segunda-feira, 10 de março de 2014

LÁ VEM O COLÉGIO MILITAR QUE TEM MUITO QUE CONTAR!


Encerrou-se com um desfile militar, Avenida da Liberdade abaixo (já só falta proibir o desfile…), e com uma missa em São Domingos, as comemorações do 211º aniversário do Colégio Militar (CM).[1]

É um bálsamo para a alma, um retempero para o espírito e um exemplo para o país, assistir a tais eventos, desta escola centenária que, juntamente com o Instituto de Odivelas (IO) e os Pupilos do Exército, compõem a trilogia dos colégios militares” portugueses.

E mais se nota se tivermos em conta o extenso desastre que, há décadas, percorre o nosso ensino secundário…

Naqueles, se formam, tanto quanto se consegue, um escol de futuros cidadãos, portugueses de corpo inteiro.

Pelo menos são-lhe dadas as ferramentas, a instrução e a educação, para bem singrarem na vida. Está, depois, ao nível de cada um aproveitá-las da melhor maneira.

A missa que se segue ao desfile e coloca um ponto final nas cerimónias, é um coroar de excelência. E creio que representa, salvo melhor opinião, a mais bela cerimónia religiosa, se quisermos, militar/religiosa, de quantas em Portugal se realizam.

Num Portugal trucidado pela baixa política e pela corrupção; ferido gravemente na sua soberania e desfibrado de carácter, a afirmação de tal colégio (de tais colégios!) é uma centelha de esperança no porvir da Nação.

Por isso mal se entende a sanha persecutória, mascarada de acção reformadora, a que se tem assistido nos últimos anos e que culminou no expoente de iniquidade do actual consulado governativo.

Não há razão minimamente válida para encerrar o IO (uma escola com uma média escolar de 16 valores!), tão pouco para qualquer internato misto, nem sequer para uma existência simultânea de internato e externato, só para ficarmos por aqui.

E tudo ainda se torna mais mesquinho, por ex., castigar oficiais pelo seu bom desempenho, como foi o caso do anterior Director do IO, afastado do cargo e vetado, posteriormente, para a função de adido militar em Madrid, o que constituiu, em simultâneo, uma afronta à chefia do Exército.

É um ministro “pequenino” e arrivista que protagonizou tudo isto que teve o despautério de querer visitar o CM na antevéspera do desfile.

Que foi lá fazer quando as cerimónias militares oficiais – ou seja o dia da unidade – se realizaram no dia seguinte?

Se queria dar uma de autoridade, porque só confirmou a sua presença às 23:00 do dia anterior? Teve medo que lhe fizessem uma boiada?[2]

Se queria enfrentar algo com destemor porque não o fez às claras?

Porque não foi presidir ao desfile, se por acaso lhe passou pela cabeça dar relevância ao evento? Por ser domingo e não lhe dar jeito?

Presumo que tenha a consciência clara de que não é bem visto nem bem-vindo.

E a hierarquia apenas o deve tolerar por dever de ofício.

Já agora sempre lhe sugiro que a querer estar presente em algo, escolha a Santa Missa onde, estou certo, todos o receberiam em silêncio compungido, mas por respeito ao acto e por caridade cristã, de que bem aparenta precisar.

E podia ser que o Espírito Santo o iluminasse, porque sendo quem É consegue obrar em todos.

Teria ainda oportunidade para fazer algum acto de contrição, caso a sua consciência já o tenha preparado para tal.

Até lá vamos ter que rezar por si, para ver se atina.

Pedimos, por outro lado, ao novel Comandante do Exército, para ver se inocula algum bom senso e espirito de bem servir, em tão desajeitada personagem, relativamente ao cargo que exerce, já que quem o precedeu não o quis, soube ou conseguiu fazer.

Meu caro Jerónimo põe os olhos nos bons que te precederam (e só nesses) e tenta.

Eu sei que é difícil, mas tenta.
 

[1] Fundado em 3 de Março de 1803, uma das mais antigas instituições do País, a par das Misericórdias (1498) – que continuam a fazer aquilo que o estado nunca conseguiu – e o Supremo Tribunal Militar (1641), lamentavelmente extinto, há meia dúzia de anos.
[2] Obrigou, inclusive, o CEME a abandonar um Conselho de Chefes para o ir receber.

OU DAMOS CONTA DOS PARTIDOS OU OS PARTIDOS DESTROEM PORTUGAL!

Escrito em 8/11/2005
“Ho que cumpria aho bom governo”
D. Manuel I
Frase, que segundo Damião de Góis, o Rei teria proferido após ter reconhecido a Janes Mendes Cicioso, burguês de Évora, depois de este ser ouvido uma justificação do seu protesto contra um imposto real.
Não só lhe deu razão, como o louvou apontando-o como exemplo dos homens que pretendia ter junto de si, de modo a dizerem-lhe “........”

E já o fizeram várias vezes...

Mas como o país tem a memória curta e se faz gala na ignorância militante, nunca se vai aprendendo nada.

Resumidamente foi assim:

Em 1820, na sequência de uma tentativa de golpe de estado frustrado, de contornos difusos, chefiada pelo General Gomes Freire de Andrade, em 1817, surtiu, no Porto, uma revolta que logrou sucesso. Esta revolta de carácter liberal foi urdida numa loja maçónica – o Sinédrio - e o vulto que assomou proeminente dava pelo nome de Fernandes Tomás. Rapidamente o movimento alastrou a pontos - chave do País, nomeadamente Lisboa. Nascia assim o Liberalismo em Portugal, inspirado nos ideais da Revolução Francesa. Em 1822 foi aprovada a primeira Constituição Portuguesa – que muitos viam como a chave da resolução dos problemas nacionais - e o Rei posto a recato no Brasil nos idos de 1807, resolveu regressar à capital do Reino a tempo de a jurar.

Os acontecimentos, porém, precipitaram-se: a independência do Brasil em marcha há algum tempo, foi apressada por imprudências da recém - eleita Assembleia Constituinte; a Família Real cindiu-se entre adeptos do novo regime e partidários da Ordem Antiga. E com eles dividem-se o Exército, o Clero, a Burguesia e o Povo. Estas desavenças que demoram livros a contar desembocaram na guerra civil mais cruenta que em Portugal houve, tendo atingido o seu auge entre 1832 e 34. O país, exangue pelas invasões francesas estava agora esfacelado. Com a paz de Évora - Monte inaugurou-se a Monarquia Constitucional. Em 1838, nova Constituição era aprovada que substituía uma outra de 1826. Mas o sossego estava longe de assentar praça. Em vez dele reacenderam-se ódios; os Partidos desacreditaram-se completamente e irrompiam constantemente quarteladas, golpes palacianos, revoltas militares à mistura com crises financeiras terríveis.
 
A desorientação era total e acabámos noutra guerra civil, em 1847, a Patuleia, que só foi resolvida após intervenções militares da Espanha e da Inglaterra! Em 1851, após mais um golpe de estado do “Cabo de Guerra” Saldanha, as forças políticas tomaram consciência do desastre em que tinham atolado o país e tentaram entender-se procurando imitar o parlamentarismo inglês. Surgiram, então, dois partidos, um mais à direita – o Regenerador e o outro, mais à esquerda, o Progressista, que se alternariam no Poder. Entrou-se na Regeneração e no “Rotativismo”.
 
Gerou-se alguma paz social e uma melhoria das contas públicas permitiu algum progresso económico. Apareceu um estadista: Fontes Pereira de Melo. As coisas foram-se aguentando com altos e baixos até 1890, com muita chapelada e caciquismo local à mistura.

A luta política nunca foi séria e disso se ressentia o “governo da cidade”. Eça, Ramalho, Oliveira Martins e o imortal Bordalo, fixaram toda esta época para sempre. A partir de 1890 com nova crise financeira e o “Ultimatum”, entrámos no estertor da Monarquia, que iria durar 20 longos anos. Surgia agora em força a propaganda e agitação republicana e algumas ideias socialistas e anarquistas.

A Monarquia caiu mal, vítima da inépcia, da cobardia e até da traição dos partidos e outras forças que a apoiavam e a República nasceu pior, pois que se fundou num crime de Regicídio. Também, nesses tempos, muitos houve que achavam que a simples mudança de um regime seria o suficiente para a salvação da Pátria, mas enganaram-se. Os 16 anos que se seguiram foram de indiscritível agitação político-social, bancarrota, revoltas, assassinatos, desgraças várias.

Pelo meio combatemos em quatro frentes durante a I Guerra Mundial o que causou imensos lutos, sacrifícios e desavenças.

Em 1926 o país estava novamente exangue e desacreditado, interna e internacionalmente. Por isso não espanta, nem se deve criticar, que o Exército tomasse o Poder. Só que as FAs sabiam o que não queriam, mas não estavam seguras do que deviam fazer a seguir.

Salvou-nos (é o termo!) um homem que se tornara conhecido pelas suas ideias e integridade e chamado a pôr ordem nas finanças se houve prestes, com grande acerto e competência. Chamava-se Salazar e era lente em Coimbra.

Sabendo concitar apoios, dispondo de uma Ideia Telúrica de Portugal e do seu povo e uma doutrina original que a sustentava, acabou por ser nomeado chefe do governo e por lá ficou 40 anos. E um dos principais e primeiros actos que intentou foi acabar com os partidos políticos e não se lhe pode levar a mal a atitude face aos péssimos serviços que estes tinham prestado ao país no último século! Não pode pela Ciência Política, ser qualificado de democrático, o regime então instaurado. Mas não se lhe pode negar coerência, Patriotismo extremo; princípios elevados; recta intenção; respeito pelo Direito e pela Moral e, ao contrário do que muitos dizem, elevado progresso económico e desenvolvimento social. Foi um regime sério e maioritariamente servido por pessoas sérias.

E, durante décadas, fez com que os portugueses voltassem a ganhar orgulho e confiança neles próprios. Pelo meio ganhou-se a guerra de Espanha, saímos incólumes e prestigiados da Segunda Guerra Mundial e quando se montou um dos maiores ataques à escala mundial que jamais se conjugara contra a maneira portuguesa de estar no mundo, organizou-se a resistência e a luta de tal modo, que não encontra paralelo desde o tempo do Senhor Afonso de Albuquerque. Perdeu-se Goa, Damão e Diu, é certo, mas só depois de termos ultrapassado vitoriosamente durante mais de 10 anos, todas as tropelias da União Indiana, e quando esta nos esmagou militarmente com força bruta, perante a inanidade hipócrita da “Comunidade Internacional.”

Quando o obreiro de tudo isto faleceu, não possuía palácios, contas na Suíça, nem qualquer bem que surtisse inveja ao mais pobre dos seus compatriotas. E a exiguidade da sua conta bancária (140 contos) só encontra paralelo na probidade com que serviu o Estado e a Nação. Nunca alardeou honrarias e jaz, por seu desígnio, em campa rasa na sua aldeia natal. Não se encontra exemplo que lhe possa ir a par, em toda a História de Portugal.

Chegámos a 1974 e uma pequena parte do Exército, entendeu, por razões que ainda não foram devidamente assumidas, fazer um golpe de estado. Ao contrário dos seus camaradas de 1926, não se percebeu muito bem o que possam alegar como justificação.

Todos os órgãos do estado funcionavam em pleno; não havia crise financeira nem económica; a ordem imperava nas ruas e nos lares.

A Nação encontrava-se em guerra e batia-se no seu melhor ia para 13 anos e não se pode admitir que profissionais do quadro permanente aleguem, porventura, estarem cansados de fazer a guerra.

Mas as coisas são o que são e o golpe deu-se. À semelhança de 1926 os militares também não sabiam o que fazer a seguir e logo se dividiram, prenderam e sanearam.

Ainda hoje a Instituição Militar está a pagar tanta insensatez. O país esteve à beira de nova guerra civil. A coisa lá se resolveu menos mal nos territórios europeus. No Ultramar foi o desastre. O Poder Nacional caiu catastroficamente mas, “hélas”, passámos a ter um regime “democrático”, mesmo assim contestado pela extrema - esquerda. E lá voltámos novamente aos Partidos.

A “pesada herança” (em ouro e divisas), dois acordos com o FMI e a adesão à CEE, têm aguentado as finanças e permitido a distribuição de benesses com que se compram votos. Mas tudo isto vai acabar e os vícios do sistema irão começar a aparecer em verdadeira grandeza. Os partidos são medíocres e são incapazes de se reformar. O que Eça, Ramalho e Bordalo escreveram voltou a estar actual.

quinta-feira, 6 de março de 2014

DATAS DAS PRÓXIMAS SESSÕES DO JULGAMENTO

Informação:
Datas das próximas sessões do julgamento Brandão F. x M. Alegre:

Dia 19/3 - 09:30 (uma testemunha de acusação e três de defesa)
Dia 26/3 - 09:30 (três testemunhas de defesa)
Dia 07/4 - 14:00 (duas testemunhas de defesa)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

REFLEXÕES SOBRE A NATUREZA TELEOLÓGICA DA VIDA HUMANA OU AS PERGUNTAS QUE NÃO SABEMOS RESPONDER

“Enquanto a natureza do fogo fá-lo arder de maneira igual na Grécia e na Pérsia, a natureza do homem fá-lo estabelecer normas e padrões de comportamentos variados e variáveis”.
Aristóteles

Pretendo colocar um conjunto de questões para reflexão e a primeira questão é já esta: porque não refletimos sobre elas?

·     Do que sabemos sobre o “Direito Natural”, retiramos que a Natureza, ou a natureza divina desta e do homem, estabelecem normas, ou leis morais. Estas “leis” devem ser transformadas em Direito?[1]

·         Partindo do princípio que acreditamos em Deus e na vida eterna coloca-se, mesmo assim, a questão do que andamos a fazer nesta passagem pela Terra:

    - Porque nascemos? Porque morremos?

    - Trata-se de uma evolução natural de todos os seres vivos? Porque é o homem diferente de todos os restantes seres vivos?

     - Estará o homem ao “serviço” dos outros seres vivos ou estão estes ao serviço daquele? Complementam-se? Fazem parte de um equilíbrio cósmico? Qual o sentido desse equilíbrio?

        * Nascemos e temos o nosso percurso pré-determinado? Até que ponto influi o livre arbítrio?

        * O nosso percurso terreno destina-se a quê?

                    - Um aperfeiçoamento?

                    - Uma evolução para um estádio superior?

                    - Um teste? (para ver como nos comportamos?)

                    - Um castigo?

        * O equilíbrio do Cosmos, da Terra e do “Eu”: a nossa missão é manter esse equilíbrio – seja ele qual for – ou romper com ele? Ou, simplesmente, conviver com ele?

         * O que podemos fazer para aumentar o nosso nível de consciência sobre o passado, o presente e o futuro? Como devemos fazer? Que ferramentas temos ao nosso dispor?

         * Nós acreditamos na existência de Deus (o que pensarão os que não acreditam?) e que Ele fez tudo e obrou tudo; e que devemos caminhar para Ele segundo os preceitos que nos deixou. Porém, recorda-se, que apenas temos consciência/conhecimento desses ditames há cerca de 2000 (para o caso do Deus Cristão).

A Humanidade existe, contudo, há mais de um milhão de anos. Fixemos um milhão de anos. Deus deixou-nos em “pecado” durante 998.000 anos e só depois nos veio salvar, remindo-nos na Cruz? Porque levou tanto tempo?

*****

“Assim como fogo que queima em todas

as partes, o homem é natural como a natureza

e por isso todos têm direito à defesa”

Aristóteles

Outras questões merecem a nossa reflexão e, porque não dizê-lo, inquietação.

As mesmas derivam do facto incontornável de não termos qualquer controlo sobre as coisas mais importantes da nossa existência, isto é, da nossa aventura terrena.

Ou seja:

·          Não decidimos nascer (e se tal não for assim, não temos disso qualquer consciência);

·          Não sabemos quando morremos (o suicídio entra no âmbito do livre arbítrio e noutro plano de discussão);

·          Não escolhemos os nossos pais;

·          Se temos irmãos ou não;

·          Se nascemos sãos ou doentes;

·          As nossas características físicas e o nosso carácter;

·          O país/localidade onde nascemos;

·          A cor da pele;

Porque é que as coisas se passam assim?

E porque acreditamos tanto na Ciência se ela ainda não cuidou resolver nenhum destes mistérios?

Será que desafiamos Deus por não o entendermos ou o que nos rodeia?

E se nada temos a ver com a dádiva e o mistério da vida, a não ser pela união de um espermatozoide com um óvulo – o que nos coresponsabiliza – será licito que possamos interferir com o seu natural desenvolvimento (leia-se, aborto, eutanásia e manipulação genética)?

Finalmente, umas quantas questões relativamente à floresta de constrangimentos em que passamos a viver, derivados do mundo em que de repente “aterrámos” sem termos, aparentemente, contribuído em nada para o que ele é.

Estes constrangimentos limitam-nos e influenciam-nos, tremendamente, nas capacidades que entretanto desenvolvemos e nos permitem em maior ou menor grau, decidir nas escolhas importantes da nossa existência, com sejam:

·          Os nossos amigos;

·          Com quem casamos;

·          A nossa Religião;

·          A nossa profissão;

·          O que herdamos;

·          Se gostamos ou não de alguém;

·          O que aprendemos (e podemos querer e não ser capazes);

·          Onde passamos a viver;

·          O modo como vivemos e o caminho do Bem e do Mal;

·          A riqueza que criamos;

·          A felicidade que buscamos, etc.

Tudo depende das oportunidades que vamos tendo e das decisões que tomamos.

Eis algumas questões que acompanham o Homem desde tempos imemoriais e cada um de nós, desde que nasce e chega à idade da razão – seja lá o que isso for. E que cada um tem que aceitar e resolver consigo mesmo, para poder fazer o seu caminho. E dormir bem.

Questões que o torvelinho da vida moderna, sem tempo e sem silêncio, cada vez mais ilude, e torna mais difícil refletir.

Sobretudo porque são muito incómodas.

A vida, afinal, aparenta ser um mistério que só a Fé compreende. E a Razão intui.



[1] São dois os tipos de direito que regem a vida dos homens e dos povos: o direito natural e o direito positivo. Enquanto o direito natural é estabelecido pela razão natural, o positivo procede das leis e costumes de cada povo constituído em unidade política superior (civitas). Javier Hervada

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

QUE SE PASSA COM A BANCA?

“Democracy substitutes election by the incompetent many for appointment by the corrupt few”[1]
George Bernard Shaw

Segundo notícias veiculadas pela comunicação social, a banca portuguesa espera acumular cerca de 2000 milhões de euros de prejuízo no ano de 2013.
Aparentam vir de longe os desatinos da banca (acompanham os do país…).
Remontam ao tempo em que o diligente Professor Marcello Caetano entendeu aliviar o controlo e o respeito, em que a tinha o seu antecessor no cargo de Presidente de Conselho de Ministros, e que vinha desde 1928; depois pelos desmandos do PREC, nomeadamente através das nacionalizações e das intervenções estouvadas.
A coisa nunca mais bateu certo.
O que os homens do dinheiro tinham a cobrar a comunistas, socialistas e outros “istas”, estão-lhe estes a tentar cobrar agora, embora com vantagens para os primeiros. Até ver
O Capitalismo “selvagem” desregulou, entretanto, tudo e todos e não houve Comissão Europeia que antecipasse, evitasse ou combatesse, fosse o que fosse. Passaram a ser, aliás, parte do problema e não da solução.
A população portuguesa vê a “guerra” ao longe, mas os tiros e as bombardas acertam-lhe em cheio.
Os poderes públicos comprometidos até ao tutano, com tudo o que de errado se passou governam para a fotografia e continuam a atacar os efeitos em vez das causas. Os predadores internacionais agradecem e aproveitam para nos pilhar.
O País está de facto a ser “desmontado” e alienado.
Tem que haver muita inconsciência, ignorância, ganância, incompetência e corrupção no meio disto tudo. Ou uma combinação de vários.
Centenas de empresas abrem falência em Portugal, mas não há um único banco que o faça, apesar de todos os escândalos que já viram a luz do dia. Antes pelo contrário, os governos metem lá o dinheiro dos contribuintes para os segurarem.
Que teoria económica/financeira, ideologia política ou moralidade pública, pode justificar semelhante atitude? Alguém sabe responder?
Por outro lado centenas de outras empresas sobrevivem e desenvolvem-se sem o apoio efectivo da banca, sendo esse apoio a sua razão de ser primeira – apoiar a economia (ou será que é a distribuição de dividendos aos respectivos accionistas?).
Estão aquelas a ser muito elogiadas, por políticos pressurosos, por serem a esperança de salvação do país ao exportarem mais e assim melhorarem a balança de pagamentos, apesar de estar longe o crescimento que permita pagar os juros das dívidas que, a um ritmo de relógio suíço, continuamos a contrair…
Convinha no entanto termos estatísticas credíveis que permitissem verdadeiramente avaliar o comportamento da economia e saber até que ponto, esta está dependente do Turismo (que é conjuntural e sazonal); da venda de refinados de petróleo (cujo investimento – uma boa aposta – vai levar muito tempo a amortizar) e qual o montante de ouro e joias de que as famílias portuguesas se estão a desfazer, está a engrossar a saída de riqueza do país.
A banca queixa-se sempre. Fá-lo discretamente mas, não raras vezes, tem o poder suficiente para influir em decisões importantes do Estado.
Terá razões para se queixar? Eis uma questão que merece uma resposta.
Aparentemente não tem.
Goza de um estatuto privilegiado; o Banco de Portugal – que virou uma espécie de estado dentro do estado - que, supostamente a tutela e lhe impõe critérios e baias, tem sido de uma liberalidade pasmosa.
O Banco de Portugal, aliás, nada parece conseguir antecipar ou prever, actuando em conformidade, prática em que ganhou especial destaque o mandato do Dr. Victor Constâncio, mais tarde promovido (certamente por distinção) a vice do BCE.
Consta também que a promiscuidade entre gestores do Banco de Portugal e a banca é vasta e, possivelmente, só tem paralelo no que acontece entre parlamentares e outros cargos privados que uma democratíssima legislação permite, confunde e incentiva…
A banca é menos penalizada nos impostos do que o mundo empresarial e o comum dos cidadãos; tem tido liberdade q.b. para comercializar produtos os mais díspares, incluindo a Bolsa, mesmo aqueles que vieram a ser apodados de “tóxicos”; idem para as taxas que cobram aos clientes; gozam da faculdade de contrair empréstimos a juros mais baixos, nomeadamente no BCE; fomentam (e já fomentaram mais) o endividamento de todos, através de uma publicidade agressiva e às vezes enganosa, relativamente a financiamentos, cartões de plástico, compras de bens, etc. e, agora, estão aflitos a tentar cobrar o crédito mal parado e a gerir os bens que lhes caiem no regaço por falta de pagamento dos respectivos empréstimos.
Enfim, se olharmos bem para as nossas contas constataremos que as mesmas estão sempre a ser escoadas por pequenas taxas constantemente aplicadas, que as mais das vezes desconhecemos e nem nos damos ao trabalho de perguntar.
No meio disto tudo, não há memória de ver um banqueiro pobre (e raramente se suicidam) nem a acompanhar uma refeição com um vinho abaixo da fasquia de um “Pera Manca” – passe a propaganda – entretendo-se a fazer “opas hostis”; em guerras de família; a discutir ou a lutar por reformas milionárias; em tricas de gestão ou de “estratégia” e quase sempre a evitar ter o capital social que o “negócio” aconselha ou obriga. Todavia, sempre a queixarem-se.
Terão alguma razão quanto ao empréstimo que Governo lhes quer fazer com dinheiro da “Troika”, cobrando em troca juros elevados e direito a nomearem gestores. Sabe-se como um dos principais bancos nacionais tem resistido a isto e os restantes bem se querem livrar dessa “canga”. Mas como com esse dinheiro, depois emprestam a juro mais elevado a quem lhes bate à porta, acabam sempre por ser o público e as empresas a pagar para todos…
As preocupações sociais também lhes passam ao lado. Sobram para a Igreja e organizações de solidariedade…
E Portugal como Pátria individualizada no concerto das Nações dir-lhes-á alguma coisa? (e como lhes dirá se os próprios órgãos do Estado falam em alienar os poderes que detêm na CGD e importam financeiros ligados a poderes externos, a fim de orientar os nossos destinos?).
Não há problema: a população mantida na mais perfeita ignorância política e confusão moral pelos tais que Bernard Shaw apontava, paga tudo e não manda nada. Disfruta o espectáculo nas televisões e descarrega a bílis na “NET” (o mais das vezes ao abrigo do anonimato) e, algumas vezes, na rua, o que não serve em rigor para nada (trata-se da bílis) já que apenas está a “usufruir do seu direito democrático à reunião e ao protesto”.
De facto a Banca queixa-se de quê?


[1] “A Democracia substitui a eleição pelos muitos incompetentes pela nomeação dos poucos corruptos” (tradução livre).