sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A ESTUPIDEZ TEM LIMITES!



A ESTUPIDEZ TEM LIMITES!
01/11/16

                                                            “A Europa não está preparada para acolher os refugiados
                                                             do Médio Oriente e a emigração apresenta uma ameaça
                                                             maior para o mundo do que a guerra no seu país.
                                                             Se os EUA e a Rússia se juntarem, o EI não durava um mês!”
                                                               Patriarca Gregório III, da Síria.
                                                               (Devia ser contemplado com o prémio nobel da sensatez…)

                Mesmo, ou sobretudo, quando se trata de emigração clandestina, migrantes ou refugiados.
            Como veiculado pelos “media”, aparenta existir um plano gizado por esse portento de preclaras ideias, sem dúvida interiorizadas desde o tempo de militância no “MR Pum Pum”, de seu nome Ana Gomes, verdadeiramente revolucionário.
                Que congemina então a actual eurodeputada do alto do seu vencimento de 15.000 euros mensais (números redondos e já com alcavalas)?
                Pois que Portugal – país que, se presume, ela tenha pelo menos uma vaga ideia histórica e sociológica – deve acolher os membros (cerca de 500) de toda uma aldeia iraquiana, formada por uma comunidade étnico-religiosa curda – os Yazidis - cuja religião é um derivativo sincrético de ideias religiosas do Médio Oriente, Zoroastrismo e até possivelmente alguma tradição heterodoxa muçulmana do Islão Sunita, do Século XII.
Por sinal um dos grupos mais perseguidos e maltratados pelos maioritariamente Sunitas do EI, Daesh ou ISIS, conforme a hora e o lugar onde são apelidados.
                É curioso verificar como é que governantes de um país que sempre foi maioritariamente católico, não mostre a menor apetência em acolher refugiados cristãos, que andam a ser perseguidos justamente por muçulmanos, por esse mundo fora.
                Devem estar a seguir – os que defendem estas medidas e se têm mostrado maioritariamente inimigos da Igreja – os ditames e exemplos de Sua Santidade o Papa e a Santa Sé, os quais, Deus me perdoe, não acertam uma sobre este tema, ultimamente!
                Mas esta medida, que certamente será apoiada pelo novel Secretário-Geral da ONU, o nosso António (Tonecas para os amigos) Guterres – eleito com mérito próprio e da diplomacia portuguesa para um lugar que sendo um dos mais visíveis da cena internacional, não tem servido em rigor para nada – arrisca-se ser a primeira consequência negativa do seu “magistério”, para com o seu país.
                Tal tem correspondência com um quase sósia seu em termos de picareta falante e discurso manso, formado no ISEG – What else? - que apareceu do nada, à frente de uma “Plataforma de Apoio aos Refugiados” e que passou a ser figura grada nas pantalhas.
                Mas o que quererá efectivamente, a nossa desditosa deputada, aparentemente apoiada por este “extraordinário” governo tuga?
                Dar consequência prática às declarações do nosso sorridente primeiro-ministro, quando teve o despautério inqualificável, de defender a repovoação de aldeias de Trás-os-Montes com refugiados sírios?
                Arranjar um “Bantustão” no meio do Alentejo?
                Conseguir núcleos (pústulas?) de minorias que nada têm a ver connosco (não, oh crentes e ingénuos, eles não são famílias como as nossas!) com os mil problemas que isso vai acarretar num futuro próximo e a médio prazo?
Não lhe chega já o problema com os ciganos com o qual lidamos há séculos e que nunca conseguimos integrar, pelo simples facto deles nunca se quererem integrar? Quem é que é racista aqui? Experimentem aliviar a vigilância das forças de segurança sobre eles e vão ver o que acontece!
Mas vamos a coisas práticas:
                Estas 500 pessoas vinham para cá e instalavam-se onde?
                Ocupavam uma ou mais aldeias já existentes? Quem pagava e fazia as infraestruturas?
                Viviam de quê? Oferecíamos-lhes os rebanhos (já agora convinha ser da raça a que estão habituados), as sementes, o forno comunitário, as roupas, obviamente adquiridas num bazar mourisco, etc.?
                Estavam isentos de impostos? A polícia portuguesa poderia entrar na aldeia? E a justiça quem a faria?
                Querem mantê-los “coesos”, para quê? Para terem mais força? Ficam cá para sempre ou depois desmontamos a “aldeia” e tornamos a montá-la algures no Médio Oriente? Ou eles doam tudo graciosamente?
                Ou, porventura, até, com um subsídio da UE construímos de raiz uma aldeia nova, parecida com a sua, em termos de clima, arquitectura, paisagem, etc., à semelhança do que se fez com a Aldeia da Luz, aquando do enchimento da barragem do Alqueva?
                A estupidez tem limites.
                E a seguir a estes vêm mais? Vão dar-lhes um pedaço do território? Arrendar-lhes?
                Porque será que os responsáveis portugueses que não têm dinheiro para mandar cantar um cego (a não ser o que pedem emprestado), e têm de momento, o problema da emigração sobre razoável controlo, se afadigam a querer que “eles” venham?
                O surrealismo é marciano!
                “Eles”, coitados, não querem, eis senão quando desatam argelinos a fugir no aeroporto de Lisboa, perante o pasmo geral…
                Será que já anda aí alguma organização clandestina – que aliás medram à custa da “democracia…” - que já anda a montar mais um negócio?
                Como se pode ter respeito ou acreditar em políticos e dirigentes desta laia?
                E porque é que se nota uma estranhíssima quase unanimidade na comunicação social (favorável à estupidez), quando a opinião pública é maioritariamente (o que inclui os membros da Igreja) contra toda esta casta de idiotices que se passam debaixo da capa de filantropia humanitária?
                Não estamos perante uma operação de censura e de mistificação formidáveis?
                Ainda não se percebeu que à pala de um falso humanitarismo (a verdadeira coisa sensata a fazer seria acolher as pessoas em campos de refugiados e fazer a triagem dos mesmos, em emigrantes ilegais, bandidos e verdadeiros refugiados, devolver os primeiros à procedência; os segundos, postos na pildra e preparar as condições para os últimos poderem regressar aos seus países, pois os problemas devem ser resolvidos lá), que a continuar assim, irá originar convulsões terríveis que serão priores para todos?
Esta insanidade tem que parar.
Atentem ao menos num velho provérbio português: “Metemos em casa, quem dela nos põe fora”.
Tem de haver limites para a estupidez.


                                                                                                         João José Brandão Ferreira
                                                                                                         Oficial Piloto Aviador

II COLÓQUIO SOBRE A GRANDE GUERRA DE 1914-1918

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domingo, 23 de outubro de 2016

UMA BALSA À DERIVA, CHAMADA PORTUGAL






UMA BALSA À DERIVA, CHAMADA PORTUGAL
21/10/16


“É necessário um sabre tendo ao lado um pensamento”.
Eça de Queirós, 1890.


            O recente despacho do Ministro da Saúde, datado de 28 de Setembro, que obriga os hospitais a controlar a despesa, obrigando à autorização prévia de qualquer “investimento” (o que inclui, por exemplo, a reparação de um equipamento), é o mote deste escrito.
            Salazar equilibrou as finanças em menos de dois anos.
            É certo que o “deficit” e a dívida, não eram tão elevados como hoje, mas não deixa de ser certo que o país estava a sair de 18 anos de granel, quarteladas mensais e bombas nas ruas.
            A banca internacional já existia, mas não existia o BCE, nem o euro.
            A “Troika” da altura (a Sociedade das Nações) quis impor-nos condições leoninas, mas estas foram rejeitadas. O que se conseguiu “iludir” e ultrapassar foram a grande depressão de 1929 e a crise da libra de 1931…
            Salazar impôs uma ditadura financeira, que estava apoiada nas baionetas da grande maioria dos militares e não tinha a cáfila do compadrio e, ou, querelas partidárias a estorvá-lo – os grandes causadores da crise em que o país então se encontrava.
            Hoje, isto é, desde 2010, também se ensaiou uma ditadura financeira só que o modo como se quer resolver “a crise” é em tudo diferente, do que se passou há quase cem anos. E é diferente para pior, mesmo pondo de parte a diferença de categoria entre os protagonistas de então e os actuais.
            Agora as forças políticas que querem resolver o buraco e o desregramento financeiro existente são as mesmas que o criaram com a sua incompetência, demagogia, antipatriotismo e incontinência para o negócio (já nem falo noutras coisas); estão prisioneiros da tralha partidária; não existe doutrina nem rumo definido, fora as alterações constantes derivadas das eleições; dizem hoje uma coisa e amanhã outra, com a maior desfaçatez; estamos tolhidos por tratados internacionais que nunca deveríamos ter assinado e é raro encontrar na classe política e órgãos de soberania, quem dê o exemplo de contenção, justiça relativa e moralidade.
            Os recentes anúncios dos vencimentos dos novos administradores da Caixa Geral de Depósitos, por ex., são de uma escabrosidade inusitada! E não há pingo de demagogia no que estou a dizer: a brutalidade da afirmação apenas condiz com a gravidade do erro, da injustiça e da imoralidade!
            Ora ninguém vai atrás, ou está de boa vontade, com aqueles que não dão o exemplo.
            Enquanto ministro das finanças e depois como presidente do conselho de ministros, Salazar inspirou ou propôs muitas leis, mas assim que estas eram decretadas ele era o primeiro escravo delas.
            As leis foram sempre poucas mas eram maturadas, não continham excepções nem “alçapões”, estavam escritas em bom português e não havia recurso a “outsourcings”.
            Mas a verdadeira diferença que pretendo trazer à colação com o recente exemplo deste despacho da “geringonça” – até este termo se coaduna com as trapalhadas actuais e contrasta com a seriedade de antanho – é o que ele representa.
            Notem, o “tio” António, impôs limites estritos nas diversas rubricas do orçamento de cada ministério, e nenhuma despesa extra era permitida sem a sua chancela, mas não interferia na gestão que os diferentes responsáveis faziam das verbas que lhes cabia gerir.
            Hoje é o que se vê, um director hospitalar não tem competência para comprar um rolo de papel higiénico, da mesma forma que um general chefe de estado-maior não consegue promover um soldado sem a anuência de um amanuense qualquer, do Ministério das Finanças.
            E o “outro” é que era um ditador!...
            Tudo isto, além de entupir os canais hierárquicos e burocráticos, desautoriza toda a estrutura dos diferentes ministérios e não só, trata toda a gente abaixo da menoridade mental e desmoraliza qualquer pobre de Cristo, o qual na melhor das hipóteses se senta a um canto e deixa o tempo correr.
            É uma clara demonstração de incompetência, arrivismo, desconfiança e falta de saber e capacidade em responsabilizar seja quem for, pois é disso sobretudo, que se trata.
            É uma clara demonstração de fraqueza, escondida atrás do maior absolutismo esclarecido, que deixaria o Sebastião José - também conhecido por Marquês de Pombal - com as faces ruborizadas!
            De facto não há sabre nem pensamento que nos salve; apenas existe uma balsa sem leme nem timoneiro e com os ocupantes a baterem nos remos uns dos outros.
            Iremos parar, pois, onde a “corrente” nos levar…
            Vamos, porém, contentes, pois conseguiram meter na generalidade das cabeças, que esta calamidade moral e política onde vegetamos se chama um “estado de direito democrático”.




                                                                          João José Brandão Ferreira
                                                                             Oficial Piloto Aviador

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

5 DE OUTUBRO DE 1910: INFAUSTA DATA!



5 DE OUTUBRO DE 1910: INFAUSTA DATA!



8/9/16

“Atolados há mais de um século no mais funesto dos ilogismos políticos, esquecemo-nos de que a unidade nacional, a harmonia, a paz, a felicidade e a força de um povo não tem por base senão o rigoroso e exacto cumprimento colectivo dos deveres do cidadão perante a inviolabilidade sagrada da família, que é a célula da sociedade; perante o culto da religião, que é a alma ancestral da comunidade e permite o culto da bandeira, que é o símbolo da honra e da integridade da Pátria.
Quebrámos estouvadamente o fio da nossa História, principiando por substituir o interesse da Pátria pelo interesse do partido, depois o interesse do partido pelo interesse do grupo, e por fim o interesse do grupo pelo interesse individual de cada um”.
Ramalho Ortigão

Comemorou-se, mais uma vez, a implantação da República, com a presença do actual Presidente da mesma.
É um feriado de má memória.
As revoluções, como tudo na vida, valem ou devem ser avaliadas e julgadas, pelos seus resultados, no que deram origem a coisas positivas para a vida em sociedade e o prestígio e a dignidade da Nação.
Ora não consta que do 5 de Outubro de 1910, salvo uma ou outra medida pontual, tenha resultado algo de positivo.
Antes pelo contrário, deu origem a um descalabro político, social, económico, financeiro e moral, catastrófico, que desqualificou o país e demorou 16 anos a parar e muitos outros a inverter.
Foi, por isso, uma data das mais funestas de toda a História de Portugal.
Quando o governo do jovial Passos Coelho cometeu a inabilidade de querer mexer nos feriados, poderia ter feito uma boa acção mudando a razão deste – essa sim relevante – para a comemoração do Tratado de Zamora, assinado no mesmo dia, mas em 1143.
Assim não se fez e, por isso, o 5 de Outubro devia ser um feriado de profundo silêncio e meditação.
A Monarquia estava, sem embargo, ferida de morte, desde a revolução - maçónica e jacobina – que implantou o Liberalismo em Portugal, em 1820.
Esta revolução estilhaçou a coesão nacional, tornou o monarca e a família real, em figuras pouco mais do que decorativas e lançou as sementes da guerra civil. E “ela” veio e durou (e devorou-nos), por cerca de 30 anos (de facto, até 1933…).
Quando um dos nossos melhores reis, o esclarecido Rei D. Carlos I, quis assumir o que lhe competia, face à bandalheira em que o país voltara a cair, logo o assassinaram vilmente. Estava-se a 1 de Fevereiro de 1908.
Dali ao 5 de Outubro (de 1910) foi um pulo recheado de ignomínias.
É certo que foi o comportamento cobarde e pouco esclarecido, quando não traidor, de muitas figuras monárquicas bem como a acção desprezível, corrupta e inepta dos partidos políticos monárquicos, os principais culpados do avanço dos republicanos - que, note-se, gozavam das maiores liberdades para a sua acção política e social – e na falta de coragem na repressão das sucessivas ilegalidades que foram cometendo.[1]
De tal modo assim foi, que um arguto jornalista, creio que brasileiro, telegrafou para a sua redacção, no dia 5/10, noticiando que “após várias tentativas, alguns grupos de monárquicos conseguiram implantar a República em Portugal”. Queria ele dizer, em Lisboa, já que para o resto do país, a mesmo entrou em vigor por telégrafo…
De facto, foi uma organização subversiva, revolucionária e secreta, importada, que dava pelo nome de Carbonária, que teve a despesa da acção.
Criou células, infiltrou quartéis, sobretudo na Armada, e eram exímios na utilização de “bombas”.
Mesmo assim, quase tudo falhou, salvando-se 500 civis, poucos sargentos e um guarda-marinha – que montou a cavalo pela primeira vez nesse dia – de seu nome Machado Santos, e meia dúzia de peças de artilharia, que se entrincheiraram na Rotunda. E dois cruzadores amotinados no Tejo.
A Marinha e o Exército, basicamente deixaram cair a Monarquia (que tinham jurado defender), e as forças fiéis que restavam, renderam-se sem que nada o justificasse, a não ser o desnorte e a desmoralização reinante.
O regime estava podre e não encontrou forças para se regenerar. Foi por isso que o “Estado Novo” substituíu um e outro.
Os Republicanos podiam ter aproveitado a oportunidade que tiveram, quase de bandeja, e o país apalermado, que lhe ficou aos pés, mas desbarataram tudo numa sucessão inacreditável de erros e enormidades que todos os adjectivos depreciativos existentes, não chegam para qualificar.
Facto a que não era estranho a iniquidade ideológica que os orientou, caracterizada por ser uma transposição serôdia de 100 anos, do pior que a Revolução Francesa pariu; misturada com os erros da Maçonaria, o fanatismo dos Carbonários, o anticlericalismo militante, misturados com as mais extravagantes loucuras que o género humano é capaz de conceber.
Uma espécie do mesmo que aconteceu após o 25 de Abril de 1974 (e parado apenas parcialmente, a 25/11/75), mas num estádio assaz mais primitivo.
Fez “bem” o actual Presidente da dita, em escolher este dia para condecorar o cidadão Manuel Alegre, lídimo representante do chamado “Grupo de Argel” (ala esquerda do PS), que se mancomunaram (infelizmente não foram os únicos) com os agora excelsos movimentos de libertação – antigamente conhecidos por “turras” – que combatiam as Forças Armadas Portuguesas, onde o celebrado poeta também assentou praça.
A coisa coaduna-se.
Só falta a esta moral e ideologicamente pestilenta III República, herdeira quase directa da primeira - bastarda, algo iberista e devorista, fundada num crime de regicídio e nunca devidamente referendada - condecorar o Costa e o Buíça, assassinos do Rei e do Príncipe herdeiro, (mais os 16 que estavam emboscados no Terreiro do Paço e em mais dois locais, e muitos outros dirigentes republicanos moralmente responsáveis, que se encontravam convenientemente “a banhos” em S. Paulo ou desenfiados das vistas do “Inimigo”, quando rebentou a revolução).[2]
Tenhamos esperança, talvez para o ano a coisa se componha.

                                   
                                                                                    João José Brandão Ferreira
                                                                                       Oficial Piloto Aviador
           



[1] Costuma apontar-se a figura de José de Alpoim, como a encarnação da traição dos monárquicos. Mas está longe de ser o único.
[2] O Costa e o Buíça foram abatidos no local; tiveram ao menos essa coragem. O processo do regicídio desapareceu até hoje. Na antiga freguesia de S. Paulo, perto do Cais do Sodré, existiam uns banhos públicos, onde se encontravam alguns dirigentes monárquicos, não fosse a revolução falhar…

sábado, 8 de outubro de 2016

O 57º ANIVERSÁRIO DA BASE AÉREA Nº 5

www.emfa.pt
Ocorreu no passado dia 4 de Outubro. Fui assistir.
 
Coincidiu também, com o facto de fazer 40 anos que lá me apresentei (os militares ainda se “apresentam”), pela primeira vez. Mas não estou a escrever por isso; apeteceu-me, simplesmente.
 
Assistir a uma cerimónia militar digna, é sempre um lenitivo para o espírito e um bálsamo para a alma, o que ajuda a retemperar o cada vez mais alquebrado corpo. Foi o caso.
 
Numa cerimónia militar tudo tem o seu significado e razão de ser, todos sabem o seu lugar e função, como estar e como fazer, e nada deve estar a mais ou a menos.
 
Existe ordem, tradição e cerimonial.
 
Entre cada acto cerimonial, marca-se a sua individualidade, intervalando-a por dois toques de “firme”; “sentido” e outros dois, de “descansar”; “á vontade”.
 
Não há atropelos nem confusões.
 
Tudo está previsto e não há lugar a improvisações. Tal também se aplica à assistência e os civis devem ser benevolamente educados pelos militares relativamente à parte da compostura que lhes cabe.

 
O dia ajudou no seu azul (Força Aérea) esplendoroso, e o silêncio que ecoava do “pinhal” - termo carinhoso como na gíria se apelida a Base - alternava com os acordes da banda (em que notei melhorias de performance), os discursos e as vozes de comando.
 
Qualquer cerimónia militar começa com a chegada da entidade que preside à mesma e respectivas honras militares.
 
É a maneira como os militares recebem as altas entidades que os visitam, reconhecem e preservam o princípio da hierarquia e dão as boas vindas.
 
Como na vida militar tudo tem um carácter biunívoco, a entidade retribui, correspondendo à continência; postando-se respeitosamente frente ao Guião da Unidade e passando em seguida revista às tropas, verificando o seu aprumo, uniformização e atavio. Esta revista não deve ser feita “à pressa” ou displicentemente, por motivos que julgo óbvios (o que se cumpriu).
 
A apresentação da entidade é apenas antecedida da chamada a “sentido”, aquando da chegada do oficial mais antigo presente, que já esteja retirada do serviço activo. É mais uma vez a preservação do princípio hierárquico, da afirmação da importância da antiguidade e uma demonstração de respeito por quem já não tendo funções de responsabilidade, serviu e continua a pertencer à Instituição e à grande família militar.
 
Segue-se a integração do Estandarte Nacional, à guarda da Base, na formatura, sem o que nenhuma cerimónia militar, neste âmbito, pode decorrer.
 
Vem acompanhado da respectiva escolta, que pode ser aumentada em ocasiões mais solenes, ou disponibilidade de efectivos.
 
É o momento patriótico por excelência. Fica o Estandarte numa posição central, à vista de todos, sendo recebido em “ombro arma”.
 
É o símbolo da Nação sublimada, em cuja defesa e por quem os militares combatem e morrem – não morrem (não devem morrer) por ideologias, regimes políticos, partidos ou interesses mercenários…
 
Apresentam-se armas e abatem-se espadas; a banda toca o hino e a formatura canta e a assistência também o vai fazendo.
 
É sempre bom relembrar o que somos, no que estamos e ao que vimos.
 
O Estandarte coloca-se, então, à cabeça das tropas como deve ser o seu lugar.
 
Pela alocução do Comandante ficámos a saber o que a unidade realizou no ano transacto, e não fez pouco, o que é notável face às dificuldades existentes e aos tempos de vacas magras que vivemos – que têm atingido a Instituição Militar numa proporção lamentavelmente muito superior à generalidade do país e sobretudo aos restantes organismos e instituições do Estado.
 
Dificuldades que, por pudor, contenção e sentido de Estado, são normalmente dissipadas nestes momentos de celebração. Mas “alguém”, ou muitos, têm de o dizer nas instâncias e ocasiões apropriadas, usando os métodos adequados às circunstâncias.
 
Sendo normalmente gasto 1/5 do tempo em agradecimentos às entidades presentes, protocolo “oblige”, o segredo de um bom discurso, segue o do sal na comida: nem de mais nem de menos; e a habilidade em dizer algumas coisas relevantes e passar mensagens de uma forma que não fira o disposto no artigo quarto do RDM [1]
 
Seguiu-se a rendição do Porta - Estandarte Nacional e do Porta - Guião da Unidade e respectivas escoltas.
 
A nomeação de Porta – Estandarte e do Porta - Guião recai, respectivamente, na figura do subalterno e sargento-ajudante mais condecorados, ou considerados com mérito para a honra da função.
 
Sim, porque a função deve ser encarada como uma honra, que não é despicienda.
 
A relevância do Porta - Estandarte ficou na memória e na tradição militar nacional, desde a Batalha de Toro, em 1/3/1476, em que o Alferes – Mor de D. Afonso V, Duarte de Almeida, que empunhava o Estandarte Real, no mais aceso da peleja se obstinou em defender o símbolo de todos, mesmo depois de lhe terem cortado ambas as mãos, à cutilada, agarrando – o com os cotos e os dentes.
 
Com a sua acção e mesmo depois de derrubado, permitiu que o estandarte fosse recuperado por Gonçalo Pires, e se salvasse.
 
Ficou para a História com o cognome de “o decepado”, tendo sido levado moribundo para um hospital em Castela, onde recuperou, tendo voltado ao reino mais tarde, depois de ter merecido o respeito e consideração dos seus captores.
 
A responsabilidade de um porta - estandarte é, pois, muita: ele pode morrer, mas as “cores nacionais” têm que ser salvas e preservadas…
 
O ponto alto da cerimónia ocorre a seguir: a homenagem aos mortos.

 
É o momento dos olhos húmidos e do nó na garganta.
 
É a homenagem aos que já partiram na sequência, que se pretende perene, com aqueles que os substituíram e a quem passaram o testemunho.
 
Inicia-se com o toque “de silêncio”, em “ombro arma”, que impõe a ausência de qualquer ruído no local, que é o ambiente que melhor quadra ao recolhimento; segue-se o toque “a mortos”, em apresentar armas (posição de máxima elevação cerimonial), em que num momento de interiorização se lembram os amigos e camaradas já desaparecidos, mas que, enquanto forem assim lembrados pertencem “àqueles em quem poder não teve a morte”; pelo meio o capelão profere uma oração alusiva e no caso da Força Aérea, uma esquadrilha de aviões sobrevoa o local, executando o n.º 4, a manobra do “missing man”.
 
Finalmente a banda toca a “marcha da alvorada”, novamente em “ombro arma”, que simboliza o porvir, a esperança no futuro, a vida que se reata.
 
É altura agora de nos congratularmos com o presente e destacar publicamente, os servidores da Instituição Militar que se distinguiram no cumprimento das suas missões e deveres.
 
É a cerimónia das condecorações e entrega de prémios.
 
O exemplo que se aponta a todos…
 
Aqui o que está em causa é a importância da condecoração e não o posto ou categoria, dos condecorados; por isso a sequência é ditada pela condecoração mais elevada, independentemente da hierarquia dos agraciados.
 
Representam as condecorações, uma distinção de mérito, um prémio à competência e às virtudes militares, que não tem expressão monetária – embora tenha influência na avaliação do mérito relativo para promoção – o que evidencia mais uma vez, a condição de servidores do bem público, atribuída aos militares.
 
Situação cada vez mais difícil de “entender” pela sociedade contemporânea…
 
A cerimónia termina com o desfile das forças em parada (infelizmente cada vez mais diminutas devido à falta de efectivos existente), onde só há uma maneira de fazer as coisas, que é bem, com garbo, queixo levantado e batimento forte.
 
Outra agradável constatação pois tudo saíu certinho e até com “souplesse”!
 
Desfile de meios aéreos em formação cerrada, ao passarem as últimas tropas, como é de boa tradição e num “timing” perfeito.
 
Foi o momento do “da pele de galinha”…
 
Este desfile aéreo não deve ser posto em causa por maiores que sejam as restrições orçamentais, pois é nos meios aéreos e suas tripulações, que está centrado o âmago do cumprimento da missão, para a qual todas as restantes especialidades e órgãos concorrem.
 
E não posso, para terminar, deixar de referir a missão primária e fundamental, da Base Aérea 5, consubstanciada nas Esquadras 201 e 301, que é a da Defesa do Espaço Aéreo Nacional, e que mais ninguém pode, ou está apto, a cumprir.[2]
 
Por via desta missão e do cunho inicial que lhe foi dado pelo primeiro pessoal que a guarneceu, a partir de 1959, esta base tem um “espírito” diferente de todas as outras bases e isso é transversal a oficiais, sargentos, praças e civis; bem como às diversas especialidades existentes, havendo um maior entrosamento entre o pessoal navegante e o restante para o cumprimento das missões operacionais. [3]
 
O que nada diminui as restantes bases existentes, a velhinha e aristocrática BA1, em Sintra; a vetusta e, na altura, pólo de força e modernidade, ex-Base Aérea nº 2, na Ota; a Base Aérea nº 3, em Tancos, que transitou (mal) para o Exército e devia ser a última Base Aérea a encerrar, se alguma vez chegássemos a tanto; a BA4, nas Lages, sentinela avançada no Atlântico; a BA6, no Montijo, construída de raiz para ser a melhor base da Antiga Aviação Naval; a extinta BA7, em Aveiro, berço de tantos pilotos e a BA11, em Beja, magnífica (senão a melhor) infraestrutura aeronáutica, do inventário, cuja construção herdámos dos alemães.

 
Mas é na BA5 que está centrada a missão mais importante (não direi nobre, pois todas as missões o são), por relevante e única, do Poder Aéreo: A defesa aérea consubstanciada na aviação de caça.
 
E serão eles, dada a natureza das coisas da guerra que, normalmente, primeiro entrarão em combate, caso essa situação se venha a verificar.
 
E não é todos os dias que assistimos a uma formação de sete F-16 em escalão para a direita, entre a “inicial” e a “ruptura”, seguido da aterragem. [4]
 
Confesso que ainda fazia uma perninha.



[1] RDM – Regulamento de Disciplina Militar.
[2] Esquadra 201, Falcões, lema “Guerra ou Paz, tanto nos faz”; Esquadra 301, Jaguares, lema “De nada a forte gente se temia”.
[3] Devia-se fazer um esforço em convidar o maior número de pessoal que lá prestou serviço, para assistirem ao dia da “sua” base!
[4] Espero que não tenham a triste ideia de venderem mais dos nossos…