas coisas, começar as cerimónias militares a horas - coisa a que os civis são relapsos - lá se fez a cerimónia quase ao pôr-do-sol, havendo apenas a destacar, das generalidades e culatras a que estamos habituados a ouvir das bochechas ministeriais, que o actual inquilino do 7º piso do antigo Ministério do Ultramar, está preocupado com o facto de só 10% do Corpo de Alunos ser composto por mulheres!
            Será que estará também preocupado com o facto da grande maioria dos alunos das escolas de enfermagem serem mulheres? Deve-se aumentar a quota para homens? E no seu ministério (MNE), já reparou na necessidade de lá meter elementos do sexo feminino e aumentar a quota de heterossexuais, para cujo casamento ainda não foram disponibilizadas instalações de uma embaixada?
            Com tanto problema que aquela casa (AM) tem - e como a “mais que tudo do Exército” devia ser um “brinco”- o senhor ministro está preocupado com a falta de fêmeas intramuros no antigo Paço da Bemposta!
            Que quer que o Exército e a GNR façam? Que vão para o Rossio fazer propaganda boca a boca? E para o ano vai exigir quotas para monhés, pretinhos, muçulmanos, transexuais e parafernália diversa?
            Quando é que aprendem a respeitar os desejos do cidadão e a deixarem de querer obrigar a sociedade a seguir modelos saídos de ideias subversivas oriundas de “escolas” de engenharia social?
            Se eu fosse a si estava era preocupado em resolver o gravíssimo problema da falta de efectivos existentes, sobretudo em praças, que para a Academia toda (instalações de Lisboa e Amadora), só resta (va) m 46!
            Mas não, o senhor ministro está preocupado, diz ele, por haver poucas mulheres a quererem ser oficiais do Exército e da GNR.
            E se eu lhe disser que são demais, acredita? Pense nisso.
            Da próxima vez dê um salto ao aquartelamento da Amadora, onde dará conta da existência de instalações desportivas, em pleno século XXI, ainda a funcionar em antigos hangares da antiquíssima Esquadrilha de Aviação República, criada em 1919 (e que bem merece uma comemoração a condizer, este ano, a assinalar os 100 anos da sua fundação…)!
            E se lá for, provavelmente encontrará à “Porta D’Armas” (que passará a chamar-se qualquer coisa como “portaria”), não um militar, mas um “colaborador” (parece que agora é assim que se diz) de uma empresa de segurança.
            Ou talvez até, um militar da GNR, porque não? Não são já eles ou a PSP, que escoltam os transportes de armamento e munições, de um local para outro, e autorizam as licenças de porte de armas aos militares?
            O estado de humilhação a que os políticos contemporâneos sujeitaram as Forças Armadas e a Instituição Militar, não tem paralelo em toda a História Nacional. E representa bem o preço que ainda está a ser pago, pelas consequências do mal gizado golpe de estado, em 25/4/74.
            O Senhor Ministro faria bem, outrossim, em passar os olhos pelas sucessivas reformas do enino militar (e ainda muito se tem conseguido preservar) para ajuizar o que a “invasão” do “ensino civil” tem causado no “ensino militar”.
             É que, qualquer dia, iremos ter muitos oficiais e sargentos mestres e doutores, mas não vamos ter ninguém que saiba dar um tiro, ou leve alguém atrás a fazê-lo.
             Já ponderou, outrossim, em reverter o sistema de promoções ao estádio em que estavam antes de uma tal de “Tróica” ter vindo cá impor as suas draconianas medidas, que não soubemos evitar?
              É que o que fizeram foi dar uma facada monumental nas carreiras de oficiais e sargentos; mudarem regras a meio do campeonato; retirarem a competência da gestão de pessoal dos Ramos para o MDN e para um secretário qualquer do Ministério das Finanças; fazerem engenharias financeiras; encostarem as promoções, a seu belo prazer, para o fim de cada ano (sem direito a retroactivos), etc., anarquizando o sistema e tornando-o um funil a conta - gotas.
              E não deixa de ser “curioso” verificar, que em tempos apodados de “Ditadura”, “obscurantismo”, até “Fascismo”, umas poucas centenas de oficiais se revoltaram, por uma decisão muito menos gravosa (que tentava resolver um problema muito grave de falta de oficiais, num país em guerra), do que aquilo que agora se passa há poucos anos; e presentemente, em tempos “luminosos”, de “Liberdade”, e “Estado de Direito Democrático”, se tenha enveredado, de um dia para o outro, por decisões muito mais gravosas para a vida profissional dos militares do Quadro Permanente e nem um protesto, se tenha entreouvido.
               Será que a contagem de tempo de serviço dos professores é mais grave do que isto?
               O senhor ministro e o governo estarão à espera que os militares se filiem na Intersindical para resolver o assunto?
               Compreendo: senhor ministro em vez de estar preocupado com a demografia suicida em que estamos (e que é um aspecto relevantíssimo para a Defesa Nacional, em lato senso, como deve ser entendida), está preocupado é que as mulheres portuguesas preferem defender a Pátria na retaguarda, em vez de na linha da frente!
                Tão pouco parece preocupado com o cumprimento da Lei de Programação Militar, como se viu pela aprovação da última revisão; em que até hoje nenhuma esteve sequer perto de ser cumprida; onde os ministros das finanças (não é só o actual) exercem largamente a “arte” das cativações e quando chega o momento da sua revisão e /ou actualização, tal significa, invariavelmente, cortes; programas que se não cumprem; ou são abandonados a meio, com graves danos financeiros (neste âmbito, é de justiça dizer que o Exército é, por norma, o mais sacrificado).
                 O que invariavelmente, também, é sempre apresentado, como tendo sido necessário, racional, adequado à “situação” do país e, obviamente, não pondo em causa o cumprimento das missões atribuídas.
                 Convenhamos que nem o melhor alquimista da Idade Média seria capaz de fazer melhor!
                  Finalmente – não por estarmos esgotados de assunto, mas porque a prosa já vai longa – uma pequena referência ao facto do até há pouco tempo Chefe de Estado Maior da Força Aérea, não ter sido reconduzido, quando tudo apontava para decisão contrária. Não vamos dissecar as razões que eventualmente a tal levaram, por não terem interesse público relevante. Mas seria seguramente oportuno refletir na vantagem em que as chefias dos Ramos e CEMGFA, tivessem um prazo de três anos não renovável.
                  Se mais nenhuma vantagem houvesse, teria seguramente aquela de retirar esse constrangimento, na actuação da maioria dos oficiais postos em tais funções.
                   E por aqui me fico.
                   Pense, pois, Sr. Ministro no que é importante e esteja de boa mente para resolver os gravíssimos problemas por que passam as Forças Armadas, ao contrário do que tem sido regra no passado, que já não é recente.
                   Parafraseando o General Gomes da Costa, que sendo um excelente militar e homem culto, não tinha jeitinho nenhum para a política, mas não as cortava, “terá V. Exª o coração no seu lugar para desempenhar tal função? É o que resta ver.”[2]




                                                            João José Brandão Ferreira
                                                           Oficial Piloto Aviador (Ref.)


[1] Data em que o mui nobre Marquês de Sá de Bandeira fundou a Escola do Exército, em 1837. Este ano comemorado na véspera.
[2] Discurso efectuado na tomada de posse do novo Ministro da Guerra, General Vieira da Rocha, em 15 de Agosto de 1925.