Este blogue apresenta os pensamentos, opiniões e contributos de um homem livre que ama a sua Pátria.
sexta-feira, 4 de julho de 2014
segunda-feira, 30 de junho de 2014
A PRESTAÇÃO FUTEBOLÍSTICA NACIONAL
“As regras rigorosas da disciplina militar são necessárias
para proteger o Exército contra as derrotas, contra a carnagem e, acima de tudo,
contra a desonra”.
Napoleão
O treinador Jorge Jesus dizia,
numa das últimas (muitas) conferências de imprensa a que nos habituou e nos
diverte – não tanto por culpa dele, mas de quem lhe põe um microfone à frente –
que toda a gente fala de futebol, mesmo sem ter qualquer crédito para tal.
Tem razão o homem, sendo tal
razão escorada ainda no facto de nunca o termos ouvido falar a não ser nesse
âmbito.
Marcaria mais pontos, todavia, se
tivesse afirmado que o importante para o desporto conhecido por futebol
(“football”, no original) era ter, e ver as pessoas a praticá-lo, em vez de se
especializarem em treinadores de bancada; e já há muito, também, proliferam os
comentadores, “noblesse oblige”!
Nós vamos seguir o seu conselho e
não vamos discutir o que se passou dentro das quatro linhas.
Por isso vamos deixar os
critérios sobre a escolha dos selecionados - a forma física dos mesmos e suas
causas; o ambiente do balneário; as tácticas; a questão de se ter ou não, 10
jogadores a jogar em função de um, ou se temos uma equipa de 11 em que pode
haver alguns que se destacam pela qualidade; as amizades ou inimizades que se
vão desenvolvendo ao longo dos anos; se ter ido fazer jogos de preparação, aos
EUA, era escusado; se o local de concentração no Brasil, foi o melhor; se foi
adequada a mentalização da equipa, (isto é, o seu moral); se foi pensada a
renovação da equipa atempadamente, etc. - dizíamos, a quem de direito.
Ou seja à Federação Portuguesa de
Futebol e a quem mais possa ter responsabilidades neste âmbito.
O que se passou nem sequer foi
mau de mais. Foi apenas a verdade que veio ao de cima.
Aguardamos, pois, em jubilosa
esperança, que as “análises” e as “conclusões”, seguidas das “acções
correctivas”, que sempre se prometem nestas alturas, não sigam o mesmo trilho
do anterior, ou seja que não se ponha o dedo nas feridas e se ataquem as causas
dos males que nos afligem, de que tem resultado nada se emendar.
O que tem obstado, até hoje, a
que a equipa que representa a Bandeira das Quinas tenha ganho um título europeu
ou mundial.
E das vezes que nos apuramos, tal
aconteça sempre à última da hora, com mil peripécias pelo caminho e à custa dos
“playoffs”!
Ou seja, afinal não se aprende
nada…
E contra factos não há
argumentos, apenas demagogia.
Ora a não ser que estejamos
errados, as verdadeiras causas de ficarmos quase sempre curtos em desempenho,
encontram-se à “anteriore” do que se passa nos relvados e para lá do que é
estritamente futebol.
Sejamos claros, o futebol que não
devia ser mais do que um desporto, passou a ser, sobretudo, um negócio e um
palco para promover egos que despontam.
Sendo assim o mundo da bola está
exposto e sujeito aos males da natureza humana e logo a um dos seus piores
atributos: a cobiça. A cobiça é geratriz de corrupção e maus costumes.
Gera-se uma consequência de peso:
como o futebol tem projecção mediática e cai no goto da maioria das pessoas,
logo tem importância política…
Daí aquilo que se convencionou
chamar de promiscuidade entre política e futebol.
O negócio – que passou a ter
expressão quase global (até já chegou aos EUA que eram uns analfabetos
futebolísticos e ignoravam semelhante jogo tido por “europeu”…) – passa pela
compra e venda de jogadores, que é uma actividade de clubes e intermediários
(uma espécie de mercado de escravos moderno); direitos de transmissão
televisivos e por uma orquestradíssima campanha mediática de propaganda de
marcas.
Ganhou, entretanto, direitos de “VIP” com galas para os melhores disto e daquilo.
Ganhou, entretanto, direitos de “VIP” com galas para os melhores disto e daquilo.
Ora, em Portugal, tudo corre mal
desde o princípio.
E o princípio é não se ter
desporto escolar e verdadeiras escolas nos clubes.
Ter desporto escolar – desde a
escola primária até à universidade – é uma responsabilidade não só dos privados
mas, sobretudo, do Estado. E não falamos só de futebol, mas de todos os
desportos. Isto deve ser a base de tudo.
Acontece que a juventude anda,
simplesmente, por aí.
Depois temos as escolas dos
clubes, que são responsabilidade destes e da respectiva federação. Mas como o
negócio e a pressão da massa associativa (fora as campanhas eleitorais dentro
dos principais clubes), agora com secções algo turbamultas, conhecidas como
“claques” – que obrigam às “caixas policiais” e outras medidas de segurança
impensáveis em terra de gente civilizada – opta-se por soluções que possam dar
resultados imediatos.
Assim contrata-se “especialistas”
conhecidos por “olheiros” que andam por esse mundo fora a tentar descobrir
génios que possam ser transacionáveis.
As escolas, que levam tempo a
produzir efeitos, passam a ser uma espécie de laboratórios de investimento para
jogadores, cuja maioria nem chega a sê-lo, repletas não de portugueses, mas sim
de pretinhos que se vão pescar por essa África, sobretudo naquela em que ainda
se fala português. Quem não prova ou não tem sorte, porém, fica por aí
abandonado pelos cantos…
E, então, não é mais fácil ir à
América do Sul e Central adquirir um produto já acabado, tentar melhorá-lo e
depois revendê-lo?
No topo de tudo isto ainda existe
um Comité Olímpico, que não trata de futebol e que se deve ver da cor dos gatos
para conseguir meia dúzia de atletas para apresentar nos jogos inventados pelos
antigos gregos…
Como se tudo isto já não bastasse
a preparação da “molhada” que se pretende transformar na lusa equipa passa a
sofrer dos mais finos defeitos dos “Tugas”.
Em vez de criteriosa escolha de
técnicos e jogadores por gente com créditos firmados e de, a partir daí, se
estabelecer um plano (falam em estratégia, mas não sabem o que tal significa),
e se começar a trabalhar com afinco, disciplina e método, passa-se a vida a dar
entrevistas e a discutir tudo na praça pública, escorregando, por norma, tudo o
que é importante fazer para a última hora.
E, de há muitos anos a esta
parte, ninguém se pode desculpar com falta de meios: a selecção tem tratamento
de príncipes!
Os ordenados que se pagam, neste
âmbito, são moralmente pornográficos. E têm outro contra, juntamente com a luz
da ribalta que se dá aos protagonistas do chuto na bola: deslumbra-os.
As excepções são poucas.
Os jogadores de futebol (e não só
os jogadores) são, na sua maioria, gente simples com pouca instrução. Basta
ouvi-los falar cinco minutos para se perceber as suas dificuldades em se
exprimirem em português escorreito e em articularem frases com sujeito,
predicado e complemento directo.
O estatuto que lhes atribuem,
apenas comparados às estrelas de rock, naturalmente desequilibra-os. A sua
imagem de marca passa pelos penteados “à índio”, tatuagens, brinco na orelha e
boné à banda. Digamos que são extravagâncias identitárias que, em si, nada têm
de mal, mas que os situam na sua verdadeira grandeza.
Para “heróis nacionais” estamos
conversados.
A Comunicação Social faz o resto,
massacra-nos com reportagens de tudo e mais alguma coisa. Horas a fio.
Temos que saber o que vestem; o
que fazem; o que pensam; o que comem; para onde vão de férias; a cor do soutien
da namorada; brindam-nos com grandes planos da Jante dos pneus do mister, etc.
Enfim, quando se aproxima o início
de um campeonato, entra-se no campo do histerismo e do patrioteirismo que se
substitui ao Patriotismo – que deve ser de todos os dias – onde as cores
nacionais passam a ser confundidas com um trapo de enfeite. E onde se
substituiu o “A eles como Santiago aos Mouros”, pelo “até os comemos”…
Pelo menos convém não confundir
um campo de batalha com um campo de futebol que, repito, é apenas um desporto…
Mas os “média” e quem neles
intervém, fazem pior: criam falsas expectativas; semeiam a confusão; provocam
estados de euforia e depressão. As pessoas reagem em conformidade, tornam-se
irracionais; esperam um milagre e a chegada de outro D. Sebastião, no meio da
bruma, de espada em punho (ou de bola nos pés)!
Esquecemo-nos constantemente que
somos poucos – logo não há muito por onde escolher – que temos que apostar na
qualidade e que tal dá trabalho e implica escolhas; que é necessário
organização, disciplina e persistência – de que somos relapsos – e de deixarmos
de ter a “esperteza saloia” como topo de virtudes, mas antes apostar na
inteligência empreendedora.
Todavia, enquanto não soubermos
escolher a liderança para nos governar e o modelo político que a enforme, não
sairemos da cepa torta.
Se o País está no estado em que
está, porque é que o mundo do futebol haveria de gozar de saúde e boas
práticas, que são o esteio dos bons resultados?
Se por acaso defendêssemos que só
os jogadores que jogassem em Portugal pudessem representar o País, na seleção,
o que diriam? Se a seleção é nacional, porque é que o treinador e a equipa
técnica não têm que o ser? Porque é que os jogadores que praticam faltas
disciplinares graves, não são mandados regressar imediatamente e irradiados da
seleção?
Porque é que os jogadores têm que
receber prémios por cumprirem o que se espera deles? Nesse caso passam a pagar
quando perdem?
Pois é, caros leitores, nada
disto é politicamente correcto.
O que parece correcto – mas
apenas parece – é o facto das mais altas instâncias do Estado, mesmo antes de a
selecção ter feito algo que a distinga – virem, céleres, convoca-la para uma
fotografia de família, em vez de, simplesmente lhes enviarem um telegrama
dizendo:
”Vão e cumpram a vossa missão. E
não voltem sem terem transpirado tudo o que têm para transpirar, da cabeça para
baixo. Essa, a cabeça, deve manter-se fria e focada.
É o mínimo que podem fazer pelos
palermas que ficam aqui a torcer por vós!
Não se exige que ganhem – mas se
ganharem melhor – apenas que não tornem o espectáculo penoso de ver, ao ponto
de se envergonharem e a todos nós, por via disso. Boa sorte.”
É aqui que entra a disciplina de
que falava Napoleão, o mesmo que tentava escolher os Marechais de França,
apenas entre aqueles que tinham sorte.
Como se sabe, mesmo assim, ganhou
muitas batalhas, mas acabou por perder a guerra.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
ASPECTOS DA OPOSIÇÃO AO “ESTADO-NOVO” IV
Por razões judiciais tenho feito
alguma pesquisa no arquivo do Ministério da Defesa, onde se encontra
documentação muito interessante, infelizmente ainda longe de estar toda
identificada e tratada.
Encontrámos uma miríade de
transcrições de emissões de rádios estrangeiras algumas das quais possuíam
programas preparados e emitidos por “exilados” portugueses que militavam em
Partidos e organizações que lutavam contra o Regime Político instituído em
Portugal, em 1933.
Ocorreu-me que seria interessante
transcrever alguns trechos dessas emissões para os contemporâneos puderem
avaliar o que então se dizia (e as queixas e “denúncias” que se faziam) – na
substância e na forma – e poderem comparar com aquilo que se passou a seguir à
“Revolução” do 25/4/1974 e com o que se passa hoje em dia.
Não farei comentários deixando a
cada um retirar as suas conclusões.
Vou cingir-me à “Rádio Voz da
Liberdade”, órgão da Frente Patriótica de Libertação Nacional” (FPLN), que
emitia a partir de Argel, entre 1964 e 1974.[1]
*****
Pessoas amigas alertaram-me,
entretanto, para o perigo de que o desconhecimento e ingenuidade de muitos
concidadãos, ignorância da História Pátria, aliados à muita desinformação
veiculada pelos órgãos de comunicação social e agentes políticos, na
actualidade, podem levar a que os menos avisados possam acreditar na veracidade
da totalidade dos textos transcritos. Nada, porém, pode estar mais longe da realidade.
Aqui fica o aviso que deve sobretudo ser tido em conta, relativamente ao que
era dito quanto à guerra que travámos em África durante 14 anos.
*****
Eis o 5º texto lido em 15/9/1965,
intitulado “A Emigração – um Grave Problema Nacional.[2]
“Depois de na última emissão
termos dado um balanço das proporções assustadoras dessa autêntica hemorragia
de aptidões físicas e intelectuais de que padece o nosso país, vamos agora ver
as causas da expatriação de dezenas de milhares de portugueses que anualmente
procuram estabelecer a sua vida em países estrangeiros.
Hoje vamos voltar a atenção para
o nível de emprego, isto é para as possibilidades de se adquirir uma colocação
que são dadas ao povo português.
Uma primeira questão que se põe é
a seguinte: existe verdadeiramente em Portugal o desemprego?
Existe, se bem que as
estatísticas habilmente manipuladas pelos serviços salazaristas apenas acusem
uma percentagem pequena de desemprego, umas tantas dezenas de milhares de
casos, e seria tudo. Manifesta-se em Portugal uma forma particular de
desemprego que na linguagem cor - de – rosa oficial se chama sub-emprego. E
não passa afinal de desemprego mascarado.
Segundo o Diário de Lisboa, que
mal se pode suspeitar exagero quanto aos números, o subemprego atinge mais de
metade da população activa total. Com efeito, na Indústria, o conjunto de
operários portugueses trabalham em média menos de duzentos e cinquenta dias por
ano, o que dá aproximadamente seis meses de desemprego anual. Nos campos, a situação
é infinitamente pior, as maquinarias, a monda química e outros meios técnicos
anarquicamente usados, todos os anos lançam por vários meses centenas de
milhares de assalariados agrícolas para o desemprego, e regiões há no nosso
país em que os braços estão parados durante seis meses ou mais.
Por outro lado, o governo
salazarista nada tem feito para assegurar condições de emprego a todos os
portugueses. Basta ver o crescimento demográfico do país, ou por outras
palavras, o aumento da sua população, faz-se ao ritmo de cerca de cem mil almas
por ano. Isto leva a que todos os anos, outros tantos jovens aproximadamente
entrem na idade de procurar trabalho.
Quanto ao encontrar cem mil novos
lugares de trabalho anuais, é o próprio ministros das Corporações que nos
respondeu no dia dez de Julho passado declarando com toda a facilidade e
sobranceria de que um ministro de Salazar é capaz, para dar descabida
importância a resultados menos que medíocres. Que se prevê a eventual criação
nos três anos cobertos pelo plano intercalar de fomento, de cerca de cinquenta
mil, quando seriam necessários trezentos mil.
Compreende-se, portanto, por que
é que um organismo internacional como a O.G.P.F. (?), no seu relatório de 1964 sobre
Portugal, profere estas palavras: no seu estado actual de desenvolvimento, a
economia portuguesa não pode oferecer possibilidades de emprego suficientes à
população em idade de trabalhar. É por isso, concluiu o relatório citado, que a
emigração tem sido relativamente importante desde há muito tempo.
Nestes termos comedidos de uma
organização reputada que consagra aqui a incapacidade da ditadura salazarista,
e que ao fim de trinta e nove anos de governação equivale a um verdadeiro
sistema de emergência política. Isto não é porém um facto casual, ou a
impotência perante obstáculos insuperáveis, antes resulta de uma política
económica que menosprezando o povo, orienta deliberadamente para a participação
dos interesses de uns tantos monopolistas nacionais e estrangeiros.
*****
Eis o sexto texto lido em 5 /6/
1965: Editorial “Contra o Fascismo e o Colonialismo um só combate”.[3]
“A opressão exercida sobre o povo
português está tão estreitamente ligada à opressão exercida sobre os povos das
colónias que hoje o combate contra o fascismo e contra o colonialismo é um só e
mesmo combate. Lutar pelo direito dos povos das colónias à independência, é
lutar pelo direito do povo português a uma verdadeira independência nacional,
porque enquanto se mantiver a exploração colonial, seja sob a forma de
colonialismo fascista seja sob a forma de neocolonialismo, o povo português
continuará também a ser explorado. Só a plena independência de Angola, da Guiné
e de Moçambique significará a plena independência de Portugal. A liquidação do
fascismo passa pela liquidação do colonialismo. Em Portugal, em Angola, na
Guiné e em Moçambique, o combate pela liberdade é um só combate. Assim o
compreendeu já o povo português, assim o compreenderam os povos das colónias, e
mais do que palavras valem os actos”
*****
Texto lido em 9/6/1965 com o
título “Bona corre em auxílio dos colonialistas portugueses”.[4]
“O boletim da agência de imprensa
soviética traz um artigo de que o assunto tratado nos merece a maior atenção.
Vamos ler seguidamente alguns
trechos desse artigo, que tem por título “Bona corre em auxílio dos
colonialistas portugueses”.
Os dirigentes da Alemanha Ocidental
declaram muitas vezes que têm simpatia pelos países em via de desenvolvimento.
Eles compreendem a sua luta pela consolidação da independência. A propaganda de
Bona dá uma grande publicidade às lutas e à ajuda desinteressada dada pela
República Federal Alemã aos estados de África e de Ásia.
Mas nenhum pretexto nem demagogia
poderão dissimular o caracter imperialista e neocolonialista da política alemã
ocidental na Ásia e na África. A aproximação da República Federal Alemã e de
Portugal, e a ajuda prestada por Bona ao regime de Salazar, na sua luta contra
o movimento de libertação nacional em Angola, na Guiné, e em Moçambique, são
bem demonstrativos dessa política demagógica.
A aliança Bona-Lisboa não tem
nada de imprevisto nem de artificial. Os velhos dirigentes da República Federal
Alemã, entre os quais se encontram vários nazis activos, têm manifesta simpatia
pelo regime terrorista e fascista de Salazar. O governo oeste alemão realiza
uma estreita aliança militar com o governo português. Em Beja, em todo o
Portugal, existem bases militares com grandes efectivos da Força Aérea e do
Exército da República Federal Alemã.
Os meios governantes e
monopolistas da Alemanha de Oeste consideram as colónias portuguesas como
pontos de apoio da sua influência em África. A "Krupp" e outros
grandes monopólios investem grandes capitais na economia de Angola e de
Moçambique, explorando as suas riquezas nacionais. No ano passado, Bona fez um
empréstimo ao governo salazarista, no valor de 400 milhões de marcos, que foi utilizado,
em grande parte, para lutar contra os patriotas das colónias.
Van Hassan, ministro da guerra,
acaba de visitar Portugal, onde se encontrou com o Ministro da Defesa Fascista,
Gomes de Araújo, com Salazar e com o Presidente Tomaz.
Nesses encontros, foi estudado o
problema do prosseguimento da cooperação militar entre os dois países, e da política
estrangeira da Alemanha e de Portugal, em relação a África.
Quando a notícia da ajuda da RFA
ao governo fascista e colonialista de Portugal se propagou, …. (falha de
recepção) …. dos povos das colónias portuguesas. Mas o representante do
ministro da defesa do governo de Lisboa desmentiu essa posição. Como, para os
colonialistas portugueses, Angola, a Guiné e Moçambique são províncias
ultramarinas, a ajuda militar estende-se também a esses territórios. E, com
efeito, a RFA vai fornecer a Salazar 60 aviões para reforçar a Aviação
Portuguesa, que extermina a população de Moçambique, de Angola e da Guiné.
Os monopolistas da "Krupp"
intensificam a penetração nestes países. Aumenta a cooperação militar e
económica entre Bona e Lisboa. Perante estes factos, qualquer argumento
demagógico do governo Oeste Alemão desfaz-se em pó. Bona ajuda o governo
fascista e colonialista de Salazar.”
Palavras para que? Eram artistas
portugueses!
Alguns ainda andam por aí.
[1] Recorda-se que a Argélia tinha ascendido à independência, em 1962, depois de uma longa e cruenta guerra com a França. A Argélia tinha um regime político de partido único de inspiração marxista, cujo 1º Presidente foi Ben Bella. Assumia-se como um país do “Terceiro Mundo” vindo, mais tarde, a situar-se na órbitra da extinta URSS. A FPLN tinha lá o seu “quartel- general”, desde 1962 e o principal apoio. Na FPLN pontuavam Piteira Santos, Tito de Morais e Manuel Alegre. A “Rádio Voz da Liberdade” era um dos seus principais instrumentos e os dois principais (únicos?) locutores eram Manuel Alegre e Estela Piteira Santos.
[1] Recorda-se que a Argélia tinha ascendido à independência, em 1962, depois de uma longa e cruenta guerra com a França. A Argélia tinha um regime político de partido único de inspiração marxista, cujo 1º Presidente foi Ben Bella. Assumia-se como um país do “Terceiro Mundo” vindo, mais tarde, a situar-se na órbitra da extinta URSS. A FPLN tinha lá o seu “quartel- general”, desde 1962 e o principal apoio. Na FPLN pontuavam Piteira Santos, Tito de Morais e Manuel Alegre. A “Rádio Voz da Liberdade” era um dos seus principais instrumentos e os dois principais (únicos?) locutores eram Manuel Alegre e Estela Piteira Santos.
[2]
Fundo 5/23/79/12, do Arquivo do MDN.
[3]
Arquivo do MDN, Fundo 5/23/79/11.
[4]
Arquivo do MDN, Fundo 5/23/79/11.
JULGAMENTO
Para quem possa estar interessado, informo que a sessão
destinada às alegações finais, no julgamento que me opõe a Manuel Alegre, se realiza no dia 10 de Julho, pelas 10.00h.
Brandão
Ferreira
terça-feira, 24 de junho de 2014
O PR, O 10 DE JUNHO E O DIREITO À MANIFESTAÇÃO
“De Formião, filósofo elegante,
vereis como Aníbal escarnecia,
quando das artes bélicas, diante dele,
com larga voz tratava e lia.
com larga voz tratava e lia.
A disciplina militar prestante
não se aprende, Senhor, na
fantasia,
sonhando, imaginando ou
estudando,
senão vendo, tratando e
pelejando.”
Lusíadas, Canto X, 153
Numa semana em que se comemorou o
886º aniversário do nascimento de Portugal – consideramos a data de 1128, 4/6
(Batalha de S. Mamede), por ser a independência “de facto”, a que realmente
interessa, pois só se reconhece o que já existe – é natural que escreva sobre o
mesmo. [1]
Por enquanto a falta de tino
político que se tem evidenciado em ritmo alucinante, ainda mantém o dia 10 de
Junho como feriado nacional. Mas se as coisas continuarem por este caminho
talvez não falte muito que o mesmo feriado seja passado para o dia primeiro de
janeiro…[2]
Infelizmente a mola que me
impulsionou a escrever não foram as boas razões, mas razões que não seria
suposto existirem.
Poderia discorrer sobre a secundarização que os próprios órgãos de soberania, as autarquias e, sobretudo, os órgãos de comunicação social (OCS) praticam quanto à data relativamente, por exemplo, ao “pontapé na bola”, que impera em todo o lado.
Poderia discorrer sobre a secundarização que os próprios órgãos de soberania, as autarquias e, sobretudo, os órgãos de comunicação social (OCS) praticam quanto à data relativamente, por exemplo, ao “pontapé na bola”, que impera em todo o lado.
Dá ideia que a República vive no reino do futebol
e que, só gostamos de ser portugueses e de nos sentirmos patriotas quando a
selecção joga – mesmo quando o futebol em vez de ser um desporto de eleição,
virou um negócio monumental (com muitos casos de polícia pelo meio) e tudo se
faz para forjar naturalizações…
Poderia ainda referir que a maior
manifestação de iniciativa da sociedade civil existente no país, independente
de qualquer apoio do Estado ou de entidade política, não merece a atenção nem é
considerada notícia, ou objecto de reportagem, pela esmagadora maioria dos
nossos libérrimos e democratíssimos OCS.
Refiro-me à homenagem nacional
aos combatentes portugueses, que se realiza todos os anos, nos Jerónimos e
junto ao monumento aos mortos do Ultramar, em Pedrouços.
O facto de cerca de meia dezena
de milhar de pessoas de todo o país, se juntarem ordeiramente, sem
reivindicarem nada, sem ofenderem ninguém, sem ódios de espécie alguma, apenas
para prestarem, respeitosa e sentidamente, as suas homenagens a quem se sacrificou
combatendo debaixo da Bandeira das Quinas, não deixa de ser uma afirmação
política e patriótica de Portugalidade.
Não é pois, inocentemente, que se
faz silêncio sobre a mesma, mas uma demonstração inequívoca de sentimentos e
ideologias que atravessam a sociedade, o que deveria ser objecto da mais
profunda reflexão.
Mas o ponto que gostaríamos de
salientar ocorreu durante as cerimónias oficiais do Dia de Portugal – dia que,
é bom recordar, chegou a ser proibido nos tempos do “PREC”, sendo durante anos
uma cerimónia soporífera e das quais as FA estiveram arredadas (escovadas?)
durante mais de três décadas, sendo recuperadas para as mesmas no 1º ano do
consulado do actual PR.
Ora quando o Professor Cavaco
Silva, na sua qualidade de PR – frisa-se – iniciava o seu discurso frente a
formatura de tropas, uma parte da assistência começou a manifestar-se
ruidosamente contra ele e contra o Governo. Protestos que continuaram durante o
incidente de saúde que acometeu o Presidente.
Não está em causa o grau de
simpatia política que cada um de nós possa ter relativamente a qualquer órgão
de soberania mas, que diabo há ocasiões, formas e lugares, para tudo. E temos
que nos saber comportar em cada uma delas, sob pena de regredirmos à selva e às
suas leis.
Estamos perante a cerimónia que é
a mais importante do calendário nacional – e, por definição, não pode haver
outra; diante dos exércitos de terra, mar e ar, que servem e defendem a Nação
sendo, em simultâneo, o mais poderoso instrumento do Estado; cerimónia que é
presidida pelo mais alto magistrado, o qual apesar de ser eleito por uma parte
da população é suposto todos representar.[3]
Cerimónia que é pública, à qual
assiste a população que assim o entende e que também tem o direito de não ser
incomodada.
Ora o que aconteceu é que existem
grupos de cidadãos que nada respeitam e para os quais, pelos vistos, os fins
justificam os meios.
Grupos de cidadãos, alguns dos
quais identificados como simpatizantes de organizações políticas, ou outras –
que, no fundo, não passam de correias de transmissão das primeiras – com
responsáveis conhecidos, que depois não se podem vir a desculpar ou a chorar
lágrimas de crocodilo por eventos que, entretanto, se deram.
Tais atitudes não configuram
apenas hipocrisia política, entram no campo da subversão.
Esteve bem o General CEMGFA na
intervenção que fez. Mostrou coragem, senso e presença de espírito.
Uma última reflexão.
Uma última reflexão.
Não chegámos a uma situação
destas, que leva já muitos anos, por uma espécie de osmose cósmica, tipo “chuva
de radiações ultravioleta”.
Tudo tem causas terrenas e
comezinhas, de cuja responsabilidade atribuo à generalidade da classe política
– sem embargo das responsabilidades dos militares consubstanciado no MFA/CR - [4], que, ao contrário de
conseguirem serenar os ânimos e disciplinar as hostes e organizar a sociedade,
têm pejado o éter de maus exemplos.
Em primeiro lugar pelo
desrespeito e ataques aos órgãos de soberania; às instituições nacionais – das
quais a família é a primeira entre todas – e á constante e acintosa prática, de
falta de elevação no debate político.
Quase toda a prática política
(desde 1975) – o exemplo vem de cima – tem sido no sentido de “nivelar” por
baixo, quebrando o sentido da hierarquia, sem o que não há autoridade que
resista; deformando-se conceitos fundamentais, como foi, por ex., o de
confundir “Democracia” com cada um fazer o que quer; liberdade, com
libertinagem; liberdade de expressão com irresponsabilidade, e muitas mais, que
tiveram efeitos devastadores no comportamento das gentes.
Com especial relevo no seio da
família, na escola, nas relações laborais e na Justiça.[5]
Tudo isto passou para os OCS,
enformados por um libérrimo enquadramento jurídico, talvez ainda pior daquele
que vigorou no fim da Monarquia Constitucional e na 1ª República, e que tanto
contribuiu para a sua queda, como para a justificação da “censura e exame
prévio” que se lhes seguiu!
Inevitavelmente, tudo o atrás
exposto teria, um dia, de se voltar contra os seus fautores e, por isso, é que
hoje em dia, ninguém tem respeito por ninguém, nem por nada, e os governantes
evitam sair à rua e andam guardados por “pelotões” de seguranças.[6]
É preciso pôr ordem no beco.
E não se vislumbra horizonte para
tal.
[1] Aliás, a independência não é um direito, mas antes uma evidência, que tem que ser conquistada e mantida!…
[1] Aliás, a independência não é um direito, mas antes uma evidência, que tem que ser conquistada e mantida!…
[2] De 1986. Data da adesão de
Portugal à CEE…
[3]
Problema que não se coloca nas Monarquias
[4]
Movimento das Forças Armadas/ Conselho da Revolução
[5]
Lembram-se, por ex., dos Presidentes Mário Soares e Sampaio a apelarem à
indignação e a maltratarem agentes da autoridade?
[6]
O “perigosíssimo” Almirante Tomás tinha um agente da PSP à sua porta…
sábado, 7 de junho de 2014
AS ELEIÇÕES, MARINHO PINTO E A REUNIÃO DA PENHA LONGA
O resultado das últimas eleições
para o Parlamento Europeu, estiveram dentro dos resultados previsíveis face à
conjuntura actual e ao lastro de 40 anos que as precedem.
A única relevância passa por ser apenas esta: a demonstração de um grau de maturidade mais elevado por parte da generalidade do eleitorado, apesar do desconhecimento aprofundado das matérias em causa, e da demagogia e desinformação infrene, que nos submerge.
A única relevância passa por ser apenas esta: a demonstração de um grau de maturidade mais elevado por parte da generalidade do eleitorado, apesar do desconhecimento aprofundado das matérias em causa, e da demagogia e desinformação infrene, que nos submerge.
É pena esta maturidade e tomada
de consciência da realidade política e social, demorasse tanto tempo a tomar
forma e pelos piores motivos.
Por um lado, tal deveu-se a que a
grande maioria das pessoas não se preocupa, por razões diversas, com o “governo
da cidade” e, também, por gostar que lhes mintam, ao contrário de serem
confrontados com a verdade nua e crua – uma espécie de “mente-me, mas faz-me
feliz”…
Pelos piores motivos, pela
complacência generalizada com os motivos que levaram à actual crise – que é
mais moral do que outra coisa qualquer – e só terem começado a despertar quando
lhe foram ao bolso. Enfim, faz parte da natureza humana.
Deste modo as conclusões das
eleições são fáceis de resumir: castigo dos partidos no governo, não tanto pela
austeridade, mas mais pela ausência de uma estratégia integrada, erros e
mentiras na comunicação, desentendimentos, falhas na execução e, sobretudo,
pela tremenda falta de exemplo, que em boa verdade é extensiva a todos os
órgãos de soberania e a toda a classe política.[1]
Assim não levam ninguém atrás!
O principal partido da oposição,
o PS, teve uma vitória de Pirro, ficando derrotado pela cisão que de imediato,
ocorreu. O eleitorado castigava o governo, ao mesmo tempo que dava um cartão
amarelo à oposição dizendo-lhe que a sua prestação como alternativa ficou
abaixo dos mínimos. Para já não falar nas responsabilidades imensas que têm no
passado recente.
O PS continua, sem embargo, a ser
perspectivado como alternativa, dado o sistema político partidário estar
bloqueado e … senil.
O PC aguenta-se pois o seu
eleitorado é fiel e disciplinado. O PC é o único que sabe o que faz – não é por
acaso que é um misto de organização militar e ordem religiosa – só que o que
defendem provou ser um desastre em todos os campos mas, enfim, parece que
continua a haver muitos discípulos de “S. Tomé”, que só acreditam quando virem…
É claro que quanto menos gente
votar, maior percentagem têm.
O BE está em dissolução
acelerada, não só por desorganização interna (isto de ter uma direcção
bicéfala, por ex., é não perceber nada de chefia e liderança) como, principalmente,
por representarem um equívoco. Em termos de doutrinação política são um
desastre e socialmente comportam-se como … anti - sociais.
O aumento da abstenção acompanhou
o aumento da votação nos pequenos partidos e nos votos brancos e nulos, e também
representa uma atitude de protesto, sobretudo contra os partidos do “Sistema” e
contra as falácias do actual “Regime”, que de democrático tem cada vez menos.
E um grande desprezo pela União
Europeia.
Aproveitou-se ainda o facto, das
eleições serem para o Parlamento Europeu, o que ninguém discutiu, dando uma
maior liberdade aos eleitores para votarem de uma forma diferente do que possivelmente
fariam nas autárquicas ou nas legislativas.
A razão é simples: 95% dos
eleitores não sabe onde fica Estrasburgo, muito menos o que lá se passa. E
ainda nem sequer intuíram no seu íntimo, que o Parlamento e o governo
português, não manda já nada do que possa ser importante.
Quando perceberem já se pode ter
atingido o ponto de não retorno…
Resta o fenómeno Marinho Pinto
(MP), que não tem nada a ver com o Partido MPT, que todos desconhecem.
As pessoas não votaram no partido,
mas sim em MP, que se habituaram a ver na televisão há mais de 10 anos.
MP tem a seu favor falar claro, grosso
e de dizer o que lhe vai na alma e não tem, aparentemente, medo de afrontar
poderes instituídos. Ou seja é um homem corajoso e politicamente incorrecto
q.b..
Sai fora do desvio padrão, por
isso foi premiado.
O facto de ir para longe também
ajuda, pois não incomodará por cá muito (embora a ideia deva ser regressar logo
que possível).
Já se calculava que iria ter uma
boa votação, só não se sabia que seria tanto.
A questão que o futuro próximo
resolverá, é o de saber se a sua posição se consolidará, ou será apenas um
epifenómeno passageiro, como aconteceu com o PRD e o Dr. Fernando Nobre.
Todavia, houve duas frases que
pretendo realçar: a primeira foi uma declaração do MPT – não pela boca de MP –
na sua propaganda eleitoral, que considero a coisa mais importante que foi dita
em toda a campanha (e nunca ouvida) e que reza algo como isto, “não apoiamos
que se continue a produzir dinheiro a partir do nada”.
Ora esta frase é fundamental para
percebermos a actual crise e outras do passado e o comportamento da Finança e
dos governos (sobretudo) ocidentais. Este é um dos temas que seria primordial
discutir e dilucidar. E de que ninguém fala…
Devia ser-lhe atribuído o prémio
para a melhor frase das “Europeias 2014 e arredores”![2]
Do que já temos sérias dúvidas,
diz respeito a uma declaração de MP, já no rescaldo das eleições, ao afirmar
que “não há Democracia sem Partidos Políticos” verberando, não obstante, a
actuação dos mesmos e apelando à sua mudança.
Infelizmente – e seria bom que
estivesse enganado – MP está a apelar a um símbolo de impossibilidade.
Alguma vez, desde 1820 (que foi
quando esta tragédia começou, por cá), houve algum Partido que jeito tivesse?
Ou que fosse capaz de se regenerar? Ou sequer, que conseguisse emendar algumas
práticas? Nem um e, MP, tem obrigação de saber isto.
Algum Partido alguma vez foi
capaz de colocar o interesse do País acima dos seus interesses de campanário?
Algum que conseguisse ultrapassar, ou limitar, o uso da baixa política, a
intriga, a luta intestina, os ataques pessoais, o nepotismo, a corte de
sicários, os sátrapas provinciais, a tentação pela “chapelada”, os sacos azuis
e os negócios de influência?
Nem um Dr. MP e já lá vão 200
anos, e várias tentativas frustradas!
Diga-me, o País não se conseguiu
governar sem Partidos Políticos durante 700 anos? Precisámos deles para alguma
coisa?
Não tem a noção de que os
Partidos Políticos representam a guerra civil permanente (nem sempre sem
armas); que a campanha eleitoral sem fim, não permite que se governe; que o seu
próprio nome (partido) não deixa nada “inteiro”?
Que não há coesão nacional e
social que aguente? Que a lógica partidária, incontornável, permanente e
imutável, é o de deitar abaixo?
Dir-me-á que não há alternativas,
responderei que há, tem de haver e, ou, tem de se inventar. A Ciência Política
não pode parar no tempo.
Direi mais: o único partido que
pode e deve existir, é o Partido Português e esse já tem um nome, chama-se
Portugal!
Os Partidos não são, como
defende, essenciais à Democracia, eles têm sido, isso sim, os seus coveiros!
O essencial da Democracia é a
representatividade, mas haverá alguém no País – tirando as cliques
serventuárias – que se possa sentir representado por este leque partidário e
esta lei eleitoral?
Creio, Dr. MP, que concordará
comigo, se disser que um dos principais problemas do País – senão o principal -
é a corrupção (em sentido alargado), até porque a tem denunciado.
Ora sendo público e notório que a origem
principal deste verdadeiro cancro moral, social e político, reside,
aparentemente, nos Partidos Políticos – pela organização e prática seguida – e
sabendo-se que a esmagadora maioria dos órgãos de soberania, empresas públicas,
etc. (o sistema foi “blindado” nesse sentido), é ocupado pelos militantes
desses mesmos Partidos, como imagina o Dr. MP que se possa resolver a situação?
Dito de outro modo, como será
possível que eventuais corruptos e corruptores possam, eles mesmos, querer
acabar com a corrupção?
A que se deve acrescentar serem
possuidores de “legitimidade democrática”!
Não me faça sorrir.
*****
Sem embargo, a reunião marcada
com antecedência, e que se realizou prestes, no dia seguinte aos resultados
eleitorais europeus, na Penha Longa, deixa-me “tranquilo”.
Nesta reunião estiveram presentes
a fina flor dos financeiros europeus, mais BCE e americanos (FMI), ou seja
aqueles que tentam gerir o tal dinheiro que é produzido “a partir do nada”,
significando aquele que não está sustentado em nenhuma riqueza existente; não é
fruto do trabalho gerado pela Economia e não está regulado ou apoiado em
nenhuma medida padrão, como era, por ex., o ouro.
Dinheiro, em que parte dele já
nem sequer é consubstanciado em moeda, mas é apenas “digital”, fruto de transações
fantasmas, apelidadas de “tóxicas”, que fazem parecer o Al Capone uma quarta
figura de um grupo coral evangélico de uma zona bem habitada do Harlem!
Vão ver como vão ser tomadas
medidas para acalmar as gentes, isto é, o bolso das gentes.
Sim, porque isto de ter subidas
nos extremos do espectro político é mais difícil de controlar e pode trazer
dissabores.
A coisa até é simples de fazer:
agora que já passou o ponto mais baixo da crise e já se sugou a riqueza
suficiente (nesta fase) aos países e às pessoas, já se pode abrir os cordões à
bolsa, ou seja, facilitar o crédito e fazer alguns investimentos para poder
haver maior circulação fiduciária e com isso melhorar a economia e o emprego
acalmando, assim, um pouco as pessoas que começaram a sentir o logro em que têm
caído e que o projecto federalista (e anti democrático) europeu favoreceu.
Em complemento vão ainda arranjar
maneira de expulsar uma quantidade significativa de emigrantes e limitar a
vinda descontrolada de mais, sob pena de passarmos a ter implosões e explosões
de violência um pouco por todo o lado, no interior da maioria dos países
europeus (Espanha, aqui ao lado, incluída), o que é uma realidade que, em
Portugal, ainda não se tem, nem se faz por ter, uma pálida ideia.[3]
Inverte-se assim o ciclo da
“expansão x recessão x expansão”, posto em marcha desde os alvores do século
XIX, mas agravado desde que se desregulou o sistema financeiro nos EUA.
E põe-se um travão – até ver – ao
aparente “plano” de acabar com as nações europeias e que passa pelo amalgamento
entre os povos de todas elas e o seu cruzamento com grupos étnicos exteriores
ao continente.
É capaz de valer a pena pensar um
pouco nisto tudo, quanto mais não seja, nos intervalos do Mundial que se
aproxima e do “massacre” mediático que originou.
[1]
Aquilo do PM passar a viajar em classe económica nem chegou a fogo-fátuo…
[2] Não falaremos hoje dos resultados das eleições por essa Europa fora - esses sim, muito mais relevantes – por economia de espaço.
[3] A situação é insustentável, mas raros são ainda os políticos e os órgãos de comunicação social que dela falam. Na Alemanha e na Suíça, já se começaram a dar os primeiros passos. Em França ainda estão a mandar o barro á parede.
[2] Não falaremos hoje dos resultados das eleições por essa Europa fora - esses sim, muito mais relevantes – por economia de espaço.
[3] A situação é insustentável, mas raros são ainda os políticos e os órgãos de comunicação social que dela falam. Na Alemanha e na Suíça, já se começaram a dar os primeiros passos. Em França ainda estão a mandar o barro á parede.
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