terça-feira, 19 de setembro de 2017

A FORMAÇÃO DOS PILOTOS CIVIS



A FORMAÇÃO DOS PILOTOS CIVIS
11/9/17


“Um piloto é uma pessoa normal em excelentes condições psicofísicas”
  Definição “clássica “de piloto

               

A formação dos pilotos civis é hoje regulada nos países da União Europeia, fundamentalmente pelo Regulamento 1178, da UE, de 3 de Novembro de 2011, que foi também adoptado pelo nosso País.[1]
                A nível da ANAC – Autoridade Nacional para estes assuntos, dependente do Secretário de Estado dos Transportes – alguns dos aspectos neste âmbito são regulados por CIAs (Circulares de Informação Aeronáutica).
             À ANAC cabe ainda supervisionar, fiscalizar, regular, controlar e manter registo de todas as actividades relacionadas com a instrução de pilotagem a cargo das escolas de pilotagem, licenciadas e aprovadas por aquela Autoridade: as ATO “Approved Training Organization”.
                Os requisitos para um cidadão poder, por exemplo, tirar um curso integrado de piloto de linha aérea (ATPL - que é, digamos, o mais elevado), obriga a que a idade mínima seja de 18 anos (para a emissão da licença que, no início da sua carreira é a de piloto comercial – a de piloto de linha aérea exige, entre outras coisas, pelo menos 1500 horas de voo como piloto), ter o 12º ano de escolaridade, ou equivalente, incluíndo as cadeiras de Matemática e Física, e passar num exame médico efectuado em organização licenciada para o efeito (classe 1), mediante uma tabela de exames aprovada. [2]
                A partir daqui a parte administrativa, cumprimento das aulas teóricas, efectivação do programa de voos (tudo especificado no tal Regulamento supra e traduzido em manuais aprovados para cada escola), marcação de exames e fluxo da burocracia correspondente, passa para as ATOs.
              O curso tem a duração máxima de 36 meses.
                O extraordinário desenvolvimento da aviação comercial (quer de transporte de passageiros, carga ou trabalho aéreo) levou a que a necessidade de tripulações, nomeadamente pilotos, se tornasse geométrica, por vezes exponencial.[3]
                A tendência não mostra sinais de abrandar e as relações de trabalho vão desde o capitalismo selvagem à ditadura dos sindicatos.
                Ora tudo isto levou à massificação da formação e ao florescimento de um negócio apetecível.
                Na necessidade de formação de pilotos para a aviação civil deve ser tido em conta ainda, o cada vez menor número de pilotos militares que passam ao mercado civil, dado as Forças Aéreas (onde a instrução é muito mais dura e completa) terem vindo a ser reduzidas drasticamente em todos os países ocidentais.
                Ora a combinação da ”massificação” com a variável “negócio” pode dar (e está a dar) muito maus resultados.
                Em primeiro lugar porque na massificação (há quem lhe chame “democratização”) há uma tendência irresistível para baixar os padrões de exigência e qualidade aferindo-se cada vez mais por baixo. Por outro lado a supervisão e o controlo da qualidade torna-se mais difícil pelo volume de meios envolvidos.
                A questão do negócio pode tornar toda a questão “explosiva”. Porquê?
                Naturalmente, por causa da natureza humana.
                Em primeiro lugar, pela ambição desmedida do lucro – não confundir com a razoável necessidade de se obter “superavit”, sem o que nenhuma empresa sobrevive; depois pela necessidade de as empresas se tornarem competitivas a fim de atraírem potenciais clientes; finalmente porque o constante disparar dos custos dos ”factores de produção” (manutenção, taxas aeroportuárias, licenças, combustível, etc.), onde os salários dos profissionais envolvidos são sempre os parentes pobres! 
              Para já não falar, no caso português, da carga fiscal massiva imposta por sucessivos desgovernos, que traz a totalidade das empresas asfixiadas em termos financeiros.
             Finalmente a eventual acção de “lobbies” da “indústria” aeronáutica, em quem legisla, não é de descurar…
               Ora tudo isto constitui uma pressão imensa que leva a que se tente compensar com a redução de horas de voo, e, ou trocá-las por simulador; na diminuição ou exclusão de treino em manobras essenciais (por ex. perdas, “vrilles”, atitudes anormais); menor qualidade dos equipamentos e sua manutenção, etc.
              Sempre com a desculpa da evolução tecnológica e dos automatismos, por pano de fundo, o que finalmente começou a ser posto em causa com a tragédia do voo da Air Fance 447, rio de Janeiro – Paris, em 31/5/2009, que causou 228 mortos.
                Como factores adicionais de problemas, em todo este âmbito, temos o facto de cada vez, ser mais difícil encontrar instrutores de voo disponíveis (não existe nada que se assemelhe a uma carreira de instrutor e a função é mal paga – é aliás o parente pobre da aviação (idem para examinadores); a selecção dos alunos é cada vez pior e as empresas passaram a ter a péssima postura de tratarem os alunos como clientes que pagam (alguns julgam até que têm direito garantido ao brevet…) e por isso só têm direitos, ao contrário de os tratar e assumir que eles são instruendos que necessitam demonstrar que têm motivação, capacidade, querer e proficiência para conseguir uma boa prestação e assim obterem honestamente os seus diplomas e qualificações.
                É preciso não esquecer que todo este estado de coisas deriva em grande parte da desastrosa permissividade, facilitismo, indisciplina, falta de autoridade e qualidade e das experiências pedagógicas delirantes, de que sofre o ensino privado e, sobretudo, público, português. [4]
               E da cada vez maior falta de educação existente, derivada da desagregação da família e do relativismo moral reinante.
               O que contaminou toda a sociedade.
                E se isto não deve ser assim em todas as profissões creio que o pessoal navegante deve estar no grupo mais selecto, onde esta necessidade é prioritária. Penso não ter que explicar porquê.
                Ora a única entidade que está, isto é, devia estar capacitada para garantir a qualidade de todo o ensino de pilotagem, e não só, é a ANAC, e o Governo e a AR - aqueles que legislam sobre o assunto.
                Infelizmente desde a fundação daquela autoridade, em 1946 (DL 36061, de 27/9), com o nome de Direcção Geral de Aeronáutica Civil, raros foram os momentos (se é que algum), em que esta Autoridade esteve minimamente apetrechada em termos de meios, organização e liderança para bem cumprir a sua missão.[5]
                Creio que esta afirmação não irá escandalizar qualquer cidadão que destes assuntos tenha um conhecimento, mesmo que ténue.
                Ora a legislação internacional da União Europeia onde, por norma, nos integramos acriticamente, não impede salvo melhor opinião, que cada país (e por enquanto ainda há países!) não possa definir critérios mais apertados que tenham em conta os seus interesses ou especificidades próprias.
                Deste modo parece haver um conjunto de medidas que urge tomar.
                E a primeira é esta: é urgente tornar um curso de piloto comercial equivalente a um curso superior. A uma licenciatura que mais tarde, para quem quiser e estiver habilitado, possa evoluir para um mestrado e um doutoramento.
                É perfeitamente desajustado e desprestigiante ter um comandante de linha aérea, cujas habilitações se fiquem pelo 12º ano de escolaridade e por um “curso técnico”…
                Com a inacreditável agravante de a legislação obrigar a que estejam incluídas as cadeiras de matemática e física, mas simultaneamente se permita que haja candidatos a pilotos e oficiais de operações de voo, que se possam inscrever nas ATOs sem estas cadeiras e frequentem um micro curso de 15 horas em cada uma daquelas matérias (e passem) antes de iniciarem as aulas do curso propriamente ditas.
                O estado actual da organização social e do mercado faz com que este desiderato possa mais facilmente ser atingido através de parcerias entre Universidades e ATOs.
                Esta modalidade permitiria ainda implementar a obrigatoriedade da existência da disciplina de educação física, dada a importância que a boa condição física tem num piloto, e sabendo-se a deplorável situação em que a esmagadora maioria dos candidatos a tripulantes chegam à porta das escolas.
                Além disso estas aulas deviam visar os conhecimentos para a vida, para que estes futuros profissionais estejam aptos a manter a sua condição física à medida que a idade avança.
                Outro aspecto em que o facilitismo (e a redução de custos) entrou a imperar, tem sido nas inspecções médicas. Mesmo não tendo conhecimentos apropriados nessa área arrisco-me a dizer que a triagem está facilitada e que, por exemplo, o exame conhecido por eletroencefalograma nunca deveria ter sido eliminado, para já não falar na área da Psiquiatria que é pura e simplesmente ignorada.
                Não é minimamente razoável, outrossim, que os candidatos a piloto (ou outros) não sejam sujeitos obrigatoriamente a testes psicotécnicos eliminatórios antes de começarem os cursos.
                Tal facto deixa ao livre arbítrio de cada um e ao das escolas, fazerem-no ou não; faz entrar nos cursos uma quantidade elevada de gente que não tem capacidade mínima para a frequência do (s) curso (s) – emperrando todo o sistema – deixa passar entre as malhas pessoas que melhor seria terem escolhido outra profissão, além do que vai originar, mais tarde, uma quantidade de gente frustrada (por não arranjarem emprego), ou profissionais com limitações, na sua vida futura.
                Ora mais uma vez aqui a acção da ANAC devia ser fundamental, a fim de garantir uma descriminação positiva entre os candidatos e entre as ATOs, bem como a de assegurar que as entidades que estejam devidamente licenciadas para efectuarem exames médicos e psicotécnicos, sejam auditadas frequentemente a fim de impedir que o “negócio” e a “concorrência desleal” passe para esse âmbito.
                Do mesmo modo que deve haver um sistema que permita fazer inspecções inopinadas, a fim de detectar quaisquer uso de substâncias psicotrópicas ou excesso de álcool, nos corpos docentes e discentes.
                O serviço de medicina aeronáutica da ANAC deveria estar habilitado, ainda, a receber e tratar casos de alunos com problemas psicológicos ou psiquiátricos que se venham a revelar durante os cursos.
              Seria ainda muito conveniente que todos os assuntos que levantam problemas de interpretação e possam afectar o normal desenvolvimento da actividade das ATOs fossem objecto de CIAs a fim de se uniformizarem procedimentos – uma palavra - chave em toda a aviação – e, ou garantir a justiça relativa entre os intervenientes – uma pedra de toque nas relações humanas.
            Seria ainda de boa prática, disciplinar os contactos funcionais e hierárquicos entre as ATO versus ANAC, bem como os contactos entre a entidade e os alunos, que regulamentarmente se devem fazer através das ATOs e vice – versa.
             Complementarmente a tudo isto e às sempre necessárias e desejáveis inspecções periódicas ou reuniões avulsas seria, estamos em crer, de ponderar a criação de um “órgão/fórum” a nível da ANAC que reunisse anual ou bianualmente, com o fito de fazer o balanço da actividade de instrução no âmbito aeronáutico civil, onde se fariam representar todas as entidades tidas por pertinentes, e onde também se pudessem discutir os problemas que houvesse neste campo de actividade.
              Que é onde tudo começa.
                Finalmente será de eliminar liminarmente a possibilidade de se aceitarem candidatos com o 12º ano sem matemática e física.
                E será de ponderar, ainda, que as ATOs ou a ANAC obriguem à realização de exames prévios sobre conhecimentos gerais, dado não se poder confiar nos conhecimentos dos jovens formados nas escolas secundárias, que se deveriam voltar a chamar liceus e escolas comerciais e técnicas.
                De saudosa memória.
                É que, a maioria dos alunos que frequentam um curso de pilotagem não sabem, sequer, a tabuada. E juro que falo com conhecimento de causa!
               A complicar as coisas inventou-se um sistema de ensino modular. Isto é, para os alunos que não conseguem finalizar o curso no prazo previsto (36 meses), é-lhes agora permitido continuarem o curso por módulos (nocturno, instrumentos e multimotor), desde que tenham cumprido determinados requisitos.
              Ora tal modalidade além de tender a causar uma gestão caótica nos cursos, subverte por completo uma “base doutrinária”, há muito estabelecida na Aviação e que é esta: um candidato a piloto tem não só de ser capaz de se tornar proficiente num conjunto de matérias, exercícios e procedimentos, mas também de o fazer num determinado período de tempo.
              Não é como outro curso qualquer que um “aluno” pode continuar aluno “ad eternum”.
              E sabem que mais? Esta doutrina está, a vários títulos, correcta!
              E já nem vou falar na “licença de piloto “multi – crew (MPL), e no “e - learning”, ou ensino à distância…
                                                                *****
               Dado que os cursos de pilotagem são muito caros e desenvolvem-se num relativo curto espaço de tempo, devem ser pensadas formas de financiamento atrativas, que permitam aos candidatos a pilotos e ATOs, suportar os custos de formação inerentes, sob pena de todo o sistema colapsar ou, no mínimo, não se conseguir a breve trecho o número de pilotos em quantidade e qualidade, que o mercado requer.
                Tudo o que se passa com o espectro dos alunos que vêm frequentar um curso de pilotagem civil – a sua idade, formação, motivação, trilho de vida, etc. – daria um interessante estudo sociológico. Mas ainda ninguém se lembrou de o fazer.
                ANAC, sindicatos, associações de pessoal navegante, indústria aeronáutica, empresas de aviação, etc., poderiam aqui ter um papel relevante.
                É que neste âmbito, como noutros, o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho, é no dicionário.
                Se tiverem dúvidas, mesmo assim, meditem no lema do ministério da educação de Singapura (que bem deveria ser copiado para o de Portugal): se acham que a Instrução é cara, experimentem a ignorância!


                                                                                                        João José Brandão Ferreira
                                                                               TCor Pil AV/Comd. Linha Aérea/Instrutor de voo


[1] Aprovado no seguimento do Regulamento (EC) nº 216/2008, de 20 de Fevereiro, do Parlamento Europeu.
[2] A legislação que se aplica em Portugal é a da UE; porém, quando a legislação europeia é omissa e existe legislação nacional, aplica-se esta, desde que não conflitua com aquela. O que regulava do anterior estes aspectos era o decreto – lei 17- A/2004, de 16 de Janeiro (que sofreu uma alteração dos seus artigos 28 e 29, em Agosto desse ano), que postula (e é idêntico para o curso de piloto comercial - CPL) “ a) ter completado 18 anos de idade à data de emissão da licença; b) ter completado o 12º ano de escolaridade ou equivalente em área que inclua as disciplinas de Matemática e Física ou demonstrar conhecimentos de matemática e física mediante aprovação em exame a realizar pelo INAC, tendo neste último caso, de ter completado, pelo menos, a escolaridade mínima obrigatória”.
     Ora aqui levanta-se a dúvida se os candidatos a admitir têm de ter o 12º ano ou basta o 9º (que representa a escolaridade mínima obrigatória, em Portugal, mais os tais exames (ridículos) nas disciplinas apontadas. Presume-se que o decreto-lei esteja em vigor, já que o Reg. 1178, é omisso nestes pontos.
[3] Em artigo credível, do caderno de Economia do “Expresso” de 19/8/17, é afirmado que serão necessários 617 mil pilotos, para a aviação comercial, até 2035.
[4] Eu sei que não é só o nosso, mas com o mal dos outros posso eu bem, como soi dizer-se.
[5] Decreto – Lei 36061, de 27 de Dezembro.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

As Consequências dos Incêndios



As Consequências dos Incêndios
7/9/17

“A informação que temos não é a que desejamos; A informação que desejamos não é a que precisamos; A informação que precisamos não está disponível”
                                                        John Peers

Na torrente de palavreado e na esquizofrenia televisiva - ambos muito elucidativos, produtivos e pedagógicos – estamos em crer que muito poucos portugueses se darão conta da verdadeira dimensão da tragédia e das terríveis consequências de toda esta débacle nacional.
                Pois a sua dimensão é nacional e já ultrapassou até as fronteiras estando longe de tal nos ser lisonjeiro.
                Vamos tentar sistematizar todo este âmbito de modo a torná-lo mais compreensível, pondo desde logo de parte as vítimas mortais e a destruição de casas de habitação, que julgo serem as únicas que são evidentes para todos, sem embargo de tal não ter engendrado novos comportamentos e atitudes …
                Em termos materiais os custos dos incêndios florestais têm uma dimensão dificilmente aferível.
                Começa com a perda de floresta, ela própria, e os custos directos e indirectos que comporta.
                Desde logo as exportações derivadas dos produtos lenhosos, que somam anualmente muitas centenas de milhões de euros.
                Existem estatísticas de tudo isto que podem ser consultadas, pelo que não irei perder tempo com esses números. Mas convém, ilustrar os sectores afectados: serrações; pasta de papel; madeira em bruto; lenha e resíduos; frutos secos; cortiça; resina; mobiliário, etc.
                E lembramos que o pequeno país que hoje somos, apenas tem um terço do território com apetência agrícola (em constante diminuição, devido a construção de vias de comunicação algo descoordenada; urbanização em terrenos que deviam ser preservados para a agricultura e abandono); outro terço é improdutivo e o restante terço é de grande aptidão silvícola. Ora é este que, fundamentalmente arde…
                A destruição de floresta e das árvores e arbustos mais ou menos isolados acarreta a destruição de muita vida animal e vegetal associada (selvagem e doméstica); prejudica a actividade cinegética, polui os rios, as albufeiras e a própria atmosfera!
                O desaparecimento do coberto vegetal além de demorar muitos anos a ser reposto, deixa a superfície do terreno escalavrada e completamente exposta à erosão e ao arrastamento da camada mais úbere, aquando das primeiras chuvas, sobretudo se forem intensas.
                Esta catástrofe ajuda à desertificação do interior, à perda de postos de trabalho e à pobreza e miséria forçada de muitas famílias.
                O combate aos incêndios causa acidentes, mortes, perda e desgaste de material; desperdício de milhares de horas de trabalho que melhor seriam aproveitadas noutras áreas e cansaço extremo induzido em milhares de pessoas envolvidas no combate a esta verdadeira praga.
                Para já não falar nos milhões de euros vertidos nos meios aéreos o que constitui um negócio chorudo, que bom seria fosse terminado.
                Além disso e parece que ninguém quer reparar nesse “pormenor”, o combate aos incêndios consome milhares de quilómetros cúbicos de água que muita falta fazem ao abastecimento das populações, ao regadio e ao abastecimento dos níveis freáticos, numa altura em que as reservas estão no seu ponto mais baixo!
                Os incêndios pela mácula que causam são ainda prejudiciais ao turismo e à imagem do país. Parece a cultura do feio…
                Mas se os níveis de prejuízos materiais são difíceis de contabilizar o que se pode dizer dos morais?
                De facto esta repetição absolutamente inacreditável e inverosímil é sintoma de uma sociedade doente que olha, a nível das autoridades e do comum do cidadão, com ar contemplativo o desfiar das desgraças.
                Ninguém reage!
                As causas dos incêndios, cuja maioria tem origem em 99%, em erro, descuido ou acção criminosa, todos perpetrados por humanos, não abonam nada a nós mesmos.
               Quando a complementar tudo isto, existir quem se aproveite da desgraça para fazer negócio, ainda piora as coisas.
                Por outro lado assistir ao “espectáculo” das chamas, quer ao vivo, quer nas pantalhas das televisões, causa uma dor psicológica, revolta e desespero em muitas mentes, mais susceptíveis a estes eventos.
                Percorrer a seguir os campos e ver toda a paisagem devastada, triste e negra representa uma dor de alma que deprime os mais fortes.
              E, qual “cereja em cima do bolo” o granel relativo à distribuição dos donativos – a que, em muitos casos, se cobra 23% de IVA, não há adjectivos para qualificar: infama - nos!
                E tudo isto dura há 40 anos e ninguém faz nada! Nada, nem na prevenção, na educação, na repressão, na legislação, etc.
                A única coisa que sabem fazer é despejar dinheiro na compra e aluguer de meios a fim de apetrecharem um serviço de Protecção Civil, que não tem escola, estrutura, carreira, organização e sobretudo cadeia hierárquica capaz, e que se tornou um feudo das organizações partidárias que dominam os governos!
                Outra tragédia!
                Pois senhores, quanto mais dinheiro verterem no combate aos incêndios, mais incêndios haverá!
                Os incêndios, como o terrorismo têm de ser considerados uma acção de guerra.
                E guerra é guerra.
                Se estes governantes se portam como totós (e fico por aí), há que correr com eles e pôr lá outros.
                E, como pelos vistos, o actual sistema político só páre (do verbo parir) totós destes, torna-se urgente mudar o sistema político.


                                                      João José Brandão Ferreira
                                                           Oficial Piloto Aviador

CONVITE_NERLEI

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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Um Exército em Colapso, um País em Colapso!



Um Exército em Colapso, um País em Colapso!
3/9/17

“Dai-nos Senhor, o que Vos sobra, aquilo que ninguém quer, nem sequer Vos pedem mas dai-nos, ao mesmo tempo, o valor, a vontade, a força e a fé que temperam a alma do soldado na grandeza da sua servidão”
Trecho retirado da “Prece” do militar das Operações Especiais.

O Exército – que há muitos anos está nas lonas – encontra-se agora à deriva desde o assunto mal resolvido da escolha do novo CEME (uma espécie de pecado original); do incidente nos Comandos - não tanto pela morte dos dois recrutas, mas mais pelo processo que se lhe seguiu; dos anteriores eventos no Colégio Militar, a que se deve ainda juntar a ultrapassagem na promoção do Major General Moura – assunto ainda não resolvido – as cabeçadas com a GNR, o seu Comandante e a MAI, mais a saída do anterior Presidente da Protecção Civil e a nomeação do actual – tudo peças do mais fino recorte! – para culminar no incrível “roubo” (?) dos paióis de Tancos e toda a sucessão de eventos que se lhe seguiram, dignos da mais apurada série do "Tom and Jerry"!
Agora até é acusado (o Exército!) – Vice - Presidente da Câmara “dixit” - de ser o culpado da má comida servida aos bombeiros nos fogos de Oleiros (ao menos podiam ter enviado as rações de combate importadas de… Espanha).
Já é azar!
                Falámos atrás do pecado original (enfim, tem havido tantos...), que situamos na substituição do anterior CEME General Jerónimo, que se demitiu, e que melhor teria servido a Nação se tivesse agarrado os colarinhos do ministro e, com ele a um palmo do solo, ter-lhe dito umas quantas à boa maneira pára-quedista…
                Ora após a sua saída, consta (repito, consta – quem pode e quiser que o confirme) que os restantes generais combinaram que ninguém iria aceitar o lugar – uma atitude que há muito devia ter já sido tomada - estou a lembrar-me, até, do tempo em que o General Loureiro dos Santos houve por bem abandonar a mesma função…
                Ora à última hora (por um processo alquímico que também se conhece mas que não vou expôr) o actual Comandante do Exército, terá roído a corda, acabando por ser nomeado.
                Tudo isto deu origem a um mal - estar terrível e a um ambiente de cortar à faca na cúpula da hoste que é suposto defender o país quando este estiver em perigo.
                E, de facto, o país tem sobre ele vulnerabilidades e ameaças grandes que os políticos escamoteiam (ou nem se apercebem) e a população nem suspeita. E a perspectiva é a de piorar não de melhorar…
                O mal - estar continua e o Exército está há meses com um Vice- Chefe à espera de arrumar as botas, o que acontecerá por dias, e sem Comandante Operacional e Comandante de Pessoal, há meses.
                Tudo somado representa a situação mais vergonhosa por que passa o Exército, desde a lamentável história do “Batalhão” em cuecas, em Nova Lisboa e a ocupação indecorosa de Omar, no norte de Moçambique, nos idos de 1974/5, a que não fica atrás a cerimónia de Juramento de Bandeira do Ralis, de punho fechado, com a presença do então CEME, um tal de Fabião, de triste memória!
                Enfim estes últimos eventos ainda têm a “desculpa” (?!) de se terem passado no tempo da javardice do PREC e do episódio mais vergonhoso de toda a História de Portugal que ficou conhecido como Descolonização…
                Olha-se para tudo isto com a maior irresponsabilidade e insensatez, fruto da vereda estreita, pedregosa e mal cheirosa, que leva ao precipício, em que este Regime da III República nos conduziu e colocou.
                A qual, para além dos defeitos e erros políticos, ideológicos e conceptuais que a enformam, nem sequer tem o menor cuidado com as pessoas que escolhe para a “servir” e continuar.
                Parafraseando o Almada,
              Abaixo isto.
              PIM!


                                                                                                              João José Brandão Ferreira
                                                                                                          Oficial Piloto Aviador

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

CARTA SUPER ABERTA À SECRETÁRIA DE ESTADO DA MODERNIZAÇÃO ADMNISTRATIVA



CARTA SUPER ABERTA À SECRETÁRIA DE ESTADO DA MODERNIZAÇÃO ADMNISTRATIVA
30/8/17


                                       “Estas ingratas nem sequer valorizam
                                                  o esforço de uma erecção!”
                                                               J. L. H.

            De seu nome Graça Maria Fonseca Caetano Gonçalves, a qual numa entrevista a um diário, decidiu ribombar a atmosfera com uma declaração da mais comovente e inolvidável pertinência ao assumir publicamente a sua condição de homossexual!
            Não sabíamos que tal assumpção fazia parte das suas actuais funções – já que a denominou de “completamente política” – ou se está relacionada com algum factor, sei lá da Defesa da Pátria, ou outro.
            Pode parecer, até, que tem pouco que fazer nessa “sua” Secretaria de Estado, para se andar a preocupar com estas coisas…
            Já sei, quis modernizar-se e assim obter os seus 15’ de fama! Só pode.
            Mas, confesso-lhe Graça Maria, que soube a pouco.
            Eu e o grupo de pensionistas e reformados activos, que me acompanham, exigimos mais.
            Incomensuravelmente mais!
            Sem querer por em causa a constitucionalidade da afirmação, antes corroborando-a, gostaríamos de saber, com que práticas “fofas” se deleita, até porque não só a curiosidade lúbrica também é constitucional, como poderemos vir a ensinar aos nossos netos algo mais, de modo a que eles possam crescer instruídos e não constrangidos por mentalidades castradoras e reaccionárias.
            Além do mais, Graça, perguntar não ofende…
            E verá que a partir de agora, as revistas “cor - de - rosa” não a vão largar.
            Agora que abriu o livro pense só na revolução que pode vir a causar, por exemplo, o voyeurismo da “coisa” poder ser uma alternativa à permanente masturbação mental futebolística que percorre com sanha, a sociedade portuguesa, “máxime” as queridas televisões!
            Pense bem Graça, como socióloga, não gostaria de deixar o seu nome ligado a uma semelhante arqui - revolução?
            Por isso abra a mente, o coração, escancare o espírito (Graça o espírito!) e diga-nos, que fantasias lhe povoam a mente?
            Eu sei que, algo contraditoriamente, exprimiu a necessidade de haver privacidade…
            Mas não acha justo que se saiba se usa cuequinhas com bolinhas ou com flores?
            É que tal indicava logo qual o papel que prefere no acto, o de macho ou fêmea (o de transgénero aqui é mais complicado, mas com um bocadinho de jeito…)!
            Ou saber quem fica por baixo ou por cima, à esquerda ou à direita, não será da maior relevância política?
            Diga-nos, por favor, se o fio dental a seduz ou se pelo contrário o mesmo lhe faz ardor, ou lhe irrita a pele?
            É que se não a incomodar, pode servir como ideia para umas ofertas, já que fica abaixo do valor das “prendas” que os políticos estão autorizados a receber (desde que o fio não seja de ouro, bem entendido).
            E já nem precisa que uma qualquer empresa lhe pague uma deslocação ao estrangeiro!
            Aludiu ao direito de dizer e de afirmar, nós evocamos o direito de saber, sim porque nós votamos e pagamos impostos!
            Graça, você entreabriu a porta…
            Eu, aliás, acho que se deve assumir tudo, não é doutora?
            Já agora, também se injecta na veia ou fica-se pelos alcaloides ou opiáceos leves?
            Por acaso lembra-se se soprou no balão antes de dar a tal entrevista?
            Temos que reconhecer, sem embargo que, pelo menos, esta destemida afirmação de troca de género – e eu a julgar na minha ingenuidade ser uma coisa de gramática - mostra alguma coerência com a transparência que o actual Governo da geringonça, de que faz parte, apregoa.
            Ou será uma conversão, tardia à católica religião, agora que o “lobby gay” (tinha até graça criar um “lobby hétero”…) anda a ganhar foros de cidadania no seio da própria Santa Sé?
            Sem embargo existe outra razão porque eu e o grupo de avençados, a ficarem mais para lá do que para cá, pretende saber mais coisas é porque, ó Graça, você faz parte do Governo, ou seja daquele grupo de políticos esforçados que tratam de nós e da Polis. (da polis, Graça Manel, perdão Maria, não da pilinha, dessa cada um de nós trata sozinho, percebe?).
            E quem trata da Polis, deve merecer a nossa preocupação.
            Por isso queremos saber que eventuais pressões terá sofrido, pobre criatura, para ter “saído do armário” nesta altura!
            Que atavismos a perseguem?
            Que pulsões a transtornam?
            Que fantasmas lhe inculcaram na mente, que lhe perturbam os sonhos (quiçá, eróticos)?
            Graça diga-nos, que nós vamos lá e vai tudo raso!
            É que se a sua conduta é política isso também nos diz respeito e não queremos que lhe falte nada.
            E a sua frase sobre “a forma como se olha para o outro tem muito a ver com a empatia”, e “a opção sexual de cada um não afecta em nada o que se faz”, não nos sossega, pois não se consegue ligar a afirmação pesporrente do “eu” homossexual, com os conceitos expostos.
            Por tudo isto esforçada Drª (ou devo chamar-lhe Dr.?), mais reforça a ideia de continuar a não votar há muito, no naipe dos Partidos Políticos actuais: albergam, entre muitas outras barbaridades que praticam, pessoas como a senhora/senhor, LGBT+%&#$, etc..
            Isto não é o Governo da Polis, mas sim uma longa fila para o consultório do Freud!
            Por isso estou farto de si e deles.
            Tenha respeito por si e cure-se.
        



                                                  João José Brandão Ferreira
    (Cidadão cada vez mais radicalizado no Santuário de Santa Maria da falta de Pachorra)