domingo, 16 de junho de 2013

UM LAMENTÁVEL DIA 10 DE JUNHO

“Mouros em terra, Moradores às armas!”
Brado que se ouvia nas terras portuguesas desde o tempo do Rei D. Afonso II.
 
 
    O país está esquizofrénico. A esquizofrenia - cabe aqui lembrar - é uma doença mental que afecta o ser no seu todo. Infere-se, pois, que o País está doente (e vai a caminho de ficar ligado à máquina).

    Esta coisa de se comemorar o “Dia de Portugal” nunca teve grande brilho, nem foi devidamente organizada e sentida, apesar de já se terem ensaiado vários figurinos.

   Foi sempre algo sem uma tradição bem fundada.

   A razão maior - estamos em crer- tem a ver com o facto de não se haver determinado o dia em que devemos comemorar a nacionalidade, pois não há uma data fundacional definitiva.

    Poderia ser o dia 24/6/1128, data em que o Condado se autonomizou “de facto”;[1] o dia 25/7/1139, data em que Afonso Henriques foi alçado a Rei, na Batalha de Ourique; o dia 5/10/1143, data do Tratado de Zamora, que nos garantiu a independência da suserania regional, ou o dia 23/5/1179, data da Bula “Manifestis Probatum”, do Papa Alexandre III – a autoridade de Direito Internacional, da época – que reconhece a independência do reino de Portugal e o título de Rei a A. Henriques.

    Noutra perspectiva pode-se considerar a data de 1 de Dezembro de 1640, em que se restaurou a completa independência da Nação e se aclamou um novo Rei, natural do reino, fundador de uma nova dinastia nacional.[2]

    A ideia do dia 10 de Junho é de inspiração republicana e tomou forma aquando das comemorações do terceiro centenário da morte dessa grande figura lírica chamada Luís de Camões, que exaltou de uma maneira única e superior, a gesta histórica portuguesa.

    Como se desconhece quando o poeta nasceu fixou-se a data do seu passamento. Não é que Camões não mereça a distinção – sendo de lamentar que, raramente, se refira a sua condição de soldado e combatente pela Fé e expansão portuguesa – mas as razões em que se fundou a homenagem, de luta política entre monárquicos e republicanos, não parece ter sido a mais feliz…

    Mas, enfim, medrou o 10 de Junho como dia em que os portugueses passaram a comemorar serem portugueses!

    E esta constitui, já, a segunda reflexão: como poderemos comemorar ser portugueses se, desde o Tratado de Maastricht, passámos a tentar deixar de o ser, para sermos uma coisa qualquer indefinida, que tem a ver com o ser “europeu” e desde há dois anos a esta parte, nos visita um triunvirato que manda a gente fazer coisas que os Filipes nunca se atreveram a mandar?

    Por isso parece-me que devíamos ter posto a tónica nisto: o reganhar da independência e “armar-nos” para tal, sendo a alternativa estarmos de luto carregado, espiando os tremendos erros político – estratégicos (e morais), que fizemos nas últimas décadas e que uma nação antiga de 900 anos, jamais deveria ter feito ou deixado fazer.

    E não devíamos tirar o luto até ganharmos juízo.

    O PR passeia-se pelo País. Melhor fora que permanecesse em Lisboa.

    Lisboa é a capital e só excepcionalmente as cerimónias a deviam abandonar. Todavia, em todas as cidades e vilas do antigo Reino se deveria festejar o dia que nos individualiza no concerto das Nações (agora mais “organizações”…).

    Porém o que se passa é que o PR se passeia aleatoriamente pelo Continente e Ilhas, acompanhado pela sua Corte – o que nem sequer é barato – enquanto o resto do país vai a banhos ou encolhe os ombros. Há qualquer coisa de errado nisto…

   O actual PR tem a seu crédito, ter recuperado as Forças Armadas para as cerimónias oficiais do 10 de Junho, de onde estiveram, inacreditavelmente, arredadas desde 1974 – uma prova insofismável do desvario em que caímos!

    Contudo, a verdadeira homenagem aos combatentes mortos pela Pátria - sem o que Portugal não teria sobrevivido a 1128 – não é feita nas cerimónias oficiais do 10 de Junho, mas sim nos eventos junto ao monumento aos mortos do Ultramar, em Belém, organizados por um grupo de cidadãos e sem qualquer vínculo ou apoio do Estado.[3] A única cerimónia genuína e sã, que agora se realiza.

    Ou seja há dois 10 de Junho…[4]

    Entre muitas coisas inacreditáveis que se passaram este ano, desde que na mesma semana se inaugurou uma avenida com o nome de um traidor à Pátria, até haver um condecorado com a Ordem da Liberdade, que atentou contra ela (liberdade), ocorreu um episódio que se pode considerar o cúmulo do surrealismo político-diplomático.

    Ora meditem.

    No dia em que os órgãos de soberania comemoram o dia do país que andam a alienar a estranhos, entre assobios e apupos de parte dos populares presentes – o respeito esvaiu-se, mas também ninguém que não se dê ao respeito, pode esperar ser respeitado – aterrou em Lisboa a “Presidenta” do Brasil.

    Logo no dia em que se comemora um dos mais lídimos cultores da língua pátria, cai-nos em sorte um erro ortográfico…

    Bom, independentemente dos brasileiros gostarem de alçar a presidente pessoas menos recomendáveis para o cargo – como parece ser o caso – o facto é que a senhora aparece entre nós com esse título, e a título oficial. E pela primeira vez depois de ser eleita.

    Eis pois uma situação esdrúxula de todo: sabe-se à última da hora; o PR, o Governo, a AR, etc., estão todos em Elvas;[5] a senhora em vez de ter o PR a recebê-la, tem o MNE; havendo a festividade maior do País, a Presidente do Brasil – e digamos que não será o mesmo que ter por cá a mais alta figura do Burkina Fasso – não comparece à mesma, uma gafe inexplicável e inconcebível, a todos os títulos!

    E nem se digna colocar uma coroa de flores no túmulo de Camões, nos Jerónimos!

    E não comparece em Elvas porquê? A pergunta é mais que pertinente e óbvia e parece que ninguém se incomodou com isso. Não foi convidada? Não quis ir? Foi tudo feito em cima do joelho? Não tinha tempo para ir?

    Convenhamos que qualquer resposta é cada uma pior que a outra…

    A piorar as coisas, Dona Dilma ainda resolve receber o ex-Presidente Mário Soares e o líder do principal partido da oposição, antes de se encontrar oficialmente com os PR e PM, à revelia do protocolo de Estado, quer nacional quer internacional, numa atitude de afronta inqualificável.

    E a questão ainda se torna mais feia quando, aparentemente, a ex-revolucionária agora à frente de uma potência que virou capitalista, e a quem nunca se conheceu um gesto de simpatia por Portugal, fez um “tocar e andar” na Portela, para ir a uns saldos de empresas, que por cá se querem passar a trocos.

    Tudo selado em brindes sem lustre, entre o lustroso luxo da Ajuda!

    Pelos vistos estão todos bem uns para os outros.

    Alienam tudo estes desgraçados políticos que nos calharam na rifa eleitoral, entremeados por “inoculações” de entidades estranhas ao país, que fazem o Cristóvão de Moura parecer um menino de coro!

    É a EDP TAP, a RTP, a RDP, os CTT (!), etc., já falam na água – na água, ó pessoas da minha terra! Será que também vão querer que ponhamos as nossas mães e mulheres á venda?

    Também estarão a pensar aderir ao “Banco de Sementes” que se anda a preparar em Bruxelas, e que a ir para a frente, constituirá um dos mais notáveis instrumentos de escravidão jamais inventado?

    Infelizmente tudo o que descrevo dá bem o retrato em que caíu o nosso Portugal: uma verdadeira casa de passe política.

    Não é bonito de se dizer e é, seguramente, desagradável de ouvir. Sem embargo, representa a mais cristalina das verdades.

    Apetece dizer:

    “Mouros em terra, moradores às armas”!





[1] Esta data tem a grande vantagem de ser o nosso “grito de liberdade”; tudo aquilo que se passou nas outras datas, limitou-se a reconhecer o que foi conseguido naquele dia. Aliás, só se reconhece o que já existe…
[2] Data, que é bom recordar, foi a escolhida para ser o nosso 1º feriado nacional, que o actual governo, em mais um acto de crime de lesa-Pátria, decidiu aleivosamente abolir. Uma acção miserável de bastardia política.
[3] O apoio prestado pelos Ramos das FA e GNR, não é prestado enquanto estruturas do Estado, mas sim como emanação da Nação em armas…
[4] Ponhamos as coisas em perspectiva: todos os portugueses são importantes; todas as profissões são úteis; todos os sectores da vida nacional concorrem, ou devem concorrer, para o engrandecimento da Nação, a harmonia e justiça social e o bem - estar da população. Mas se não houver compatriotas dispostos a lutar e morrer em defesa da comunidade, todo o esforço e obras dos restantes é vão; ou pode estar a um passo de o ser.
[5] Onde teria ficado bem uma palavra lembrando a portuguesíssima terra de Olivença, cativa de Espanha desde 1801.

terça-feira, 11 de junho de 2013

CARTA ABERTA AO CHEFE DO ESTADO MAIOR DA FORÇA AÉREA

As minhas saudações a V. Exª.

Acabo de ser espoliado do meu complemento de pensão de reforma (CPR).

De tal unilateral, mas certamente muito democrática medida, fui informado, oficialmente, através do ofício nº 2511,de 17 de Maio, da Direcção de Finanças.

Parto do princípio de que tal complemento me foi atribuído em função dos préstimos da minha actividade profissional desenvolvida ao serviço do Estado e da Nação, e não por qualquer devaneio de gente insana, resquício revolucionário, tão pouco por um capricho de favorecimento ilícito.

Não tendo, outrossim, dado conta de me ter sido levantado qualquer processo judicial que pudesse ter posto em causa a percepção de tal CPR, apenas posso concluir haverr alguém, um dia destes, ter acordado mal disposto decidindo, por sua alta recriação, despojar-me de tal quantia, apesar de minguada.

A explicação que recebi de V. Exª que, supostamente, me tutela e à instituição que servi, durante 27 anos, pouco adianta – confesso – ao meu entendimento sobre as razões de tal esbulho, embora deva reconhecer, o esforço que dispensaram a esse intento, já para não referir o papel e tinta, gastos.

Seguramente, por entendimento néscio da minha parte, apesar de – quero deixar claro – ter concluído em tempo e com algum brilhantismo, a antiga 4ª classe, e já não ter sido abrangido por nenhum curso saído de Bolonha, dizia, não consegui perceber patavina do que me avançaram.

Apenas intuí estar perante mais uma infame mescla de engenharia financeira, administrativa e jurídica, a qual fazendo corresponder a um triclínico artigo ou a uma estrambólica alínea ou despacho, uma certa quantia em euros, até que a totalidade da reforma a receber no mês em causa e seguintes, equivalesse a essa descoberta maior da civilização árabe, que dá pelo nome de “zero”.

Como não consegui entender, apesar de ainda continuar a passar nas inspecções médicas a que sou obrigado para continuar a poder desafiar as leis da gravidade – coisa que a nobre instituição que reunia os dois vocábulos “Força” e “Aérea”, está em vias de deixar de fazer – venho solicitar a V. Exª se digne informar-me das razões objectivas pelas quais fui objecto deste exercício de disparo à carteira, modalidade que nunca fez parte dos parâmetros avaliados na Carreira de Tiro de Alcochete…

E como deixei de acreditar no Estado – que me mente e me rouba, sem que, pelos vistos, isso cause a mais pequena perturbação psicossomática em toda a cadeia hierárquica – e que ainda conheci, minimamente, como “pessoa de bem” ; me educaram que a existência de sindicatos era incompatível com o exercício do “mister das armas”, e que os “Chefes” se preocupavam e defendiam os seus homens (agora também tenho de dizer, mulheres!) vejo-me órfão de pai e mãe, chefe de esquadra e juiz de comarca!

Talvez o Sr. General, do alto do brilho prateado das estrelas me possa elucidar sobre o que devo fazer.

Um ponto (aquele em que me avisa? Ameaça? Discorre?) porém, existe no tal ofício, com que me agraciou no seu esplendor comunicacional, que ainda se entende menos: sobre o modo como me irá surripiar o que indevidamente me pagaram desde o princípio do ano, dado que tal medida devia ter sido posta em prática, no pretérito dia 1 de Janeiro.

A competência dos serviços, de que V. Exª é o topo da pirâmide, desvela-me e só é comparável à intrigante dúvida de como pensam ressarcir-se de tal pecúlio, já que não tocam no meu vencimento dado o mesmo ter sido transferido para a CGA, entretanto alcunhado de reforma.

Estou certo de que descobrirão uma forma – sobretudo desde que, lamentavelmente, deixaram entrar os esbirros das finanças, vasculhar nas contas das unidades – mas, também, estou certo que tendo sido voluntário para ingressar na FA, não o serei para colaborar nesse intento.

Posso até garantir, que só não entrarei “ao passo”, se não puder.

Esmagado pela evidência de tão lídimo amplexo de virtudes cívicas e militares,

Subescrevo-me

Atento, nada venerando e desobrigado
João J. Brandão Ferreira
TCorPilAv (Ref.)
014391-L
(Das mui antigas, nobres, por vezes gloriosas, mas quase extintas, Forças Armadas Portuguesas)

domingo, 9 de junho de 2013

Amigos de Olivença estarão em Elvas a 10 de Junho para relembrar "litígio"

O Grupo dos Amigos de Olivença vai estar presente nas comemorações do Dia de Portugal, que decorrerão na segunda-feira em Elvas, para relembrar que é necessário resolver o "litígio" transfronteiriço que envolve Olivença, concelho espanhol.

"Sustentando publicamente a posição político diplomática do nosso país, o Grupo vem relembrar a urgência da discussão e resolução da questão de Olivença com a natural retrocessão do território a Portugal", refere aquela organização em comunicado.

Esta associação, que defende a devolução do território de Olivença ao Estado português, estará nas comemorações do 10 de Junho, na cidade vizinha de Elvas, para "dar o mais relevo possível ao litígio que urge resolver".

"O reencontro de Olivença com Portugal, sendo uma promessa por cumprir, é um desafio que importa sem demora realizar", destaca, em comunicado o Grupo dos Amigos de Olivença.

Na nota apela-se ainda aos portugueses para que no dia 10 de Junho pensem nos "habitantes de Olivença" que "continuam a defender corajosamente a sua cultura e a língua portuguesas".

Este ano, o Presidente da República, Cavaco Silva, designou a cidade de Elvas para sede das comemorações oficiais do 10 de Junho.

Esta é a segunda vez que, durante a presidência de Cavaco Silva, o palco do Dia de Portugal é uma cidade do interior do país, depois de, em 2011, o chefe de Estado ter designado Castelo Branco como sede das comemorações oficiais.
 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

10 DE JUNHO DE 2013

CLICAR AQUI PARA VER O PROGRAMA COMPLETO DAS COMEMORAÇÕES DESTE ANO!

A MINHA ENTREVISTA DESTA SEMANA AO JORNAL "O DIABO"

Clicar aqui para ver!

SESSÕES DA ACADEMIA DE MARINHA


Junho
À terça-feira, na Academia de Marinha, às 17h30, salvo indicação em contrário
11
A Desconstrução Histórica de Portugal
Académico João José Brandão Ferreira

Ciclo Arqueologia Náutica e Subaquática – 18 e 25
18
Os Romanos e a Navegação nos Mares Exteriores
Académico Vasco Gil Soares Mantas

25
O navio no tratado. Uma nova perspectiva para a investigação
Académico Adolfo Silveira Martins
Investigador António Teixeira

28, Sexta-feira, 15h – 18,30h
Sessão Solene integrada no Colóquio “Portugal – Brasil”. Unindo as duas margens do Atlântico.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

ESTOU MUITO SATISFEITO COM OS POLÍTICOS DO MEU PAÍS…

    Atribui-se ao antigo Ministro da Defesa, General Santos Costa, que goza fama de figura proba e competente, a seguinte frase: “A lei? A lei está na ponta da minha caneta…”[1]

    Cabe aqui dizer, como curiosidade, que por uma qualquer idiossincrasia – e nem sequer sabemos se era do “Sporting” – o ministro escrevia com tinta permanente verde.

    E, de facto, assim é, a lei sai da ponta da caneta do legislador, enfim, quando estes sabiam escrever em bom português e não necessitavam recorrer a paletes de bacharéis em Direito.

    Ou seja, a lei sai da caneta, nem que seja só a assinatura, de quem está investido do poder para tal, independentemente do sistema político ou da ideologia vigente.

    Os políticos que servem o sistema e ideologia em curso decidiram gastar tudo o que os anteriores deixaram (e era muito); destruíram grande parte das estruturas existentes decretaram que estava tudo mal, agora é que vai ser, etc.; declararam “urbi et orbi” que todos nós tinham direito a tudo (e dever a nada) – embora se viesse a verificar que só muito poucos passaram a ter direito a quase tudo – e prometeram o sol e o seu ocaso.

    A partir de 1986 passaram a alienar, sempre com a maior ufania, a soberania de toda a Nação (explicando pouco, intrujando muito e perguntando nada) para algumas organizações internacionais existentes, afirmando estouvadamente, que caminhávamos para a paz e a concórdia no planeta, pelo menos na área onde nos passámos a inserir…

    No meio de tudo isto “esqueceram-se” de três coisas fundamentais, a primeira sendo a de criar riqueza que pudesse sustentar tão filantrópicas e utópicas imbecilidades; depois olvidaram-se de que as relações internacionais são ditadas pelas realidades geopolíticas e o
Poder real de cada actor. E, por último, enganaram-se nas características da natureza humana (onde flui, em permanência, a dicotomia entre o “Bem e o Mal”) e que se pode consubstanciar na frase – apesar de tudo benévola – de que “os homens não são santos, embora haja santos entre os homens”.

    Como se conseguiu manter este teatro em cena, durante tanto tempo? Pois, basicamente, com muita demagogia, subsídios, circo e mentiras.

    E, claro, pedindo dinheiro emprestado.

    Quando já não se podia mais, tapar o sol com a peneira, o palco colapsou e descobriu-se:

  • Que a dívida era astronómica (sem ninguém ter dado por ela e ninguém saber, exactamente, a quanto importa) e, ao contrário do que uns iludidos dizem, ou pensam, é impagável;
  • Que deixámos de contar, seja para o que for, na cena internacional, ninguém nos respeita (a começar pelas autoridades angolanas…);
  • Que passámos a protectorado, a caminho de ser rapidamente uma colónia (no pior sentido do termo);
  • Que, internamente estão todos baralhados, divididos e perdidos como povo.

    S. Exas, os políticos que causaram tudo isto, a maioria dos quais continua por aí, agora a cavalgar a onda da indignação, sem que, um único tivesse ainda assumido qualquer responsabilidade na catástrofe onde estamos mergulhados; e apenas dois ou três estão presos, seguramente por pouco tempo.

    Estes mesmos resolveram ainda, injectar parte do dinheiro dos nossos impostos e do que continuam a pedir emprestado, nalguns dos principais co - responsáveis, nesta trama funesta: o sistema financeiro. E sem contrapartidas que se vissem, ou emendas nas “regras”.

    Em síntese, já fecharam milhares de empresas, em todo o país, mas nenhum banco. E disseram à população que era ela que tinha, agora, que suportar as despesas e pagar tudo.

    Sim, tudo, pois “por cima” quase nada foi cortado ou restringido, chegando-se ao ponto do próprio PR – num dos muitos deslizes de linguagem em que é recorrente – se vir queixar da reforma que tinha (estando no activo…).

    Os órgãos ditos de soberania – que, a piorar as coisas, não dão exemplo de nada e só têm catarro com os mais pobres e desprotegidos – além de porfiarem nas mentiras e enganos e fazerem tudo ao contrário dos manifestos eleitorais com que se apresentam ao eleitorado, desatam a lançar impostos de escravatura e a confiscar os bens financeiros dos cidadãos, unilateralmente, de uma forma despótica e tirânica![2]

    Se isto é um estado de direito democrático, então eu sou uma acompanhante de luxo!

    O país virou o “farwest” onde uma cáfila de bandidos assalta as casas e as diligências sem haver “rangers” ou “sheriff” que lhes faça frente…

    Vou terminar com um caso e umas perguntas. Favor tomar isto seriamente que a coisa é muito séria.

    A todos os militares que tinham direito ao complemento de reforma, consignado na lei e devidamente sustentado, foi – lhes retirado de um mês para o outro.

    As Direcções de Finanças dos Ramos informaram por carta, ilegível, as razões do esbulho que não é mais do que a enumeração da engenharia jurídica, que mandava cortar sucessivas parcelas até que o resultado da soma liquidasse a totalidade do que era auferido.

    A lata e a desfaçatez com que tudo isto se passa é inaudita e sem sequer um lamento por parte da tutela.

    As perguntas que deixo são as seguintes: porque é que já nos confiscaram 30 ou 40% dos réditos e não o fazem a 70 ou, até, 100%?

    O que os separa de, supletiva ou complementarmente, nos surripiarem a casa, o carro, ou qualquer outro bem que estimem possa “amansar” a insaciável “Troika” ou juros dos mercados?

    O que os separa de, por ex., mandarem transportar todos os idosos acima dos 70 anos para a Serra da Estrela e abandoná-los acima da cota 1400, com a desculpa de que é necessário dar alimento aos grifos e águias-reais que estão em perigo de extinção?

    Ou mandar aplicar uma injecção letal a todos os alienados mentais (definição precisa-se…) e deficientes profundos, para aliviar o Serviço Nacional de Saúde? Sim o que os impede?

    Alguém se atreve a responder?

    Não venham dizer que são conceitos morais, que os impedirão de tal decretarem, pois já verificámos que a Moral é um conceito tido por caduco e de aplicação relativa! Pois se tivessem moral e vergonha na cara, em primeiro lugar, não tinham feito o que fizeram e não estávamos agora exangues de tudo!

     Infelizmente só irão parar quando baterem num muro ou verificarem que têm mais a perder do que a ganhar (ou uma espada apontada ao peito).

    O grau de diferença entre o Ministro Santos Costa e os de agora não está na ponta da caneta nem na cor da tinta; está sim, na honestidade, no patriotismo, na competência e na recta intenção.

    Podem passar a vida a inventar desculpas e a gastar o termo democracia, que se faltar o atrás apontado, nada se construirá e não há Democracia que resista.

    Declaro-me em estado de revolta contra este Estado e estes políticos.



[1] Santos Costa veio para o Governo, ainda capitão, em 1936, para o cargo de Subsecretário de Estado da Defesa, só saindo 22 anos depois, em 1958, Coronel e Ministro da mesma pasta. Foi frequentar o curso de altos comandos.
[2] Durante séculos, em Portugal, o lançamento de impostos tinham de ser autorizados em Cortes Gerais, onde estavam representados os “Três Braços do Reino”…