quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A bordo de um CANADAIR!!!

Eram estes que já deviam estar na FAP há muito tempo!
Mas como o cCEMs (Conselho de Chefes Militares) não tem tido estratégia para nada, os políticos odeiam a tropa e a FA não tem por norma pagar comissões e entrar em negociatas, o resultado está à vista...
 

O “INSTITUTO MILITAR DO COLÉGIO DE ODIVELAS”, OU FAZER HISTÓRIA?

Com o título “Fazer história” escreveu a Secretária de Estado da Defesa (SED), Dr.ª Berta Cabral (BC), um patético artigo no DN do pretérito dia 2. Parto do princípio que foi ela a autora.
 
Nele congratulava-se com o facto de, supostamente ter-se extinto a “última limitação de género da república portuguesa (em minúsculas, como no original), por se permitir que as raparigas possam frequentar o Colégio Militar (CM) (faltam ainda os conventos, seminários e colégios privados, mas não vamos hoje por aí).
Tal deriva da grosseira idiotice governamental que, através de um despacho do MDN, encerra o Instituto de Odivelas (IO)[1] – essa sim, uma realização histórica notável – fazendo passar as suas alunas para um internato/externato a constituir no CM, descaracterizando por completo esta outra, mais do que bicentenária instituição educacional e revolucionária (no sentido do Bem) para a época. E que se mantém actual!
Será que lhe irão chamar o nome que faz parte do título?
A ignorância e desfaçatez destes políticos, não tem fundo.
Que diz a senhora?
Começa por enumerar a primeira vez que uma mulher foi médica em Portugal e quando puderam exercer advocacia; algumas mudanças no código civil; as primeiras moças militares, para acabar mencionando a dama que pela primeiramente foi nomeada SED (ela), ocorrida há quatro meses.
Convenhamos que confunde coisas: a lenta evolução da sociedade no que diz respeito ao acesso a profissões e à cidadania plena das mulheres – o que acarreta, em simultâneo, vantagens, inconvenientes e consequências – com a obrigatoriedade do ensino misto no CM, que não é mais do que uma regressão civilizacional!
E qualificar a sua nomeação para SED como um facto histórico é de elementar mau gosto, a começar por ser “juiz em causa própria”.
Histórico porquê? O que o País ganha com isso? Era alguma causa importante? Bateu-se pelo lugar? Superou alguma oposição, questões legais, preconceitos, como arrostaram as protagonistas de alguns dos exemplos que referiu?
Ou foi simplesmente nomeada fruto de uma conveniência partidária, quiçá num processo de compensação por ter perdido as eleições nos Açores?
Antes de entrarmos na “regressão civilizacional” queremos lembrar à simpática SED que o facto de as mulheres terem tido acesso à profissão militar, sobretudo às especialidades directamente ligadas ao combate – o que além de escusado é algo anti - natura – não devia contribuir para qualquer entusiasmo da sua parte.
Então não se condenam as guerras e já não haverá homens suficientes a lutarem, que ainda se quer dar esse “privilégio” às mulheres?!
Refere as “extraordinárias enfermeiras paraquedistas, em 1961, que foram as primeiras a servir no Exército” (por acaso foi na Força Aérea – está a ver como serviu de pouco ter uma mulher como SED…).
Desconheço o seu grau de “feminista” (não confundir com “feminina”), mas presumo que não vai gostar do que vou dizer: é que no caso das “Marias” – como carinhosamente foram conhecidas – a sua principal razão de existência foi uma discriminação positiva (hoje chamar-lhe-iam sexista); isto porque fazia muito bem ao Moral de um ferido (e também aos que não estavam feridos) ter a seu lado o carinho e o jeito especial (maternal?) de uma mulher para o tratar. Era uma espécie de bálsamo.
Senão que diferença faria dos enfermeiros do género masculino?
E sabe porque correu tudo muito bem?
Porque era pontual e específico, foi tudo muito bem organizado e as enfermeiras foram formadas e mantidas no seio de uma das unidades mais capazes e disciplinadas que possuíamos.
Tudo ao contrário da precipitação, perfídia e mau instinto como toda a actual situação foi cozinhada!
Por acaso BC já terá ouvido falar de um “grandioso” projecto imobiliário/turístico, em estudo na Camara de Odivelas, faz tempo, em que as instalações do IO são parte?
Vamos então analisar porque a afirmação que faz de que “ as mulheres têm juridicamente os mesmos direitos do que os homens, mas não podiam, até agora, estudar no CM”, é uma regressão civilizacional.
A falácia descortina-se a léguas e começa por representar uma diminuição de opções. Qual será o problema de haver separação de sexos, mutila? Ou o que se quer mutilar é a própria Instituição Militar?
As raparigas (menores) não poderem frequentar o CM em nada lhes tolhia os direitos. São opções distintas. Além disso as moças têm mil e um locais onde podem ter ensino misto e outras (poucas) onde podem optar por ensino só feminino.
Mesmo a educação militar que há no CM, também já há muito, foi extensiva ao IO.
Falácia também, porque era recíproco, isto é, os rapazes também não podiam frequentar o IO!
Mas, com o encerramento do IO – o que Deus não permita – o problema põe-se ao contrário: os rapazes já não podem matricular-se naquele colégio. Ficam discriminados…
Já agora, porque não defende, outrossim, que as camaratas sejam mistas? Ou até, que haja vagas obrigatórias para transexuais, bi, ou qualquer outro género “hermafrodita”? Será por serem menores?
Mas nesse caso porque é que o mesmo critério não se aplica ao género feminino e masculino?
Poupe-nos BC, se há o direito de haver escolas mistas porque não pode haver o mesmo direito para outras, que o não sejam?
Pelos vistos e à falta de mais argumentos (a não ser a falácia das contas, já por outros desmontada) o MDN – com a aparente demissão e, ou, conivência silenciosa e lamentável, das chefias militares – reduz tudo a uma questão de género!
Que indigência mental é esta que visa acabar com um colégio – do qual não se conhece passivo de qualquer espécie – cuja existência só é ultrapassada por 15 países que, para além de Portugal, têm a sua fundação ou independência anteriores ao CM?[2]
Com que direito, em nome de uma suposta modernidade, modas passageiras ou de igualdades espúrias [3], se quer destruir o património material, moral e espiritual da Nação Portuguesa, com um simples despacho, baseado em estudos de opereta?
Já repararam que estes políticos além de serem incapazes de resolver um, que seja, dos graves problemas que afectam o nosso país, ainda passam a vida a inventar problemas onde não os há?
Fazer História?
Doutora Berta Cabral faça um favor a si mesma: vá para casa, reflita um pouco e dedique-se a algo para que tenha jeito.



[1] Escola de excelência, de características únicas, fundada em 1900.
[2] Um na América, os EUA; quatro na Ásia, Japão, Irão, Nepal, e Tailândia e 10 na Europa, incluindo Andorra, mónaco e São Marino. Dados fornecidos pelo ex-aluno nº 134/1945, que não conheço, mas a quem tiro o chapéu.
[3] O Homem e a Mulher serão sempre diferentes em termos fisiológicos quer em sentimentos, e não há poder na Terra para mudar isto!

ATACAR A SÍRIA?

Clicar aqui para ler em PDF

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O NOVO CHUMBO DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL

E vão cinco!

Grande sururu, já recorrente.

Não se entende bem toda esta algaraviada.
Vamos tentar reduzir a termos simples todo este imbróglio.
No regime político em vigor a Constituição da República (CR) é a matriz de todo o edifício legislativo que lhe é subjacente e vai enformar toda a vida política, económica e social da Nação.
É isto a que se pode resumir o tão proclamado “estado de direito democrático”: o império da lei – “dura lex sed lex”…
Não conheço, todavia, nenhum regime/sistema político que não reclame tal, para si, conhecem?
Logo, aplicando um silogismo simples – que se aprendia no antigo 3º ciclo dos liceus – se infere e conclui que, quem elabora as leis (AR e Governo), e quem as promulga (o PR), devem ter isto em mente.
Pode-se gostar ou não (eu não gosto) da CR mas, nesse caso, só há uma coisa a fazer, que é mudar a Constituição.
Pode dar-se o caso, ainda, da CR poder estar mal redigida, no sentido em que alguns dos seus artigos são facilmente susceptíveis de diferentes interpretações (no que concordo). Mas, nesse caso, também se deve aplicar a fórmula da revisão.
Aliás, a CR já foi revista sete vezes e, pelos vistos, não lhe encontraram assim tantas aberrações…
Pode, outrossim, entender-se que o Tribunal Constitucional (TC) está mal estruturado, regulado e, ou, nem se justifica (tese que comungo), a ser assim reformem-no, extingam-no, arranjem outra solução, etc..
O que não parece curial é criticar-se ou querer obrigar os juízes a decidir contra a sua consciência, ao sabor das contingências, ou contra a CR. Essa é a sua função e para a qual são (principescamente) pagos.
Pensar-se-á que o sistema político está bloqueado (e está) e que deste modo não se pode governar, etc.; “hélas”, então não se enche a boca (os écrans, as publicações e os microfones), a dizer que em Democracia há sempre soluções para tudo?
Pois, só podemos sugerir que ponham em prática o que vendem nas prédicas.
 
Finalmente, muitos defendem que a situação é de emergência, que os dados mudaram, que os pressupostos são outros, etc. (argumentação com a qual não posso deixar de concordar), mas então assuma-se que assim é e aja-se em conformidade. Restando saber como: suspende-se o Parlamento? A CR? Decreta-se (quem?) o estado de emergência? De sítio?
 
Os Partidos, em vez de se andarem a escavacar, unem-se e fazem um governo de Salvação Nacional (ah, ah, ah) e comprometem-se numa estratégia a 10 anos (mais ah, ah, ahs)?
 
Alguém consegue pôr a Nação (se é que ainda se liga a isso) a trabalhar coesa para se salvar a si mesma?
 
Nada disto parece estar no horizonte de nenhuma força ou agente político. Lá chegaremos.
                                                             ****
Enquanto não chegamos vou, por desfastio, deixar umas perguntas meio estúpidas. Vejamos:

O acordo realizado com a “Troika” é constitucional?
Porque é que, até hoje, ainda ninguém requereu a sua constitucionalidade? Não era por aí que se devia ter começado?

Desde o simples transeunte, passando pelo professor universitário e acabando nos governantes, não andam todos a dizer – placidamente e sem a menor ponta de incómodo, acrescente-se – que estamos em situação de “protectorado”?
Isto não quer dizer que a nossa soberania está (eufemisticamente) limitada?

Relembro, então, o artigo 1º da CR (que 99% nunca deve ter lido, ou sequer desfolhado – grande democracia!): “Portugal é uma República soberana…”; Artº 2º “A República Portuguesa é um estado de direito democrático, baseado na soberania popular…”; Artº 7º, nº 1 “Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência Nacional…”
Afinal em que ficamos?

Ainda no mesmo artigo lê-se “Portugal rege-se… da não ingerência nos assuntos internos dos outros estados…”; então nós não nos metemos com ninguém, mas admitimos que uns “cobradores de fraque” apareçam pelo Terreiro do Paço, botar fala sobre o que devemos fazer e depois vão reportar aos seus amos, o nosso comportamento?
Algum “filho d’algo” fará o obséquio de me elucidar?

Vou mais longe, mesmo sem poder ostentar qualquer pergaminho de constitucionalista, arrisco-me a dizer que a própria CR é, ela própria, inconstitucional!
Senão vejamos: o Governo não assinou, em tempos, o Tratado de Maastricht, que põe em causa a soberania nacional?

As diferentes revisões que consubstanciaram o articulado do Artº 8, relativamente ao Direito Internacional (demasiado extenso para se transcrever), não prefiguram uma contradição insanável quanto aos artigos apontados supra – e a outros, nomeadamente aqueles relativos à Defesa Nacional?
O Tratado de Lisboa, assinado com grandes manifestações de gáudio, não entra pelo mesmo caminho, nomeadamente – e salienta-se isto – ao alienar soberania e a deixar que nos roubem o Mar, ao passar a exploração de todos os seres vivos da ZEE para a responsabilidade de Bruxelas?

Recorda-se, ainda, a CR no Artº 5º, nº 3 “O estado não aliena qualquer parte do território português ou os direitos de soberania que sobre ele exerce, sem prejuízo da rectificação de fronteiras”!
E frisa-se que este artigo é o único (creio) que existe em todas as nossas constituições, desde 1822…

Não entenderão os leitores, que vivemos uma grande balbúrdia falaciosa, e tudo sendo feito sem que se informe devidamente a população e sem se referendar seja o que for?
Grande Democracia!

Com tanta discussão sobre a CR – que melhor parecia chamar-se “Constituição para a Nação Portuguesa” – porque é que estes aspectos não aparentam preocupar ninguém? Afinal a CR é só importante para alguns temas e conveniências?
Questão final: para que serve, objectivamente, obrigar os militares (GNR incluída) a jurarem “cumprir e fazer cumprir” a CR?[1]

O que é suposto eles fazerem, e como, em termos práticos, relativamente a estes assuntos, nomeadamente quando a CR não for cumprida?
Enfim, desejo-vos a todos, sonhos cor-de-rosa. Haja Deus.


[1] Curiosamente o “Juramento” da PSP é omisso quanto à CR…

ERROS NACIONAIS DRAMÁTICOS

“No antigo regime havia a exploração do homem pelo homem. Agora vai ser tudo ao contrário…”
Anónimo
 
Embora a confusão seja muita e o clamor mediático intenso, a maioria da população já se apercebeu das sérias dificuldades em que Portugal – e não “este país” – está metido, apesar da percepção da grandiosidade do desastre político/económico/financeiro/social e suas consequências futuras, resulte difusa e de compreensão assaz difícil.

Um sentimento existe já, e está consolidado: revolta e desconfiança relativamente a toda a classe política e descrença no sistema de justiça. Numa palavra, o Estado deixou de ser uma pessoa de bem.

A situação ainda não se tornou “explosiva” porque acreditamos existir um “má consciência” em grande parte da população por ter colaborado ou aproveitado, com o “sistema” e intuir ter sido complacente e descuidada relativamente a encolher os ombros a muita malfeitoria que foi sendo feita e saber perfeitamente que andava a usufruir de um nível de vida para o qual não existia correspondência com a riqueza produzida.

A “festa” acabou há três anos mas a austeridade está longe de estar a ser distribuída equitativamente.

Dirão os cínicos que o mundo nunca foi justo mas espero que os de boa vontade, queiram retorquir que não podemos ficar satisfeitos com isso.

Já muitas análises foram feitas sobre as causas e razões, tanto internas como internacionais, pelas quais chegámos ao poço sem fundo onde nos metemos, como país e como pessoas desse país, pelo que não iremos gastar mais cera com esse defunto.

Mas não posso deixar de frisar que se devem retirar sínteses de conhecimento do que se passou e que devem ser apuradas responsabilidades em todos os âmbitos adequados.

Para aprendermos algo para o futuro, exercer justiça e servir de exemplo.

Coisa que, até agora, ninguém com responsabilidades intentou fazer.

Dando-se conta de que a conjuntura já não permitia iludir a situação com os habituais passes de mágica demagógica; propaganda mediática e engenharia financeira, o governo do engenheiro (?) Sócrates - de cuja parte final da “crise” foi o principal responsável – resolveu pedir ajuda financeira ao exterior: ao FMI, ao BCE e à Comissão Europeia.

As razões porque foram pedir dinheiro a estes e não a outros, nunca foi devidamente explicado nem, até agora, se equacionou publicamente outras alternativas.

Quando se negociou com os enviados da “Troika” – obviamente, gente muito conhecedora da realidade nacional – cometeu-se um erro capital e, na sequência, um outro que individualizarei entre os muitos que me parecem existir.

Quando “alguém” deve dinheiro a alguém, seja pessoa singular, uma qualquer entidade ou um país (representado pelo seu governo) combina com o credor duas coisas: o juro, se algum, e o prazo, em “tranches” ou não, em que se efectuará o pagamento.

Ora o governo – se quisermos, o Estado Português – não fez nada disto, sujeitou-se aos juros (pagos à cabeça) e aos prazos que nos quiseram impor e não só isto: baixou-se a implementar medidas que nos sussurraram e acocorou-se a que, de quando – em - quando, lhe viessem espiolhar as contas e verificar os trabalhos de casa.

Mais ainda: sempre que necessário dobra a cerviz para receber umas palmatoadas e umas orelhas de burro.

Em 1928 um governo em pior situação político-social, também foi confrontado com exigências semelhantes por parte da Sociedade das Nações – a “Troika” da altura – mas ainda encontrou arrimo e dignidade para as recusar.

Aos actuais, apesar do buraco financeiro ser muito maior do que nos anos 20 – seria até interessante e ilustrativo comparar-se, seriamente, os números de então e de agora – e de já não haver uma “Lunda” onde ir buscar um saco de diamantes, nem devem ter parado o tempo de um pestanejar de olhos, para equacionar a hipótese…

Enfim, pequenas diferenças.

A partir deste pecado capital o país, que já tinha perdido a sua credibilidade e liberdade financeira passou, outrossim, a perder a sua liberdade política e económica. E o que mais adiante se verá.

A única diferença entre esta situação e ter uma esquadra inimiga a bloquear-nos os portos é que a fórmula adoptada dá menos nas vistas!

Acordada esta cavalidade-mor, outras se lhe seguiram em catadupa.

Nestas – embrulhadas na falta de liderança, exemplo e justiça – destaca-se o esbulho/confisco de parte dos vencimentos e pensões.

Este facto tem sido amplamente denunciado por parte de cidadãos, entidades e forças políticas, mas não se tem posto o enfâse num aspecto que é este: as medidas de austeridade e outras (sem excepções!) a estabelecer para combater a “crise” – de que os políticos são responsáveis a 90% - devem focalizar-se nos impostos (devendo estes incidirem prioritariamente no consumo e não no trabalho), e nos aumentos dos bens transacionáveis e não no corte/retenção daquilo que representa o valor retributivo do salário/pensão, fundamentais à vida e sobrevivência de todos os indivíduos/famílias.

Dá-se ainda um doce a quem apresentar um argumento válido para que, até agora, não se tenha apostado minimamente no empréstimo interno e o combate à fraude fiscal caminhe a passo de caracol…

Dirão novamente os cínicos, agora transvertidos em “pragmáticos”, que vai dar ao mesmo, mas tal não é verdade.

Ao cortar atrabiliariamente um vencimento/pensão (porquê 10% e não 20%, 30%, ou?), o Estado exerce uma prepotência tirânica sobre o cidadão – com a agravante de fazerem o contrário do que prometido nas campanhas eleitorais/programa de governo; quebra um vínculo de confiança contratual fundamental e cerceia calamitosamente a liberdade individual em dispor dos seus bens, conforme o seu juízo da situação.

Abre, ainda, portas para as mais indiscriminadas aleivosias despóticas, pois o que os pode impedir de, a seguir, confiscarem os bens não fiduciários das pessoas? Aliás já o andam a fazer com as casas, através do aumento escandaloso do IMI e da cada vez maior impossibilidade de cumprimento dos empréstimos bancários!

E que fazem com o dinheiro que nos sugam? Pois desbaratam-no nos negócios ruinosos em que foram agentes, colaboradores ou decisores e que agora o desgraçado do contribuinte tem que pagar!

Isto é verdadeiramente intolerável e nunca foi exercido em nenhuma época histórica mesmo por um ditador sanguinário sem que, ao menos, houvesse uma qualquer condenação!

A nós cidadãos acusam-nos de quê?

Mesmo os mais esclarecidos e sensatos compatriotas, não parecem reparar neste verdadeiro escândalo, idem para os comentadores encartados.

A população anda aturdida com a vida e tem deixado que a tratem como a rebanho de ovelhas, ao passo que o seu instinto de sobrevivência lhe vai dizendo que se aguente com as suas economias e a família, emigre e, ou, a esperar que seja a pessoa do lado que intente fazer algo que também a beneficie, sem correr riscos ou incómodos.

Mas as coisas não poderão continuar, apenas, nesta senda… 

Em síntese, o futuro próximo e a médio prazo do país, só nos reserva uma realidade que é a de sermos pobres (como se paga uma dívida exorbitante que aumenta milhões de euros por dia, não me dirão?).

Essa realidade, porém, tem duas vias: a de sermos pobres e escravos, ou sermos pobres e tentarmos reganhar o nosso espaço de liberdade e, com juízo, podermos dentro de umas poucas décadas, sermos razoavelmente livres e remediados. Não parece haver mais nenhuma via.

Pelo que se tem feito, a maioria da classe política optou, sem escrúpulo e decididamente, pela primeira hipótese e está a arrastar a Nação com ela.

Deixo-vos com Goethe “Ninguém é mais escravo sem esperança, do que aqueles que falsamente acreditam que são livres”.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

NADA RESTARÁ DA TROPA A NÃO SER UMA VAGA LEMBRANÇA…

“Nenhuma coisa desta vida humana é tão aproveitável aos viventes que a lembrança e memória dos bens e males passados para do mal nos guardarmos, regendo a vida para nele não cairmos segundo os bons fizeram”.
Gaspar Correia, in “Lendas da Índia”

Fui, recentemente, acompanhar um camarada à sua derradeira morada terrena.

É um acontecimento que sempre acompanhou a minha vida militar (mesmo sem nunca ter entrado em combate), mas que a roda da vida tende a tornar mais frequente relativamente àqueles que nos são mais próximos.

Uma das características e prerrogativas que acompanham a “condição militar” é a do direito a que cada um tem de lhe serem prestadas honras militares fúnebres, em função do seu posto – e, até, de algumas condecorações que ostentem – segundo fórmula regulamentar (hoje já muito simplificada em função dos cada vez menos efectivos e meios existentes).

Este direito é sustentado no dever dos que ficam, tanto individual como institucionalmente, em as prestar, condignamente, constituindo uma tradição centenária, que nada nem ninguém deve interromper.

Os cemitérios/talhões de militares são, também, uma homenagem póstuma e perene, a todos aqueles que pereceram ao serviço da Pátria, incluindo os que, mortos em batalha, não puderam usufruir das honras completas.

Mesmo aqueles cuja identidade se perdeu, têm direito a um túmulo a eles dedicado, que entre nós se encontra no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, alumiado por azeite votivo e guardado por sentinelas entre o nascer e o pôr - do - sol: o túmulo do soldado desconhecido.

O féretro do coronel, meu muito caro camarada de armas e de curso, passou o portal do cemitério sem que vislumbrasse peugada da guarda – de – honra, como determinado e previsto.

Enquanto o corpo aguardava a decisão de prosseguir para a tumba, coberto com a bandeira das quinas – a que se devia seguir um militar transportando, numa almofada, o boné, as condecorações e a espada (símbolo da autoridade), do defunto – chegou uma viatura militar de onde saíu, atrasada, a dita guarda.

Uma rápida conferência entre alguns dos presentes, decidiu pelo “mal menor” que foi o de reenviar à procedência o pelotão (menos), com a admoestação – apesar de tudo, simpática – de que o que aconteceu não podia ter acontecido, à qual o oficial comandante da força retorquiu com desculpas contristadas.

Veio a saber-se, mais tarde, as razões do sucedido, que são bem o espelho da triste realidade a que chegámos e que se continua a querer tapar do mesmo modo que se tenta tapar o sol com uma peneira.

Dada a extrema penúria de praças resultado do fim do serviço militar obrigatório, e dos cada vez maiores cortes (catastróficos) efectuados em tudo o que mexe nas FA, é muito difícil que o efectivo das honras fúnebres esteja concentrado numa única unidade militar.

Tal implica que existam militares escalados/de alerta em vários quarteis que é preciso convocar (por SMS, telefone, mail?) – deve aqui referir-se que o funeral se realizou em Lisboa, em que a distância entre a Igreja, o cemitério e as unidades militares era mínima.

Acresce a isto que as unidades encontram-se hoje despidas de militares depois do toque de ordem (se é que ainda existe), excepção feita para o modestíssimo número de pessoal de serviço, pois fora do período de recruta, uma qualquer instrução ou treino, ou alteração do grau de alerta, todo o mundo tem direito a ir para casa.

Tal deve-se (para além do já referido), à quase “regionalização” do serviço militar (a rapaziada parece que não pode estar longe das famílias, tão pouco das escolas – um dos grandes atractivos do voluntariado é a possibilidade de tirar cursos) e ao facto de, aos comandos, não lhes desagradar a ideia de verem os militares fora dos quartéis, dado que se evitam problemas disciplinares e, desde que as mulheres passaram a invadir a vida militar, sempre se minimiza a hipótese de cópula intramuros (Já quando havia SMO abreviava-se sempre que possível a sua presença nas unidades para poupar nas refeições...).

A abundância de transportes ajuda.

Bom, convocar pessoal nestas condições, para a cerimónia em causa aumenta enormemente o risco de atrasos e de faltas.

Com o efectivo finalmente concentrado, o oficial encarregado desta missão teve a presciência de indagar se todos os presentes estavam familiarizados com a “ordem unida” que teriam que efectuar e rapidamente se apercebeu que uma parte das praças não estava, pelo que numa tentativa de resolver o problema, decidiu, ali mesmo, proceder a uma instrução sumária.

Eis pois levantado o véu da causa do atraso. Caberá a quem de direito, tirar as ilações adequadas.

As cerimónias fúnebres e as honras militares são realizadas em memória dos mortos, mas ainda mais a pensar nos vivos. Ou seja o exemplo é para quem fica.

Para além de uma homenagem é uma manifestação de solidariedade de toda a família militar; um sentimento de pertença, coesão, camaradagem, espirito de corpo, etc., de quem serviu segundo os mesmos princípios no cumprimento de uma mesma missão.

Passa por ser um elo que a todos liga – do passado para o presente com vista ao futuro – e que mantém a instituição, que se pretende perene, focada nos seus valores.

Sem sombra de dúvida as FA são a instituição nacional por excelência, em que os seus servidores são acompanhados e cuidados desde que “assentam praça” até que dão baixa para a sepultura.

Só nessa data são desmobilizados…

Assim devia continuar a acontecer de modo a que o profissional das armas possa continuar a “SER” em vez de apenas “ESTAR”.

Posicionamento e filosofia que faz confusão a muito boa gente e que, não poucos pretendem mudar radicalmente.

A velha questão da “instituição” em contraponto ao “emprego”!

Por isso temo bem, que quando se olhar para o fundo da questão abordada, a decisão seja a de não resolver as causas, mas a de iludir os efeitos. Ou seja acabam rapidamente com as honras fúnebres…

Aconselho vivamente os oficiais e sargentos do quadro permanente a tornarem-se historiadores. Só aí, terão futuro.

Pois a continuar a actual senda, da Instituição Militar Portuguesa, irá restar apenas uma (vaga) lembrança.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

INCÊNDIOS EM PORTUGAL II

Para todos aqueles que desconhecem a verdade, a prova está nas fotos abaixo onde o sistema MAFFS e C-130 estão lado a lado... Nos anos 80 e 90 a Força Aérea Portuguesa combatia os incêndios com o C-130 Hercules, o sistema MAFFS e o Helicóptero AL III.
 
A FAP foi forçada pelos governos corruptos a desistir de apoiar as populações... em detrimento de privados e outros interesses obscuros...
(Alguém se deu a muito trabalho para fazer desaparecer estas fotos, felizmente a internet não tem memória curta)