quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

EM DEFESA DA PORTUGALIDADE

“É um povo paradoxal e difícil de governar. Os seus defeitos podem ser as suas virtudes e as suas virtudes, os seus defeitos, conforme a égide do momento”.
Professor Jorge Dias (Porto, 3/7/1907 – Lisboa, 5/2/1973).[1]

O recente reconhecimento pela Unesco, do Cante Alentejano como património imaterial da humanidade, para além de ser uma boa notícia, vai ao encontro do título deste escrito.
Esta distinção tinha sido antecedida pela relativa ao Fado – essa canção que sendo originária de Lisboa, passou a ser assumida por toda a Nação e a ser símbolo da mesma – e por outras iniciativas do mesmo âmbito.
Daí também a importância que reveste a iniciativa de dar cunho popular – que andava esquecido há décadas – às comemorações dessa aurora gloriosa que ocorreu no dia 1º de Dezembro de 1640 e à recuperação da dignidade de feriado nacional, que uma decisão funesta, de gente ignorante e pouco lúcida, retirou à data.[2]
Esta data, como muitas outras, fazem parte da identidade nacional, que deve ser preservada, ilustrada e reforçada.
Acção tão mais importante quanto passou a ser fundamental à nossa sobrevivência como povo autónomo na comunidade dos países, não só porque a “Globalização” materialista, capitaneada pela alta finança internacional, se está a tornar asfixiante como, sobretudo, pela perda constante e catastrófica do Poder Nacional Português.
A agravar tudo isto, apanhámos com 40 anos de internacionalismos vários, de carácter politico - partidário e de União Europeia, cujos cantos de sereia tanta gente tem enganado e tantas portas de perigo de divisão e diluição da nacionalidade, tem aberto.
As várias organizações internacionais, a que devemos ponderar pertencer, são aquelas que sejam do nosso interesse (e onde possamos ter uma palavra a dizer) e que a Estratégia e a Geopolítica aconselham ou determinam.
Como continua a ser o caso da Aliança Luso - Britânica que, muito curiosamente deixou de ser falada, sequer citada, nos conceitos estratégicos de defesa…
Uma outra organização “internacionalista” que nos interessa e tem sido desprezada é a CPLP, o que obviamente para nós não se trata de algo “internacional”, mas o prolongamento da Portugalidade…
É pois imperioso que ganhemos juízo e arrepiemos caminho, pois o desastre tem sido extenso.
Por isso os governos portugueses têm que passar a fazer uma política que seja eminentemente nacional e patriota, a começar pela defesa da própria nacionalidade como um bem precioso que se assume e apenas se outorga a quem prove e mostre merecer, através de leis adequadas e controlo sobre a emigração, sob pena de termos problemas de integração graves e, ou, passarmos a ser estranhos na nossa própria terra.

“Terra”, cuja venda também tem que passar a ter regras estritas, sob pena de nem um metro quadrado passar a ser nossa!
Para já não falarmos nesse negócio de lupanar que dá pelo nome de “vistos dourados”…

Melhor será tratar da nossa demografia, das nossas famílias e dos bons costumes. Um problema fulcral.
Temos de apostar no reforço de todas as instituições que velam pela Soberania (FAs, de Segurança, Diplomacia, Tribunais) e acarinhar os nossos laços culturais e identitários pelo que é necessário reorganizar e disciplinar a Escola e a Universidade, evitando que sejam pasto de negócios, de ideologias, de facilitismos e de experiências pseudo - pedagógicas, insanas.
E tudo isto tem de estar a salvo de organizações cuja actividade está envolta em cortinas de segredo…
Será sensato apostar em tudo o que é genuinamente português e que tenha provado bem ao longo dos séculos: um sistema político baseado no municipalismo, no saber e organização das corporações, nas Cortes Gerais e na aclamação do Rei; a preservação da língua, que é o vínculo mais forte pelo qual nos ligamos; a tradição das feiras e romarias, abrilhantadas pelas bandas filarmónicas, corporações de bombeiros e ranchos folclóricos, sempre envolvidas pelas diferentes congregações religiosas, que representam os traços fundamentais da tradição popular.
Que vá das touradas à arte de bem cavalgar toda a sela; de darmos novamente substância à ideia de sermos um país de marinheiros e, que diabo, dos homens gostarem de mulheres e vice - versa!
 Passando tudo, obviamente, pela gastronomia, essa catedral majestosa, que nos une quase tanto como a língua. Enquanto houver bacalhau com batatas e couves a alma portuguesa não morre; pena é que já não tenhamos frota para o pescar…
As instituições de solidariedade social, onde se devem destacar as Misericórdias – a instituição nacional permanente, mais antiga ainda em funcionamento (fundadas em 1498) – por serem um elo de entreajuda entre todos, muito relevante.
A expressão maior da solidariedade social, porém, revela-se no espirito de defesa, pois trata-se da solidariedade (sobrevivência) para com toda a Nação. Por isso nunca se deve menosprezar o aparelho de segurança e as tradições militares nacionais. Por isso, também, se deve retomar o serviço militar obrigatório, que tem origem e tradição desde o início da nacionalidade.
Os portugueses também têm a sua Filosofia (embora não sejam dados a grandes reflexões), a sua Música, a sua Pintura, a sua Arquitectura (cujo expoente se encontra no “Manuelino”), a sua Escultura, o seu Teatro, o seu Cinema e uma Literatura em prosa e poesia, que foi sempre pujante.
As Ciências portuguesas também têm os seus pergaminhos e o seu lugar na História.
História que não nos coloca mal no ranking das maiores nações a nível mundial e só nos tem deslustrado quando as divisões internas são mal resolvidas, como acentuadamente se fez sentir desde 1820 até aos nossos dias.
Todo este passado deixou rastro e deixou lastro. Está representado em todo o património cultural, a que se deve juntar o património territorial – a geografia física - que vai desde o coberto vegetal à orla marítima, das belezas naturais ao reordenamento do território.
Existe ainda, e sobretudo, um património moral e religioso, enformado pelo Cristianismo e um sentimento de pertença e de coesão que foi moldado por uma vivência em comum de séculos, com as suas tragédias e alegrias; vicissitudes e objectivos alcançados; derrotas e vitórias.
Foi tudo isto que fez com que nós sejamos como somos e não uma coisa diferente.
E poucos portugueses tomam consciência da sorte que têm em estarmos neste canto do ocidente europeu, com muito mar pelo meio – mar que une, não divide. Só nos damos conta disso quando estamos longe e aí sentimos a “Saudade”, que não necessita definição pois todos sabemos o que é sem qualquer tipo de aprendizagem e, estou em crer, ninguém no mundo a entende como nós.
Existe ainda uma saudade interior, confinada ao espaço lusíada, que está ligada à memória das grandezas passadas e ao mito sebástico. Enfim, coisas nossas…
Devemos pois, voltar a tudo o que seja português - sem arrivismos, xenofobismos nem chauvinismos que nunca tivemos pois não estão na nossa índole – (sem fechar os olhos a nada e estando atentos a tudo), pois é imperativo reaportuguesar Portugal.


[1] In “Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa”.
[2] O Professor Cavaco Silva fez-se representar nas cerimónias. Esteve bem representado, com o senão de dever ser ele a estar presente. Pela simples razão de que apenas existe um local para o Chefe do Estado estar, em todos os dias 1º de Dezembro: a Praça dos Restauradores!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

RESTAURAR O FERIADO DO 1.º DE DEZEMBRO


 

CURTAS E GROSSAS II

“Tantas vezes vai o cântaro à fonte…”
Aforismo popular
 
A reforma do Estado que “todos” reclamam e ninguém faz, passou a ser um cliché vazio de sentido. Por inócuo e indefinido.

Passou apenas a ser um chavão que os políticos intermitentemente expelem na sua loquacidade balofa e mentirosa.
 
Não se pode (deve) fazer a reforma do Estado sem começar por se reformar o sistema político, quiçá, o próprio regime político.
 
Ora neste (s) ponto (s) quase ninguém quer tocar ou mexer.
 
Seguramente os agentes políticos existentes, não querem. Logo não haverá reforma do Estado. Até este colapsar, é claro.
 
O resto tem a ver com seriedade e competência.
 
Ora o sistema político baseado em Partidos Políticos tem mostrado à saciedade que é a antítese do atrás apontado.
 
É isto que gera leis mal feitas, corrupção, imoralidade, maus exemplos, injustiças, etc..
 
E, quando a falta de seriedade e competência se transpõe para a geopolítica arriscamo-nos a ver o país passar vergonhas e desaparecer.
 
A maioria da população ao dar-se conta de tudo isto (leva tempo, mas dá), deixa de ter respeito pelos dirigentes, zurze-os com todos os adjectivos que há de pior no dicionário, tenta isentar-se por todos os meios aos deveres de pertencer a uma comunidade, passa ao “modo de sobrevivência” e, na pior hipótese, torna-se conivente activo da pouca - vergonha.
 
Estes últimos casos não são despiciendos.
 
Deste modo em vez de construirmos uma Democracia que se aperfeiçoa com o concurso dos melhores e bem - intencionados, afundamo-nos na partidocracia, na plutocracia e na corruptocracia.
 
A fronteira para a “bandalheirocracia” passa a ser ténue.
 
A “fome de sangue” para lavar as afrontas e injustiças, também.
 
*****
A semana que decorreu entre 17 e 23 de Novembro é exemplo do que acabámos de escrever e vai ficar nos anais da História da Nação portuguesa.
 
Por um lado por ser das mais vergonhosas, por outro e em simultâneo, como aurora de esperança. Esperança de que as coisas possam mudar…
 
Estamos a referir-nos ao encadeamento de escândalos e acções escandalosas que se sucederam em catadupas de gravidade crescente.
 
Lembremos a continuação do caso BES/GES talvez o maior “polvo” do regime; a má conduta recorrente e quase compulsiva dos senhores deputados cuja falta de elevação no debate transformou o hemiciclo numa feira de regateiras, permanentemente entrecortado por incidentes pícaros cujo recente episódio do “dá-me cá, toma lá” o microfone, apenas convida a um sorriso sarcástico; o episódio escabrosíssimo da tentativa de nos passarem a perna com a recuperação das subvenções vitalícias dos políticos.
 
Ficámos também a saber que a GALP e a REN se recusaram a pagar os impostos extraordinários a que estão obrigados.
 
De facto é necessário muito topete para se abalançarem a semelhante insubordinação: além de contribuírem há muito para castigarem os consumidores com os produtos/serviços que lhes prestam e de terem gozado de muitos favores estatais, quem é que são para se julgarem diferentes do comum do cidadão e das restantes (sobretudo) pequenas e médias empresas que andam a ser esbulhados dos seus bens?
 
Têm razão numa coisa, porém, que nunca invocaram ou tornaram pública: é que há empresas, instituições e “negócios” que ainda não foram afectados pela “austeridade”. E como têm poder (leia-se dinheiro, gente influente e advogados) pensam, eventualmente, que podem eximir-se às leis que se promulgam.
 
É mais um caso com que os órgãos do Estado, cuja autoridade anda pelas ruas da amargura e nunca se recompôs do descalabro dos idos do “PREC”, se vão confrontar.
 
Veremos se têm algum nervo ou apenas se limitam a amachucar (e depenar) os fracos e desvalidos.
 
A coisa foi sempre em crescendo, passando para a gravíssima questão da detenção, imagine-se, do Director do SEF, do Presidente Nacional dos Registos e Notariado, e mais uma mão cheia de peixes médios e arrastou consigo a demissão de um ministro, por causa de suspeitas de corrupção. Desta vez ligada a esse aborto que dá pelo nome de vistos “gold”: uma autêntica prostituição da nacionalidade!
 
Não há maneira destes “agilizados mentais” perceberem que nem tudo o que tornam legal é legítimo ou moral!
 
Neste âmbito há um aspecto muito preocupante e muito mal explicado: a actuação do SIS (vulgo serviços secretos) versus PJ e ainda o facto do Juiz que impôs as condições em que os arguidos ficavam a aguardar julgamento, constar a proibição de contactarem outros juízes…
 
A cereja em cima do bolo viria a ser, porém, a detenção no aeroporto (com uma estação de TV à espreita!), do ex-primeiro ministro, cidadão José Sócrates.
 
As pessoas já não conseguem digerir tanta barbaridade.
 
Será que o Estado e a Sociedade estão podres?
 
*****
Apenas mais umas quantas considerações, que o cortejo é infindável.
 
No palco da AR – a que eufemisticamente chamam a “casa da democracia” – alguns deputados a quem não tratarei por senhores”, decidiram levar a votação, em plenário, a reposição das subvenções vitalícias dos políticos.
 
Felizmente a contestação à medida surgiu, antes que a indignação popular se fizesse ouvir, no seio dos próprios partidos políticos – a pior invenção, em termos de Ciência Política, jamais dada à estampa - e a iniciativa acabou abortada.
 
Mas a intenção está lá e só o facto de ter sido posta em marcha indicia o despudor e a amoralidade dos seus defensores.
 
Então esta classe política, que anda há décadas a desbaratar a Nação Portuguesa e se tem entretido a vender Portugal aos bocadinhos e a esbulhar o comum dos portugueses dos seus parcos haveres, tem a lata e o despautério de querer repor algo que nunca devia ter existido?
 
Como lhes quero fazer a justiça de não os considerar asnos de pensamento, só se pode entender a sua atitude como uma pulhice miserável e aviltante.
 
Será que lhes dá prazer gozar com a população?
 
Deviam ser amarrados a um pelourinho e açoitados publicamente, para exemplo dos que ainda não decidiram se andam por aí para praticarem o Bem ou o Mal.
 
A dita “Casa da Democracia” há muito que está desqualificada.
 
E se dúvidas houvesse, a reacção ao discurso do Dr. Paulo de Morais – a quem cumprimento e tiro o chapéu – que a apelidou (falando lá), de ser o maior coio da traficância existente em Portugal, provou-o à saciedade.[1]

*****
O culminar deste descalabro político, moral e social deu-se aquando da detenção do agente técnico de engenharia (parece que esse curso ele tirou) José Sócrates ex - primeiro entre os ministros.
 
Só nos falta agora mandar para os calabouços um ex-PR, um ex - Presidente da AR ou um ex - Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ou um ex - PGR (sei lá, porventura por meterem processos na gaveta e impedirem o normal e correcto desenvolvimento da justiça...).
 
Seria o fim da picada e pior será, quando em vez de ser um “ex” qualquer, for mesmo um que esteja em funções.
 
Ora tudo isto está obviamente ligado à acção política e à organização do próprio Estado (o tal regime/sistema político).
 
Não vale a pena andar a escamotear as questões.
 
Toda a gente no país, minimamente informada, sabe – mesmo que não saiba pormenores – que se têm passado as coisas mais incríveis nas últimas décadas e que a liberdade de noticiar escândalos ou discutir assuntos não tem servido para quase nada (agora já não há a desculpa da censura…).
 
A pessoa de Sócrates tem, neste âmbito, um longo historial.
 
O ponto está em arranjar provas e conseguir provar.
 
Ora para que isto aconteça, têm de existir meios, organização e vontade.
 
Entre os meios destacam-se as pessoas, a tecnologia e o edifício legal. Ora sendo os meios abundantes, a organização existente (com falhas, é certo), resta a vontade. A vontade reside fundamentalmente nas pessoas com autoridade para promoverem as investigações e levá-las até ao fim.
 
Torna-se pois, necessário, averiguar das mudanças de “vontade” existentes.
 
É certo que as leis são os políticos que as fazem – sem embargo dos pareceres técnicos e tomada de posição existentes – e não é o primeiro nem o segundo caso em que existem leis que se modificam (curiosamente, quase sempre no sentido de protegerem eventuais prevaricadores) até no meio de processos importantes – caso do processo Casa Pia, por exemplo - mas mesmo assim temos que questionar o que mudou para que de repente, tenhamos uma avalanche de casos gravíssimos, finalmente a serem investigados a sério e com hipóteses de chegarem a bom termo.
 
Toda a corrupção gira à volta de pessoas e negócios. Se as pessoas são honestas, fazem negócios sérios e vive versa. As leis devem ser feitas em função disto.
 
Mas não se podem fazer leis adequadas, com gente ignorante ou moralmente maculada. Digam-me: qual é a escola/universidade onde um aluno chumbe por falta de idoneidade para o curso que escolheu?
 
Que escrutínio existe para alguém que se pretenda inscrever num Partido Político?
 
Estou em crer que se a justiça continua por este caminho, vamos ter que construir campos de concentração, pois as prisões não vão chegar.
 
Tratando-se de políticos ao mais alto nível, o país passa a ser uma vergonha internacional e o Estado Português perde toda a credibilidade. Mas quem é que hoje, está preocupado com isso?
 
Grave, grave, é que, entretanto, arruinaram o país, desbarataram os bens de toda a comunidade (e o Poder Nacional) e esfrangalharam as instituições nacionais, reduzindo Portugal a um estado menos que exíguo.
 
“Eles” bem podem (e devem) ser castigados a sério, mas a Nação dos Portugueses está perfeitamente diminuída, endividada e pasto de interesses estranhos.
 
Há danos que não são reversíveis.


[1] Para os desconhecedores ou mais esquecidos, a reacção foi, nenhuma. O que em bom português significa, quem cala consente…

terça-feira, 25 de novembro de 2014

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

PORTUGAL NA I GUERRA MUNDIAL

Junto escrito publicado no número de Outubro de 2014, da Revista Militar.
Revista que convido todos a assinarem, não só pela excelente qualdade/preço, mas também por se tratar da revista militar, de publicação ininterrupta, mais antiga em todo o mundo.
 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

FILME DE 1933

Documento histórico (filme existente na Cinemateca Nacional, de cerca de 12') muito interessante, datado de 1933, onde se podem apreciar várias imagens de paradas e exercícios militares, nomeadamente a de uma companhia de tropa indígena, de Angola.
 

NA FOZ DO DOURO

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