terça-feira, 1 de outubro de 2013

A ESPANHA, AS SELVAGENS e etc

Convinha, pelo menos, não nos baixarmos mais do que já estamos...

PORQUE NÃO SE GOVERNA?

“Quem está no convento é que sabe o que lhe vai dentro”
“Quem não tem vergonha, todo o mundo é seu”
Provérbios portugueses

Nas “centenas “ de análises já efectuadas sobre a crise, vindas de todos os quadrantes de pensamento, já se chegou a um entendimento genérico – embora não se tenham feito sínteses de conhecimento e apreciações globais da situação – das causas porque estamos na actual fossa económico- financeira, que tem a sua origem mais funda, no desregulamento moral generalizado.

Apesar das torrentes de lucubrações vertidas em papel, imagem e som – e vamos ater-nos ao que se passa nesta zona mais ocidental da Europa, aliás distinta da “Europa do Sul”, onde à viva força nos querem incluir…), dois aspectos existem que não foram devidamente individualizados e explicitados.

São eles os negócios e os ciclos eleitorais.

A noção de que as pessoas que ocupam, sempre transitoriamente, os cargos do poder político, nomeadamente o PR, o Governo, o Parlamento e as Autarquias, estão lá para cuidar da “Respública” e para servir a causa pública, é uma noção que deixou de existir, de se ensinar, muito menos de se levar a sério.

Nalguns casos até nem suscita mais do que um sorriso irónico-sarcástico…

O que norteia a maioria da classe política aparenta ser os negócios. Ora nada melhor para os negócios, do que se poderem sentar à mesa do orçamento e ter as “chaves” na mão para poder decidir segundo as conveniências.

Face aos negócios (e negociatas) tudo o resto passa a segundo plano – até porque a ignorância da generalidade dos candidatos a políticos sobre uma quantidade de saberes que lhes são fundamentais, é notória.

Ora estando a prioridade voltada para os negócios, melhor dizendo, as negociatas, que tempo resta para governar, isto é, definir as grandes linhas de orientação política e estratégias para as implementar, harmonizando-as?

Em síntese fazer um pouco pela Segurança, Justiça e Bem-Estar (por esta ordem) que representam as funções “clássicas” do Estado, sendo para isso que são eleitos e se lhes paga!

Sem embargo, nada melhor do que um negociozinho para amenizar a maçada da governação!...

Se alguma coisa a população ainda beneficia com este regime advém das promessas eleitorais, embora pouco, como iremos ver.

E assim entramos na questão dos ciclos eleitorais que fazem parte das despesas da Democracia (há quem lhes chame custos).

As eleições passaram a ser o cerne do sistema, pois é onde se consegue a tão almejada “autoridade democrática”, que justifica a outorga do Poder, em vez de serem apenas o elo final em que a governação é aferida e as elites políticas se renovam.

Para se fazerem negócios (chorudos), todavia, é necessário estar no Poder e para estar no Poder é preciso ganhar eleições.

Acresce que estas são, nada mais, nada menos, do que cinco, e com prazos intercalares curtos (e que as crises políticas ainda fazem proliferar), a saber:

Para a PR (cujo inquilino passa a dizer que é de todos os portugueses, o que quase ninguém leva a sério); AR, (de onde se forma o Governo, e nas quais os eleitores conhecem o chefe do partido e pouco mais); Autarquias (principal viveiro de “boys e girls”) e, ainda, para um edifício algo indefinido, em Estrasburgo, que toma o nome de Parlamento Europeu (uma espécie de armazém de “boys e girls”, onde estes “estagiam”, ganham dinheiro, servindo fundamentalmente para enviar gente a quem se quer dar um rebuçado, ou ver longe).

E que custa aos europeus, os olhos da cara.

Para o “sempre em festa” ficar completo, não podemos deixar de lembrar as eleições dentro de cada Partido e respectivas campanhas eleitorais.

Este verdadeiro “filme de terror” é suficiente, por si só, para nos fazer querer emigrar para a Polinésia!

Concluindo, o tempo que resta fora do tratamento dos negócios – que se espraia ainda na blindagem do sistema (sobretudo a independentes); fazer leis a corte e costura e estabelecer redes de tráfico de influências, que passam geralmente por instituições financeiras, escritórios de advogados e empresas públicas – é gasto em campanha eleitoral.

Esta espécie de circo está quase montado em permanência, o que origina uma cacofonia indigesta à qual já ninguém liga, acredita e suporta.

Eis pois, em toda a sua verdadeira grandeza, os dois grandes assuntos em que a classe política se esgota e, por isso, simplesmente não governa.

Congeminou-se a figura do PR com poderes semelhantes a um Rei constitucional – mas sem sequer as vantagens deste – o qual passa a vida a desculpar-se de que não pode fazer nada, apesar de, “agora”, saber tudo como deve ser feito, sem que, no entanto, o tivesse feito quando tinham poderes para tal…

Um espanto.

Como é tudo democrático – imaculada palavra esta – está tudo bem, portanto. E praticamente ninguém quer discutir seja o que for - presumo que já tenham reparado - o que representa a negação da própria essência do conceito!

Enfim, bem se ouve a “vox populi”, “eles não estão lá para governar mas para se governarem”.

Ainda dizem que o povo é quem mais ordena.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

OS CORIFÉUS DO REGIME, SABEM DO QUE FALAM? (CONCLUSÃO)

“Se aquilo que vais dizer vale tanto como o silêncio, é preferível, ficares calado”.
Confúcio
De facto o Regime saído do Estado Novo (EN) não era, sobretudo pelos parâmetros actuais, um regime democrático. Mas só com regimes democráticos se governam países?
Apesar da “Doutrina Corporativa” falar em “Democracia Orgânica – conceito, de resto, pouco e mal explicado – o Professor Salazar nunca escondeu a sua pouca simpatia pela Democracia.

Nisto reside uma primeira vantagem, nunca se fizeram passar pelo que não eram…
Sem embargo, acreditará o Dr. Seguro que vivemos, hoje em dia, em Democracia? E saberá caracterizar o seu conceito de Democracia? É que há para aí muitos!

Vejamos se consigo estipendiar algumas ideias, para que cheguem às cavidades auriculares do já quase ilustre beirão.  
O conceito de Democracia, apesar de se falar nos gregos – melhor dizendo, nos homens livres de Atenas – é moderno, apesar de já estar velho.

Tem origem nos “Iluministas” e “Racionalistas” do século XVIII (apesar de se poder recuar a Sir Francis Bacon, 1561-1626, e à “Revolução Gloriosa”, de 1688) os quais através da organização maçónica, desencadearam a 1ª Revolução com essa inspiração, nas 13 colónias inglesas, na América, em 1776.

Seguiu-se a Revolução Francesa e a coisa nunca mais parou até hoje, onde se tenta “vender” o produto a negroides de África; revolucionários Latino- Americanos; asiáticos Budistas, Xintoístas e outros e, aqui é que a porca tem torcido o rabo, a muçulmanos, para cuja maioria a “Sharia” tem primazia sobre tudo o mais.
E, claro, chocando gravemente com a Igreja Católica no plano Teológico e Teleológico… Mas, enfim, esse é outro patamar de discussão.

Em síntese estas ideias pretenderam e pretendem, uniformizar todas as religiões (tidas como grandes responsáveis pelas guerras – daí o presumível conceito do “Grande Arquitecto do Universo”); colocar o Homem no centro da vida (Andro centrismo), em detrimento de Deus (Teocentrismo) – incitando até o Homem a igualar-se a Deus (“à sua imagem e semelhança”), quiçá a desafia-lo.
Privilegia-se o indivíduo em detrimento da família, conceito mais tarde alargado à Nação – que não é mais do que um conjunto de famílias, unidas por um destino comum; substitui-se os Dez Mandamentos pela Declaração Universal dos Direitos do Homem e o Direito Natural pelo direito do voto, como fonte do Direito ao exercício do poder.

Ser Rei por “graça de Deus” era um método que dificilmente podia ser condicionado; todavia se houver eleição, todo o processo pode ser influenciado, ou manipulado. Daqui resultou o ataque ao Trono e ao Altar.
O Constitucionalismo não foi mais que uma solução transitória: o Rei reinava mas não governava…
A situação clarificou-se (no mundo Ocidental), no fim do século XIX princípio do XX: a República foi implantada, à bomba, no Sul da Europa (por predominância católica) e por cooptação das Monarquias, no Centro e Norte do mesmo Continente, já dominadas por Reformistas, Calvinistas e Anglicanos.
Na Rússia foi-se mais longe, extremando-se a república jacobina a que não se conseguiu opôr nenhum “Termidor”. Chamaram-lhe “Comunismo” – também conhecido por “Democracia Popular”…
Pelo meio de tudo isto inventaram-se os Partidos Políticos: o maior cancro social de todos os tempos!
Estes conceitos modernos – para a altura – só começaram a vingar em Portugal, a partir de 1820, com o fim do “Absolutismo” e o início do “Liberalismo”.
Ou seja, durante 700 anos Portugal governou-se sem qualquer ideia de Democracia, como passou a ser entendida após a guilhotina ter feito rolar mais cabeças em meia dúzia de anos, do que a I
 
Inquisição fogueou durante três séculos.

E não parece que nos tenhamos governado pior.

Sobretudo através do modelo de municipalismo e de convocação de Cortes, onde estavam representados os três braços do Reino e a participação das “Corporações” na vida nacional, que se desenvolveu desde o início da I Dinastia, constituía um modelo bem mais representativo, logo democrático, daquele que temos nos dias que correm…
Foi pena que o Rei, Senhor D. Pedro II, tivesse pegado no conceito absolutista – outra ideia importada – e acabado com a convocação de Cortes, em 1698.

Quando o Rei, Senhor D. Miguel – considerado o último absolutista – quis recuperar e retomar a feliz concepção de Cortes - Gerais, em 1828, já não foi a tempo.
Foi um erro da Dinastia de Bragança, mas é o que dá andar a copiar modelos alheios…

Ora o EN, isto é, o Dr. Salazar – que pelos vistos era o único que “sabia o queria e para onde ia” – herdou este estado de coisas e, ao contrário de ser um perigoso ditador, revelou um insuperável equilíbrio e senso político – além de um patriotismo e probidade indesmentíveis.
E foi um estadista, na verdadeira acepção do termo, como poucos existiram em todo o mundo.

A Constituição de 1933, garantia todos os direitos básicos aos cidadãos mas dispunha de “cláusulas” de segurança que limitavam, na prática, um número considerável de liberdades públicas.
Tal não se deveu apenas ao espírito da época, caracterizado por uma grande conflitualidade ideológica, onde as poucas democracias existentes se confrontavam com o antagonismo irredutível entre comunistas e fascismos, melhor dizendo entre regimes totalitários de esquerda e de direita mas, sobretudo, à realidade portuguesa do último século.

Esta realidade tinha mostrado, à saciedade, o mau uso que as forças políticas, consubstanciadas nos partidos políticos, tinham feito das liberdades e liberalidades outorgadas, resultando na anarquização de toda a vida política, económica, financeira e social da Nação e na total decadência da Pátria.
A população estava farta (como agora) de tanta bagunça e declínio e, por isso, aceitou maioritariamente e de boa mente, todas as reformas efectuadas.

O EN acabou com os partidos – por culpa exclusiva do seu péssimo comportamento – e tentou substituí-los, não por um partido único, mas por uma organização onde pudessem germinar e ser discutidas as melhores opções para o futuro do país, além de poder vir a ser um viveiro de quadros que pudessem vir a desempenhar cargos políticos.
A ideia parecia boa embora a sua execução deixasse muito a desejar.

A ideologia e organização do EN tinham muito a ver com a Doutrina Social da Igreja e pretendia fazer uma síntese moderada, da livre iniciativa capitalista com as preocupações sociais do Socialismo, e regular as relações entre o capital e o trabalho através do entendimento, evitando as lutas de classes. E era, assumidamente, nacionalista e patriota – o que é hoje considerado quase um crime…
Plasmou tudo isto no “Corporativismo”, tentando repescar a tradição portuguesa, neste âmbito, fazendo representar em Camara própria, as principais profissões e mesteres da sociedade portuguesa: as “Corporações”.

Esta foi outra ideia que entendemos cheia de potencial, mas que nunca foi bem estruturada, acabando por ficar a meio caminho.
De tudo isto estavam excluídos comunistas e anarquistas (estes com pouca expressão), por a sua essência ser maléfica e anti – nacional.

De facto o PCP, criado em 1921, era internacionalista e obedecia a Moscovo como, dramaticamente, podemos constatar, às escâncaras, a seguir ao 25 de Abril de 74. E só deixou de obedecer, porque Moscovo deixou entretanto de ser comunista, passando a ser capital da Rússia e não da URSS.
Em síntese o PCP foi sempre um partido anti-nacional e o seu comportamento cabe na designação de traidor à Pátria a que diz pertencer.

O EN criou duas instituições que foram fundamentais para a sua defesa e especialmente odiosas para os putativos “democratas” e prosélitos da pouca - vergonha reinante até então: a PIDE/DGS e a Censura/Exame Prévio.
Mas, também, neste caso não parecem ter qualquer razão.

Uma polícia/serviço secreto ou o que lhe queiram chamar, não foi a 1ª vez que existiu. Desde os primeiros reis que existiram homens de mão que defendessem a estrutura do Estado e a Nação de inimigos internos e externos. Lembram-se, por ex. do episódio da Inês de Castro?
O melhor sistema montado até hoje terá sido aquele que funcionou ao tempo do preclaro Rei, Senhor D. João II – não é por acaso que ele é o patrono de todos os Serviços de Informação Nacionais. E que dizer do Marquês de Pombal, do Intendente Pina Manique e da secreta da 1ª República, só para citar estes?

Bom, a 1ª República então esmerou-se: existia uma organização secreta, a Carbonária (uma espécie de braço armado da Maçonaria); grupos de caceteiros, como aquele chefiado pelo “Pintor” e o “Ai-ó-Linda”; a “formiga-branca”, a “camioneta fantasma”, etc. que faziam as maiores barbaridades, a maioria das quais à margem da lei… Para além destes havia uma estrutura legal criada em 1918, a Polícia Preventiva e a Polícia de Emigração que tiveram evolução vária.
Mas isto não parece preocupar o moço Seguro, possivelmente por nunca ter ouvido falar, tão pouco os seus mais próximos.

Ora a PIDE, fundada em 22/10/1945 – com antecedentes na PVDE, de 1933, que se seguiu a várias polícias criadas pela Ditadura Militar – era uma organização formada por gente treinada, hierarquizada e que agia dentro da lei em vigor.
A repressão fez-se sentir com mais virulência a partir do início da Guerra Civil Espanhola, quando o perigo de comunização da Península Ibérica foi real e quando se desenvolveram em Portugal várias formas de luta em apoio da causa republicana, que tiveram os seus antecedentes na greve geral de 18/1/34 (com expoente na Marinha Grande) e culminou com uma revolta de sovietes de marinheiros, em dois contra – torpedeiros (18/9/36) e no atentado à vida do Chefe do Governo (4/7/37).

O perigo comunista era real e disso até se aperceberam – tarde e a más horas – vários fundadores do PS, que desertaram das fileiras do PCP…
Vivia-se então um clima de guerra que nunca mais acabou (IIGM; Guerra Fria; Agressão a Goa, Damão, Diu, Angola, S. João Baptista de Ajudá, Guiné, Moçambique, que configuraram as últimas campanhas ultramarinas), em que a existência de “quintas colunas” era uma realidade a ter em conta como, dolorosamente, muitos dos protagonistas do golpe militar florido a cravos, se vieram a dar conta, no dia 26…

Esta ideologia incompetente e maléfica, de implementação e exercício violento, foi responsável, à escala planetária de numerosas guerras, barbaridades, extermínios, perseguições e desgraças sem fim, que vitimaram centenas de milhões de seres vivos.
Comparar tudo isto e o perigo que tal representou até à queda do muro de Berlim, em 1989, com os cerca de 40 mortos contabilizados, que podem ser atribuídos a acção directa da PIDE/DGS (alguns por doença), é um exercício de grande desonestidade intelectual.

Em 25/4/74 havia poucas dezenas de presos, não propriamente por delito de opinião, mas por acções contra a segurança do Estado e com direito a julgamento; no dia seguinte as prisões ficaram cheias de gente presa sem culpa formada. Obviamente por pessoas que andavam nas ruas a dar vivas à “Liberdade”…
Que durante 40 e tal anos muita gente sofreu e foi perseguida, dadas as circunstâncias (haverá alguma época em que tal não tenha sucedido?), é verdade; que terá havido excessos e injustiças, não duvido e, alguns, até poderão dizer que bastava ter havido uma morte para que tal fosse condenável. Será, mas tudo deve ser avaliado à luz da época e ninguém disse, ainda, que a natureza humana é perfeita.

Todavia, pensem só por um momento, se fosse ao contrário…
Já agora convinha ter em conta que todos os países, mesmo os “democráticos” tinham e têm polícias idênticas. E se forem ver a história de umas e outras talvez cheguem à conclusão que a PIDE andasse mais pelos “brandos costumes”…

E se o Dr. Seguro pensa que as coisas mudaram muito, um dia que, por mera hipótese – sabe que nesta coisa de uma cabeça, um voto, tudo pode acontecer – venha a ser PM, peça a minha “ficha” ao SIS e ao SIED, que eles logo lha entregam…
Sobre a Censura pode-se argumentar do mesmo modo, com uma agravante: agora é pior.

No tempo do EN havia uma vantagem substancial, a censura era assumida, tinha rosto e tinha regras; agora não, há todo o tipo de censura e ninguém a assume.
As pessoas, porém, vivem iludidas e contentes pois há, supostamente, liberdade de expressão. Haverá mas serve de pouco, a não ser de escape.

Paralelamente à liberdade de expressão existe a liberdade de manipulação; o dilúvio das notícias e o livre curso da asneira. Este estado de coisas representa um verdadeiro labirinto para o comum do cidadão!
E, na prática, para que tem servido, de per si, a liberdade de expressão?

Antes de 1974 qualquer pequeno escândalo atingia foros de cidade e as autoridades (incluindo os órgãos da Justiça), melhor ou pior, agiam (o célebre caso dos “ballet rose”, ao contrário do que muitos pintam, é disto um exemplo eloquente).
Pois nas últimas décadas, não passa um santo dia em que não nos inundam com os maiores escândalos, corrupções e todo o tipo de coisas que antigamente faziam corar de vergonha homens calejados pela vida.

E que consequências daqui derivam? Quase nada, praticamente ninguém reage - pela habituação, pelo relativismo moral, pela falta de referências éticas e cívicas e porque já não se acredita em nada.
Na melhor das hipóteses, há uns casos que caiem nas malhas da Justiça e alguns chegam a tribunal. Creio não precisar demorar-me a dizer o que isso, por norma, significa.

Por aqui me fico que a escrita vai longa. Fino-me com uma pequena provocação:
Ao contrário do que foi afirmado o regime político que teve origem no movimento militar ocorrido em 28/5/1926, conseguiu tirar a Nação, da lama e o Estado, da sargeta onde se encontravam; o actual regime de que o Dr. Seguro quer ser “prima - dona”, voltou a meter-nos lá.

Eu compreendo que tudo o que disse seja “areia de mais para a camioneta” do actual líder do PS, mas talvez lhe sirva para pensar duas vezes antes de fazer comentários sobre o que julga saber. Mas apenas julga.
A única coisa em que fica empatado, é que se fosse Seguro a falar em “União Nacional”, a reacção do seu congénere - qual “Dupont et Dupont”- Passos Coelho, seria a mesma.
Estamos conversados.

CONFERÊNCIA


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

OS CORIFEUS DO REGIME SABEM DO QUE FALAM?

“A Natureza é avara de homens superiores e distribui com abundância homens medíocres”
Paul Bourget, para o Conde de Haussonville, citando Bonald.

Ouvimos, há poucos dias, o PM Passos Coelho fugir-lhe a boca para a verdade ao afirmar que precisamos de um governo de “união nacional” (o corifeu Marcelo veio, célere, opinar que preferia “unidade” em vez de “união”).
De imediato outros corifeus vieram a terreiro polemizar que não gostavam da expressão, pois tal fazia-lhes lembrar a União Nacional, que designaram por partido único que servira de esteio ao “Estado Novo”.
Estado Novo que, segundo o líder do principal partido da oposição, correspondia a um “dos períodos mais negros da nossa História”.
Em favor da curiosidade intelectual, até que gostaria de saber quais teriam sido os outros…
Néscio que sou, assaltaram-me dúvidas sobre o que tal frase quereria dizer e procurei na memória, algumas questões que pudessem justificar tão categórica afirmação do jovem “Tó Zé”, que de seguro tem muito pouco – não parecendo haver no mercado ansiolíticos que lhe aplaquem as ânsias em que anda, para se meter em S. Bento.
Coitado dele e de nós…
Escarafunchando no baú da História – que, seguramente, a rapaziada das “Jotas” não tem tempo sequer de entreabrir – verifiquei que o “Estado Novo” se institucionalizou em 1933, com a aprovação, em plebiscito, de uma nova Constituição – consulta popular a que nenhuma outra Constituição portuguesa foi sujeita, até hoje, desde 1822, inclusive a de 1976 (cujo Parlamento onde se discutia, chegou a estar cercado por uma multidão ululante).
Antes, porém, (de 1933) tinha havido três “ditaduras”: a primeira apenas militar, entre 1926 e 28; depois uma ditadura financeira, de 1928 a 32, a que se seguiu uma ditadura política entre aquela data e o ano seguinte.
E porque terá havido uma ditadura militar?
Bom, talvez o Dr. (creio que o posso tratar assim) Seguro não acredite mas Lisboa, naquele tempo, parecia a Bagdad actual, com bombas a rebentar nas ruas e tudo!
É possível que os seus mestres políticos se tenham olvidado de lhe dizer, mas tal era resultado da “balbúrdia sangrenta”, como antevira Eça, em que se transformara a I República que, em 16 anos conheceu 45 governos, dezenas de golpes e contra golpes militares, com civis à mistura; assassinatos políticos q. b. (incluindo um PR e um PM), participação escusada na frente de batalha europeia da IGM e a maior conflitualidade político- social (sobretudo nas grandes cidades), que causou grande disrupção na vida económica e uma bancarrota crónica, nas finanças, em todo o mundo português.
 Por junto o país estava exangue e desqualificado em termos internacionais.
Este tinha sido o resultado trágico da implantação da República a qual, segundo os seus próceres iria trazer o paraíso a Portugal.
O Partido Republicano nasceu num ambiente liberal (e de liberalidade) e podia actuar e exprimir-se à sua vontade. Mas isso não lhe bastou: sem qualquer razão que o justificasse, tentou subverter a sociedade de então, atacou miseravelmente a Família Real e, ajudado por uma organização secreta de cariz violento (a Carbonária), provocou atentados, tentativas de golpe de estado e acabou manchado com o sangue do crime ignominioso, do regicídio.
Com estes antecedentes escabrosos não admira que a República tenha dado no que deu.
Porém, já antes a Monarquia Portuguesa, antiga de 700 anos, ficou ferida de morte, após a implantação do Liberalismo, em 1820; a expansão dos ideais da Revolução Francesa, o ataque à Igreja e três guerras civis.
Pior do que tudo isto, todavia, foi que a Nação Portuguesa ficou refém e foi pasto das sociedades secretas, maçónicas, que quebraram a unidade da Pátria e minaram os esteios da antiga nacionalidade.

Enfim, os desastres e as barbaridades foram tais e tantas que se contam pelos dedos os portugueses que se aventuram pelas páginas do século XIX, que é aquele que a maior parte dos compêndios de História rapidamente saltam, sem embargo de merecer o mais demorado estudo e ponderação.
 Creio que não necessito ir mais atrás para enquadrar o que exponho.
Não sei como o Dr. Seguro – e o rebotalho esquerdoíde que por aí andou, anos a fio, a falar da “longa noite” – qualifica as épocas que muito pela rama descrevi, mas como chama ao Estado Novo um período negro da História de Portugal, por certo que este teria que ser pior do que aqueles; e, relativamente ao que vivemos, então nem se fala…

 Fomos, novamente, ao baú da História e saiu isto.
Em menos de dois anos o Dr. Salazar – de longe o principal obreiro e ideólogo do Estado Novo – equilibrou o orçamento (cujo “deficit” e dívida eram, apesar de tudo, menores do que actualmente), o qual nunca mais “descarrilou” até 1974, ano em que, salvo erro, o escudo era a sexta moeda mais forte do mundo; pagávamos a pronto; tínhamos o crédito que quiséssemos, sem haver “ratings” que nos tolhessem, havendo em cofre 50 milhões de contos em divisas e mais de 800 toneladas de ouro.
Tudo isto apesar da depressão de 1929; a crise da libra, de 1931; a Guerra Civil de Espanha (1936-39); a II GM (1939-45); 14 anos de operações militares em larga escala, em três teatros de operações diferentes (1961-74) - fora a questão da Índia (1954-61) e ainda devolvemos, em “cash”, em 1962, o pouco que usufruímos com o Plano Marshall…
Passemos à Economia.
Em 1926 a Economia, como tudo o resto, estava arrasada em todos os sectores. As próprias infraestruturas existentes – estradas, portos, caminhos - de - ferro, comunicações, transportes, etc., que tinham tido algum desenvolvimento no fim da Monarquia Constitucional, estavam num estado lastimoso. Algumas delas e outros serviços, tanto na Metrópole como no Ultramar, estavam em mãos estrangeiras, sobretudo inglesas.
 Aliás, o País estava, na altura, perfeitamente colonizado economicamente pela Inglaterra e, culturalmente, pela França. Também foi o “Estado Novo” que operou essa “descolonização”…
Com as Finanças em ordem, deu-se início à recuperação das infraestruturas atrás apontadas – sem as quais a economia não se desenvolve – e cuidou-se do sector primário, pois este é a base de tudo o resto e é necessário dar de comer à população todos os dias…
Parece que os políticos, antepassados recentes do Sr. Seguro, se esqueceram destes pormenores!
Quando as infraestruturas estavam prontas, nomeadamente a energia, começou a implantar-se a indústria. E, pela 1ª vez desde Afonso Henriques, gizou-se um plano (chamado de fomento), a partir de 1951, devidamente estruturado, estendido no tempo e sustentado, que permitiu desenvolver o sector secundário e, acompanhando-o, o terciário.
Tal veio a desenvolver-se, sempre positivamente, não sendo sequer prejudicado pelas agressões ultramarinas a que nos sujeitaram.
Em 1973 crescia-se a 7% ao ano e em Angola e Moçambique era superior.
Não se fez tudo o que era preciso fazer, mas fez-se tudo com calma, com segurança, institucionalmente e com critério.
Não há notícias de escândalos com negociatas, “comissões” individuais ou para o partido, derrapagens, engenharias financeiras tipo “PPPs” ou outras.
A subversão comunista estava posta em sentido, as multinacionais não faziam o que queriam e o capital estrangeiro não mandava no Governo.
A corrupção, não sendo inexistente, era combatida e estava controlada.
Tudo isto se conseguiu porque havia ordem nas ruas, apesar das “quarteladas” se terem feito sentir até aos anos 40 – após o país ter estado, na prática, em guerra civil por mais de um século, não era fácil acabar com a agitação de um dia para o outro – e porque o governo governava sem ter que passar a vida em lutas político-partidárias estéreis e fratricidas.
Em termos diplomáticos o País retomou o seu normal entrosamento na vida internacional, não se limitando ao exercício das relações internacionais, como hoje maioritariamente acontece. Tinha interesses a defender e defendia-os.
Atingiu até, picos de excelência, nomeadamente durante a Guerra Civil de Espanha, na II GM, na entrada para a OTAN, para a EFTA e quanto ao acordo com a CEE; e na defesa das parcelas ultramarinas, que grande parte da comunidade internacional queria subtrair à soberania portuguesa.
Neste âmbito só há a lamentar a perda do Estado Português da Índia, e só ao fim de 14 anos de patifarias culminando com um deplorável uso da agressão militar. Mesmo aqui não se pode acusar os órgãos de soberania de qualquer comportamento antipatriótico.

Não consta ainda, que qualquer entidade estrangeira tenha interferido na condução da política nacional nem que o Governo Português alguma vez solicitasse ajuda seja a quem fosse.
Por acaso o Dr. Seguro imagina o FMI ou a “Troika” a passear-se no Terreiro do Paço no tempo da “outra senhora”?
Tentando perceber o imaginário do líder do PS, será que ele pensa que os tribunais há 50 anos levavam dez, para julgar um assunto simples, como agora acontece?
Que a Segurança Social é uma invenção pós abrilina?
Que os alunos e os pais dos mesmos batiam nos professores, como acontece um pouco por todo o país e não apenas na Musgueira?
Ou que muitos professores deviam era estar no lugar dos alunos e que muitos destes chegam ao 12º ano a saber menos do que eu sabia quando fiz a 4ª classe?
Pensará que as crianças ficavam fechadas em casa, ociosas a comer guloseimas e hidratos de carbono, frente a um visor qualquer, em vez de virem brincar para a rua com os amigos?
O Dr. Seguro pensará que se andasse a passear em meados dos anos 60, no auge da chamada revolução sexual, do movimento hippie, e da porcaria que representou o Maio de 68, em França, encontrava alguém a injectar-se nas ruas da Mouraria?
Pensará que os cuidados de saúde só passaram a existir depois de terem inventado o Serviço Nacional de Saúde? (uma coisa, aliás, bem pensada, mas porque só agora começou a ser controlado e aferido, está em vias de colapsar).
Diga-me, Dr. Seguro, o que lhe vai na cabecinha para considerar, em qualquer área da sociedade, tais tempos como ominosos?
Ah, creio finalmente ter percebido um sussurro: o regime não era democrático!...

        (Continua)

Pergunta d'O Diabo


MARINHA TV - "Servir Portugal no mar"

Novo vídeo promocional da Marinha. Recomendo vivamente.