Este blogue apresenta os pensamentos, opiniões e contributos de um homem livre que ama a sua Pátria.
quinta-feira, 21 de junho de 2018
segunda-feira, 18 de junho de 2018
O SUÍCIDIO (LITERAL) PORTUGÛES
O SUÍCIDIO
(LITERAL) PORTUGÛES
15/6/18
“O mundo conduz-se por mentiras.
Quem quiser despertá-lo ou conduzi-lo, cuidará de
mentir delirantemente.
Fá-lo-á com tanto mais êxito, quanto a si próprio
mais mentir e se
compenetrar da verdade da mentira
que criou.”
Fernando
Pessoa
O
país começou a acordar (devagarinho) para a quebra da natalidade que afecta a
sociedade portuguesa, de um modo cada vez mais grave desde os anos 80 do século
passado.
Já
são muitos anos.
Ao
longo deste tempo todo, poucas foram as vozes que se ergueram contra este
descalabro que nos vai custar os olhos da cara. Quiçá a existência.
E
tal envolve os órgãos do Estado e as figuras políticas, comentadores e de um
modo geral todas as instituições nacionais. Incluindo a Igreja.
Andou
toda a gente distraída, gozando certamente o materialismo galopante dos
direitos versus os deveres; do relativismo moral; do compre agora e pague
depois; do primado do individualismo; da crise da família e um conjunto de
ideias muito libertárias e para a “frentex”, que concorreram ferozmente para o
actual estado de coisas.
As
poucas vozes que se ouviram, estavam apenas e maioritariamente preocupadas com
o mercantilismo da coisa; isto é, davam-se conta que a cada vez menor população
activa não consegue manter de pé a segurança social…
As
causas apontadas escondem-se sempre atrás dos recursos económicos (como se os
ricos sejam caracterizados por terem muitos filhos…) o que, a ser assim, a
Humanidade já tinha falido de gente há muito.
Podiam
ao menos assumir as verdadeiras causas do fenómeno – que se situam no facto dos
filhos terem deixado de ser a segurança social da velhice; as mulheres terem
abandonado o lar para trabalhar como os homens; o feminismo; a invenção da
pílula; a irreligiosidade galopante da sociedade; o primado do egoísmo/hedonismo;
a actual evolução da homossexualidade e correlativos, etc., mas não, ninguém é
capaz, pelos vistos, de assumir uma nesga sequer do politicamente incorrecto.
Não
quer dizer que parte do que atrás apontei seja em si um mal (a Segurança Social
foi até uma conquista fundamental – desde que se consiga manter sustentada),
mas seja o que for que aconteça na evolução da sociedade tem vantagens,
inconvenientes e, sobretudo, consequências.
Ora
não se pode (deve) fechar os olhos às consequências, já que raramente são
antecipadas ou ponderadas.
Para
isso existem até, peritos, que são uns tipos que lêem umas coisas e usam slides
a cores!...
Ora como não vai haver dinheiro
para dar às pessoas para elas terem filhos - isto claro, depois de um jovem ter
acabado um curso qualquer à força de estatística, até uma idade indeterminada;
darem subsídios para as pessoas não trabalharem; o jovem ter feito um ano
sabático a viajar pelo estrangeiro; ter carro (ou outro meio de locomoção
própria que não as pernas); ter mudado muitas vezes de parceiro, para perceber
como é que a coisa funciona; saltar duas ou três vezes de emprego, pois isso de
ter estabilidade foi chão que deu uvas e claro, só depois de as mulheres
garantirem uma carreira qualquer e tiverem o chamamento maternal, etc., etc., -
quer dizer que quanto a melhorar a curva demográfica estamos conversados.
Em síntese a razão principal (de
longe) é a de que os jovens (homens e mulheres – talvez mais estas do que
aqueles) não querem ter filhos…)
Existem estudos fiáveis que
asseguram que para se manter a renovação das gerações (em termos mínimos) e
respectiva cultura, é necessário que cada mulher (em idade fértil) tenha
2,11 filhos; 1,9 é o número mínimo de filhos que assegura a sobrevivência da
espécie e quando o número desce para 1,3 filhos por mulher, a reversão é
impossível, isto é, leva 80 a 100 anos…
A média dos últimos anos, nos
países da União Europeia, é de 1,38 e em Portugal é já há muitos anos de 1,3…[1]
O cenário é de uma hecatombe
sinistra.[2]
*****
O
pior é que há muito mais a concorrer para o suicídio de que falamos – e falamos
como uma certeza a prazo, se nada de muito diferente for encetado (ontem). E é
tudo mau.
A
primeira é a imigração. Começou na Europa (que não era comunista, obviamente)
derivado da desigualdade da distribuição de riqueza e poder entre países e por
estes terem sido “obrigados” a retirar de África e da Ásia – onde pelos vistos
não podiam estar – para serem “invadidos” pelos anteriores “colonizados” – que
pelos vistos têm todo o direito em poder estar.
Muito
por culpa dos próprios europeus que deixaram de querer exercer determinadas
profissões e trabalhos (a rapaziada aburguesou-se), esquecendo-se que não há
boas nem más profissões, mas sim bons e maus profissionais; por terem permitido
a instalação de máfias que prosperam com a imigração clandestina e finalmente
porque seitas alarves de adiantados mentais resolveram criar complexos de culpa
sobre a História dos seus próprios países.
Finalmente
inventaram o “multiculturalismo”, uma parvoeira perigosa que tende a extinguir
a matriz cultural de todos, sob a capa da tolerância e do respeito e
experiência mútua.
Viva
a amálgama!
Complementarmente
à imigração veio a emigração.
A
emigração era má quando no tempo do “Estado Novo”, mas passou a ser “boa”, “normal”
e consequente, após tal negregado período, em que se deu o melhor e maior
exemplo de integração de culturas, raças, etnias, seguindo uma matriz lusíada.
Mas, claro, era preciso acabar com uma Nação única no mundo…
A
emigração é uma sangria enorme, que na actualidade não apresenta qualquer
vantagem para o país. Mas até houve um governo que a incentivou…
Outro
aspecto terrível é a lei da nacionalidade.
Esta
lei é facilitista, inapropriada a todos os níveis e tem permitido que o Estado
oculte e minta descaradamente à população, sobre uma série de factos.
Ora
nós não devemos facilitar a outorga da nacionalidade portuguesa. Ser português
deve ser um privilégio raro e ser concedido a quem merece não a quem aparece.
E
devia ter regras estritas, como por exemplo a obrigatoriedade de cumprimento do
serviço militar ou cívico de igual penosidade, nunca por menos de três anos.
E
a antiga tradição portuguesa de preferir o “Jus Solis” ao “Jus Sanguini” deve
ser alterada, pois as condições actuais são muito diferentes daquelas que
vigoraram até 1974.
Entre 2008 e 2016 (oito anos)
obtiveram a nacionalidade portuguesa mais de 225 mil estrangeiros, ou seja mais
de 20mil/ano. A actual lei é ainda mais permissiva.[3]
Ora
isto, nomeadamente, pelo modo “escondido” como tem sido feito, serve para
aldrabar as estatísticas, logo o cidadão comum.
Ou
seja, os meios de outorga da nacionalidade, diminuem artificialmente o número
de imigrantes e o “inverno demográfico”.
Por
outro lado levantam um outro problema que é o da capacidade de absorção de tanta
gente e de os transformar em “portugueses”, ou seja na capacidade de
preservação da nossa matriz cultural e modo de ser.
Até
se inventam leis estranhas, como sejam o de outorgar a nacionalidade a quem
conseguir provar a sua descendência de judeus expulsos de Portugal desde 1496…
Esta lei entrou em vigor em
1/3/2015 e até finais de 2017 já tinham obtido a nacionalidade mais de mil
alegados descendentes dos antigos sefarditas.[4]
Quando
os “mouros” souberem disto, logo começarão também a querer ser abrangidos…
Mas a escabrosidade maior foi a
leis dos “vistos dourados” que representa uma autêntica prostituição da
nacionalidade…
E
o argumento de que se não o fizermos eles vão para outro lado, só nos merece um
desejo de boa viagem!
A
cereja em cima do bolo aconteceu de repente com a chamada crise dos migrantes –
e resta saber verdadeiramente quem a promove, alimenta e incentiva.
O
problema é sobretudo geopolítico, o qual se sobrepõe ao Humanitário, no sentido
em que se não se atender ao primeiro, a questão só se irá agravar, resultando
mal para todos.
As
autoridades em Portugal não estão a querer ver bem o filme e só dizem
disparates, não nos princípios, mas nas consequências. E de boas intenções está
o inferno cheio. E por detrás da maioria das atitudes – estamos em crer – está
uma de chico espertismo, que é dizerem que “eles”, os migrantes, não querem
ficar em Portugal, mas transitam para outros países, ficando ao mesmo tempo bem
na fotografia.
Isto
é uma ilusão, que o tempo desfará rapidamente, por motivos vários e que a
situação na UE irá agravar, pois a maioria dos países irá fechar as suas
fronteiras a este descalabro, e os totós de serviço passaremos a ser nós. Esta
última decisão da Itália e de Espanha irá precipitar as coisas, por certo.
Consta
até que existe já um plano em Bruxelas para enviar para Portugal cerca de cinco
milhões de migrantes; que diabo, dois terços do país não está já despovoado?
E enquanto não for anunciado em
termos de ser levado a sério, que as fronteiras estão fechadas para todo o tipo
de migrantes e imigração clandestina, não se poderá suster esta hecatombe, que
irá provocar mini guerras civis por todo o lado.
Outro
fenómeno, porém, se junta a todos os apontados: é que parte da população dos
países europeus, nomeadamente, Inglaterra, França, Bélgica, Holanda, Alemanha,
Escandinávia, etc., estão fartinhos de aturar o que se passa nos seus países e
da insegurança que tem aumentado exponencialmente (já nem falo dos brasileiros)
e estão-se a mudar rapidamente para cá.
E
tudo isto está a ser exponenciado pelo “boom” turístico.
Ele
há presentes envenenados…
Se
juntarmos a tudo isto a venda despudorada de todo o património nacional,
incluindo o terreno, para o que não existe qualquer ressalvo legislativo,
iremos a breve prazo ser uma minoria na nossa própria terra, e seremos
despojados dela.
Mas
como a bebedeira é colectiva quando acordarmos da mesma, vai ser tarde.
Haja
saúde!
João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador
[1]
A taxa bruta de natalidade, ou seja o número de bebés que nascem por 1000
residentes, caíu em Portugal de 24,1, em 1960, para 8,4, em 2017. Por sua vez a
taxa de fecundidade geral, isto é, o número de filhos por cada 1000 mulheres em
idade fértil, caíu de 95,7, em 1961, para 37,2, em 2017. (dados da “PORDATA”. E
deve acrescentar-se que grande parte das crianças nascidas nos últimos 20 anos
são de residentes não portugueses.
[2]
Entretanto a média de filhos de uma família muçulmana imigrada na Europa é de
8…
[3]
Jornal “Público” de 15/12/2017.
[4]
“Observador”, de 10/11/2017.
sábado, 2 de junho de 2018
10 JUNHO 2018 OLIVENÇA
SIGNIFICADO DE COMEMORAR O 10 DE JUNHO EM OLIVENÇA
2/6/2018
À semelhança dos
dois últimos anos a Associação Além – Guadiana (AAG) (nascida por iniciativa de
um grupo de pessoas nadas e criadas em Olivença, em 2008) – terra portuguesa
sob administração espanhola (se assim se pode dizer), desde 1801, após o
Tratado de Badajoz que culminou a breve “Guerra das Laranjas”, ocorrida naquele
ano – vai levar a cabo uma cerimónia comemorativa do “Dia de Portugal” no
próximo dia 10 de Junho.[1]
A esta organização
tem-se associado um grupo de personalidades portuguesas “capitaneadas” pelo
antigo Deputado Ribeiro e Castro, o qual se interessou pela causa Oliventina
depois de ter recebido em audiência por diversas vezes, membros da direcção da
patriótica agremiação dos “Amigos de Olivença”, quando fazia parte da Comissão
dos Negócios Estrangeiros, da Assembleia da República.[2]
Entre muitas e
louváveis iniciativas de âmbito cultural e social que a AAG tem levado a cabo
nos últimos anos, destaca-se
[1]
O tratado de Badajoz foi celebrado a 6 de Junho de 1801 entre Portugal (sob
coação) e a Espanha e a França (coligadas). Foi ractificado por Portugal em
14/6 e pela Espanha a 21 do mesmo mês; a França nunca o ractificou. A Espanha
ficava com Olivença e o seu termo, a titulo de “conquista de guerra”. Este
tratado veio a perder validade desde 1807 e definitivamente, desde o acordado
no Congresso de Viena de 1815.
[2]
A associação “Amigos de Olivença” foi fundada em 15 de Agosto de 1938 e luta
desde então, pela retrocessão de Olivença e seu termo (430 km2), à soberania
portuguesa, como é de Direito.
quinta-feira, 17 de maio de 2018
GUIÃO PARA UM FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO MILITAR
GUIÃO PARA UM
FILME DE FICÇÃO CIENTÍFICA NO ÂMBITO MILITAR
11/05/2018
“O principal problema da
Democracia é a qualidade da Sociedade. Essa qualidade começa na Família.
Naturalmente quem aleita é quem educa.”
Autor desconhecido
(Mas lá que dá para pensar, dá…)
Quartel-General
das Forças de Estabilização da ONU na colónia, conhecida desde a Antiguidade,
como Lua.
“Oceanus Procellarum” – Oceano das
Tormentas.
Ordem
de Serviço 666, em 11/5/2118. [1]
TROPAS!
Como
sabeis após o meu antecessor ter resolvido saltar em pára-quedas para fora do
nosso querido e bem-amado Exército – esse infeliz que não teve estômago para
acatar as tão sábias directrizes muito para a “frentex”, do nosso guia
espiritual, o Azedo L., que devemos equiparar a Cipião, “o Africano”, depois da
batalha de Zama – e que mesmo depois da oferta generosa de Belém, em
reconsiderar, retorquiu que a força da gravidade (mais não fosse por isso) o
impedia de voltar para dentro do avião de onde saltara…
Deste
modo eu assumi a ingrata, mas honrosa tarefa de vos dirigir (isso de “comandar”
é areia demais para a minha camioneta) isto é, ao que resta de vós, da hoste
que seguiu o grande Afonso, depois de ter batido na mãe, tendo vindo por aí
abaixo levando tudo à frente, mesmo sem autorização de Bruxelas ou da Merkel
(que por acaso se chama Kastner…). Bons tempos, ai, ai...
E
que belo caminho temos feito juntos desde então!
Lembram-se
de quando mesmo antes de estar nomeado, me passou uma coisa má pela cabeça e
decidi, num ímpeto viril, despachar o vice, aquele cujo nome faz lembrar um
célebre ciclista tuga, que pedalava como ó caraças?
Ele
à primeira ainda hesitou, mas à segunda lá foi com Deus, as almas santas e uns
trovões da minha padroeira Bárbara!
Depois
foi preciso pôr ordem no Militar Colégio, agora que aquele Instituto freirático,
cheio de mofo e de discriminação de género intolerável e fascista, sito ali
para os lados de Odivelas, ter ficado devoluto e abandonado à espera de um
qualquer negócio imobiliário que apareça!
Resta
apenas fazer desaparecer sem deixar rasto o túmulo do D. Dinis (que devia era
ter ficado em Castela quando foi visitar o avô, Afonso X, o Sábio), que
resolveu mandar plantar o pinhal de Leiria para agora virem umas mãos
criminosas deitarem-lhe fogo (eu disse, criminosas? Desculpem, pois foi
certamente um descuido inocente, ou então uma acção de alguém alienado, vítima
desta sociedade machista, capitalista, racista, xenófoba, homofóbica e preconceituosa!).[2]
Mas
é bem feito! O colonialista do Dinis não tinha nada que mandar vir almirantes
de Génova e fundar a Armada que agora diz que é antiga como ó carbono e desfila
no Terreiro do Paço a soprar 700 velas!
Agora
estão tramados pois já não vão ter madeira nem para barcoletas a remos!
Ocorre-me
à memória, porém, ó tropas, que vou ter que reconverter parte de vós -senão a
totalidade - em bombeiros (voluntários, é claro), o que não deixa de ser uma
velha aspiração dos nossos maiores, pois não é muito melhor sermos os soldados
da paz em vez de sermos os soldados da guerra?
Eu
já dei o exemplo e já peguei na foice e no martelo, perdão na maquineta
roçadeira e andei a capinar, mesmo chegadinho àquele que se orgulha de ser o
primeiro - ministro descendente de indianos da União Europeia. E eu a julgar
que ele era descendente de portugueses?!
Até ia dando uma cambalhota à
retaguarda, coisa até, que já não me lembrava de fazer desde os meus tempos infráticos
(eu disse infráticos? Que as juventudes partidárias me desculpem, pois nunca
concordei com tais práticas, abrenúncio).
Mas,
ó tropas, empolguei-me e já me esquecia que estava no Militar Colégio, que eu
consegui meter na ordem, essa cáfila elitista que eu, a custo, tolero.
Aquilo
foi tudo raso: internato; comando; oficiais reguilas; ameaças de boiada, etc.,
e ainda espero acabar com a avaliação para democratizar tudo devidamente, agora
que acabei com a discriminação sexual intolerável como muito bem apontou o farol
da nossa existência - o Azedo L. - que Napoleão se fosse vivo não desdenharia
escolher para Marechal de França (ele até que se desenrasca bem no francês e
tudo!).
Prometo-vos que não descansarei
enquanto não conseguir uniformizar a coberta das camas de todos os quartéis e
camaratas, nas cores do arco-íris!
*****
E
aquela táctica utilizada num memorável Conselho Superior Militar - só
equiparada à importância do uso de armas de tiro tenso na conquista de pontos
de cota mais elevada!?
Estava
uma lista feita para promoções já devidamente escorada e sedimentada, quando os
nossos amigos na Administração Interna, na GNR e outros, sempre vigilantes,
alertaram para os perigos que tal ordenação implicava na justiça do mérito
relativo (obviamente) e tal nos levou no mais acertado “flick flack” à
retaguarda (esta da retaguarda, hoje anda-me a perseguir!) e mandei alterar
aquilo tudo.
Deu
um foguetório, só suplantado pelo do fim do ano na Madeira, que meteu o general
- maior, transferências mágicas de oficiais generais, alteração de ordens de
serviço, pressões de bastidores, etc., mas rematei a coisa com um pedido de
parecer (ajuda...), para a PGR - numa atitude que eu próprio não sei
classificar, mas que foi no mínimo brilhante, que até ofusca - e a coisa acabou
por morrer.
Foi
tudo um processo que faria corar o Maquiavel onde acabei com a carreira a pelo
menos, dois camaradas, mas que é isso comparado com a largura do meu ego medido
em milímetros?
*****
Andava
eu nesta gloriosa cruzada – que deixo aqui claro, nada ter a ver com aquelas
levadas a cabo no obscurantismo medievo – quando alguns dos meus dilectos
camaradas generais me abandonaram, deixando-me meses praticamente sozinho à
testa deste “galho”, outrora Ramo altaneiro e pujante! Os ingratos!
E
digo praticamente, pois fui salvo “in extremis”, pelo último dos moicanos – a
quem apesar de tudo, pouco ligo – que a pedido de muitas famílias e condoído da
queda livre em que a coisa estava (isto de surripiar os pára-quedistas para o
Exército não foi nada boa ideia, mesmo nadinha, mas eu na altura ainda usava
fraldas e não me apercebi), lá continuou a carregar a cruz e ficou!
E
que dizer dos generais antigos como o biscoito das caravelas, que
sistematicamente faltam às festas e cerimónias para que os convido, pois não
querem encarar o meu “fácies enconátus”, tão pouco cumprimentar-me?
Já
sei, são uns invejosos, pois não se equiparam ao ilustre ocupante de S. Julião
da Barra, o Azedo L, que corajosamente – e com toda a sua pilosidade firme e
hirta e voltada para a frente - enfrenta o fantasma do infortunado Gomes Freire
cujas cinzas foram, por ali perto, deitados aleivosamente ao mar!
Todavia,
a minha coroa de glória estava para vir!
Estava
eu (sempre eu!) quase a resolver o problema dos paióis sitos no “Mar de
Tancorum”, já tendo obtido as necessárias verbas, conseguidas pelo maior
estratega da defesa, o Azedo L. - que reduz Tucídides e a sua “Guerra do
Peloponeso”, a um cisco - dizia, uma ronda do meu glorioso Exército
voluntaríssimo, que nem munições reais pode usar, descobriu um buraco na
vedação (qual linha Maginot, qual quê!) e após apurada investigação alguém deu
conta que um paiol tinha sido profanado.
Foi como se a virgindade do
Exército tivesse sido corrompida (a Honra, essa, tinha sido perdida nos idos da
“Descolonização” e ainda não foi reposta…), sem uma gota de sangue ser vertida!
Sabe-se
lá como e porquê, a notícia chegou aos jornais tendo caído o Carmo e a Trindade
(enfim já estavam caídos, desde o terramoto de 1755…).
Mas,
ó tropas, eu, o vosso Director, reagi como um leão e fui-me a eles como
Santiago aos mouros – sem ofensa é claro, para os dilectos seguidores de Allah,
o “Misericordioso”.
O que eu fiz, meu Deus: dei entrevistas, disse
uma coisa e o seu contrário, aquilo meteu luta e até o meu querido superior
hierárquico (não me estou a referir agora à luz que me orienta (o Azedo L.) que
soube já ter o futuro garantido, pois foi-lhe oferecido um lugar de consultor
no Pentágono para as relações com o futuro Exército Europeu), mas sim ao meu
camarada infantaroco que até levou um murro no estomago durante a contenda.
(Era para isso, aliás, que o saudoso Xico da Mouraria nos preparava nas aulas
de boxe)
E
vejam como ficou tudo esclarecido, tim tim por tim tim (só não entendo é por
que o Senhor Comandante Supremo, continua com aquelas diatribes sobre querer
saber mais coisas) e no fim poupei uma palete de massa ao contribuinte, dizendo
que já não queria nada com aqueles paióis (ficam para o pessoal do “Barrote ao
Alto” fazerem exercícios de demolição por implosão) e fui-me para a Santa (Margaridorum)
e quando por obra e graça do Espírito Santo, o material desaparecido (será que
desapareceu mesmo?) deu à costa numa mata da Chamusca, eu até recuperei uma
caixa a mais!
A SIC, por exemplo, ficou tão
contente que até apresentou várias vezes, imagens todas catitas da minha
pessoa!
E para que a minha autoridade não
fosse posta em causa (nem chamuscada a imagem do nosso inspirador, o Azedo L.,
que – vejam só - se confessou emocionado, após ter lido o antigo Regulamento
Geral de Serviço de Campanha, de quando Portugal tinha Exército, e se sentia
agora capaz de avançar contra o inimigo “dando gritos selvagens, tais como Viva
a Pátria”, dizia, num atrevimento legislativo inaudito, decidi exonerar
temporariamente, os comandantes das unidades da área de Tancorum, à falta de
perceber quem é que mandava naquele aborto organizacional todo!
E
depois de tudo esclarecido – como se viu – lá os reconduzi nas funções, a bem
da paz e da concórdia (e também da falta de vergonha na cara).
E
eles, coitados, lá aceitaram tudo, até porque não tinham tempo sequer, para
passar à reserva…
Isto
é o que se chama triunfar em toda a linha, ó tropas!
*****
Mas
nem com todos estes exemplos de liderança que irão marcar o ensino nas
Academias Militares (perdão nos “campus da defesa”) futuros, consegui sossegar
alguns de vós.
Refiro-me
a esses “brutos” que acampam ali para os lados da depressão lunar da “Carregueirorum”
e que contra todas as regras da camuflagem têm o estranho hábito de usar uma
peça de tecido redondo na cabeça, de cor vermelha!
Já
sei, vou despachá-los para Marte, o planeta da mesma cor, aí já ninguém os vê,
além de que é quente!
Mas
enquanto isso não acontece vou mudar o nome deles para “centro de escuteiros,
bem comportados”, para ver se deixam de andar a querer brincar aos soldados a
sério, e correrem o risco de morrerem no caminho…
E
depois ter essa procissão toda de procuradores e jornalistas do mais fino
recorte e cheios de boas intenções justiceiras, à perna?
Uma
maçada!
Por
isso, ó tropas, estou a pensar fazer deles além de escuteiros, uma reserva
táctica debaixo das ordens da Protecção Civil, essa extraordinária organização
babilónia, que está prestes a constituir-se como a quinta-essência desta
(apodrecida) III República!
E
vão ver, ó tropas, como ainda vereis um Presidente dessa Protecção Civil arvorado
em Marechal, com oito estrelas douradas e dois bastões. Um para cada mão.
Como
eu vejo à frente!
Mas
com tudo isto em mente não consegui domar aqueles que ajudaram a impedir aquela
cáfila toda da comunagem e tarados a esmo, de tomar o Poder nos idos de 1975.
Os
gajos tiram-me do sério!
Tive
o azar de lá colocar um tipo assim a modos que avantajado e não é que o ímpio
começou a falar grosso?
Ah,
mas eu mandei vir da cratera da Santa, uma bataria autopropulsionada de 15,5,
regulei a alça e pulverizei-o!
O
impertinente teve o despautério de não seguir as minhas sugestões, quando lhe
pedi o último discurso para revisão gramatical (o que nada tem a ver com o que
faziam os meus camaradas serôdios, munidos de lápis azul do antigamente)!
E
eu, cheio de boas intenções, ainda o deixei falar e não é que o desobediente
disse o que a sua cabeça pensava e a sua consciência ditava? Que
estranho Carácter!
Aí
fiquei furibundo e só não lhe fui aos fagotes, pois o tipo parece uma parede e
ri-se pouco, mas invectivei-o como um (mau) mestre-escola faz aos gaiatos.
Isto
passando-se apesar de haver várias pessoas presentes a ouvirem, as quais se
afastaram pudicamente (fiquei até a pensar, muito mais tarde, se não seria por
coisas destas que os generais de outros tempos se afastam dos locais onde me
desloco).
E
como quem mas faz, paga-mas – segundo, aliás, uma velha prédica desse farol, o
PS, que nos ilumina, como se tem visto – guardei a vingança para mim e não
disse a ninguém – ou não será a surpresa, um dos princípios da guerra? – e na
primeira oportunidade despedi-o, acusando-o de andar a dizer a verdade aos
quatro ventos!
Onde já se viu uma coisa assim?
E
que melhor ocasião para o fazer do que no fim de um almoço em dia festivo,
mesmo saltando por cima da cadeia hierárquica?
Ou não será almoçar fora, ao
contrário do futebol, o verdadeiro desporto nacional?! (Aqui para nós que
ninguém nos ouve até já pensei contratar o trineto de um tipo que se chamava
Bruno de Carvalho, para meu assessor…).
Sem embargo, consultei uns oráculos
(de Delfos) e já não vou despachar o dito cujo no dia 12, fica para depois de
29 do corrente, mas com a condição (!) de não haver mais discursos, ou a coisa
sair inócua…
Estou
pois, ó tropas, ufano de mim mesmo e não queria deixar passar em claro este
momento de felicidade e de alto exemplo castrense e épico, sem o partilhar
convosco e assim aumentar o vosso Moral.
Que
eu já sabia que era alto, mas assim, fica melhor.
Quartel
(isto é, campus da defesa), em Mar das Tormentas, 11 de Maio de 2118.
(Assinatura
ilegível)
Chaparro, o deslumbradinho.
(Segue-se salva de 17 tiros de pólvora – seca)
*****
O guião deste filme foi enviado
para a Academia de Hollywood.
A
resposta foi rápida e o filme foi chumbado.
O
argumento começou por ser passado do departamento de filmes de ficção
científica, para o departamento dos filmes de terror.
Ali
foi rejeitado por ser demasiado téctrico e impróprio para menores de 65 anos (o
que não configurava qualquer lucro na bilheteira), sequer para passar na “Casa dos
Segredos”.
Como
nota adicional e “post-scriptum”, afirmaram que o argumento era mau demais para
ser verdade, mesmo em filme.
A resposta foi remetida para o Campus da Defesa,
para o Campus de S. Bento, para o Campus de Belém e para o campus dos comentadores.
Por
uma vez, não se conhecem reacções.
João
José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador
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