https://haunebu7.wordpress.com/2015/09/14/mep-nick-griffin-spricht-im-eu-parlament-ueber-den-paneuropa-kalergi-genozid-an-den-christlich-gepraegten-weissen-in-europa/
Este blogue apresenta os pensamentos, opiniões e contributos de um homem livre que ama a sua Pátria.
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
https://haunebu7.wordpress.com/2015/09/14/mep-nick-griffin-spricht-im-eu-parlament-ueber-den-paneuropa-kalergi-genozid-an-den-christlich-gepraegten-weissen-in-europa/
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
SERÁ A UNIÃO EUROPEIA O QUE PARECE?
Não deixem de ler mesmo que tenham algum sentimento de incredulidade e, ou, vontade de me chamar nomes.
Clicar aqui para ler!
Clicar aqui para ler!
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
O LAMENTÁVEL ENCERRAMENTO DO INSTITUTO DE ODIVELAS
“Morta por dentro, mas de pé, de
pé, como as árvores”.
Palmira Bastos
(Peça teatral “As árvores morrem
de pé”)
O Governo em funções, através do
seu Ministro da Defesa – seguramente um dos piores ministros desde que o cargo
foi criado, em 1950 – decidiu encerrar o Instituto de Odivelas (IO), escola
notável, centenária e de excelência.
A admissão de novas alunas foi
interrompida este ano lectivo e as alunas existentes, que assim o entendam,
irão ser transferidas para o Colégio Militar, onde está a ser ultimada uma
camarata, para estabelecer a aberração da existência de um internato feminino e
masculino de menores, no mesmo espaço colegial.
Edifício já cognominado pelos
actuais alunos com o significativo nome de “maternidade”…
Este encerramento configura um
crime cultural, educativo e patrimonial; antipatriótico e de vistas curtas.
“Estúpido” será uma maneira pouco loquaz, mas assertiva de classificar o gesto![1]
Nele serão implicados, no
julgamento da História e do Bom – Senso, os sucessivos políticos – quais
bárbaros do “Estado Islâmico” - que provocaram o acto; as chefias militares que
tremeram de coragem, na defesa pífia que fizeram das Instituições que tutelavam
(o que se passa no IO está intimamente ligado com as duas outras escolas
militares de ensino secundário, que estão a ficar completamente
descaracterizadas); as diferentes associações de pais e de antigos alunos, por
causa da falta de entendimento que revelaram, ao não terem estabelecido uma
acção comum e concertada, para fazer frente a esta verdadeira “invasão de
Vândalos”.
Complexos de quinta e egoísmos de capela, não
são bons conselheiros quando causas mais altas se levantam!
A Comunicação Social eivada de
“ismos”, nunca transmitiu uma ideia equilibrada do que se estava a passar, ao
passo que a o comum dos cidadãos vive uma ignorância esfarrapada, relativamente
a tudo que é importante e se passa à sua volta, aos costumes disse nada.
Quanto ao inquilino de Belém, lá
esteve no seu comportamento habitual de “falta de comparência a jogo”.
Uma tristeza.
Apetece também perguntar para que
serve a “liberdade de expressão” e de “opinião”. Pois, aparentemente, serve
apenas a quem é dono, ou controla os Órgãos de Comunicação Social.
Lamentavelmente também, não se
pode ter qualquer tipo de esperança na retroversão da situação por rebate de
consciência, tão pouco numa eventual mudança do quadro parlamentar e
governamental por via de eleições que se desenhem no horizonte.
Por um lado o senso comum é
siderado e obliterado, pela tecnocracia cega, vesga e bruta e, sobretudo, pelo
“cheiro a negócio” – resta, aliás, saber o destino das instalações do IO;
depois porque quando se trata de resolver algo que tenha a ver com o termo
“militar”, todas as forças políticas representadas no hemiciclo dos antigos
frades de S. bento – e que pouco mais se representam do que a elas próprias –
fazem concorrência para ver quem consegue fazer mais asneiras, mais depressa.
Não se pode confiar neles nem uma
migalha.
Lembramos até, o caso de Paulo
Portas, quando era ministro da defesa e botou fala na cerimónia comemorativa
dos 100 anos do Instituto Militar dos Pupilos do Exército, em 2011.
Disse então S. Excelência e
mestre em demagogia: “Eu não me arrependo de, porventura contra ventos e marés,
ter tomado a decisão de não deixar encerrar os Pupilos do Exército. O custo de
uma decisão tecnocrática e simplista como essa significaria o desaparecimento
de uma instituição secular que tem um lugar próprio no ensino das Forças
Armadas, e que tem méritos destacados na história do ensino militar em
Portugal” e continuava sempre no mesmo estilo: “A nota institucional que eu
queria deixar tem a ver com a importância do ensino na Instituição Militar. Eu
faço parte daqueles que acreditam que Portugal é um país forjado por soldados e
que não teria a sua independência garantida sem as Forças Armadas”;
“…dir-vos-ia, por isso, que os Pupilos do Exército… fazem todo o sentido neste
século XXI…”
Mas, saído do pelouro, que para
mal dos nossos pecados nunca deveria ter ocupado, esqueceu-se rapidamente dos
méritos dos estabelecimentos militares de ensino, que tanto elogiou, e sendo
vice primeiro - ministro de um governo, que relativamente a fardas só faz
disparates, deixou cair o IO como se de um trapo velho se tratasse!
Resta pois recorrermos a Fátima
ou esperar pelo D. Sebastião o que convenhamos não nos pode deixar tranquilos,
quando o nosso proverbial desleixo e indiferença, não abona a que tais
entidades se prestem a compadecer de nós.
Em alternativa e por exclusão de
partes, resta preparar um encerramento digno para o IO, que não pareça um
funeral rápido e esquivo, e lhe preserve a memória.
Uma memória que não envergonha os
futuros portugueses e em que estes se podem rever sem lhes corar a face de
vergonha, antes lhe arrima os ânimos e o orgulho pela terra que lhes deu o
berço.
O Instituto de Odivelas vai
morrer. Pois que morra de pé. Como as árvores.
[1]
Deviam até, candidatar-se, na “UNESCO” ao prémio da “Estupidez Imaterial da
Humanidade”…
sábado, 29 de agosto de 2015
RECONHECIMENTO MERECIDO
O Gen David Richards, do Exército
Britânico, que foi chefe supremo das Forças Armadas do Reino Unido e que, em
2006 e 2007, comandou as forças da NATO no Afeganistão acaba de publicar uma
autobiografia na qual, entre outros assuntos, dá a conhecer o seu pensamento
sobre as diferentes forças que sob o seu comando prestaram serviço naquele
país.
Assim se expressa a determinada
altura:
«Durante o meu tempo à frente da
International Security Assistence Force (ISAF) estive dependente – por vezes de
forma exagerada – das tropas portuguesas. Desenvolvi uma ligação emocional
muito estreita com os portugueses, porque muitas vezes tive de os mandar para
zonas e operações muito complicadas. Não tinha alternativa. Eram eles ou mais
ninguém. Mas os portugueses saíram-se sempre de forma brilhante.»[1]
Não tive ainda oportunidade de
ler o livro, mas tenho conhecimento que outras afirmações do Gen Richards no
mesmo sentido são ali produzidas.
O Gen Richards não é um general
qualquer, não só pelas funções desempenhadas mas também pela sua nacionalidade;
os britânicos não são dados, como se sabe, a tecer loas a não britânicos e os
portugueses, velhos aliados, não são habitualmente, antes pelo contrário,
excepção à regra.
Qual a difusão que tal opinião
mereceu aos Órgãos de Comunicação portugueses, exceptuando o Diário de Notícias
e o Jornal do Exército? O Governo, nomeadamente o Ministério da Defesa
português, não devia publicitar estas notícias ou até mesmo promover a tradução
e difusão da obra em Portugal? Ninguém é profeta na própria casa mas é triste
serem os estrangeiros a reconhecer a qualidade do trabalho dos militares
portugueses enquanto internamente eles são permanentemente desrespeitados e
vilipendiados.
[1] Tradução in Jornal do Exército nº 649 – Jun/Jul2015, a partir do artigo de Paulo Assunção no Diário de Notícias de 29Jun2015.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
ATÉ ONDE CHEGA A CENSURA POLÍTICO-MILITAR
Recentemente um tenente general
da Força Aérea (FA), na situação de reforma, escreveu um artigo sobre um evento
de guerra ocorrido em 1969, no então teatro de operações da Guiné-Portuguesa.
O artigo foi enviado para a “Mais
Alto”, revista oficial da FA onde, aliás, o oficial em causa já escrevera
várias vezes.
Algum tempo depois o Director da
revista, oficial de igual patente, mas muito mais moderno, informou o putativo
autor de que o artigo não seria publicado.
A razão prendeu-se,
aparentemente, com o facto de, no artigo, se tecerem considerações críticas
sobre um país – a Suécia – supostamente amigo e aliado de Portugal.
Esta situação é recorrente, mas
atingiram-se patamares de paroxismos delirantes.
Todavia o autor em questão pode
considerar-se um privilegiado, pois tiveram a rara decência de o informar da
decisão – o que subentende, não qualquer deferência, mas o embaraço da situação
– o que representa um procedimento fora do comum, não só na “Mais Alto”, como
na generalidade das revistas militares e órgãos de comunicação social…
E eu sei do que falo.
Porque é que as coisas se passam
assim?
Certo dia, ainda a minha pessoa
usava os galões de capitão, fui chamado ao Chefe de Estado - Maior da FA, de
então - sem desfazer, uma excelente pessoa, oficial e combatente – que entendeu
dizer-me o que considerava os limites da liberdade de expressão dos militares e
dos parâmetros que balizavam a “Mais Alto”.
Eram quatro, a saber:
·
A revista não dizia mal de si mesma, isto é da
FA;
·
A revista não dizia mal dos outros Ramos;
·
A revista não dizia mal dos Orgãos de Soberania;
·
A revista não entrava em questões
político/partidárias.
Pareceram-me sensatas e equilibradas, na altura – e hoje
ainda parecem – estas quatro regras, embora a distinção entre “dizer mal” e
“criticar” não aparecesse distinguida e não seja fácil distingui-la.
Tal decorre, como já disse, do bom senso; da
responsabilidade oficial do Ramo, que é um órgão do Estado e dos limites à
liberdade de expressão dos militares, sobretudo os do activo, regulamentados
pelo “célebre” artigo 31 da Lei de Defesa Nacional e das Forças Armadas.
Durante alguns anos decorreram colóquios com periocidade
anual ou bianual, inicialmente promovidos pelo saudoso Brigadeiro Mendes Quintela,
cujo objectivo era debater e explicitar toda esta problemática e promover a
dignificação e importância da Imprensa Militar.
Se a memória não me atraiçoa, o último colóquio foi
organizado pela “velhinha” e decana Revista Militar, há uns 20 anos atrás…
De todo este esforço e das propostas saídas de todos estes
encontros, nada resultou, pois nunca colheu grandes (nem pequenas…) simpatias
ou acolhimento por parte das sucessivas chefias militares, muito menos do poder
político, leia-se Ministros da Defesa Nacional.
Estes, aliás, tudo têm feito para aperrear tudo aquilo que
é escrito e dito sobre as FA e a Defesa e Segurança Nacionais, permitindo-se o
despautério de acabar com a revista “Baluarte”, do CEMGFA e respectivo Gabinete
de Relações Públicas, reduzindo aqueles dos Ramos, na prática, a pouco mais do
que uma caixa de correio.
Mas enfim, cada um tem o que merece.
Nos anos 80, creio, um número da Revista Mais Alto foi
mandado recolher, pelo VCEMFA, depois de já estar em distribuição, porque
comportava dois artigos – um desta praça velha e outro do General Kaúlza de
Arriaga – que falavam da “Descolonização” e até já me aconteceu ver um artigo,
feito por altura e a propósito, do centenário da morte do grande Mouzinho de
Albuquerque, ser recusado pelo “Jornal do Exército”, alegando-se que o mesmo
jornal era distribuído em Moçambique e “eles” podiam não gostar…
Exemplos do que foi acontecendo ao longo da vida e se os
fosse contar todos ia faltar o papel!
Isto para já não falar na censura às pessoas, que não às
ideias.
Mas parece que só no regime anterior é que se fazia
censura…
Porém o escrito de hoje é sobre o artigo agora (mal)
recusado, intitulado “Um ataque de olhos azuis”.
Vejamos.
O artigo do nosso general, escrito em português escorreito,
conta um “ronco” obtido por meios da FA, na então Província da Guiné, em 1969,
contra o PAIGC e os …. Suecos.[1]
Ora se, já de si, uma vitória das forças portuguesas contra
a cáfila de insurrectos acoitados nos países limítrofes, inimigos de Portugal,
causa engulhos aos “enganados da vida” e ao maldito do politicamente correcto,
quanto mais agora criticar quem apoiava tão excelsos “libertadores de povos
oprimidos”!
Pois foi exactamente isso que o general/ autor – honra lhe
seja feita – descreveu no papel: uma operação exemplar contra um grupo
fortemente armado do PAIGC, que há luz do dia (o que nunca faziam) bombardeava
um pequeno quartel do nosso Exército, no extremo sul da Província, de uma outra
posição abandonada no ano anterior.
Os quatro pilotos de Fiat colocaram as bombas todas no alvo
(abençoados!) e escaqueiraram as forças inimigas.
Foi-se ver e havia corpos de pretos e brancos por todo o
lado. Investigado o mistério apurou-se tratar-se de uma operação em que o PAIGC
simulava ter tomado a antigo aquartelamento português e logo de seguida
flagelava o mais próximo, tudo a ser filmado pela televisão da Suécia, país que
durante toda a última campanha ultramarina, apoiou material e moralmente os
inimigos de Portugal em África.
Tudo isto sendo nosso parceiro na EFTA e noutras instâncias
internacionais.[2]
Aliás, os “bárbaros do norte” percebiam e percebem tanto de
África como de lagares de azeite…
O que, sem embargo, os não impediu de fazer tráfico de
escravos nos séculos XVIII e XIX, como o autor general explicitou…
E gostam tanto de pretinhos e outros coloridos, e têm tanto
jeito para lidar com eles, que desde que abriram uma delegação para a cooperação
na Guiné, anos após a independência, nunca conseguiram pôr nada a funcionar e
praticamente não se davam com ninguém nem saíam das instalações…
Tive ocasião de assistir enquanto por lá estive nos anos
90.
Ora uma metade do artigo sobre os tais de olhos azuis, que
o general Fernandes Nico descreve e faz considerações é, justamente sobre a
atitude dos governos suecos durante o tempo que durou o conflito, para com
Portugal, por sinal muito bem fundamentados.
E foram estes considerandos que incomodaram a chefia da FA
– não sabemos se o próprio ministro – ao ponto de vetarem a publicação do
artigo na Mais Alto.
Ora tal aparenta ser incompreensível e inaceitável.
Em primeiro lugar porque é tudo verdade – e muito ficou por
dizer; depois porque se reportam a factos que têm mais de 45 anos; que já são
História e nada existe de difamatório ou ofensivo.
Finalmente porque seja o PAIGC, o governo guineense (quando
existe), o governo sueco ou qualquer outro actor político, se coíbe de dizer o
que quer que seja sobre Portugal e os portugueses, sem terem o menor escrúpulo
pelos nossos sentimentos, quiçá pela verdade histórica.
Estou farto, por tudo isto e muito mais, de ver
comportamentos de compatriotas meus, com funções de responsabilidade, a
colocarem-se na posição de “quatro patas”, perante personalidades, governos, ou
entidades várias, que ainda têm que comer muito pãozinho antes de nos quererem
dar lições de moral seja sobre o que for.
Ganhem coragem, se forem capazes, e alguma vergonha na
cara.
Uma coisa, aliás, ajuda à outra.
[1] PAIGC – Partido para a Independência da Guiné e Cabo Verde.
[2]
EFTA – Associação Europeia de Comércio Livre.
domingo, 2 de agosto de 2015
HOMENAGEM ao MAJOR PIL. AV. ANTÓNIO LOBATO
NO CENTENÁRIO DA AVIAÇÃO MILITAR
“Chamei Manuel Gouveia em Tripoli e disse-lhe:
- Você sabe Gouveia, que vamos cruzar uma
região perigosíssima e o voo é longo, cerca de 1000 Km. Os perigos
multiplicam-se. Se formos obrigados a aterrar, a morte é certa: no deserto ou
morremos de forme senão encontrarmos ninguém, ou morremos decapitados se alguém
nos vir; no mar, tão deserto como o deserto, se procurarmos esse refúgio a
morte é certa, também. Se você quer vá para o Cairo num navio, nós o
esperaremos aí.
Gouveia olhou para mim zangado e um pouco
malcriadamente – porque não o direi? – respondeu-me apenas:
- O meu comandante parece que não me
conhece, eu sou do Porto, da terra que deu nome a Portugal. Se for preciso,
morrer, morre-se.”
Brito Pais
(extraído do relatório da viagem aérea Macau, em 1924)
A atleta Rosa Mota é figura destacada na
actual campanha contra o cancro de pele, causado pela excessiva exposição ao
astro-rei.
É uma boa ideia e faz bem.
Rosa Mota está na calha, certamente, para
ir para o Panteão Nacional.
Foi medalha de ouro na mais difícil
competição desportiva desde a invenção dos Jogos Olímpicos: a corrida da
Maratona.
Portou-se bem a nossa “Rosinha” e estou
certo que a maioria dos seus compatriotas a considerou uma heroína.
Não se lhe conhecem taras, nem consta
que alguma vez tenha feito algo que envergonhasse a nação dos
portugueses.
E se não se enganar a apostar em
eventuais candidaturas à Presidência da República terá direito – a avaliar por
exemplos recentes – a lugar em sarcófago de pedra, na antiga Igreja de Santa
Engrácia.
O que esperamos aconteça – Deus assim o
entenda – daqui a muitos anos.
É isto ser-se honesto, talvez a forma de
se ser herói todos os dias, o papel mais difícil de ser feito em
sociedade.
Um herói, pode sê-lo apenas por um acto
que, numa hora de bom e desprendido julgamento, coragem extrema, ou de uma
virtude excepcional, faça com que um ser humano pratique um acto ou acção, que
o distinga dos demais e que não está ao alcance da capacidade da maioria.
Alguns casos existem assim na sociedade
portuguesa e que não foram ainda reconhecidos como tal.
Entre eles destaca-se, seguramente, o
caso Major Piloto Aviador António Lourenço de Sousa Lobato, nascido em terras
do Minho, mais precisamente na Aldeia de Sante, freguesia de Paderne, concelho
de Melgaço, a 11 de Março de 1938.
É aqui que começa a fazer sentido o
título do escrito: é que António Lobato (AL) é Oficial Superior da Força Aérea,
na situação de reforma.
Que fez então este nosso concidadão de
tão notável que, não só merece uma homenagem nacional que nunca lhe foi feita,
mas também que a sua história deva ser contada recorrentemente, em todas as
escolas do país?
Resumidamente: 1 AL alistou-se na FA
em 1957 e fez parte do Curso de Pilotagem P3/57. Recebeu as suas asas em Junho
de 1959, e tinha o posto de Segundo-Sargento.
1 Ver livro de sua autoria “Liberdade ou
Evasão”, Erasmus, Amadora, 1995 – há demasiado tempo esgotado!
O outro avião despenhou-se e o piloto
morreu.
Partiu em missão de soberania para a
então Província da Guiné, em Julho de 1961, ainda a guerrilha não tinha tido
início.
Ajudou a FA a operar naquele território
a partir do… nada.
No dia 22 de Maio de 1963, após uma das
muitas missões em que já participara, no regresso à base, suspeitando que podia
ter sido atingido por fogo inimigo, pediu ao seu asa – piloto recém - chegado e
inexperiente – que passasse por baixo do seu T-6 para ver se detectava algo de
errado. O “asa” cometeu um erro na manobra, tendo chocado com o seu avião de
que resultou AL ter de efectuar uma aterragem forçada.
Após a aterragem foi preso por um grupo
de populares afectos ao PAIGC, que o entregou a uma força de guerrilheiros
chefiados por Nino Vieira que viria, mais tarde, a ser Presidente da
Guiné-Bissau, qualidade em que receberia AL em audiência.
AL sofreu maus tratos por parte dos
indígenas, mas foi bem tratado pela guerrilha – que viu nele um valioso troféu
de guerra e o levou para a Ex- Guiné Francesa.
Ia começar para AL um longo e doloroso
cativeiro, que duraria sete anos e meio, tendo sido resgatado na célebre
operação Mar Verde, comandada pelo extraordinário combatente que foi o
Comandante Alpoim Calvão, em 22/11/1970, juntamente com mais 25 portugueses,
que jaziam numa masmorra em Conacri.
Um feito que D. João de Castro não
desdenharia…
No entretanto AL mudou três vezes de
prisão, conheceu a “solitária”, fugiu e foi recapturado, três vezes, e passou por
um processo mental de sobrevivência que bem poderia ser estudado por um grupo
selecionado de psicólogos.
Nesta luta teve um apoio precioso da
família, sobretudo da sua jovem mulher – que esteve à sua altura – (tinham
casado há poucos meses antes de ter sido feito prisioneiro), que chegou a pedir
uma audiência ao Papa, visando a sua libertação.
No mesmo sentido, ainda está por fazer,
a história do que foi feito a nível do Estado Português – e foi bastante – para
o libertar.
Mas o mais notável em tudo o que se
passou, é que o Sargento António Lobato, manteve-se firme na sua qualidade de
militar e combatente da FA Portuguesa, nunca traiu o seu juramento para com a
Pátria, cumpriu sempre o Dever Militar, e, tentado várias vezes a trocar a
prisão, pela “liberdade”, num país de leste, mais tarde na Argélia (onde
pontificava a chamada Frente Patriótica de Libertação Nacional, de exilados
portugueses), sempre recusou.
Para a sua libertação tinha “apenas” que
redigir uma mensagem radiofónica em que declarava a sua oposição à guerra –
logo a justiça da luta do IN – e comprometer-se a nunca mais pegar em armas
contra a guerrilha.
Note-se que estas propostas chegaram a ser
feitas pelo líder do PAIGC Amílcar Cabral, que o visitou na prisão.
Um dia inquirido porque nunca quisera
aceitar o que lhe ofereciam, deu esta resposta extraordinária, por simples e
profunda e que diz tudo: “com que cara é que eu chegava ao largo da minha
aldeia?”.
Pois, caros leitores, é um homem desta
têmpera, que se manteve posteriormente sempre impoluto, de que no século
passado haverá, talvez, em todo o mundo, uma mão cheia de exemplos que se lhe
igualem, que a grande família portuguesa desconhece e o Terreiro do Paço nunca
reconheceu e homenageou.
É certo que a FA e o Governo da altura,
o reintegraram nas fileiras, pagaram-lhe todos os retroactivos e promoveram-no
por distinção a Tenente. A seguir e mediante legislação para o efeito criada,
passaram-no ao quadro permanente, na especialidade de piloto aviador.
Mas até hoje, nem no activo – onde nunca
se tentou tirar sequer partido em qualquer circunstância do valiosíssimo
exemplo, experiência e valor, do militar em questão – na reserva e reforma se
colocou este português dos quatro costados e pessoa de carácter, no lugar a que
por direito próprio merece ocupar.
E nós, os outros, também devemos ter
direito a justamente nos orgulharmos dele.
Ora a FA nunca se lembrou que tinha AL
entre um dos mais notáveis dos seus. Nem sequer o convida para o aniversário
anual, onde AL devia ter lugar de honra…
É claro que no actual regime sem norte,
nem valores dignos desse nome, enfermo de corrupção, em que nos habituámos
(mal) a viver, AL tem contra si, o facto de não ter sido desertor, traidor, tão
pouco gozar da fama de antifascista, senão certamente já teria sido cumulado
com várias “ordens da liberdade”, esgotado telejornais e entrevistas.
Mas, parece, que não foi isso que ele
aprendeu no largo da sua aldeia…
A Força Aérea ainda vai a tempo de
emendar a mão e colmatar uma injustiça, e promover uma homenagem ao Major
Lobato.
E tem uma oportunidade de ouro agora,
aproveitando as comemorações do centenário da aviação militar, que se iniciaram
a 14 de Maio do ano passado, mas que por estranho silêncio, ninguém sabe de
nada, nem o Estado Português se associou.
Parece até, que a própria FA tem
vergonha do evento!...
Atitude que desmerece a citação do
“grande” Tenente Manuel Gouveia e que, em boa verdade, sintetiza e
consubstancia a missão da Força Aérea: voar e lutar.
Já tarda e já basta.
Pelo António Lobato
“Acção, acção, acção, …..Aviação”!
(Início do “grito” da Força Aérea)
Subscrever:
Mensagens (Atom)


