Este blogue apresenta os pensamentos, opiniões e contributos de um homem livre que ama a sua Pátria.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
sábado, 12 de julho de 2014
ALEGAÇÕES FINAIS (julgamento Manuel Alegre versus Brandão Ferreira)
No dia 10/7/14 teve lugar a sessão destinada às alegações finais do
julgamento que o cidadão Manuel Alegre interpôs contra mim.
Junto o texto que li quase na sua totalidade nessa ocasião.
Não quero deixar de afirmar que, antecedendo a leitura do mesmo e em toda a vida que já levo, nunca ouvi uma diatribe tão miserável, anti-patriótica e repugnante, como aquela que o advogado do assistente fez, aquando da sua intervenção.
Pena que não tenha ficado gravada, pois só pode ter vindo dos confins do Inferno."
Na estrofe 33, do Canto IV dos Lusíadas, Camões (esse sim um verdadeiro poeta da Pátria) declamava assim:
Junto o texto que li quase na sua totalidade nessa ocasião.
Não quero deixar de afirmar que, antecedendo a leitura do mesmo e em toda a vida que já levo, nunca ouvi uma diatribe tão miserável, anti-patriótica e repugnante, como aquela que o advogado do assistente fez, aquando da sua intervenção.
Pena que não tenha ficado gravada, pois só pode ter vindo dos confins do Inferno."
ALEGAÇÕES FINAIS (julgamento Manuel Alegre versus Brandão Ferreira)
Na estrofe 33, do Canto IV dos Lusíadas, Camões (esse sim um verdadeiro poeta da Pátria) declamava assim:
“Ó tu, Sertório, ó Nobre
Coriolano,
Catilina, e vós outros dos
Antigos
Que contra vossas Pátrias com
profano
Coração vos fizestes inimigos:
Se lá no reino de Sumano
Receberdes gravíssimos castigos,
Dizei-lhe que também dos
Portugueses
Alguns traidores houve algumas
vezes.”
Como podem verificar o que
estamos aqui a tratar tem raízes antigas…
É minha convicção que este
julgamento não existiria e não teria razão de ser, caso o agora assistente
tivesse sido acusado e julgado, quando voltou a pôr pé na terra que lhe deu o
berço, nos idos de 1974.
Ele e todos aqueles que
procederam como ele.
Só os tempos de grande
perturbação política, militar e social e de absoluto desnorte, então vividos,
explica, mas não desculpa, o sucedido.
Estamos hoje, pois, a dirimir
questões com 40 anos de atraso, as quais podem prescrever face às leis da
sociedade, mas não prescrevem na memória e consciência dos homens, nem no
julgamento da História.
Lembro Judas Iscariotes, apóstolo
de Cristo que o traiu após a última ceia, que é o caso mais conhecido a nível
mundial e não há memória, entre nós, de que o Miguel de Vasconcelos tenha tido,
até hoje, qualquer estátua em Portugal!
*****
Neste caso, eu e o cidadão Manuel
Alegre, não podemos estar certos ou errados, ao mesmo tempo.
As razões pelas quais intervim na
Fundação Gulbenkian no início de Maio de 2010 e questionei o queixoso, no fim
da sua arenga e, na sequência, escrevi o artigo “Manuel Alegre combatente por
quem” – e apenas esse – não se destinou a prejudicar o assistente enquanto
candidato a PR. Até pela simples razão de que ele não tinha qualquer hipótese
de ganhar.
Sem embargo, quem ouviu os
testemunhos da outra parte e não saiba do que se trata, podia ficar a pensar
que Manuel Alegre não ganhou as eleições presidenciais, por causa desse artigo…
Tão pouco estabeleci contactos
fosse com quem fosse para fazer o que fiz – apesar de querer deixar bem claro
que no enquadramento legal existente, esses contactos mesmo que fossem para
prejudicar a campanha do putativo candidato, eram lícitos, dado que eles são
parte da intervenção cívica e do exercício dos direitos de cidadania.
O que essa intervenção tem é que
ser verdadeira e não ir contra a lei e os costumes e não ofender a Moral e os
ditames consciência pública.
Ora eu só referi a verdade, não
atentei contra a lei nem ofendi a Moral pública!
Exemplo disso é que nunca lhe
chamei desertor, pois apesar de ser “vox populi” tal epíteto, eu conhecendo um
pouco mais da vida de MA sabia que, técnica e juridicamente, ele não o era.
Pelo contrário, eu é que me sinto
ofendido na minha qualidade de cidadão português!
Intervim por um imperativo de
consciência, de boa-fé e por entender que a denúncia era de interesse público.
De facto, sendo oficial superior
da FA, não me esqueci da minha formação, tão pouco dos juramentos que fiz. E,
ao contrário de oficiais, alguns dos quais ouvidos por este tribunal como
testemunhas do assistente, que se esqueceram dos deveres e valores militares,
eu só penso dar baixa deles para a cova!
Destas testemunhas apenas
pretendo referir-me a duas por serem os únicos que me mereciam consideração.
Refiro-me aos Maj. Gen. Manuel Monge e Gen. Ramalho Eanes.
Quanto ao primeiro – e
complementando o que foi dito pelo meu advogado, Dr. Lafayette, a quem quero
agradecer publicamente tudo o que tem feito e por ser um “combatente do bom
combate" – pretendo salientar o esforço que fez em arranjar um discurso diferente
que o salvaguardasse das contradições em que se enredou.
Falo da tentativa de tornar a
definição de “traição” relativa e subjectiva. Ora o significado de Traição à
Pátria, para além de ser intuitivo, isto é, toda a gente o entender, está
perfeita e legalmente definido nos normativos dos Código Penal e no Código de
Justiça Militar.
Mas, se por acaso, o termo fosse
considerado subjectivo ou de aplicação relativa, passaria à categoria de
opinião e, nesse caso, eu também tenho direito a uma, o que dispensaria este
julgamento.
Manuel Monge quis ainda ilustrar
o que defendia dando como exemplo a condenação à morte do General Gomes Freire
de Andrade, por “traição à Pátria” e hoje existir uma rua e um busto, em
Lisboa, com o seu nome.
Todavia, não podia ter escolhido
pior exemplo: é que Gomes Freire foi enforcado, não por traição à Pátria, mas
sim por ter liderado uma tentativa falhada de golpe de estado…
E se tem rua e estátua, em Lisboa
é, talvez, por ter sido Grão - Mestre do Grande Oriente Lusitano…
Quanto ao Gen. Eanes – que
conheci ainda cadete, em 1972, quando ele foi proferir uma palestra à Academia
Militar sobre a situação na Guiné (de que já deve estar esquecido) - apenas
pretendo referir uma dúvida que me assalta: o que é que ele faria se tivesse
visto o assistente, frente a frente, quando havia guerra? Por exemplo, logo
após uma unidade do PAIGC ter assassinado quatro oficiais e três guias civis,
desarmados que estavam a negociar a paz com vários grupos de guerrilheiros
(como já referido neste tribunal). Dava-lhe um abraço ou um tiro?
*****
Lembro ainda que a única matéria
que foquei na minha intervenção, refere-se ao período em que Manuel Alegre
passou na Argélia, como membro do PCP (até 1970), e da Frente Patriótica de Libertação
Nacional (entre 1964 e 1974), e naquilo que disse aos microfones da “Rádio Voz
da Liberdade”, também conhecida por “Rádio Argel” – e apenas essa, pois nunca
referi qualquer outra, nomeadamente a Rádio Brazzaville”, como já aqui se
tentou insinuar na tentativa de confundir o tribunal.
Eu nunca ouvi a rádio Argel, nem cheguei
a combater nos teatros de operações africanos (porque era novo), mas desde cedo
na minha carreira e até hoje, que ouvi falar do que lá se passava e dizia, além
de ter lido alguma da documentação que existe sobre o assunto. Documentos e
pessoas das quais não posso, nem devo, duvidar. Pois os tenho, aos primeiros
como fidedignos, e às pessoas como dignas de crédito, por as conhecer, por
serem gente de bem e combatentes valorosos e patriotas, como V.Ex.ª tiveram
ocasião de verificar, quando alguns deles testemunharam nesta sala.
Por isso não existe qualquer
dúvida no meu espirito, que parte do que Manuel Alegre dizia na chamada “Rádio
Voz da Liberdade”- note-se que foram 10 anos, não foram 10 dias – não
constituía apenas luta política contra o regime de então, mas configurava um
crime de traição à Pátria, à luz do Direito Penal então vigente e do actual,
por estar a apoiar objectiva e concretamente, os movimentos de guerrilha que
nos emboscavam e matavam os soldados e tentavam separar territórios
portugueses, da Mãe-Pátria.
Sim, porque esses territórios nos
pertenciam por direito próprio e eram, simplesmente, Portugal mais longe!
(Faziam parte, por ex., de todas as Constituições e não apenas da de 1933…).
E não ajudava só estes, mas
também as potências estrangeiras que patrocinavam os movimentos ditos
emancipalistas!
Por muito menos foi um desgraçado
soldado português fuzilado na Flandres, em 16 de Setembro de 1917…
Além do mais não concordar com
uma guerra, não dá o direito a ninguém de trair os seus, como a participação
portuguesa na frente francesa, na I Guerra Mundial, tão bem ilustrou.
Seria até curioso saber como é
que o assistente designa os autóctones que se mantiveram fieis à sua condição
de portugueses tendo combatido ou não, nas Forças Armadas nacionais e foram
fuzilados pelo inimigo, muitos deles já depois das hostilidades terem cessado.
Serão traidores? E a quem?
A apreciação que faço é válida
naquele tempo, no anterior, actualmente, e sê-lo-á, certamente, no futuro.
Ora chamar a atenção,
publicamente, para o passado de uma figura como a do assistente, que exerceu e
exerce cargos de relevância política, nos últimos 40 anos, não é de somenos importância
– sobretudo quando tal figura pretendia vir a exercer o mais alto cargo da
Nação que, por inerência de funções, acumula com o de “Comandante Supremo das Forças
Armadas”.
Tem, outrossim, a maior
relevância, não sendo apenas uma “aresta” sociológica, como o advogado do
assistente tentou fazer crer na 1ª sessão do julgamento.
*****
Gozei até hoje da plenitude dos meus
direitos e deveres cívicos. A minha atitude limitou-se a usufruí-los.
Não foi um caso isolado; uma
embirração de momento; um fugaz interesse que despertou. Tem sido uma postura
de sempre, patente nos cerca de 1000 artigos, cinco livros e dezenas de
conferências, que escrevi, o podem atestar. Um destes livros versa, especificamente,
a justiça e o Direito em fazermos a guerra que travámos no Ultramar; a sua
legitimidade, sustentabilidade e as razões porque desistimos de lutar e
sofremos a maior derrota da nossa História!
Derrota, aliás, humilhante e
vergonhosa, para a qual o assistente activamente contribuiu e que apenas
encontra paralelo nas consequências de Alcácer-Quibir.
Por isso a minha eventual
condenação seria, também, uma ofensa a todos os combatentes de sempre e por
maioria de razão aos heróis, alguns dos quais me orgulho de ter como testemunhas,
e de cuja acção vou condensar num trecho do relatório dos sobreviventes da
guarnição da Lancha Vega, relativo ao seu comandante, Segundo-Tenente Oliveira
e Carmo, morto heroicamente nas águas de Diu, em 18 de Dezembro de 1961, e
cito:
“O Senhor comandante dirigiu-se à
Camara e fardou-se de branco, dizendo que assim morreria com mais honra.
“Rapazes, sei que vocês vão cumprir assim como eu e que mais vós quereis!
Acabarmos numa batalha aeronaval. Fazemos parte da defesa de Diu e da Pátria e
vamos cumprir até ao último homem e última bala se possível”. “Algumas
despedidas se fizeram e até as fotografias dos entes queridos foram beijadas e
guardadas nos bolsos dos calções”.
Permitam, para finalizar, que
leia o penúltimo parágrafo, do meu livro “Em Nome da Pátria”: “Não soubemos
merecer os nossos antepassados, poderá ser a síntese que nos leva ao veredicto
final: aqueles que não souberam defender a Pátria, por não a terem sabido amar,
acarretarão para sempre, e perante a posteridade, a responsabilidade e a
vergonha de a terem deixado perder”.
*****
Meritíssima Juíza,
Passei horas de minha vida
sentado nesta sala, a olhar para o símbolo maior deste tribunal: a imagem da
balança e da figura vendada, pintadas na parede à minha frente e que
representam a Justiça e da qual, neste caso, é V. Exª, o fiel garante.
Estou certo e quero crer, que esse
valor maior que é a Justiça será preservado neste julgamento.
João J.
Brandão Ferreira
domingo, 6 de julho de 2014
A VISITA DE FILIPE VI
“Olivença é terra portuguesa”
Uma evidência!
Não deixa de ser significativo
que Portugal seja o primeiro país que o novo Rei de Espanha visita,
oficialmente, após a sua coroação.
Mesmo tendo em conta que o convite
tenha partido do Presidente Português.
O significado é, sobretudo,
político e estratégico.
Tudo deve ser seguido e analisado
com a máxima atenção.
Lamentavelmente, “Sua Muito
Católica Majestade” [1] não vai ser recebido por
ninguém de estirpe real, alguém de sua igualha, com o titulo de “Majestade
Fidelíssima”, [2]
mas pelo republicaníssimo Professor Cavaco Silva – o qual, obviamente, não usa
o titulo, que passou naturalmente para a Nação Portuguesa, quando a Monarquia
caiu sem lustre nem glória, no arrepiante dia 5 de Outubro de 1910.
Filipe será bem recebido como
representante de um país que estimamos seja nosso amigo e bom vizinho, mas que
deve ter sempre presente que será repudiado no dia em que além de ser Filipe VI
de Espanha, se engane na numeração romana e intente ser, também, IV de
Portugal.
É certo que a Monarquia Espanhola
foi visitar primeiro Sua Santidade o Papa, o que é lógico, não só porque para
além de uma visita de Estado, tem um carácter espiritual. Mais a mais o Papa é
falante natural do castelhano…
Mas para nós portugueses, tal
facto não deixa de se dever ter em conta, face à luta que os dois reinos
travaram pelo favor Papal, ao longo dos séculos.
Recorda-se, só para ilustrar, que a Santa Sé
levou 51 anos a reconhecer “de jure” a independência de Portugal e tornou, mais
tarde, a não ter pressas em reconhecer a Restauração/Aclamação de 1640, o que
só ocorreu em 1670, passando já dois anos da assinatura do Tratado de Paz entre
as duas coroas.
Para já não falar, entre muitas
outras coisas, nos 600 anos que Roma levou a canonizar D. Nuno Álvares Pereira,
a que não é seguramente alheia a diplomacia de Madrid.
Filipe VI não perdeu, aliás,
tempo e logo convidou Francisco a visitar Espanha, em 2015, a propósito do 500º
aniversário do nascimento de Santa Teresa de Ávila.
Depois de Portugal segue-se
Marrocos, onde será recebido pelo Rei Mohamed VI, o “Comandante dos Crentes”,
da dinastia Alauita, que teve início em 1664 – embora a Monarquia marroquina
remonte ao ano de 788 – cuja lema é “Deus, Pátria, Rei”.
Com Marrocos as relações da
Espanha são tensas, não só por um historial antigo de disputas, algumas ainda
não resolvidas - como é o caso de cidades, enclaves e ilhotas, sobre soberania
espanhola, que Rabat reivindica – mas também por problemas sobre direito
marítimo e a magna questão da emigração.
Estas relações contrastam com as
que Portugal mantém com Marrocos, que se podem considerar exemplares desde a
assinatura do Tratado de Paz de 1774, apenas toldadas pelo apoio – apesar de
tudo moderado – que aquele país prestou aos movimentos de guerrilha que combateram
a presença portuguesa no Ultramar entre 1961-1974.
O périplo termina em França – numa
prioridade nitidamente regional – país com quem a Espanha sempre manteve uma
relação de desconfiança, mesmo nos períodos de alternância entre serem aliados
ou inimigos, que os caracteriza e que atingiu o rubro nas contendas entre a
Casa dos Bourbons e dos Habsburgos.
Já não reina em França “Sua
Majestade Cristianíssima” [3] que, não raras vezes, não
teve escrúpulos em se aliar aos inimigos da Fé Cristã, já de si fortemente
abalada pela “Reforma” e quase subvertida pela Revolução Jacobina de 1789.
E sempre que a França se alia à
Espanha contra as potências marítimas, Portugal viu sempre a sua
independência em perigo.
Aliás, quando Filipe VI
atravessar a fronteira sabe que deixa atrás de si um confortável poderio
militar, ilustrado pelos 347 carros de Combate “Leopardo” e 103 “Centauro”;368
“Pizarro” (ligeiros); 31 helicópteros de ataque “Tigre”, 37 “NH90”, 37 “Cougar”
e 18 “Chinook”; 102 peças autopropulsionadas de 155 m/m, M 109 e 184 viaturas
ligeiras de transporte de tropas “RH41”, 396 “Lince” e 1600 “URO”. Tudo
material moderno e letal; só para referir isto, que pertence ao Exército. Nem
vale a pena falar nos outros Ramos…
Por seu lado o Ducado de Alba
continua a ser a casa nobre mais poderosa de Espanha…
Convinha não esquecer estas
coisas.[4]
É curioso como o filho daquele
que foi o mais “português” Rei de Espanha – sê-lo-ia, porventura, no coração,
porém, não na razão – deixou os “filhos” da Espanha para outras núpcias.
Estamos a referir-nos a todos os
países que os espanhóis colonizaram, sobretudo nas Américas, cujas bandeiras
emolduram uma sala no notável Mosteiro de La Rábida, perto de Huelva, o que
constitui o símbolo da Hispanidade, cujo dia se comemora a 12 de Outubro. A
data em que Cristóvão Colon chegou, oficialmente, ao Novo Mundo, afirmando que
tinha chegado à Índia…
Cristóvão Colon que está muito
ligado a La Rábida onde terá deixado o filho mais velho a ser educado e onde
conferenciava com um sábio franciscano português, Frei António de Marchena, que
por lá pontificava.
C. Colon que, estamos em crer, a
coroa espanhola sempre conheceu como sendo um nobre navegador português, mas
nunca quis que se soubesse…
Filipe VI vem pois, a Portugal,
numa campanha de charme e também para marcar o seu terreno. Não só perante
potências exteriores, mas outrossim, para o interior de Espanha, querendo
significar que antes das autonomias e dos regionalismos, está a unidade da
Espanha, se possível da Península Ibérica, que sendo uma realidade geográfica
sempre quiseram fazê-la coincidir com uma única unidade política.
Serve ainda para descansar o polo
geopolítico mais forte da Meseta, que é Castela, no sentido em que realça o
facto de Portugal continua aqui ao lado e pode sempre constituir uma
compensação para o caso de alguma das 17 comunidades autonómicas (mais duas
cidades) fugir ao seu controlo.
Como dizia José de Carvalhal y
Lencastre [5] “a perda de Portugal foi
de puro-sangue e, por isso, o ministro espanhol que não pense constantemente na
reunião, ou não obedece à lei ou não sabe do seu ofício”.
Parece que Filipe VI está bem
preparado para o seu ofício e já jurou cumprir a Lei.
Por isso perceberá sem
dificuldade um repto de exigência que daqui lhe lanço, pois não sou, nem nunca
serei seu súbdito (embora lamente ser eu a fazê-lo e não as autoridades que me
deviam representar): Influa em tudo o que estiver ao seu alcance para que o
governo de Espanha devolva a cativa, mas portuguesíssima terra de Olivença e
seu termo.
Tanto eu como V. Majestade
sabemos que aquela terra não vos pertence.
Folgo que tenha uma boa estadia,
mas compreenderá que enquanto este assunto não estiver resolvido, eu não lhe
possa desejar as boas vindas.
João J. Brandão Ferreira
Oficial Piloto Aviador
Português sofrido
[1]
Titulo que começou por ser outorgado A Fernando e Isabel, (Reis Católicos) pelo
Papa Alexandre VI
[2]
Titulo atribuído aos Reis de Portugal, pelo Papa Bento XIV, em 23/12/1748.
[3]
Titulo usado regularmente desde o Rei Carlos VI, por o Papado considerar a
França, desde Clóvis I, a “filha mais velha da Igreja”.
[4]
Não teria sido má ideia, “alguém” ter lembrado tudo isto, na última reunião do
Conselho de Estado (ocorrida a 4/7/14), mas parece que andam preocupados com
outras coisas.
[5]
Ministro de Estado ao tempo do Rei Fernando IV, de Espanha.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
segunda-feira, 30 de junho de 2014
A PRESTAÇÃO FUTEBOLÍSTICA NACIONAL
“As regras rigorosas da disciplina militar são necessárias
para proteger o Exército contra as derrotas, contra a carnagem e, acima de tudo,
contra a desonra”.
Napoleão
O treinador Jorge Jesus dizia,
numa das últimas (muitas) conferências de imprensa a que nos habituou e nos
diverte – não tanto por culpa dele, mas de quem lhe põe um microfone à frente –
que toda a gente fala de futebol, mesmo sem ter qualquer crédito para tal.
Tem razão o homem, sendo tal
razão escorada ainda no facto de nunca o termos ouvido falar a não ser nesse
âmbito.
Marcaria mais pontos, todavia, se
tivesse afirmado que o importante para o desporto conhecido por futebol
(“football”, no original) era ter, e ver as pessoas a praticá-lo, em vez de se
especializarem em treinadores de bancada; e já há muito, também, proliferam os
comentadores, “noblesse oblige”!
Nós vamos seguir o seu conselho e
não vamos discutir o que se passou dentro das quatro linhas.
Por isso vamos deixar os
critérios sobre a escolha dos selecionados - a forma física dos mesmos e suas
causas; o ambiente do balneário; as tácticas; a questão de se ter ou não, 10
jogadores a jogar em função de um, ou se temos uma equipa de 11 em que pode
haver alguns que se destacam pela qualidade; as amizades ou inimizades que se
vão desenvolvendo ao longo dos anos; se ter ido fazer jogos de preparação, aos
EUA, era escusado; se o local de concentração no Brasil, foi o melhor; se foi
adequada a mentalização da equipa, (isto é, o seu moral); se foi pensada a
renovação da equipa atempadamente, etc. - dizíamos, a quem de direito.
Ou seja à Federação Portuguesa de
Futebol e a quem mais possa ter responsabilidades neste âmbito.
O que se passou nem sequer foi
mau de mais. Foi apenas a verdade que veio ao de cima.
Aguardamos, pois, em jubilosa
esperança, que as “análises” e as “conclusões”, seguidas das “acções
correctivas”, que sempre se prometem nestas alturas, não sigam o mesmo trilho
do anterior, ou seja que não se ponha o dedo nas feridas e se ataquem as causas
dos males que nos afligem, de que tem resultado nada se emendar.
O que tem obstado, até hoje, a
que a equipa que representa a Bandeira das Quinas tenha ganho um título europeu
ou mundial.
E das vezes que nos apuramos, tal
aconteça sempre à última da hora, com mil peripécias pelo caminho e à custa dos
“playoffs”!
Ou seja, afinal não se aprende
nada…
E contra factos não há
argumentos, apenas demagogia.
Ora a não ser que estejamos
errados, as verdadeiras causas de ficarmos quase sempre curtos em desempenho,
encontram-se à “anteriore” do que se passa nos relvados e para lá do que é
estritamente futebol.
Sejamos claros, o futebol que não
devia ser mais do que um desporto, passou a ser, sobretudo, um negócio e um
palco para promover egos que despontam.
Sendo assim o mundo da bola está
exposto e sujeito aos males da natureza humana e logo a um dos seus piores
atributos: a cobiça. A cobiça é geratriz de corrupção e maus costumes.
Gera-se uma consequência de peso:
como o futebol tem projecção mediática e cai no goto da maioria das pessoas,
logo tem importância política…
Daí aquilo que se convencionou
chamar de promiscuidade entre política e futebol.
O negócio – que passou a ter
expressão quase global (até já chegou aos EUA que eram uns analfabetos
futebolísticos e ignoravam semelhante jogo tido por “europeu”…) – passa pela
compra e venda de jogadores, que é uma actividade de clubes e intermediários
(uma espécie de mercado de escravos moderno); direitos de transmissão
televisivos e por uma orquestradíssima campanha mediática de propaganda de
marcas.
Ganhou, entretanto, direitos de “VIP” com galas para os melhores disto e daquilo.
Ganhou, entretanto, direitos de “VIP” com galas para os melhores disto e daquilo.
Ora, em Portugal, tudo corre mal
desde o princípio.
E o princípio é não se ter
desporto escolar e verdadeiras escolas nos clubes.
Ter desporto escolar – desde a
escola primária até à universidade – é uma responsabilidade não só dos privados
mas, sobretudo, do Estado. E não falamos só de futebol, mas de todos os
desportos. Isto deve ser a base de tudo.
Acontece que a juventude anda,
simplesmente, por aí.
Depois temos as escolas dos
clubes, que são responsabilidade destes e da respectiva federação. Mas como o
negócio e a pressão da massa associativa (fora as campanhas eleitorais dentro
dos principais clubes), agora com secções algo turbamultas, conhecidas como
“claques” – que obrigam às “caixas policiais” e outras medidas de segurança
impensáveis em terra de gente civilizada – opta-se por soluções que possam dar
resultados imediatos.
Assim contrata-se “especialistas”
conhecidos por “olheiros” que andam por esse mundo fora a tentar descobrir
génios que possam ser transacionáveis.
As escolas, que levam tempo a
produzir efeitos, passam a ser uma espécie de laboratórios de investimento para
jogadores, cuja maioria nem chega a sê-lo, repletas não de portugueses, mas sim
de pretinhos que se vão pescar por essa África, sobretudo naquela em que ainda
se fala português. Quem não prova ou não tem sorte, porém, fica por aí
abandonado pelos cantos…
E, então, não é mais fácil ir à
América do Sul e Central adquirir um produto já acabado, tentar melhorá-lo e
depois revendê-lo?
No topo de tudo isto ainda existe
um Comité Olímpico, que não trata de futebol e que se deve ver da cor dos gatos
para conseguir meia dúzia de atletas para apresentar nos jogos inventados pelos
antigos gregos…
Como se tudo isto já não bastasse
a preparação da “molhada” que se pretende transformar na lusa equipa passa a
sofrer dos mais finos defeitos dos “Tugas”.
Em vez de criteriosa escolha de
técnicos e jogadores por gente com créditos firmados e de, a partir daí, se
estabelecer um plano (falam em estratégia, mas não sabem o que tal significa),
e se começar a trabalhar com afinco, disciplina e método, passa-se a vida a dar
entrevistas e a discutir tudo na praça pública, escorregando, por norma, tudo o
que é importante fazer para a última hora.
E, de há muitos anos a esta
parte, ninguém se pode desculpar com falta de meios: a selecção tem tratamento
de príncipes!
Os ordenados que se pagam, neste
âmbito, são moralmente pornográficos. E têm outro contra, juntamente com a luz
da ribalta que se dá aos protagonistas do chuto na bola: deslumbra-os.
As excepções são poucas.
Os jogadores de futebol (e não só
os jogadores) são, na sua maioria, gente simples com pouca instrução. Basta
ouvi-los falar cinco minutos para se perceber as suas dificuldades em se
exprimirem em português escorreito e em articularem frases com sujeito,
predicado e complemento directo.
O estatuto que lhes atribuem,
apenas comparados às estrelas de rock, naturalmente desequilibra-os. A sua
imagem de marca passa pelos penteados “à índio”, tatuagens, brinco na orelha e
boné à banda. Digamos que são extravagâncias identitárias que, em si, nada têm
de mal, mas que os situam na sua verdadeira grandeza.
Para “heróis nacionais” estamos
conversados.
A Comunicação Social faz o resto,
massacra-nos com reportagens de tudo e mais alguma coisa. Horas a fio.
Temos que saber o que vestem; o
que fazem; o que pensam; o que comem; para onde vão de férias; a cor do soutien
da namorada; brindam-nos com grandes planos da Jante dos pneus do mister, etc.
Enfim, quando se aproxima o início
de um campeonato, entra-se no campo do histerismo e do patrioteirismo que se
substitui ao Patriotismo – que deve ser de todos os dias – onde as cores
nacionais passam a ser confundidas com um trapo de enfeite. E onde se
substituiu o “A eles como Santiago aos Mouros”, pelo “até os comemos”…
Pelo menos convém não confundir
um campo de batalha com um campo de futebol que, repito, é apenas um desporto…
Mas os “média” e quem neles
intervém, fazem pior: criam falsas expectativas; semeiam a confusão; provocam
estados de euforia e depressão. As pessoas reagem em conformidade, tornam-se
irracionais; esperam um milagre e a chegada de outro D. Sebastião, no meio da
bruma, de espada em punho (ou de bola nos pés)!
Esquecemo-nos constantemente que
somos poucos – logo não há muito por onde escolher – que temos que apostar na
qualidade e que tal dá trabalho e implica escolhas; que é necessário
organização, disciplina e persistência – de que somos relapsos – e de deixarmos
de ter a “esperteza saloia” como topo de virtudes, mas antes apostar na
inteligência empreendedora.
Todavia, enquanto não soubermos
escolher a liderança para nos governar e o modelo político que a enforme, não
sairemos da cepa torta.
Se o País está no estado em que
está, porque é que o mundo do futebol haveria de gozar de saúde e boas
práticas, que são o esteio dos bons resultados?
Se por acaso defendêssemos que só
os jogadores que jogassem em Portugal pudessem representar o País, na seleção,
o que diriam? Se a seleção é nacional, porque é que o treinador e a equipa
técnica não têm que o ser? Porque é que os jogadores que praticam faltas
disciplinares graves, não são mandados regressar imediatamente e irradiados da
seleção?
Porque é que os jogadores têm que
receber prémios por cumprirem o que se espera deles? Nesse caso passam a pagar
quando perdem?
Pois é, caros leitores, nada
disto é politicamente correcto.
O que parece correcto – mas
apenas parece – é o facto das mais altas instâncias do Estado, mesmo antes de a
selecção ter feito algo que a distinga – virem, céleres, convoca-la para uma
fotografia de família, em vez de, simplesmente lhes enviarem um telegrama
dizendo:
”Vão e cumpram a vossa missão. E
não voltem sem terem transpirado tudo o que têm para transpirar, da cabeça para
baixo. Essa, a cabeça, deve manter-se fria e focada.
É o mínimo que podem fazer pelos
palermas que ficam aqui a torcer por vós!
Não se exige que ganhem – mas se
ganharem melhor – apenas que não tornem o espectáculo penoso de ver, ao ponto
de se envergonharem e a todos nós, por via disso. Boa sorte.”
É aqui que entra a disciplina de
que falava Napoleão, o mesmo que tentava escolher os Marechais de França,
apenas entre aqueles que tinham sorte.
Como se sabe, mesmo assim, ganhou
muitas batalhas, mas acabou por perder a guerra.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
ASPECTOS DA OPOSIÇÃO AO “ESTADO-NOVO” IV
Por razões judiciais tenho feito
alguma pesquisa no arquivo do Ministério da Defesa, onde se encontra
documentação muito interessante, infelizmente ainda longe de estar toda
identificada e tratada.
Encontrámos uma miríade de
transcrições de emissões de rádios estrangeiras algumas das quais possuíam
programas preparados e emitidos por “exilados” portugueses que militavam em
Partidos e organizações que lutavam contra o Regime Político instituído em
Portugal, em 1933.
Ocorreu-me que seria interessante
transcrever alguns trechos dessas emissões para os contemporâneos puderem
avaliar o que então se dizia (e as queixas e “denúncias” que se faziam) – na
substância e na forma – e poderem comparar com aquilo que se passou a seguir à
“Revolução” do 25/4/1974 e com o que se passa hoje em dia.
Não farei comentários deixando a
cada um retirar as suas conclusões.
Vou cingir-me à “Rádio Voz da
Liberdade”, órgão da Frente Patriótica de Libertação Nacional” (FPLN), que
emitia a partir de Argel, entre 1964 e 1974.[1]
*****
Pessoas amigas alertaram-me,
entretanto, para o perigo de que o desconhecimento e ingenuidade de muitos
concidadãos, ignorância da História Pátria, aliados à muita desinformação
veiculada pelos órgãos de comunicação social e agentes políticos, na
actualidade, podem levar a que os menos avisados possam acreditar na veracidade
da totalidade dos textos transcritos. Nada, porém, pode estar mais longe da realidade.
Aqui fica o aviso que deve sobretudo ser tido em conta, relativamente ao que
era dito quanto à guerra que travámos em África durante 14 anos.
*****
Eis o 5º texto lido em 15/9/1965,
intitulado “A Emigração – um Grave Problema Nacional.[2]
“Depois de na última emissão
termos dado um balanço das proporções assustadoras dessa autêntica hemorragia
de aptidões físicas e intelectuais de que padece o nosso país, vamos agora ver
as causas da expatriação de dezenas de milhares de portugueses que anualmente
procuram estabelecer a sua vida em países estrangeiros.
Hoje vamos voltar a atenção para
o nível de emprego, isto é para as possibilidades de se adquirir uma colocação
que são dadas ao povo português.
Uma primeira questão que se põe é
a seguinte: existe verdadeiramente em Portugal o desemprego?
Existe, se bem que as
estatísticas habilmente manipuladas pelos serviços salazaristas apenas acusem
uma percentagem pequena de desemprego, umas tantas dezenas de milhares de
casos, e seria tudo. Manifesta-se em Portugal uma forma particular de
desemprego que na linguagem cor - de – rosa oficial se chama sub-emprego. E
não passa afinal de desemprego mascarado.
Segundo o Diário de Lisboa, que
mal se pode suspeitar exagero quanto aos números, o subemprego atinge mais de
metade da população activa total. Com efeito, na Indústria, o conjunto de
operários portugueses trabalham em média menos de duzentos e cinquenta dias por
ano, o que dá aproximadamente seis meses de desemprego anual. Nos campos, a situação
é infinitamente pior, as maquinarias, a monda química e outros meios técnicos
anarquicamente usados, todos os anos lançam por vários meses centenas de
milhares de assalariados agrícolas para o desemprego, e regiões há no nosso
país em que os braços estão parados durante seis meses ou mais.
Por outro lado, o governo
salazarista nada tem feito para assegurar condições de emprego a todos os
portugueses. Basta ver o crescimento demográfico do país, ou por outras
palavras, o aumento da sua população, faz-se ao ritmo de cerca de cem mil almas
por ano. Isto leva a que todos os anos, outros tantos jovens aproximadamente
entrem na idade de procurar trabalho.
Quanto ao encontrar cem mil novos
lugares de trabalho anuais, é o próprio ministros das Corporações que nos
respondeu no dia dez de Julho passado declarando com toda a facilidade e
sobranceria de que um ministro de Salazar é capaz, para dar descabida
importância a resultados menos que medíocres. Que se prevê a eventual criação
nos três anos cobertos pelo plano intercalar de fomento, de cerca de cinquenta
mil, quando seriam necessários trezentos mil.
Compreende-se, portanto, por que
é que um organismo internacional como a O.G.P.F. (?), no seu relatório de 1964 sobre
Portugal, profere estas palavras: no seu estado actual de desenvolvimento, a
economia portuguesa não pode oferecer possibilidades de emprego suficientes à
população em idade de trabalhar. É por isso, concluiu o relatório citado, que a
emigração tem sido relativamente importante desde há muito tempo.
Nestes termos comedidos de uma
organização reputada que consagra aqui a incapacidade da ditadura salazarista,
e que ao fim de trinta e nove anos de governação equivale a um verdadeiro
sistema de emergência política. Isto não é porém um facto casual, ou a
impotência perante obstáculos insuperáveis, antes resulta de uma política
económica que menosprezando o povo, orienta deliberadamente para a participação
dos interesses de uns tantos monopolistas nacionais e estrangeiros.
*****
Eis o sexto texto lido em 5 /6/
1965: Editorial “Contra o Fascismo e o Colonialismo um só combate”.[3]
“A opressão exercida sobre o povo
português está tão estreitamente ligada à opressão exercida sobre os povos das
colónias que hoje o combate contra o fascismo e contra o colonialismo é um só e
mesmo combate. Lutar pelo direito dos povos das colónias à independência, é
lutar pelo direito do povo português a uma verdadeira independência nacional,
porque enquanto se mantiver a exploração colonial, seja sob a forma de
colonialismo fascista seja sob a forma de neocolonialismo, o povo português
continuará também a ser explorado. Só a plena independência de Angola, da Guiné
e de Moçambique significará a plena independência de Portugal. A liquidação do
fascismo passa pela liquidação do colonialismo. Em Portugal, em Angola, na
Guiné e em Moçambique, o combate pela liberdade é um só combate. Assim o
compreendeu já o povo português, assim o compreenderam os povos das colónias, e
mais do que palavras valem os actos”
*****
Texto lido em 9/6/1965 com o
título “Bona corre em auxílio dos colonialistas portugueses”.[4]
“O boletim da agência de imprensa
soviética traz um artigo de que o assunto tratado nos merece a maior atenção.
Vamos ler seguidamente alguns
trechos desse artigo, que tem por título “Bona corre em auxílio dos
colonialistas portugueses”.
Os dirigentes da Alemanha Ocidental
declaram muitas vezes que têm simpatia pelos países em via de desenvolvimento.
Eles compreendem a sua luta pela consolidação da independência. A propaganda de
Bona dá uma grande publicidade às lutas e à ajuda desinteressada dada pela
República Federal Alemã aos estados de África e de Ásia.
Mas nenhum pretexto nem demagogia
poderão dissimular o caracter imperialista e neocolonialista da política alemã
ocidental na Ásia e na África. A aproximação da República Federal Alemã e de
Portugal, e a ajuda prestada por Bona ao regime de Salazar, na sua luta contra
o movimento de libertação nacional em Angola, na Guiné, e em Moçambique, são
bem demonstrativos dessa política demagógica.
A aliança Bona-Lisboa não tem
nada de imprevisto nem de artificial. Os velhos dirigentes da República Federal
Alemã, entre os quais se encontram vários nazis activos, têm manifesta simpatia
pelo regime terrorista e fascista de Salazar. O governo oeste alemão realiza
uma estreita aliança militar com o governo português. Em Beja, em todo o
Portugal, existem bases militares com grandes efectivos da Força Aérea e do
Exército da República Federal Alemã.
Os meios governantes e
monopolistas da Alemanha de Oeste consideram as colónias portuguesas como
pontos de apoio da sua influência em África. A "Krupp" e outros
grandes monopólios investem grandes capitais na economia de Angola e de
Moçambique, explorando as suas riquezas nacionais. No ano passado, Bona fez um
empréstimo ao governo salazarista, no valor de 400 milhões de marcos, que foi utilizado,
em grande parte, para lutar contra os patriotas das colónias.
Van Hassan, ministro da guerra,
acaba de visitar Portugal, onde se encontrou com o Ministro da Defesa Fascista,
Gomes de Araújo, com Salazar e com o Presidente Tomaz.
Nesses encontros, foi estudado o
problema do prosseguimento da cooperação militar entre os dois países, e da política
estrangeira da Alemanha e de Portugal, em relação a África.
Quando a notícia da ajuda da RFA
ao governo fascista e colonialista de Portugal se propagou, …. (falha de
recepção) …. dos povos das colónias portuguesas. Mas o representante do
ministro da defesa do governo de Lisboa desmentiu essa posição. Como, para os
colonialistas portugueses, Angola, a Guiné e Moçambique são províncias
ultramarinas, a ajuda militar estende-se também a esses territórios. E, com
efeito, a RFA vai fornecer a Salazar 60 aviões para reforçar a Aviação
Portuguesa, que extermina a população de Moçambique, de Angola e da Guiné.
Os monopolistas da "Krupp"
intensificam a penetração nestes países. Aumenta a cooperação militar e
económica entre Bona e Lisboa. Perante estes factos, qualquer argumento
demagógico do governo Oeste Alemão desfaz-se em pó. Bona ajuda o governo
fascista e colonialista de Salazar.”
Palavras para que? Eram artistas
portugueses!
Alguns ainda andam por aí.
[1] Recorda-se que a Argélia tinha ascendido à independência, em 1962, depois de uma longa e cruenta guerra com a França. A Argélia tinha um regime político de partido único de inspiração marxista, cujo 1º Presidente foi Ben Bella. Assumia-se como um país do “Terceiro Mundo” vindo, mais tarde, a situar-se na órbitra da extinta URSS. A FPLN tinha lá o seu “quartel- general”, desde 1962 e o principal apoio. Na FPLN pontuavam Piteira Santos, Tito de Morais e Manuel Alegre. A “Rádio Voz da Liberdade” era um dos seus principais instrumentos e os dois principais (únicos?) locutores eram Manuel Alegre e Estela Piteira Santos.
[1] Recorda-se que a Argélia tinha ascendido à independência, em 1962, depois de uma longa e cruenta guerra com a França. A Argélia tinha um regime político de partido único de inspiração marxista, cujo 1º Presidente foi Ben Bella. Assumia-se como um país do “Terceiro Mundo” vindo, mais tarde, a situar-se na órbitra da extinta URSS. A FPLN tinha lá o seu “quartel- general”, desde 1962 e o principal apoio. Na FPLN pontuavam Piteira Santos, Tito de Morais e Manuel Alegre. A “Rádio Voz da Liberdade” era um dos seus principais instrumentos e os dois principais (únicos?) locutores eram Manuel Alegre e Estela Piteira Santos.
[2]
Fundo 5/23/79/12, do Arquivo do MDN.
[3]
Arquivo do MDN, Fundo 5/23/79/11.
[4]
Arquivo do MDN, Fundo 5/23/79/11.
JULGAMENTO
Para quem possa estar interessado, informo que a sessão
destinada às alegações finais, no julgamento que me opõe a Manuel Alegre, se realiza no dia 10 de Julho, pelas 10.00h.
Brandão
Ferreira
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