quinta-feira, 28 de julho de 2016

O FUTEBOL, ESSE FENÓMENO…




“Não se deve confundir a esfera armilar
com a bola do Ronaldo…”
Leal Henriques
(Técnico de voo com quem tive o gosto de voar).

Passada a “histeria” colectiva que perpassou pelo país, durante o campeonato europeu de futebol 2016, existe alguma serenidade para meditar sobre este fenómeno social, que move e apaixona multidões.
 
E, neste ponto, há desde já, uma constatação a fazer: o futebol deve ser o único desporto que atrai milhares de pessoas sem que estas alguma vez o tenham praticado; o exemplo disso é a assistência aos jogos, por um número cada vez maior de mulheres.
 
Ou seja o futebol de um simples desporto passou a fenómeno/festa social, daí (os factores interrelacionam-se) a negócio de biliões e a aproveitamento mediático e publicitário, massivo foi, de aritmético a exponencial em três décadas.
 
Por isso logo se transformou em aproveitamento político cada vez mais elaborado.
 
Neste âmbito, se pensarmos na União Europeia, existe uma contradição de monta, que poucos terão equacionado, e que é esta: como é que se pode fugir para a frente com o “mais Europa” e o “federalismo europeu” e continuar com este folclore de campeonatos onde se tocam constantemente os hinos dos diferentes países e os mais apaixonados se mascaram com os símbolos nacionais (embora desrespeitando-os mas, enfim, isso é outra discussão)?
 
E quando houver uma “Europa Unida” – o que se Deus e a Geopolítica quiserem jamais ocorrerá – como é que se vai continuar com um campeonato europeu de futebol (ou outro)?
 
Infelizmente o futebol para além deste clima de festa, tem o seu lado escuro, o lado da corrupção, dos negócios ilícitos, das tricas constantes, etc., como profusamente vem documentado quase diariamente nos órgãos de comunicação social.
 
Ora salvo melhor opinião, o futebol devia ser apenas um desporto e nada mais do que isso, não fazendo sentido o dinheiro que nele se verte; as dívidas astronómicas dos clubes; os honorários pornográficos de treinadores e jogadores; a vigarice com a outorga de nacionalidade, etc..
 
Com o “mercado” que para aí vai, o que é que distingue umas equipas das outras? E podem considerar-se como sendo de um país ou de outro, ou apenas amálgamas de nacionalidades?
 
E não seria mais interessante e útil pôr os jovens a jogar futebol do que andar a alimentar treinadores de bancada e comentadores desportivos?
 
Dizem, porém, que é disso que a “malta” gosta, mas se a maioria das pessoas passasse a gostar de caca de passarinho, também era disso que se lhes passava a dar? (No evangelho do dia 24, uma parábola justificava a destruição de Sodoma e Gomorra, por nelas, Deus não ter encontrado 10 justos…).
 
Bom, mas o que interessa é que Portugal ganhou – também com o investimento já feito no futebol, já se justificava. Façamos contas: qual terá sido a actividade em que, como sociedade, nos tenhamos empenhado mais, em termos relativos? Na investigação científica? Na Cultura? Nas Forças Armadas? Na Pesca? No Serviço Nacional de Saúde? Em formar diplomatas?
 
Não creio que alguma delas supere o futebol, mas responda quem souber.
 
Apesar de tudo a vitória foi merecida e toda a equipa foi humilde e, por uma vez, jogou com a cabeça! Teve um sabor ainda especial, por derrotarmos alguns adversários de mau porte.
 
Felizmente que, simultaneamente, fomos campeões de hóquei em patins, e outros atletas conseguiram medalhas em ginástica, vela e atletismo, etc., o que melhorou sobremaneira o conjunto dos eventos.
 
Embora não devamos engalar em arco pois o nível médio de preparação e educação física da generalidade da população, bem como o número de praticantes federados, deixa muito a desejar.
 
Mas ganhámos e isso deixa tudo o resto para trás: o verdadeiro massacre mediático que envolveu o euro 2016; o frenesim das altas figuras do Estado em quererem passar umas por cima das outras (não era melhor fazer uma escala?), para assistirem aos jogos da selecção, como se disso dependesse a salvação pública ou, já agora, o pagamento da divida! (e vejam se para a próxima combinam antes, quem paga…).
E claro, já ninguém se lembra das graves acusações que políticos da moda faziam ao “Estado Novo” e ao Professor Salazar, sobre o “ópio do povo” que, no entender deles, representava então o futebol (para já não falar em Fátima e no Fado, que graças a Deus, continuam de boa saúde!).
 
Lá se condecorou a rapaziada toda, com uma comenda, o que não estando mal, convém manter alguma contenção, senão passaremos a condecorar qualquer aluno que passe no exame da 4ª classe (quando houver), ou o cidadão da 3ª idade que atravesse a rua com sucesso…
 
Mesmo o grave acidente ocorrido com o C-130 da Força Aérea, que causou três mortos, precisamente no dia em que a selecção de futebol regressava à Pátria, com honras de escolta aérea por F-16, desde que entraram no espaço aéreo nacional, desviou por um momento as atenções de todos.
 
Compreende-se: os militares apenas cumprem as suas missões “firmes e hirtos e voltados para a frente”, para o caso de um dia necessitarem de combater e, eventualmente, morrer na defesa dos que pulavam nas ruas. Que reconhecimento ou alegria é que isso lhes pode trazer?
 
*****
Verdadeiramente notável, contudo, foram três ocorrências, que mereceram muito menor relevo, o que apenas encontra explicação no desvario moral e ideológico em que vivemos. Refiro-me à carta em que o treinador nacional Fernando Santos agradeceu a Deus a vitória obtida; o entusiasmo e orgulho dos emigrantes e as reacções de júbilo e euforia da alma portuguesa que deixámos nos antigos territórios que colonizámos.
 
Fernando Santos tinha escrito uma carta um mês antes do final do campeonato e leu-a no dia da vitória. O inusitado foi o agradecimento acima de todos a Deus Pai e à Virgem Maria (Padroeira de Portugal desde 1646…), pelo sucesso obtido. Inusitado por ser raro, em pleno século XXI um Homem fazer tal invocação em público, mesmo num país de maioria cristã e católica. E que anda muito esquecido disso.
 
Foi uma evocação espiritual no meio do materialismo mais insano.
 
Depois temos o orgulho dos emigrantes.
 
Não há memória da nossa gente criar problemas em qualquer local para onde vá. É afável, humilde, trabalhadora, cumpre as leis (o que nem sempre faz no seu país) e integra-se em qualquer sítio, seja no sertão de África, nos gelos do Canadá ou nos confins da China.
 
E faz isto tudo sem perder a sua personalidade própria.
 
Quando se juntam, dá-se-lhes uma “saudade do caraças”, da “ santa terrinha” e aí descobrem que são portugueses dos quatro costados e patriotas invictos, entre o furioso e o lamechas – coisa que quando vivem em Portugal não se dão conta (falam até mal de tudo), mesmo quando nunca o deixaram de ser!
 
Em alguns casos, nomeadamente em países europeus, alguns sofrem enxovalhos ou ouvem dizer mal da sua terra, a maioria das vezes por alimárias que não sabem do que falam.
 
De modo que a juntar ao bacalhau, ao salpicão, ao tinto e restante parafernália gastronómica, se lhes atiram com umas cançonetas que lhes soem bem no ouvido e uns eventos desportivos, em que o futebol é rei, então aquela alminha lusitana transborda que é um gosto vê-la.
 
Há que continuar assim.
 
Finalmente as repercussões deste evento nos antigos territórios ultramarinos onde ninguém perguntou a ninguém, se queriam deixar de ser portugueses, as manifestações de alegria e contentamento, foram transversais nas diferentes sociedades apenas com as excepções habituais nos transviados ideológicos e cleptocratas reinantes.
 
Se hoje se fizesse naquelas partes que Portugal já foram, um referendo isento, não tenho dúvidas que a maioria das populações votaria por uma portugalidade assumida.
 
Deve ser por isso que uns adiantados mentais da Camara de Lisboa, querem eliminar os brasões das antigas províncias ultramarinas nos jardins da Praça do Império (que também deve mudar de nome…), em Belém!
 
A CPLP tem muito para andar, mas não lhe querem dar asas…
 
O caso mais impressionante foram as imagens colhidas em Malaca.
 
O estandarte real português só esteve hasteado nesta cidade durante 130 anos (1511-1641) e a permanência esteve longe de ser pacífica. Depois de nós vieram os holandeses e os ingleses (em 1759) (que de um modo geral todos os colonizados por eles, detestam), até que se tornou independente, integrada na Malásia, em 1957.
 
Apenas existem duas pequenas aldeias de pescadores que albergam os descendentes de portugueses, a que o Terreiro do Paço tem dedicado o maior dos desprezos. Pois foi esta gente e alguns turistas lusos e outros que por lá andavam, que vibraram com a vitória das cores nacionais.
 
Não me parece que estes exemplos se passem com mais ninguém…
 
Este é um capital único que nos resta.
 
Confesso que toda a porcaria à volta do futebol me chateia e só não me absorto do que se passa porque o dilúvio mediático não mo permite. Mas confesso também, que ao ver a selecção portuguesa jogar, não consigo evitar que os pêlos do peito se ericem e o sangue corra mais rápido nas veias. 
 
Apesar do futebol ser apenas um desporto, não deixa de vir ao de cima os velhos brios que nos vêm de Ourique. Enfim, fenómenos.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Apenas um comentário: é certo que Portugal exerceu algum colonialismo mas, ao contrário da maioria dos outros países, o "haver" da Colonização, ultrapassa em muito o "Deve" do Colonialismo...





 
A Alemanha foi colonialista,

A França foi colonialista,

A Inglaterra foi colonialista,

A Holanda foi colonialista,

A Espanha foi colonialista,

A Itália foi colonialista,

Portugal foi colonialista,

Mas SÓ PORTUGAL consegue que os povos dos países por onde andou se manifestem em massa.

SOFRAM com as derrotas de Portugal como se fossem eles próprios os derrotados…

VIBREM com as vitórias de Portugal como se fossem eles próprios os vencedores

Gritam BEM ALTO

GANHÁMOS! GANHÁMOS! GANHÁMOS!

É por tudo isto, por ser-mos multiculturais, multirraciais, que esta “ Europa da treta “ não nos suporta…

Uma imagem vale mais que mil palavras.

 “Uma timorense a sofrer por Portugal em 2016, meio milénio após a primeira vela com a Cruz de Cristo ter alcançado o Mar de Banda. E há quem diga que O MUNDO PORTUGUÊS já lá vai...

Não vêem a vela bem acesa nestes olhos?

Dizem que é APENAS FUTEBOL. Não!

 É muito mais do que isso!

É RAIZ ANCESTRAL, É PASSADO VIVO, É ESPERANÇA NO FUTURO. É o assumir de uma IDENTIDADE incompreensivelmente bela e tensa.

É o desejo do BEM personificado na perfeição.

Rainer Daehnhardt

sexta-feira, 15 de julho de 2016

NÃO HÁ VOLUNTÁRIOS PARA A TROPA!




NÃO HÁ VOLUNTÁRIOS PARA A TROPA!
14/7/16
                                                                                    “As únicas nações que têm futuro, as únicas que
                                                                                    se podem chamar históricas, são aquelas que
                                                                                    sentem a importância e o valor das suas institui-
                                                                                     ções e que, por conseguinte, lhes dão apreço”.
                                                                                                                            Tolstoi
Parte da comunicação social deu-nos a conhecer as preocupações do senhor Ministro da Defesa (MDN) Azeredo Lopes, pelo facto de não haver candidatos em quantidade suficiente, para preencher as vagas existentes para voluntários e contratados, nos três Ramos das Forças Armadas (FA), nomeadamente no Exército.
Isto claro, apesar da elevadíssima taxa de desemprego existente no burgo e do sempre decrescente (ridículo mesmo) número de vagas autorizadas pelos sucessivos governos, para as necessidades do funcionamento mínimo, do sistema de forças e dispositivo, que permitam cumprir as missões superiormente definidas.
Ignoramos como é que o senhor ministro deu conta desta realidade, dado ter certamente andado distraído nas suas vidas passadas, mas suspeitamos que tal informação lhe terá chegado após informação comedida e institucional, do senhor General CEMGFA, quiçá do Conselho de Chefes Militares, que numa iniciativa ousada, patriótica e cheia de sentido de Estado, entenderam alertar S. Excelência - pondo em risco, sei lá, as suas fugazes carreiras – de tão lamentável, quanto previsível, facto.
Vou comentar, pela última vez, esta situação de indigência política, cívica e moral, a que o país chegou, pois estou fartinho de contribuir para este “peditório”.
Os antecedentes mais recuados que explicam o actual “status quo” – insisto, de indigência e menoridade – têm a ver com a funesta decisão de se acabar com o serviço militar obrigatório, que uma obnóxia revisão constitucional abriu caminho.
Depois de um “intermezzo” perfeitamente surrealista que Salvador Dali não desdenharia, e que passou pela fabulosa novela das campanhas das juventudes partidárias (excepção para o PCP), contra o Serviço Militar, que culminou no SMO de quatro (!) meses, o Parlamento acabou com esta notável demonstração de civismo patriótico, do mais elementar bom senso, que o serviço militar configurava e puseram-lhe um fim, “de facto”, em 19/09/2004 (a argumentação de que o SMO tinha falhas – o que era verdade – não colhe, pois o que era necessário fazer era emendar as falhas e não causar a falha maior que foi extingui-lo!).
As chefias militares, de então, vá-se lá saber porque bulas, ficaram a ver navios no alto de S. Catarina, aliás como tem ocorrido com todas as decisões de alguma importância relativamente à Instituição Militar (tribunais; RDM; colégios; IASFA; congelamento de promoções; LPM; saúde militar; ensino, EMFAR, etc., etc., enfim tudo!).
Tal decisão obrigou, de imediato, a IM a concorrer no mercado de trabalho com as outras profissões, mas com meios limitadíssimos para que pudessem fazer face ao mesmo. E iniciou-se uma deprimente e desadequada mudança no sentido da funcionalização da nobre profissão das armas e de uma “civilização” acelerada das estruturas do MDN e não só.
Foi o “estar” em vez do “Ser”!
As razões para a falta de voluntários fundam-se nos factos seguintes:
Em primeiro lugar na falta de empenhamento político. A primeira coisa que fizeram foi passar a bola, isto é, a responsabilidade de arranjar voluntários para os Ramos das FA! Que não tinham os meios, a experiência, nem lhes devia caber, tão pouco, a responsabilidade de tal ónus.
E já se ouviram responsáveis políticos culparem os Ramos de não serem suficientemente “atractivos”! Que cáfila despudorada!
A falta de empenhamento político transparece também, nos programas escolares. A Instituição Militar representa um buraco negro, nos manuais. Nos livros por onde estudei, desde muito novo, falava-se no “glorioso exército português”…
Em segundo lugar temos que contar com a miserável campanha de silenciamento de tudo o que se passa na IM, sobre as missões que cumprem, o conhecimento das suas acções e dos seus valores, rituais e historial.
E nisto, a maior responsabilidade não deixa de caber também aos políticos, mas cabe também, em grande medida, à generalidade da comunicação social e resume-se nisto: o que não passa na televisão não existe!
E o pouco que vê a luz do dia é de um modo geral medíocre, visa a exploração do que corre eventualmente mal, faz a crítica pela crítica, quando não é maldoso.
Por sua vez, os responsáveis políticos o mais que se atrevem a fazer, por norma, (apesar de quase nunca fazerem criticas, em público) é a de exalar frases redondas e de circunstância.
Como é que se pode esperar que os jovens venham alistar-se quando o pouco que lhes chega sobre as FA tem estas características?
Em todo este processo as FA, em termos de relações públicas e de comunicação social, apesar de muito aperreada pelos poderes do Estado, não têm tido o querer e, ou, o saber para dar a volta à equação. E de facto não é fácil dar a volta à situação quando o “inimigo” se encontra onde supostamente devia fazer parte das “forças amigas”…
Em terceiro lugar, temos o aviltamento da sociedade, onde passou a imperar o relativismo moral, o ataque aos princípios, às instituições, à família; ao patriotismo, a tudo enfim, que mantenha a prevalência do bom que há na natureza humana e permitia uma evolução social e nacional saudável.
Ou seja criou-se uma sociedade cujos valores são perfeitamente antagónicos quando não inimigos, daqueles veiculados e exigidos pela vida militar e que ainda se vai tentando preservar quarteis adentro.
Como é que se pode querer que um jovem que está habituado a passar de ano sem estudar e sem saber; que se levanta às horas que quer; que não tem respeito a professores, pai e mãe; inchado de direitos e relapso a deveres; cheio do seu individualismo, egoísta, que não sabe estar conforme as circunstâncias; ignorante de tudo, pendurado na tecnologia alienante e escravo do “deus mamon”, vai querer entrar para o serviço militar, onde lhe impõem regras e horários; tem que se vestir e ataviar adequadamente; onde o fazem transpirar quando não lhe apetece; dão-lhes ordens a que ele tem de obedecer; onde o conjunto prevalece sobre o indivíduo e onde mentir, roubar, enganar, ser cobarde, sabujo ou videirinho, ainda dá direito a sanções materiais e morais?
Será que não atinam com nada?
Não quero deixar de acrescentar – não vá restar alguma dúvida – que não é a IM que está mal, mas sim a indigência política, cívica e moral em que a sociedade se transformou!
Aliás, o problema, deve dizer-se, não é apenas português, é europeu (não é por acaso que a União Europeia está no estado lastimoso em que se encontra…).
Por exemplo a tropa francesa está cheia de emigrantes naturalizados, ou de segunda geração (aliás parecido com a sua selecção de futebol!); os espanhóis vão-se aguentando com latino - americanos a quem oferecem também a nacionalidade, isto para já não falar nas unidades estrangeiradas, tipo Legião, "Gurkas", etc. com que alguns vão minorando os problemas da sua mesnada.
Eu sei que os governos portugueses nem sequer têm dinheiro para estas fantasias, pois têm-no gasto a salvar bancos e outras “filantropias” do mais fino recorte, tão pouco para contratarem “organizações de segurança” à moda americana, restando-lhe talvez a oferta de “vistos Gold”, para quem se disponha a fazer dois anitos nas fileiras. Talvez pesquem umas dezenas de chineses que se enganem a preencher os papéis, angolanos fugidos ao MPLA, uns tipos do DAESH (que já trazem experiência e tudo), etc.. Aqui fica o alvitre.
Não precisa preocupar-se em agradecer, senhor ministro.
                                                                            *****
Ora isto traz-nos ao problema maior que não é a falta de voluntários em termos de quantidade, mas a da sua qualidade. E tudo isto é consequência do atrás referido.
A grande maioria da rapaziada que chega (para já não falar no elevado número de mulheres que é recrutada – já nem vou falar disso...) está cheia de maleitas físicas, derivadas de maus hábitos de vida (visão, coluna, ouvidos, obesidade, etc.); débeis físicos, vítimas do sedentarismo e da educação física incipiente, dada nas escolas; maus hábitos sociais, etc.; ignorantes encartados (a mediocridade do ensino é catastrófica); moralmente aleijados e sem o menor espírito de sacrifício ou capacidade para enfrentar contrariedades, o que faz com que inúmeros desistam às primeiras dificuldades, etc..
Ora mesmo com a água benta toda que se tem aspergido (vulgo baixar critérios e bitolas) não resta um número mínimo de mancebos capazes para o serviço das armas.
E podem oferecer-lhes 10 ordenados mínimos que eles também não vêm…
Finalmente, além de se ter acabado com toda a dignidade política, cívica e espiritual do instrumento militar da Nação, tudo se tem feito para desarticular, tripudiar, reduzir à ínfima espécie, etc., os Ramos das FA e os seus servidores: mudam as regras a meio do jogo constantemente, rebentaram com as carreiras, os poucos apoios sociais existentes e transformando a justiça relativa numa comicidade risível.
Aos voluntários e contratados têm ainda tido a falta de vergonha militante, de lhes tentar subtrair tudo o que lhes acenaram, para que eles, ao engodo, se alistassem…
Se isto é o Estado de Direito Democrático com que enchem a boca, eu tenho de acrescentar que quero é que ele se vá estabelecer no extremo da galáxia, atrás do sol - posto, no calcanhar do universo!
A situação só tem uma maneira de se resolver: oficiais, sargentos e praças: requeiram todos a passagem – efectiva a 30 dias - para a reforma, reserva ou abate ao serviço, em simultâneo!
Já não há pachorra e esta gente que nos tem desgovernado não conhece outra linguagem.


                                                                                                                João José Brandão Ferreira
                                                                                                          Oficial Piloto Aviador

quarta-feira, 29 de junho de 2016

SÍRIOS FOGEM DE MANGUALDE …



SÍRIOS FOGEM DE MANGUALDE …

29/6/16

“Infinitus est numerus stultorum”
(É infinito o número dos tolos).

Eclesiastes


Conta a Comunicação Social que um casal de sírios, seus quatro filhos e mais um a caminho; que tinham sido abrigados na Misericórdia de Mangualde, fugiram, desapareceram, eclipsaram-se. Sem deixar rasto, e nem um obrigado.
A notícia deixou-me em choque! Como é possível?
Então a antiga vila de Mangualde (ou será cidade? Houve uma altura em que se promovia “tudo” a cidade, assim a modos como se quer fazer de um português, um licenciado em qualquer coisa…) não se esforçou por acarinhar estes infelizes de modo a que eles não quisessem refazer a sua vida neste paraíso à beira mar plantado?
A edilidade local não tem a noção da ofensa que fez a todos os migrantes que vagueiam pelo mundo? Do mau aspecto que dá perante a opinião pública internacional? Dos conflitos diplomáticos que pode gerar e das multas que a Comissão Europeia nos pode querer impôr?
Não têm sequer a noção do desgosto que infligiram aos nossos Presidentes da República e do Conselho, perdão, Primeiro-Ministro, que gastam solas e garganta para os trazerem para cá e até ficam chateados por eles não quererem vir?
Pois só há uma solução para tão infausto acontecimento:
Mangualde deve ser arrasada!
Os bens dos seus habitantes confiscados e revertidos para a tal comissão de apoio aos migrantes e que os instalaram, como a Segurança Social não trata as famílias portuguesas. Finalmente os habitantes daquela, para sempre infame vila, serão transportados para a Núbia, a fim de serem vendidos como escravos (parece ser um negócio rentável por aquelas bandas), a fim de expiarem as culpas até ao fim dos seus dias!
Para evitar reincidências, o Regimento de Cavalaria da GNR – agora crismado com o delicioso nome de “Unidade de Segurança e Honras de Estado”, mandaria patrulhas a cada localidade que alberga as vítimas deste fenómeno - que existe há milénios, mas que só agora, aparentemente se deram conta.
E com timbales, tambores e cornetas lançariam pregão a avisar das consequências que advirão para o caso de mais algum caso semelhante ocorrer (pelourinho com eles!).
E para mostrarmos o nosso pesar por tão malfadado evento proponho que o PR e todo o Governo passem a andar de luto carregado durante seis meses; a Bandeira fique a meia haste (embora direita), por igual tempo; haja uma sessão solene na AR onde se aprovaria uma moção de lamento e frustração e outra de alvíssaras a quem der notícias dos foragidos a fim de lhes serem enviadas vitualhas e um bilhete em 1ª classe, no transporte mais adequado para os levar ao destino preferido (pede-se para que ninguém envie telemóveis, "iphones", MP3, "ipads" e outra parafernália electrónica, pois disso não há falta).
No fim fariam 30’ em silêncio em memória dos foragidos – aguentem que é serviço, além do que seria um bálsamo para as almas penitentes poderem usufruir de um tão prolongado período de tempo sem os ouvir!
Uma delegação do Parlamento iria ainda em peregrinação a Berlim, onde colocaria uma vela gigante na Porta de Brandeburgo, com a seguinte inscrição: “Desculpa Merkel, mas estamos contigo!”.
O Bispo responsável pela paróquia em falta iria com o respectivo cabido, em nome da Conferência Episcopal, todos de baraço ao pescoço, até ao Vaticano, em penitência, pois as suas orações não foram suficientes para evitar semelhante tragédia.
Finalmente todos os membros do SIS e do SIEDM receberiam guia de marcha para vasculharem os locais de possível destino dos agora excluídos da comunidade nacional, não agora à moda de D. João, O Segundo - que mandou caçar os implicados na conspiração contra si e trazê-los com anzóis na boca para não falarem, de volta ao reino, a fim de serem castigados pelos seus crimes - mas para poderem obter as informações vitais para se entender porque tão estimáveis criaturas não quiseram ficar entre nós e castigar os culpados (enfim, os que ainda não tenham ido para à Núbia).
Em conclusão, esta vergonha de proporções bíblicas irá ensombrar definitivamente, a nossa anunciada vitória no Europeu de Futebol.
É duro!




                                                                                    João José Brandão Ferreira
                                                                                        Oficial Piloto Aviador

O “BREXIT”: A MELHOR COISA QUE PODIA ACONTECER A PORTUGAL









O “BREXIT”: A MELHOR COISA QUE PODIA ACONTECER A PORTUGAL

28/6/16


“As Nações Europeias devem ser guiadas em direcção a um super estado sem que os seus povos percebam o que está a acontecer. Isto pode conseguir-se por passos sucessivos, cada um como se tivesse um propósito económico, mas que conduza eventual e irreversivelmente a uma federação.”

Jean Monet
(tido como arquitecto maior da unidade europeia e pai fundador da União Europeia).

Desde a criação da EFTA, em 4/1/1960 – de que Portugal é membro fundador – que não me lembro de, a nível internacional, ter havido uma notícia tão boa para o nosso país.[1] E eu, nessa altura, só tinha sete anos. As coisas de que me lembro!
Ora a EFTA foi justamente criada para concorrer/combater a Comunidade Económica Europeia (CEE), recém - fundada, em 1957, sobre a qual o primeiro-ministro britânico MacMillan (um socialista) exclamou “mas isso é o bloqueio continental!”.
A EFTA representava ainda, uma espécie de aliança dos países “marítimos” contra os continentais.
Os nossos vizinhos espanhóis ficaram de fora de uma e de outra (como também tinham ficado de fora da NATO) porque, aqui para nós que ninguém nos lê, na Europa, nas Américas e no Norte de África, poucas simpatias têm.
Já o Churchill – que queria manter o “Império” – tinha, no fim da II Guerra Mundial, defendido os Estados Unidos da Europa, mas acrescentando logo, que os súbditos de S. Majestade ficavam de fora dessa união…
Foi sempre assim que a Grã-Bretanha actuou face ao velho continente, sobretudo após ter perdido a guerra dos cem anos, apesar de ter ganho quase todas as batalhas…
Eles não têm nada a ver com o “continente” onde manobram pondo uns contra os outros, conforme a égide do momento.
Quando a amálgama de normandos, celtas e saxões deixou de andar em guerra civil quase permanente, após a chamada Revolução a que chamaram Gloriosa, de 1688, (embora a Escócia e a Irlanda tenham sido desde então, ossos duros de roer), montaram um comércio cada dez mais extenso, protegido pela Royal Navy. E é disso que vivem.
O Canal da Mancha permitiu-lhes, até hoje, não terem que dispôr de um Exército permanente formado por conscritos, sendo fundamentalmente um Exército expedicionário. Deixou de ser “real” pois resolveu embarcar na aventura republicana do Cromwell e cortou a cabeça ao Rei Carlos I. Passou a ser simplesmente o “British Army”, desde então.
Com a fórmula proporcionada pela NATO de, os americanos “in”, os soviéticos “out” e os alemães “under”, a Europa Ocidental foi-se desenvolvendo, havendo por parte dos dois principais partidos britânicos a oposição à CEE. Só que o Conservador era de opinião que era preferível estar dentro e o Trabalhista, que era melhor estar fora (agora parece que é ao contrário…).
O General De Gaulle, porém - que sempre foi defensor da Europa das Pátrias, a única, aliás, que podia ter futuro – sempre os colocou à porta, vetando-lhes a entrada (até o Napoleão quis vingar Crecy, Poitiers e Azincourt, e falhou…).
Quando De Gaulle saiu de cena e os poderes no Reino, agora desunido, alinharam na entrada, o que ocorreu em 1973. O que, naturalmente fez implodir a EFTA.
Até que, a partir de Maastricht aquilo que começou por ser uma organização política e económica transnacional, incipiente, abriu caminho para uma fórmula federalista, que a ser levada a termo, acabará com os países e respectivos povos.
Aqui a Grã-Bretanha começou a reagir, não entrando no “euro” ou aderindo ao “Acordo de Schengen”, ao passo que passou a negociar e a exigir variadíssimas cláusulas de exclusão (são todos iguais, mas há uns mais iguais que outros…).
Contudo, após a reunificação alemã (que está longe de se ter concretizado…), Berlim começou a dominar a economia e as finanças da teórica união – onde, de resto, nunca deixou de funcionar a hierarquia das potências, que a recente e despudorada declaração de Juncker, a propósito dos "deficits" dos países, de que “a França era a França…”, ilustra à saciedade – fazendo soar as campainhas de alarme na “Rule Britânia” com um barulho ensurdecedor.
As sucessivas atitudes ditatoriais da burocracia não eleita de Bruxelas e do BCE, adornados por um Parlamento cacofónico (que vivem em gaiolas douradas algo obscenas, enquanto impõem medidas de austeridade e relativismo moral, a esmo) têm irritado e revoltado toda a gente – tirando obviamente, os beneficiados com as mesmas – e naturalmente, tiveram o mesmo efeito sobre os ingleses.
Estas atitudes podem sintetizar-se, numa outra frase do Sr. Jean Claude - Juncker Presidente da Comissão Europeia e cito, “ Não pode haver qualquer escolha democrática contra os tratados europeus”…
Comentários para quê, é um artista luxemburguês!
Finalmente, estamos em crer, que a gota – de - água que fez os britânicos votarem favoravelmente o “Brexit”, foi a imigração desregulada, que a irresponsabilidade da Srª Merkel piorou catastroficamente, ao incentivar as vagas de “migrantes” (a que se tem que juntar a inacreditável postura da Santa Sé, sobre o assunto).
O Senhor Juncker também apoiou tal irresponsabilidade e não é, certamente, por acaso que já foi agraciado com o “prémio Coundenhove – Kallergi”, em 2014 (A Senhora Merkel recebeu-o em 2010).
Eu falei em Kallergi? Agora me lembro, este senhor e não o acima citado Jean Monet, é que é verdadeiramente o “pai” (diria mais “padrasto”) da União Europeia, e já agora, o primeiro defensor destas vagas de migrantes, no já recuado ano de 1925.
A razão é simples: foi ele o fundador do Movimento Pan-Europeu em 1922, que ficou em suspenso com o início do segundo conflito mundial e foi ressuscitado após o seu termo.
Este movimento foi inicialmente financiado pelos magnatas judaicos, de origem Ashzekenazi (leia-se sionista), protagonizada no início, pela banca Warburg de Hamburgo. Aconselha-se leitura sobre isto.
Por tudo o que foi dito e mais mil coisas que ficam por dizer, o povo britânico fez bem em votar pela saída. Votaram pela Liberdade e pela sua Soberania e disseram não, a serem escravos (mesmo que pudessem viver melhor) e a assistirem ao “genocídio” da sua população, matriz cultural e independência (embora desde 1815, que estejam na mão de meia dúzia de famílias, mas isso já extravasa o escrito).
Pois esse seria o seu destino caso o projecto europeu como está a ser concretizado, continuar na sua senda.
E esta senda configura uma ditadura ainda pior que a levada a efeito pelo politburo soviético, regime que só se aguentou enquanto foi financiado pela banca judaica maioritariamente Ashzekenezi (leia-se sionista), a qual, já agora, também financiou os próceres marxistas e comunistas - cujas figuras mais importantes eram também judeus- desde o início e ajudou a deflagrar e a implementar a Revolução Bolchevique.
Nem sempre o que parece é. Menos em política, como é bom de ver...
Por tudo isto os britânicos fizeram bem em terem votado maioritariamente na saída da UE frisa-se – apesar da lamentável campanha feita contra tal, que passou pela incrível ida de Obama a Londres apelar (e fazer ameaças veladas) à não saída; pela exploração miserável do estranho assassinato da deputada Joe Cox, passando por acções ilegais junto às assembleias de voto, que chegaram ao ponto de tentar obrigar os votantes a fazê-lo apenas com lápis…
E tal é, por arrastamento, bom para Portugal para ver se os portugueses acordam do embuste onde foram postos por políticos que têm demonstrado uma grande dose de ignorância histórica e geopolítica; gente vidrada nos cifrões; com parte do cérebro torrado por ingenuidades idiotas e, ou, ideologias cretinas e malsãs, que têm atirado o país para o desfiladeiro da morte.
Sempre invocando os sacrossantos princípios (que não cumprem), de uma falsa Democracia, que alcandoraram ao alfa e ao ómega.
Está pois mais do que na altura de salvarmos a nossa Nação quase nove vezes secular e preparar rapidamente a saída do euro, primeiro, e depois da UE, caso esta não seja a do respeito pela identidade e individualidade dos países que dela fazem parte e, simultaneamente, criar mecanismos de poder que nos possam fazer perseverar no meio de organizações poderosas e tenebrosas que querem à força instaurar uma “Nova Ordem Mundial”. A deles, mas não a nossa.
Convinha, pois, pôr à frente dos destinos do que resta do nosso país, profundamente endividado e descrente de si mesmo, portugueses a sério e que, já agora, percebessem alguma coisa do que se passa no mundo.
Pois a pergunta crucial que se tem de colocar acima de qualquer outra é a seguinte: Nós queremos continuar a ter país, ou não?
E temos que saber, em consciência, dar-lhe resposta, assumindo e arcando com as consequências da mesma.


                                                            João José Brandão Ferreira
                                                                Oficial Piloto Aviador
           


[1] A EFTA – Associação Europeia para o Comércio Livre – foi estabelecida pelo Tratado de Estocolmo, era liderada pela Grã-Bretanha e compreendia a Suécia, Dinamarca, Áustria, Noruega, e Suíça. Em 1970 entrou a Islândia e, em 1991, aderiu o Liechtenstein. Hoje a EFTA ainda existe formada pelos quatro últimos países.