sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

OS AMERICANOS E A BASE DAS LAJES

A operação das forças militares americanas na Base Aérea das Lajes há muito que merecia um livro.
Muito resumidamente foi assim:
A apetência dos EUA pelos Açores (e Cabo Verde) recua à Guerra Hispano-Americana, de 1898, que marca o início do imperialismo “yankee” fora do Continente Americano, o que nunca mais parou até hoje.
Prolongou-se na I Guerra Mundial, com a ameaça submarina alemã e a visita do futuro presidente Roosevelt (na altura Subsecretário de Estado da Marinha), em 1918, e firmou-se na II Guerra Mundial, por causa da ameaça naval alemã – podia ter sido aero - naval caso a Alemanha tivesse intentado e conseguido ocupar aquele arquipélago e também o da Madeira.
Mas quem, de facto, pensou ocupar os Açores – considerados como uma fronteira avançada de defesa da América – foram os próprios americanos, que chegaram a preparar uma invasão e ocupação do território, em Jul/Ago de 1941 (Operação “Life Buey”, comandada pelo Brig. Gen. Holland Smith).
Acontece que o Governo Português da altura – estrénuo defensor dos interesses portugueses – tinha reforçado o Açores com 25.000 homens e alguns meios aéreos e navais, dispondo-se a garantir a neutralidade proclamada, mesmo com o uso da força.
Os americanos fizeram um cálculo do risco e das baixas e hesitaram.
Mais experientes do que os seus amigos do outro lado do Atlântico, a diplomacia inglesa, valendo-se do especial relacionamento que tem connosco, desde 1373, veio tentar acalmar os ânimos e negociar uma solução adequada, até porque o governo português, num gesto habilíssimo, ameaçou invocar a velha Aliança em caso de ataque americano…
Destas negociações que foram duras e demoradas resultou a ida dos ingleses para as Lajes e, mais tarde, a dos americanos para S. Maria, com a condição de no fim da guerra saírem, deixarem-nos todas as instalações, garantirem a soberania portuguesa em todos os territórios ultramarinos e, ainda, a garantia que Timor Leste – ocupado pelos japoneses - voltaria para Portugal e que forças portuguesas participariam na libertação do território.
Tudo foi cumprido.
Em 1948 (ano anterior ao estabelecimento da OTAN) os EUA solicitaram facilidades de operação na Base Aérea 4 nas Lajes, o que foi concedido, até hoje.
A Base das Lajes pertence à Força Aérea Portuguesa.
Deste modo estabeleceu-se um destacamento da Marinha dos EUA – que operavam os aviões – outro da USAF – que operavam os meios de apoio terrestre – e do Exército Americano - que operavam as lanchas e equipamento portuário…
E como o governo de Lisboa, da altura, não brincava em serviço e não deixava que estrangeiros nos ditassem leis, logo acordou com Washington, um conjunto de condições que, além de não comprometerem minimamente a soberania nacional, tornavam os EUA completamente devedores de Portugal, pois não pagavam um dólar por lá estarem.
Tal facto devia-se a que a lógica política de então defendia, por ex., que nenhum pedaço de território nacional podia ser alugado…
Foi criado um Comando Aéreo Português, cujo comandante seria sempre mais antigo que o oficial americano mais graduado e, até, a bandeira americana não estava autorizada (creio que ainda não está) a tocar o solo Pátrio, ficando simbolicamente, assente num bloco de pedra para o efeito concebido.
Marcello Caetano que sucedeu a Salazar na chefia do governo, mudou a postura portuguesa para com os EUA, relativamente às Lajes, negociando contrapartidas materiais pela presença americana, o que se podia consubstanciar em ajuda económica directa ao Arquipélago, melhoria das condições dos trabalhadores portugueses e, sobretudo, em armamento e equipamento militar, de que as Forças Armadas Portuguesas estavam muito carenciadas devido aos conflitos ultramarinos iniciados em 1961.
Esta nova política acabou por não dar grandes frutos, sofrendo Portugal uma espécie de “ultimato” encapotado, relativamente ao uso indiscriminado da base, no socorro que Washington prestou a Israel na Guerra do Yom Kipur, em 1973.
A importância dos Açores nunca diminuiu para os EUA durante toda a “Guerra Fria”, por causa do eventual reforço rápido da Europa, da ameaça submarina soviética, além de ser ponto de apoio importante para aviões em rota para o Médio Oriente.
Com a queda do “Muro de Berlim”, em 1989, e a evolução geopolítica daí decorrente; a melhoria dos armamentos e, ultimamente, a mudança de prioridades de Washington para o Pacífico, a importância conjuntural da Base das Lajes perdeu valor relativo para os americanos.
Daí a natural mudança do seu dispositivo.
Por isso é lógico que queiram reduzir a sua presença nas Lajes (em 485 pessoas) mas, estamos em crer, jamais a Secretaria de Estado da Defesa dos EUA, quererá sair de lá de vez…
É claro que esta redução vai constituir um duro golpe na economia da Ilha Terceira e levar ao desemprego estimado de 500 trabalhadores portugueses, cujo vínculo se procurava articular com as leis de trabalho nacionais.
Mas temos que perceber que os americanos não estão lá pelos nossos lindos olhos e tratam de defender os seus interesses e não os alheios.
Os Açores já tinham sofrido um duro golpe aquando da saída dos franceses da base de rastreio de misseis, que montaram na Ilha das Flores, em 1993, sem que tivesse ocorrido o alarido de agora.[1]
Pacífica e gradual foi, também, a saída dos alemães da base de Beja, em 1993.[2]
Por tudo isto não se entende o actual “histerismo” de políticos e sobretudo do Governo Regional dos Açores, à volta deste assunto, revelando uma grande falta de sentido de Estado e em nada contribuindo para um bom desfecho do que está em curso e para as futuras relações com os EUA.
A ameaça velada e pública, sobre a possibilidade da China (ou outros) poder vir a operar no Arquipélago é, a todos os títulos, deplorável.
Há coisas que se tratam na circunspecção das chancelarias e não no ruído e demagogia da rua.
Um contrato é um vínculo de interesses comuns, entre duas ou mais partes. Se uma das partes se quiser desvincular, só tem que o fazer negociando tal desiderato em função do que estiver vertido no acordo.
Além do mais este é um assunto de Defesa e Segurança Nacionais, tratado estado a estado e, por isso, o Governo Regional, deve-se remeter apenas para as suas funções constitucionais.[3]
Nós podemos, eventualmente, gostar mais ou menos da presença americana nas Lages, mas a decisão da sua diminuição ultrapassa-nos. A não ser que fossemos nós a querer impor essa redução.
Pode (e eventualmente deve) Lisboa mostrar as suas preocupações; oferecer a sua hospitalidade; apresentar outras propostas de relacionamento bilateral, etc., mas não pode exigir nada relativamente à presença americana na Base, a não ser o que está estritamente acordado para o efeito, e ficar com as decisões ora tomadas, em carteira.
A algaraviada de exigências propaladas pelos “média” não passam de ruído ineficaz, apenas explicáveis pela eterna luta partidária.
Temos que estar atentos ao comportamento do FMI e do Banco Mundial, onde os EUA pontificam, cuidar da nossa comunidade emigrante naquele país e ter que ter especial cuidado com a atitude que os americanos irão assumir, na ONU, face à proposta de alargamento da Plataforma Continental, apresentada por Portugal.
E, curiosamente, não vemos ninguém preocupado com a exiguidade (sempre a diminuir…), de meios militares portugueses no (s) Arquipélago (s) e na necessidade urgente de inverter a situação.
Requerem-se bom senso e clarividência política e estratégica.
Uma coisa – além do “saber”- anda, aliás, ligada à outra.
 


[1] O anúncio da constituição da Base foi feito pelo MNE Franco Nogueira, em 1964, tendo o acordo sido assinado, em 7 de Abril daquele ano, e as suas instalações inauguradas em outubro de 1966.
[2] O acordo para a utilização da Base de Beja (construída de raiz), ocorreu em Dezembro de 1960, mas o primeiro contingente de militares alemães só chegou em 8/8/1966.
[3] A existência de Ministros da República; Assembleias Regionais e Governos Regionais, não encontra qualquer razão de existência, a não ser como mitigação para as loucuras do “PREC”e, sobretudo, na quantidade de tachos políticos que proporciona – uma despesa enorme sem praticamente qualquer retorno útil. Uma realidade muito difícil de modificar no futuro…
Não contentes com isto, forças políticas, voltaram recentemente a defender a necessidade de “Regionalização”, ideia absolutamente idiota, bacoca e de lesa-Pátria!

TERTÚLIA EM LAGOA


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

DEFESA E SEGURANÇA – CURTAS E GROSSAS IV

A Espanha único país com o qual voltámos a ter fronteiras desde a conquista de Ceuta, em 1415, continua a fazer-nos má vizinhança por causa das Ilhas Selvagens.
 
A questão última gira à volta de uma área de 10.000 Km2, que uma proposta do Estado Espanhol sobre o alargamento da Plataforma Continental das Canárias nos iria “roubar”, caso seja aprovada.
Está na altura do que resta do governo português sair da sua modorra cobardolas, a que normalmente se remete, e faça qualquer coisa com verdadeiro significado político.
Dou alguns exemplos.
Colocar a resolução do problema de Olivença em cima da mesa da próxima cimeira Luso-Espanhola (não “Ibérica”).
Enviar uma ou duas fragatas e instalar, temporariamente, um pelotão de fuzileiros e uma bataria de mísseis antiaéreos, nas Selvagens (o que só lhes fazia bem: respiravam ar puro e observavam a natureza no seu esplendor – caso ainda haja dinheiro para lhes pagar as ajudas de custo, bem entendido).
Em simultâneo, uma esquadrilha de F-16 “voaria” até Porto Santo onde fariam umas missões de treino aos “abibes” (filhotes dos Falcões – nome dado aos pilotos em treino na esquadra do mesmo nome).
Tal não parece má ideia, mesmo que pudesse causar alterações do foro psicossomático aos deputados do Bloco de Esquerda, dado o seu conhecido credo pacifista. Tinha ainda a vantagem de aproveitar as horas de voo disponíveis à pala da venda dos 12 F-16 à Roménia – quando os romenos se forem embora, a esquadra fecha…
Finalmente aproveitava-se para fazer um exercício de mobilização parcial dos cidadãos até aos 35 anos, que estejam na “reserva territorial”, o que sempre dava para explicitar, á luz do dia, o caos que uma tal decisão provocaria! Etc..
Acredito, porém, que nada disto se venha a passar; inclino-me, por outro lado, que se estabeleçam, á sorrelfa, umas conversações quaisquer em que os governantes “tugas” vão ceder em toda a linha, inventando-se uma contrapartida piedosa, para salvar a face.
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Abandonado que foi, por um governo, o programa dos “Navios de Patrulha Oceânica” da Classe Viana do Castelo”, que foi uma concepção da Armada Nacional, por via do encerramento dos estaleiros sitos na cidade que lhe deu o nome, vai agora comprar-se quatro patrulhas (“Stanflex 300)”, em segunda mão, à Marinha do Reino da Dinamarca.
Tal desiderato já foi aprovado na revista Lei de Programação Militar – sendo bom lembrar que, até hoje, nunca uma lei destas foi cumprida na sua plenitude, estando constantemente a ser revistas, significando na prática, ir-se cortando ou cancelando programas…
É lamentável que tudo isto tenha acontecido.
Primeiro porque a Marinha não vai obter o que pretendia e melhor cumpria os requisitos operacionais estabelecidos; depois, porque é material já usado, com uma expectativa de vida operacional limitada e implica mais um sistema logístico dispendioso; por último porque o país vai perdendo toda a capacidade de construção naval e de manter conhecimentos nesta área. Ficamos assim, sem qualquer autonomia e inviabilizando qualquer capacidade de exportação futura.
A cegueira estratégica das “elites” governantes anda ao nível das fossas abissais.
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A saga dos submarinos continua. A confusão também.
Esta confusão é, aliás, muito conveniente a quem, neste âmbito, não tem bons propósitos.
Uma distinção é prioritária fazer á cabeça: a de que a necessidade e a qualidade dos submarinos não têm nada a ver com eventuais actos de corrupção ou atropelos legais, na fase da sua aquisição.
Ora esta distinção não aparece clara nem ninguém fala nela, o que parece ser de propósito.
É preciso deixar bem claro, e assentar, que os submarinos são absolutamente necessários aos interesses nacionais; ao conceito estratégico de defesa nacional, aprovado, e às missões, dispositivo e sistema de forças que dele decorrem.
Aliás, deviam ser três submarinos e não dois, como inicialmente aprovado.
É necessário ainda não haver dúvidas que a qualidade dos submersíveis nunca esteve em causa, pois são do melhor que se fabrica e permitem às FA cumprirem um leque alargado de missões, com uma flexibilização táctica notável e, até, com alguma capacidade estratégica.
O seguinte ponto a esclarecer é que, os militares nada têm a ver com o negócio da compra dos submarinos, pois há muito que o poder político teve o “cuidado” de retirar os organismos militares do circuito da compra e venda de equipamento militar.
Por último o que parece ter corrido bastante mal é o processo das contrapartidas que são oferecidas/negociadas, a fim de tornar o contrato mais atraente e, desse modo, influir na decisão.
Estas contrapartidas costumam tomar a forma de investimentos, ou compras noutras áreas de negócio; transferência de tecnologia; incorporação de componentes subcontratados a empresas nacionais, etc..
Acresce, neste caso, o facto do financiamento da compra dos submarinos ter sido feita através de bancos em sistema de “leasing”.
Enfim, entre decisão e negócio o assunto arrastou-se por cerca de duas décadas…
Se no meio disto tudo foram pagas “luvas” ou “comissões” indevidas, a pessoas singulares ou para eventuais “sacos azuis” partidários ou, por via disso, houve qualquer outro dolo, ou dano; se houve má - fé nas contrapartidas, ou estas apenas serviram de “cortina de fumo” para “inglês ver”, ou qualquer outro ilícito, cabe às autoridades judiciais investigarem e actuarem em conformidade.
Haver empenhamento político para que as coisas se esclareçam; emendar procedimentos/legislação (ou não) e castigar eventuais infractores, é o normal que se deve exigir.
Até lá deixem os submarinos em paz e a Marinha operá-los e mantê-los.
Tenha-se esperança que nunca seja necessário usar as suas armas em termos reias, mas que não se hesite em fazê-lo caso seja necessário.
É que já não há pachorra!
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 Com a constante fuga de pessoal navegante da Força Aérea, do serviço activo – pois de uma verdadeira fuga se trata – as esquadras que operavam os helicópteros EH 101 (e não só) – uma excelente, complexa e, naturalmente, cara aeronave – ficaram muito decapitadas de pilotos, nomeadamente comandantes de bordo.
Tal facto levou, por exemplo, à incrível situação do helicóptero (deviam ser, no mínimo dois), que está destacado no Arquipélago da Madeira, não tivesse a tripulação completa, sendo o comandante de bordo, transportado de Lisboa (de Falcon) em caso de emergência SAR (busca e salvamento).
Caso houvesse disponibilidade de avião e de piloto, acrescentamos nós.
A FA conseguiu, ao fim de seis meses, formar um novo comandante de bordo, obviando-se assim à situação.
Devido às restrições orçamentais continuadas e outras, a FA encontra-se, já há muito, a viver três paradoxos: o de haver poucos pilotos que voam “de mais”; haver outros tantos que voam de menos (ou pura e simplesmente, não voam) e, mais grave de tudo, está quase sem capacidade para formar novos pilotos, nem de regenerar as qualificações dos existentes.
Tudo como dantes, quartel – general em Abrantes.
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Na sequência do escândalo dos “vistos gold”, veio à tona, uma suspeita de actuação de elementos do Serviço de Informações de Segurança (SIS), que andariam a “limpar” provas de um dos detidos, mais concretamente o ex-diretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
Outros casos e suspeitas existem de actuação menos consentânea e até de ligações perigosas entre membros do SIS e negócios.
Passados algumas semanas, o Primeiro-Ministro, algo discretamente, demitiu o Director do SIS, suspeito de ligações à Maçonaria, substituindo-o pelo seu número dois, igualmente suspeito de pertencer à mesma agremiação.
Aliás confrontado com uma pergunta directa e pública de uma Deputada do PSD – pergunta que não foi, certamente, inocente – o novel director, aos costumes disse nada.
Nesta questão de evitar que qualquer figura que vá ocupar um cargo público seja confrontado e tenha de responder a esta questão – o que seria do mais elementar bom senso e conveniência política – anda muito empenhado um antigo ministro socialista, também ele membro da “confraria do avental”, e já com especiais responsabilidades na matéria, no seu curriculum.
Pergunta-se: porque é que o PM não aproveitou a ocasião para ir mais além, no “saneamento” dos serviços?
Porque se continua a manter possíveis membros de sociedades secretas/discretas à frente de organismos de especial relevância, sem tirar tal facto a limpo?
Porque é que, aparentemente, as obediências maçónicas têm tanto empenho em “infiltrar elementos seus nos serviços secretos? (Serviços que, desde 1974 são uma questão mal arrumada e ou, não funcionam, ou deixam muito a desejar).
No estado em que estão as coisas, quando algum governo quiser endireitar os Serviços de Informação, vão ter que lá meter um militar, general ou não, que seja isento.
O que não se vislumbra que vá acontecer, já que esta gente dos Partidos, a começar no PSD, têm os militares na pior das contas. E, de resto, não descansaram enquanto não os tiraram de lá.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

sábado, 17 de janeiro de 2015

SOBRE OS ÚLTIMOS EVENTOS NA TERRA DA “LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE”

“By way of deception, Thou shalt do war”
Lema da Mossad (serviço secreto israelita)

Portugal teve a felicidade de nascer e formar-se neste cantinho ocidental da Europa.
 
Tivemos o azar de confinar com Castela/Leão o que nos importunou amiúde e a sorte da excelente companhia do Atlântico, autêntica janela de oportunidade e liberdade.
 
De riquezas naturais estamos remediados, assim tivéssemos tino para as explorar e preservar.
 
Tirando os abalos sísmicos fomos também bafejados pelo clima.
 
A coesão cultural, religiosa e linguística é outra riqueza extraordinária.
 
Só nos damos conta disto, porém, quando saímos de cá para fora e nos damos conta do que se passa noutras paragens.
 
Relativamente à emigração/terrorismo que é um dos (vários) problemas que estão em cima da actualidade política na Europa, também temos tido alguma sorte do nosso lado, embora não tenhamos feito muito por isso.
 
Como Portugal é excêntrico à grande massa continental e mesmo relativamente à Península Ibérica e, enfim, não sendo a economia brilhante, a quantidade de imigrantes que nos procuram tem sido relativamente pequena e ainda é gerível.
 
Não tem nada a ver com o que se passa na maioria dos países europeus, sobretudo aqueles que estavam do lado de cá da ex-Cortina de Ferro. E nós também não temos consciência disso.
 
De facto a comunidade imigrante estabilizou entre os 400 e 500 mil indivíduos, estando a decrescer há quatro ou cinco anos por via da “crise”.
 
A grande maioria dos imigrantes vem de países que falam português – aquilo a que chamo de “pretos doces” – cujos problemas derivam apenas das gerações descaracterizadas, infiltrações de máfias do Leste da Europa e ainda de alguma banditagem brasileira que a degenerescência dos costumes daquele lado do Atlântico exportou para cá.
 
O número de muçulmanos é muito pequeno, a maioria com origem na Guiné e Moçambique e temos tido a sorte do líder da comunidade islâmica de Lisboa, Sheik David Munir, ser um homem moderado e inteligente, com uma grande costela portuguesa.
 
As recentes aquisições lá das bandas do Paquistão é que é provável trazerem problemas, que é necessário identificar e isolar rapidamente.
 
Finalmente, os portugueses são o único povo europeu que não é racista e isso está-nos no ADN há muitos séculos.
 
Isto quer dizer que, ao contrário do que acontece noutros países, os portugueses são aqueles que melhor conseguem integrar os imigrantes.
 
Porque integrar os emigrantes não é construir-lhes blocos de apartamentos nem cumulá-los com bonitas declarações de princípios: é convidá-los para irem almoçar connosco!
 
Ora o que se passa no resto da Europa não tem nada a ver com isto.
 
O que se passa é que hordas de milhões de indivíduos foram desembarcando no Continente Europeu, fugindo á miséria, grande parte deles, sobretudo negroides e árabes/berberes, sem qualquer afinidade com as sociedades para onde se mudavam, de uma maneira anárquica.
 
Muitos deles recusam-se a integrar-se e foram encontrando sociedades europeias cada vez mais permissivas, amolecidas moralmente, egoístas e hedonistas, que não querem ter filhos nem desempenhar determinadas tarefas/trabalhos, tidos por menos condignos ou duros.
 
Isto para já não falar nas redes de tráfico humano e exploração do trabalho, que foram surgindo. A demagogia dos “direitos humanos” fez o resto.
 
Preconceitos e complexos de culpa vários e falta de autoridade militante foram tornando as leis permissivas, o que facilitou a obtenção de nacionalidade, o usufruto da segurança social e, até, a participação política.
 
Daqui para a reivindicação de situações de excepção e de enviesamento das leis a favor das comunidades extrínsecas aos países, foi um passo.
 
Inventou-se o “multiculturalismo” que debaixo da capa da igualdade de direitos foi segregando e auto segregando as comunidades em ilhas arco-íris, descaracterizando as sociedades dos países de acolhimento, sobretudo nas grandes cidades.
 
Ora chegámos a um ponto em que tudo deixou de ser sustentável: não é possível pagar tudo isto, não é possível absorver tudo isto; não é possível conviver com tudo isto, não é possível aturar tudo isto!
 
As nações estão pois, em vias, de implodir e, ou de deixar de ser elas próprias.
 
A permeabilidade das fronteiras permite que tudo se compre e tudo se venda e tudo e todos se movimentem. Começa a não se conseguir controlar seja o que for.
 
Acresce que há múltiplos conflitos no mundo onde os países europeus (e sobretudo os EUA) actuam por vezes militarmente. Os principais focos de instabilidades têm a ver com conflitos entre muçulmanos, venda de petróleo e gaz e com a questão fulcral, da existência do Estado de Israel.
 
E, agora, todos os dias são mortas pessoas um pouco por todo o lado, por meio de “drones”, que ninguém vê, operados muitas vezes em salas com ar condicionado a muitos Km do local de operação e com a decisão de matar delegada em baixos escalões de comando…
 
É pois natural que estes problemas passem a repercutir dentro das fronteiras europeias.
 
E, é claro que os europeus sentem muito diferentemente o que se passa lá longe, com aquilo que acontece dentro das suas fronteiras…
 
Acresce o facto de em vez de serem as comunidades imigrantes a cumprirem as leis dos países para onde imigram e respeitarem os costumes e tradições locais, tem passado a acontecer precisamente o contrário.
 
A insanidade é total e está aberto o caminho para uma guerra civil generalizada.
 
Ora tem que se arrepiar caminho rapidamente e a primeira coisa a fazer é tomar consciência que os sucessivos governos europeus são os verdadeiros culpados disto tudo, mesmo que algumas das ideias postas em prática tivessem origem em boas intenções.
 
Porém, quão longe da verdade das coisas e dos humores da natureza humana…
 
A reacção aconteceu agora pelos piores motivos, isto é, não pela liberdade de expressão e de informação, mas sim por causa do abuso que foi feito dessa liberdade. O que serviu de “desculpa” para a eliminação física de 12 pessoas.
 
Toda a gente sabe, embora nem todos aceitem, que a liberdade de cada um acaba onde começa a do outro, por isso a “Liberdade sendo um conceito absoluto – logo intangível, tem aplicação relativa.
 
Veja-se aliás, o que aconteceu em França (que deve ser presentemente o país europeu mais moralmente destroçado), para implantar a trilogia jacobina e mentirosa da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, quantas centenas de milhares de pessoas foram guilhotinadas ou afogadas nos rios franceses, para impôr “La Republique”?
 
Ora o tal “Charlie Hebdo” assemelha-se a um pasquim de anarcas alucinados, que não respeitam nada nem ninguém. E podiam cair vítimas de um radicalismo islâmico ou outro. Razões de queixa não faltavam…
 
Os jornalistas existem para dar notícias e tratar com isenção os temas da actualidade tendo o “estatuto” de comentadores podem e devem, criticar situações, pessoas ou instituições, mas tal não implica o insulto, a mentira ou a insinuação, só para referirmos estas.
 
Tão pouco, os jornalistas se devem arrogar o direito a influenciar a sociedade mais do que qualquer outro grupo profissional ou social. A que propósito o fariam?!
 
Vamos mesmo ter que ganhar juízo e preparar-nos para o pior.
 
Independentemente de terem sido muçulmanos a puxar o gatilho, terroristas ao serviço de uma qualquer causa, ou ter sido mais uma das operações da “Mossad”.
 
A procissão nem sequer chegou ao adro.
 
Pode ser que se consiga estabilizar a situação, não só porque a Europa já viu temporadas alargadas de outros terrorismos ou, simplesmente, por uma questão de sobrevivência.
 
Mas vai ser difícil: desta vez estão muitas dezenas de milhões de problemas cá dentro; a autoridade e as forças militares têm sido dizimadas e o relativismo moral impera.
 
Os portugueses vão ter que pensar seriamente como vão sobreviver ao que aí vem.
 
E ainda nem sequer começaram a pensar nisso.