segunda-feira, 19 de maio de 2014

O FIM DA TROIKA

Tentemos juntar o que poucos disseram, se é que alguns (enfim, não posso garantir a 100%).
Singela e resumidamente:
Há mais de três anos, um governo do PS em estado de negação e mentiroso compulsivo, entrou em perda e, finalmente – com um empurrão da banca e um rebate de consciência do então Ministro das Finanças [1] - pediu um resgate financeiro.
“Resgate” é apenas um eufemismo dos tempos, que significa pedir ajuda financeira para evitar uma bancarrota em toda a sua crua dimensão.
Dos desatinos que levaram a isto não vamos hoje falar, pois são demasiado conhecidos embora, sobre eles, ninguém até hoje tenha assumido responsabilidades, tão pouco pedido desculpa, sequer ter afivelado um ar compungido.
Forçado pelas conjunturas escolhidas do anterior – diz-me com quem andas dir-te-ei quem és – em vez de irmos pedir dinheiro ao Japão, ao Irão, à China ou ao Sultão do Brunei, ficámos pelos vizinhos europeus consubstanciados no BCE (euro “oblige”); a Comissão Europeia (que não é a mesma coisa, mas quase), e o FMI onde manda o dólar, isto é, quem controla os EUA – o que pouco tem a ver com o Governo americano…
Acordou-se, isto é, aceitou-se, um empréstimo de 78 mil milhões, com juros algo leoninos, e respectivas condições: ou seja, uma dose brutal e experimental de austeridade (experimental por não ter ainda sido testada num país do 1º mundo – nós fomos as cobaias juntamente com a Grécia e a Irlanda).[2]
O actual executivo que foi implementando a coisa (o anterior foi entretanto corrido, por indecente e má figura) tem mostrado estar absolutamente impreparado para o governo da cidade.[3]
A impreparação junto com as necessidades prementes de tesouraria fez com que o Governo passasse a aplicar cortes cegos em tudo o que mexia e não trazia complicações de maior, provocando uma contracção abrupta do consumo, falências e despedimentos em série e incapacidade para cumprimento de encargos financeiros das famílias e empresas, em catadupa.
O desemprego tornou-se dramático e dramáticas são as suas consequências.
Ocorreram ainda dolorosos cortes no chamado estado social consubstanciado na Saúde, Ensino, prestações sociais e reformas, estado social, aliás, que vivia há longos anos muito acima da capacidade da economia em o sustentar, estando afundado em dívidas e muito má gestão. Para ficarmos por aqui.
Tudo foi sendo acompanhado de muita agitação política e social, ruído mediático, avalanche de notícias e desencontro constante entre números, promessas, diagnósticos, atoardas, demagogia barata, etc.
Se entendem que isto é o que deve passar numa “democracia”, pois quem sou eu para contestar…
De avaliação em avaliação, lá se chegou à última em que a “Troika” decidiu abandonar o país com uma saída “limpa”, isto é sem necessidade de um segundo resgate e sem medidas “cautelares”. Mas, abandonará mesmo?
Pelo que se ouve dizer, a saída é limpa mas continuarão a existir “mecanismos” de controlo durante muitos anos…
Quem apoia o governo engalanou em arco; o PS dá uma no cravo e outra na ferradura (tem-se portado como uma “barata tonta” em todo este interlúdio) e a extrema-esquerda vai mantendo o discurso do bota abaixo, usual.
Nada disto é sério.
Vejamos para que serviram os 78 mil milhões, alguém sabe?
Vão apresentar contas de como o dinheiro foi gasto?
Aparentemente os euros (os milhões relativos aos juros, ficaram logo retidos na fonte, à cabeça) foram gastos para pagar salários; dívida e juros de dívida; 12 mil milhões foram destinados para ajudar a banca, mas parece que a verba não foi toda gasta, já que houve grande relutância nalguns bancos, em quererem aceitar as condições do governo.
Não se tem conhecimento, todavia, de que um único euro tenha sido empregue em investimento ou em qualquer coisa que garantisse uma mais-valia futura.
Ou seja, a austeridade apenas serviu para diminuir o “deficit” orçamental – o que não é de somenos – e os 78 milhões, serviram de almofada para empurrar a crise com a barriga para a frente de modo a garantir (esperançosamente) que os juros de quem nos emprestava dinheiro baixassem para valores aceitáveis e não fossem considerados usura.
Lembra-se ainda que, durante todo este processo não se deixou de pedir dinheiro emprestado e o serviço da dívida não parou de aumentar…
Em súmula os 78 milhões apenas compraram tempo à custa de nos terem feito aumentar o peso da dívida.
Continua a ser um excelente negócio para os credores e nós ficámos agarrados como “escravos” para tempo indeterminado.
Desde o início, porém, que o Governo:
  • E as forças políticas que o apoiam, não estruturaram e apresentaram objectivos políticos faseados no tempo, nem qualquer estratégia para os alcançar;
  • Legislou amiúde contra a lei fundamental do país (a Constituição) o que resultou em frequentes choques com o Tribunal Constitucional;[4]
  • Nunca deu o exemplo (aquilo de viajar em turística foi um flop sem importância e sem continuidade), o que seria fundamental para a sua credibilidade e para conseguir levar “alguém” atrás de si;
  • Apenas conseguiu fazer acordos pontuais com os parceiros sociais e algumas vezes nem os cumpriu;
  • Não se atreveu a cortar na PR, AR, Gabinetes de Ministros, Autarquias nem em nada que pudesse “lesar” os serventuários dos partidos;
  • Manteve no essencial, a pouca vergonha da miríade de conezias ligadas às Swaps, PPPs, institutos, fundações, etc., etc., o que apesar de se falar e falar sem fim, nada de relevante acontece (afinal para que serve a tão apregoada liberdade de expressão?).
Deve ter-se ainda em conta que:
  • O Ministério Público não consegue fazer condenar quase ninguém, face à onda de corrupção e destrambelhamento que alastrou pelo país, faz décadas (todo o sistema de justiça está montado para não funcionar e ninguém quer ver isto!);
  • As verdadeiras gorduras do Estado que têm dado origem a copiosos escândalos, nunca foram atacadas de frente (nem de cernelha…);
  • O Governo mostrou-se incapaz de reformar o Estado limitando-se a cortar nos reformados, despedir funcionários públicos e a destruir as Forças Armadas (também quiseram dar um nó nas Forças de Segurança, mas não se estão a sair bem da tarefa);
  • Os órgãos de soberania deixaram-se “infiltrar” por elementos que estão ao serviço de interesses, que de portugueses não têm nada;
  • O Governo e o Parlamento tomaram atitudes de confisco, que os comparam a autênticos salteadores de estrada, que fazem o Zé do Telhado parecer um menino de coro;
  • Permite-se e alimenta-se uma Comunicação Social onde, na prática, quase tudo é permitido;
  • Induziu-se na opinião pública que em Política é “normal” e faz parte do “sistema” mentir; ser troca-tintas; vira casacas; dizer uma coisa e fazer outra; misturar favores, apoios e negócios; ter falta de vergonha e todo um conjunto de comportamentos aberrantes, enfim tudo aquilo que o cidadão minimamente honesto repudia e não aceita, nas relações sociais!
No fundo os políticos vivem na porcaria e na chicana e os cidadãos passaram a achar que isso é “natural” – para políticos… Mas a percentagem de quem vota no âmbito do actual sistema, ainda é elevada.
Ganhámos em tudo isto, uma espécie de “saco azul” financeiro que o Governo veio prestes dizer, que se trata de uma reserva para algo que possa correr mal, mas que nós só iremos acreditar se não virmos esbanjar a dita, na caça aos votos para as próximas legislativas.
Finalmente os incansáveis homens e mulheres que se embrenham no que entenderam ser fazer Política, não se contêm e exalam verborreia por todos os poros. Não perceberam ainda – o que revela já uma profunda falta de inteligência e senso – de que se falassem menos, acertavam mais, e retiravam à oposição o comburente por onde se alimentam evitando, em simultâneo, o ruído mediático cacofónico o que seria um descanso para o espirito de todos nós e um regalo para a alma.
Irra que já não se suporta!
No fim desta etapa o País está mais pobre e os “mercados” satisfeitos; quem se portou mal, recompensado; a população de gatas; a Soberania esvaída; a Nação portuguesa em suicídio militante.[5]
Investimento para o futuro não se vislumbra ao passo que um conjunto de empresas essenciais para o país, mudaram para mãos estrangeiras; a finança apropriou-se de uma quantidade enorme de bens, cujos proprietários endividados deixaram de poder pagar, e uma parte não contabilizada de ouro e joias das famílias portuguesas, foram derretidas e exportadas.
A partir de agora quem controla o capital já pode abrir a torneira do crédito e dar-se início a um novo ciclo de “expansão, contracção, recessão”.
E não parece ter-se aprendido nada.

[1] Aparentemente um homem sério que se deixou arrastar por maus caminhos e companhias, até descarrilar. E não parece que o então PM lhe tenha, até hoje, perdoado o seu rebate de consciência…
[2] Na Islândia a manobra aparentemente, correu-lhes mal, por isso nada se fala…
[3] Os Partidos Políticos Portugueses – com excepção do PCP, insiste-se – têm-se revelado as entidades mais incapazes para lidarem seja com o que for e ainda ninguém conseguiu ou quis explicar isto na televisão. Para nossa infelicidade o PCP, sendo o único capaz, defende uma doutrina incompetente, anti - natural e com implementação sanguinária sempre que foi tentada.
[4] A vinda da “Troika” foi, aliás, a primeira medida anti constitucional…
[5] Por via da demografia negativa, emigração e imigração…

sexta-feira, 16 de maio de 2014

FILME FÁTIMA NO MUNDO

 

FORÇAS ARMADAS/GOVERNO: AINDA A PROPÓSITO DO CASO DOS 99 PILOTOS

Desde o Antigo Egipto, seguramente desde os Caldeus/Assírios, passando pelos Medos/Persas, que as coisas se passam de modo parecido, quase igual.

A natureza humana não evoluiu muito e não aprende mesmo…
Em síntese é assim:
Em todas as épocas surgem problemas. Como, por norma, não são atacados atempadamente, pioram. Num dado momento existe um qualquer problema que se destaca pela sua gravidade; na sequência surgem outros.
Os responsáveis, também por norma, ignoram, menosprezam, não percebem que o problema é mesmo um problema, assobiam para o lado, ou não estão para se maçar.
Na vida militar as coisas não se passam de maneira diferente, mas como quem por lá milita, possui armas e um treino específico e único, a coisa tende a ter consequências mais graves.
O (s) problema (s) começa (m) por afectar um grupo restrito de pessoas, passando a haver um mal-estar localizado. Outros que sabem, ficam na expectativa, pensam duas vezes e se não se sentem afectados, dormem para esse lado.
O tempo passa, o (s) problema (s) piora (m); alarga-se o espectro dos afectados; o mesmo sucedendo com o conhecimento e consciência do que vai ocorrendo e suas consequências.
A hierarquia repousa na sua inércia e no “conservadorismo” das coisas, tentando passar nos “intervalos da chuva”, sentindo-se satisfeitos com algum alerta expedido e, ou, ensaiando o politicamente correcto, ou seja pegar no pedaço de merda pela sua parte mais limpa…
Alguns, porém, reagem mas, por norma, são ignorados ou prejudicam-se.
A velha fórmula repressivo/passiva.
Quando os problemas se agravam verdadeiramente, ainda sobrevêm fenómenos típicos a saber: a existência do estado de negação; passar a viver-se com os pés a 30 centímetros do solo e a fuga para a frente.
Na fase terminal ocorre o desnorte completo e a inanidade psicológica.
Querem um exemplo? Foi o que aconteceu ao Governo de Marcello Caetano, cerca de um ano antes do 25 de Abril.
*****
Quando os problemas começam a afectar uma parte alargada de cidadãos, acaba sempre por surgir uma liderança qualquer (é dos livros) que começa a organizar uma estrutura para se opor ao “status quo” e encontrar soluções para o (s) problema (s), por norma contra quem não os quer ver ou resolver e à margem ou à revelia das regras ou leis existentes.
Ou seja, o “caldo de cultura” para algo acontecer, que devia ser evitado, está criado.
Colhe-se da experiência histórica que, a partir daqui, entra-se num movimento uniformemente acelerado para surgir qualquer coisa fora das normas instituídas para a época, e que tal vai ter custos mais ou menos acrescidos.
Apesar das evidências de haver uma liderança – à partida clandestina – que começa a estruturar-se, a criar objectivos, doutrina para os sustentar e máximos divisores comuns, a hierarquia do “establishment” faz por ignorar o que se passa, sem embargo de tentar espiar o que se passa.
É quase como que inerente à natureza humana e tem causas várias, como por exemplo a ignorância, desleixo, má avaliação, menosprezo, cobardia, numa palavra, medo.
Medo de tudo, que culmina no medo da própria sombra.
A partir daqui quem está, está na defensiva e diminuído; quem está fora está na ofensiva e tem a iniciativa e a surpresa do seu lado. Por norma ganha.
Quando e se, os responsáveis começam a reagir, já tarde, fazem-no reprimindo, o que faz aumentar a tensão em vez de a aliviar. Neste ponto é usual deflagrarem incidentes vários.

Se, por outro lado, cederem demasiado nunca mais vão parar de ceder e perde-se o respeito.
No fundo a velha fórmula de Brito Camacho: “é preciso obrigar o governo às cedências que rebaixam e às violências que revoltam”…
Chegamos então, ao limiar de qualquer coisa à fronteira da confrontação.

Até que um dia, uma acção, um incidente, uma tomada de posição menos ponderada – o que ninguém sabe prever exactamente – funciona como ignidor.
É como o “triângulo” do fogo… [1]
O 25 de Abril de 1974 é, neste aspecto também, exemplar: o ignidor foi o decreto-lei nº 353/73, de 13/7, assaz conhecido, mas convenientemente esquecido.
De seguida a anarquia e as piores emoções da natureza humana soltam-se já que, também por norma, não se pensa no dia seguinte. E o dia seguinte é que é o diabo…
Quando a ocorrência se dá – seja ela qual for – aparecem de imediato uns iluminados a dizer “estava-se mesmo a ver”, alguns dos quais com avantajadas responsabilidades no que se passou…
Sem embargo de só se terem tornados evidentes depois de ocorrerem…
Outros, certamente videntes, reputam o ocorrido de “inevitável” - sem nunca terem feito nada para o evitar...
Nem eles sabem bem o que dizem pois “inevitável” é a gente morrer. E mesmo assim, só para quem não acredita na Ressureição.
Aguarda-se, em jubilosa esperança, os resultados dos próximos capítulos das actuais novelas.
Pois começa a haver várias em desenvolvimento.


[1] Ou seja, para haver fogo é necessário existir oxigénio, um comburente e um … ignidor!

sábado, 10 de maio de 2014

Parabéns Sr. Ten. Coronel MARCELINO DA MATA pelos seus 74 anos

 

O PM, AS VACINAS E MIGUEL SOUSA TAVARES

A propósito da recente visita do Primeiro-Ministro ao Hospital das Forças Armadas (sabe-se agora que se ia vacinar), e do que escrevi sobre tal facto, fui reler o artigo abaixo publicado em 14/4/2010, que vos recomendo, apesar de ninguém ser bom juiz em causa própria...
 
Clicar abaixo para ler o artigo

sábado, 3 de maio de 2014

FORÇAS ARMADAS E GOVERNO: O ESTADO EM DESAGREGAÇÃO

Passos Coelho e Aguiar Branco
Escrevemos no dia do trabalhador. É, em simultâneo, um modo de trabalhar e de intervenção cívica, apesar de ser feriado…

Na sequência da visita do Ministro da Defesa (MDN) à Base Aérea 6, no Montijo, no pretérito dia 28/4, foi divulgado nos meios da Comunicação Social (OCS), a notícia de que 98 (na realidade 99) oficiais pilotos aviadores (cerca de dois terços do efectivo) tinham aderido, em bloco, à Associação de Oficiais (AOFA).[1]
O “frisson” causado, nada tem a ver com qualquer irregularidade, mas sim pelo seu significado. Significado esse, por sinal, ignorado pela generalidade desses mesmos OCS, sem dúvida alguma, prosélitos e praticantes das mais elementares regras democráticas e da liberdade de expressão.
Eis uma síntese rápida ao correr da pena.
O MDN foi visitar a BA 6, a fim de mostrar serviço com a ida de um C-130 Para a República Centro Africana, no âmbito de uma missão da União Europeia e também assistir ao aniversário da Esquadra 751, que opera os sofisticados helicópteros EH 101 e que passa por uma crise de falta de pilotos e qualificações adequadas (aliás, todas passam).
Estas dificuldades já estão a pôr em causa o cumprimento de uma missão da FA – que extravasa o país: a Busca e Salvamento.[2]
Propositadamente ou não, o que é certo é que alguns oficiais conversaram com jornalistas e deram-lhes conta de algumas das dificuldades existentes, enquanto o MDN era confrontado com um discurso duro do Comandante da Esquadra 501, sobre a prontidão das aeronaves, manutenção, treino e segurança de voo, e outros, que se arrastam há muitos anos e como é lógico, não deixam de se agravar com o passar do tempo e a muito errada actuação política para com as FA.[3]
Actuação, ainda agravada por dissidências corporativas entre os Ramos, falta de estratégia comum das chefias militares (onde se incluem os Conselhos Superiores) e alguns erros e ambições pessoais avulsos.
Tudo se traduzindo numa paz podre reinante, a que um falso discurso de “tranquilidade” tenta tapar, como a peneira tapa o sol.
Livrou-se, ainda, o MDN de ouvir outro discurso duro, por parte do Comandante da Esquadra 751, não fora o texto sido atempadamente “censurado”.
Por “feliz” coincidência foi tornada pública a adesão dos citados 99 oficiais à AOFA – e outras estão previstas (o MDN foi apanhado desprevenido) o que, aparentemente, começou a ser preparado desde o último encontro de oficiais, no ISCTE, em 22/2/14.[4]
Independentemente das várias leituras possíveis para esta adesão, uma salta à vista desarmada e é indesmentível, trata-se de um atestado de desconfiança às chefias militares, passado com luva branca (mas que não deixa de ser um murro no estomago).
Significa simplesmente que deixaram de acreditar na cadeia hierárquica e que passaram a sua esperança de resolução de problemas para a AOFA.
A qual de facto, e independentemente da evolução da sociedade e dos tempos, só tem razão de existir pela falta de defesa dos homens e da própria Instituição Militar (IM), que deixou de ser cabalmente feito, sobretudo a partir da data em que as chefias militares passaram a ser exclusivamente escolhidas pelo poder político. [5]
Como pano de fundo, que já vem de longe, temos o ataque contumaz ao estatuto da condição militar; a redução sistemática das FA á inanidade operacional e da IM, à cota zero da sua representação política e inexpressividade social.
Não se tem olhado a meios para conseguir tudo isto, e nesse objectivo nenhuma força política tem as mãos limpas.
Na actual circunstância e no que toca concretamente aos pilotos, tudo – e é muito - se pode sintetizar numa frase: Há cerca de três anos, que se passou a colocar alferes tirocinados, isto é acabados de receberem as asas, a voar… secretárias!
E todos – agora já se engloba todos os militares dos três Ramos das FA e GNR – vivem na angústia do próximo EMFAR, de que ninguém sabe nada, já que nada transpira (e há muito que a confiança se exauriu) e que, por sinal, está a ser cozinhada por alguns seres que os bons chefes de família, não convidariam para se sentarem à mesa com eles. Por isso está a suscitar oposição das partes sãs do processo.
E sobre o futuro EMFAR, arrisco um prognóstico: se não for atalhado, a versão final irá ultrapassar tudo o que de pior se possa pensar.
Será o fim do que resta das FA, como instrumento militar de qualquer valia; a sua funcionalização completa e, até, a sua partidarização.
*****
Estávamos nisto quando S. Excelência, o Senhor Primeiro Ministro (PM) se apresentou, no dia 29/4, à porta de armas (que também arrisco dizer, ele não ter a mínima ideia do que seja ou represente), do Hospital das FA (HFAR).
Identificado pela “sentinela”, logo disse que não queria falar com ninguém, que estava ali como um cidadão qualquer (o Dr. Sá Carneiro, em tempos idos, também se arvorou nisto e meteu-se, de qualquer maneira, dentro de uma aeronave em mau estado e acabou por não sobreviver para contar o que sucedeu).
Sem embargo, claro, de se fazer acompanhar por motorista oficial e membros da segurança.
O atrapalhado militar – quando havia tropa a sério, o PM, não saía do local sem o oficial de dia (parece que agora é um “graduado de serviço”) o acompanhar ao comandante – lá informou quem lhe competia e a informação acabou por chegar ao Comando da FA, em Alfragide, tendo a mesma sido ignorada. Creio que bem.
De facto a informação chegou lá por inércia, isto é, o Comandante da Unidade de Apoio ao HFAR ainda é oficial da FA, mas este Ramo já não manda no complexo, apenas ainda lá possui subunidades suas.
Mais estranho é, aparentemente, que o único a saber da visita do PM, perdão do cidadão Passos Coelho, ter sido o Director do Hospital, o qual também se terá “esquecido” de informar o seu chefe hierárquico, ou seja o CEMGFA.
O qual, por sua vez, também achará “natural” a ocorrência e estará “tranquilo”. Tanto mais que, em boa verdade, nada obrigaria o Director do HFAR – a não ser o bom senso – a dar essa informação, dado que o MDN fez um despacho determinando que “nesta fase de transição” o dito Director dependia dele!
E, já agora, porque é que o policia da Porta d’Armas, o oficial de dia, ou lá o que seja, e o Comandante da Unidade de Apoio (outro nome que nada tem ver com a terminologia militar), etc. têm que se preocupar com estes “pormenores” de segurança, hierarquia, regulamentos militares, ética, etc., quando o PM quer passar despercebido e tem comportamentos destes? (o Hollande, em França, também quis passar despercebido e vejam o que lhe aconteceu…).
E que pensar quando o MDN chamou a uma unidade militar (o HFAR e restantes) um “Campus de Saúde”? Talvez ainda um dia lá façam o “Rock in Rio”…
Resta pois saber o que S. Exª lá foi fazer, será que foi verificar como corre a linda obra do seu ministro, ou virou beneficiário da ADM?[6]
*****
Por fim e a propósito, quando o CEMFA soube desta “visita” estava de abalada para S. Julião da Barra, para um encontro com o SACEUR, o General Philip M. Breedlove. [7]
Este, no fim, veio informar o país, de que a FA ia comandar uma força no Báltico, com seis F-16, em Junho (se ainda os houver), numa operação da NATO – com a crise da Ucrânia por fundo.
Pergunta-se: então já não bastava ter a “Troika” a fazer conferências de imprensa em Lisboa e ainda temos que vir a saber, por um general americano, o que compete ao governo, ou às FA Portugueses, informar?

O Estado Português não está a desagregar-se. Já está desagregado.


[1] Mais concretamente, quatro majores e 95 capitães e subalternos.
[2] A prontidão do Helicóptero que está em Porto Santo, por ex., está afectada, pois não existe piloto comandante disponível para lá colocar. Prevê-se que vai de “Falcon” quando houver uma emergência…
Aguarda-se a explosão de alegria que o Dr. Alberto João vai ter quando souber. Esperamos que seja o MDN a dizer-lhe, pois a responsabilidade é dele… (e não dos chefes militares).
[3] O Comandante da Esquadra 501 foi entrevistado, mais tarde, na TVI 24, e falou durante mais de 10’. Mas como não é jogador de futebol, estrela de rock, ou bombeiro voluntário, a explicar porque é que um fogo se reacendeu “N” vezes no mesmo local, só teve direito a 30 segundos de fama…
[4] Para esta reunião estavam previstos aparecerem cerca de 300 oficiais, mas estiveram 700, mais de100 dos quais, no activo. São dados relevantes.
[5] Esta defesa, juntamente com o cumprimento da missão e da coesão e moral das tropas, é um dever inalienável de qualquer comandante.
[6] ADM – Assistência na Doença aos Militares.
[7] SACEUR – Supreme Allied Comander Europe - Comandante Supremo Aliado na Europa.