Documento histórico (filme existente na Cinemateca Nacional, de cerca de 12')
muito interessante, datado de 1933, onde se podem apreciar várias imagens de
paradas e exercícios militares, nomeadamente a de uma companhia de tropa
indígena, de Angola.
Este blogue apresenta os pensamentos, opiniões e contributos de um homem livre que ama a sua Pátria.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
CURTAS E GROSSAS
“A razão principal pela qual os políticos
mentem, é simples: as pessoas gostam que se lhes minta.”
Grave é também o caso de Timor e
a expulsão dos juristas portugueses, datada de 31/10, o que só é ultrapassado
pela reacção pífia das entidades que dizem representar a nossa soberania.
Mas lá que é merecido, é.
Do abaixo-assinado
Ninguém assume que Portugal não
está em condições de pagar a dívida, muito menos os juros da mesma.
Depois de a “Troika” ter fingido
que se foi embora, a dívida do nosso País, aumentou.
Como, aliás, era expectável pois
apenas se empurrou com a barriga para a frente. Por outro lado, nunca deixámos
de pedir dinheiro emprestado.
É certo que a juros mais baixos,
mas isso não evita o aumento da dívida, apenas a torna menos elevada.
Ninguém sabe exactamente os
números e também ninguém sabe em quem acreditar.
A confiança esvaiu-se…
É uma tristeza, mas é uma
realidade.
Como não se consegue encontrar um
político que fale verdade ou seja coerente hoje, com o que diz amanhã; nem tão
pouco há autoridade para impor uma estratégia – que teria que ser sempre muito
dura e isenta – não iremos sair da situação em que estamos, antes iremos
apodrecer com ela.
Com o problema da tesouraria
sempre premente os sucessivos governos, fracos e pusilânimes, vão vendendo o
país a patacos, até ficarmos sem nada e passarmos à condição de escravos ou
mendigos permanentes, de uma qualquer “entidade”.
O que alguns espertinhos optam por apelidar de
“cidadãos do mundo”…
*****
O atrás apontado nota-se em tudo
e no desnorte de tudo.
Ao cruzar parte do Algarve,
recentemente, em época baixa para o turismo, pude verificar como a região está
a ser submersa por emigrantes residentes. Não estou sequer a referir-me aos
emigrantes que vêm para cá trabalhar e, mais tarde, optam por ficar ou por
regressar ao país de origem; estou-me a referir a uma soma alargadíssima de
pessoas, normalmente oriundas do centro e norte da Europa, que se fixaram em
permanência na parte mais ocidental do antigo “Al Andaluz”.
Toda a região está a ficar
descaracterizada e, a pouco e pouco, os portugueses vão ficar em minoria e
estranhos na sua própria terra. Tal já se nota, sobretudo nas terras pequenas!
Um dia destes nem um metro
quadrado de terra estará em mãos nacionais…
Nada do que digo tem a ver com
racismo, xenofobia ou qualquer sentimento menos cristão. Trata-se, tão -
somente, de aquilatar se alguém já pensou nas consequências futuras desta
“anarquia sociológica” e se é esta a realidade que queremos para o que nos
resta de Nação.
*****
A passada questão leva-nos a uma
outra que é a da destruição da família tradicional e da quebra da demografia,
sobretudo nos países ditos ocidentais. Uma coisa está, aliás, ligada à outra.
A destruição da família começou a
ser desenhada a seguir à Revolução Francesa. Está inscrita na “guerra” para a
aniquilação da religião cristã, nomeadamente a católica; entroncou depois no
“Positivismo”; mais tarde no ataque às Nações (uma nação não deixa de ser um
conjunto alargado de famílias), teve um momento alto nos disparates do Maio de
68, em França e seus derivados e tem o seu clímax no individualismo e
relativismo moral mais exacerbado.
Para atacar a família usaram-se
todos os meios: a interferência estatal; a destruição da autoridade parental; o
negócio das drogas; a legalização e, ou tolerância, de todas as taras; a defesa
da homossexualidade (e o que mais adiante se verá); a desresponsabilização
militante; a desvalorização da Honra e da palavra; a banalização dos
sentimentos; o culto do hedonismo e, sobretudo, a chamada “libertação da
mulher”, onde o fenómeno do feminismo representa o expoente mais agudo.
Ora tudo isto passou a ser
politicamente correcto e aceite algo acefalamente, pelo vulgo.
A questão da demografia - que é
um fenómeno complexo – tem a ver, salvo melhor opinião, sobretudo com a
“emancipação da mulher” e o aparecimento da pílula, que banalizou e
desresponsabilizou as relações sexuais (apesar da praga da Sida – há sempre um
praga qualquer, que aparece…).
Ora a maioria das pessoas foge a
discutir estas coisas, optando-se pela fuga para a frente, e os poucos que
começam a preocupar-se com a falta de crianças, aponta apenas as batarias para
a crise económica que coíbe os casais de terem filhos – se isto fosse assim
quase ninguém tinha tido filhos desde o princípio da Humanidade…
Não direi que nas últimas décadas
– o fenómeno começou a ocorrer após a II Guerra Mundial, sobretudo a partir da
década de 60 – não tenham ocorrido, neste âmbito, muitas coisas positivas e
progressos sensíveis, mas deve ter-se sempre em conta que todas as decisões e
mudanças sociais, encerram em si vantagens, inconvenientes e consequências e
cada medalha tem sempre o seu reverso.
Ora, por norma, é raro pensar-se
nas consequências a não ser quando já é tarde.
A Sociologia podia dar, neste
campo como noutros, uma contribuição muito útil, desde que não esteja eivada de
preconceitos, correntes ideológicas ínvias, ou sequestrada de falsos profetas.
Numa palavra assumindo-se e
comportando-se como uma ciência séria. Quanto ao resto todos compreendemos que
não possa ser exacta.
*****
A Chanceler Merkel resolveu
animar as hostes indígenas ao sair-lhe pela boca fora que havia licenciados a
mais em Portugal (e Espanha), frase que foi realçada e algo retirada do
restante contexto.
A coisa não teria qualquer
importância se não vivêssemos uma época em que toda a gente fala e opina sobre
tudo e a Comunicação Social sente uma pressão enorme (diria uma compulsão de
negócio), em nos atulhar com todas as minudências que se passam no planeta Terra.
Acresce que desataram quase todos
a bater na germânica senhora, sem quererem entender que a “União” Europeia (UE)
não existe, como tal, e que ela só está a defender o que entende ser os
interesses da Alemanha (ainda não reunificada).
Não vejo, por outro lado, que a
Chanceler não possa falar sempre que lhe apeteça pois, que se saiba,
pertencemos todos ao mesmo clube (o tal da UE).
Devemos ainda lembrar-nos da
apetência que os “peixes grandes” têm em comer os “peixes pequenos”, sobretudo
aqueles a quem emprestam dinheiro, não para investimento, mas para continuarem
a viver…
E não enviamos nós centenas (ou
milhares?), de licenciados para a Alemanha, faz anos?
Que prova é mais necessária para
dar razão à Srª Merkel?
Ora os críticos da mesma senhora
devem é escrever-lhe a exigir o seu retorno por eles, supostamente, fazerem cá
falta, mas não estou seguro que as leis comunitárias, da livre circulação de
pessoas e mercadorias, o permitam…
Se eu fosse aos críticos da chefe
do governo teutônico estava mais preocupado em tentar descortinar alguma razão
ponderosa naquilo que ela disse ou quis dizer.
Penso até, que há muita verdade
implícita naquilo que afirmou mesmo sem, naturalmente, o saber ou ter intenção.
Parece-me inquestionável que
Portugal, no seu conjunto, não tenha licenciados a mais, mas não tenho dúvidas,
outrossim, que tem portadores de “canudo” a mais numas áreas e a menos noutras;
que nada tem sido feito para tentar regular o mercado; que aprovaram imensas
licenciaturas que não têm razão para existir; que quase tudo na Educação –
melhor dizendo, na Instrução, já que a educação se dá em casa – virou negócio;
que o que interessa não é ter muitos
licenciados, mas sim bons
licenciados – quem confia, desde há 40 anos, nos graus académicos concedidos?
Etc..
Um “etecetera” extenso que não
cabe aqui desenvolver, mas em que faço excepção para referir o ensino técnico e
comercial (também referido pela Srª Merkel) que era de grande qualidade e que
foi assassinado nos idos da última revolução que nos calhou em sorte, e que até
hoje não foi posto de pé, novamente.
Os extraordinários estadistas
(obviamente muito democráticos) têm andado entretidos com as “novas
oportunidades”…
*****
Timor continua a ser um equívoco
nacional. Melhor dizendo, uma monumental mentira política.
Criou-se em Timor, em 1974/5, um
problema que não existia, nem havia razões para existir.
O Timor português vivia em paz e
perfeitamente integrado na soberania portuguesa.
Nenhuma reivindicação ocorria no,
ou sobre o território, nem interna, nem externamente.
Os esparvoados “revolucionários”
portugueses, de então, resolveram exportar a loucura que grassava em Lisboa,
para Díli e criaram, artificialmente, um partido comunista, local, a “Fretilin”.
Os cordelinhos da Geopolítica
internacional começaram a equacionar a existência de uma eventual pústula
comunista numa zona que lhe era adversa.
Depois de muitas peripécias onde
os desgraçados governos portugueses (sem autoridade para fazer coisa alguma),
acumulavam asneiras e omissões, ignoraram todos os alertas e pedidos da
Indonésia, levando este país a invadir o território de Timor-Leste (com luz
verde dos EUA) – já depois da bandeira portuguesa ter sido arriada pela
Fretilin…
As autoridades (?!) portuguesas
protestaram; a tropa que lá estava não disparou um tiro e a ocupação passou a
ser um facto (quase) consumado.
O Governo português perdeu,
entretanto, toda a autoridade moral, diplomática e política, para exigir fosse
o que fosse, dado que a partir de Dezembro de 1974, decidiu reconhecer “de
jure” a escabrosa invasão de Goa, Damão e Diu, pelo estado malfeitor da União
Indiana, efectuada em circunstâncias muito
mais gravosas do que aquela ordenada por Jacarta.
Ninguém consciente e com vergonha
na cara gosta de ouvir dizer isto, mas é a mais pura
das verdades!
Os Indonésios não tiveram, por
sua vez, qualquer tipo de “jeito” em lidarem com a nova realidade, usaram de
brutalidades várias e conseguiram alienar qualquer tipo de empatia que se
pudesse criar. A resistência armada continuava a lembrar que, apesar de tudo, o
gesto indonésio beliscava o Direito Internacional (normalmente só aplicado aos
grandes…), até que o bambúrrio do vídeo que documentava o “massacre” de Santa
Cruz, onde se ouviam vozes de mulheres e crianças a rezarem a Avé – Maria, em
português – o que parece impressionou até, alguns empedernidos ímpios tugas –
acordou a diplomacia portuguesa da sua letargia, que levou, numa arrancada
digna dos bons velhos tempos, a que os Indonésios acabassem por se retirar do
território.
Esta fase foi acompanhada por uma
mobilização nacional genuína, onde até as forças políticas mais antimilitares e
outros ex- revolucionários queriam uma intervenção militar.
A má consciência, às vezes, opera
prodígios…
Deu-se início, então, ao que
designaram por “processo de descolonização”, que foi complexo e difícil. A má
consciência internacional também ajudou, e muitos não deixaram de logo colocar
os olhos no potencial em hidrocarbonetos existente.
Aí fez-se e deixou-se fazer, uma
outra asneira grave: faltou colocar no referendo a 3ª pergunta, isto é, se os
timorenses queriam a integração em Portugal, mas isso não interessava nada à
quase totalidade dos intervenientes mais destacados. Por motivos diferentes,
mas confluentes.
A má consciência, afinal, não dá
para tudo!
Deste modo Timor ficou um grão de
areia perdido no universo, onde apenas o catolicismo garante alguma
homogeneidade, já que o português está em regressão e é apenas falado por uma
minoria da população.
Ou seja Timor Lorosae não tem o
mínimo de capacidades para ser uma entidade autónoma no seio das nações. A
única coisa que vai subsistir são os negócios entre as pessoas que se consigam
movimentar na área do poder nominal.
A actual classe política
portuguesa não tem, nem tão pouco quer ter, qualquer capacidade para influenciar
o que se passa em Timor. E como também destruiu todo e qualquer poder nacional
– a partir do que não se pode definir qualquer política nem desenhar qualquer
estratégia – faz as figuras tristes que tem feito em toda a parte do mundo.
Mas sempre orgulhosamente
acompanhados.
Por isso é que o ex-guerrilheiro
maubere, que muito deve a Lisboa, ocupar o cargo que ocupa, se permite impor a
presença do presidente da Guiné Equatorial, na última cimeira da CPLP, ocorrida
em Díli, antes de ter sido formalmente eleito; expulse como criminosos (ou
espiões) os juristas portugueses que eles tinham pedido para os ajudar e, num
gesto magnânimo tenha, antes, oferecido ao nosso país mais de um milhão de
euros para ajudar nos incêndios florestais.
É triste e é uma vergonha para a
lusa gente.Mas lá que é merecido, é.
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
terça-feira, 11 de novembro de 2014
PARA VER E OUVIR
Entrevista com a Drª Maria do Carmo Vieira. Verdades como punhos que só o são
porque, simplesmente, o "Bom Senso" emigrou do nosso País há umas décadas atrás.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
CONSIDERAÇÕES EM VOLTA DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE (A PROPÓSITO DO HOSPITAL DAS FORÇAS ARMADAS)

“A Inviabilidade do SNS num país inviável”.
José Manuel da Silva
A Associação de Oficiais das
Forças Armadas (AOFA) promoveu um colóquio, em 8 e 9 de Outubro, sobre os
Serviços de Saúde Militares (SSM) - cuja discussão pública se tem afunilado
apenas na questão do hospital das FA.
Este colóquio tinha por objecto
chamar a atenção para a necessidade de reversão de algumas decisões, em má hora
tomadas pelos sectores do Governo ligados à defesa.
Coube ao Bastonário da Ordem dos
Médicos, Dr. José Manuel Silva, proferir a conferência inaugural.
É sobre esta conferência que
vamos incidir o escrito de hoje, não porque o tema da meritória iniciativa não
me mereça relevância, mas porque já dei q.b. para esse peditório, e
parafraseando, “vozes do céu não chegam aos burros”…
Que disse então o Bastonário,
pessoa conhecida no país pelas inúmeras intervenções públicas, por norma
equilibradas e apreciadas, que me despertou o interesse de um comentário?
Ao contrário do que seria
espectável pouco se referiu aos SSM, certamente por estar pouco à vontade no
assunto, mas aproveitou o ensejo para fazer uma larga exposição sobre o Serviço
Nacional de Saúde (SNS), com cópia alargada de números que espelham muito da
realidade desde há 40 anos até à actualidade.
Fez ainda umas quantas e
judiciosas considerações sobre a exploração e gestão dos recursos naturais e a
sustentabilidade do planeta terra, face ao estilo de vida consumista que os
humanos desenvolveram.
O Bastonário dissertou sobre a
austeridade causada pela “crise” em que estamos mergulhados e como esta está a
destruir o SNS e a inviabilizar todo o apoio que desde a sua criação facultou à
população.
Insurgiu-se o senhor Bastonário
contra este estado de coisas.
Eu creio que tem razão, mas vou
vestir as roupas de “advogado do demo” e colocar umas quantas questões.
Penso, em primeiro lugar, que o
SNS foi a coisa mais bem conseguida que se realizou após o 25/4 – enfim, sem
contar com a qualidade do vinho, que sendo então já boa, melhorou bastante.
O problema que o SNS teve e que,
de resto, todos os sectores do Estado sofreram nestas malfadadas décadas, foi o
de uma grande má gestão das finanças, sem controlo adequado, sem responsabilização,
sem nada!
Tal ocasionou vastíssimo
desperdício e despesismo – e ficamos por aqui – que ia desde o desaparecimento
do papel higiénico e ligaduras, à compra de carros de alta cilindrada para os
gestores, passando pelo valor das horas extraordinárias que os diferentes
profissionais ganhavam e que chegavam, por vezes, a ultrapassar os do seu
vencimento.
E já não vamos falar do “farró”
das obras realizadas, do negócio dos medicamentos e de certa promiscuidade
entre o que se passava no SNS e os privados…
Por outro lado, não havia
aparentemente, tecto para as despesas, ou seja, quando faltava dinheiro,
pedia-se emprestado à banca.
E quanto ao Orçamento de Estado,
alguém se lembra durante quantos anos seguidos se chegava a Outubro e lá se
fazia um orçamento ractificativo para a saúde? Foram muitos…
Pois é, deu no que deu!
Numa palavra, construímos e
mantivemos um SNS desajustado das nossas possibilidades e realidades, que a
produção de riqueza não sustentava e a má gestão agravava.
Isto já para não falar nos
governos que há vários anos a esta parte, tudo têm feito para transformar a
saúde apenas em negócio e entrega-la aos “amigos” dos grupos privados!
Agora as perguntas aborrecidas.
Compreende-se que o senhor
Bastonário esteja preocupado com o desinvestimento e o aperto financeiro no
SNS, mas fará o favor de ponderar o que fez a Ordem dos Médicos quando se
gastava à tripa forra? Quando havia desperdício, que entrava pelos olhos
dentro? Quando se esbanjava recursos?[1]
Quando praticamente toda a gente
– desde a mulher-a-dias ao director de hospital – recebia o que devia e o que
passava das marcas?
Que denúncias fizeram os seus
antecessores? Numa altura em que seria corajoso fazê-lo, não agora, em que não
há cão nem gato que, quase em coro, por esse país inteiro não reclame e
proteste! (perdão, há uma excepção: às chefias militares não se ouve um pio,
estão “tranquilas”, obviamente por não faltar nada ao Exército, à Marinha e à
FA!).
O que o senhor Bastonário afirmou
acaba outrossim, por encerrar uma contradição insanável.
Ao protestar contra a austeridade
que é consequência da incontinência financeira anterior e desregramento dos
costumes, e ao não ter condenado os excessos apontados que levaram à actual
situação, quer isso dizer que deseja continuar na senda do endividamento?
Provocando desse modo mais
austeridade, mas só lá mais para a frente?
Por outro lado, o Senhor
Bastonário faz o que lhe compete: clama pela sua dama, embora o âmbito de
actuação da Ordem dos Médicos não se limite ao SNS.
Mas, e as outras áreas do País?
Qual é a sua preocupação com elas? Ou a saúde está acima de tudo e, ou, nada
mais existe? (Sim, eu sei que não é Primeiro-Ministro).
A pesca é desprezível? A
Investigação não interessa? Se o senhor não tiver couves, batatas e bife para
comer, consegue operar?
E se não houver Segurança, o País
pode funcionar? Penso que saberá que os navios estão, por norma, atracados, a
FA voa pouco mais do que um modesto aeroclube e o Exército é já praticamente
virtual.
Terá ideia de que as únicas
munições que Portugal produz, são as de caça e qualquer dia nem mesmo essas? (a
Caça acaba, não há mercado!)
Não sei se sabe mas no SNS só se
começou a fazer cortes há três anos e devagarinho; nas FA foi há mais de 20
anos e um bocado à bruta.
Deu nisto, passarmos a ter um
hospital militar, onde havia quatro, que já não chega para as encomendas não
cabendo aqui explicar-lhe porquê.
Esse era o tema do colóquio onde
o senhor foi convidado a falar.
O País, senhor Bastonário, está a
desaparecer – certamente já deu conta disso, como prova a citação em destaque.
O SNS apenas o acompanha.
Nota: As conclusões do colóquio
publicitadas pela AOFA parecem equilibradas e ajustadas. Falta apenas indicação
de acções concretas para as implementar.
Mas deve-se perguntar o seguinte:
O que andaram a fazer os variados grupos “ad-hoc” criados fora da estrutura
militar para estudar o assunto? Para que serviram e qual a intervenção dos
estados – maiores dos Ramos no meio desta “reforma”?
Finalmente, qual o papel dos
sucessivos Conselhos de Chefes Militares, em todo este âmbito?
[1] Sabe que uma vez em Cuba, há
poucos anos, precisei de fazer um curativo e a enfermeira cortou ao meio a fita
de adesivo que fixava o penso, para poupar? (Como, aliás, eu vi fazer em
Portugal, quando era miúdo); e saiba que estava num hotel daqueles para
turistas, onde se pagava em dólares…
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
GENERAL ESPÍRITO SANTO: UM CHEFE MILITAR VALOROSO
Ultimamente uma parte considerável da
minha vida é passada entre hospitais e cemitérios. É, indubitavelmente, um
ciclo da própria vida…
Porém, nada agradável.
Porém, nada agradável.
O meu distinto camarada e historiador militar Tenente Coronel Abílio Lousada, outro bragançano dos quatro costados escreveu um belo texto (que merecia publicação) sobre o General Espírito Santo, falecido no pretérito dia 16 de Outubro, aos 79 anos de idade.
Este texto diz quase tudo sobre este ilustre militar e académico, ficando muito difícil acrescentar algo mais.
Espírito Santo era um português telúrico que ganhou jus a ficar na História do Exército Português e na memória das várias instituições de que fazia parte.
Artilheiro de origem, era um profundo conhecedor da História Militar Portuguesa e o “ADN” do Exército Português estava-lhe entranhado em todas as fibras do seu ser.
O General Espírito Santo aprendeu muito na “Escola” de dois outros ilustres chefes militares, os Generais Bettencourt Rodrigues e Firmino Miguel. Embora estejamos em crer, que mais na do segundo do que na do primeiro.
Foi um militar completo, com experiência de tempo de paz, crise e guerra, passando pela difícil experiência do 25/4 e “PREC”, sem mácula que se conheça.
Foi vasta também, a sua experiência de organizações internacionais de defesa, nomeadamente a NATO.
E era conhecido e apreciado pela lhaneza de trato, boa disposição e intimismo que colocava nas relações pessoais.
Era outrossim um homem de família e o desvelo com que se empenhava no acompanhamento do crescimento dos netos, era notório.
A sua folha de serviços justifica por si só (independentemente de eventuais injustiças, ainda pendentes), a atribuição da alta condecoração – a Torre e Espada – sem necessitar de qualquer distinção honorífica por exercício de função (neste caso de CEMGFA).
Nunca afrontou também, publicamente, - na esfera institucional haverá, todavia, muita coisa para se conhecer – qualquer figura política, integrando-se naturalmente naquilo que se denominou de Estado de Direito Democrático.
Por tudo isto se percebe mal, porque os órgãos de soberania - Governo, Assembleia da República e Tribunais - não se fizeram representar no funeral de uma alta figura do Estado, que nunca deixou ficar mal a Nação, a República e as Forças Armadas.
O Presidente da República fez-se representar pelo chefe da Casa Militar e escreveu uma mensagem no sítio da Presidência (infelizmente o PR ainda não entendeu que uma mensagem destas só deve ser colocada no éter informático depois de ser assumida de viva voz…).
Cabe aqui perguntar, a talhe de foice, quais são os critérios que levam a que um cidadão português (sublinho o português, não vá um dia destes, colocarem lá um qualquer cidadão do mundo!) tenha direito a ser sepultado no Panteão Nacional. E se um militar também faz parte dos elegíveis.[1]
E devemos regozijar-nos já que não houve nenhum escriba (enfim, que tivesse topado), ou força política que se tenha atrevido a contestar as honras militares dispensadas, nomeadamente pelos custos das salvas de artilharia, ou pela “violência” que representa mobilizar cidadãos soldados, a um domingo, para irem fazer essa coisa paleontóloga que tem o nome de ordem unida, sem sequer lhes pagarem horas extraordinárias.
Deve referir-se que o Exército esteve à altura dos acontecimentos [2].
Meu General foi um privilégio tê-lo conhecido e o “João” lembrá-lo-á para sempre.
Laus Deo.
[1] Sim, eu sei que o General Humberto Delgado está lá mas, convenhamos que não foi por ser militar ou por feitos militares.
[2] Lembramos como
“curiosidade” que, nesta acção, o número de praças empenhado, representou cerca
de 2% da totalidade das existentes em todo o Exército…
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