quinta-feira, 20 de março de 2014

ADESTE FIDELES, HINO PORTUGUÊS, MAGNÍFICA OBRA DE'L REI DOM JOÃO IV

O HINO DA POLÉMICA
"Adeste Fideles" é o título do chamado Hino Português escrito pelo Rei D. João IV de Portugal. Foram achados dois manuscritos desta obra, datados de1640, no seu palácio de Vila Viçosa. Muitos outros alegam a autoria desse hino, a John F. Wade, que não pode ter composto a obra, já que o seu manuscrito data de 1743.
O mais provável é que Wade tenha traduzido o Hino Português, como era chamado em Londres na época e ficado com os louros. D. João IV de Portugal, "O Rei Músico" nascido em 1604 foi um mecenas da música e das artes, assim como um sofisticado autor; foi também compositor e durante o seu reinado possuiu uma das maiores bibliotecas do mundo.
A primeira parte da sua obra musical foi publicada em 1649. Fundou uma escola de música em Vila Viçosa de onde saíam músicos para Espanha e Itália e foi aí, no seu palácio, que se acharam dois manuscritos desta obra.
Esses escritos (1640) são anteriores à versão de 1760 feita por Wade. De entre os seus escritos podemos encontrar "Defesa da Música Moderna (Lisboa, 1649) ano em que o Rei D. João IV lutou
contra o Vaticano para conseguir a aprovação da música instrumental nas igrejas.
Uma outra famosa composição sua é Crux fidelis, um trabalho que permanece popular nos serviços eclesiásticos.

Adeste fideles læti triumphantes,
Venite, venite in Bethlehem.
Natum videte
Regem angelorum:
Venite adoremus (3x)
Dominum.

Deum de Deo, lumen de lumine
Gestant puellæ viscera.
Deum verum, genitum non factum.
Venite adoremus (3x)
Dominum.

Cantet nunc 'Io', chorus angelorum;
Cantet nunc aula cælestium,
Gloria! Soli Deo Gloria!
Venite adoremus (3x)
Dominum.

Ergo qui natus die hodierna.
Jesu, tibi sit gloria,
Patris aeterni Verbum caro factum.
Venite adoremus (3x)
Dominum.

Existem outros versos em latim em várias versões, como por exemplo:

En grege relicto, humiles ad cunas,
Vocati pastores adproperant:
Et nos ovanti gradu festinemus,
Venite adoremus (3x)
Dominum.

Æterni parentis splendorem æternum
Velatum sub carne videbimus
Deum infantem pannis involutum
Venite adoremus (3x)
Dominum.

Cantet nunc hymnos chorus angelorum
Cantet nunc aula cælestium,
Gloria in excelsis Deo!
Venite adoremus (3x)
Dominum.

http://4.bp.blogspot.com/-M4DK98inY30/UrHis7c-CaI/AAAAAAAAVb4/uXT0KdWR4Ow/s1600/Adeste_Fidelis.jpghttp://4.bp.blogspot.com/-M4DK98inY30/UrHis7c-CaI/AAAAAAAAVb4/uXT0KdWR4Ow/s1600/Adeste_Fidelis.jpg

Clicar:
http://www.youtube.com/watch?v=u7JkQEiOVKI

terça-feira, 18 de março de 2014

A DESPEDIDA DO CEMGFA E A FLORESTA DE EQUIVOCOS!

“Aquilo que cada um pensa,
Aquilo que cada um diz,
Aquilo que cada um faz,
Na mesma pessoa coexistem,
Mas raramente coincidem.”
Do Autor

Em 26/1/13 escrevi um artigo intitulado “Os Chefes Militares e a Matemática” onde equacionei o cenário do fim de mandato do General Luís Araújo como CEMGFA e a sua possível substituição.
Já se sabiam, na altura, quais os diferentes cenários possíveis, tendo-se concretizado o mais verosímil.
Sem embargo após a saída natural do CEMGFA por limite de tempo em funções (7/2/14) e posterior transição para fora do serviço activo, por limite de idade, em 25 do mesmo mês, surgiu na imprensa uma realidade que não lembraria ao “Estado-Maior”, como se diria em linguagem castrense.
De facto soube-se pela Comunicação Social – e seria curioso saber como e porquê – que o então CEMGFA solicitou a passagem à situação de reforma antes do fim do ano de 2013 (para o dia 30/12),não informando disso, directamente, o Presidente da República (de quem depende como Comandante Supremo das FAs – e quem o nomeia); o Ministro da Defesa (que representa o Governo – que o indigita – de quem também depende funcionalmente) e, parece outrossim, o Conselho de Chefes, que são os seus pares, tão pouco quem com ele trabalhava mais directamente o que, não sendo obrigatório, convenhamos, que não pareceria mal.
Porque o fez? Aparentemente para não ser “roubado”, a fazer fé em artigo de jornal, tido como de referência.
Este verbo, que subentende uma acusação com foros de gravidade, encontra a sua justificação no facto do Governo ter deixado de considerar uma “cláusula de salvaguarda” no orçamento de 2014, aplicada a quem passasse à reforma voluntária (60 anos e tempo de serviço), o que lhes permitiria não serem prejudicados.[1]
Tal cláusula aplicava-se, salvo erro, a partir de 31 de Dezembro de 2010 e só muito perto do fim do ano de 2013 se soube que não ia ser considerada para o ano seguinte.
Aqui a comunicação Governo/FAs também parece não ter andado muito bem.
Deste modo o General Araújo seria prejudicado no ano corrente o que, naturalmente o terá revoltado.

Neste âmbito, toda a razão lhe assiste.
Porém, a sua razão aparenta terminar aqui pois toda a sua acção subsequente não é conforme ao seu estatuto de militar, muito menos ao de ser a mais alta figura militar.
Em primeiro lugar porque se trata de uma ilegalidade: ninguém pode estar em funções de comando depois de requerer a sua passagem à reforma. Acresce que o processo necessita estar devidamente informado o que, a acreditar na tal notícia, não estava.
Tal facto levanta ainda duas questões: se não estava devidamente informado como foi parar à CGA? E como é que esta, passado pouco tempo – lembro que há processos que demoram anos – o deferiu?
A “papelada” seguiu através da FA, como é usual, ou chegou lá directamente?
Pareceu-me também inferir uma desculpa de que o processo não teria que ser remetido para a FA dado que o subscritor era mais antigo que o CEMFA. Se for verdade é um argumento extraordinário dado tratar-se de um procedimento administrativo que passa à margem de qualquer subordinação hierárquica.
Cada Ramo trata dos seus homens dade que são recrutados até que dão baixa para a cova! Aliás quando o Ex – CEMGFA saiu do edifício do Restelo, foi com guia de marcha para Alfragide, de regresso ao seu Ramo de origem. E com um erro (por ignorância?) pois lá dizia que se destinava a passar à reserva e não à reforma, como já tinha sido solicitado.
As irregularidades acabam aqui, podemos passar ao mais importante. E o mais importante é a questão ético-deontológica.
Um militar e por maioria de razão o chefe militar de mais alta graduação, tem que ser leal para com os seus superiores, iguais e inferiores o que, no caso vertente, implicava a informação do que ia fazer (onde entra a tal questão de fazer o que se diz e dizer o que se pensa…).
E só sendo leal se pode exigir reciprocidade.
Ora tal não foi feito, conforme assumido pelo próprio. Para não ser “roubado”.
Mas se achava que estava a ser roubado só tinha uma coisa a fazer, era denunciar a situação, protestar e, ou, activar os mecanismos legais ao seu dispor (ou dar um murro no ministro).
Como nada disto aconteceu a atitude do então CEMGFA apenas pode ser vista como um “chico-espertismo”, não compatível com a condição militar. E esta não pode (nem deve) ser invocada apenas quando interessa…
Ou seja o General Araújo quis ter, em simultâneo, “sol na eira e chuva no nabal”. E sair-se a rir.
Será que os seus subordinados também não têm o direito de se saírem a rir?
Duas questões alimentaram vivamente este putativo “chico-espertismo”: a primeira sendo o “mantem-no na dúvida” do Governo, em lhe arranjar, ou não, um novo cargo, nomeadamente na estrutura da NATO; depois na incerteza sobre um eventual prolongamento da sua função como CEMGFA.
Esta última hipótese foi acalentada através de duas outras questões, a saber: através do aumento da idade da reforma para a função pública, de 65 para 66 anos, ou pela alteração do Estatuto dos Militares das Forças Armadas (EMFAR), que está em revisão.
Quanto à primeira questão notou-se clara ingenuidade e ignorância das partes (gabinetes jurídicos incluídos), dado que a lei da função pública não se sobrepõe ao EMFAR.
Finalmente o Ex-CEMGFA sai muito mal em todo este filme, dado que mostrou preocupar-se apenas com o seu bolso.
Ora faz parte da Deontologia Militar que qualquer comandante se deve preocupar em primeiro lugar com o cumprimento da sua missão (e a Nação); depois com os soldados, seguidamente com os sargentos, finalmente com os oficiais.[2] Do mesmo modo, comandante que se preze é o último a abandonar o seu navio ou avião.[3]

Ou seja um comandante deve preocupar-se com a sua pessoa apenas em último lugar.
É claro que encontrar, hoje em dia, políticos que entendam isto não é fácil. Mas as tropas percebem e reconhecem estas atitudes muito bem. E os cidadãos bem formados também.
E são esses que devem interessar.
Ora, infelizmente, em todo o seu consulado como CEMFA e CEMGFA, não se lhe conhece um gesto que seja, uma atitude, um rasgo, nada, que possa ser invocado na defesa da Instituição Militar (IM), como um todo, ou na dos seus servidores, em particular.

Em todas as barbaridades que os políticos foram fazendo (Saúde Militar; Justiça Militar; operacionalidade das tropas; orçamentos; alienação de bens; IASFA; complemento de pensão; fundo de pensões, promoções, colégios militares, eu sei lá!), a frase mais empregue e que bem o pode caracterizar, foi a de que “estava tranquilo”.
Mas mal reparou que podia ser prejudicado em 700 euros, caramba, “aqui d’ el-rei”![4]

Colocou-se ainda a questão de se saber se as decisões tomadas depois de 31/12/13 podiam estar feridas de nulidade mas, aparentemente, tal situação está salvaguardada por não se encontrar nenhum documento com a data posterior a 27/12.
Finalmente, o último chefe militar restante, que ainda combateu nas derradeiras campanhas ultramarinas portuguesas – e onde mostrou ser um bom combatente, ao ponto de ter sido agraciado com a medalha da cruz de guerra – acabou manchando a sua carreira, não só em termos pessoais (de que não viria grande mal ao mundo) mas, sobretudo, porque o seu gesto se reflete em toda a IM e isso, sim, é grave.

E com esta atitude deve ter-se condenado a não ser agraciado em futura cerimónia, com qualquer outra condecoração com a qual, porventura, quem de direito o quisesse distinguir.
Foi triste, foi pena e foi escusado.
Ficaria bem um pedido de desculpas.



[1] O General Pinto Ramalho, antigo CEME, terá ponderado o que fazer, já depois de ter terminado o seu mandato à frente do Exército, tendo pedido para passar à reforma. Depois solicitou que ficasse sem efeito o pedido, fazendo um novo, para ficar na reserva, o que foi concedido. Uma situação distinta.
Convenhamos que dada a velocidade a que o MDN vai mudando a legislação não é nada fácil que alguém saiba a quantas anda…
[2] Excepção para os oriundos de Cavalaria, em que os cavalos e muares preferem às tropas – o que também tem a sua lógica!
[3] Lembram-se do choque que constituiu o comportamento lamentável do Comandante do “Costa Concórdia”? E nem sequer era militar…
[4] O D. R. 2ª série, nº47, de 7/3/14, p. 6450 refere que a sua pensão de reforma é de 5980.84 euros.

domingo, 16 de março de 2014

FORÇAS ARMADAS - INSTITUIÇÃO OU EMPREGO?

Anda agora muita gente preocupada com a transformação acelerada dos militares em "funcionários".

A começar pelos próprios.
 
Acordaram tarde e apenas quando lhes foram ao bolso.
 
Enquanto durante décadas o Poder Político foi abastardando as bases materiais e, sobretudo, espirituais, das Forças Armadas, poucos se preocuparam.
 
E muitos se enganaram, isto é, ao contemporizarem com os sucessivos atropelos (e, até, subversão) - eventualmente para não se incomodarem ou prejudicarem e, ou, pensando também, que seria assim que melhor preservariam os seus proventos e a "boa vontade de quem mandava - optaram pelo caminho errado.

Ou seja, a falta de consideração política e social pelas FAs é fruto justamente do que se foi deixando fazer e não do seu contrário.


Com a agravante pronunciada de que se perdeu muito do respeito pela Instituição Militar e pelos seus servidores (e não funcionários).


Junto, para reflexão, aquela que publiquei no já longínquo ano de 1979, na Revista "Mais Alto".

segunda-feira, 10 de março de 2014

LÁ VEM O COLÉGIO MILITAR QUE TEM MUITO QUE CONTAR!


Encerrou-se com um desfile militar, Avenida da Liberdade abaixo (já só falta proibir o desfile…), e com uma missa em São Domingos, as comemorações do 211º aniversário do Colégio Militar (CM).[1]

É um bálsamo para a alma, um retempero para o espírito e um exemplo para o país, assistir a tais eventos, desta escola centenária que, juntamente com o Instituto de Odivelas (IO) e os Pupilos do Exército, compõem a trilogia dos colégios militares” portugueses.

E mais se nota se tivermos em conta o extenso desastre que, há décadas, percorre o nosso ensino secundário…

Naqueles, se formam, tanto quanto se consegue, um escol de futuros cidadãos, portugueses de corpo inteiro.

Pelo menos são-lhe dadas as ferramentas, a instrução e a educação, para bem singrarem na vida. Está, depois, ao nível de cada um aproveitá-las da melhor maneira.

A missa que se segue ao desfile e coloca um ponto final nas cerimónias, é um coroar de excelência. E creio que representa, salvo melhor opinião, a mais bela cerimónia religiosa, se quisermos, militar/religiosa, de quantas em Portugal se realizam.

Num Portugal trucidado pela baixa política e pela corrupção; ferido gravemente na sua soberania e desfibrado de carácter, a afirmação de tal colégio (de tais colégios!) é uma centelha de esperança no porvir da Nação.

Por isso mal se entende a sanha persecutória, mascarada de acção reformadora, a que se tem assistido nos últimos anos e que culminou no expoente de iniquidade do actual consulado governativo.

Não há razão minimamente válida para encerrar o IO (uma escola com uma média escolar de 16 valores!), tão pouco para qualquer internato misto, nem sequer para uma existência simultânea de internato e externato, só para ficarmos por aqui.

E tudo ainda se torna mais mesquinho, por ex., castigar oficiais pelo seu bom desempenho, como foi o caso do anterior Director do IO, afastado do cargo e vetado, posteriormente, para a função de adido militar em Madrid, o que constituiu, em simultâneo, uma afronta à chefia do Exército.

É um ministro “pequenino” e arrivista que protagonizou tudo isto que teve o despautério de querer visitar o CM na antevéspera do desfile.

Que foi lá fazer quando as cerimónias militares oficiais – ou seja o dia da unidade – se realizaram no dia seguinte?

Se queria dar uma de autoridade, porque só confirmou a sua presença às 23:00 do dia anterior? Teve medo que lhe fizessem uma boiada?[2]

Se queria enfrentar algo com destemor porque não o fez às claras?

Porque não foi presidir ao desfile, se por acaso lhe passou pela cabeça dar relevância ao evento? Por ser domingo e não lhe dar jeito?

Presumo que tenha a consciência clara de que não é bem visto nem bem-vindo.

E a hierarquia apenas o deve tolerar por dever de ofício.

Já agora sempre lhe sugiro que a querer estar presente em algo, escolha a Santa Missa onde, estou certo, todos o receberiam em silêncio compungido, mas por respeito ao acto e por caridade cristã, de que bem aparenta precisar.

E podia ser que o Espírito Santo o iluminasse, porque sendo quem É consegue obrar em todos.

Teria ainda oportunidade para fazer algum acto de contrição, caso a sua consciência já o tenha preparado para tal.

Até lá vamos ter que rezar por si, para ver se atina.

Pedimos, por outro lado, ao novel Comandante do Exército, para ver se inocula algum bom senso e espirito de bem servir, em tão desajeitada personagem, relativamente ao cargo que exerce, já que quem o precedeu não o quis, soube ou conseguiu fazer.

Meu caro Jerónimo põe os olhos nos bons que te precederam (e só nesses) e tenta.

Eu sei que é difícil, mas tenta.
 

[1] Fundado em 3 de Março de 1803, uma das mais antigas instituições do País, a par das Misericórdias (1498) – que continuam a fazer aquilo que o estado nunca conseguiu – e o Supremo Tribunal Militar (1641), lamentavelmente extinto, há meia dúzia de anos.
[2] Obrigou, inclusive, o CEME a abandonar um Conselho de Chefes para o ir receber.

OU DAMOS CONTA DOS PARTIDOS OU OS PARTIDOS DESTROEM PORTUGAL!

Escrito em 8/11/2005
“Ho que cumpria aho bom governo”
D. Manuel I
Frase, que segundo Damião de Góis, o Rei teria proferido após ter reconhecido a Janes Mendes Cicioso, burguês de Évora, depois de este ser ouvido uma justificação do seu protesto contra um imposto real.
Não só lhe deu razão, como o louvou apontando-o como exemplo dos homens que pretendia ter junto de si, de modo a dizerem-lhe “........”

E já o fizeram várias vezes...

Mas como o país tem a memória curta e se faz gala na ignorância militante, nunca se vai aprendendo nada.

Resumidamente foi assim:

Em 1820, na sequência de uma tentativa de golpe de estado frustrado, de contornos difusos, chefiada pelo General Gomes Freire de Andrade, em 1817, surtiu, no Porto, uma revolta que logrou sucesso. Esta revolta de carácter liberal foi urdida numa loja maçónica – o Sinédrio - e o vulto que assomou proeminente dava pelo nome de Fernandes Tomás. Rapidamente o movimento alastrou a pontos - chave do País, nomeadamente Lisboa. Nascia assim o Liberalismo em Portugal, inspirado nos ideais da Revolução Francesa. Em 1822 foi aprovada a primeira Constituição Portuguesa – que muitos viam como a chave da resolução dos problemas nacionais - e o Rei posto a recato no Brasil nos idos de 1807, resolveu regressar à capital do Reino a tempo de a jurar.

Os acontecimentos, porém, precipitaram-se: a independência do Brasil em marcha há algum tempo, foi apressada por imprudências da recém - eleita Assembleia Constituinte; a Família Real cindiu-se entre adeptos do novo regime e partidários da Ordem Antiga. E com eles dividem-se o Exército, o Clero, a Burguesia e o Povo. Estas desavenças que demoram livros a contar desembocaram na guerra civil mais cruenta que em Portugal houve, tendo atingido o seu auge entre 1832 e 34. O país, exangue pelas invasões francesas estava agora esfacelado. Com a paz de Évora - Monte inaugurou-se a Monarquia Constitucional. Em 1838, nova Constituição era aprovada que substituía uma outra de 1826. Mas o sossego estava longe de assentar praça. Em vez dele reacenderam-se ódios; os Partidos desacreditaram-se completamente e irrompiam constantemente quarteladas, golpes palacianos, revoltas militares à mistura com crises financeiras terríveis.
 
A desorientação era total e acabámos noutra guerra civil, em 1847, a Patuleia, que só foi resolvida após intervenções militares da Espanha e da Inglaterra! Em 1851, após mais um golpe de estado do “Cabo de Guerra” Saldanha, as forças políticas tomaram consciência do desastre em que tinham atolado o país e tentaram entender-se procurando imitar o parlamentarismo inglês. Surgiram, então, dois partidos, um mais à direita – o Regenerador e o outro, mais à esquerda, o Progressista, que se alternariam no Poder. Entrou-se na Regeneração e no “Rotativismo”.
 
Gerou-se alguma paz social e uma melhoria das contas públicas permitiu algum progresso económico. Apareceu um estadista: Fontes Pereira de Melo. As coisas foram-se aguentando com altos e baixos até 1890, com muita chapelada e caciquismo local à mistura.

A luta política nunca foi séria e disso se ressentia o “governo da cidade”. Eça, Ramalho, Oliveira Martins e o imortal Bordalo, fixaram toda esta época para sempre. A partir de 1890 com nova crise financeira e o “Ultimatum”, entrámos no estertor da Monarquia, que iria durar 20 longos anos. Surgia agora em força a propaganda e agitação republicana e algumas ideias socialistas e anarquistas.

A Monarquia caiu mal, vítima da inépcia, da cobardia e até da traição dos partidos e outras forças que a apoiavam e a República nasceu pior, pois que se fundou num crime de Regicídio. Também, nesses tempos, muitos houve que achavam que a simples mudança de um regime seria o suficiente para a salvação da Pátria, mas enganaram-se. Os 16 anos que se seguiram foram de indiscritível agitação político-social, bancarrota, revoltas, assassinatos, desgraças várias.

Pelo meio combatemos em quatro frentes durante a I Guerra Mundial o que causou imensos lutos, sacrifícios e desavenças.

Em 1926 o país estava novamente exangue e desacreditado, interna e internacionalmente. Por isso não espanta, nem se deve criticar, que o Exército tomasse o Poder. Só que as FAs sabiam o que não queriam, mas não estavam seguras do que deviam fazer a seguir.

Salvou-nos (é o termo!) um homem que se tornara conhecido pelas suas ideias e integridade e chamado a pôr ordem nas finanças se houve prestes, com grande acerto e competência. Chamava-se Salazar e era lente em Coimbra.

Sabendo concitar apoios, dispondo de uma Ideia Telúrica de Portugal e do seu povo e uma doutrina original que a sustentava, acabou por ser nomeado chefe do governo e por lá ficou 40 anos. E um dos principais e primeiros actos que intentou foi acabar com os partidos políticos e não se lhe pode levar a mal a atitude face aos péssimos serviços que estes tinham prestado ao país no último século! Não pode pela Ciência Política, ser qualificado de democrático, o regime então instaurado. Mas não se lhe pode negar coerência, Patriotismo extremo; princípios elevados; recta intenção; respeito pelo Direito e pela Moral e, ao contrário do que muitos dizem, elevado progresso económico e desenvolvimento social. Foi um regime sério e maioritariamente servido por pessoas sérias.

E, durante décadas, fez com que os portugueses voltassem a ganhar orgulho e confiança neles próprios. Pelo meio ganhou-se a guerra de Espanha, saímos incólumes e prestigiados da Segunda Guerra Mundial e quando se montou um dos maiores ataques à escala mundial que jamais se conjugara contra a maneira portuguesa de estar no mundo, organizou-se a resistência e a luta de tal modo, que não encontra paralelo desde o tempo do Senhor Afonso de Albuquerque. Perdeu-se Goa, Damão e Diu, é certo, mas só depois de termos ultrapassado vitoriosamente durante mais de 10 anos, todas as tropelias da União Indiana, e quando esta nos esmagou militarmente com força bruta, perante a inanidade hipócrita da “Comunidade Internacional.”

Quando o obreiro de tudo isto faleceu, não possuía palácios, contas na Suíça, nem qualquer bem que surtisse inveja ao mais pobre dos seus compatriotas. E a exiguidade da sua conta bancária (140 contos) só encontra paralelo na probidade com que serviu o Estado e a Nação. Nunca alardeou honrarias e jaz, por seu desígnio, em campa rasa na sua aldeia natal. Não se encontra exemplo que lhe possa ir a par, em toda a História de Portugal.

Chegámos a 1974 e uma pequena parte do Exército, entendeu, por razões que ainda não foram devidamente assumidas, fazer um golpe de estado. Ao contrário dos seus camaradas de 1926, não se percebeu muito bem o que possam alegar como justificação.

Todos os órgãos do estado funcionavam em pleno; não havia crise financeira nem económica; a ordem imperava nas ruas e nos lares.

A Nação encontrava-se em guerra e batia-se no seu melhor ia para 13 anos e não se pode admitir que profissionais do quadro permanente aleguem, porventura, estarem cansados de fazer a guerra.

Mas as coisas são o que são e o golpe deu-se. À semelhança de 1926 os militares também não sabiam o que fazer a seguir e logo se dividiram, prenderam e sanearam.

Ainda hoje a Instituição Militar está a pagar tanta insensatez. O país esteve à beira de nova guerra civil. A coisa lá se resolveu menos mal nos territórios europeus. No Ultramar foi o desastre. O Poder Nacional caiu catastroficamente mas, “hélas”, passámos a ter um regime “democrático”, mesmo assim contestado pela extrema - esquerda. E lá voltámos novamente aos Partidos.

A “pesada herança” (em ouro e divisas), dois acordos com o FMI e a adesão à CEE, têm aguentado as finanças e permitido a distribuição de benesses com que se compram votos. Mas tudo isto vai acabar e os vícios do sistema irão começar a aparecer em verdadeira grandeza. Os partidos são medíocres e são incapazes de se reformar. O que Eça, Ramalho e Bordalo escreveram voltou a estar actual.

quinta-feira, 6 de março de 2014

DATAS DAS PRÓXIMAS SESSÕES DO JULGAMENTO

Informação:
Datas das próximas sessões do julgamento Brandão F. x M. Alegre:

Dia 19/3 - 09:30 (uma testemunha de acusação e três de defesa)
Dia 26/3 - 09:30 (três testemunhas de defesa)
Dia 07/4 - 14:00 (duas testemunhas de defesa)