Este blogue apresenta os pensamentos, opiniões e contributos de um homem livre que ama a sua Pátria.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
terça-feira, 6 de janeiro de 2015
ENSAIO DE ANO NOVO, VIDA NOVA
“…só tem Pátria quem sabe morrer,
só tem Pátria quem sabe lutar”.
Última estrofe da marcha dos
Fuzileiros.
Andámos a filosofar sobre o
“sentido da vida”.
Mas enquanto “peregrinamos” sobre
o Planeta Terra confrontamo-nos com a realidade do dia-a-dia.
Independentemente das convicções
religiosas, ideologias, afectos, etc., devemos preocupar - nos em tornar a
nossa existência melhor.
Melhor quer dizer Justa e
harmoniosa do ponto de vista material, moral e espiritual.
Os homens apareceram na Terra há
cerca de dois milhões de anos – segundo os últimos estudos – não se fazendo
ideia do como nem do porquê, multiplicaram-se e evoluíram sem um nexo que se
entenda.
Ao princípio eram muito poucos,
começam por juntar-se em famílias; estas em grupos (clãs), depois em tribos.
Lutaram entre si, amalgamaram-se,
sedentarizaram-se. Aumentaram, diferenciaram-se, criaram-se novas realidades
sociais e políticas; outras desapareceram.
Surgiram cidades – estado, impérios,
reinos, repúblicas.
A Geografia arrumou e confinou
povos, que criaram identidade própria, por processos vários.
Nascem as Nações, desenvolve-se o
Estado, e vice-versa.
Portugal nasceu no meio deste
turbilhão histórico, no princípio do século XII, país onde a Nação precedeu
largamente o Estado e onde este foi apenas corolário dos elementos coesos
constitutivos daquela: unidade de objectivos políticos; uma só cultura; uma só
língua e uma única religião. Tudo resultou numa unidade geopolítica coesa.
Em súmula um Estado – Nação quase
perfeito (não há nada perfeito), seguramente um dos mais perfeitos e arrumados
que há no mundo, e que resiste mesmo depois do poder político ter residido em
Madrid durante 60 anos, e de ter passado por três enormes “desarrumações” que
lhe feriram gravemente a sua matriz inicial: a ocorrida no reinado do
“Piedoso”; as sequelas do Liberalismo e do 25 de Abril.
A evolução do mundo não pára e
enquanto muda a maior parte dos países – cujo número cresceu desmesuradamente
no último século, de poucas dezenas para duas centenas – ainda procura
conseguir ter um Estado que represente uma Nação, os países mais antigos e
desenvolvidos estão a autodestruir-se, através de associações regionais de
tendência federativa; de regionalismos de deriva separatista, do fim das Pátrias,
pela desagregação do sentimento de pertença, do conceito de família; da
transversalidade das ideologias; dos fluxos migratórios descontrolados e em
massa e do desenvolvimento do conceito de “cidadão do mundo”.
Finalmente pela “Globalização
económica e financeira, que irá destruir o tecido empresarial nacional em favor
das multinacionais de negócio e “trusts” bolsistas mundiais.
Em termos de organização política
os Estados vão ter tendência a desaparecer, pois não servem para nada, já que
não dominam qualquer das alavancas fundamentais do Poder: a emissão de moeda e a
capacidade de levantar tropas; não controlam as fronteiras, o movimento das
pessoas e mercadorias.
Apenas lhes é permitido, por
enquanto, cobrarem impostos. Até lhes arranjarem substituto…
Sabe-se quem puxa os cordelinhos
disto tudo, mas é quase tabu falar-se nisso.
Ou seja, caminhamos para que cada
individuo apenas valha por si só (tem-se instigado, aliás, um individualismo
narcísico) - pois não se anda a vender a ideia que cada um pode ser Deus de si
mesmo? E que seja um consumidor passivo do que lhe quiserem dar, segundo
fórmula ainda a estabelecer, e que não esteja restrito/veiculado a nenhuma
família, religião, tribo, nação ou ideologia.
De onde deriva – pensarão,
eventualmente – que não havendo família, religião, nação e ideologia, não
haverá razão para haver guerras. Esqueceram-se do dinheiro…
Ou seja, daqui resultaria uma
“Nova Ordem Mundial” (como de resto está escrito nas notas de dólar)
verdadeiramente “revolucionária”.
Como se consegue isto, que se
arrasta há bastantes décadas?
Parece-me que através da ajuda da
informática (como instrumento fundamental); com o controlo do que cada um faz
através de um “chip” que se introduz no organismo (não deve faltar muito); controlo
da mente - propaganda em catadupas; dilúvio de notícias; imbecilização da
sociedade; eliminação do transcendente; relativismo moral; condicionamento
social que dificulte a capacidade de pensar/reagir; controlo da natalidade –
pilula e derivados; aborto; vacinações selectivas; manipulação genética, etc. –
etc.); a existência de uma força de policiamento internacional (há muito
exercida pelas FA dos EUA e agora a ser extrapolada para a NATO, a
EUROGENDARFORCE, Guarda Costeira em gestação, etc.) e, sobretudo, através da
manipulação do dinheiro.
Ou seja a concentração do
dinheiro nas mãos de cada vez menos pessoas ou organizações (as mesmas que
começaram a surgir há cerca de 250 anos) e a sua distribuição (crédito) segundo
as conveniências, o que permite manter e regime de “escravidão” cada vez mais
populações e países.
No limite o dinheiro pode até
desaparecer, passando a virtual – grande parte dele já o é, aliás.
Passaríamos a ter – ó ironia das
ironias – uma sociedade comunista aparentemente perfeita, criada pelos expoentes
do Capitalismo!
Como, afinal os extremos se
tocam…
Ou será que a “mente” que pensa
(e tudo vê) é só uma?
Será um mundo destes que nós
queremos? É que estamos a caminhar para ele a passos de gigante!
Se os leitores chegaram a este
ponto do escrito poderão pensar se estarão a entrar no mundo da ficção
científica, ou a ser confrontados com um caso clinico de demência.
Pensem o que quiserem, apenas
peço que pensem alguma coisa, o que já não seria mau.
*****
Para os que optaram pelo caso
clínico, vou acrescentar mais uns elementos fundamentais de insanidade.
Se continuarmos por esta via a
Humanidade fundir-se-á – num futuro sem pressas – numa só, através da mistura
indiscriminada de todas as raças e culturas. E, até, de todas as religiões,
para o que até – teoricamente – já se encontrou um substituto para todas:
aquele que tem como vértice o “Supremo Arquitecto do Universo”. Seja lá isso o
que for.
Escapariam, eventualmente, a esta
“amálgama”, aqueles que, por primazia da linha materna de descendência,
pudessem manter a sua identidade…
Não devo ir mais além nisto.
Existem porém, ainda, forças
poderosas que resistem, ou são entraves, a tudo isto, a saber:
- O mundo muçulmano,
completamente dividido em termos de fronteiras “coloniais”, entre ricos e
pobres e, sobretudo, entre facções religiosas que se antagonizam à lei da bala;
no meio um conflito aparentemente insolúvel, Israel/palestiniano e um problema
longe de estar resolvido entre o que pertence a César e o que pertence a Deus.
Daí o constante apelo à união dos
crentes (UMA) e à sua reunião num Califado, para o que se procura
constantemente um novo Saladino;
- Os povos eslavos debaixo da
tutela do antigo Ducado da Moscóvia intentam afirmar-se ciclicamente e
libertar-se de jugos alheios, o que lhes desenvolveu durante séculos um
complexo de cerco de que não se libertam. As condicionantes geopolíticas não
ajudam e a economia não descola, dependente que está da tecnologia alheia e de
insuficiência alimentar crónica. Vivem do que tiram do subsolo e da capacidade
de sofrimento de um povo estoico e infeliz, que uma demografia negativa está a
colocar em perigo e que o ressurgimento da Igreja Ortodoxa vai aguentando;
- Temos, finalmente, a China, com
uma civilização milenar, que só um poder central forte consegue manter unida,
na sua multitude de raças e culturas e na tendência cromossomática para o vício
do jogo e da corrupção. Tem desenvolvido uma estratégia planetária e tende a
exportar de tudo e a tomar conta de tudo. Espalham-se pelo mundo como uma
mancha de óleo. Podem vir a ser vítimas das suas contradições políticas
internas, do crescimento descontrolado, da poluição gigantesca que criam e da
sua falta de jeito para se integrarem ou lidarem com outros povos.
Estão-se a constituir como o
principal futuro adversário/inimigo dos EUA encontrando-se, para já, prisioneiros
um do outro por causa da desmesurada quantidade de dólares e de dívida que os chineses
adquiriram aos americanos.
Este equilíbrio que ninguém sabe
como vai evoluir, pode romper-se de vez caso os chineses intentem criar uma
moeda (baseada num padrão quantificável qualquer), que possa concorrer com o
dólar (e também com o euro).
Se tal acontecer a possibilidade
de uma confrontação militar gigantesca não é de excluir. Para tal eventualidade
as forças militares dos EUA já se encontram a tomar posições que rodeiam a
China por todos os lados.
*****
Em todo este contexto a África
não conta para nada; o Japão está debaixo da pata estado-unidense desde o
tratado de paz que assinaram, em 1945, além de que se encontram em recessão
económica que já dura há três décadas, que tem sido gerida internamente.
A Oceânia mantem-se algo isolada
(a Geografia protege-a) e é uma ilha de prosperidade, que constitui uma reserva
a ser usada quando os interesses anglo-americanos ficam em perigo.
A América Central e Sul continuam
a ser o quintal das traseiras dos EUA, apesar das “arruaças” que uns quantos
governos mais à “esquerda” lhes vão fazendo amiúde, e onde apenas o Brasil tem
capacidade para resistir e fazer frente, embora não pareça nada que tenha
vontade suficiente. O “clima” não ajuda e uma classe política do outro mundo,
ainda ajuda menos.
Uma palavra para o “eixo“
EUA/Canadá/ Europa.
Acontece que os povos destes
países foram sucessivamente deixados de ser governados pelos respectivos
governos, passando o Poder para organizações políticas, económicas e
financeiras, que tudo manobram fora dos Parlamentos em que as sociedades dos
respectivos países pensam estar representadas.
E resta ver o que vai resultar do
Tratado de Parceria Comercial e de Investimento em fase de negociação, assaz
discreta, entre os EUA e a UE. Esta já estava amarrada àquele, em termos de
Segurança, por via da NATO; agora vai ficar dependente económica e
financeiramente. O que faltará?
Enlearam tudo isto debaixo do
manto diáfano da “Democracia”, logo não passível de qualquer crítica – apesar de
esta ser um dos esteios da Democracia…
Resta a Igreja Católica, sem
dúvida a Instituição mais atacada em todo o mundo, desde a Revolução Francesa,
ataque que hoje só tem paralelo naquele que é feito na Europa Ocidental (e só
nesta) contra a Instituição Militar.
A Santa Sé não tem, neste
momento, nenhum Estado que a proteja, podendo apenas contar com a protecção
Divina – que, em tese, tudo pode – e com a oração dos fiéis, embora cada vez
menos com o seu dinheiro, ao contrário do que se passa com o Islão e os
seguidores da “Lei Mosaica”, onde o “vil metal” abunda.
Como o mundo gira muito depressa,
o actual Papa parece querer acompanhar esse movimento.
Ora é necessário ter muito
cuidado com isto: por um lado o mundo anda depressa demais, há que o
desacelerar; por outro a Igreja não pode andar depressa, nem tem que o fazer,
pois os seus Princípios e Doutrina estão estabelecidos há muito.
O que há a fazer é adequar em
cada momento a maneira de os difundir e defender – isto é, de evangelizar (o
que implica dar o exemplo) – não de os relativizar.
Se entrar por esse caminho,
rapidamente rebentarão cismas por todo o lado, por mais que a generalidade dos
OCS “bem pensantes” possa engalanar em arco com medidas tidas por
“progressistas”.
Para bom entendedor…
*****
Em síntese a actual Globalização,
materialista e massificadora, com o desaparecimento de (algumas) fronteiras,
onde impera o “Deus Mamon”, nivelada através do conceito mentiroso/jacobino de
que somos todos iguais – quando todos somos diferentes, tanto individualmente
como em termos de Nações/Tribos – encontra no culto do individualismo feroz a
sua aparente antítese, mas que se tocam nos seus efeitos, ou seja a
incapacidade de resistência, que desaguará na indigência da escravatura.
A qual será sempre apresentada
com as mais finas e douradas cores…
A necessidade de mudar tudo isto
é premente, mas homérica!
Teríamos que passar novamente o
Poder Político para o âmbito dos Estados Nacionais; substituir a
federação/integração destes a ser tentada pela UE (e não só), pela cooperação
entre todos; passar a resolução dos conflitos e do Direito Internacional para
uma nova ONU, com regras que funcionem – a actual é apenas uma perda de tempo e
dinheiro, pois nunca resolveu nada (numerosas organizações foram surgindo para
o fazer, de que são exemplo o “telefone vermelho”, o Grupo Bidelberg, a
Comissão Trilateral, o G-7, o G-20, a OMC, a NATO, etc.).
Falando em ONU, talvez não fosse
má ideia colocar a tal nova ONU em Jerusalém, a qual poderia ser transformada numa
cidade – estado como Singapura, onde o governo seria rotativo entre
representantes das três comunidades das três principais religiões para quem o
local é sagrado. Podia ser uma maneira de passar a haver um mínimo de Paz na
região (e não só), já que não existe nenhuma solução que seja boa…
Seguidamente é necessário
reformular todo o sistema financeiro, para o que é vital nacionalizar todos os
bancos centrais, já que quase todos são dominados por capital privado, sendo o
exemplo mais flagrante o Federal Reserve (the FED), sito em Washington – uma
cidade construída de raiz com arquitectura e simbologia maçónica – que é
dominado por meia dúzia de famílias, cujos nomes nunca aparecem, criado após um
verdadeiro golpe de estado, ocorrido no Congresso, em 23/12/1913.
Escusado será dizer que a maior
parte do controlo escapa ao que é tido por governo americano.
Isto leva-nos a outro ponto
capital: a necessidade de desmantelar todas as organizações que actuam
secretamente (não estamos a falar de serviços de informações) cuja actividade
passa ao lado dos povos e das pessoas, que ninguém elege, mas que lhes vão
moldando a existência.
A sua existência é incompatível
com qualquer sistema democrático (ou outro), mas é justamente a “Democracia”
que é usada como capa das suas actividades.
Obviamente que nada disto será
discutido numa televisão…
Terá ainda que se fechar as Bolsas
por tempo indeterminado e regulá-las em termos estritos.
O “Juro” tem que ser regulado e a
usura punida exemplarmente. A moeda tem que voltar a ter correspondência na
riqueza produzida, não na especulação e em produtos fictícios ao sabor da
ganância humana.
E, claro, é imperioso encerrar
todos os “Offshore”, para pôr ordem no caos e crimes financeiros, e na pouca –
vergonha.
Curioso que toda a gente clama
contra os “Offshore”, mas depois os mesmos tentam-nos usar e ninguém fecha
nenhum… (parece que o do Funchal foi o único…).
Isto só quer dizer que serve a
muita e poderosa gente!
*****
Para fazer face a tão ciclópicos
trabalhos talvez não fosse má ideia voltar a centrar a vida, não no Homem
(Antropocêntrico), mas sim na comunidade e em valores, sejam eles religiosos
(teocêntrico) ou simplesmente morais.
Depois uma mobilização dos
exércitos nacionais (isto na Europa) para uma espécie de “internacional militar”
– o que parecerá uma ideia estapafúrdia e contra natura (não o sendo dado o
objectivo) – de modo a salvar os seus povos/nações, do desaparecimento e de se
tornarem num simples trabalhador/consumidor, um número entre milhões, a que as
chamadas “forças sem rosto” os querem aparentemente, transformar.
Como as sedes principais destas
forças se encontram, ao que julgamos, em solo norte- americano, ter-se-á de
convencer a “tropa da União”, a abrir os olhos – pois são eles que têm sido
usados como o ariete da tal “nova ordem mundial”- sobre o que se passa, e a
ocuparem militarmente Washington e Nova - York. Enquanto não chegam lá por
eles.
Não há outras forças no mundo,
que se vislumbrem, capazes de tentar endireitar as coisas.
(Nesta altura já me estou a ver
ser enviado para um hospício!)
Relaxem, porém os leitores, pois
nada disto se vai passar…
*****
“De que servirá termos bens a crédito
Se ficarmos escravos dos bens e
do crédito?”.
(Concordam?)
O Professor Salazar, na sua
imensa sabedoria, virtuosismo político e diplomático; Patriotismo e Fé (enfim,
esta última deve ter tido quebras, mas nunca as deu a conhecer), conseguiu não
só recuperar Portugal, mas pô-lo a salvo de todas estas ameaças (só não
conseguiu aguentar o Estado da Índia, mesmo assim resistindo 14 anos às
malfeitorias indianas).
Mas Salazar é morto, sem
descendentes políticos e a sua obra vilipendiada.
Queria, como afirmou, que o Povo
Português fosse pobre (embora o Estado fosse poupado e, por isso, rico), mas
independente – “um povo que tenha a coragem de se manter pobre, é invencível” –
muito poucos, até hoje, entenderam a profundidade desta mensagem.
Pelos vistos quase todos, senão
mesmo todos, querem ser ricos, pouco importando como (não há cidade cercada que
resista a um burro carregado de ouro, já diziam os Romanos).
Como corolário ficaremos todos
pobres e escravos, isto é sem Liberdade.
Liberdade, uma palavra solta
inconscientemente no mês de Abril de 74, e que virou mágica…
Numa altura – única em quase 900
anos de História – em que a Nação estando a combater vitoriosamente num longo
conflito, de uma forma magnífica, como já não se assistia desde a Restauração,
se resolveu abdicar do nosso futuro e da maneira portuguesa de estar no mundo.
Acompanhado da incrível atitude
de termos ficado contentes com isso e abdicando das nossas razões para assumirmos
as do inimigo!...
Uma tragédia histórica inominável
que está longe de estar assumida e interiorizada, que nos fez perder o “Norte”;
diminuiu catastroficamente o Poder Nacional; nos corrompeu e nos tornou
descrentes do nosso devir coletivo.
Esquecemo-nos da marcha dos
Fuzileiros…
Hoje andamos, simplesmente, por
aí.
Convinha, em última análise,
colocar ao leme do nosso destino pessoas que, ao menos, percebam minimamente o
que se passa.
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
UM PROBLEMA CHAMADO TAP, OU A REPÚBLICA DA ASNEIRA?
(Se ainda não tem autor, passo a
ser eu).
Lá vou escrever de modo a ficar
de mal com quase todos, mas que se há - de fazer? Nós virámos mesmo a república
da asneira!
O mal está feito, é extenso e só
por milagre será reversível.
O problema actual da TAP (e, por
extensão, do país) começou nos idos de 1974/5.
Nessa altura o caos instalou-se e
quando a situação política e social “estabilizou” a TAP, à semelhança da
generalidade do Estado, passou a viver entre a incompetência das administrações
– fruto da partidocracia e corruptocracia, que passou a reinar (não a
“Democracia”) – e a “ditadura” dos sindicatos – que uma Constituição parida no
meio de sequestros vários impôs em termos marxistas (e algo utópicos) e, até
hoje, nunca devidamente revistos.
As restantes empresas ligadas à
Aviação, que proliferaram de então para cá, e que conseguiram fugir a esta
matriz caíram, por sua vez, no seio da inconstância da oferta e da procura,
raras sendo as que não entraram numa subcultura de capitalismo selvagem.
Ao contrário da TAP (e também da
SATA) têm que lutar pela sua sobrevivência, o que inclui o esforço dos seus
trabalhadores…
A TAP nasceu bem e conseguiu
manter desde o início uma escola exigente, elevados padrões de segurança de voo
e uma boa qualidade de serviço.
Com altos e baixos estes
“pilares” foram-se mantendo até hoje. Mas o resto virou desastre.
A última gerência com lucros foi
a da administração Vaz Pinto, em 1974.
Terminadas que foram as rotas
“protegidas” entre as várias parcelas ultramarinas portuguesas, de então,
dispararam as exigências sindicais – levando a benesses absurdas, embora longe
de serem as únicas no país – e o descontrolo das administrações, pagas a peso
de ouro.
A actual – e ainda se está para
perceber porque se foi deitar mão de estrangeiros, e acabados de sair de uma
empresa falida – ganha, ao que se sabe, mais do que o inquilino da Casa Branca…
Seria para se evitar que aquele
bolo apetecível fosse abocanhado pelos próceres das forças políticas que se
revezavam nas lides governativas?
Tem sido um fartar vilanagem, a
que se tem que juntar bastas admissões de “boys e girls” dos Partidos e
reformas antecipadas para reduzir pessoal, colmatadas logo de seguida, com
novas admissões!...
Pelo meio ocorreram duas
requisições civis mal engendradas e, em 1999, registou-se uma tentativa de
venda/associação da TAP com a SWISSAIR, que se saldou por um fracasso rotundo,
não sem que a TAP ficasse prejudicada por ter cedido a sua carteira de reservas
– uma das mais-valias que possuía.
Comprou-se a Portugália por 140
milhões de euros (sem passivo), ao BESI, em 6/11/2006, mas que muitos defendem
ter sido um preço muito acima do seu valor real.
O último negócio foi o da empresa
de manutenção no Brasil (VEM), em 2007, por 500 milhões de euros, que se tem
revelado ruinoso e está sob investigação da PGR, desde 2013.
E de nada tem valido à
transportadora nacional, ter vivido em parte, em termos de pessoal, dos
especialistas que tem conseguido “atrair”, vindos da Força Aérea, onerando os
custos desta e aliviando os seus, com o alegre assobiar para o ar dos
sucessivos ministros da Defesa e chefias militares.
Passaram os anos e foi-se
acumulando o passivo – de que raramente se fala – mas que deve rondar os 1.2
biliões de euros (1200 mil milhões).
Vive-se de engenharia financeira
e num limbo estreito e estranho, entre o que a Comissão Europeia autoriza os
estados nacionais, a fazerem em termos de injecção de capital, nas suas
companhias de bandeira.
Os responsáveis maiores por tudo
o que se tem passado não podem deixar de ser os sucessivos governos, cuja
vontade, capacidade e autoridade para resolver o problema tem sido praticamente
nulo.
E cada vez que os sindicatos do
pessoal da TAP, com destaque para o dos pilotos, que têm vivido à custa de
condições extremamente benignas, plasmadas nos contratos coletivos de trabalho,
ameaçam (nem é preciso fazerem) com alguma greve, os governos, por norma,
ajoelham. E rezam para que passe depressa…
E resta saber no que já cederam
para que nove sindicatos já se tenham posto de fora da greve.
Isto para já não falar em medidas
“off the record” que têm permitido suavizar a austeridade imposta, que é “para
todos”, mas apenas efectiva em alguns…
Agora a situação chegou a um
ponto de ruptura: o passivo não é sustentável; a gestão não descola; a estratégia
de quem está no poder tem passado apenas por vender tudo (até a nacionalidade)
à medida que o aperto financeiro tem picos; e o Patriotismo foi-se, não se
vislumbrando ninguém nos passos do poder a quem Portugal, como Nação,
interesse.
A conjuntura actual é dramática
com a liquidez de tesouraria do país sempre na “corda bamba”.
A TAP, aliás, um dia destes não
vai ter dinheiro para pagar vencimentos (aí o assunto resolvia-se num
instante…), e a dificuldade actual na transferência de verbas da África do Sul,
Angola e Venezuela (como já acontecera com a Guiné) e o anúncio de um
empréstimo de 250 milhões de euros, é seguramente uma das causas e
consequência.
O Governo acossado de todos os
lados, sem meios para agir e vivendo da demagogia dos votos, quer é ver-se
livre do problema de qualquer maneira.
Daí a pressa da privatização (uma
“pressa” que se arrasta desde 1997 – apesar da declaração de intenções recuar
a 1991 e a Cavaco Silva…).
Resta ainda perceber que sentido
faz - se a TAP era para vender -as recentes compras de novos aviões e abertura
de novas rotas. Será que é oferta para os compradores?
Ora no estado actual da TAP, só
se consegue vender a empresa por “um euro” (dado o passivo, os maus negócios e
a necessidade de investimento), além do que ninguém vai gastar um cêntimo, caso
não possa ficar a mandar.
Muito menos ainda, vai querer
ficar com uma empresa que tem 12 sindicatos aos gritos e que vão passar a ser,
como diriam os americanos “a pain in the ass”.
Por outro lado, a conjuntura
política e social, em Portugal, faz confluir o interesse da não privatização da
TAP, em todos os sectores políticos e sindicais, que se opõem ao actual governo
e maioria.
Daí todos invocarem o “interesse
nacional” quando, no fundo, querem – e não quero ser injusto com quem tem propósitos
honestos - uns, o derrube do governo; os outros a manutenção dos postos de trabalho
e respectivas “mordomias” (ou, até, aumentá-las) e, se possível garantirem
ganhos no processo de privatização, como começou a ser negociado, algo
secretamente, no consulado de A. Guterres.
As posições estremaram-se,
entretanto, e já ninguém pode recuar sem perder a face.
Tenho cá um pressentimento que
vai tudo correr mal (para variar) e todos (o País), vai sair a perder.
É muito evidente que a TAP não
devia ser privatizada (como outras empresas já foram), para mãos estrangeiras,
por razões estratégicas de interesse nacional português.[1]
Mas que se pode esperar de vagas
sucessivas de políticos que abdicaram da sua condição de portugueses, para quem
apenas o negócio interessa e se têm mostrado capazes de vender a própria mãe?
Ficando a TAP em mãos nacionais,
porém, eu como cidadão português, com os direitos e deveres em dia, não estou
para continuar a conviver com uma empresa a funcionar nos moldes em que tem
funcionado, nos últimos 40 anos.
Para o conseguir é condição
necessária pôr termo a este Sistema Político Partidocrático - que tem arruinado
(e envergonhado) o País e nos conduziu ao descalabro político, social e
económico e que tudo tem feito para acabar com a nacionalidade – e mudar a lei
sindical que está profundamente errada.
Ora só se consegue fazer isto
mudando a Constituição – se é que precisamos de alguma!
Coisa que o bloqueamento político
em que estamos – e não se vê saída – impede absolutamente.
Estamos pois num impasse, que a
requisição civil, neste particular, se arrisca a não resolver, dados os
inúmeros alçapões que a lei permite e a dificuldade que existe em obrigar seja
quem for a ir voar.[2]
E tudo o que vier a seguir (?)
vai piorar as coisas, de que as “interpretações” jurídicas, ameaças várias e o
desentendimento dos sindicatos, já está a tornar num nó górdio.
O governo só resolveria as coisas
a seu favor se intentasse uma requisição militar (como os espanhóis fizeram há
poucos anos com os controladores).
Só que não têm autoridade para
tanto e, até agora, todos se “esqueceram” de regulamentar tal hipótese.
E se alguém o intentar espero que
as chefias militares tenham o bom senso – até porque não lhes resta mais nada –
em colocar as coisas nos seus devidos termos.
Isto tem mesmo que bater no
fundo. Até lá o país continuará a sua queda livre.
O actual imbróglio podia ter,
todavia, o mérito de relançar a questão da venda do país e da alienação da
nacionalidade, a que esta prolongada política está a tornar inexorável, com a
ilusão de vivermos melhor.
Questão que a poucos tem ocorrido
e a outros esqueceu.
[1]
Independentemente da grande maioria das empresas de aviação de bandeira,
europeias, terem privatizado em diferentes modalidades. Cada caso é um caso.
[2]
Porque será que ainda ninguém se deu ao trabalho de actualizar o Dec. Lei da
requisição civil que remonta a Novembro de 1974?
NACIONALIDADE PORTUGUESA OLIVENTINOS
Há seis anos que a Associação Cultural Além Guadiana
tem vindo a contribuir com a valorização da nossa herança cultural portuguesa
e à aproximação da lusofonia, em diversos âmbitos como a música, a língua, as
tradições, a literatura, etc., tudo isto de harmonia com os nossos
representantes institucionais e com a cidadania de Olivença, lugar ímpar na
península ibérica devido à sua história partilhada entre Portugal e
Espanha.Uma das actividades mais importantes da nossa associação cultural tem sido o acompanhamento do processo de adquisição da nacionalidade portuguesa para os olivençanos que o desejarem.
Precisamente, as pessoas naturais de Olivença e os seus descendentes têm a faculdade de usufruir duas nacionalidades, a espanhola e a portuguesa. Para muitos de nós, isto encerra um imenso valor afectivo, simbólico, cultural, etc, exprimindo uma identidade vincada pela principal singularidade de
Olivença: ser bicultural.
Após um longo percurso, há duas semanas foi entregue em Olivença aos requerentes a resolução sobre a atribuição de nacionalidade portuguesa, um feito que, em nosso juízo, tem uma enorme transcendência. Por isso, a fim de informar sobre este assunto, na sexta-feira dia 26 de Dezembro pelas 13:00 h. daremos no Hotel Palácio Arteaga de Olivença uma conferência de imprensa na qual estarão presentes representantes políticos, a imprensa e cidadãos interessados.
Para qualquer informação ou esclarecimento:
Eduardo Machado (Vogal e fundador): 00 34 667764470
Joaquín Fuentes (Presidente e fundador): 00 34 626566469
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
O SENTIDO DA VIDA
“O espírito português é avesso às
grandes abstrações, às grandes ideias que ultrapassam o o sentido humano”.
Jorge Dias[1]
“Na morte o homem acaba e a alma
começa”.
Victor Hugo
O sentido da vida escapa-me.
Escapa-me o sentido da vida.
Nascemos, vivemos e morremos…
Não sabemos de onde vimos e porque vimos.
Passamos um tempo mais ou menos fugaz, em que pensamos, por norma pouco e mal.
E depois partimos sem saber para onde vamos, ou se vamos.
Então porque ou para que, vivemos? Quem nos enviou? Foi um acaso biológico?
Para fazer o quê? Com que finalidade?
Mas se morremos e ficamos apenas pó, que sentido é que isso tem?
Para fazer sentido só algo que nos transcenda. Deus?
Deus faz sentido. Mas só faz sentido se O alcançarmos e deixarmos que Ele nos alcance.
Deus é, assim, uma realidade teológica (e teleológica); uma necessidade filosófica e uma (quase) verdade científica.
Só aparenta haver três vias para o alcançar: pela Razão, pela Fé ou por ambas.
Mas enquanto O não alcançamos a vida não faz sentido. É apenas um fenómeno da Natureza? Um “grão de areia” na imensidão inimaginável do Cosmos? Imensidão que é outra coisa que sentido, não faz…
Mas mesmo supondo que a nossa relação com Deus é pacífica, continua a não fazer sentido, o sentido do nosso caminhar pela Terra.
No conceito cristão, o sentido da vida é a salvação e, nesse âmbito, o sentido da vida é aquele que nós escolhermos. Ou seja, nós temos que criar um sentido para a nossa própria vida!
Tal, porém, não nos sossega. Por exemplo, como entender, então, que a vida para uns possa durar horas; outros, décadas e alguns mais de 100 anos?
Na vida movemo-nos por instinto e pela razão, quando e se a ganhamos. Mas, sobretudo pelo sentimento e pelo desejo. O desejo equilibra-se entre a razão e o instinto.
O instinto dá-nos o ímpeto da sobrevivência (e da reprodução). O medo da morte, também. Idem para a dor física, outro factor preponderante da sobrevivência, logo da vida.
A dor espiritual é, por sua vez, uma pena que nos azucrina a existência.
Desistimos de viver – uma decisão condenada por todas as religiões (se Deus deu a vida só ele a poder tirar…) – quando a dor da existência é superior ao instinto de sobrevivência, quando a razão nos diz que estar vivo não vale a pena, ou quando deixamos de ter medo da morte, ou esta aparece, simplesmente, como salvadora de algo que nos é extremamente penoso.
De facto a vida é um roteiro maravilhoso, uma graça, cheia de encantos, mas que acaba por ser sempre penosa. Para muitos, muito penosa, até revoltantemente penosa.
O próprio Cristo que o diga. E Ele, tanto quanto se sabe, só pregou e fez o Bem.
Ora o Mal existe em contraponto ao Bem.
Deus podia não existir, mas o Mal e o Bem existem. São palpáveis, mas (mais difícil ainda) sendo mutuamente exclusivos, interpenetram-se.
Estão dentro de cada um de nós e à nossa volta.
Deus existe como Ser absoluto, intangível, perfeito, por definição.
Mas, a um ser perfeito, só faz sentido que conceba coisas boas. Como explicar então a existência do Mal?
O Mal e o Bem são inatos e, ou, apreendemo-los através da nossa vivência?
Deus ter-nos-á criado para o Bem, mas deu-nos o livre arbítrio (a liberdade) de o poder escolher ou não?
Estaremos a ser testados para uma escolha ou trata-se de uma aprendizagem para uma evolução cognitiva mais elevada? Para ter acesso a um nível de consciência superior?
Mas, se sim, porquê? Com que objectivo?
Vamos e vimos, isto é, reencarnamos (as vezes que forem precisas)?
Segundo a doutrina cristã a vida é única e irrepetível, ficando a aguardar a ressurreição e o julgamento final.
Resta o mistério da Criação.
Ora “o nada” não pode gerar nada. A Criação necessita de um Criador.
Resta saber quem criou o Criador…
Temos que parar aqui e assumir (e aceitar) que há mistérios para os quais nós não estamos em condições de decifrar ou compreender.
É como termos a consciência de que a percepção da própria realidade é muito curta e falível, já que a nossa capacidade sensorial é assaz limitada. Nós não vemos o ar, mas sabemos que ele existe e um cão, por exemplo, bate-nos aos pontos em termos de espectro acústico…
O sentido da vida escapa-me.
Escapa-me, sobretudo, a finalidade.
Calha que vou conseguindo viver sem que as dúvidas me tirem o sono.
Vou dando conta que vou cumprindo o ciclo de nascer – para o que, ao que sabemos, em nada concorremos -, viver – no meio de biliões que fazem o mesmo, provavelmente com as mesmas interrogações - e morrer – em data incógnita.
Para os ateus – no fundo seres sem Esperança e sem Fé, mas não necessariamente despidos de Ética ou de Caridade – fina-se ali o ciclo.
Para os crentes segue-se a passagem à vida eterna, segundo o que acreditam.
Numa sociedade onde se fala de tudo e se discute tudo, raramente se reflete sobre estas coisas que são, no fundo, o fulcro da nossa existência.
A Comunicação Social, os filósofos e os ideólogos, porque estão eivados de Ciência e Positivismo e, desde há poucas décadas, de Relativismo Moral; os membros das várias confissões religiosas, por receio que algo possa pôr em causa as suas verdades ou beliscar a doutrina; os políticos, porque tal discussão não rende votos, além de que são todos “rigorosamente” laicos; os indivíduos por simples medo: medo de si mesmos; medo do ridículo; medo do incómodo.
Raro os namorados trocam ideias sobre estes temas; idem para marido e mulher; pais e filhos; os amigos entre dois copos.
É nisto que (ainda) estou, esperando que o tempo (o que é o tempo?) se escoe até ao dia em que partimos.
O dia em que, segundo a expressão feliz de Victor Hugo, o homem acaba e a alma começa.[2]
Alma que se manifesta através da nossa consciência (ou será ela própria a consciência?), sem que todavia nós saibamos onde ela mora dentro de nós – nunca aparecendo em nenhuma autópsia…
Nessa altura tenho esperança que os
mistérios se revelem e a vida faça, finalmente, sentido.
Entretanto estou em crer ser boa ideia debruçar-nos sobre o sentido da vida que aquele Menino, cujo nascimento comemoramos há 2014 anos, nos deixou.
Estimo um Santo Natal para todos.
Entretanto estou em crer ser boa ideia debruçar-nos sobre o sentido da vida que aquele Menino, cujo nascimento comemoramos há 2014 anos, nos deixou.
Estimo um Santo Natal para todos.
[1]
Um dos maiores etnólogos portugueses de sempre (1907-1973), in “Os Elementos
Fundamentais da Cultura Portuguesa”.
[2] Não vou
agora entrar na discussão do que é a alma e o espírito e se ambos os conceitos
são idênticos ou diferentes…
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
CURTAS E GROSSAS III (Dedicado à Defesa)
“Uma Força Aérea sem munições é
apenas um aeroclube muito caro”.
Uma evidência politicamente
incorrecta.
(Também aplicável ao Exército –
um grupo de escuteiros crescidos – e à Armada – um clube náutico na maior
marina do mundo: o Alfeite!).
O projecto de alargamento da
Plataforma Continental Portuguesa, a ser decidido favoravelmente, pela ONU,
constituiria o ganho geopolítico mais significativo desde 1543, pico da
expansão portuguesa com a nossa chegada ao Japão.
Daí para cá foi sempre a reduzir…
Este projecto está a ser “gerido”
pela “Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental” (EMEPC),
tendo o Governo apresentado a proposta, tempestivamente, na Comissão de Limites
da Plataforma Continental, da ONU, em 11/5/2009.
O trabalho das autoridades
portuguesas, onde a Armada pontuou largamente, na fase inicial, ficou
concentrado na EMEPC e teve sucesso devido à competência e discrição com que
têm decorrido os trabalhos, discrição felizmente conseguida devido à ausência
de especulações jornalísticas e discussões inúteis no Parlamento.
A aprovação deste projecto – um
dos poucos eminentemente nacionais – está longe de ser “favas contadas”, acrescendo
o facto da falta de Poder Nacional, inviabilizar a “ocupação” e controlo efectivo
mínimo, de tão vasta área.[1]
Arriscamos mesmo a sermos
confrontados com um novo “Mapa Cor-de-Rosa” e, ou, estarmos a trabalhar para
outros virem a colher os frutos da nossa legítima ambição, mas que não está
sustentada em capacidades reais.
Este projecto não é a feijões,
como soi dizer-se, e é na sua essência, geopolítico e geoestratégico.
Pois senhores vá-se lá saber por
que bulas, a EMEPC, que dependia do MDN, passou, desde a tomada de posse do
actual governo, para o Ministério da Agricultura e Mar!
Não contentes com esta aberração
estrutural, foi admitida na EMEPC uma cidadã espanhola, de origem basca,
bióloga marinha, que se juntou à equipa!
Este facto nem daria para
acreditar, não fora já nada nos surpreender…
Então a vizinha Espanha, que
nunca escondeu o apetite em interferir nas nossas águas e em tomar conta do
nosso Mar; concorre na apetência de espaços contíguos; faz-nos marcação cerrada
em todos os “tabuleiros” onde nos movemos e nos faz má vizinhança nas
Selvagens, consegue infiltrar uma potencial “Matahari” (até em beleza física),
no núcleo duro da principal equipa que trata deste assunto complexo e
fundamental?[2]
Era mais fácil o embaixador
espanhol ter assento no Conselho de Ministros…
Será que o Senhor Ministro (Aguiar)
Traço (Branco) entende que isto é uma situação “normal”?
O Estado Português deixou de
existir.
Está reduzido apenas a uma
repartição de finanças que nos esbulha e a uma comissão liquidatária, que
arremata o país em saldos de pouca vergonha.
*****
No passado dia 3 de Dezembro viu
a luz do dia, uma pequena cerimónia de cunho militar, em Pedrouços/Belém, em
que se pretendeu evocar a participação das FA Portuguesas no Teatro de
Operações do Afeganistão.
Cumpre elogiar a iniciativa – de
que não sabemos a origem – pois é o mínimo que se pode fazer para reconhecer e
dar a conhecer das forças militares (ainda) nacionais, longe da Pátria, na
defesa do que foi considerado como interesse do Estado Português.
No Forte do Bom Sucesso, actual
museu da Liga dos Combatentes – encontra-se uma exposição alusiva a esta
participação que envolveu 3227 militares dos três Ramos, durante 12 anos (desde
2002), e que nos causaram uns lisonjeiros – dada a perigosidade e complexidade
das missões – dois mortos (o número oficial de feridos nunca foi revelado), que
merecem o nosso respeito e consideração.
Acontece que, praticamente,
ninguém ligou ao evento, sendo o desinteresse do público uma realidade
gritante.
Convinha meditar sobre este
facto, sobretudo tendo em conta que a nossa prestação não desmereceu das
melhores tradições militares portuguesas; das limitações que sofremos) muito do
material e equipamento utilizado ou foi comprado à pressa, ou foi emprestado
por “aliados”); e do facto de, ao que julgamos saber, das forças portuguesas,
juntamente com as inglesas e americanas, serem as únicas que podiam ser
empenhadas em todo o tipo de operações – ao contrário das dos restantes países!
Outro facto que deve merecer a
nossa reflexão…
Sem querer ser exaustivo, estou
em crer que este “desinteresse” é fruto da displicência com que em Portugal se
passou a encarar os assuntos de Segurança e Defesa; o desinteresse dos órgãos
do Estado pela Instituição Militar; a fobia militante de grande parte dos OCS
sobre tudo o que diga respeito ao termo “militar” e de não haver qualquer
política de relações públicas das autoridades competentes relativamente às FA.[3]
Ainda, porque depois do fim
infeliz, do serviço militar obrigatório e da instauração do “duplo
voluntariado”, a opinião pública passou a olhar para a tropa como um emprego
como outro qualquer e o cumprimento de missões fora de portas, ter passado a
ser encarado como uma espécie de mercenarismo.
Outro âmbito em que o Estado
Português passou a ser um resquício de simulacro…
*****
Mais uma “bronca” pública num
estabelecimento militar de ensino, desta feita o Instituto Militar dos Pupilos
do Exército (IMPE): acusações de maus tratos, seguido dos invariáveis
inquéritos.
Tem que se ter o maior cuidado
com estas coisas, não só pelos danos que causam, mas também pela má vontade
política e mediática para com estas escolas e tudo o que inclua o termo –
insiste-se – “militar”.
É sabido que cenas de violência –
fora o resto, droga, roubos, ofensas várias, distúrbios sexuais, etc. –
acontecem um pouco por todas as escolas do país, sobretudo as públicas e
aquelas frequentadas por camadas de população mais desfavorecida e
problemática.[4]
Mas no seio militar tais
situações são menos admissíveis (apesar de serem muito mais limitadas do que
noutros locais), dado o enquadramento, supervisão, estrutura e regime
disciplinar existente, ou que devia existir – embora o internato as possa
potenciar.[5]
Sempre defendi as praxes e as
tradições, por variadas razões, mas tal nada tem a ver com práticas menos
consentâneas com a dignidade e integridade humana, muito menos com actos de
violência gratuita.
Discernimento, orientação,
disciplina e mão pesada, precisam-se.
*****
A Federação Russa através de
aviões bombardeiros e respectivas tripulações – certamente fartos do clima
agreste das regiões setentrionais, resolveu vir pavonear-se até latitudes mais
cálidas, chegando a atingir o paralelo de Sagres.
Fizeram-no voando calmamente
perto do espaço aéreo nacional (e de outros países da Nato), aos costumes
dizendo nada, no que concerne ao controlo de tráfego aéreo civil.
Prestes, descolaram os caças, que
nos restam, da Base Aérea 5, sita em Monte Real.
O facto foi, desta vez, objecto
de ampla cobertura noticiosa e comentário público, vindo o inefável ministro
“Traço” dizer que tudo se passou na maior das normalidades.
Ora nada do ocorrido tem a ver
com “normalidade”…
O que se passou é consequência da
crise político-militar que tem como polo, por um lado, a Nato/UE e, por outro,
a Federação Russa.
Entre os muitos focos de tensão
crescentes, o fulcro desta demonstração de força russa – pois é disso que se
trata - centra-se nas últimas ocorrências na Crimeia; nos Estados Bálticos e no
Leste da Ucrânia.
Ora os Russos – o Império contra
ataca – depois de se sentirem humilhados desde a época de Yeltsin, estão a
reagir (Putin não brinca em serviço), fazendo a tal demostração de força, que
serve, ao mesmo tempo, para testar equipamentos próprios e alheios e avaliar
reacções havidas.
Marcam posição e lançam avisos.
O aviso a Portugal foi claro: ao
chegarem a Sagres querem significar que nenhuma parte do território nacional
está ao abrigo de qualquer ataque ou retaliação.
Porque procedem assim? Simples,
porque Portugal pertence à Nato, e pertencendo a essa organização de defesa
colectiva, enviou seis F-16, o ano passado para proteger o espaço aéreo da
Islândia e, sobretudo, por neste momento ainda ter outros tantos caças a
liderar uma missão da Nato de protecção dos Estados Bálticos – área de absoluto
interesse estratégico de Moscovo.
Seria bom que o Governo Português
dispensasse alguma atenção, à Geopolítica e ponderasse para que serve hoje em
dia a Nato, e se é do nosso interesse lá continuar e em que termos.
Pois convinha apurar quem está a
provocar quem: se os russos querem ameaçar o ocidente ou se é a Nato – leia-se,
os EUA – que querem empurrar com a barriga (e com misseis) para cima das
fronteiras de segurança russas. Ou se ambos.
Convém não andar apenas a ver
passar os comboios.
Neste caso, os bombardeiros
russos…
O Governo Português – com a
aparente conivência das chefias militares – optou há anos, por vender 12 F-16 à
Roménia, venda que está agora em plena execução.
Importa perguntar se continuam
satisfeitos com o negócio (lembra-se que a Força Aérea só dispõe, neste momento
de duas aeronaves que dão tiros, os F-16 e os P-3) e, se sim, porque não vende
o resto?
Nunca se viu tanta asneira junta!
[1] Apesar de todas as “garantias” do Direito Internacional…
[2]
Dr.ª Estibliz Bercibar Zugati, “Esti”, para os amigos.
[3]
Sem embargo do número não despiciendo de pessoas envolvidas nesta área.
[4]
Infelizmente, e desde há muito, que uma percentagem considerável das
candidaturas aos estabelecimentos militares de ensino secundário passou a ser
de membros de famílias destruturadas.
[5]
Isto não quer dizer que seja contra o internato, antes pelo contrário.
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