Convinha, pelo menos, não nos baixarmos mais do que já estamos...
Este blogue apresenta os pensamentos, opiniões e contributos de um homem livre que ama a sua Pátria.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
PORQUE NÃO SE GOVERNA?
“Quem está no convento é que sabe
o que lhe vai dentro”
“Quem não tem vergonha, todo o
mundo é seu”
Provérbios portugueses
Nas “centenas “ de análises já
efectuadas sobre a crise, vindas de todos os quadrantes de pensamento, já se
chegou a um entendimento genérico – embora não se tenham feito sínteses de
conhecimento e apreciações globais da situação – das causas porque estamos na
actual fossa económico- financeira, que tem a sua origem mais funda, no
desregulamento moral generalizado.
Apesar das torrentes de lucubrações
vertidas em papel, imagem e som – e vamos ater-nos ao que se passa nesta zona
mais ocidental da Europa, aliás distinta da “Europa do Sul”, onde à viva força
nos querem incluir…), dois aspectos existem que não foram devidamente
individualizados e explicitados.
São eles os negócios e os ciclos
eleitorais.
A noção de que as pessoas que
ocupam, sempre transitoriamente, os cargos do poder político, nomeadamente o
PR, o Governo, o Parlamento e as Autarquias, estão lá para cuidar da
“Respública” e para servir a causa pública, é uma noção que deixou de
existir, de se ensinar, muito menos de se levar a sério.
Nalguns casos até nem suscita
mais do que um sorriso irónico-sarcástico…
O que norteia a maioria da classe
política aparenta ser os negócios. Ora nada melhor para os negócios, do que se
poderem sentar à mesa do orçamento e ter as “chaves” na mão para poder decidir
segundo as conveniências.
Face aos negócios (e negociatas)
tudo o resto passa a segundo plano – até porque a ignorância da generalidade
dos candidatos a políticos sobre uma quantidade de saberes que lhes são
fundamentais, é notória.
Ora estando a prioridade voltada
para os negócios, melhor dizendo, as negociatas, que tempo resta para governar,
isto é, definir as grandes linhas de orientação política e estratégias para as
implementar, harmonizando-as?
Em síntese fazer um pouco pela
Segurança, Justiça e Bem-Estar (por esta ordem) que representam as funções
“clássicas” do Estado, sendo para isso que são eleitos e se lhes paga!
Sem embargo, nada melhor do que
um negociozinho para amenizar a maçada da governação!...
Se alguma coisa a população ainda
beneficia com este regime advém das promessas eleitorais, embora pouco, como
iremos ver.
E assim entramos na questão dos
ciclos eleitorais que fazem parte das despesas da Democracia (há quem lhes
chame custos).
As eleições passaram a ser o
cerne do sistema, pois é onde se consegue a tão almejada “autoridade
democrática”, que justifica a outorga do Poder, em vez de serem apenas o elo
final em que a governação é aferida e as elites políticas se renovam.
Para se fazerem negócios
(chorudos), todavia, é necessário estar no Poder e para estar no Poder é
preciso ganhar eleições.
Acresce que estas são, nada mais,
nada menos, do que cinco, e com prazos intercalares curtos (e que as crises
políticas ainda fazem proliferar), a saber:
Para a PR (cujo inquilino passa a
dizer que é de todos os portugueses, o que quase ninguém leva a sério); AR, (de
onde se forma o Governo, e nas quais os eleitores conhecem o chefe do partido e
pouco mais); Autarquias (principal viveiro de “boys e girls”) e, ainda, para um
edifício algo indefinido, em Estrasburgo, que toma o nome de Parlamento Europeu
(uma espécie de armazém de “boys e girls”, onde estes “estagiam”, ganham
dinheiro, servindo fundamentalmente para enviar gente a quem se quer dar um
rebuçado, ou ver longe).
E que custa aos europeus, os
olhos da cara.
Para o “sempre em festa” ficar
completo, não podemos deixar de lembrar as eleições dentro de cada Partido e
respectivas campanhas eleitorais.
Este verdadeiro “filme de terror”
é suficiente, por si só, para nos fazer querer emigrar para a Polinésia!
Concluindo, o tempo que resta
fora do tratamento dos negócios – que se espraia ainda na blindagem do sistema
(sobretudo a independentes); fazer leis a corte e costura e estabelecer redes
de tráfico de influências, que passam geralmente por instituições financeiras,
escritórios de advogados e empresas públicas – é gasto em campanha eleitoral.
Esta espécie de circo está quase
montado em permanência, o que origina uma cacofonia indigesta à qual já ninguém
liga, acredita e suporta.
Eis pois, em toda a sua
verdadeira grandeza, os dois grandes assuntos em que a classe política se
esgota e, por isso, simplesmente não governa.
Congeminou-se a figura do PR com
poderes semelhantes a um Rei constitucional – mas sem sequer as vantagens deste
– o qual passa a vida a desculpar-se de que não pode fazer nada, apesar de,
“agora”, saber tudo como deve ser feito, sem que, no entanto, o tivesse feito
quando tinham poderes para tal…
Um espanto.
Como é tudo democrático –
imaculada palavra esta – está tudo bem, portanto. E praticamente ninguém quer
discutir seja o que for - presumo que já tenham reparado - o que representa a
negação da própria essência do conceito!
Enfim, bem se ouve a “vox populi”,
“eles não estão lá para governar mas para se governarem”.
Ainda dizem que o povo é quem
mais ordena.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
OS CORIFÉUS DO REGIME, SABEM DO QUE FALAM? (CONCLUSÃO)
“Se aquilo que vais dizer vale tanto como o
silêncio, é preferível, ficares calado”.
Apesar da “Doutrina Corporativa” falar em “Democracia Orgânica – conceito, de resto, pouco e mal explicado – o Professor Salazar nunca escondeu a sua pouca simpatia pela Democracia.
Tem origem nos “Iluministas” e “Racionalistas” do século XVIII (apesar de se poder recuar a Sir Francis Bacon, 1561-1626, e à “Revolução Gloriosa”, de 1688) os quais através da organização maçónica, desencadearam a 1ª Revolução com essa inspiração, nas 13 colónias inglesas, na América, em 1776.
E não parece que nos tenhamos governado pior.
Confúcio
De facto o Regime saído do Estado
Novo (EN) não era, sobretudo pelos parâmetros actuais, um regime democrático.
Mas só com regimes democráticos se governam países?Apesar da “Doutrina Corporativa” falar em “Democracia Orgânica – conceito, de resto, pouco e mal explicado – o Professor Salazar nunca escondeu a sua pouca simpatia pela Democracia.
Nisto reside uma primeira
vantagem, nunca se fizeram passar pelo que não eram…
Sem embargo, acreditará o Dr.
Seguro que vivemos, hoje em dia, em Democracia? E saberá caracterizar o seu
conceito de Democracia? É que há para aí muitos!
Vejamos se consigo estipendiar
algumas ideias, para que cheguem às cavidades auriculares do já quase ilustre
beirão.
O conceito de Democracia, apesar
de se falar nos gregos – melhor dizendo, nos homens livres de Atenas – é
moderno, apesar de já estar velho.Tem origem nos “Iluministas” e “Racionalistas” do século XVIII (apesar de se poder recuar a Sir Francis Bacon, 1561-1626, e à “Revolução Gloriosa”, de 1688) os quais através da organização maçónica, desencadearam a 1ª Revolução com essa inspiração, nas 13 colónias inglesas, na América, em 1776.
Seguiu-se a Revolução Francesa e
a coisa nunca mais parou até hoje, onde se tenta “vender” o produto a negroides
de África; revolucionários Latino- Americanos; asiáticos Budistas, Xintoístas e
outros e, aqui é que a porca tem torcido o rabo, a muçulmanos, para cuja
maioria a “Sharia” tem primazia sobre tudo o mais.
E, claro, chocando gravemente com
a Igreja Católica no plano Teológico e Teleológico… Mas, enfim, esse é outro
patamar de discussão.
Em síntese estas ideias
pretenderam e pretendem, uniformizar todas as religiões (tidas como grandes
responsáveis pelas guerras – daí o presumível conceito do “Grande Arquitecto do
Universo”); colocar o Homem no centro da vida (Andro centrismo), em detrimento
de Deus (Teocentrismo) – incitando até o Homem a igualar-se a Deus (“à sua
imagem e semelhança”), quiçá a desafia-lo.
Privilegia-se o indivíduo em
detrimento da família, conceito mais tarde alargado à Nação – que não é mais do
que um conjunto de famílias, unidas por um destino comum; substitui-se os Dez
Mandamentos pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e o Direito Natural
pelo direito do voto, como fonte do Direito ao exercício do poder.
Ser Rei por “graça de Deus” era
um método que dificilmente podia ser condicionado; todavia se houver eleição,
todo o processo pode ser influenciado, ou manipulado. Daqui resultou o ataque
ao Trono e ao Altar.
O Constitucionalismo não foi mais
que uma solução transitória: o Rei reinava mas não governava…
A situação clarificou-se (no
mundo Ocidental), no fim do século XIX princípio do XX: a República foi
implantada, à bomba, no Sul da Europa (por predominância católica) e por
cooptação das Monarquias, no Centro e Norte do mesmo Continente, já dominadas
por Reformistas, Calvinistas e Anglicanos.
Na Rússia foi-se mais longe,
extremando-se a república jacobina a que não se conseguiu opôr nenhum “Termidor”.
Chamaram-lhe “Comunismo” – também conhecido por “Democracia Popular”…
Pelo meio de tudo isto
inventaram-se os Partidos Políticos: o maior cancro social de todos os tempos!
Estes conceitos modernos – para a
altura – só começaram a vingar em Portugal, a partir de 1820, com o fim do
“Absolutismo” e o início do “Liberalismo”.
Ou seja, durante 700 anos
Portugal governou-se sem qualquer ideia de Democracia, como passou a ser
entendida após a guilhotina ter feito rolar mais cabeças em meia dúzia de anos,
do que a I
Inquisição fogueou durante três séculos.
E não parece que nos tenhamos governado pior.
Sobretudo através do modelo de
municipalismo e de convocação de Cortes, onde estavam representados os três
braços do Reino e a participação das “Corporações” na vida nacional, que se
desenvolveu desde o início da I Dinastia, constituía um modelo bem mais
representativo, logo democrático, daquele que temos nos dias que correm…
Foi pena que o Rei, Senhor D.
Pedro II, tivesse pegado no conceito absolutista – outra ideia importada – e
acabado com a convocação de Cortes, em 1698.
Quando o Rei, Senhor D. Miguel –
considerado o último absolutista – quis recuperar e retomar a feliz concepção
de Cortes - Gerais, em 1828, já não foi a tempo.
Foi um erro da Dinastia de
Bragança, mas é o que dá andar a copiar modelos alheios…
Ora o EN, isto é, o Dr. Salazar –
que pelos vistos era o único que “sabia o queria e para onde ia” – herdou este
estado de coisas e, ao contrário de ser um perigoso ditador, revelou um insuperável
equilíbrio e senso político – além de um patriotismo e probidade indesmentíveis.
E foi um estadista, na verdadeira
acepção do termo, como poucos existiram em todo o mundo.
A Constituição de 1933, garantia
todos os direitos básicos aos cidadãos mas dispunha de “cláusulas” de segurança
que limitavam, na prática, um número considerável de liberdades públicas.
Tal não se deveu apenas ao
espírito da época, caracterizado por uma grande conflitualidade ideológica,
onde as poucas democracias existentes se confrontavam com o antagonismo
irredutível entre comunistas e fascismos, melhor dizendo entre regimes
totalitários de esquerda e de direita mas, sobretudo, à realidade portuguesa do
último século.
Esta realidade tinha mostrado, à
saciedade, o mau uso que as forças políticas, consubstanciadas nos partidos
políticos, tinham feito das liberdades e liberalidades outorgadas, resultando
na anarquização de toda a vida política, económica, financeira e social da
Nação e na total decadência da Pátria.
A população estava farta (como
agora) de tanta bagunça e declínio e, por isso, aceitou maioritariamente e de
boa mente, todas as reformas efectuadas.
O EN acabou com os partidos – por
culpa exclusiva do seu péssimo comportamento – e tentou substituí-los, não por
um partido único, mas por uma organização onde pudessem germinar e ser
discutidas as melhores opções para o futuro do país, além de poder vir a ser um
viveiro de quadros que pudessem vir a desempenhar cargos políticos.
A ideia parecia boa embora a sua
execução deixasse muito a desejar.
A ideologia e organização do EN tinham
muito a ver com a Doutrina Social da Igreja e pretendia fazer uma síntese
moderada, da livre iniciativa capitalista com as preocupações sociais do
Socialismo, e regular as relações entre o capital e o trabalho através do
entendimento, evitando as lutas de classes. E era, assumidamente, nacionalista
e patriota – o que é hoje considerado quase um crime…
Plasmou tudo isto no
“Corporativismo”, tentando repescar a tradição portuguesa, neste âmbito, fazendo
representar em Camara própria, as principais profissões e mesteres da sociedade
portuguesa: as “Corporações”.
Esta foi outra ideia que
entendemos cheia de potencial, mas que nunca foi bem estruturada, acabando por
ficar a meio caminho.
De tudo isto estavam excluídos
comunistas e anarquistas (estes com pouca expressão), por a sua essência ser
maléfica e anti – nacional.
De facto o PCP, criado em 1921,
era internacionalista e obedecia a Moscovo como, dramaticamente, podemos
constatar, às escâncaras, a seguir ao 25 de Abril de 74. E só deixou de
obedecer, porque Moscovo deixou entretanto de ser comunista, passando a ser
capital da Rússia e não da URSS.
Em síntese o PCP foi sempre um
partido anti-nacional e o seu comportamento cabe na designação de traidor à
Pátria a que diz pertencer.
O EN criou duas instituições que
foram fundamentais para a sua defesa e especialmente odiosas para os putativos
“democratas” e prosélitos da pouca - vergonha reinante até então: a PIDE/DGS e
a Censura/Exame Prévio.
Mas, também, neste caso não
parecem ter qualquer razão.
Uma polícia/serviço secreto ou o
que lhe queiram chamar, não foi a 1ª vez que existiu. Desde os primeiros reis
que existiram homens de mão que defendessem a estrutura do Estado e a Nação de
inimigos internos e externos. Lembram-se, por ex. do episódio da Inês de
Castro?
O melhor sistema montado até hoje
terá sido aquele que funcionou ao tempo do preclaro Rei, Senhor D. João II –
não é por acaso que ele é o patrono de todos os Serviços de Informação
Nacionais. E que dizer do Marquês de Pombal, do Intendente Pina Manique e da
secreta da 1ª República, só para citar estes?
Bom, a 1ª República então
esmerou-se: existia uma organização secreta, a Carbonária (uma espécie de braço
armado da Maçonaria); grupos de caceteiros, como aquele chefiado pelo “Pintor”
e o “Ai-ó-Linda”; a “formiga-branca”, a “camioneta fantasma”, etc. que faziam
as maiores barbaridades, a maioria das quais à margem da lei… Para além destes
havia uma estrutura legal criada em 1918, a Polícia Preventiva e a Polícia de
Emigração que tiveram evolução vária.
Mas isto não parece preocupar o
moço Seguro, possivelmente por nunca ter ouvido falar, tão pouco os seus mais
próximos.
Ora a PIDE, fundada em 22/10/1945
– com antecedentes na PVDE, de 1933, que se seguiu a várias polícias criadas
pela Ditadura Militar – era uma organização formada por gente treinada,
hierarquizada e que agia dentro da lei em vigor.
A repressão fez-se sentir com
mais virulência a partir do início da Guerra Civil Espanhola, quando o perigo
de comunização da Península Ibérica foi real e quando se desenvolveram em
Portugal várias formas de luta em apoio da causa republicana, que tiveram os
seus antecedentes na greve geral de 18/1/34 (com expoente na Marinha Grande) e
culminou com uma revolta de sovietes de marinheiros, em dois contra –
torpedeiros (18/9/36) e no atentado à vida do Chefe do Governo (4/7/37).
O perigo comunista era real e
disso até se aperceberam – tarde e a más horas – vários fundadores do PS, que
desertaram das fileiras do PCP…
Vivia-se então um clima de guerra
que nunca mais acabou (IIGM; Guerra Fria; Agressão a Goa, Damão, Diu, Angola,
S. João Baptista de Ajudá, Guiné, Moçambique, que configuraram as últimas
campanhas ultramarinas), em que a existência de “quintas colunas” era uma
realidade a ter em conta como, dolorosamente, muitos dos protagonistas do golpe
militar florido a cravos, se vieram a dar conta, no dia 26…
Esta ideologia incompetente e
maléfica, de implementação e exercício violento, foi responsável, à escala planetária
de numerosas guerras, barbaridades, extermínios, perseguições e desgraças sem
fim, que vitimaram centenas de milhões de seres vivos.
Comparar tudo isto e o perigo que
tal representou até à queda do muro de Berlim, em 1989, com os cerca de 40 mortos
contabilizados, que podem ser atribuídos a acção directa da PIDE/DGS (alguns
por doença), é um exercício de grande desonestidade intelectual.
Em 25/4/74 havia poucas dezenas
de presos, não propriamente por delito de opinião, mas por acções contra a segurança
do Estado e com direito a julgamento; no dia seguinte as prisões ficaram cheias
de gente presa sem culpa formada. Obviamente por pessoas que andavam nas ruas a
dar vivas à “Liberdade”…
Que durante 40 e tal anos muita
gente sofreu e foi perseguida, dadas as circunstâncias (haverá alguma época em
que tal não tenha sucedido?), é verdade; que terá havido excessos e injustiças,
não duvido e, alguns, até poderão dizer que bastava ter havido uma morte para
que tal fosse condenável. Será, mas tudo deve ser avaliado à luz da época e
ninguém disse, ainda, que a natureza humana é perfeita.
Todavia, pensem só por um
momento, se fosse ao contrário…
Já agora convinha ter em conta
que todos os países, mesmo os “democráticos” tinham e têm polícias idênticas. E
se forem ver a história de umas e outras talvez cheguem à conclusão que a PIDE
andasse mais pelos “brandos costumes”…
E se o Dr. Seguro pensa que as
coisas mudaram muito, um dia que, por mera hipótese – sabe que nesta coisa de
uma cabeça, um voto, tudo pode acontecer – venha a ser PM, peça a minha “ficha”
ao SIS e ao SIED, que eles logo lha entregam…
Sobre a Censura pode-se
argumentar do mesmo modo, com uma agravante: agora é pior.
No tempo do EN havia uma vantagem
substancial, a censura era assumida, tinha rosto e tinha regras; agora não, há
todo o tipo de censura e ninguém a assume.
As pessoas, porém, vivem iludidas
e contentes pois há, supostamente, liberdade de expressão. Haverá mas serve de
pouco, a não ser de escape.
Paralelamente à liberdade de
expressão existe a liberdade de manipulação; o dilúvio das notícias e o livre
curso da asneira. Este estado de coisas representa um verdadeiro labirinto para
o comum do cidadão!
E, na prática, para que tem
servido, de per si, a liberdade de expressão?
Antes de 1974 qualquer pequeno
escândalo atingia foros de cidade e as autoridades (incluindo os órgãos da
Justiça), melhor ou pior, agiam (o célebre caso dos “ballet rose”, ao contrário
do que muitos pintam, é disto um exemplo eloquente).
Pois nas últimas décadas, não passa
um santo dia em que não nos inundam com os maiores escândalos, corrupções e
todo o tipo de coisas que antigamente faziam corar de vergonha homens calejados
pela vida.
E que consequências daqui
derivam? Quase nada, praticamente ninguém reage - pela habituação, pelo
relativismo moral, pela falta de referências éticas e cívicas e porque já não se
acredita em nada.
Na melhor das hipóteses, há uns
casos que caiem nas malhas da Justiça e alguns chegam a tribunal. Creio não
precisar demorar-me a dizer o que isso, por norma, significa.
Por aqui me fico que a escrita
vai longa. Fino-me com uma pequena provocação:
Ao contrário do que foi afirmado
o regime político que teve origem no movimento militar ocorrido em 28/5/1926,
conseguiu tirar a Nação, da lama e o Estado, da sargeta onde se encontravam; o
actual regime de que o Dr. Seguro quer ser “prima - dona”, voltou a meter-nos
lá.
Eu compreendo que tudo o que
disse seja “areia de mais para a camioneta” do actual líder do PS, mas talvez
lhe sirva para pensar duas vezes antes de fazer comentários sobre o que julga
saber. Mas apenas julga.
A única coisa em que fica
empatado, é que se fosse Seguro a falar em “União Nacional”, a reacção do seu
congénere - qual “Dupont et Dupont”- Passos Coelho, seria a mesma.
Estamos conversados.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
OS CORIFEUS DO REGIME SABEM DO QUE FALAM?
“A Natureza é avara de homens
superiores e distribui com abundância homens medíocres”
Paul Bourget, para o Conde de
Haussonville, citando Bonald.
Ouvimos, há poucos dias, o PM
Passos Coelho fugir-lhe a boca para a verdade ao afirmar que precisamos de um
governo de “união nacional” (o corifeu Marcelo veio, célere, opinar que
preferia “unidade” em vez de “união”).
De imediato outros corifeus vieram a terreiro
polemizar que não gostavam da expressão, pois tal fazia-lhes lembrar a União
Nacional, que designaram por partido único que servira de esteio ao “Estado
Novo”.
Estado Novo que, segundo o líder do principal
partido da oposição, correspondia a um “dos períodos mais negros da nossa
História”.
Em favor da curiosidade
intelectual, até que gostaria de saber quais teriam sido os outros…
Néscio que sou, assaltaram-me
dúvidas sobre o que tal frase quereria dizer e procurei na memória, algumas
questões que pudessem justificar tão categórica afirmação do jovem “Tó Zé”, que
de seguro tem muito pouco – não parecendo haver no mercado ansiolíticos que lhe
aplaquem as ânsias em que anda, para se meter em S. Bento.
Coitado dele e de nós…
Escarafunchando no baú da
História – que, seguramente, a rapaziada das “Jotas” não tem tempo sequer de
entreabrir – verifiquei que o “Estado Novo” se institucionalizou em 1933, com a
aprovação, em plebiscito, de uma nova Constituição – consulta popular a que
nenhuma outra Constituição portuguesa foi sujeita, até hoje, desde 1822,
inclusive a de 1976 (cujo Parlamento onde se discutia, chegou a estar cercado
por uma multidão ululante).
Antes, porém, (de 1933) tinha
havido três “ditaduras”: a primeira apenas militar, entre 1926 e 28; depois uma
ditadura financeira, de 1928 a 32, a que se seguiu uma ditadura política entre
aquela data e o ano seguinte.
E porque terá havido uma ditadura
militar?
Bom, talvez o Dr. (creio que o
posso tratar assim) Seguro não acredite mas Lisboa, naquele tempo, parecia a
Bagdad actual, com bombas a rebentar nas ruas e tudo!
É possível que os seus mestres
políticos se tenham olvidado de lhe dizer, mas tal era resultado da “balbúrdia
sangrenta”, como antevira Eça, em que se transformara a I República que, em 16
anos conheceu 45 governos, dezenas de golpes e contra golpes militares, com
civis à mistura; assassinatos políticos q. b. (incluindo um PR e um PM),
participação escusada na frente de batalha europeia da IGM e a maior
conflitualidade político- social (sobretudo nas grandes cidades), que causou
grande disrupção na vida económica e uma bancarrota crónica, nas finanças, em
todo o mundo português.
Por junto o país estava exangue e
desqualificado em termos internacionais.
Este tinha sido o resultado
trágico da implantação da República a qual, segundo os seus próceres iria
trazer o paraíso a Portugal.
O Partido Republicano nasceu num
ambiente liberal (e de liberalidade) e podia actuar e exprimir-se à sua
vontade. Mas isso não lhe bastou: sem qualquer razão que o justificasse, tentou
subverter a sociedade de então, atacou miseravelmente a Família Real e, ajudado
por uma organização secreta de cariz violento (a Carbonária), provocou
atentados, tentativas de golpe de estado e acabou manchado com o sangue do
crime ignominioso, do regicídio.
Com estes antecedentes escabrosos
não admira que a República tenha dado no que deu.
Porém, já antes a Monarquia
Portuguesa, antiga de 700 anos, ficou ferida de morte, após a implantação do
Liberalismo, em 1820; a expansão dos ideais da Revolução Francesa, o ataque à
Igreja e três guerras civis.
Pior do que tudo isto, todavia,
foi que a Nação Portuguesa ficou refém e foi pasto das sociedades secretas,
maçónicas, que quebraram a unidade da Pátria e minaram os esteios da antiga
nacionalidade.
Enfim, os desastres e as barbaridades foram tais e tantas que se contam pelos dedos os portugueses que se aventuram pelas páginas do século XIX, que é aquele que a maior parte dos compêndios de História rapidamente saltam, sem embargo de merecer o mais demorado estudo e ponderação.
Enfim, os desastres e as barbaridades foram tais e tantas que se contam pelos dedos os portugueses que se aventuram pelas páginas do século XIX, que é aquele que a maior parte dos compêndios de História rapidamente saltam, sem embargo de merecer o mais demorado estudo e ponderação.
Creio que não necessito ir mais atrás para
enquadrar o que exponho.
Não sei como o Dr. Seguro – e o
rebotalho esquerdoíde que por aí andou, anos a fio, a falar da “longa noite” –
qualifica as épocas que muito pela rama descrevi, mas como chama ao Estado Novo
um período negro da História de Portugal, por certo que este teria que ser pior
do que aqueles; e, relativamente ao que vivemos, então nem se fala…
Fomos, novamente, ao baú da História e saiu
isto.
Em menos de dois anos o Dr.
Salazar – de longe o principal obreiro e ideólogo do Estado Novo – equilibrou o
orçamento (cujo “deficit” e dívida eram, apesar de tudo, menores do que
actualmente), o qual nunca mais “descarrilou” até 1974, ano em que, salvo erro,
o escudo era a sexta moeda mais forte do mundo; pagávamos a pronto; tínhamos o
crédito que quiséssemos, sem haver “ratings” que nos tolhessem, havendo em cofre
50 milhões de contos em divisas e mais de 800 toneladas de ouro.
Tudo isto apesar da depressão de
1929; a crise da libra, de 1931; a Guerra Civil de Espanha (1936-39); a II GM
(1939-45); 14 anos de operações militares em larga escala, em três teatros de
operações diferentes (1961-74) - fora a questão da Índia (1954-61) e ainda
devolvemos, em “cash”, em 1962, o pouco que usufruímos com o Plano Marshall…
Passemos à Economia.
Em 1926 a Economia, como tudo o
resto, estava arrasada em todos os sectores. As próprias infraestruturas
existentes – estradas, portos, caminhos - de - ferro, comunicações,
transportes, etc., que tinham tido algum desenvolvimento no fim da Monarquia
Constitucional, estavam num estado lastimoso. Algumas delas e outros serviços,
tanto na Metrópole como no Ultramar, estavam em mãos estrangeiras, sobretudo
inglesas.
Aliás, o País estava, na altura, perfeitamente
colonizado economicamente pela Inglaterra e, culturalmente, pela França. Também
foi o “Estado Novo” que operou essa “descolonização”…
Com as Finanças em ordem, deu-se
início à recuperação das infraestruturas atrás apontadas – sem as quais a
economia não se desenvolve – e cuidou-se do sector primário, pois este é a base
de tudo o resto e é necessário dar de comer à população todos os dias…
Parece que os políticos,
antepassados recentes do Sr. Seguro, se esqueceram destes pormenores!
Quando as infraestruturas estavam
prontas, nomeadamente a energia, começou a implantar-se a indústria. E, pela 1ª
vez desde Afonso Henriques, gizou-se um plano (chamado de fomento), a partir de
1951, devidamente estruturado, estendido no tempo e sustentado, que permitiu
desenvolver o sector secundário e, acompanhando-o, o terciário.
Tal veio a desenvolver-se, sempre
positivamente, não sendo sequer prejudicado pelas agressões ultramarinas a que
nos sujeitaram.
Em 1973 crescia-se a 7% ao ano e
em Angola e Moçambique era superior.
Não se fez tudo o que era preciso
fazer, mas fez-se tudo com calma, com segurança, institucionalmente e com
critério.
Não há notícias de escândalos com
negociatas, “comissões” individuais ou para o partido, derrapagens, engenharias
financeiras tipo “PPPs” ou outras.
A subversão comunista estava
posta em sentido, as multinacionais não faziam o que queriam e o capital
estrangeiro não mandava no Governo.
A corrupção, não sendo
inexistente, era combatida e estava controlada.
Tudo isto se conseguiu porque
havia ordem nas ruas, apesar das “quarteladas” se terem feito sentir até aos
anos 40 – após o país ter estado, na prática, em guerra civil por mais de um
século, não era fácil acabar com a agitação de um dia para o outro – e porque o
governo governava sem ter que passar a vida em lutas político-partidárias
estéreis e fratricidas.
Em termos diplomáticos o País
retomou o seu normal entrosamento na vida internacional, não se limitando ao
exercício das relações internacionais, como hoje maioritariamente acontece.
Tinha interesses a defender e defendia-os.
Atingiu até, picos de excelência,
nomeadamente durante a Guerra Civil de Espanha, na II GM, na entrada para a
OTAN, para a EFTA e quanto ao acordo com a CEE; e na defesa das parcelas
ultramarinas, que grande parte da comunidade internacional queria subtrair à
soberania portuguesa.
Neste âmbito só há a lamentar a
perda do Estado Português da Índia, e só ao fim de 14 anos de patifarias
culminando com um deplorável uso da agressão militar. Mesmo aqui não se pode
acusar os órgãos de soberania de qualquer comportamento antipatriótico.
Não consta ainda, que qualquer entidade estrangeira tenha interferido na condução da política nacional nem que o Governo Português alguma vez solicitasse ajuda seja a quem fosse.
Não consta ainda, que qualquer entidade estrangeira tenha interferido na condução da política nacional nem que o Governo Português alguma vez solicitasse ajuda seja a quem fosse.
Por acaso o Dr. Seguro imagina o
FMI ou a “Troika” a passear-se no Terreiro do Paço no tempo da “outra senhora”?
Tentando perceber o imaginário do
líder do PS, será que ele pensa que os tribunais há 50 anos levavam dez, para
julgar um assunto simples, como agora acontece?
Que a Segurança Social é uma
invenção pós abrilina?
Que os alunos e os pais dos
mesmos batiam nos professores, como acontece um pouco por todo o país e não
apenas na Musgueira?
Ou que muitos professores deviam
era estar no lugar dos alunos e que muitos destes chegam ao 12º ano a saber
menos do que eu sabia quando fiz a 4ª classe?
Pensará que as crianças ficavam
fechadas em casa, ociosas a comer guloseimas e hidratos de carbono, frente a um
visor qualquer, em vez de virem brincar para a rua com os amigos?
O Dr. Seguro pensará que se
andasse a passear em meados dos anos 60, no auge da chamada revolução sexual,
do movimento hippie, e da porcaria que representou o Maio de 68, em França,
encontrava alguém a injectar-se nas ruas da Mouraria?
Pensará que os cuidados de saúde
só passaram a existir depois de terem inventado o Serviço Nacional de Saúde?
(uma coisa, aliás, bem pensada, mas porque só agora começou a ser controlado e
aferido, está em vias de colapsar).
Diga-me, Dr. Seguro, o que lhe
vai na cabecinha para considerar, em qualquer área da sociedade, tais tempos como
ominosos?
Ah, creio finalmente ter
percebido um sussurro: o regime não era democrático!...
(Continua)
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