sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

MANUEL ALEGRE - A MINHA DEFESA

 

CLICAR AQUI PARA LER A MINHA DEFESA CONTRA A ACUSAÇÃO DE MANUEL ALEGRE

Abaixo seguem as datas das próximas audiências do julgamento:
Dia 22/1 - cancelada
27/1 - 14.30h
28/1 - 14.30h
29/1 - 09.30h
3/2  - 14.30h
4/2  - 14.30h

 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

PROCESSO MANUEL ALEGRE CONTRA MIM

Excelentíssimos
 
Amigos, Camaradas, Confrades, Colegas, Irmãos em Cristo, ou simples conhecidos.
Serve a presente para vos informar que no dia 15 de Janeiro de 2014, pelas 09:50, vai ter início o julgamento originado na queixa que o cidadão, ex-locutor da Rádio Voz da Liberdade (Argel), ex-deputado, ex-candidato a PR, poeta e, ainda, Conselheiro de Estado, Manuel Alegre de Melo Duarte, me moveu e no qual sou arguido pelo “crime de difamação”.
As sessões decorrem no “Campus da Justiça”, em Lisboa, no 1º Juízo, 3ª secção (edifício B), e são públicas. Estão já marcadas mais duas sessões para dia 22 e 27 do mesmo mês. Outras se seguirão.
Desde já agradeço o apoio e críticas já recebidas e, eventualmente a receber.
Os agentes da Justiça Portuguesa, já deram provas, ao longo dos tempos, de que muitos prezam a verdade e a independência dos tribunais e não estão diminuídos pelo “politicamente correcto” de cada época.
E, também, que prezam mais a Justiça do que o simples exercício deletério do Direito.
Por isso estou sereno e confiante de que a Verdade virá ao de cima e a Justiça prevalecerá.
            Com os melhores cumprimentos
                               
                                            João José Brandão Ferreira

NO CENTENÁRIO DA AVIAÇÃO MILITAR

“Neste templo de São Romão mártir repousam os restos de Dom Bartolomeu Lourenço de Gusmão, presbítero português nascido na cidade de Santos – Brasil – no ano de 1685, primeiro inventor do Aeróstato. Faleceu nesta capital a 19 de Novembro de 1724. A cidade de Toledo dedica-lhe esta lembrança.
Epitáfio

No ano que agora começa comemora-se (?) um século da existência da Aviação Militar em Portugal.

Colocámos uma interrogação frente ao termo “comemorar”, já que ignoramos a existência de quaisquer planos para que tal realidade (não é uma simples efeméride) seja devidamente evocada e registada.

A única coisa que se sabe – apesar de ainda nada ter vindo a público – é que a Força Aérea (FA) está a preparar algumas iniciativas e que se associará à Comissão que está a preparar a evocação do centenário da Primeira Guerra Mundial, naquilo que a este conflito diga respeito.

Desejamos os maiores sucessos ao empreendimento, lembrando apenas que a Instituição FA, que resultou da fusão, em 1 de Julho de 1952, da Aeronáutica Militar, criada em 1914 e do Serviço da Aviação Naval, fundada em 1917, tem uma dimensão nacional, cuja importância acompanha a par e passo a História do último século português.[1]

E, como tal, as comemorações não devem ficar confinadas ao âmbito militar (ou do Ramo), mas ter uma dimensão nacional que o caso merece e justifica.

E que a extração pindérica e anti - patriótica da actual crise, não deve servir de desculpa para pouco ou nada se fazer de modo a que não continuemos na senda de nos depreciarmos a nós próprios (quanto não a mentir historicamente!), o que faz, por exemplo que ainda hoje o feito de Gago Coutinho e Sacadura Cabral ao cruzarem pela primeira vez o Atlântico Sul, seja ignorado da maioria das gentes e colocado à esquerda de outros muito menos importantes.

Permitimo-nos fazer algumas reflexões e avançar uma ideia.

João Torto, o barbeiro/sangrador, de Viseu é, tanto quanto se sabe, a primeira vítima da “conquista do ar”, na Nação dos Portugueses.

De facto, aquele nosso antepassado fabricou umas “asas” e lançou-se da torre da Sé de Viseu, no dia 20 de Junho de 1540, vindo a falecer dos ferimentos sofridos.

Sacrificou-se pelo sonho antigo de imitar as aves e pagou com a vida a sua intrepidez, que a eventual inconsciência não deslustra.

Mas o título de percursor ou “pai” da aviação nacional deve ser atribuído ao Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão (1685-1724) – mais uma personagem esquecida – que “inventou a “Passarola” e a apresentou à Corte Portuguesa no recuado ano de 1709.

O Padre Bartolomeu de Gusmão (BG) nasceu em Santos, Brasil – na altura território português – e estudou com seu irmão Alexandre no seminário jesuíta da Baía.

Nele, foram discípulos do seu reitor o Padre Alexandre de Gusmão (que lhes concedeu o apelido), notável político, diplomata e escritor (1695-1752), que foi o artífice do importante Tratado de Madrid, de 1750, ao qual se deve a actual unidade geopolítica brasileira.

BG desenvolveu as suas aptidões para a Física e para a Matemática tendo sido autor de diversos inventos.

Pela segunda vez em Lisboa, em 1708, tinha na sua ideia um projecto de largo alcance, inspirado no Princípio de Arquimedes, celebre sábio de Siracusa (287-212 a. C.).

Por petição sua, de 19 de Abril de 1709, BG pediu privilégio para um “instrumento para se poder andar no ar”.

Nasceu assim a “Passarola”, nome crismado de um desenho de sua autoria e que rapidamente se propagou, galgando fronteiras.[2]

O projecto é apoiado pelo jovem Rei D. João V, que recebe o nosso padre em audiência, nesse mesmo ano.

Seguiram-se seis experiências com vários protótipos, no segundo semestre de 1709, dentro e fora do palácio real, perante toda a Corte e membros da comunidade científica e académica.

Deste modo elevaram-se no ar vários tipos de balão esférico cheios de ar quente aquecido na base por diversos processos.

Alguns incendiaram-se.

A “célebre” inveja, sem dúvida o pior defeito social português, que medra sobretudo nos medíocres, que levaram à chacota, acompanhadas de suspeitas de heresia lançadas pela Inquisição e de BG ter “pacto com o diabo”, impediram que o projecto se desenvolvesse e ainda trouxeram dissabores ao inventor, que aproveitou para ir viajar pela Holanda, França e Inglaterra.

Doutorou-se, em 1720, em Cânones, na Universidade de Coimbra.

Sempre com o favor do Rei é elevado a Capelão - Mor da Capela Real; é enviado extraordinário à Cúria Romana e nomeado sócio efectivo da Academia da História, em 1723.

Novas intrigas na Corte levam a que se auto exile em Espanha onde morre aos 38 anos.

Jaz em Toledo, em campa rasa.

Esta é uma breve história de tão notável personagem.

Não é só o seu invento, que precedeu aquele dos irmãos Montgolfier, em 74 anos, que justifica ser considerado o “pai” da aviação portuguesa, é também o seu fundamento científico e o seu pensamento estratégico, talvez a primeira vez que, no mundo, alguém teorizou naqueles termos, sobre a utilização do “mais pesado do que o ar”.[3]

Por tudo isto bem parece que a figura deste “nosso maior” – que hoje pode ser considerado luso-brasileiro – deve ter um lugar de destaque em tudo o que se venha a fazer no âmbito dos 100 anos da Aviação Militar, em Portugal.

Finalmente a ideia:

O de obter da eventual família e das autoridades espanholas, a autorização para a transladação dos restos mortais de BG de Toledo para solo Pátrio – a FA disso se encarregaria (em desejável comunhão de esforços e sentir, por parte da Aviação Civil).[4]

Três locais afluem à ideia como desejáveis para a sua morada final:

O Panteão Nacional; a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Benfica, que é a Igreja da FA; e a nossa preferida: a capela da Nossa Senhora do Ar, na Granja do Marquês, em Sintra, onde está a respectiva imagem, entronizada em cerimónia realizada a 20 de Outubro de 1995.[5]

Para além disso situa-se na Base Aérea 1, a mais antiga base aérea do País, sendo vizinha do Museu do Ar e da Academia da FA, hoje casa mãe de todos os oficiais deste Ramo.[6]

Tudo isto podia ser tratado, ou ajudado a tratar por uma “Academia Aeroespacial”, justamente com o nome de BG, caso existisse, e as invejas e a “inquisição” contemporâneas, não tivessem achado a ideia ruim, apesar de não terem chamado o diabo em seu auxílio.

Bartolomeu de Gusmão merece, a Força Aérea merece e todos nós também deveríamos merecer.




[1] A Aeronáutica Militar foi criada pela Lei nº 162 de 14 de Maio; a Aviação Naval nasceu em 28 de Setembro de 1917.[2] Foi publicado, por ex., no periódico alemão “Wilnerische Diàrium”.
[3] Os irmãos Montgolfier, usando a mesma tecnologia que BG, passaram a ser considerados internacionalmente, os percursores da aerostação, ao elevarem um balão com dois ocupantes, em Paris, no ano de 1783.
[4] Também se torna necessário solicitar ao Governo Brasileiro a transladação de parte dos restos mortais de BG, transladados, em 2004, para o Brasil onde jazem na Catedral Metropolitana de S. Paulo…
[5] A imagem de Nossa Senhora do Loreto foi considerada padroeira de todos os aviadores (no mundo) e venerada como “Nossa Senhora do Ar”.
[6] Aproveitamos para salientar que o Museu do Ar foi distinguido em 2013, “ex-áqueo” com o Museu Machado de Castro, com o prémio da APOM – Associação Portuguesa de Museologia. O que também não mereceu o relevo devido.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A CONSEQUÊNCIA MAIOR DA BATALHA DE WATERLOO OU OS IMPONDERÁVEIS DA GUERRA

CRISTOVAO COLON - CURSO


OS CHEFES MILITARES E A MATEMÁTICA

“Não se deve pedir a inteligências jovens o que a história do pensamento humano demonstra requerer tempo, exercício e adequada adaptação mental”.
Ruy Pastor, Pi Calleja e A. Trejo In, “Analisis Matemático”.

 
Eis um bom tema para final de ano…
 
Num curto espaço de tempo vai assistir-se a uma mudança múltipla no topo da hierarquia militar.
 
Deixando de fora o “pormenor” de nenhum general dever ter aceitado ser promovido sem que o normal sistema de promoções nas FA fosse reposto em vigor – uma das mais graves indignidades a que os militares estão a ser sujeitos – eis, sucintamente, o ponto de situação actual.
 
O Almirante CEMA terminou o seu mandato e foi para casa. Não o quiseram reconduzir e, aparentemente, ele também não o queria. Fartou-se.
 
Para o seu lugar, os da área do Governo, alinharam um candidato e das bandas do EMGFA, terá surgido outro.
 
Não havendo entendimento o “juiz de Belém” aparentemente optou por um terceiro, o Almirante Macieira Fragoso, a quem desejamos as maiores venturas.
 
Andam para aí uns quantos agoniados, ruminando que é católico, coisa que o Estado laico (ou maçónico?) obviamente condena.
 
Toda a gente, aliás, sabe que não há qualquer tipo de discriminação racial, religiosa, ideológica, partidária ou de sexo, na nossa democratíssima sociedade!
 
Quanto muito pode haver é preferências…
 
Bom, algures por Fevereiro terminam os seus mandatos os Generais CEMGFA e CEMFA. Este último deve estar condenado a ir para casa, dado que o CEMGFA já não deve tercer armas por ele e, sobretudo, por causa do desaguisado ocorrido aquando do seu discurso no pretérito dia da FA, em Leiria, que resultou numa má-criação ministerial.
 
Acto que devia ter correspondência em assertiva e adequada resposta, o que constituiu mais um acto falhado em que as chefias militares têm sido férteis e que tem levado ao abuso por parte de ignaros e petulantes políticos.

 
Para além disso, da sua substituição tem dado conta – até já com um nome do putativo substituto – uma das eminências pardas da área governamental, nas suas arengas a quem o quer ouvir.
 
A questão mais complicada, porém, vai ser a substituição do CEMGFA.
 
Por rotação tradicional – mas não obrigatória – cabe a vez a um oficial da Armada, ocupar o lugar.
 
Acontece que tal obriga a promover outro Vice - Almirante a quatro estrelas e a passar o recém - empossado (ou não – tudo é possível…) para o 6º piso do edifício onde, em tempos, se controlava um “império”.
 
Mas, sobretudo, porque parece haver interessados em colocarem o actual CEME em tal lugar, onde já esteve como chefe de gabinete de um outro CEMGFA (aliás, anos em gabinetes é coisa que não falta no seu currículo). Amor com amor se paga.
 
Nessa hipótese, o leque de escolhas para um novo comandante do Exército, é estreito, havendo uma opção óbvia (que não vamos revelar) caso os poderes instituídos quiserem uma pessoa séria e capaz para o lugar.
 
A não ser que esperem pela aprovação do novo EMFAR – vislumbro um desastre em que qualquer ficção será ultrapassada pela realidade – em que só as praças devem ficar de fora dos passiveis de serem escolhidos…[1]
 
Mudar o Comandante da GNR para CEME, também é opção, embora tal hipótese deva ser descartada pela necessidade em dar alguma estabilidade no agitado, e cada vez mais indisciplinado, mundo das Forças de Segurança.
 
Sem embargo, no meio disto tudo soube-se que um diligente oficial, com larga experiência em números, teria feito as contas referentes à passagem à reforma do General CEMGFA – face à imprevisibilidade extrema do futuro das pensões de reforma e reserva, que o granel estabelecido nos últimos anos exponencia – e que este estaria na disposição de sair já no fim do ano, de modo a não perder cerca de 700 euros.
 
Sossegados os espíritos pela sua, aparente, não saída, faltando apenas saber se lhe prometeram alguma coisa, face à sua decantada “tranquilidade” relativamente a todos os atropelos que se vão cometendo para com a Instituição Militar (IM), resta elaborar umas quantas reflexões.
 
O facto de um chefe militar ponderar abandonar ou não, o serviço activo, por razões financeiras, não parece dever admirar ou chocar ninguém.

 
São os sinais dos tempos e a espuma da época.
 
Tal representa o estado a que nos têm tentado reduzir como seres humanos e como sociedade. O “Deus Mamom” tem sido posto nos altares, pelos luciferinos que por aí pontificam.
 
Por outro lado, que pode levar um general ou almirante, nos tempos que correm, a almejar chegar a chefe de estado - maior? O que lhe sobra para comandar? Que autoridade tem? Que dignidade institucional ou social possui? Que competências lhe restam?
 
Muito poucas, praticamente nenhumas!
 
E com o novo EMFAR e restantes alterações legislativas que se preparam, hão-de ser passados a ferro…
 
Ter estomago para aguentar tudo isto (e o que se prenuncia) varia inversamente com a vergonha na cara ditada pelo carácter.
 
 Ou seja, só se entende que um oficial general aceite um lugar no topo da hierarquia se estiver na firme determinação de fazer frente e tentar mudar a política errada, há muito seguida relativamente à Defesa e Segurança Nacionais (e à própria destruição do País), que está a liquidar a IM. E a minimizar os militares e a humilhar as chefias, com constantes desconsiderações e atropelos.
 
Veremos onde está o coração do CEMGFA, que há décadas é um observador crítico de tudo o que se tem passado nas FA, ou se está apenas à espera de uma qualquer prebenda fora de portas, como parece estar na moda.
 
****
E é nas considerações finais que entra a matemática e os métodos dedutivos, nomeadamente aritméticos.
 
Relembremos conceitos:
 
Axioma (do grego axioma), proposição cuja verdade é evidente – ou seja, não carece de demonstração;
 
Teorema (do grego théorêma), é uma proposição que precisa de ser demonstrada para se tornar evidente;
 
Tese (do grego thésis), proposição para ser defendida; conclusão de um teorema;
 
Hipótese (do grego hypóthesis), suposição admissível de que se tira uma consequência.
 
Para o que queremos provar, começamos por definir o nosso axioma e que é este: “Um General é sempre um General, mesmo em cuecas”.
 
Daí passamos para o teorema: “Um General é uma máquina de decisão”.
 
Formulamos uma Hipótese: “Um General que não decida, não serve para nada”.
 
E, finalmente a Tese: “Os Generais vão desaparecer”.
 
Demonstração:
Se um general é uma máquina de decisão deve ter algo sobre que decidir;
 
Esse “algo”, é definido superiormente bem como o âmbito a que se aplica;
 
Mas se, superiormente lhe é retirado sucessivamente o “algo” até não restar coisa alguma, o âmbito sobre que decidem é “zero” o que, não obstante ser um número inteiro representa “nada”;[2]

Ora tal retira e impede, à partida, qualquer “objecto” sobre o qual possa incidir a capacidade de decidir de todo e qualquer general;
 
De onde se pode deduzir, inferindo-se, que um general, nessas condições, não serve para nada;
 
Não servindo para nada, um general carece de objectividade analítica, logo de sustentação matemática.
 
Mesmo considerando o “infinito” resultante da divisão de uma decisão por zero, não é demonstrável a sua necessidade ao equilíbrio do Cosmos.
 
Logo os generais vão desaparecer.
 
C. q. d..[3]

Como o Professor Vidal deve estar orgulhoso de mim![4]

Não se cuidem não…
 


[1] EMFAR – Estatuto dos Militares das FA
[2] Segundo a “Escola Formalista”, onde pontificou Giuseppe Peano (1858-1932), “zero” como “conceito primitivo” representa um “ente matemático”, fundamentado por cinco axiomas, um dos quais o considera um “número”. Espero que tenham entendido.
[3] Como se queria demonstrar…
[4] Saudoso Catedrático da 1ª Cadeira – Matemáticas Gerais; do então 1º Ano Geral da Academia Militar e um dos terrores do “Zé cadete”.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O DELÍRIO NA SEGURANÇA E NA DEFESA


Luís Farinha, novo director PSP
Cada cavadela, sua minhoca…

O Senhor Ministro da Administração Interna demitiu o Director Nacional da PSP, na sequência dos lamentáveis incidentes ocorridos durante uma manifestação de membros das Forças de Segurança, junto à Assembleia da República (AR).[1]

Numa situação normal quem atinge o topo da carreira, num caso destes, passa à reserva/reforma, e vai para casa ou procura emprego no privado.[2]

Acontece, porém, que o ex-director pertence a uma geração nova que subiu depressa, andando na casa dos 40-50 anos e nem sequer têm tempo de serviço para se reformarem.

Como a demissão não veio acompanhada de outra pena que obrigue ao abandono do serviço activo, isto quer dizer, que lhe têm que arranjar colocação. Ora arranjar colocação dentro da PSP a quem já foi seu director, não é lá muito fácil e curial…

Aquele facto (chegarem novos a posições que devem ser ocupadas por pessoas com outras idades, experiência e currículo) deriva da gestão do pessoal que tem sido seguida há muitos anos, cuja preocupação maior foi correr com todos os oficiais oriundos do Exército, do seu seio, sem dar tempo a que a pirâmide hierárquica se compusesse com os novos quadros formados na Escola Superior de Polícia.[3]

Deste modo faltam oficiais superiores na PSP que possam ocupar todos os cargos e daí também ser complicado fazer mexidas nas diferentes áreas, e até na dificuldade em substituir o próprio Director.[4]

Acresce ainda, que o agora demitido, tinha sido convidado pelo ministro para ocupar o cargo deixado vago por outro director que ele, ministro, também tinha demitido! A sua saída arrastou outrossim, a do último Superintendente-Chefe oriundo do Exército.

Por outro lado, ficou afastada a hipótese de se recorrer a um civil para colocar novamente à frente da PSP, presumo que pelas más experiências havidas, que levaram novamente à escolha de um profissional da casa, o Superintendente – Chefe Oliveira Pereira, cujo desempenho mereceu o encómio geral.

Enfim, não deixa de ser caricato que o director que se foi tenha sido obsequiado com uma sinecura em Paris, que nenhuma necessidade de serviço parece justificar. Antes pelo contrário, dá ideia de que o “crime compensa”, que tudo o que se passou foi combinado (incluindo, a outro nível, o “teatro” da subida da escadaria da AR, pelos manifestantes, seguida da sua descida quase imediata) e que no meio da nomeação para o desterro gaulês, anda a mãozinha de uma qualquer fraternidade discreta.[5]

E não deixa de ser curioso verificar que os cargos de adido de defesa e militar, tenham andado a ser reduzidos substancialmente, há anos, com a desculpa da falta de verbas e, ao mesmo tempo, crescem como cogumelos cargos de adidos para elementos das forças e serviços de segurança, dotados de um estatuto superior aos primeiros.

Sempre com uma passividade por parte da hierarquia militar, semelhante àquela que o Comandante Supremo observou nas vacas açorianas, numa das últimas visitas ao Arquipélago.
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Não havendo militares na PSP, alguém se esqueceu da necessidade de recrutar/formar pessoal em economia e gestão que, ao mesmo tempo, percebessem algo da Instituição e pudessem integrar-se facilmente na cadeia de comando, perdão, direcção. Daí a dificuldade no recrutamento de profissionais para tais funções; talvez ainda se lembrem de pedir alguém “emprestado” à GNR, com essas habilitações, apesar da lamentável “guerra surda” existente entre as duas principais Forças de Segurança do país.

Quem não tem dúvidas nenhumas de como há-de fazer as coisas é o portentoso Ministro da Defesa, Aguiar traço Branco o qual, apesar de não faltarem nas FA oficiais de Administração Militar, Aeronáutica e Naval (alguns até, com especialização em gestão hospitalar), não foi de intrigas e pimba, meteu logo um civil (ignoramos se com guia de marcha do seu escritório de advogados) a tratar das contas dessa glória do Executivo, que dá pelo nome de Hospital das FA!

Parece ainda, que com um semblante sereno e feliz, da hierarquia militar, também observado nas pachorrentas ruminantes de úberes seios, pelo nosso Maior, nos verdes prados das ilhas encantadas.
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No entretanto, soube-se através de notícia de jornal, que a PSP ia adquirir, lanchas de fiscalização.

Afinal as lanchas vieram a revelar-se serem motas de água e semirrígidos que evitem aos policiais molharem os apêndices em determinados locais onde tenham que se deslocar.

Congratulemo-nos, pois basta a triste guerra surda (outra) entre a GNR e a Armada, por causa da Autoridade Marítima – a que até agora ninguém pôs cobro – para vir agora a PSP a querer imiscuir-se, também, no campeonato de se saber quem fiscaliza as águas (seria mais uma semelhante à dos blindados, supostamente adquiridos em razão da cimeira da NATO, em Lisboa…).

Como Deus não dorme, mal se deu o anúncio desta hipotética compra (acompanhada de “drones”- esperamos que um dia, um destes brinquedos não embirre com um avião em aproximação à Portela) foi notícia o roubo de vários motores de barcos de recreio/pesca, acostados perto de Vila Franca de Xira.

Eis senão quando, as três Instituições mais entusiastas pela vigilância marítima e lacustre vieram declarar-se incompetentes para investigar tão funesto crime.

A Polícia Marítima, porque no seu normativo aplicável ao Porto de Lisboa estipular que a sua área de intervenção para montante do rio Tejo termina à vertical da Ponte Marechal Carmona, o que não acontece no caso vertente, dado as “barcoletas” estarem abicadas a norte da mesma; a PSP e a GNR, alegando que o roubo se efectuara em terrenos da Companhia das Lezírias, cabendo metade desses terrenos à jurisdição de cada uma das forças e não haver entendimento preciso sobre que pedaço…

A superior gestão política do sistema que nos rege, neste caso a AR, prevendo que tais casos (e outros) pudessem ocorrer – não lhes passando pela cabeça sequer, que tais detalhes devessem ser dirimidos, fácil e atempadamente, no âmbito dos respectivos ministérios – inundaram o país de “entidades reguladoras” com os mais diferenciados nomes.

Para o âmbito em apreço parece existir um órgão, o SSI, Sistema de Segurança Interna que, seguramente por falta de tempo, ainda não conseguiu resolver um problema que se arrasta há décadas: o da definição da exacta competência de cada polícia, melhor dizendo, de cada um dos órgãos com intervenção na Segurança do País.
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O Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB) de Lisboa vai ser comandado por um Tenente Coronel de Infantaria, da GNR.

O caso em si aparenta ser “esquisito” apenas pelo ineditismo da coisa, já que a lei que regulava tal especificidade foi mudada a fim de a tornar mais flexível quanto à escolha de quem possa ocupar tal lugar.

De facto é a primeira vez que um oficial da GNR vai comandar os bombeiros, o que deixou de ser estranho desde que descobriram que os militares da “Guarda” além dos muitos “incêndios” onde actuam, também podiam combater aqueles formados pelas chamas…

E o oficial em causa até já tem algumas competências neste âmbito, e no da Protecção Civil.

Mas um olhar mais atento destapa coisas que deviam merecer reflexão.  

De facto, quase desde as calendas gregas, que o RSB (atente-se à terminologia militar) era comandado por dois oficiais do Exército, obrigatoriamente oriundos da Engenharia Militar (idem para o Porto).

A racional para tal, deriva não só do facto da organização dos bombeiros profissionais ser semelhante à militar mas, sobretudo, porque o RSB estar destinado a combater os fogos urbanos e a ter responsabilidades no âmbito das inspecções e licenciamentos de edifícios, etc..

Ora nada mais ajustado para tal do que um oficial daquela Arma, em comissão civil na Camara – não consta até, que os nossos antepassados fossem menos inteligentes, ou mais estúpidos do que os contemporâneos…

É certo que a actual nomeação já tinha um antecedente, na pessoa que agora é substituída, um Coronel de Infantaria do Exército de quem não se conhecia qualquer atributo especial para o cargo, a não ser estar casado com um “girl” de um partido político, então em funções no Ministério da Defesa.

Devemos, contudo, levar tal facto à conta de uma coincidência conjuntural, aliás rara na nossa sociedade, como todos sabem.
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Na história, muito mal contada, do embarque de 74 alegados cidadãos Sírios, sem estarem na posse de documentação legal requerida, num avião da TAP, em Bissau e seu transporte para Lisboa – que merece uma investigação detalhada a vários níveis – pergunta-se, e vamos ficar por aqui:

Porque é que os mesmos não foram devolvidos de imediato, àquela ex-província portuguesa (ao menos assim podemos chamar-lhe uma coisa decente) cobrando-lhes os custos desta vigarice monumental, em vez de os estarem a cobrar (mais uma vez) ao contribuinte já sem escalpe, em que virámos quase todos?
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Não parece ser despiciendo afirmar que se devem ponderar as medidas que se tomam e as alterações que se façam, no sentido do bem comum e da melhoria dos serviços prestados e da missão atribuída (e estabelecendo regras institucionais) e não de conveniências aleatórias de momento.

Enfim, para não parecer que a Administração Pública anda em roda livre como se fosse uma “aldeia de macacos” onde nenhum sabe qual é o seu galho e o que faz.

Haja Deus!



[1] Não vale a pena virem dizer que foi o Director da PSP que pôs o cargo à disposição…
E parece que a maioria dos manifestantes era constituída por guardas prisionais.
[2] O então Director nem sequer era Superintendente-Chefe (o equivalente a “general”), mas apenas Superintendente. Aliás, não há neste momento nenhum Superintendente – Chefe…
[3] Esta Escola tem tido um recrutamento de luxo e foi necessário lutar muito para que o seu ensino fosse adequado, pois no início – e só para dar um exemplo – não foi nada fácil SEQUER impor um programa de educação física pois fazia lembrar “militarices”…
[4] O actual é do curso a seguir ao do que saiu e, curiosamente, era o chefe da unidade da PSP que devia ter actuado nas escadarias da AR, embora não fosse o responsável directo da operação montada, que cabia ao então comandante de Lisboa (que foi para o lugar dele).
Antigamente a PSP tinha um “Comandante” mas desde que um dos piores ministros de sempre – um tal Alberto Costa - teve a aleivosia de empurrar o digno General Gabriel Teixeira para fora do cargo, passou a ter um “Director”. Sinais dos tempos…
[5] Não deixa de ser relevante notar que já tinha havido uma manifestação dos “indignados”, em 11/10/11, que subiram a escadaria da AR e nada aconteceu, ficando tudo como Deus com os Anjos…