terça-feira, 24 de junho de 2014

O PR, O 10 DE JUNHO E O DIREITO À MANIFESTAÇÃO

“De Formião, filósofo elegante,
vereis como Aníbal escarnecia,
quando das artes bélicas, diante dele,
com larga voz tratava e lia.
A disciplina militar prestante
não se aprende, Senhor, na fantasia,
sonhando, imaginando ou estudando,
senão vendo, tratando e pelejando.”

Lusíadas, Canto X, 153
Numa semana em que se comemorou o 886º aniversário do nascimento de Portugal – consideramos a data de 1128, 4/6 (Batalha de S. Mamede), por ser a independência “de facto”, a que realmente interessa, pois só se reconhece o que já existe – é natural que escreva sobre o mesmo. [1]
Por enquanto a falta de tino político que se tem evidenciado em ritmo alucinante, ainda mantém o dia 10 de Junho como feriado nacional. Mas se as coisas continuarem por este caminho talvez não falte muito que o mesmo feriado seja passado para o dia primeiro de janeiro…[2]
Infelizmente a mola que me impulsionou a escrever não foram as boas razões, mas razões que não seria suposto existirem.

Poderia discorrer sobre a secundarização que os próprios órgãos de soberania, as autarquias e, sobretudo, os órgãos de comunicação social (OCS) praticam quanto à data relativamente, por exemplo, ao “pontapé na bola”, que impera em todo o lado.
Dá ideia que a República vive no reino do futebol e que, só gostamos de ser portugueses e de nos sentirmos patriotas quando a selecção joga – mesmo quando o futebol em vez de ser um desporto de eleição, virou um negócio monumental (com muitos casos de polícia pelo meio) e tudo se faz para forjar naturalizações…
Poderia ainda referir que a maior manifestação de iniciativa da sociedade civil existente no país, independente de qualquer apoio do Estado ou de entidade política, não merece a atenção nem é considerada notícia, ou objecto de reportagem, pela esmagadora maioria dos nossos libérrimos e democratíssimos OCS.
Refiro-me à homenagem nacional aos combatentes portugueses, que se realiza todos os anos, nos Jerónimos e junto ao monumento aos mortos do Ultramar, em Pedrouços.
O facto de cerca de meia dezena de milhar de pessoas de todo o país, se juntarem ordeiramente, sem reivindicarem nada, sem ofenderem ninguém, sem ódios de espécie alguma, apenas para prestarem, respeitosa e sentidamente, as suas homenagens a quem se sacrificou combatendo debaixo da Bandeira das Quinas, não deixa de ser uma afirmação política e patriótica de Portugalidade.
Não é pois, inocentemente, que se faz silêncio sobre a mesma, mas uma demonstração inequívoca de sentimentos e ideologias que atravessam a sociedade, o que deveria ser objecto da mais profunda reflexão.
Mas o ponto que gostaríamos de salientar ocorreu durante as cerimónias oficiais do Dia de Portugal – dia que, é bom recordar, chegou a ser proibido nos tempos do “PREC”, sendo durante anos uma cerimónia soporífera e das quais as FA estiveram arredadas (escovadas?) durante mais de três décadas, sendo recuperadas para as mesmas no 1º ano do consulado do actual PR.
Ora quando o Professor Cavaco Silva, na sua qualidade de PR – frisa-se – iniciava o seu discurso frente a formatura de tropas, uma parte da assistência começou a manifestar-se ruidosamente contra ele e contra o Governo. Protestos que continuaram durante o incidente de saúde que acometeu o Presidente.
Não está em causa o grau de simpatia política que cada um de nós possa ter relativamente a qualquer órgão de soberania mas, que diabo há ocasiões, formas e lugares, para tudo. E temos que nos saber comportar em cada uma delas, sob pena de regredirmos à selva e às suas leis.
Estamos perante a cerimónia que é a mais importante do calendário nacional – e, por definição, não pode haver outra; diante dos exércitos de terra, mar e ar, que servem e defendem a Nação sendo, em simultâneo, o mais poderoso instrumento do Estado; cerimónia que é presidida pelo mais alto magistrado, o qual apesar de ser eleito por uma parte da população é suposto todos representar.[3]
Cerimónia que é pública, à qual assiste a população que assim o entende e que também tem o direito de não ser incomodada.
Ora o que aconteceu é que existem grupos de cidadãos que nada respeitam e para os quais, pelos vistos, os fins justificam os meios.
Grupos de cidadãos, alguns dos quais identificados como simpatizantes de organizações políticas, ou outras – que, no fundo, não passam de correias de transmissão das primeiras – com responsáveis conhecidos, que depois não se podem vir a desculpar ou a chorar lágrimas de crocodilo por eventos que, entretanto, se deram.
Tais atitudes não configuram apenas hipocrisia política, entram no campo da subversão.
Esteve bem o General CEMGFA na intervenção que fez. Mostrou coragem, senso e presença de espírito.

Uma última reflexão.
Não chegámos a uma situação destas, que leva já muitos anos, por uma espécie de osmose cósmica, tipo “chuva de radiações ultravioleta”.
Tudo tem causas terrenas e comezinhas, de cuja responsabilidade atribuo à generalidade da classe política – sem embargo das responsabilidades dos militares consubstanciado no MFA/CR - [4], que, ao contrário de conseguirem serenar os ânimos e disciplinar as hostes e organizar a sociedade, têm pejado o éter de maus exemplos.
Em primeiro lugar pelo desrespeito e ataques aos órgãos de soberania; às instituições nacionais – das quais a família é a primeira entre todas – e á constante e acintosa prática, de falta de elevação no debate político.
Quase toda a prática política (desde 1975) – o exemplo vem de cima – tem sido no sentido de “nivelar” por baixo, quebrando o sentido da hierarquia, sem o que não há autoridade que resista; deformando-se conceitos fundamentais, como foi, por ex., o de confundir “Democracia” com cada um fazer o que quer; liberdade, com libertinagem; liberdade de expressão com irresponsabilidade, e muitas mais, que tiveram efeitos devastadores no comportamento das gentes.
Com especial relevo no seio da família, na escola, nas relações laborais e na Justiça.[5]
Tudo isto passou para os OCS, enformados por um libérrimo enquadramento jurídico, talvez ainda pior daquele que vigorou no fim da Monarquia Constitucional e na 1ª República, e que tanto contribuiu para a sua queda, como para a justificação da “censura e exame prévio” que se lhes seguiu!
Inevitavelmente, tudo o atrás exposto teria, um dia, de se voltar contra os seus fautores e, por isso, é que hoje em dia, ninguém tem respeito por ninguém, nem por nada, e os governantes evitam sair à rua e andam guardados por “pelotões” de seguranças.[6]
É preciso pôr ordem no beco.
E não se vislumbra horizonte para tal.


[1] Aliás, a independência não é um direito, mas antes uma evidência, que tem que ser conquistada e mantida!…
[2] De 1986. Data da adesão de Portugal à CEE…
[3] Problema que não se coloca nas Monarquias
[4] Movimento das Forças Armadas/ Conselho da Revolução
[5] Lembram-se, por ex., dos Presidentes Mário Soares e Sampaio a apelarem à indignação e a maltratarem agentes da autoridade?
[6] O “perigosíssimo” Almirante Tomás tinha um agente da PSP à sua porta…

sábado, 7 de junho de 2014

AS ELEIÇÕES, MARINHO PINTO E A REUNIÃO DA PENHA LONGA

O resultado das últimas eleições para o Parlamento Europeu, estiveram dentro dos resultados previsíveis face à conjuntura actual e ao lastro de 40 anos que as precedem.

A única relevância passa por ser apenas esta: a demonstração de um grau de maturidade mais elevado por parte da generalidade do eleitorado, apesar do desconhecimento aprofundado das matérias em causa, e da demagogia e desinformação infrene, que nos submerge.

É pena esta maturidade e tomada de consciência da realidade política e social, demorasse tanto tempo a tomar forma e pelos piores motivos.

Por um lado, tal deveu-se a que a grande maioria das pessoas não se preocupa, por razões diversas, com o “governo da cidade” e, também, por gostar que lhes mintam, ao contrário de serem confrontados com a verdade nua e crua – uma espécie de “mente-me, mas faz-me feliz”…

Pelos piores motivos, pela complacência generalizada com os motivos que levaram à actual crise – que é mais moral do que outra coisa qualquer – e só terem começado a despertar quando lhe foram ao bolso. Enfim, faz parte da natureza humana.

Deste modo as conclusões das eleições são fáceis de resumir: castigo dos partidos no governo, não tanto pela austeridade, mas mais pela ausência de uma estratégia integrada, erros e mentiras na comunicação, desentendimentos, falhas na execução e, sobretudo, pela tremenda falta de exemplo, que em boa verdade é extensiva a todos os órgãos de soberania e a toda a classe política.[1]

 Assim não levam ninguém atrás!

O principal partido da oposição, o PS, teve uma vitória de Pirro, ficando derrotado pela cisão que de imediato, ocorreu. O eleitorado castigava o governo, ao mesmo tempo que dava um cartão amarelo à oposição dizendo-lhe que a sua prestação como alternativa ficou abaixo dos mínimos. Para já não falar nas responsabilidades imensas que têm no passado recente.

O PS continua, sem embargo, a ser perspectivado como alternativa, dado o sistema político partidário estar bloqueado e … senil.

O PC aguenta-se pois o seu eleitorado é fiel e disciplinado. O PC é o único que sabe o que faz – não é por acaso que é um misto de organização militar e ordem religiosa – só que o que defendem provou ser um desastre em todos os campos mas, enfim, parece que continua a haver muitos discípulos de “S. Tomé”, que só acreditam quando virem…

É claro que quanto menos gente votar, maior percentagem têm.

O BE está em dissolução acelerada, não só por desorganização interna (isto de ter uma direcção bicéfala, por ex., é não perceber nada de chefia e liderança) como, principalmente, por representarem um equívoco. Em termos de doutrinação política são um desastre e socialmente comportam-se como … anti - sociais.

O aumento da abstenção acompanhou o aumento da votação nos pequenos partidos e nos votos brancos e nulos, e também representa uma atitude de protesto, sobretudo contra os partidos do “Sistema” e contra as falácias do actual “Regime”, que de democrático tem cada vez menos.

E um grande desprezo pela União Europeia.

Aproveitou-se ainda o facto, das eleições serem para o Parlamento Europeu, o que ninguém discutiu, dando uma maior liberdade aos eleitores para votarem de uma forma diferente do que possivelmente fariam nas autárquicas ou nas legislativas.

A razão é simples: 95% dos eleitores não sabe onde fica Estrasburgo, muito menos o que lá se passa. E ainda nem sequer intuíram no seu íntimo, que o Parlamento e o governo português, não manda já nada do que possa ser importante.

Quando perceberem já se pode ter atingido o ponto de não retorno…

Resta o fenómeno Marinho Pinto (MP), que não tem nada a ver com o Partido MPT, que todos desconhecem.

As pessoas não votaram no partido, mas sim em MP, que se habituaram a ver na televisão há mais de 10 anos.

MP tem a seu favor falar claro, grosso e de dizer o que lhe vai na alma e não tem, aparentemente, medo de afrontar poderes instituídos. Ou seja é um homem corajoso e politicamente incorrecto q.b..

Sai fora do desvio padrão, por isso foi premiado.

O facto de ir para longe também ajuda, pois não incomodará por cá muito (embora a ideia deva ser regressar logo que possível).

Já se calculava que iria ter uma boa votação, só não se sabia que seria tanto.

A questão que o futuro próximo resolverá, é o de saber se a sua posição se consolidará, ou será apenas um epifenómeno passageiro, como aconteceu com o PRD e o Dr. Fernando Nobre.

Todavia, houve duas frases que pretendo realçar: a primeira foi uma declaração do MPT – não pela boca de MP – na sua propaganda eleitoral, que considero a coisa mais importante que foi dita em toda a campanha (e nunca ouvida) e que reza algo como isto, “não apoiamos que se continue a produzir dinheiro a partir do nada”.

Ora esta frase é fundamental para percebermos a actual crise e outras do passado e o comportamento da Finança e dos governos (sobretudo) ocidentais. Este é um dos temas que seria primordial discutir e dilucidar. E de que ninguém fala…

Devia ser-lhe atribuído o prémio para a melhor frase das “Europeias 2014 e arredores”![2]

Do que já temos sérias dúvidas, diz respeito a uma declaração de MP, já no rescaldo das eleições, ao afirmar que “não há Democracia sem Partidos Políticos” verberando, não obstante, a actuação dos mesmos e apelando à sua mudança.

Infelizmente – e seria bom que estivesse enganado – MP está a apelar a um símbolo de impossibilidade.

Alguma vez, desde 1820 (que foi quando esta tragédia começou, por cá), houve algum Partido que jeito tivesse? Ou que fosse capaz de se regenerar? Ou sequer, que conseguisse emendar algumas práticas? Nem um e, MP, tem obrigação de saber isto.

Algum Partido alguma vez foi capaz de colocar o interesse do País acima dos seus interesses de campanário? Algum que conseguisse ultrapassar, ou limitar, o uso da baixa política, a intriga, a luta intestina, os ataques pessoais, o nepotismo, a corte de sicários, os sátrapas provinciais, a tentação pela “chapelada”, os sacos azuis e os negócios de influência?

Nem um Dr. MP e já lá vão 200 anos, e várias tentativas frustradas!

Diga-me, o País não se conseguiu governar sem Partidos Políticos durante 700 anos? Precisámos deles para alguma coisa?

Não tem a noção de que os Partidos Políticos representam a guerra civil permanente (nem sempre sem armas); que a campanha eleitoral sem fim, não permite que se governe; que o seu próprio nome (partido) não deixa nada “inteiro”?

Que não há coesão nacional e social que aguente? Que a lógica partidária, incontornável, permanente e imutável, é o de deitar abaixo?

Dir-me-á que não há alternativas, responderei que há, tem de haver e, ou, tem de se inventar. A Ciência Política não pode parar no tempo.

Direi mais: o único partido que pode e deve existir, é o Partido Português e esse já tem um nome, chama-se Portugal!

Os Partidos não são, como defende, essenciais à Democracia, eles têm sido, isso sim, os seus coveiros!

O essencial da Democracia é a representatividade, mas haverá alguém no País – tirando as cliques serventuárias – que se possa sentir representado por este leque partidário e esta lei eleitoral?

Creio, Dr. MP, que concordará comigo, se disser que um dos principais problemas do País – senão o principal - é a corrupção (em sentido alargado), até porque a tem denunciado.

 Ora sendo público e notório que a origem principal deste verdadeiro cancro moral, social e político, reside, aparentemente, nos Partidos Políticos – pela organização e prática seguida – e sabendo-se que a esmagadora maioria dos órgãos de soberania, empresas públicas, etc. (o sistema foi “blindado” nesse sentido), é ocupado pelos militantes desses mesmos Partidos, como imagina o Dr. MP que se possa resolver a situação?

Dito de outro modo, como será possível que eventuais corruptos e corruptores possam, eles mesmos, querer acabar com a corrupção?

A que se deve acrescentar serem possuidores de “legitimidade democrática”!

Não me faça sorrir.

*****

Sem embargo, a reunião marcada com antecedência, e que se realizou prestes, no dia seguinte aos resultados eleitorais europeus, na Penha Longa, deixa-me “tranquilo”.

Nesta reunião estiveram presentes a fina flor dos financeiros europeus, mais BCE e americanos (FMI), ou seja aqueles que tentam gerir o tal dinheiro que é produzido “a partir do nada”, significando aquele que não está sustentado em nenhuma riqueza existente; não é fruto do trabalho gerado pela Economia e não está regulado ou apoiado em nenhuma medida padrão, como era, por ex., o ouro.

Dinheiro, em que parte dele já nem sequer é consubstanciado em moeda, mas é apenas “digital”, fruto de transações fantasmas, apelidadas de “tóxicas”, que fazem parecer o Al Capone uma quarta figura de um grupo coral evangélico de uma zona bem habitada do Harlem!

Vão ver como vão ser tomadas medidas para acalmar as gentes, isto é, o bolso das gentes.

Sim, porque isto de ter subidas nos extremos do espectro político é mais difícil de controlar e pode trazer dissabores.

A coisa até é simples de fazer: agora que já passou o ponto mais baixo da crise e já se sugou a riqueza suficiente (nesta fase) aos países e às pessoas, já se pode abrir os cordões à bolsa, ou seja, facilitar o crédito e fazer alguns investimentos para poder haver maior circulação fiduciária e com isso melhorar a economia e o emprego acalmando, assim, um pouco as pessoas que começaram a sentir o logro em que têm caído e que o projecto federalista (e anti democrático) europeu favoreceu.

Em complemento vão ainda arranjar maneira de expulsar uma quantidade significativa de emigrantes e limitar a vinda descontrolada de mais, sob pena de passarmos a ter implosões e explosões de violência um pouco por todo o lado, no interior da maioria dos países europeus (Espanha, aqui ao lado, incluída), o que é uma realidade que, em Portugal, ainda não se tem, nem se faz por ter, uma pálida ideia.[3]

Inverte-se assim o ciclo da “expansão x recessão x expansão”, posto em marcha desde os alvores do século XIX, mas agravado desde que se desregulou o sistema financeiro nos EUA.

E põe-se um travão – até ver – ao aparente “plano” de acabar com as nações europeias e que passa pelo amalgamento entre os povos de todas elas e o seu cruzamento com grupos étnicos exteriores ao continente.

É capaz de valer a pena pensar um pouco nisto tudo, quanto mais não seja, nos intervalos do Mundial que se aproxima e do “massacre” mediático que originou.



[1] Aquilo do PM passar a viajar em classe económica nem chegou a fogo-fátuo…
[2] Não falaremos hoje dos resultados das eleições por essa Europa fora - esses sim, muito mais relevantes – por economia de espaço.
[3] A situação é insustentável, mas raros são ainda os políticos e os órgãos de comunicação social que dela falam. Na Alemanha e na Suíça, já se começaram a dar os primeiros passos. Em França ainda estão a mandar o barro á parede.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

XXI Encontro Nacional de Homenagem aos Combatentes

 
Os Portugueses vão honrar os que serviram Portugal

A Sociedade Civil vai prestar uma justa homenagem a todos os que serviram Portugal em tempos de combate. Será, como sempre, junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar, ao lado da Torre de Belém no dia 10 de Junho.

Comemorar o Dia de Portugal relembrando os que defenderam os valores nacionais e a perenidade da Nação Portuguesa é um dever cívico actual que as gerações vindouras devem continuar.

A Comissão Executiva das Comemorações convida os Portugueses a acorrerem a Belém para prestarem a devida homenagem aos que serviram Portugal, fortalecendo dessa forma os traços de identidade nacional através do respeito aos seus "filhos" que deram a vida por Portugal.

São convidados de honra desta Homenagem aos Combatentes, a Presidência da República, a Câmara Municipal de Lisboa, enquanto anfitriã, todos os Municípios portugueses, as Chefias Militares, os Adidos Culturais e Militares dos Países da CPLP, os Combatentes agraciados com a Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e as Associações de Combatentes.



Programa
10h30 – Missa no Mosteiro dos Jerónimos;
11h30 – Deslocação para junto do Monumento aos Combatentes. Concentração para a cerimónia;
12h15 – Abertura pelo Presidente da Comissão Tenente General Sousa Rodrigues;
12h20 – Cerimónia inter-religiosa (Católica e Muçulmana);
12h25 – Homenagem a todos os Combatentes pelo Prof. Doutor Henrique Leitão;
12h35 – Homenagem aos mortos e deposição de flores;
12h55 – Hino Nacional. Salva protocolar por navio da Armada;
13h00 – Passagem de aeronaves da Força Aérea;
13h05 – Passagem final pelas lápides;
13h25 – Saltos de pára-quedistas do Exército;
13h35 – Almoço-convívio.

Para mais informações contactar:
Secretário da Comissão Executiva para a Homenagem Nacional aos Combatentes 2014
Tenente Coronel Morais Pequeno | Tlm. 937 026 693 | E-mail: lmorpeq@netcabo.pt

segunda-feira, 2 de junho de 2014

PALAVRAS EM JEITO DE SENTIDA DESPEDIDA

O TCOR Machado meu camarada de armas há muito tempo escreveu um muito exaustivo e justo texto, sobre o Inspector-Chefe João Pedro Figueira, da Polícia Judiciária, que transcrevo com a devida vénia.
 
Dada a relação de muita consideração e amizade que me ligava ao Inspector Figueira, atrevo-me a juntar umas sentidas linhas, apenas em complemento do que, com tanta propriedade, foi expresso.
 
Conheci o João Pedro Figueira, já a minha vida ia avançada. Já não sei exactamente quando nem onde. Talvez há uns 15 anos.
Foi fácil estabelecermos empatia: tínhamos alguns interesses comuns, entendíamo-nos sobre a generalidade dos aspectos políticos, históricos, sociais e morais da nossa terra e do mundo; ele tinha especial apreço pela Instituição Militar e tinha como principal tarefa profissional, perseguir e prender os cavilosos que incorriam em crimes, actividade que sempre contou com o meu jubiloso acordo. Ser filho de um oficial da Força Aérea, meu antigo professor na Academia Militar, também ajudou a estabelecer as pontes iniciais.
Mais tarde veio a colaborar no Movimento 10 de Junho, Associação Patriótica de Intervenção Cívica, da qual fui Presidente, durante três anos.
Guardo dele a melhor lembrança.
O Figueira era uma pessoa discreta que se movimentava sem alardes. Pensava bem, não abordava os assuntos pela rama, não era leviano, nem fútil.
Não conheço o suficiente da sua vida, mas creio que a viveu bem.
Era de pequena estatura, sim, mas não era malandro nem dançarino… Era, por sinal, uma boa alma.
Foi um bom português e um grande patriota, virtudes pouco em voga nas últimas décadas.
Doença insidiosa – verdadeira praga dos nossos tempos – roubou-nos ao nosso convívio, mas ficará para sempre uma doce lembrança da sua memória.
No seu percurso pela Terra, o J.P. Figueira esteve sempre – tanto quanto conseguimos descortinar – do lado do Bem.
Que o Pai do Céu – a quem poucas semanas antes de falecer, o meu amigo me pediu que por ele intercedesse em oração – o receba em Sua eterna Glória.
Brandão Ferreira

Assim actuavam antigamente os ESTADISTAS

Pode ser muito aborrecido ter que aceitar ... mas a História escreve-se com F A C T O S (!) :

Dos estados inteiramente livres



« Uma fotografia que fez escândalo em 1930: um camião carregado de ouro estacionava à porta do Banco de Portugal. O Mundo tinha saído há [i.é havia] pouco do craque da Bolsa de Nova Iorque, a inflacção (sic) na Alemanha alcançava índices de 300%. A fome rondava o Mundo inteiro. Em menos de um ano, porém, Salazar tinha conseguido libertar Portugal da maior parte da sua dívida externa -- e entesourava. O ouro foi, então, a única reserva digna de confiança. Rapidamente Portugal ía-se (sic) libertando de todas as dependências financeiras. O Ministro das Finanças considerava que um Estado só se pode considerar inteiramente livre se não tiver de recorrer ao auxílio externo [...]»
Manuel Maria Múrias (intr. e coord.), Salazar; Edição do Centenário, Referendo, Lisboa, 1989, p. 26.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

O VIDEO DA DEFESA


 
Há poucos dias foi colocado no sítio do Ministério da Defesa (MDN) e no “Youtube”, um vídeo de 3’ e 32”, onde se enumeram um conjunto de acções tidas como “reformas”, fazendo a sua apologia e verberando os críticos das mesmas.
Estou em crer que a fita do tempo e o fio condutor do filme deve ter sido feito por um astronauta, já que só quem vive para além da Tropopausa pode escrever uma coisa daquelas como, também, pela velocidade das imagens e do som que nem um piloto de F-16 consegue visualizar ou reter seja o que for.
Deve ser por isso que os querem vender (aos F-16) …
Todavia analisando a pelicula mais detalhadamente descobrimos coisas interessantíssimas - apesar de pouco verdadeiras – apresentadas como êxitos retumbantes.
Eis algumas a “vol d’oiseaux”:
·         O Hospital das FA representa o “Rossio na rua da Betesga”; uma diminuição sensível de capacidades e uma trapalhada em termos de execução. O que foi pensado deixa de fora a componente operacional da Saúde Militar – o verdadeiro amago da questão - e põe em causa o praticamente único direito que resta aos militares (e à família militar), derivado do Estatuto da Condição Militar.
E não resolve nem toca nas verdadeiras razões pelas quais a evolução dos Serviços de Saúde Militar tem sido lenta, sem embargo da sua complexidade, e que são a falta de entendimento crónico a nível do Conselho de Chefes Militares e o esvaziamento da sua autoridade, e a compatibilização das carreiras das especialidades do pessoal ligado à Saúde, e a sua condição de militares, o que se agrava na razão inversa em que a disciplina prospera.
Além disto as FA estão a ser vítimas do desejo político/ideológico – a que são alheias – de passar os cuidados de saúde da população, para instituições privadas. Ponto final.
·         Gabam-se, a seguir, de terem descongelado as promoções (ás pinguinhas…). É preciso ter lata! Então quem é que as congelou, em primeiro lugar? Deviam era pedir desculpa por uma medida que jamais devia ter sido aplicada às FA e colocar tudo na normalidade, o que ainda não ocorreu! Absolutamente inqualificável.
·         A questão dos estaleiros de Viana do Castelo é de facto relevante para a DN (a capacidade de construção naval, não tem apenas importância económica, mas outrossim, relevância estratégica) e a degradação a que chegaram nunca deveria ter tido lugar. A responsabilidade é de todos os governos anteriores e as razões situam-se a nível dos objectivos definidos para o sector (se é que alguns); da (in) competência das administrações (onde por vezes prevaleceram amizades e cumplicidades partidárias) e das normas que regulam o trabalho e os sindicatos.
Não se entende porque é que estes estaleiros estivessem debaixo da alçada do MDN e menos se alcança que, em vez de se ter concentrado a acção em pôr os estaleiros a funcionar, se tenha optado em fazer deles, campo de luta política. Mas sobre isto nunca ouvimos qualquer preocupação por parte do MDN. 
Com tudo isto a capacidade tecnológica e o “saber fazer” esvaíram-se!
        Será mesmo que o problema foi resolvido?
·         Gabam-se de terem redimensionado o número de efectivos, é preciso ter lata, novamente!
De facto não se redimensionou coisa alguma, a única coisa que se fez foi cortar a eito por razões que se prendem apenas com dificuldades de tesouraria e com o livre arbítrio de S. Excelências.
Cortaram de qualquer maneira para níveis que até o insuspeito General Loureiro dos San-
       tos classificou, recentemente, de absurdos.
       Usam e abusam (e não é só de agora, que isto já leva mais de 20 anos), de uma desonesti-
dade intelectual inacreditável – para além de inverterem o correcto planeamento dos sistemas de forças e dispositivo – pois após sucessivas facadas nos efectivos vêm dizer que o enquadramento está distorcido, não se justifica tantas unidades, etc..
Podem-se escrever livros sobre isto, pois a realidade ultrapassa sempre a ficção…
·         Não compreendem, também, as críticas ao facto de terem reunido as Escolas Práticas das Armas, na Escola Prática de Infantaria (EPI), em Mafra.
Em boa verdade a responsabilidade maior cabe à chefia do Exército, da altura que, aparentemente quis fazer um “bonito” ao Governo, já que tal desiderato constava do respectivo programa. Não discuto a necessidade, ou a adequabilidade de, nos tempos actuais, as Escolas Práticas – que continuam a ser muito importantes na idiossincrasia de cada Arma ou Serviço – estarem reunidas, tanto para economizar recursos, como principalmente, para mais eficazmente operarem em conjunto.
Sabe-se que, raramente existem soluções ideais, muito menos aquelas que não trazem custos de alguma espécie. Mas, que diabo, qualquer antigo cabo readmitido, consegue perceber que só existe um local no País, onde essa “Escola” conjunta pode ser implementada, e esse local chama-se Santa Margarida, complementada com o Polígono de Tancos.
Ora transferir tudo para o “calhau” nome pelo qual, no jargão militar, se designa o Convento de Mafra onde, desde 1890, funcionava a EPI é algo aberrante e só explicável por uma nostalgia do passado e uma avaliação peca da realidade. É que tal unidade, apesar de ocupar parte da Tapada de Mafra que lhe é contígua, já dificilmente cumpria os requisitos para a formação dos descendentes do Santo Condestável D. Nuno, quanto mais para lá meter todas as outras escolas.[1]
Isto para já não falar dos custos de manutenção do Convento que, sendo monumento nacional, saem do orçamento do Exército.
Se porém formos analisar, pela rama, o que se fez, toparemos que o nome atribuído à nova unidade é “Escola das Armas”, tendo-se deixado cair o termo “Prática”, o que aparenta ser um contra senso e ainda:
- Os quarteis das antigas escolas não fecharam, mantendo o equipamento pesado;
- A ETAT ficou no mesmo sítio, bem como as Transmissões;
- Incluiu-se o Centro Militar de Equitação e Desportos, que nunca foi propriamente uma “escola prática”;
- Manteve-se o Serviço de Material e a Administração Militar, na Póvoa do Varzim.
Afinal o que se ganhou com tudo isto?
Exactamente! Ganhou-se um aborto. E vamos ficar por aqui.
·         E que dizer da vã glória de terem metido raparigas no Colégio Militar!?
Que pacóvio provincianismo, disfarçado de “progressismo!
Não se esqueçam, já agora, de arranjarem também uma turma para membros precoces do LGBT…
Ganhem tino.[2]  
·         Rejubilam por terem feito aprovar um novo Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN)!
Mas haverá algum MDN, digno desse nome, que não invente um novo? Não vou comentar tal documento que não é mais do que um conjunto de generalidades e vacuidades, que não serve para nada (como os anteriores não serviram), não só porque não é guia orientador seja para o que for, como ninguém lhe vai ligar coisa alguma.
Deixo apenas um alvitre: não se pode sequer conceber um CEDN, se o País não tiver qualquer Poder real, para aplicar. E o único “conceito” que os sucessivos governos têm seguido é justamente o de destruírem todo o poder que nos restava…
·         Alguém saberá o que “eles” querem dizer no vídeo, ao ufanarem-se de terem “estabilizado o orçamento das FA”? Quem descobrir ganha um VW Carocha oferecido pelas finanças!  
·         Gabam-se de terem revisto as leis estruturantes da DN. Mas, ó almas do purgatório, desde 1982, já pararam para fazer mais alguma coisa?
- As sucessivas revisões têm apenas um denominador comum: de um modo geral vão sendo piores umas que as outras e têm-se destinado a reduzir as FA a três militares, um de cada Ramo;
- Depois vai ser ainda necessário racionalizá-lo e redimensioná-los;
- Essas apelidadas revisões têm vindo a destruir toda a doutrina, para além dos valores deontológicos, virtudes e foros próprios da Instituição Militar. Passo a passo, pedra a pedra, até não restar nada.
A próxima revisão do EMFAR está a chegar. Vai ser outro motivo de orgulho…
·         Arranjaram mais clientes para o Arsenal do Alfeite, afirmam.
Mas será que isso tem alguma coisa de extraordinário? Não fará parte da gestão normal da coisa?
Todavia, já meditaram no erro que foi, ter-se retirado o Arsenal à Marinha como já o tinham feito às OGMA relativamente à Força Aérea (no tempo de um governo PSD)?
A ganância de arranjar tachos para a fauna partidária justifica tudo?
·         Regozijam-se ainda, vejam lá, por terem acabado com o Fundo de Pensões dos Militares, pois estava a dar muito prejuízo. Mas não foi também um anterior governo do PSD, que criou o Fundo para compensar outros cortes que tinham feito, nomeadamente no estatuto da reserva?
       E se o fundo era mal gerido que culpa é que os militares têm disso? Mas vão ficar sem ele!
·         Batem palmas a eles mesmos, por terem cancelado vários projectos que sofriam acidentes de percurso, como os helicópteros NH 90 e as viaturas blindadas Pandur.
Acaso os meios já não fazem falta? Foram considerados obsoletos ou com problemas técnicos insuperáveis? Nada disso foi alegado e, de facto, nada disso se passou.
Então porque os cancelaram? Por estarem a correr mal? Mas nesse caso porque não se resolveram os problemas em vez de cancelar projectos válidos e onde já se tinha gasto tanto esforço e dinheiro? Que aconteceu aos responsáveis?
Ou trata-se apenas de poupar na tesouraria mandando às urtigas como têm feito com quase tudo o que, fingidamente aprovam nas leis de programação militar que, até hoje, nunca foram cumpridas?
·         E aquela de estarem todos contentes por terem construído dois Patrulhas oceânicos para a Marinha? Mas foram eles ou o que já vinha do anterior?
E não era para serem oito? Onde estão os outros? É preferível irem gastar mais uns milhões a manterem operacional uma corveta com mais de 40 anos de serviço, como estão a fazer? A construção dos Patrulhas (já nem falo do navio Polivalente Logístico) não podia ter ajudado a salvar os Estaleiros de Viana?
·         E a venda dos 12 F-16, que coisa bem - feita, dizem S. Exas!
Eu chamo-lhes apenas um crime de lesa-Pátria, por razões que já expandi e não vou repetir. Vão ler.
Apenas refiro uma frase do filminho associada a esta decisão: “Portugal é hoje vendedor de material militar”. Afinal há humoristas no MDN, humoristas de humor negro apropriado a uma ópera bufa.
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Ainda sobre o pedaço de película, pergunta-se:
Para que serve? Quem o mandou fazer? Quanto custou? Qual a rúbrica de onde saiu o dinheiro para o pagar? Quem o fez?
Haverá mais algum ministério que faça “peças” deste calibre que mais parecem de propaganda eleitoral desenfreada?
O facto de não serem admitidos quaisquer comentários ao filme, tanto no sítio do MDN, como no “Youtube”, revela bem a má consciência de quem autorizou a exibição desta peça inolvidável que, seguramente, irá ficar nos anais da 7ª Arte!
Em jeito de balanço os grandes reformadores elogiam-se afirmando que “outros pensaram e eles fizeram”. Pois podem limpar as mãos às paredes.
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Reformar ou restruturar, Senhor MDN (dirijo-me agora a V.Exª por presumir ser o reformador – mor da República), não é chegar a uma função – para a qual não estamos preparados, como é nítido no seu caso – e desatar a partir tudo à sua volta, comportando-se como um elefante numa loja de porcelanas.
Uma reforma só se faz, em primeiro lugar, quando é necessária; depois definindo bem o objectivo e ter boa e reta intenção.
É preciso, de seguida, saber fazer, escolher bem as pessoas para a executar, elaborar estudos, nas estruturas adequadas, definir prazos realistas e alocar recursos. E não esquecer esta coisa evidente de que qualquer reforma necessita de um investimento inicial, o qual irá ser amortizado com os ganhos que se espera ter no futuro.
Ganhos, que no caso das FA, não devem ser apenas no campo financeiro, mas sobretudo no melhor cumprimento das suas missões.
Manda ainda o bom senso, ter sempre em conta o ónus que qualquer mudança sempre acarreta e não querer fazer demasiadas coisas ao mesmo tempo…
E tendo ainda em consideração que a nível militar a eficácia deve preferir à eficiência e que, tão pouco, as reformas nas FA, são compagináveis com ciclos eleitorais coisa que, imagino, seja para si, Sr. Ministro algo difícil de entender.
Ora se nós transpusermos os passos atrás aludidos para as “reformas” de que nos fala a tal sequência de fotogramas, não conseguimos – mesmo pedindo emprestado a melhor boa vontade ao Professor Marcelo – deixar de atribuir uma classificação de “mau” (o a 4 valores, na escala de 0 a 20) ao citado vídeo. E à intenção que lhe está subjacente.
Sem querer gastar mais cera com tão ruim defunto, direi apenas que aqueles elogiados propósitos em 3’ e 52” de animação, parecem fazer parte de uma farsa Vicentina. Provavelmente do “Auto da Barca do Inferno”…

[1] Escola Prática de Artilharia; Cavalaria; Engenharia; Transmissões, Serviço de Material, Administração Militar e, porque não, a Escola de Tropas Aerotransportadas (ETAT).
[2] LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais – e o que mais adiante se verá!).

terça-feira, 27 de maio de 2014

O PATRIARCA LATINO DE JERUSALÉM E O “MASSACRE” DOS CRISTÃOS

Já há algum tempo que pensava escrever sobre a tragédia por que passam inúmeras comunidades cristãs espalhadas pelo mundo, maioritariamente em países comunistas e islâmicos, nomeadamente no Médio Oriente.
 
Surgiu agora a oportunidade com a visita do Patriarca Latino de Jerusalém, D. Fouad Twal, que este ano presidiu às celebrações do “13 de Maio” em Fátima e foi razão para um pequeno colóquio, em que deveria ser a figura principal, realizado na Universidade Católica no dia seguinte.[1]
Esta organização foi da iniciativa do Instituto de Direito Canónico da citada Universidade, presidido pelo Cónego Doutor João Seabra, uma das vozes corajosas da Igreja Portuguesa e que, em simultâneo, diz coisas acertadas.
O Patriarca de Jerusalém que tem, ainda, a ciclópica tarefa de pastorear as comunidades cristãs, dos mais diferentes ritos, em 16 Estados da região, fez uma curta e sentida intervenção, onde acabou a fazer uma apelo aos portugueses, à sua Igreja e aos órgãos de soberania, para ajudarem e influenciarem os países da UE, na resolução dos conflitos no Médio Oriente e, sobretudo, na protecção e defesa dos cristãos daquelas paragens.
Os quais, como alguém disse durante a sessão, apenas têm contado com a Igreja e a Santíssima Trindade…
De facto a falta de interesse da “Comunidade Internacional” invocada pelo Patriarca – mas Senhor Patriarca o que será isso da Comunidade Internacional? – sobretudo, pelos países de maioria cristã (digo eu), pelas atrocidades que um pouco por todo o lado, têm sido cometidas contra comunidades cristãs, tem sido pasmosa.
No Médio Oriente, por ex., estão todas a desaparecer em virtude das guerras e perseguições que se sucedem sem cessar, que levam a morte e o sofrimento, fazendo com que muitos optem pelo estatuto de emigrante ou refugiado. E nada disto encoraja a procriação…
A falta de protecção política, económica e, até, militar é dramática – para não dizer pouco cristã – já para não falar na falta de interesse, quiçá desprezo, com que a maioria dos OCS do mundo chamado “ocidental” lida com este fenómeno.
Os cristãos, de facto, viraram seres descartáveis que, aparentemente, só terão direito a sobreviver em catacumbas…
Menos se compreende tudo isto, quanto a Cristandade tem dado, desde há muito, a maior abertura e tolerância no âmbito religioso; a Igreja Católica tem sido a única a pedir desculpas por excessos do passado – onde ninguém tem as mãos limpas – e exemplo na aproximação ecuménica e entre religiões; os governos ocidentais, nomeadamente europeus, têm facilitado, até para além do razoável, o estabelecimento e desenvolvimento de comunidades de outras religiões, sem qualquer contrapartida, noutras partes do mundo, nomeadamente muçulmano.
Ainda, quando se constata uma lamentável dualidade de critérios na análise e reacção a eventos que vão acontecendo, como os recentes e graves incidentes ocorridos na Nigéria, com o rapto de duas centenas de moças, por parte de uma organização terrorista islâmica, ilustram à saciedade.
Não existe réstia de comparação quando se queimam cristãos dentro de igrejas, por exemplo…
Note-se que neste caso, das moças raptadas e sob a ameaça de serem vendidas como escravas – um cenário burlesco se não fosse trágico – as primeiras figuras das principais potências ocidentais vieram a público mostrar a sua indignação e prometer ajuda dando, por outro lado, a sensação que estão desejosos de utilizar o pretexto para intervirem na região por outros motivos menos filantrópicos…
Lamentamos ter de desiludir o Senhor Patriarca, mas não antevemos que nenhum país europeu vá em auxílio dos seus irmãos em Cristo, pela simples razão de que a “União Europeia” está moral e espiritualmente destroçada. A UE precisa sim, é que a ajudem a arrumar as diferentes casas europeias, pois não existe casa comum alguma a não ser os "corredores" pouco recomendáveis de Bruxelas e Estrasburgo. Até a sua matriz cristã renegou…
Sabe Senhor Patriarca, a Ordem do Templo foi extinta, sem piedade, há muito, e não se vislumbra em toda a Europa nenhum Bernardo de Claraval para definir uma estratégia comum e concertada.[2]
Permita que o aconselhe a escrever a um tal de Putin, lá para as bandas do antigo Ducado da Moscóvia, pelo menos para a defesa dos cristãos ortodoxos, tem grandes hipóteses de obter sucesso.
Em Portugal, caríssimo Patriarca, as coisas ainda estão piores, sabe!?
Em 40 anos sofremos uma tal e tão catastrófica diminuição de capacidades, a todos os níveis; sofremos uma regressão e perversão tão grande no campo dos Princípios, que mantêm uma comunidade nacional coesa e sã; e estamos tão falhos de liderança política, que o Moral anda pelas ruas da amargura de tal modo que o máximo divisor comum passou a ser o “isto não tem concerto”…
“Isto” costumava ter o nome de Portugal.
Para atendermos ao seu pedido, tínhamos que restaurar, na sua plenitude, as Ordens de Cristo, Santiago e Avis e substituir todos os partidos políticos por elas…[3]
A tarefa como pode imaginar – apesar de compreender que possa conhecer mal o percurso dos nossos nove séculos – não é nada fácil.
É que este estranho povo, a meio da sua História, perdeu-se, isto é, passou a escolher mal alguns caminhos.
Como penso que saberá as Ordens Militares/Religiosas citadas, foram fundamentais para a independência, consolidação e alargamento deste antigo reino; formaram grande parte das suas elites e moldaram muito do seu carácter e da sua religiosidade, ou seja, da sua idiossincrasia.[4]
Por isso sempre foram respeitadas pelos Reis e acarinhadas pelos restantes “braços” do Reino.
Até que um rei, certamente mal avisado, encarregou um frade de reformar as ditas ordens, em 1529, tornando-as orantes, enclausurando-as e retirando-lhes todo o poder que detinham.
Uma outra Rainha, apesar de lhes querer restaurar o prestígio, secularizou-as, em 1789, tentando ainda harmonizá-las e fixar-lhes objectivos específicos; os monarcas portugueses passaram a ostentar a banda das três ordens.
Depois a desgraça consumou-se na sua plenitude, quando no fim da pior guerra civil que o país dos portugueses sofreu, um governo eivado do mais fino jacobinismo, pura e simplesmente extinguiu todas as Ordens Religiosas. Corria o ano de 1834.
Restou o seu carácter honorífico.
Finalmente, a República começou por as extinguir como tal, em 1910, mas reverteu a situação durante a I Grande Guerra, fixando na pessoa do PR, o título de Grão - Mestre das mesmas e a autoridade para as atribuir.
E o pior de tudo, Sereníssimo Patriarca, é que cerca de 95% da população já nem faz a menor ideia daquilo que está para trás. E devo estar a ser optimista.
Deus o abençoe na sua prestimosa tarefa - que se afigura um verdadeiro Calvário - e pode acreditar que o ajudarei de boa mente, naquilo que puder.
Peço-lhe apenas que também deixe cair uma oração por este canto mais ocidental (e não do Sul) da Europa.
Acredite que precisamos.


[1] D. Fouad Twal, de nacionalidade Jordana, ocupa o cargo desde 2008 e é, também Grão - Prior da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém. O Patriarcado de Jerusalém foi criado, nos tempos modernos, pelo Papa Pio IX, em 23/7/1847. A Arquidiocese tem sede na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém e jurisdição eclesiástica sobre Israel, Palestina, Chipre e Jordânia. Deve acrescentar-se que apenas existem mais três patriarcas em todo o mundo: Veneza, Lisboa e o Patriarca das Índias Orientais.
[2] Extintos no Congresso de Vienne, em 1311, note-se, por um Papa, Clemente V, que devido às suas fraquezas permitiu que o muito pouco cristão e endividado Rei de França, Filipe IV, o Belo, exorbitasse e concorresse em tal vilania. Felizmente o Rei D. Dinis iludiu esta directiva, transformando o Templo em Ordem de Cristo, em 1319.
[3] A Ordem dos Hospitalários teve origem em Jerusalém, em 1099, e a sua primeira casa em Portugal, em Leça do Balio, estabelecida entre 1122 e 1128. O seu Superior no nosso País era conhecido pelo Prior do Hospital e desde o reinado de D. Afonso IV, por Prior do Crato. É conhecida hoje em dia, por Ordem Soberana e Militar de Malta, tendo a sua sede em Roma.
[4] As Ordens Militares conheceram o seu maior desenvolvimento na Idade Média tendo obtido grandes mercês dos nossos primeiros reis, e ainda no século XV. O preclaro Rei D. Dinis “nacionalizou-as”, de modo a garantir que todos os Grão-Mestres fossem portugueses; D. João I começou a torna-las reais, processo que ficou concluído com D. Afonso V.