Este blogue apresenta os pensamentos, opiniões e contributos de um homem livre que ama a sua Pátria.
sexta-feira, 24 de abril de 2015
segunda-feira, 20 de abril de 2015
GUERRA D'ÁFRICA, 1961-1974 - ESTAVA A GUERRA PERDIDA?
É JÁ NO DIA 23, 5.ª FEIRA!
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segunda-feira, 13 de abril de 2015
quinta-feira, 9 de abril de 2015
A MENSAGEM DE PÁSCOA DO PM BRITÂNICO
O
primeiro-ministro britânico, David Cameron, surpreendeu tudo e todos com a
mensagem de Páscoa deste ano.
Conseguem
imaginar um político da nossa praça, investido em cargo de relevo, a fazer um
discurso semelhante?
domingo, 5 de abril de 2015
O “ACIDENTE” DO A-320 DA “GERMANWINGS”
Aforismo popular aeronáutico
Ao
cabo de um milhão de textos e reportagens sobre este inverosímil acidente vou,
também, tentar fazer uma síntese (in)conclusiva.
Partindo
do princípio de que o copiloto intentou, deliberadamente, fazer o seu avião
colidir com o solo – facto que apenas a comissão de investigação estará em
condições de averiguar e determinar (tudo o resto deverá ser levado á conta da
especulação) - o ocorrido tem várias vertentes sobre que ser equacionado.
Vertentes
que confluem basicamente em duas: a selecção e formação dos pilotos (ou mais
alargadamente, do pessoal navegante) e a supervisão.
Ora
o que se tem passado em pinceladas largas? Isto:
Desde
o início da aviação comercial que a grande maioria dos pilotos deste ramo da
aviação, provinha da aviação militar.
Tal
facto manteve-se, em termos gerais, até meados da década de 60 do século
passado, nomeadamente no chamado Ocidente.
Ora
sabe-se que as exigências das operações militares - a todos os níveis – são
superiores ou, no mínimo, iguais aos da aviação civil. A partir daí a situação foi-se
invertendo, ou seja, a maioria dos pilotos civis deixou de ter experiência
militar.
A
partir sobretudo dos anos 90 do século XX, deu-se um “boom” na Aviação Civil e a
deslocação por via aérea passou a estar acessível ao poder de compra de uma
cada vez mais alargada dos consumidores.
Para tal contribuiu o desenvolvimento
exponencial do turismo, a cada vez maior internacionalização dos negócios, a
multiplicação de organismos internacionais e a diminuição dos custos do
transporte, por via da melhoria da tecnologia disponível, estruturas
organizacionais e métodos de gestão.
Finalmente
ocorreu o fenómeno das companhias “low cost”, que massificou o transporte
aéreo.
Estas companhias tentaram optimizar
todos os recursos e limitaram as ofertas de serviço ao estritamente
indispensável. Mas para praticarem os preços que exibem tal só pode ser
conseguido, aparentemente, com condições não direi inseguras, mas sem qualquer
tipo de “gordura ou almofadas de ar”, em que operam.
Só
as flutuações dos custos da energia baralham, por norma, o negócio do
transporte aéreo.
As
questões da segurança (física) tinham sobretudo a ver com áreas geográficas de
conflito – sobre as quais se podiam aplicar normas e restrições adequadas – mas
sobretudo com o terrorismo, que despontou a partir da guerra Israelo-Árabe dos
“seis dias”, em 1967, mas que teve “curiosamente”, o seu início moderno, com o
desvio do Paquete Santa Maria e o “Super Constellation” da TAP, por
oposicionistas ao governo português, em 1961!...
Porém,
o grande impacto no transporte aéreo em termos de segurança (“security”) deu-se
após o atentado às Torres Gémeas, em 2001.
*****
Entretanto,
o que se passou com a preparação dos novos pilotos?
Como
o seu treino de base é muito oneroso para as companhias aéreas, a sua formação
começou por ser feita nos aeroclubes mas como tal não era suficiente e a
maioria dos mesmos também não tinha estruturas adequadas, começaram a
despontar, como cogumelos, escolas de pilotagem.
Ora
uma escola de pilotagem é um negócio, uma transportadora aérea é outro negócio
e a lógica profissional é a de uma prestação de serviços em troca de uma
remuneração, onde funciona o “mercado” (ou seja a lei da oferta e da procura) e
onde a eficiência prefere à eficácia.
Tudo
ao contrário das Forças Aéreas onde a lógica (até ver) é de serviço, não de
negócio e onde a eficácia prefere à eficiência.
Ou
seja, na primeira “está-se”; na segunda, “é-se”.
A
postura é completamente diferente e assim deve ser (apesar de ter
consequências!...), pois a missão é distinta e não se deve tentar “civilizar”
os militares, tão pouco militarizar os civis…
Como
pano de fundo a tudo isto tem-se assistido a um aumento exponencial da
tecnologia, que está a ultrapassar a capacidade humana de lidar com tal facto, ao
mesmo tempo que se diminuem os tempos de voo real na instrução, o número e
quantidade de manobras efectuadas e o uso intensivo de simuladores – que são
muito úteis, mas têm de ser usados com conta, peso e medida.
Ou seja, os pilotos têm cada vez
menos experiência em voar o “avião à mão” e estão menos habilitados,
naturalmente, na resolução de emergências.
Creio que a comunidade aeronáutica
se deu, finalmente, conta disto aquando do acidente com o voo 447 da Air
France, em 1/6/09, em que um A330 se despenhou no Atlântico, com 228 pessoas a
bordo!
A
massificação e abandalhamento do ensino, a todos os níveis – a recente decisão
de anulação de 152 processos académicos, pelo Ministro da Educação é o expoente
eloquente do saque a que a coisa chegou - tem levado a que a maioria dos
alunos, seja ignorante sobre uma quantidade enorme de coisas básicas, afecta a
sua capacidade de memória e raciocínio e não lhes incute o mínimo de hábitos de
organização, disciplina, ética e boas maneiras.
A
preparação física é medíocre e os “vícios” obtidos por vida desregrada, a vários
títulos, e outras mazelas sociais – a desbunda/negócio em que se transformaram
as viagens de finalistas, é bem evidência disso - vêm ainda complicar mais o
quadro onde tudo se move.
*****
Como
se consegue minorar tudo isto a nível aeronáutico, que é o que estamos a
tratar?
Pois
através das Autoridades Aeronáuticas Nacionais que, em Portugal, está
consignada no INAC (agora ANAC), dependente do Ministério dos Transportes e
Comunicações, a que se deve juntar o Gabinete de Prevenção e Investigação de
Acidentes com Aeronaves (GPIAA) (a questão da “Segurança” é outro assunto muito
complexo, que não iremos abordar).
Ora
sobre os órgãos de supervisão e tutela diremos que, nas últimas décadas, por
razões várias, tiveram muita dificuldade em acompanhar o que se ia passando na
prática, estando por várias vezes à beira da exaustão de meios.
A
supervisão ao nível da maioria das empresas segue a lógica do “negócio” na
gestão dos meios existentes (ou seja como obter máximo lucro) com uma mentalidade
alargada de que qualquer investimento é um custo e da falta de escola
empresarial que remonta à expulsão dos judeus em 1496…
Acresce
a isto o facto da legislação europeia estar a ser concentrada em Bruxelas,
aumentando o tempo na tomada de decisões e retirando capacidade decisória aos
estados membros.
A massificação e o “negócio” do
transporte aéreo com o correspondente aumento da necessidade de profissionais
fazem tender, se não se tiver cuidado, que a qualidade sofra em detrimento da
quantidade; a “lei da selva” do capitalismo selvagem, em guerra civil
permanente com a “ditadura” dos sindicatos, faz o resto.
É
em todo este âmbito que se deve encarar o que aconteceu com o copiloto alemão –
como há fortes indícios de que outros já o terão feito (voo da Japan Airlines,
em 9/2/82; Royal Air Maroc, em 21/8/94; SilkAir, em 19/12/97; Egyptair, em
31/10/99; LAM, em 29/11/13 e, eventualmente, o desaparecimento do avião da
Malaysia Airlines, em Março de 2014) e cuja exposição mediática pode ter levado
a que um acto solitário – o suicídio – passasse a ser encarado em conjunto,
arrastando outros no mesmo destino. Trinta minutos de fama “oblige”!
*****
Ora
aqui entra novamente o recrutamento e formação dos novos pilotos civis, já que
os militares ainda têm estado um pouco ao abrigo destas modernices: é que a
legislação existente (é a já europeia “EASA”) apenas (!) obriga ao 9º ano com
matemática e física e um exame médico (não muito exigente) em organismo
certificado para o efeito.
Não são exigidas nem provas físicas
nem psicotécnicas.
Os
alunos não as fazem e as escolas não os obrigam por serem onerosas e terem medo
que os alunos “fujam” para a concorrência. Também não é de uso efectuarem-se
despiste de drogas…
Algumas
empresas exigem testes psicotécnicos quando fazem o seu recrutamento, mas
tirando casos muito fora do desvio padrão, aparentam estar mais preocupados em
não ter ao seu serviço, pessoas que lhes dêem problemas laborais. De resto não
são mais repetidos.
Tirando
isto, a supervisão é mais ténue e a hierarquia também e o convívio é esparso.
Os tripulantes só convivem quando se encontram para voar, em acções de formação
ou nas verificações.
Ao
contrário dos aviadores militares, onde a hierarquia é mais rígida e
compartimentada, o convívio é corrente e o treino e operação, é conjunto.
Acresce
a tudo isto que nas escolas civis praticamente ninguém chumba. Vão desistindo…
Mas
mesmo que tudo corresse bem – e devemos tentar sempre esse desiderato – e tudo
fosse feito “by the book”, não é possível garantir uma segurança total, com a
resolução dos problemas a 100%. Casos destes irão fatalmente acontecer, pois a
natureza humana é como é, e está cheia de tarados, apesar da teoria do “Bom
Selvagem” nos tentar convencer do contrário.
Para já não falar na célebre “Lei
de Murphy”…
Decidir
a quente, legislando a fim de garantir sempre duas pessoas no cockpit -depois
de tudo se ter feito para lá não entrar ninguém, a não ser depois de
estritamente autorizado - não parece que vá resolver nada e é apenas fruto de
demagogia comicieira que visa, por causa do transtorno mediático, tentar
conseguir uma acalmia rápida na opinião pública e publicada.
Apostar,
porém, na luta do Bem contra o Mal, talvez fosse mais profícuo… a longo prazo.
Mas
quem é que estará interessado nisso?
João José Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador (por
vocação)
Comandante de Linha Aérea (por
vicissitudes da vida)
Instrutor de voo (por expiação)
sábado, 28 de março de 2015
COMPORTAMENTOS (MILITARES E CIVIS) INSÓLITOS, NUM PAÍS INSÓLITO
“O que não funciona vai dando
para o que não existe.”
Autor desconhecido
A frase expressa na introdução do
seu último livro, pelo Professor Cavaco Silva, defendendo que o seu substituto
na Presidência da República tivesse experiência em política internacional,
provocou uma pequena tempestade política num copo de água.
Não devem ter mesmo mais nada
para fazer.
Vejamos, a afirmação em si, é de
uma evidência cristalina e simultaneamente confrangedora, não representando
qualquer ideia política original, pensamento profundo sobre qualquer assunto ou
decisão que possa influir seja no que for.
É aquilo que em termos
científicos se poderia designar por “vulgaris de Lineu” e na gíria castrense,
de “generalidades e culatras”.
Mas logo vários pelotões de
políticos e comentadores vislumbraram na oração presidencial, intenções
capciosas sobre os putativos candidatos ao cargo e sei lá que mais
maquiavélicos pensamentos. Não há pachorra.
Lembramos que a extraordinária
lei eleitoral de que usufruímos, apenas impõe a um eventual candidato que seja
português (até ver) e que tenha mais do que 35 anos. Não exige mais nada (nem
sequer um registo criminal limpo), a não ser 7500 assinaturas de pessoas que
devem estar assaz preocupadas se os candidatos que apoiam sabem alguma coisa de
política externa….
Ofereço uma ideia: optem por ter
um Rei, que além de ter de saber dessa matéria, tem o problema da sucessão
resolvido!...
Um a zero na imbecilização do povo.
*****
O Ministro da Defesa fez um
despacho em que delega cerca de 90% (ou será mais?) das suas funções ao
alvedrio da sua Secretária de Estado.
Porque o fará?
Para que é preciso então, um ministro?
Já se sabia das preocupações que
S. Exª tem com o governo da sua firma de advogados (e eu a julgar que uma coisa
seria incompatível com a outra, até em termos de disponibilidade), mas que
diabo alguma coisa há-de ter para fazer no edifício do Restelo. Será que
necessita do seu precioso tempo para outras actividades, agora que se aproximam
épocas eleitorais?
Ou trata-se apenas de passar a
assumir publicamente a importância que dão à Defesa – que se resumiu sempre e
apenas, às Forças Armadas – e que agora como estas estão a caminho da exaustão,
atira-se-lhes com um “para quem é, bacalhau basta”?
Se assim for, porque poupa na
austeridade e não desaparece de vez, leva a Dr.ª Berta consigo e designa um
Director Geral com o título de “Presidente da Comissão Liquidatária”?
Não entenderá que é mais honesto
e consentâneo?
Dois a zero, na tal
imbecilização.
*****
Um Conselheiro de Estado perdeu
(depois de ter recorrido para a Relação), um processo que intentou em tribunal contra
um cidadão por se sentir difamado por ter intuído que lhe tinham chamado
traidor á Pátria, por alguns factos ocorridos no seu passado já longínquo.
Continua, porém, Conselheiro de
Estado, apesar do assunto ser pouco conhecido no país, já que a comunicação
social praticamente não fez eco do que se passou.
Felizmente que o julgamento
terminou desta forma, senão os cerca de um milhão de compatriotas, mobilizados
nas últimas campanhas ultramarinas (o caso tem a ver com este conflito) ficava
em maus lençóis por não terem seguido o exemplo em causa.
Podendo inferir-se até, que
seriam eles os traidores…
Mas não se tendo, por douta
sentença, seguido este caminho, ficam as perguntas seguintes: porque é que as
autoridades do país, na altura (referimo-nos ao pós 25 de Abril de 1974)
consubstanciados na Junta de Salvação Nacional e no Movimento das Forças
Armadas, não “arrecadaram” os que se tinham portado como o queixoso para os
julgarem sobre o que tinham feito, como se fez, por exemplo, com alguns daqueles
que foram na Legião Portuguesa lutar nas hostes napoleónicas, em 1807?
E como se permitiu, depois deste
“pecado original”, que a pessoa em causa e muitos outros, ocupassem altos
cargos em órgãos de soberania?
E como é que se permite que um
cidadão nestas condições (mesmo que eventuais crimes já tenham prescrito) se
possa candidatar ao mais alto cargo da Nação?
Porque não existe qualquer
censura social e quase toda a gente lhe aperta a mão?
Três a zero, a aumentar a
imbecilização do povo.
*****
Quase clandestinamente o
Parlamento votou a favor da ida de Eusébio da Silva Ferreira para o Panteão
Nacional.
A coisa foi feita algo
envergonhadamente e quando nada o faria supor.
Pudera, depois do “Pai da
Democracia”, cheio de verdete por o “Pantera Negra” nunca ter dito mal do
Professor Salazar, o mais apropriado que achou por bem dizer, após o passamento
do ídolo do futebol, foi tentar achincalhá-lo com um “bebia whisky ao pequeno -
almoço”, que se poderia esperar?
Lamentavelmente nada de
institucional existe para definir quem tem direito a dormir o sono eterno no
antigo templo de Santa Engrácia, ficando tudo à mercê das maiorias
parlamentares do momento.
Será até curioso, um dia ver o
que acontece quando se der um movimento para tirar de lá alguém…
Mas o que gostaríamos de focar
nesta crónica é, tão só, uma notícia veiculada nos órgãos de comunicação
social, e com origem, ao que se sabe, num deputado do PSD, que comentando a
novidade – que alguns órgãos de comunicação social propalaram acriticamente -
saiu-se com esta tirada digna de Horácio, Tucídides, quiçá, Virgílio: “Eusébio
é o primeiro português que vai para o Panteão e que não nasceu em Portugal”!
Gostaram?
Então nasceu onde, pode-se saber?
Lourenço Marques, capital de
Moçambique, onde chegámos em 1497, e que fez parte de todas as Constituições
portuguesas desde 1822, era território pária? E ninguém esfrega um pano
encharcado no “fácies” destes broncos?
Quatro a zero na imbecilização do
povo!
******
A Escola Secundária “C+S de
Cascalhais de Baixo” está com o ar condicionado avariado há um mês. Resultado,
manifestação de professores e alunos à frente da escola sendo, amiúde, os
portões da dita cuja fechados a corrente e cadeado; cinco minutos de imagens
nas televisões (todas á excepção do 2º canal); os comentaristas espraiam-se em
voluptuosa verve; clama-se para que o ministro da pasta respectiva se apresente
no Parlamento, a fim de ser interpelado (às vezes ele vai) e, não raro, se pede
a demissão do chefe do governo; chovem acusações de que o PR não tem opinião
sobre coisa alguma, (aliás, quando ele fala, é o que se sabe…).
Os exemplos podiam multiplicar-se
por “ene factorial” (N!).
Em contrapartida, a Força Aérea,
a Marinha e o Exército – este último consegue bater os outros dois aos pontos –
estão numa situação dramática, com falta de tudo, sem verba para se
sustentarem, sem pessoal, com os equipamentos (que restam) quase todos parados
e não há uma voz neste país (as das associações militares ouvem-se baixinho),
que exale um “ai” de preocupação a começar pelas chefias militares que quando
abrem a boca é para exprimirem um ar de “tranquilidade”.
Deve ser por ser segredo de
Estado, não vá o inimigo dar-se conta!...
No fim do reinado do Rei, Senhor
D. João V – e não se podia alegar então, haver falta de verba – os sentinelas
chegavam a pedir esmola à porta dos quartéis.
Deve ser por isso, que agora, os
estão a substituir por empresas de segurança…
N! a zero na imbecilização do
povo!
sexta-feira, 27 de março de 2015
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