domingo, 9 de julho de 2017

CARTA ABERTA A QUEM OCUPA A FUNÇÃO DE CHEFE DE ESTADO - MAIOR DO EXÉRCITO



08/07/17

                                        “O mal não deve ser imputado apenas àqueles
                                          que o praticam, mas também àqueles que
                                          poderiam tê-lo evitado e não o fizeram”.
                                          Tucídides (460-396 AC.)

    O senhor está a ser uma vergonha e uma desgraça para o Exército, as Forças Armadas e o País compreenderá, por isso, que não o trate sequer pelo posto.
    Na minha mente existe apenas a dúvida se o hei - de despromover a Director – Geral ou a Comissário Político…
    Não sei se deu conta mas já não estamos no PREC onde valia tudo, se é que alguma vez tomou consciência do que isso foi e o que representa.[1]
    Mas creio poder afirmar, sem muito errar, que o seu comportamento configura um subproduto distante da herança dessa malfadada época.
    A sua postura na sequência da borrada de Tancos tem sido inqualificável.
    O senhor perdeu o respeito de todos; perdeu o respeito por todos e, ao que se topa, só não perdeu o respeito por si.
    Lá chegará.
    O País deixou de ter fundo porque foi capturado maioritariamente, por gente sem moral nem princípios, cuja óbvia preocupação se esgota no sucesso dos negócios a qualquer preço e por muitos que sofrem de defeitos congénitos na espinhal medula.
    O seu comportamento parece encaixar na perfeição, neste último âmbito.
    E se calhar quem o empurrou para o actual cargo sabia isso plenamente.
    Já não lhe bastou andar a fazer de capacho do senhor ministro da defesa – personagem que já provou à saciedade não estar capacitado para o lugar – aquando do caso burlesco e insidioso dos putativos invertidos no Colégio Militar (estão bem um para o outro!); ter andado meio à nora no infeliz caso dos “Comandos” e na muito mal gerida ultrapassagem na promoção do Major General Moura - só para ficarmos por aqui – exonera, depois, “provisoriamente” (?!) cinco comandantes de unidade, sem lhes levantar um simples processo disciplinar (e não devia haver apenas um responsável pelos paióis?), para finalmente num gesto de opróbrio, ir dizer aos deputados que se sente humilhado com os seus subordinados e outros dislates avulsos?
    A generalidade dos militares, se é que ainda o são, é que se sentem humilhados com o seu comportamento, indigno de qualquer militar que se preze, quanto mais num sucessor do comandante da hoste que derrotou os mouros em Ourique!
    Por tudo isto, não hesite e em vez de correr o risco de acabar muito mal na função que ocupa transitoriamente, tenha um momento de lucidez, meta férias, vá ter, sei lá, com o Dr. António Costa a Maiorca e aproveite para desaparecer sem deixar rasto.
    Já chega.

                                                     João José Brandão Ferreira
                                                      Cidadão BI (civil) 02171021
                                                       Cidadão (militar) 014391-L 


[1] PREC – Processo Revolucionário em Curso.

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A TROPA APAGOU-SE E O EXTERTOR DA TERCEIRA REPÚBLICA



A TROPA APAGOU-SE E O EXTERTOR DA TERCEIRA REPÚBLICA
5/7/17
“Considerando …
Considerando …
Considerando …
Manifesto a minha concordância para a autorização do lançamento da empreitada de obras públicas com a designação PM001/VNBarquinha – Polígono de Tancos – “ Reconstrução da Vedação Periférica Exterior no Perímetro Norte, Sul e Este dos Paióis Nacionais de Tancos”, com o preço base de (euro) 316.000, ao qual acresce o IVA à taxa legal em vigor”.
Despacho 5717/2017 de 05 de Junho, do MDN (DR nº 125/2017, série II de 30/6/2017


                Apetece dizer, tarde piaste!...
              E também apetece perguntar como é que, anúncios destes sobre matérias sensíveis que deviam ser classificadas, são públicas…
                O alarido que para aí vai sobre o assalto aos paióis do Exército em Tancos, Deus meu!
                Tanta virgem ofendida!
                Tanta admiração, tanta indignação, tanto espavento!
                Será que acordaram agora ou têm vivido noutro planeta?
                Então há cerca de 35 anos (trinta e cinco) que os sucessivos governos, parlamentos e presidentes andam a destruir paulatina e sistematicamente a multisecular Instituição Militar e agora querem que as coisas funcionem?
                Trinta e cinco anos não são 35 semanas ou meses (o que já seria grave)! Tudo isto com a ajuda pressurosa da comunicação social e de uma chusma imensa de intelectuais, políticos de partidos, comentadores, baladeiros e filhos d’ algo avulsos e, de repente, incomodam-se por a coisa dar para o torto?
                Sabemos há muito que a generalidade da população está ignorante de tudo e mal preparada para a vida em todos os campos, pois a Escola deixou de ser séria para se transformar num recreio permanente onde se despejam alegremente biliões de euros; meio imbecilizada que está, pela acção deletéria dos jornaleiros (que não jornalistas) de serviço e confundidos e descrentes pela infrene demagogia (a doença infantil da Democracia) vertida pela actuação dos agentes políticos - que já não há saco que aguente - e só acorde quando há uma bronca qualquer.
                O que de resto também não os preocupa muito desde que no dia seguinte possam ir até à praia, passear no centro comercial ou mandar uns “shots para a blusa”!
                Para além do mais é uma questão de horas até acontecer uma outra barbaridade qualquer, passado o que, já ninguém se lembra da do dia anterior.
                O que se passou em Tancos – porque será que só agora há este alarido, quando já assaltaram o paiol dos Comandos, na Carregueira; dos Fuzileiros, em Vale do Zebro; da PSP, e outros roubos menores que não chegaram a vir a público? – não deve ser objecto de qualquer admiração.
                O que nos deve admirar – e essa é a pergunta que se impõe – é isto: depois das sucessivas barbaridades cometidas contra as Forças Armadas (que temos denunciado activamente nos últimos 40 anos), como é que ainda há alguma coisa que funciona?
                De facto a Instituição Militar tem uma “endurance” absolutamente notável!
                Nos últimos 35 anos – note-se que são problemas acrescidos e continuados – tem-se subvertido todos os fundamentos em que assenta a Condição Militar; houve erosão contínua do estatuto remuneratório e benefícios (que eram poucos) associados; acabou-se com a Justiça Militar; deram-se facadas violentas na Disciplina; invadiu-se o ensino militar através de exigências originadas no mundo universitário (e político) civil, no mais das vezes desajustadas da realidade e necessidades militares (mesmo assim este âmbito ainda é o que vai funcionando menos mal); esvaziou-se a hierarquia militar de competências, a ponto de hoje um general não ter autoridade para promover um soldado e ser difícil a um comandante comprar um parafuso.
 Acabou-se com o Serviço Militar Obrigatório; torpedeou-se completamente o sistema de promoções; reduziu-se e cativou-se despudoradamente os orçamentos, sem qualquer paralelo noutras áreas da vida nacional; reduziram-se os efectivos, o sistema de armas e o dispositivo a números ridículos e abaixo de qualquer funcionalidade – está tudo preso por fios: não se cumprem as Leis de Programação Militar; não existem reservas de guerra, nem sistema de mobilização; a sustentação logística é medíocre; não existe representatividade política da IM e ninguém a defende institucionalmente - a não ser por palavras de circunstância.
Ora tudo isto – que está longe de esgotar a lista de erros, barbaridades e malvadezas – tinha de afectar gravemente o Moral da tropa. E afectou!
E o Moral é a mola real que mantém um Exército de pé.
As coisas, aliás, estão de tal modo graves que agora até afectou a Moral dos militares, vide as recentes prisões de militares da Força Aérea!
Há muito que os três Ramos sobrevivem apenas para manter no estrangeiro umas pequenas unidades ou grupos de instrutores, que o poder político entende ter interesse enviar para o exterior, onde por norma se têm portado muito bem (enfim, também houve alguns fiascos individuais aqui e ali), mas até isto pode ter os dias contados!
O resto passou ao campo da quase ficção. Destruir um Exército faz-se num instante (veja-se o que aconteceu nos meses a seguir ao 25 de Abril); pô-lo de pé novamente leva anos ou até décadas. É como a floresta que arde…
A grande responsabilidade, pois, de tudo o que se tem passado recai no Poder Político, devido à sua reiterada ignorância, má-fé, irresponsabilidade e, até, revanchismo.
No meio disto tudo, as Forças Armadas estão isentas de responsabilidades? Infelizmente não estão.
As Forças Armadas sendo a instituição nacional mais antiga e hierarquizada da Nação, juntamente com a Igreja (por isso têm sido as mais atacadas), estão muito dependentes dos comandantes que têm e cuja hierarquia culmina nos respectivos Chefes de Estado-Maior. Embora nem tudo se possa ou deva empurrar para cima…
O que é um facto é que, sobretudo depois das chefias militares terem passado a ser essencialmente escolhidas através de critérios políticos, desde o primeiro mandato do Professor Cavaco Silva, como PM, as coisas pioraram significativamente.
Percebe -se que estejam à partida condicionados, mas não se pode aceitar tal estado de coisas.
Ora o que se tem verificado é que a hierarquia militar deixou de existir em termos práticos: ninguém os vê - a não ser com ar de perú em vésperas de Natal, a espreitarem atrás do senhor Ministro – e é raro conhecer-lhes uma ideia, um pensamento, uma doutrina.
Não se sabe o que fazem e ninguém lhes liga nenhuma.
Não se conseguem, por norma, entender sobre coisa alguma, e têm dificuldade em fazer frente seja ao que for. E quando o fazem não se sabe nada. Resultado, continuam a não lhes ligar peva.
Afirmam sempre comedidamente que têm de trabalhar com o dinheiro que o governo da Nação (como se esse termo pesasse alguma coisa no conceito dos actuais políticos) atribui aos Ramos, mas não se manifestam quanto à impossibilidade de continuarem a cumprir qualquer missão atribuída, seguindo a velha máxima que não há dinheiro a menos mas sim missão a mais...
Às vezes (poucas) chega-lhes a mostarda ao nariz e demitem-se, nem sempre pelos melhores motivos. Uma atitude que após dois minutos de “glória”, se torna inconsequente, não só porque não tem repercussão nas fileiras e vem logo outro, prestes, ocupar o lugar (ficando ainda mais na mão do ministro que o indigita), e porque depois de se “libertar” do fardo, nunca explicam minimamente as razões que os levam a abandonar a função.
Por isso tem faltado aqui muita coragem, o que desde tempos imemoriais é considerada uma virtude e um atributo dos militares…
E já nem falo daqueles que se deslumbram pela fofice das alcatifas…
Tudo, porém, muito bem explicado e camuflado através de termos como “sentido de Estado”; “prudência”; “não prejudicar o Ramo”; Ética, etc., e, por vezes, um mais pueril “não estou para me chatear”.
Acho que serve para aliviar a consciência.
O ridículo é tanto que quando foi do ataque às torres gémeas, em Nova Iorque, em 2001, colocou-se o País no estado de ameaça “Alfa”; até hoje “esqueceram-se” de o modificar…
                                                           *****
                                                           “R.I.9
                                                           As sentinelas dos terrenos do paiol farão fogo
                                                           sobre quem tente escalar os muros.
                                                           1948”.
                                                               Dizeres escritos numa placa de rocha
                                                               Existente nos terrenos do mesmo. [1]
Finalmente sobre a gravidade do roubo dos paióis, ainda parece que querem agravar tudo.
Não há soldados para fazer nada; não há cabos quarteleiros para pernoitarem e, ou, cuidarem dos paióis; não há sequer por vezes, já, oficial de dia, mas sim um graduado de serviço – que por norma não tem pessoal para fazer o serviço…
Não há dinheiro nem pessoal para manter ou substituir vedações; os espaços entre os paióis não estão minados pois isso é contra os “direitos do homem”; não há electrificação das redes pois não há dinheiro para tal tecnologia “de ponta” que ainda se arrisca a matar uma ovelha que se encoste; o sistema de vídeo vigilância estava avariado, etc.
O pessoal da ronda passava de quando - em - vez, e ainda bem que desta vez não passou, pois se tivesse confrontado os assaltantes, ou não faziam nada e davam meia volta ou arriscavam-se a ser abatidos.
Porquê, perguntarão: por duas gravíssimas razões: primeiro porque o poder político não quer que os militares possam defender violentamente as instalações e material à sua guarda não lhes outorgando autoridade para tal.
Deste modo qualquer sentinela que pregue um tiro em alguém está tramado para o resto da vida e, pelos vistos, não pode esperar que alguém assuma a responsabilidade do acto. Mas também porque, desde o tempo do General Firmino Miguel, como CEME, o pessoal de serviço ou não tem munições reais ou estas existem em carregadores específicos que estão por regra, lacrados e, ou, têm duas a três munições de salva, por cima da primeira munição real. [2]
              Todos os responsáveis sabem que isto é verdade.
Por tudo isto, há muito que as Forças Armadas Portuguesas se podem considerar decalcadas da célebre charla da guerra do Solnado![3]
Acresce que há enormes suspeitas de que pode haver conivências do interior, o que não espantará vivalma, dado que, desde 1974, que não temos serviços de informações (e há muito que estão entregues a pessoal aparentemente membro das Maçonarias…); os registos criminais deixam muito a desejar e o crivo não é grande coisa. Parece que também é contra os direitos do homem, agora também dos animais.
Ora o General - Chefe de Estado-Maior do Exército, aqueles que o antecederam, bem como os dos outros Ramos, estão carecas de saber tudo isto que acabei de dizer.
E não podem alegar que não sabem, pois isso significaria que seriam ignorantes, incompetentes ou estiveram a dormir na forma.
E por isso se estranha também, porque é que segundo notícias vindas a público, o CEME terá exonerado (temporariamente) quatro Coronéis e um Tenente-coronel sitos nas unidades militares da área de Tancos. E tenha acrescentado que seria para não “interferirem” nas investigações (será que os segundos comandantes já não interferem?).
Se isto é verdade, é muito grave: primeiro essa da exoneração temporária, não existe nem faz qualquer sentido (o PR já enviou até um remoque acerca disto!) – tão pouco foi aplicada no recente processo ocorrido nos “Comandos”; e dar como racional, a hipotética interferência dos seus comandantes (como?) no processo, é de uma inconveniência e gravidade extremas. E que irá ter consequências.
Aparenta, até, ser uma manobra dilatória, de mãos dadas com o senhor MDN a fim de salvaguardarem os seus imaculados traseiros.
A situação é de tal modo grave (algum dia tinha que rebentar) que o Conselho de Chefes Militares, não se deve alhear, como costume, do que se passa. Isto toca a todos e deixou apenas de ser uma derrocada institucional e nacional (há muito anunciada), para passar a ser uma vergonha internacional inominável.
Só falta assistirmos a um General CEMGFA vir frente às camaras dizer que está tranquilo…
E sobre os assaltantes que, pelos vistos entraram calmamente pela porta do paiol, ninguém sabe nada.
Podem, senhores governantes limpar as mãos à parede e agora já nem conseguem responsabilizar o “cabo quarteleiro”, pelas simples razão de que é uma figura do passado.
O País e as Forças Armadas só não bateram no fundo por isto: deixou de haver fundo.
Não foi nestas Forças Armadas em que assentei praça.
E sinto-me envergonhado.


                                                        João José Brandão Ferreira
                                                            Oficial Piloto Aviador





[1] R.I.9 – Regimento de Infantaria 9, na altura sito em Lamego.
[2] Para além disso, há muito que o comum dos militares só pode dar 10 tiros reais, para não defraudar o real tesouro e por isso se tornar um risco dar poderes a um sentinela sobre coisas que ele não domina…
[3] Alerto há anos para a forte possibilidade de um dia haver um atentado em Pedrouços, onde estão reunidos, cursando, centenas de oficiais. Pois bem, há muito que não há sentinelas e à Porta de Armas está um elemento de uma empresa de segurança civil…

terça-feira, 4 de julho de 2017

Entrevista rádio

 Santiago de Guimarães, sobre incêndios e emprego de meios aéreos


https://www.youtube.com/watch?v=Nwt8yRkRrE4&feature=share

OS “COMANDOS” E O SEU DIA



OS “COMANDOS” E O SEU DIA
3/07/17

“Senhor, umas casas existem no vosso reino onde homens vivem em comum, comendo o mesmo alimento, dormindo em leitos iguais. De manhã a um toque de corneta se levantam para obedecer. De noite a outro toque de corneta se deitam, obedecendo. Da vontade fizeram renúncia como da vida. Seu nome é sacrifício. Por ofício desprezam a morte e o sofrimento físico. Seus pecados mesmo, são generosos, facilmente esplêndidos… Por essa divina humildade que os faz semelhantes a coisas eles se levantam acima de outros homens. Corações mesquinhos lançam-lhe em rosto o pão que comem como se os cobres do pré pudessem pagar a Liberdade e a Vida. Publicitários de vista curta acham-nos caros de mais, como se alguma coisa houvesse mais cara que a servidão. Eles, porém, calados, continuam guardando a nação do estrangeiro e de si mesma. Pelo preço da sua sujeição eles compram a liberdade para todos, e a defendem da invasão estranha e do jugo das paixões. Se a força das coisas os impede agora de fazer em rigor tudo isto, algum dia o fizeram, algum dia o farão. E desde hoje é como se o fizessem. Porque por definição o homem de guerra é nobre. E quando ele se põe em marcha à sua esquerda vai a coragem e à sua direita a disciplina…”
Moniz Barreto
In “Carta a el-Rei de Portugal”, 1896

                No pretérito dia 29 de Junho o Regimento de Comandos comemorou o 55º aniversário da criação desta especialidade no seio do Exército Português.
               O objectivo, na altura, era conseguir um corpo especial de tropas devidamente preparadas para combater duramente a subversão e a guerrilha, que tinham irrompido em Angola no fatídico dia 15 de Março de 1961.
                Um genocídio que, se as autoridades políticas em Lisboa tivessem um pouco de pundonor, não deixariam esquecer tanto a nível jurídico internacional, como a nível da memória colectiva nacional.
                Estes assuntos não prescrevem, nem devem prescrever.
                A cerimónia decorreu nos seus moldes tradicionais mas sentia-se no ar um ambiente, não direi pesado, mas sim algo triste, a que não é seguramente alheio a pequena tragédia ocorrida durante a instrução do último curso de comandos e as ondas de choque que criou, cujas consequências estão longe de estar sanadas.
                O abalo no Moral da “tropa” é extenso e não vale a pena esconder o sol com a peneira.
                E muita coisa vai correr ainda em tribunal.
                É preciso reagir.
Esta reacção creio, começou agora com o discurso do novo Comandante da Unidade um discurso atípico num Coronel do Exército em eventos deste jaez, que chamou alguns bois pelos nomes sem rodriguinhos de diplomacia barata.
               Em primeiro lugar foi original nas saudações iniciais, não se limitando a repetir a “choca” existente para estas ocasiões, mas deu-lhe uma saudável nova aragem.
             O que de resto levou o General – Chefe a responder-lhe logo no início do discurso que proferiu de seguida…
             Tocou na crucial falta de efectivos e na adequação do equipamento e armamento à evolução moderna, “itens” em situação de ruptura (digo eu, que o discurso não chegou a tanto).
            Falou na “Pátria” e na preservação dos “valores”, assunto que no País, e sobretudo na classe política, constituem uma espécie de buraco negro do espaço…
           Fez referências históricas adequadas, ligando-as aos antigos combatentes e às actuais missões fora de portas – estando disponível para todas as missões, mesmo as mais arriscadas, coisa cada vez mais rara em exércitos com algum gabarito - acrescento eu uma vez mais…
          E como é tradicional, resumiu os principais eventos em que a sua unidade esteve envolvida, tendo uma palavra de camaradagem para quem o antecedeu, não se esquecendo da evocação dos falecidos. E tudo isto bem escrito e bem dito, coisa que vai sendo rara.
Na parte final do discurso, referiu-se à generalidade da comunicação social, acusando-a, com razão, do muito mau serviço jornalístico e informativo de que não raras vezes alardeiam.
Infelizmente, caro comandante, à míngua de leis adequadas enformadoras da liberdade de expressão e de imprensa; da falta de preparação e escrutínio profissional e deontológico a nível da Escola e da Empresa, e da lentidão da Justiça, que um conjunto de leis inadequadas potencia, só há uma maneira de lidar com os maus jornalistas: é como usava fazer o grande soldado que foi Paiva Couceiro!
Não é por acaso que, à parte os políticos – que não podem sequer ser confundidos com uma profissão – os jornalistas são das classes profissionais mais desacreditadas no País. [1]
                Por tudo, caro coronel, os meus parabéns, respeitos e desejos de bom comando.
                Assistir à cerimónia é, porém, uma dor de alma, senão vejamos:
                A fanfarra e a Banda do Exército, pareciam ter tantos ou mais elementos do que militares com a especialidade “Comando”, existentes em parada[2]; os convidados sentados nas tribunas aparentavam somar maior número do que a totalidade da formatura; 14 (catorze), foi o número que consegui contar relativamente aos instruendos que restam no curso que está a decorrer, que por vicissitudes relacionadas com o passado muito recente, não acabaram ainda a instrução o que os impediu de receber a boina e o “crachá”; e, até, o número de antigos comandos que normalmente são convidados neste dia par virem à “casa mãe”, estava muito longe de dias de outros tempos.
              É preciso ainda, ter sempre presente que um dia cerimonial pode ser um dia atrativo para atentados e a segurança, apesar de ser mais difícil, nunca deve ser descurada.
                O ponto alto da cerimónia (e este dizer, só me responsabiliza a mim) foi a outorga do título de “comando honorário” ao General Rocha Vieira. Quando o Comandante da Unidade, seguindo o ritual lhe perguntou, “queres ser comando”, a resposta foi espontânea, clara, firme, forte e dita com espírito de Alferes (se é que me faço entender) – quero!
                Creio bem que as palavras seguintes, também do ritual, “então vai e cumpre o teu Dever”, serão cumpridas escrupulosamente.
                As coisas não estão de feição e estão à vista de todos.
                Vai ter que ser como na Infantaria, “Ad Unum”.
                Até ao último.


                                                               João José Brandão Ferreira
                                                                    Oficial Piloto Aviador





[1] E mais uma vez ignoraram, na sua esmagadora maioria, a cerimónia sobre que ora escrevemos.
[2] Há várias décadas que as Bandas de Música Militares são as únicas unidades das Forças Armadas que têm os seus quadros orgânicos completos…

domingo, 2 de julho de 2017

Para Meditar...



24/06/2017
NO VENTRE DE UMA MÃE HAVIA DOIS BEBÉS.
UM PERGUNTOU AO OUTRO:
“ACREDITAS NA VIDA APÓS O PARTO?”
O OUTRO RESPONDEU: “É CLARO. TEM QUE HAVER ALGO APÓS O PARTO. TALVEZ NÓS ESTEJAMOS AQUI PARA NOS PREPARAR PARA O QUE VIRÁ MAIS TARDE.”
“DISPARATE”, DISSE O PRIMEIRO. “QUE TIPO DE VIDA SERIA ESSA?”
O SEGUNDO DISSE: “EU NÃO SEI, MAS HAVERÁ MAIS LUZ DO QUE AQUI. TALVEZ NÓS POSSAMOS ANDAR COM AS NOSSAS PRÓPRIAS PERNAS E COMER COM AS NOSSAS BOCAS. TALVEZ TENHAMOS OUTROS SENTIDOS QUE NÃO POSSAMOS ENTENDER AGORA.”
O PRIMEIRO RETRUCOU: “ISSO É UM ABSURDO. O CORDÃO UMBILICAL FORNECE-NOS NUTRIÇÃO E TUDO O MAIS DE QUE PRECISAMOS. O CORDÃO UMBILICAL É MUITO CURTO. A VIDA APÓS O PARTO ESTÁ FORA DE COGITAÇÃO.”
O SEGUNDO INSISTIU: “BEM, EU ACHO QUE HÁ ALGUMA COISA E TALVEZ SEJA DIFERENTE DO QUE É AQUI. TALVEZ A GENTE NÃO VÁ PRECISAR DESTE TUBO FÍSICO.”
O OUTRO CONTESTOU: “ALÉM DISSO, SE HÁ REALMENTE VIDA APÓS O PARTO, ENTÃO, POR QUE NINGUÉM JAMAIS VOLTOU DE LÁ?”
“BEM, EU NÃO SEI”, DISSE O SEGUNDO, “MAS CERTAMENTE VAMOS ENCONTRAR A MAMÃ E ELA VAI CUIDAR DE NÓS.”
O PRIMEIRO RESPONDEU:”MAMÃ, ACREDITAS MESMO NA MAMÃ? ISTO É RIDICULO. SE A MAMÃ EXISTE, ENTÃO, ONDE ESTÁ ELA AGORA? ELA ESTÁ AO NOSSO REDOR. ESTAMOS CERCADOS POR ELA. NÓS SOMOS DELA. É NELAQUE VIVEMOS. SEM ELA ESTE MUNDO NÃO PODERIA EXISTIR.”
DISSE O PRIMEIRO: “BEM, EU NÃO POSSO VÊ-LA, ENTÃO, É LÓGICO QUE ELA NÃO EXISTE.”
AO QUE O SEGUNDO RESPONDEU: “ÀS VEZES, QUANDO ESTÁS EM SILÊNCIO, SE TE CONCENTRARES E REALMENTE OUVIRES, VAIS PERCEBER A PRESENÇA DELA E OUVIR A SUA VOZ AMOROSA.”

ESTE FOI O MODO PELO QUAL UM ESCRITOR HÚNGARO EXPLICOU A EXISTÊNCIA DE DEUS.