segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A “IMAGEM” DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA


A “IMAGEM” DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

10/2/19





“Aqueles que procuram agradar se enganam. Para agradar, tornam-se maleáveis, apressam-se a corresponder a todos os desejos. E acabam por trair-se em todas as coisas, para ser como os desejam. Que fazer com seres que não têm ossos nem forma?”



“ O homem se descobre quando se mede com um obstáculo”.



Antoine de Saint-Exupéry



            O actual Presidente da República (PR) é dotado de um frenesim – que um dia os psicólogos hão-de explicar – que o leva diariamente a querer ser mais omnipresente que o Todo - Poderoso e a tirar “coelhos da cartola” como soi dizer-se (e o ilusionista Luís de Matos não imagina…).

            Podemos, todavia, detectar algumas “causas” que o Presidente leva aparentemente mais a sério.

            Uma delas parece ser a erradicação dos “sem - abrigo”. Não se pode dizer que a causa não seja nobre e não sabemos de nada que desminta ser uma ideia que Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) defende honestamente. Isto é, não será uma actuação demagógica como muitas outras que se topam à distância.

            Sem embargo, esta “cruzada” parece desfasada e menos própria das suas funções presidenciais: seria uma causa boa para uma sua consorte, se existisse, uma espécie de Rainha D. Amélia (de saudosa memória) republicana…

            São duas as principais razões que me levam a dizer isto: uma prende-se com o fulcro das suas funções definidas (bem ou mal) constitucionalmente (art.º 120 da CRP). O PR representa-nos como símbolo da independência, soberania nacional e da unidade do Estado – um campo em que MRS ainda não deu um ar da sua graça – é a mais alta figura do Estado – e por isso devia resguardar tal “status”, o que também não tem feito, e é o Comandante - Chefe (função simbólica, pois “de facto” não exerce qualquer “comando”) das Forças Armadas e sabe-se como estas estão nas mais penosas das situações sem que ele, até agora, lhes tenha acudido a não ser com frases de circunstância. É, ainda, garante do normal funcionamento das instituições democráticas, campo em que MRS, de facto se empenha. Pudera!

            A segunda razão tem a ver com o facto de ele, como PR, não ter autoridade nem meios – a não ser através da sua influência pessoal, ajudado pela corte de jornalistas que sempre o acompanham – para resolver o problema dos sem - abrigo. De facto, este tipo de actividades não se enquadra minimamente no que vem especificado nos artigos 133, 134, 135 e 138 da Constituição da República, que definem as suas competências.

            O Governo é o principal responsável por tal; e mesmo que o queira intentar vai ter grandes problemas em o conseguir, pois o problema dos sem - abrigo é transversal à sociedade e toca em diversos problemas de fundo, como seja o desemprego, a marginalidade, a crise da família, a adição a vícios (o principal dos quais é a droga - e nunca o ouvi condenar isso) e, até, à auto - exclusão (gente que não quer abandonar a rua) como pateticamente pôde constatar na última deambulação que fez nos recônditos da capital.

            Deixe, pois, o Governo tratar do problema mais as organizações de apoio social, onde se destacam a Igreja e as Misericórdias e trate dos assuntos para os quais foi eleito. É uma questão de (bom) senso.

            E neste âmbito – as coisas que são da sua esfera política, o Senhor Presidente tem desbaratado a sua figura – ao ponto de, um dia destes, ninguém o levar a sério, poder ouvir e, ou, ver – e pior ainda, tem estilhaçado a função presidencial. Quem vier a seguir vai ter que consertar os cacos.

            Não se engane nem fique enlevado com as sondagens que lhe dão popularidade. A psicologia das multidões vira de um dia para o outro. E é ingrata. Lembre-se do que aconteceu ao seu padrinho uma semana antes do 25 de Abril, no estádio do Sporting: teve uma ovação de pé. Uma semana depois foi o que se viu…

            Pior será quando o seu comportamento entra no campo do demagógico e “populista” – termo com que costuma mimosear os que entende serem os protagonistas dos males do mundo – isto é, quando actua para agradar e não para o que deve ser…

            E tem que resistir à tolice – infelizmente esse campo já foi invadido bastas vezes – de querer comentar tudo, ter opinião sobre tudo, pôr-se em bicos de pés a propósito seja do que for, etc. – o que pode até levar as pessoas mais ilustradas a pensarem na existência de um desvio grave do foro psíquico – meter-se no meio de todo e qualquer tipo de acidente ou catástrofe (agora menos, por ter intuído que estava a ser criticado à séria, sobre esse comportamento) passando pelas palhaçadas das “selfies”, dar à perna em concertos, etc., chegando ao cúmulo do patético e do ridículo, quando se lembrou de telefonar para uma “entertainer” televisiva a meio do seu programa.

            Para já não falar na sua afirmação, sendo um assumido católico, de ter “achado a leitura do Corão muito inspiradora”…

            A coisa começa a ser, é já preocupante.

            Eu sei que os exemplos que nos chegam de todo o mundo não são os melhores mas nós não somos obrigados a copiá-los, muito menos temos que os tentar ultrapassar pela esquerda baixa ou pela direita alta…

            Isto leva-nos, finalmente, à “Auctoritas” e à “Gravitas”.

            Estes conceitos vêm da antiga Roma, antes de esta entrar na decadência moral que a condenou a um desaparecimento miserável.

            A “auctoritas” está na origem do termo “autoridade”, ou seja, no nível de prestígio que uma pessoa tinha na sociedade romana e, consequentemente, na capacidade em obter apoio à volta de um desígnio seu.

            Politicamente ”auctoritas” estava ligada à autoridade do Senado Romano e não devia ser confundida com “potestas” ou “imperium”, ou seja o poder que era detido pelos magistrados do povo.

            Neste contexto “auctoritas” pode ser definido como o poder jurídico que autoriza um qualquer acto.

            Mais prosaicamente a “auctoritas” passa pelo respeito, importância, valor, aquele que serve de modelo; relacionado com autoridade, significa pessoa competente, com crédito, influência, prestígio, capacidade de impor e influenciar outros, graças a certa superioridade por eles reconhecida.

            Acompanha a “auctoritas”, a “gravitas”, ou seja uma das quatro virtudes apreciadas na sociedade romana (sendo as outras três a “dignitas”, a “pietas” e a “uistitia”).

            A sua tradução quer dizer literalmente “peso”, adquirindo o significado de uma personalidade ética, de seriedade e de apego à honra e ao dever.

            Esta palavra deu em português o termo “gravidade”, o mesmo que seriedade, importância. (o significado físico de atracção mútua entre corpos materiais, não se aplica neste âmbito) …

            Ao fim de dois anos de exercício do cargo pergunta-se: onde estão a “Auctoritas” e a “Gravitas” de MRS?

            Para quem é um ilustre professor de Direito a desconsideração que tem demonstrado sobre estes termos é, no mínimo, incompreensível e indesculpável.

            E duvido que vá a tempo, mesmo querendo, de as recuperar.[1][2]









                                                  João José Brandão Ferreira

                                                 Oficial Piloto Aviador (Ref.)









[1] Este escrito já estava terminado quando se soube da visita de MRS, na sua qualidade de PR ao “Bairro da Jamaica”, depois dos lamentáveis incidentes aí ocorridos e que daí derivaram. A própria visita em si, o modo como foi feita e as pessoas com quem se juntou, foram de uma gravidade política, cívica e social, tremenda. Salvo melhor opinião, tais actos, desqualificam MRS como PR e como cidadão.
E não, nós não somos todos Jamaica!
[2] A nota “1” já estava escrita quando soubemos da aparição de MRS (na qualidade de?), no novo programa da TVI, no passado dia 7/2, cujo título envolve círculos e quadrados. Será que Goucha ficou consolado?
Entrou-se, porém, noutro nível de actuação: o de gozar à brava com o contribuinte.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

DAS ÚLTIMAS PROMOÇÕES NO EXÉRCITO AO COMANDO MILITAR


DAS ÚLTIMAS PROMOÇÕES NO EXÉRCITO AO COMANDO MILITAR
7/2/19


“Nenhum dos nossos inimigos se atreveu a atacar-nos quando reunimos todas as nossas forças, tanto por causa da nossa experiência nas coisas do mar, como pelos muitos destacamentos que temos em diversos lugares do nosso território”.

        In, Oração de Péricles, 430 A.C.

            O Decreto do PR nº 1-D/E/F promoveu três Majores Generais (duas estrelas), do Exército a Tenentes Generais (três estrelas). [1]
            Não estando em causa as pessoas, tão pouco a sua competência profissional, existe um facto, porém, sobre o qual gostaríamos de reflectir digamos, academicamente.
            O facto é este, um dos agora promovidos é oriundo do Serviço de Administração Militar.
            Ora isto levanta questões no campo dos princípios e da doutrina do Comando Militar.
            É certo que o actual EMFAR permite, pelo menos desde 1974, que um oficial desta “especialidade” possa ser promovido, em “situações excepcionais”, a general de três estrelas (Art.º 197- 4, do actual "emfar").
            E, de facto, de uma excepcionalidade se trata, dado que no Exército, só são conhecidos três casos anteriores a este: o do General Vergas Rocha promovido em 1 de Abril de 1981, a fim de ir ocupar o cargo de Chefe da Divisão de Administração e Finanças, do EMGFA; do General Victor Mesquita promovido em 4 de Janeiro de 1989, para desempenhar a funções de Chefe de Departamento de Finanças do EME e do Brigadeiro Costa Alves, do Serviço de Material, promovido a três estrelas, em 5 de Março de 1980, para ir ocupar o cargo de Director - Geral de Armamento (salvo erro).
            Promoções que geraram alguma controvérsia.
            Excepcional também, porque na Força Aérea e na Marinha, a promoção a oficial general de três estrelas estar reservada, respectivamente, aos Pilotos Aviadores e aos oficiais oriundos da classe de Marinha.
             Cada um destes Ramos tem, porém, uma excepção à regra: a FA através da promoção do Brigadeiro Rui Espadinha a três estrelas, em 11/8/82, sendo do quadro de engenheiros aeronáuticos; a Armada, através da promoção a Vice-Almirante de um oficial oriundo de Administração Naval, de seu nome Alfredo de Oliveira.
            O primeiro era bem visto pelo General Lemos Ferreira, tendo sido Director das Oficinas Gerais de Material Aeronáutico; o almirante teve a sua promoção em 1 de Abril de 1981, e bem relacionado com o Almirante Sousa Leitão, e foi desempenhar funções no EMGFA.
              Como curiosidade resta acrescentar que os três oficiais do Exercito, de Administração Militar mencionados, frequentaram o Instituto Militar dos Pupilos do Exército, o mesmo se passando com o actual CEME.
            A questão não é pacífica, sobretudo no seio dos oficiais cuja especialidade, classe ou serviço os impede de ultrapassarem as duas estrelas.
            Mas estes assuntos raramente são discutidos…
            Os cadetes destinados a estes quadros eram, aliás, avisados quando frequentavam a Academia Militar, a Academia da Força Aérea e a Escola Naval (até antes), do topo da hierarquia a que poderiam aspirar.
             As próprias disciplinas que lhes davam acesso, nomeadamente a Administração Militar, eram diferentes das outras.
            Alguma formação comum e frequência de cursos de promoção em conjunto, há cerca de duas décadas, acaloram o debate.
            Outro tipo de divergência (ainda mais grave) – a talhe de foice – tem ocorrido na GNR, com o “forcing” de oficiais cuja formação não foi feita na Academia Militar, quererem ter acesso ao generalato, o que tem sido (mal) apoiado por políticos do MAI, por razões que não vamos agora aduzir.
            A Força Aérea, por seu lado, tinha aberto uma outra “excepção”, quando decidiu promover oficiais dos quadros técnicos, a Coronel, nos idos dos anos 80, quando até então, apenas podiam ser promovidos a Tenente Coronel.
            A estes oficiais também lhes estava vedado comandar unidades, mas houve numerosas excepções.
            Também se passou a nomear oficiais que não eram das Arma para cargos de Adidos de Defesa/Militar, nomeadamente oficiais do quadro de Administração Militar e Aeronáutica.
            Curiosa e significativamente, os países para onde estes oficiais eram (e são) nomeados situam-se em África…
            Em síntese as excepções são muitas – o que levanta a questão de porquê uns e não outros – tendo a atenuá-las, razões de falta de pessoal e de, em determinado período, permitir o descongestionamento nas promoções de alguns quadros, que estavam inflacionados de oficiais por via das necessidades da guerra terminada nos idos de 1974/5.
            Mas voltando à questão anterior o princípio doutrinário a preservar (se é que tal e pode considerar um princípio doutrinário – e que nos parece estar certo – é o de que quem combate, comanda.
            E quem combate, no Exército, são os oficiais (só estamos a falar destes) das Armas (Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia Militar e Engenharia de Transmissões – e sabe-se a controvérsia que houve para passar esta última, a “Arma”) e não os dos serviços (“que apoiam”) como é o caso do Serviço de Saúde, o Serviço de Material e o Serviço de Administração Militar, cujos oficiais são formados na Academia Militar.
            Por isso, para além do “Comando” existe a “Direcção” e a Chefia”.
            Dito de outra forma, quem deve comandar são os oficiais que, sendo oriundos de uma Academia Militar – é para isso que elas existem - estão na “linha de emprego” dos meios e não os que estão na “linha de sustentação” dos meios. Estes últimos dirigem e chefiam.
            Mas porquê, perguntarão ainda os mais relutantes? Pois porque o combate é o fim último da preparação militar e só quem está treinado para o mesmo, está em condições de entender e abarcar as envolventes e as prioridades da complexidade do campo de batalha
            Senão, pela mesma lógica que agora foi utilizada, poderíamos um dia vir a ter como Chefe de Estado-Maior, um oficial com a especialidade de médico.
            Lembra-se que os veterinários (por enquanto) apenas podem ascender a Tenente-Coronel…
            E agora que temos um general de três estrelas de Administração Militar nada obsta a que não possa ser o futuro CEME…
            Ou então, porque não, um qualquer membro da Comissão Parlamentar de Defesa pode vir a ser chefe de estado-maior. Porque não? Dá-se-lhes uns créditos, pim, pam, pum, já está!...
            Não digam que não é possível, pois eu já vi de tudo o que nunca esperava ver e até já tivemos em época de suprema rebaldaria, um capitão graduado em general de três estrelas, Comandante da Academia Militar!...

                                                                    *****
            Sabe-se que o oficial agora em causa foi escolhido por, entre os possíveis, ter o perfil mais adequado para uma determinada função: o Comando Logístico.
            Não contestamos a apreciação e deverá, infelizmente ser o caso, sabendo-se quem fez a escolha.
            Mesmo assim, por uma questão do tal “Princípio” e da tal doutrina (que pelos vistos não existe) a decisão deveria ter sido ponderada de outro modo.
            E aqui levanta-se uma outra questão: é certo que cada um de nós pelas suas experiências, gosto e saber, estará melhor numa determinada função do que noutra, e tal não deixa de ser verdade no âmbito dos oficiais generais.
            No entanto, ao nível que estamos tratando (e um general é um “generalista”), qualquer oficial general (das Armas) deve poder ocupar seja que função ou comando exista. E não há muitos. E tal tem muito a ver com as promoções feitas anteriormente.
            Também é verdade que há, hoje em dia, muito poucos oficiais generais de três estrelas e que o tempo de permanência no posto não é dos mais alargados (ou seja há pouco por onde escolher), mas isso levar-nos-ia a outras discussões.
            Algo que também afecta o “status quo” é a existência do posto de Brigadeiro General.
            Esta “novidade” não nos parece ter sido boa ideia.
            Começou por ser ideia do Exército, tendo sempre a oposição da Marinha e Força Aérea.
            A “racional” tinha a ver com os cargos e funções NATO e, eventualmente outros, que eram ocupados por um oficial desse posto (general de uma estrela), e “nós” não podermos concorrer a tais lugares por não termos esse posto nas nossas fileiras.
            Com o devido respeito a argumentação não convencia, nem convence. Em primeiro lugar porque havia muito poucos cargos desses a que poderíamos concorrer; depois porque se tal fosse julgado de importância maior, facilmente se poderia enviar um coronel ou capitão de mar-e-guerra tirocinado, ou, mais facilmente se poderia graduar um qualquer oficial desse nível naquele posto.
            Além disso o leque de postos em oficial general passou a ser de quatro (mais do que no âmbito dos oficiais superiores) numas Forças Armadas a caminho da extinção.
            Tanto se andou nesta discussão do sexo dos anjos, que a proposta acabou por ser aprovada (confesso que não tive pachorra para ir saber em que moldes, nem quando), algures pelo início do século XXI, o que logo foi aproveitado pelos políticos para se diminuir o número de oficiais de duas e três estrelas transformando a pirâmide num paralelepípedo irregular, poupando uns trocos e fazendo um "downgrading" de várias funções.
            Consequências espúrias que normalmente não se prevêem…

                                                            *****
            Ora onde queremos chegar é que no âmbito tratado – como em tantos outros – haja princípios e doutrina, no seio dos Ramos (e não se ponham, deslumbrados, a copiar acriticamente um exemplo qualquer do que se passa “lá fora”), pois há questões que são, por assim dizer, pilares onde assenta o funcionamento da Instituição Militar.
            Ora o Comando e a Liderança são o fulcro de toda a actividade militar.
            Isto é, aquilo que for considerado importante tem de estar escorado e aceite solidamente, a fim de que as questões fundamentais sejam tratadas de um modo racional.
            Neste âmbito o “EMFAR” parece ter excepções a mais…
            Mais uma vez se frisa a necessidade de preservar princípios; mudar a doutrina só depois de reflexão aprofundada e ser flexível quanto a estratégias, tácticas e técnicas.
            Em conclusão as grandes decisões nas Forças Armadas têm que estar sustentadas em princípios e doutrina; a coerência tem que acompanhar toda a estrutura; idem para Leis e Regulamentos e as excepções, elas próprias, só existirem excepcionalmente, para que as coisas, as decisões e as pessoas não andem ao livre arbítrio de quem ocupa transitoriamente uma função ou cargo; ao alvedrio de amizades ou ao interesse do momento.
            Resumindo: deve-se definir muito bem quem e porquê pode atingir o topo da hierarquia e tal não deve dar azo a excepções, por incompatibilidade manifesta. E não dar a parecer que a Instituição Militar é uma manta de retalhos.



                                                     João José Brandão Ferreira
                                                     Oficial Piloto Aviador (Ref.)


[1] II Suplemento, Série I, de 2019-01-09, 11773162, do DR nº 6/2109.