sábado, 17 de janeiro de 2015

SOBRE OS ÚLTIMOS EVENTOS NA TERRA DA “LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE”

“By way of deception, Thou shalt do war”
Lema da Mossad (serviço secreto israelita)

Portugal teve a felicidade de nascer e formar-se neste cantinho ocidental da Europa.
 
Tivemos o azar de confinar com Castela/Leão o que nos importunou amiúde e a sorte da excelente companhia do Atlântico, autêntica janela de oportunidade e liberdade.
 
De riquezas naturais estamos remediados, assim tivéssemos tino para as explorar e preservar.
 
Tirando os abalos sísmicos fomos também bafejados pelo clima.
 
A coesão cultural, religiosa e linguística é outra riqueza extraordinária.
 
Só nos damos conta disto, porém, quando saímos de cá para fora e nos damos conta do que se passa noutras paragens.
 
Relativamente à emigração/terrorismo que é um dos (vários) problemas que estão em cima da actualidade política na Europa, também temos tido alguma sorte do nosso lado, embora não tenhamos feito muito por isso.
 
Como Portugal é excêntrico à grande massa continental e mesmo relativamente à Península Ibérica e, enfim, não sendo a economia brilhante, a quantidade de imigrantes que nos procuram tem sido relativamente pequena e ainda é gerível.
 
Não tem nada a ver com o que se passa na maioria dos países europeus, sobretudo aqueles que estavam do lado de cá da ex-Cortina de Ferro. E nós também não temos consciência disso.
 
De facto a comunidade imigrante estabilizou entre os 400 e 500 mil indivíduos, estando a decrescer há quatro ou cinco anos por via da “crise”.
 
A grande maioria dos imigrantes vem de países que falam português – aquilo a que chamo de “pretos doces” – cujos problemas derivam apenas das gerações descaracterizadas, infiltrações de máfias do Leste da Europa e ainda de alguma banditagem brasileira que a degenerescência dos costumes daquele lado do Atlântico exportou para cá.
 
O número de muçulmanos é muito pequeno, a maioria com origem na Guiné e Moçambique e temos tido a sorte do líder da comunidade islâmica de Lisboa, Sheik David Munir, ser um homem moderado e inteligente, com uma grande costela portuguesa.
 
As recentes aquisições lá das bandas do Paquistão é que é provável trazerem problemas, que é necessário identificar e isolar rapidamente.
 
Finalmente, os portugueses são o único povo europeu que não é racista e isso está-nos no ADN há muitos séculos.
 
Isto quer dizer que, ao contrário do que acontece noutros países, os portugueses são aqueles que melhor conseguem integrar os imigrantes.
 
Porque integrar os emigrantes não é construir-lhes blocos de apartamentos nem cumulá-los com bonitas declarações de princípios: é convidá-los para irem almoçar connosco!
 
Ora o que se passa no resto da Europa não tem nada a ver com isto.
 
O que se passa é que hordas de milhões de indivíduos foram desembarcando no Continente Europeu, fugindo á miséria, grande parte deles, sobretudo negroides e árabes/berberes, sem qualquer afinidade com as sociedades para onde se mudavam, de uma maneira anárquica.
 
Muitos deles recusam-se a integrar-se e foram encontrando sociedades europeias cada vez mais permissivas, amolecidas moralmente, egoístas e hedonistas, que não querem ter filhos nem desempenhar determinadas tarefas/trabalhos, tidos por menos condignos ou duros.
 
Isto para já não falar nas redes de tráfico humano e exploração do trabalho, que foram surgindo. A demagogia dos “direitos humanos” fez o resto.
 
Preconceitos e complexos de culpa vários e falta de autoridade militante foram tornando as leis permissivas, o que facilitou a obtenção de nacionalidade, o usufruto da segurança social e, até, a participação política.
 
Daqui para a reivindicação de situações de excepção e de enviesamento das leis a favor das comunidades extrínsecas aos países, foi um passo.
 
Inventou-se o “multiculturalismo” que debaixo da capa da igualdade de direitos foi segregando e auto segregando as comunidades em ilhas arco-íris, descaracterizando as sociedades dos países de acolhimento, sobretudo nas grandes cidades.
 
Ora chegámos a um ponto em que tudo deixou de ser sustentável: não é possível pagar tudo isto, não é possível absorver tudo isto; não é possível conviver com tudo isto, não é possível aturar tudo isto!
 
As nações estão pois, em vias, de implodir e, ou de deixar de ser elas próprias.
 
A permeabilidade das fronteiras permite que tudo se compre e tudo se venda e tudo e todos se movimentem. Começa a não se conseguir controlar seja o que for.
 
Acresce que há múltiplos conflitos no mundo onde os países europeus (e sobretudo os EUA) actuam por vezes militarmente. Os principais focos de instabilidades têm a ver com conflitos entre muçulmanos, venda de petróleo e gaz e com a questão fulcral, da existência do Estado de Israel.
 
E, agora, todos os dias são mortas pessoas um pouco por todo o lado, por meio de “drones”, que ninguém vê, operados muitas vezes em salas com ar condicionado a muitos Km do local de operação e com a decisão de matar delegada em baixos escalões de comando…
 
É pois natural que estes problemas passem a repercutir dentro das fronteiras europeias.
 
E, é claro que os europeus sentem muito diferentemente o que se passa lá longe, com aquilo que acontece dentro das suas fronteiras…
 
Acresce o facto de em vez de serem as comunidades imigrantes a cumprirem as leis dos países para onde imigram e respeitarem os costumes e tradições locais, tem passado a acontecer precisamente o contrário.
 
A insanidade é total e está aberto o caminho para uma guerra civil generalizada.
 
Ora tem que se arrepiar caminho rapidamente e a primeira coisa a fazer é tomar consciência que os sucessivos governos europeus são os verdadeiros culpados disto tudo, mesmo que algumas das ideias postas em prática tivessem origem em boas intenções.
 
Porém, quão longe da verdade das coisas e dos humores da natureza humana…
 
A reacção aconteceu agora pelos piores motivos, isto é, não pela liberdade de expressão e de informação, mas sim por causa do abuso que foi feito dessa liberdade. O que serviu de “desculpa” para a eliminação física de 12 pessoas.
 
Toda a gente sabe, embora nem todos aceitem, que a liberdade de cada um acaba onde começa a do outro, por isso a “Liberdade sendo um conceito absoluto – logo intangível, tem aplicação relativa.
 
Veja-se aliás, o que aconteceu em França (que deve ser presentemente o país europeu mais moralmente destroçado), para implantar a trilogia jacobina e mentirosa da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, quantas centenas de milhares de pessoas foram guilhotinadas ou afogadas nos rios franceses, para impôr “La Republique”?
 
Ora o tal “Charlie Hebdo” assemelha-se a um pasquim de anarcas alucinados, que não respeitam nada nem ninguém. E podiam cair vítimas de um radicalismo islâmico ou outro. Razões de queixa não faltavam…
 
Os jornalistas existem para dar notícias e tratar com isenção os temas da actualidade tendo o “estatuto” de comentadores podem e devem, criticar situações, pessoas ou instituições, mas tal não implica o insulto, a mentira ou a insinuação, só para referirmos estas.
 
Tão pouco, os jornalistas se devem arrogar o direito a influenciar a sociedade mais do que qualquer outro grupo profissional ou social. A que propósito o fariam?!
 
Vamos mesmo ter que ganhar juízo e preparar-nos para o pior.
 
Independentemente de terem sido muçulmanos a puxar o gatilho, terroristas ao serviço de uma qualquer causa, ou ter sido mais uma das operações da “Mossad”.
 
A procissão nem sequer chegou ao adro.
 
Pode ser que se consiga estabilizar a situação, não só porque a Europa já viu temporadas alargadas de outros terrorismos ou, simplesmente, por uma questão de sobrevivência.
 
Mas vai ser difícil: desta vez estão muitas dezenas de milhões de problemas cá dentro; a autoridade e as forças militares têm sido dizimadas e o relativismo moral impera.
 
Os portugueses vão ter que pensar seriamente como vão sobreviver ao que aí vem.
 
E ainda nem sequer começaram a pensar nisso.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

ENSAIO DE ANO NOVO, VIDA NOVA

“…só tem Pátria quem sabe morrer, só tem Pátria quem sabe lutar”.
Última estrofe da marcha dos Fuzileiros.
Andámos a filosofar sobre o “sentido da vida”.
Mas enquanto “peregrinamos” sobre o Planeta Terra confrontamo-nos com a realidade do dia-a-dia.
Independentemente das convicções religiosas, ideologias, afectos, etc., devemos preocupar - nos em tornar a nossa existência melhor.
Melhor quer dizer Justa e harmoniosa do ponto de vista material, moral e espiritual.
Os homens apareceram na Terra há cerca de dois milhões de anos – segundo os últimos estudos – não se fazendo ideia do como nem do porquê, multiplicaram-se e evoluíram sem um nexo que se entenda.
Ao princípio eram muito poucos, começam por juntar-se em famílias; estas em grupos (clãs), depois em tribos.
Lutaram entre si, amalgamaram-se, sedentarizaram-se. Aumentaram, diferenciaram-se, criaram-se novas realidades sociais e políticas; outras desapareceram.
Surgiram cidades – estado, impérios, reinos, repúblicas.
A Geografia arrumou e confinou povos, que criaram identidade própria, por processos vários.
Nascem as Nações, desenvolve-se o Estado, e vice-versa.
Portugal nasceu no meio deste turbilhão histórico, no princípio do século XII, país onde a Nação precedeu largamente o Estado e onde este foi apenas corolário dos elementos coesos constitutivos daquela: unidade de objectivos políticos; uma só cultura; uma só língua e uma única religião. Tudo resultou numa unidade geopolítica coesa.
Em súmula um Estado – Nação quase perfeito (não há nada perfeito), seguramente um dos mais perfeitos e arrumados que há no mundo, e que resiste mesmo depois do poder político ter residido em Madrid durante 60 anos, e de ter passado por três enormes “desarrumações” que lhe feriram gravemente a sua matriz inicial: a ocorrida no reinado do “Piedoso”; as sequelas do Liberalismo e do 25 de Abril.
A evolução do mundo não pára e enquanto muda a maior parte dos países – cujo número cresceu desmesuradamente no último século, de poucas dezenas para duas centenas – ainda procura conseguir ter um Estado que represente uma Nação, os países mais antigos e desenvolvidos estão a autodestruir-se, através de associações regionais de tendência federativa; de regionalismos de deriva separatista, do fim das Pátrias, pela desagregação do sentimento de pertença, do conceito de família; da transversalidade das ideologias; dos fluxos migratórios descontrolados e em massa e do desenvolvimento do conceito de “cidadão do mundo”.
Finalmente pela “Globalização económica e financeira, que irá destruir o tecido empresarial nacional em favor das multinacionais de negócio e “trusts” bolsistas mundiais.
Em termos de organização política os Estados vão ter tendência a desaparecer, pois não servem para nada, já que não dominam qualquer das alavancas fundamentais do Poder: a emissão de moeda e a capacidade de levantar tropas; não controlam as fronteiras, o movimento das pessoas e mercadorias.
Apenas lhes é permitido, por enquanto, cobrarem impostos. Até lhes arranjarem substituto…
Sabe-se quem puxa os cordelinhos disto tudo, mas é quase tabu falar-se nisso.
Ou seja, caminhamos para que cada individuo apenas valha por si só (tem-se instigado, aliás, um individualismo narcísico) - pois não se anda a vender a ideia que cada um pode ser Deus de si mesmo? E que seja um consumidor passivo do que lhe quiserem dar, segundo fórmula ainda a estabelecer, e que não esteja restrito/veiculado a nenhuma família, religião, tribo, nação ou ideologia.
De onde deriva – pensarão, eventualmente – que não havendo família, religião, nação e ideologia, não haverá razão para haver guerras. Esqueceram-se do dinheiro…
Ou seja, daqui resultaria uma “Nova Ordem Mundial” (como de resto está escrito nas notas de dólar) verdadeiramente “revolucionária”.
Como se consegue isto, que se arrasta há bastantes décadas?
Parece-me que através da ajuda da informática (como instrumento fundamental); com o controlo do que cada um faz através de um “chip” que se introduz no organismo (não deve faltar muito); controlo da mente - propaganda em catadupas; dilúvio de notícias; imbecilização da sociedade; eliminação do transcendente; relativismo moral; condicionamento social que dificulte a capacidade de pensar/reagir; controlo da natalidade – pilula e derivados; aborto; vacinações selectivas; manipulação genética, etc. – etc.); a existência de uma força de policiamento internacional (há muito exercida pelas FA dos EUA e agora a ser extrapolada para a NATO, a EUROGENDARFORCE, Guarda Costeira em gestação, etc.) e, sobretudo, através da manipulação do dinheiro.
Ou seja a concentração do dinheiro nas mãos de cada vez menos pessoas ou organizações (as mesmas que começaram a surgir há cerca de 250 anos) e a sua distribuição (crédito) segundo as conveniências, o que permite manter e regime de “escravidão” cada vez mais populações e países.
No limite o dinheiro pode até desaparecer, passando a virtual – grande parte dele já o é, aliás.
Passaríamos a ter – ó ironia das ironias – uma sociedade comunista aparentemente perfeita, criada pelos expoentes do Capitalismo!
Como, afinal os extremos se tocam…
Ou será que a “mente” que pensa (e tudo vê) é só uma?
Será um mundo destes que nós queremos? É que estamos a caminhar para ele a passos de gigante!
Se os leitores chegaram a este ponto do escrito poderão pensar se estarão a entrar no mundo da ficção científica, ou a ser confrontados com um caso clinico de demência.
Pensem o que quiserem, apenas peço que pensem alguma coisa, o que já não seria mau.
                                                           *****
Para os que optaram pelo caso clínico, vou acrescentar mais uns elementos fundamentais de insanidade.  
Se continuarmos por esta via a Humanidade fundir-se-á – num futuro sem pressas – numa só, através da mistura indiscriminada de todas as raças e culturas. E, até, de todas as religiões, para o que até – teoricamente – já se encontrou um substituto para todas: aquele que tem como vértice o “Supremo Arquitecto do Universo”. Seja lá isso o que for.
Escapariam, eventualmente, a esta “amálgama”, aqueles que, por primazia da linha materna de descendência, pudessem manter a sua identidade…
Não devo ir mais além nisto.
Existem porém, ainda, forças poderosas que resistem, ou são entraves, a tudo isto, a saber:
- O mundo muçulmano, completamente dividido em termos de fronteiras “coloniais”, entre ricos e pobres e, sobretudo, entre facções religiosas que se antagonizam à lei da bala; no meio um conflito aparentemente insolúvel, Israel/palestiniano e um problema longe de estar resolvido entre o que pertence a César e o que pertence a Deus.
Daí o constante apelo à união dos crentes (UMA) e à sua reunião num Califado, para o que se procura constantemente um novo Saladino;
- Os povos eslavos debaixo da tutela do antigo Ducado da Moscóvia intentam afirmar-se ciclicamente e libertar-se de jugos alheios, o que lhes desenvolveu durante séculos um complexo de cerco de que não se libertam. As condicionantes geopolíticas não ajudam e a economia não descola, dependente que está da tecnologia alheia e de insuficiência alimentar crónica. Vivem do que tiram do subsolo e da capacidade de sofrimento de um povo estoico e infeliz, que uma demografia negativa está a colocar em perigo e que o ressurgimento da Igreja Ortodoxa vai aguentando;
- Temos, finalmente, a China, com uma civilização milenar, que só um poder central forte consegue manter unida, na sua multitude de raças e culturas e na tendência cromossomática para o vício do jogo e da corrupção. Tem desenvolvido uma estratégia planetária e tende a exportar de tudo e a tomar conta de tudo. Espalham-se pelo mundo como uma mancha de óleo. Podem vir a ser vítimas das suas contradições políticas internas, do crescimento descontrolado, da poluição gigantesca que criam e da sua falta de jeito para se integrarem ou lidarem com outros povos.
Estão-se a constituir como o principal futuro adversário/inimigo dos EUA encontrando-se, para já, prisioneiros um do outro por causa da desmesurada quantidade de dólares e de dívida que os chineses adquiriram aos americanos.
Este equilíbrio que ninguém sabe como vai evoluir, pode romper-se de vez caso os chineses intentem criar uma moeda (baseada num padrão quantificável qualquer), que possa concorrer com o dólar (e também com o euro).
Se tal acontecer a possibilidade de uma confrontação militar gigantesca não é de excluir. Para tal eventualidade as forças militares dos EUA já se encontram a tomar posições que rodeiam a China por todos os lados.
                                                           *****
Em todo este contexto a África não conta para nada; o Japão está debaixo da pata estado-unidense desde o tratado de paz que assinaram, em 1945, além de que se encontram em recessão económica que já dura há três décadas, que tem sido gerida internamente.
A Oceânia mantem-se algo isolada (a Geografia protege-a) e é uma ilha de prosperidade, que constitui uma reserva a ser usada quando os interesses anglo-americanos ficam em perigo.
A América Central e Sul continuam a ser o quintal das traseiras dos EUA, apesar das “arruaças” que uns quantos governos mais à “esquerda” lhes vão fazendo amiúde, e onde apenas o Brasil tem capacidade para resistir e fazer frente, embora não pareça nada que tenha vontade suficiente. O “clima” não ajuda e uma classe política do outro mundo, ainda ajuda menos.
Uma palavra para o “eixo“ EUA/Canadá/ Europa.
Acontece que os povos destes países foram sucessivamente deixados de ser governados pelos respectivos governos, passando o Poder para organizações políticas, económicas e financeiras, que tudo manobram fora dos Parlamentos em que as sociedades dos respectivos países pensam estar representadas.
E resta ver o que vai resultar do Tratado de Parceria Comercial e de Investimento em fase de negociação, assaz discreta, entre os EUA e a UE. Esta já estava amarrada àquele, em termos de Segurança, por via da NATO; agora vai ficar dependente económica e financeiramente. O que faltará?
Enlearam tudo isto debaixo do manto diáfano da “Democracia”, logo não passível de qualquer crítica – apesar de esta ser um dos esteios da Democracia…
Resta a Igreja Católica, sem dúvida a Instituição mais atacada em todo o mundo, desde a Revolução Francesa, ataque que hoje só tem paralelo naquele que é feito na Europa Ocidental (e só nesta) contra a Instituição Militar.
A Santa Sé não tem, neste momento, nenhum Estado que a proteja, podendo apenas contar com a protecção Divina – que, em tese, tudo pode – e com a oração dos fiéis, embora cada vez menos com o seu dinheiro, ao contrário do que se passa com o Islão e os seguidores da “Lei Mosaica”, onde o “vil metal” abunda.
Como o mundo gira muito depressa, o actual Papa parece querer acompanhar esse movimento.
Ora é necessário ter muito cuidado com isto: por um lado o mundo anda depressa demais, há que o desacelerar; por outro a Igreja não pode andar depressa, nem tem que o fazer, pois os seus Princípios e Doutrina estão estabelecidos há muito.
O que há a fazer é adequar em cada momento a maneira de os difundir e defender – isto é, de evangelizar (o que implica dar o exemplo) – não de os relativizar.
Se entrar por esse caminho, rapidamente rebentarão cismas por todo o lado, por mais que a generalidade dos OCS “bem pensantes” possa engalanar em arco com medidas tidas por “progressistas”.
Para bom entendedor…
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Em síntese a actual Globalização, materialista e massificadora, com o desaparecimento de (algumas) fronteiras, onde impera o “Deus Mamon”, nivelada através do conceito mentiroso/jacobino de que somos todos iguais – quando todos somos diferentes, tanto individualmente como em termos de Nações/Tribos – encontra no culto do individualismo feroz a sua aparente antítese, mas que se tocam nos seus efeitos, ou seja a incapacidade de resistência, que desaguará na indigência da escravatura. 
A qual será sempre apresentada com as mais finas e douradas cores…
A necessidade de mudar tudo isto é premente, mas homérica!
Teríamos que passar novamente o Poder Político para o âmbito dos Estados Nacionais; substituir a federação/integração destes a ser tentada pela UE (e não só), pela cooperação entre todos; passar a resolução dos conflitos e do Direito Internacional para uma nova ONU, com regras que funcionem – a actual é apenas uma perda de tempo e dinheiro, pois nunca resolveu nada (numerosas organizações foram surgindo para o fazer, de que são exemplo o “telefone vermelho”, o Grupo Bidelberg, a Comissão Trilateral, o G-7, o G-20, a OMC, a NATO, etc.).
Falando em ONU, talvez não fosse má ideia colocar a tal nova ONU em Jerusalém, a qual poderia ser transformada numa cidade – estado como Singapura, onde o governo seria rotativo entre representantes das três comunidades das três principais religiões para quem o local é sagrado. Podia ser uma maneira de passar a haver um mínimo de Paz na região (e não só), já que não existe nenhuma solução que seja boa…
Seguidamente é necessário reformular todo o sistema financeiro, para o que é vital nacionalizar todos os bancos centrais, já que quase todos são dominados por capital privado, sendo o exemplo mais flagrante o Federal Reserve (the FED), sito em Washington – uma cidade construída de raiz com arquitectura e simbologia maçónica – que é dominado por meia dúzia de famílias, cujos nomes nunca aparecem, criado após um verdadeiro golpe de estado, ocorrido no Congresso, em 23/12/1913.
Escusado será dizer que a maior parte do controlo escapa ao que é tido por governo americano.
Isto leva-nos a outro ponto capital: a necessidade de desmantelar todas as organizações que actuam secretamente (não estamos a falar de serviços de informações) cuja actividade passa ao lado dos povos e das pessoas, que ninguém elege, mas que lhes vão moldando a existência.
A sua existência é incompatível com qualquer sistema democrático (ou outro), mas é justamente a “Democracia” que é usada como capa das suas actividades.
Obviamente que nada disto será discutido numa televisão…  
Terá ainda que se fechar as Bolsas por tempo indeterminado e regulá-las em termos estritos.
O “Juro” tem que ser regulado e a usura punida exemplarmente. A moeda tem que voltar a ter correspondência na riqueza produzida, não na especulação e em produtos fictícios ao sabor da ganância humana.
E, claro, é imperioso encerrar todos os “Offshore”, para pôr ordem no caos e crimes financeiros, e na pouca – vergonha.
Curioso que toda a gente clama contra os “Offshore”, mas depois os mesmos tentam-nos usar e ninguém fecha nenhum… (parece que o do Funchal foi o único…).
Isto só quer dizer que serve a muita e poderosa gente!
                                                            *****
Para fazer face a tão ciclópicos trabalhos talvez não fosse má ideia voltar a centrar a vida, não no Homem (Antropocêntrico), mas sim na comunidade e em valores, sejam eles religiosos (teocêntrico) ou simplesmente morais.
Depois uma mobilização dos exércitos nacionais (isto na Europa) para uma espécie de “internacional militar” – o que parecerá uma ideia estapafúrdia e contra natura (não o sendo dado o objectivo) – de modo a salvar os seus povos/nações, do desaparecimento e de se tornarem num simples trabalhador/consumidor, um número entre milhões, a que as chamadas “forças sem rosto” os querem aparentemente, transformar.
Como as sedes principais destas forças se encontram, ao que julgamos, em solo norte- americano, ter-se-á de convencer a “tropa da União”, a abrir os olhos – pois são eles que têm sido usados como o ariete da tal “nova ordem mundial”- sobre o que se passa, e a ocuparem militarmente Washington e Nova - York. Enquanto não chegam lá por eles.
Não há outras forças no mundo, que se vislumbrem, capazes de tentar endireitar as coisas.
(Nesta altura já me estou a ver ser enviado para um hospício!)
Relaxem, porém os leitores, pois nada disto se vai passar…
                                                             *****
“De que servirá termos bens a crédito
Se ficarmos escravos dos bens e do crédito?”.
   (Concordam?)
O Professor Salazar, na sua imensa sabedoria, virtuosismo político e diplomático; Patriotismo e Fé (enfim, esta última deve ter tido quebras, mas nunca as deu a conhecer), conseguiu não só recuperar Portugal, mas pô-lo a salvo de todas estas ameaças (só não conseguiu aguentar o Estado da Índia, mesmo assim resistindo 14 anos às malfeitorias indianas).
Mas Salazar é morto, sem descendentes políticos e a sua obra vilipendiada.
Queria, como afirmou, que o Povo Português fosse pobre (embora o Estado fosse poupado e, por isso, rico), mas independente – “um povo que tenha a coragem de se manter pobre, é invencível” – muito poucos, até hoje, entenderam a profundidade desta mensagem.
Pelos vistos quase todos, senão mesmo todos, querem ser ricos, pouco importando como (não há cidade cercada que resista a um burro carregado de ouro, já diziam os Romanos).
Como corolário ficaremos todos pobres e escravos, isto é sem Liberdade.
Liberdade, uma palavra solta inconscientemente no mês de Abril de 74, e que virou mágica…
Numa altura – única em quase 900 anos de História – em que a Nação estando a combater vitoriosamente num longo conflito, de uma forma magnífica, como já não se assistia desde a Restauração, se resolveu abdicar do nosso futuro e da maneira portuguesa de estar no mundo.
Acompanhado da incrível atitude de termos ficado contentes com isso e abdicando das nossas razões para assumirmos as do inimigo!...
Uma tragédia histórica inominável que está longe de estar assumida e interiorizada, que nos fez perder o “Norte”; diminuiu catastroficamente o Poder Nacional; nos corrompeu e nos tornou descrentes do nosso devir coletivo.
Esquecemo-nos da marcha dos Fuzileiros…
Hoje andamos, simplesmente, por aí.
Convinha, em última análise, colocar ao leme do nosso destino pessoas que, ao menos, percebam minimamente o que se passa.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

UM PROBLEMA CHAMADO TAP, OU A REPÚBLICA DA ASNEIRA?

“É mais importante ser português do que viver bem… Entendimento que a muitos esqueceu.”
(Se ainda não tem autor, passo a ser eu).

Lá vou escrever de modo a ficar de mal com quase todos, mas que se há - de fazer? Nós virámos mesmo a república da asneira!
O mal está feito, é extenso e só por milagre será reversível.
O problema actual da TAP (e, por extensão, do país) começou nos idos de 1974/5.
Nessa altura o caos instalou-se e quando a situação política e social “estabilizou” a TAP, à semelhança da generalidade do Estado, passou a viver entre a incompetência das administrações – fruto da partidocracia e corruptocracia, que passou a reinar (não a “Democracia”) – e a “ditadura” dos sindicatos – que uma Constituição parida no meio de sequestros vários impôs em termos marxistas (e algo utópicos) e, até hoje, nunca devidamente revistos.
As restantes empresas ligadas à Aviação, que proliferaram de então para cá, e que conseguiram fugir a esta matriz caíram, por sua vez, no seio da inconstância da oferta e da procura, raras sendo as que não entraram numa subcultura de capitalismo selvagem.
Ao contrário da TAP (e também da SATA) têm que lutar pela sua sobrevivência, o que inclui o esforço dos seus trabalhadores…
A TAP nasceu bem e conseguiu manter desde o início uma escola exigente, elevados padrões de segurança de voo e uma boa qualidade de serviço.
Com altos e baixos estes “pilares” foram-se mantendo até hoje. Mas o resto virou desastre.
A última gerência com lucros foi a da administração Vaz Pinto, em 1974.
Terminadas que foram as rotas “protegidas” entre as várias parcelas ultramarinas portuguesas, de então, dispararam as exigências sindicais – levando a benesses absurdas, embora longe de serem as únicas no país – e o descontrolo das administrações, pagas a peso de ouro.
A actual – e ainda se está para perceber porque se foi deitar mão de estrangeiros, e acabados de sair de uma empresa falida – ganha, ao que se sabe, mais do que o inquilino da Casa Branca…
Seria para se evitar que aquele bolo apetecível fosse abocanhado pelos próceres das forças políticas que se revezavam nas lides governativas?
Tem sido um fartar vilanagem, a que se tem que juntar bastas admissões de “boys e girls” dos Partidos e reformas antecipadas para reduzir pessoal, colmatadas logo de seguida, com novas admissões!...
Pelo meio ocorreram duas requisições civis mal engendradas e, em 1999, registou-se uma tentativa de venda/associação da TAP com a SWISSAIR, que se saldou por um fracasso rotundo, não sem que a TAP ficasse prejudicada por ter cedido a sua carteira de reservas – uma das mais-valias que possuía.
Comprou-se a Portugália por 140 milhões de euros (sem passivo), ao BESI, em 6/11/2006, mas que muitos defendem ter sido um preço muito acima do seu valor real.
O último negócio foi o da empresa de manutenção no Brasil (VEM), em 2007, por 500 milhões de euros, que se tem revelado ruinoso e está sob investigação da PGR, desde 2013.
E de nada tem valido à transportadora nacional, ter vivido em parte, em termos de pessoal, dos especialistas que tem conseguido “atrair”, vindos da Força Aérea, onerando os custos desta e aliviando os seus, com o alegre assobiar para o ar dos sucessivos ministros da Defesa e chefias militares.
Passaram os anos e foi-se acumulando o passivo – de que raramente se fala – mas que deve rondar os 1.2 biliões de euros (1200 mil milhões).
Vive-se de engenharia financeira e num limbo estreito e estranho, entre o que a Comissão Europeia autoriza os estados nacionais, a fazerem em termos de injecção de capital, nas suas companhias de bandeira.
Os responsáveis maiores por tudo o que se tem passado não podem deixar de ser os sucessivos governos, cuja vontade, capacidade e autoridade para resolver o problema tem sido praticamente nulo.
E cada vez que os sindicatos do pessoal da TAP, com destaque para o dos pilotos, que têm vivido à custa de condições extremamente benignas, plasmadas nos contratos coletivos de trabalho, ameaçam (nem é preciso fazerem) com alguma greve, os governos, por norma, ajoelham. E rezam para que passe depressa…
E resta saber no que já cederam para que nove sindicatos já se tenham posto de fora da greve.
Isto para já não falar em medidas “off the record” que têm permitido suavizar a austeridade imposta, que é “para todos”, mas apenas efectiva em alguns…
Agora a situação chegou a um ponto de ruptura: o passivo não é sustentável; a gestão não descola; a estratégia de quem está no poder tem passado apenas por vender tudo (até a nacionalidade) à medida que o aperto financeiro tem picos; e o Patriotismo foi-se, não se vislumbrando ninguém nos passos do poder a quem Portugal, como Nação, interesse.
A conjuntura actual é dramática com a liquidez de tesouraria do país sempre na “corda bamba”.
A TAP, aliás, um dia destes não vai ter dinheiro para pagar vencimentos (aí o assunto resolvia-se num instante…), e a dificuldade actual na transferência de verbas da África do Sul, Angola e Venezuela (como já acontecera com a Guiné) e o anúncio de um empréstimo de 250 milhões de euros, é seguramente uma das causas e consequência.
O Governo acossado de todos os lados, sem meios para agir e vivendo da demagogia dos votos, quer é ver-se livre do problema de qualquer maneira.
Daí a pressa da privatização (uma “pressa” que se arrasta desde 1997 – apesar da declaração de intenções recuar a 1991 e a Cavaco Silva…).
Resta ainda perceber que sentido faz - se a TAP era para vender -as recentes compras de novos aviões e abertura de novas rotas. Será que é oferta para os compradores?
Ora no estado actual da TAP, só se consegue vender a empresa por “um euro” (dado o passivo, os maus negócios e a necessidade de investimento), além do que ninguém vai gastar um cêntimo, caso não possa ficar a mandar.
Muito menos ainda, vai querer ficar com uma empresa que tem 12 sindicatos aos gritos e que vão passar a ser, como diriam os americanos “a pain in the ass”.
Por outro lado, a conjuntura política e social, em Portugal, faz confluir o interesse da não privatização da TAP, em todos os sectores políticos e sindicais, que se opõem ao actual governo e maioria.
Daí todos invocarem o “interesse nacional” quando, no fundo, querem – e não quero ser injusto com quem tem propósitos honestos - uns, o derrube do governo; os outros a manutenção dos postos de trabalho e respectivas “mordomias” (ou, até, aumentá-las) e, se possível garantirem ganhos no processo de privatização, como começou a ser negociado, algo secretamente, no consulado de A. Guterres.
As posições estremaram-se, entretanto, e já ninguém pode recuar sem perder a face.
Tenho cá um pressentimento que vai tudo correr mal (para variar) e todos (o País), vai sair a perder.
É muito evidente que a TAP não devia ser privatizada (como outras empresas já foram), para mãos estrangeiras, por razões estratégicas de interesse nacional português.[1]
Mas que se pode esperar de vagas sucessivas de políticos que abdicaram da sua condição de portugueses, para quem apenas o negócio interessa e se têm mostrado capazes de vender a própria mãe?
Ficando a TAP em mãos nacionais, porém, eu como cidadão português, com os direitos e deveres em dia, não estou para continuar a conviver com uma empresa a funcionar nos moldes em que tem funcionado, nos últimos 40 anos.
Tinha que ser saneada de alto-a-baixo.
Para o conseguir é condição necessária pôr termo a este Sistema Político Partidocrático - que tem arruinado (e envergonhado) o País e nos conduziu ao descalabro político, social e económico e que tudo tem feito para acabar com a nacionalidade – e mudar a lei sindical que está profundamente errada.
Ora só se consegue fazer isto mudando a Constituição – se é que precisamos de alguma!
Coisa que o bloqueamento político em que estamos – e não se vê saída – impede absolutamente.
Estamos pois num impasse, que a requisição civil, neste particular, se arrisca a não resolver, dados os inúmeros alçapões que a lei permite e a dificuldade que existe em obrigar seja quem for a ir voar.[2]
E tudo o que vier a seguir (?) vai piorar as coisas, de que as “interpretações” jurídicas, ameaças várias e o desentendimento dos sindicatos, já está a tornar num nó górdio.
O governo só resolveria as coisas a seu favor se intentasse uma requisição militar (como os espanhóis fizeram há poucos anos com os controladores).
Só que não têm autoridade para tanto e, até agora, todos se “esqueceram” de regulamentar tal hipótese.
E se alguém o intentar espero que as chefias militares tenham o bom senso – até porque não lhes resta mais nada – em colocar as coisas nos seus devidos termos.
Isto tem mesmo que bater no fundo. Até lá o país continuará a sua queda livre.
O actual imbróglio podia ter, todavia, o mérito de relançar a questão da venda do país e da alienação da nacionalidade, a que esta prolongada política está a tornar inexorável, com a ilusão de vivermos melhor.
Questão que a poucos tem ocorrido e a outros esqueceu.



[1] Independentemente da grande maioria das empresas de aviação de bandeira, europeias, terem privatizado em diferentes modalidades. Cada caso é um caso.
[2] Porque será que ainda ninguém se deu ao trabalho de actualizar o Dec. Lei da requisição civil que remonta a Novembro de 1974?

NACIONALIDADE PORTUGUESA OLIVENTINOS

Há seis anos que a Associação Cultural Além Guadiana tem vindo a contribuir com a valorização da nossa herança cultural portuguesa e à aproximação da lusofonia, em diversos âmbitos como a música, a língua, as tradições, a literatura, etc., tudo isto de harmonia com os nossos representantes institucionais e com a cidadania de Olivença, lugar ímpar na península ibérica devido à sua história partilhada entre Portugal e Espanha.

Uma das actividades mais importantes da nossa associação cultural tem sido o acompanhamento do processo de adquisição da nacionalidade portuguesa para os olivençanos que o desejarem.

Precisamente, as pessoas naturais de Olivença e os seus descendentes têm a faculdade de usufruir duas nacionalidades, a espanhola e a portuguesa. Para muitos de nós, isto encerra um imenso valor afectivo, simbólico, cultural, etc, exprimindo uma identidade vincada pela principal singularidade de
Olivença: ser bicultural.

Após um longo percurso, há duas semanas foi entregue em Olivença aos requerentes a resolução sobre a atribuição de nacionalidade portuguesa, um feito que, em nosso juízo, tem uma enorme transcendência.  Por isso, a fim de informar sobre este assunto, na sexta-feira dia 26 de Dezembro pelas 13:00 h. daremos no Hotel Palácio Arteaga de Olivença uma conferência de imprensa na qual estarão presentes representantes políticos, a imprensa e cidadãos interessados.

Para qualquer informação ou esclarecimento:
Eduardo Machado (Vogal e fundador): 00 34 667764470
Joaquín Fuentes (Presidente e fundador): 00 34 626566469

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O SENTIDO DA VIDA

“O espírito português é avesso às grandes abstrações, às grandes ideias que ultrapassam o o sentido humano”.
Jorge Dias[1]

“Na morte o homem acaba e a alma começa”.
Victor Hugo

O sentido da vida escapa-me.

Escapa-me o sentido da vida.

Nascemos, vivemos e morremos…

Não sabemos de onde vimos e porque vimos.

Passamos um tempo mais ou menos fugaz, em que pensamos, por norma pouco e mal.

E depois partimos sem saber para onde vamos, ou se vamos.

Então porque ou para que, vivemos? Quem nos enviou? Foi um acaso biológico?

Para fazer o quê? Com que finalidade?

Mas se morremos e ficamos apenas pó, que sentido é que isso tem?

Para fazer sentido só algo que nos transcenda. Deus?

Deus faz sentido. Mas só faz sentido se O alcançarmos e deixarmos que Ele nos alcance.

Deus é, assim, uma realidade teológica (e teleológica); uma necessidade filosófica e uma (quase) verdade científica.

Só aparenta haver três vias para o alcançar: pela Razão, pela Fé ou por ambas.

Mas enquanto O não alcançamos a vida não faz sentido. É apenas um fenómeno da Natureza? Um “grão de areia” na imensidão inimaginável do Cosmos? Imensidão que é outra coisa que sentido, não faz…

Mas mesmo supondo que a nossa relação com Deus é pacífica, continua a não fazer sentido, o sentido do nosso caminhar pela Terra.

No conceito cristão, o sentido da vida é a salvação e, nesse âmbito, o sentido da vida é aquele que nós escolhermos. Ou seja, nós temos que criar um sentido para a nossa própria vida!

Tal, porém, não nos sossega. Por exemplo, como entender, então, que a vida para uns possa durar horas; outros, décadas e alguns mais de 100 anos?

Na vida movemo-nos por instinto e pela razão, quando e se a ganhamos. Mas, sobretudo pelo sentimento e pelo desejo. O desejo equilibra-se entre a razão e o instinto.

O instinto dá-nos o ímpeto da sobrevivência (e da reprodução). O medo da morte, também. Idem para a dor física, outro factor preponderante da sobrevivência, logo da vida.

A dor espiritual é, por sua vez, uma pena que nos azucrina a existência.

Desistimos de viver – uma decisão condenada por todas as religiões (se Deus deu a vida só ele a poder tirar…) – quando a dor da existência é superior ao instinto de sobrevivência, quando a razão nos diz que estar vivo não vale a pena, ou quando deixamos de ter medo da morte, ou esta aparece, simplesmente, como salvadora de algo que nos é extremamente penoso.

De facto a vida é um roteiro maravilhoso, uma graça, cheia de encantos, mas que acaba por ser sempre penosa. Para muitos, muito penosa, até revoltantemente penosa.

O próprio Cristo que o diga. E Ele, tanto quanto se sabe, só pregou e fez o Bem.

Ora o Mal existe em contraponto ao Bem.

Deus podia não existir, mas o Mal e o Bem existem. São palpáveis, mas (mais difícil ainda) sendo mutuamente exclusivos, interpenetram-se.

Estão dentro de cada um de nós e à nossa volta.

Deus existe como Ser absoluto, intangível, perfeito, por definição.

Mas, a um ser perfeito, só faz sentido que conceba coisas boas. Como explicar então a existência do Mal?

O Mal e o Bem são inatos e, ou, apreendemo-los através da nossa vivência?

Deus ter-nos-á criado para o Bem, mas deu-nos o livre arbítrio (a liberdade) de o poder escolher ou não?

Estaremos a ser testados para uma escolha ou trata-se de uma aprendizagem para uma evolução cognitiva mais elevada? Para ter acesso a um nível de consciência superior?

Mas, se sim, porquê? Com que objectivo?

Vamos e vimos, isto é, reencarnamos (as vezes que forem precisas)?

Segundo a doutrina cristã a vida é única e irrepetível, ficando a aguardar a ressurreição e o julgamento final.

Resta o mistério da Criação.

Ora “o nada” não pode gerar nada. A Criação necessita de um Criador.

Resta saber quem criou o Criador…

Temos que parar aqui e assumir (e aceitar) que há mistérios para os quais nós não estamos em condições de decifrar ou compreender.

É como termos a consciência de que a percepção da própria realidade é muito curta e falível, já que a nossa capacidade sensorial é assaz limitada. Nós não vemos o ar, mas sabemos que ele existe e um cão, por exemplo, bate-nos aos pontos em termos de espectro acústico…

O sentido da vida escapa-me.

Escapa-me, sobretudo, a finalidade.

Calha que vou conseguindo viver sem que as dúvidas me tirem o sono.

Vou dando conta que vou cumprindo o ciclo de nascer – para o que, ao que sabemos, em nada concorremos -, viver – no meio de biliões que fazem o mesmo, provavelmente com as mesmas interrogações - e morrer – em data incógnita.

Para os ateus – no fundo seres sem Esperança e sem Fé, mas não necessariamente despidos de Ética ou de Caridade – fina-se ali o ciclo.

Para os crentes segue-se a passagem à vida eterna, segundo o que acreditam.

Numa sociedade onde se fala de tudo e se discute tudo, raramente se reflete sobre estas coisas que são, no fundo, o fulcro da nossa existência.

A Comunicação Social, os filósofos e os ideólogos, porque estão eivados de Ciência e Positivismo e, desde há poucas décadas, de Relativismo Moral; os membros das várias confissões religiosas, por receio que algo possa pôr em causa as suas verdades ou beliscar a doutrina; os políticos, porque tal discussão não rende votos, além de que são todos “rigorosamente” laicos; os indivíduos por simples medo: medo de si mesmos; medo do ridículo; medo do incómodo.

Raro os namorados trocam ideias sobre estes temas; idem para marido e mulher; pais e filhos; os amigos entre dois copos.

É nisto que (ainda) estou, esperando que o tempo (o que é o tempo?) se escoe até ao dia em que partimos.

O dia em que, segundo a expressão feliz de Victor Hugo, o homem acaba e a alma começa.[2]

Alma que se manifesta através da nossa consciência (ou será ela própria a consciência?), sem que todavia nós saibamos onde ela mora dentro de nós – nunca aparecendo em nenhuma autópsia…
Nessa altura tenho esperança que os mistérios se revelem e a vida faça, finalmente, sentido.

Entretanto estou em crer ser boa ideia debruçar-nos sobre o sentido da vida que aquele Menino, cujo nascimento comemoramos há 2014 anos, nos deixou.

Estimo um Santo Natal para todos.




[1] Um dos maiores etnólogos portugueses de sempre (1907-1973), in “Os Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa”.
[2] Não vou agora entrar na discussão do que é a alma e o espírito e se ambos os conceitos são idênticos ou diferentes…