quinta-feira, 20 de novembro de 2014

FILME DE 1933

Documento histórico (filme existente na Cinemateca Nacional, de cerca de 12') muito interessante, datado de 1933, onde se podem apreciar várias imagens de paradas e exercícios militares, nomeadamente a de uma companhia de tropa indígena, de Angola.
 

NA FOZ DO DOURO

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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

CURTAS E GROSSAS

“A razão principal pela qual os políticos mentem, é simples: as pessoas gostam que se lhes minta.”
Do abaixo-assinado

Ninguém assume que Portugal não está em condições de pagar a dívida, muito menos os juros da mesma.
Depois de a “Troika” ter fingido que se foi embora, a dívida do nosso País, aumentou.

Como, aliás, era expectável pois apenas se empurrou com a barriga para a frente. Por outro lado, nunca deixámos de pedir dinheiro emprestado.
É certo que a juros mais baixos, mas isso não evita o aumento da dívida, apenas a torna menos elevada.

Ninguém sabe exactamente os números e também ninguém sabe em quem acreditar.
A confiança esvaiu-se…
É uma tristeza, mas é uma realidade.
Como não se consegue encontrar um político que fale verdade ou seja coerente hoje, com o que diz amanhã; nem tão pouco há autoridade para impor uma estratégia – que teria que ser sempre muito dura e isenta – não iremos sair da situação em que estamos, antes iremos apodrecer com ela.

Com o problema da tesouraria sempre premente os sucessivos governos, fracos e pusilânimes, vão vendendo o país a patacos, até ficarmos sem nada e passarmos à condição de escravos ou mendigos permanentes, de uma qualquer “entidade”.
O que alguns espertinhos optam por apelidar de “cidadãos do mundo”…

*****
O atrás apontado nota-se em tudo e no desnorte de tudo.

Ao cruzar parte do Algarve, recentemente, em época baixa para o turismo, pude verificar como a região está a ser submersa por emigrantes residentes. Não estou sequer a referir-me aos emigrantes que vêm para cá trabalhar e, mais tarde, optam por ficar ou por regressar ao país de origem; estou-me a referir a uma soma alargadíssima de pessoas, normalmente oriundas do centro e norte da Europa, que se fixaram em permanência na parte mais ocidental do antigo “Al Andaluz”.
Toda a região está a ficar descaracterizada e, a pouco e pouco, os portugueses vão ficar em minoria e estranhos na sua própria terra. Tal já se nota, sobretudo nas terras pequenas!

Um dia destes nem um metro quadrado de terra estará em mãos nacionais…
Nada do que digo tem a ver com racismo, xenofobia ou qualquer sentimento menos cristão. Trata-se, tão - somente, de aquilatar se alguém já pensou nas consequências futuras desta “anarquia sociológica” e se é esta a realidade que queremos para o que nos resta de Nação.

*****
A passada questão leva-nos a uma outra que é a da destruição da família tradicional e da quebra da demografia, sobretudo nos países ditos ocidentais. Uma coisa está, aliás, ligada à outra.

A destruição da família começou a ser desenhada a seguir à Revolução Francesa. Está inscrita na “guerra” para a aniquilação da religião cristã, nomeadamente a católica; entroncou depois no “Positivismo”; mais tarde no ataque às Nações (uma nação não deixa de ser um conjunto alargado de famílias), teve um momento alto nos disparates do Maio de 68, em França e seus derivados e tem o seu clímax no individualismo e relativismo moral mais exacerbado.
Para atacar a família usaram-se todos os meios: a interferência estatal; a destruição da autoridade parental; o negócio das drogas; a legalização e, ou tolerância, de todas as taras; a defesa da homossexualidade (e o que mais adiante se verá); a desresponsabilização militante; a desvalorização da Honra e da palavra; a banalização dos sentimentos; o culto do hedonismo e, sobretudo, a chamada “libertação da mulher”, onde o fenómeno do feminismo representa o expoente mais agudo.
Ora tudo isto passou a ser politicamente correcto e aceite algo acefalamente, pelo vulgo.

A questão da demografia - que é um fenómeno complexo – tem a ver, salvo melhor opinião, sobretudo com a “emancipação da mulher” e o aparecimento da pílula, que banalizou e desresponsabilizou as relações sexuais (apesar da praga da Sida – há sempre um praga qualquer, que aparece…).
Ora a maioria das pessoas foge a discutir estas coisas, optando-se pela fuga para a frente, e os poucos que começam a preocupar-se com a falta de crianças, aponta apenas as batarias para a crise económica que coíbe os casais de terem filhos – se isto fosse assim quase ninguém tinha tido filhos desde o princípio da Humanidade…

Não direi que nas últimas décadas – o fenómeno começou a ocorrer após a II Guerra Mundial, sobretudo a partir da década de 60 – não tenham ocorrido, neste âmbito, muitas coisas positivas e progressos sensíveis, mas deve ter-se sempre em conta que todas as decisões e mudanças sociais, encerram em si vantagens, inconvenientes e consequências e cada medalha tem sempre o seu reverso.
Ora, por norma, é raro pensar-se nas consequências a não ser quando já é tarde.

A Sociologia podia dar, neste campo como noutros, uma contribuição muito útil, desde que não esteja eivada de preconceitos, correntes ideológicas ínvias, ou sequestrada de falsos profetas.
Numa palavra assumindo-se e comportando-se como uma ciência séria. Quanto ao resto todos compreendemos que não possa ser exacta.

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A Chanceler Merkel resolveu animar as hostes indígenas ao sair-lhe pela boca fora que havia licenciados a mais em Portugal (e Espanha), frase que foi realçada e algo retirada do restante contexto.

A coisa não teria qualquer importância se não vivêssemos uma época em que toda a gente fala e opina sobre tudo e a Comunicação Social sente uma pressão enorme (diria uma compulsão de negócio), em nos atulhar com todas as minudências que se passam no planeta Terra.
Acresce que desataram quase todos a bater na germânica senhora, sem quererem entender que a “União” Europeia (UE) não existe, como tal, e que ela só está a defender o que entende ser os interesses da Alemanha (ainda não reunificada).

Não vejo, por outro lado, que a Chanceler não possa falar sempre que lhe apeteça pois, que se saiba, pertencemos todos ao mesmo clube (o tal da UE).
Devemos ainda lembrar-nos da apetência que os “peixes grandes” têm em comer os “peixes pequenos”, sobretudo aqueles a quem emprestam dinheiro, não para investimento, mas para continuarem a viver…

E não enviamos nós centenas (ou milhares?), de licenciados para a Alemanha, faz anos?
Que prova é mais necessária para dar razão à Srª Merkel?

Ora os críticos da mesma senhora devem é escrever-lhe a exigir o seu retorno por eles, supostamente, fazerem cá falta, mas não estou seguro que as leis comunitárias, da livre circulação de pessoas e mercadorias, o permitam…
Se eu fosse aos críticos da chefe do governo teutônico estava mais preocupado em tentar descortinar alguma razão ponderosa naquilo que ela disse ou quis dizer.

Penso até, que há muita verdade implícita naquilo que afirmou mesmo sem, naturalmente, o saber ou ter intenção.
Parece-me inquestionável que Portugal, no seu conjunto, não tenha licenciados a mais, mas não tenho dúvidas, outrossim, que tem portadores de “canudo” a mais numas áreas e a menos noutras; que nada tem sido feito para tentar regular o mercado; que aprovaram imensas licenciaturas que não têm razão para existir; que quase tudo na Educação – melhor dizendo, na Instrução, já que a educação se dá em casa – virou negócio; que o que interessa não é ter muitos licenciados, mas sim bons licenciados – quem confia, desde há 40 anos, nos graus académicos concedidos? Etc..

Um “etecetera” extenso que não cabe aqui desenvolver, mas em que faço excepção para referir o ensino técnico e comercial (também referido pela Srª Merkel) que era de grande qualidade e que foi assassinado nos idos da última revolução que nos calhou em sorte, e que até hoje não foi posto de pé, novamente.
Os extraordinários estadistas (obviamente muito democráticos) têm andado entretidos com as “novas oportunidades”…
*****
 
Grave é também o caso de Timor e a expulsão dos juristas portugueses, datada de 31/10, o que só é ultrapassado pela reacção pífia das entidades que dizem representar a nossa soberania.

Timor continua a ser um equívoco nacional. Melhor dizendo, uma monumental mentira política.
Criou-se em Timor, em 1974/5, um problema que não existia, nem havia razões para existir.

O Timor português vivia em paz e perfeitamente integrado na soberania portuguesa.
Nenhuma reivindicação ocorria no, ou sobre o território, nem interna, nem externamente.

Os esparvoados “revolucionários” portugueses, de então, resolveram exportar a loucura que grassava em Lisboa, para Díli e criaram, artificialmente, um partido comunista, local, a “Fretilin”.
Os cordelinhos da Geopolítica internacional começaram a equacionar a existência de uma eventual pústula comunista numa zona que lhe era adversa.

Depois de muitas peripécias onde os desgraçados governos portugueses (sem autoridade para fazer coisa alguma), acumulavam asneiras e omissões, ignoraram todos os alertas e pedidos da Indonésia, levando este país a invadir o território de Timor-Leste (com luz verde dos EUA) – já depois da bandeira portuguesa ter sido arriada pela Fretilin…
As autoridades (?!) portuguesas protestaram; a tropa que lá estava não disparou um tiro e a ocupação passou a ser um facto (quase) consumado.

O Governo português perdeu, entretanto, toda a autoridade moral, diplomática e política, para exigir fosse o que fosse, dado que a partir de Dezembro de 1974, decidiu reconhecer “de jure” a escabrosa invasão de Goa, Damão e Diu, pelo estado malfeitor da União Indiana, efectuada em circunstâncias muito mais gravosas do que aquela ordenada por Jacarta.
Ninguém consciente e com vergonha na cara gosta de ouvir dizer isto, mas é a mais pura das verdades!
Os Indonésios não tiveram, por sua vez, qualquer tipo de “jeito” em lidarem com a nova realidade, usaram de brutalidades várias e conseguiram alienar qualquer tipo de empatia que se pudesse criar. A resistência armada continuava a lembrar que, apesar de tudo, o gesto indonésio beliscava o Direito Internacional (normalmente só aplicado aos grandes…), até que o bambúrrio do vídeo que documentava o “massacre” de Santa Cruz, onde se ouviam vozes de mulheres e crianças a rezarem a Avé – Maria, em português – o que parece impressionou até, alguns empedernidos ímpios tugas – acordou a diplomacia portuguesa da sua letargia, que levou, numa arrancada digna dos bons velhos tempos, a que os Indonésios acabassem por se retirar do território.
Esta fase foi acompanhada por uma mobilização nacional genuína, onde até as forças políticas mais antimilitares e outros ex- revolucionários queriam uma intervenção militar.

A má consciência, às vezes, opera prodígios…
Deu-se início, então, ao que designaram por “processo de descolonização”, que foi complexo e difícil. A má consciência internacional também ajudou, e muitos não deixaram de logo colocar os olhos no potencial em hidrocarbonetos existente.

Aí fez-se e deixou-se fazer, uma outra asneira grave: faltou colocar no referendo a 3ª pergunta, isto é, se os timorenses queriam a integração em Portugal, mas isso não interessava nada à quase totalidade dos intervenientes mais destacados. Por motivos diferentes, mas confluentes.
A má consciência, afinal, não dá para tudo!

Deste modo Timor ficou um grão de areia perdido no universo, onde apenas o catolicismo garante alguma homogeneidade, já que o português está em regressão e é apenas falado por uma minoria da população.
Ou seja Timor Lorosae não tem o mínimo de capacidades para ser uma entidade autónoma no seio das nações. A única coisa que vai subsistir são os negócios entre as pessoas que se consigam movimentar na área do poder nominal.

A actual classe política portuguesa não tem, nem tão pouco quer ter, qualquer capacidade para influenciar o que se passa em Timor. E como também destruiu todo e qualquer poder nacional – a partir do que não se pode definir qualquer política nem desenhar qualquer estratégia – faz as figuras tristes que tem feito em toda a parte do mundo.
Mas sempre orgulhosamente acompanhados.

Por isso é que o ex-guerrilheiro maubere, que muito deve a Lisboa, ocupar o cargo que ocupa, se permite impor a presença do presidente da Guiné Equatorial, na última cimeira da CPLP, ocorrida em Díli, antes de ter sido formalmente eleito; expulse como criminosos (ou espiões) os juristas portugueses que eles tinham pedido para os ajudar e, num gesto magnânimo tenha, antes, oferecido ao nosso país mais de um milhão de euros para ajudar nos incêndios florestais.
É triste e é uma vergonha para a lusa gente.

Mas lá que é merecido, é.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

PARA VER E OUVIR

Entrevista com a Drª Maria do Carmo Vieira. Verdades como punhos que só o são porque, simplesmente, o "Bom Senso" emigrou do nosso País há umas décadas atrás.
 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

CONSIDERAÇÕES EM VOLTA DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE (A PROPÓSITO DO HOSPITAL DAS FORÇAS ARMADAS)


“A Inviabilidade do SNS num país inviável”.
José Manuel da Silva
A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) promoveu um colóquio, em 8 e 9 de Outubro, sobre os Serviços de Saúde Militares (SSM) - cuja discussão pública se tem afunilado apenas na questão do hospital das FA.
Este colóquio tinha por objecto chamar a atenção para a necessidade de reversão de algumas decisões, em má hora tomadas pelos sectores do Governo ligados à defesa.
Coube ao Bastonário da Ordem dos Médicos, Dr. José Manuel Silva, proferir a conferência inaugural.
É sobre esta conferência que vamos incidir o escrito de hoje, não porque o tema da meritória iniciativa não me mereça relevância, mas porque já dei q.b. para esse peditório, e parafraseando, “vozes do céu não chegam aos burros”…
Que disse então o Bastonário, pessoa conhecida no país pelas inúmeras intervenções públicas, por norma equilibradas e apreciadas, que me despertou o interesse de um comentário?
Ao contrário do que seria espectável pouco se referiu aos SSM, certamente por estar pouco à vontade no assunto, mas aproveitou o ensejo para fazer uma larga exposição sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS), com cópia alargada de números que espelham muito da realidade desde há 40 anos até à actualidade.
Fez ainda umas quantas e judiciosas considerações sobre a exploração e gestão dos recursos naturais e a sustentabilidade do planeta terra, face ao estilo de vida consumista que os humanos desenvolveram.
O Bastonário dissertou sobre a austeridade causada pela “crise” em que estamos mergulhados e como esta está a destruir o SNS e a inviabilizar todo o apoio que desde a sua criação facultou à população.
Insurgiu-se o senhor Bastonário contra este estado de coisas.
Eu creio que tem razão, mas vou vestir as roupas de “advogado do demo” e colocar umas quantas questões.
Penso, em primeiro lugar, que o SNS foi a coisa mais bem conseguida que se realizou após o 25/4 – enfim, sem contar com a qualidade do vinho, que sendo então já boa, melhorou bastante.
O problema que o SNS teve e que, de resto, todos os sectores do Estado sofreram nestas malfadadas décadas, foi o de uma grande má gestão das finanças, sem controlo adequado, sem responsabilização, sem nada!
Tal ocasionou vastíssimo desperdício e despesismo – e ficamos por aqui – que ia desde o desaparecimento do papel higiénico e ligaduras, à compra de carros de alta cilindrada para os gestores, passando pelo valor das horas extraordinárias que os diferentes profissionais ganhavam e que chegavam, por vezes, a ultrapassar os do seu vencimento.
E já não vamos falar do “farró” das obras realizadas, do negócio dos medicamentos e de certa promiscuidade entre o que se passava no SNS e os privados…
Por outro lado, não havia aparentemente, tecto para as despesas, ou seja, quando faltava dinheiro, pedia-se emprestado à banca.
E quanto ao Orçamento de Estado, alguém se lembra durante quantos anos seguidos se chegava a Outubro e lá se fazia um orçamento ractificativo para a saúde? Foram muitos…
Pois é, deu no que deu!
Numa palavra, construímos e mantivemos um SNS desajustado das nossas possibilidades e realidades, que a produção de riqueza não sustentava e a má gestão agravava.
Isto já para não falar nos governos que há vários anos a esta parte, tudo têm feito para transformar a saúde apenas em negócio e entrega-la aos “amigos” dos grupos privados!
Agora as perguntas aborrecidas.
Compreende-se que o senhor Bastonário esteja preocupado com o desinvestimento e o aperto financeiro no SNS, mas fará o favor de ponderar o que fez a Ordem dos Médicos quando se gastava à tripa forra? Quando havia desperdício, que entrava pelos olhos dentro? Quando se esbanjava recursos?[1]
Quando praticamente toda a gente – desde a mulher-a-dias ao director de hospital – recebia o que devia e o que passava das marcas?
Que denúncias fizeram os seus antecessores? Numa altura em que seria corajoso fazê-lo, não agora, em que não há cão nem gato que, quase em coro, por esse país inteiro não reclame e proteste! (perdão, há uma excepção: às chefias militares não se ouve um pio, estão “tranquilas”, obviamente por não faltar nada ao Exército, à Marinha e à FA!).
O que o senhor Bastonário afirmou acaba outrossim, por encerrar uma contradição insanável.
Ao protestar contra a austeridade que é consequência da incontinência financeira anterior e desregramento dos costumes, e ao não ter condenado os excessos apontados que levaram à actual situação, quer isso dizer que deseja continuar na senda do endividamento?
Provocando desse modo mais austeridade, mas só lá mais para a frente?
Por outro lado, o Senhor Bastonário faz o que lhe compete: clama pela sua dama, embora o âmbito de actuação da Ordem dos Médicos não se limite ao SNS.
Mas, e as outras áreas do País? Qual é a sua preocupação com elas? Ou a saúde está acima de tudo e, ou, nada mais existe? (Sim, eu sei que não é Primeiro-Ministro).
A pesca é desprezível? A Investigação não interessa? Se o senhor não tiver couves, batatas e bife para comer, consegue operar?
E se não houver Segurança, o País pode funcionar? Penso que saberá que os navios estão, por norma, atracados, a FA voa pouco mais do que um modesto aeroclube e o Exército é já praticamente virtual.
Terá ideia de que as únicas munições que Portugal produz, são as de caça e qualquer dia nem mesmo essas? (a Caça acaba, não há mercado!)
Não sei se sabe mas no SNS só se começou a fazer cortes há três anos e devagarinho; nas FA foi há mais de 20 anos e um bocado à bruta.
Deu nisto, passarmos a ter um hospital militar, onde havia quatro, que já não chega para as encomendas não cabendo aqui explicar-lhe porquê.
Esse era o tema do colóquio onde o senhor foi convidado a falar.
O País, senhor Bastonário, está a desaparecer – certamente já deu conta disso, como prova a citação em destaque.
O SNS apenas o acompanha.
Nota: As conclusões do colóquio publicitadas pela AOFA parecem equilibradas e ajustadas. Falta apenas indicação de acções concretas para as implementar.
Mas deve-se perguntar o seguinte: O que andaram a fazer os variados grupos “ad-hoc” criados fora da estrutura militar para estudar o assunto? Para que serviram e qual a intervenção dos estados – maiores dos Ramos no meio desta “reforma”?
Finalmente, qual o papel dos sucessivos Conselhos de Chefes Militares, em todo este âmbito?




[1] Sabe que uma vez em Cuba, há poucos anos, precisei de fazer um curativo e a enfermeira cortou ao meio a fita de adesivo que fixava o penso, para poupar? (Como, aliás, eu vi fazer em Portugal, quando era miúdo); e saiba que estava num hotel daqueles para turistas, onde se pagava em dólares…

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

GENERAL ESPÍRITO SANTO: UM CHEFE MILITAR VALOROSO

Ultimamente uma parte considerável da minha vida é passada entre hospitais e cemitérios. É, indubitavelmente, um ciclo da própria vida…

Porém, nada agradável.

O meu distinto camarada e historiador militar Tenente Coronel Abílio Lousada, outro bragançano dos quatro costados escreveu um belo texto (que merecia publicação) sobre o General Espírito Santo, falecido no pretérito dia 16 de Outubro, aos 79 anos de idade.

Este texto diz quase tudo sobre este ilustre militar e académico, ficando muito difícil acrescentar algo mais.

Espírito Santo era um português telúrico que ganhou jus a ficar na História do Exército Português e na memória das várias instituições de que fazia parte.

Artilheiro de origem, era um profundo conhecedor da História Militar Portuguesa e o “ADN” do Exército Português estava-lhe entranhado em todas as fibras do seu ser.

O General Espírito Santo aprendeu muito na “Escola” de dois outros ilustres chefes militares, os Generais Bettencourt Rodrigues e Firmino Miguel. Embora estejamos em crer, que mais na do segundo do que na do primeiro.

Foi um militar completo, com experiência de tempo de paz, crise e guerra, passando pela difícil experiência do 25/4 e “PREC”, sem mácula que se conheça.

Foi vasta também, a sua experiência de organizações internacionais de defesa, nomeadamente a NATO.

E era conhecido e apreciado pela lhaneza de trato, boa disposição e intimismo que colocava nas relações pessoais.

Era outrossim um homem de família e o desvelo com que se empenhava no acompanhamento do crescimento dos netos, era notório.

A sua folha de serviços justifica por si só (independentemente de eventuais injustiças, ainda pendentes), a atribuição da alta condecoração – a Torre e Espada – sem necessitar de qualquer distinção honorífica por exercício de função (neste caso de CEMGFA).

Nunca afrontou também, publicamente, - na esfera institucional haverá, todavia, muita coisa para se conhecer – qualquer figura política, integrando-se naturalmente naquilo que se denominou de Estado de Direito Democrático.

Por tudo isto se percebe mal, porque os órgãos de soberania - Governo, Assembleia da República e Tribunais - não se fizeram representar no funeral de uma alta figura do Estado, que nunca deixou ficar mal a Nação, a República e as Forças Armadas.

O Presidente da República fez-se representar pelo chefe da Casa Militar e escreveu uma mensagem no sítio da Presidência (infelizmente o PR ainda não entendeu que uma mensagem destas só deve ser colocada no éter informático depois de ser assumida de viva voz…).

Cabe aqui perguntar, a talhe de foice, quais são os critérios que levam a que um cidadão português (sublinho o português, não vá um dia destes, colocarem lá um qualquer cidadão do mundo!) tenha direito a ser sepultado no Panteão Nacional. E se um militar também faz parte dos elegíveis.[1]

E devemos regozijar-nos já que não houve nenhum escriba (enfim, que tivesse topado), ou força política que se tenha atrevido a contestar as honras militares dispensadas, nomeadamente pelos custos das salvas de artilharia, ou pela “violência” que representa mobilizar cidadãos soldados, a um domingo, para irem fazer essa coisa paleontóloga que tem o nome de ordem unida, sem sequer lhes pagarem horas extraordinárias.

Deve referir-se que o Exército esteve à altura dos acontecimentos [2].

Meu General foi um privilégio tê-lo conhecido e o “João” lembrá-lo-á para sempre.

Laus Deo.
 


[1] Sim, eu sei que o General Humberto Delgado está lá mas, convenhamos que não foi por ser militar ou por feitos militares.
[2] Lembramos como “curiosidade” que, nesta acção, o número de praças empenhado, representou cerca de 2% da totalidade das existentes em todo o Exército…