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Este blogue apresenta os pensamentos, opiniões e contributos de um homem livre que ama a sua Pátria.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
sábado, 9 de fevereiro de 2013
O CONDE DE LIPPE E O CONFRANGEDOR E RECORRENTE DESLEIXO A QUE SE DEIXAM CHEGAR AS FORÇAS MILITARES EM PORTUGAL
Conde de Lippe em
1762:
Marechal-General do Exército Português e Comandante em Chefe do exército anglo-luso.
CLICAR AQUI PARA VER O DOCUMENTO EM PDF!
sábado, 2 de fevereiro de 2013
ESTRATÉGIA, ÓH ESTRATÉGIA!...
(Aceitar um benefício é vender a Liberdade).
Publilius
Syrius, século I, a.c.
Se bem estão lembrados o Sr. Ministro da Defesa –
presume-se que por ordem do Chefe do Governo, dado ser ele o primeiro responsável
pela Política de Defesa Nacional – solicitou a um grupo de 27 personalidades,
com provas dadas em diferentes sectores da vida nacional, a elaboração de uma
proposta de um novo Conceito Estratégico de Defesa Nacional (CEDN).
Antes do grupo ter começado a trabalhar atrevi-me a
fazer algumas considerações das quais, é justo referir, ter-me enganado numa: a
de ter augurado (dado o elevado número de elementos que o compunham e o curto
prazo fixado) que teriam muita dificuldade em ter o documento pronto. Mas, o
que é certo, é que o conseguiram e não consta que as suas 109 páginas sejam despiciendas.
Desse facto me penalizo, ao mesmo tempo que realço
o feito.
No restante, porém, não me enganei muito, sobretudo
no parecer que tudo não serviria mais do que para “épater le bourgeois” e que,
no fim, o papiro iria para a gaveta.
Não me passa pela cabeça ir analisar o que ficou escrito no sentido de o “criticar” mas, talvez, seja pertinente fazer alguns comentários, à volta do mesmo.
A primeira consideração é a de que seria desnecessário o trabalho. Porquê?
Porque do anterior nada de significativo mudou (a não ser uma coisa): não mudou a geografia, nem o carácter das pessoas, nem as ameaças ou riscos – foram apenas diminuindo as nossas capacidades…
O que mudou – e sobreleva tudo o resto – foi o desregramento financeiro medonho que colocou o país à beira da bancarrota, e debaixo do escrutínio de uma comissão internacional (e internacionalista), que reduziu grande parte da Soberania Nacional, a estilhas.
Logo, seria natural que o CEDN a delinear incidisse sobre este ponto (que impede, na prática, a decisão sobre qualquer outro).
Ou seja e em súmula, como pôr a “Troika” daqui para fora.
Mas nada disto se passou nem o Ministro Gaspar deixava…
No entretanto esclareci duas dúvidas e obtive uma informação que desconhecia.
Em primeiro lugar que o GT não recebeu qualquer directiva política sobre o Conceito Estratégico e que a diferença de designação de CEDN para Conceito Estratégico de Segurança e Defesa Nacional (CESDN) tinha sido uma iniciativa do GT e não por indicação de quem encomendou o trabalho.
Finalmente, o GT baseou todo o seu articulado na perspectiva de que o país está no limiar da sobrevivência o que, sendo uma postura realista e correcta, caíu mal em diversos círculos do poder e terá exasperado algumas figuras da política. O que deve ter ajudado à subalternização senão mesmo, à irrelevância do documento, arduamente elaborado durante 75 dias.
Para obviar a que tal possa acontecer por completo, só há uma coisa a fazer que é o de o divulgar e manter a discussão sobre o tema em diferentes “fora”.
Já relativamente à iniciativa referida de mudar o nome para CESDN e à inexistência de orientações, parece querer significar que o MDN deu carta-branca ao GT para elaborar sobre o que muito bem entendesse. O que não deixa de ser curioso a vários títulos.
Primeiro porque a Estratégia (ou as estratégias), deve derivar de uma orientação política (embora os caminhos a percorrer sejam, simultaneamente, ascendentes e descendentes) e isto significa que o Governo não a tem e delegou no GT delineá-la.
Definir objectivos políticos, estabelecer prioridades, hierarquizar cenários e considerar “timings”, é fundamental para se objectivar esforços, adquirir capacidades, orientar sinergias, etc.
E, ainda, para evitar um dos principais erros em que se caíu quando se elaboraram os anteriores CEDN, que é serem generalistas e abrangentes, ou seja davam para tudo o que resultou serem consequentes em nada!
Aliás, nada faz sugerir que todos os governos que tivemos, nas últimas décadas, tivessem a mais remota intenção de se orientarem pelo que pudesse estar escrito nesses documentos. E tirando os ministros da defesa e alguns deputados da Comissão Parlamentar de Defesa, mais nenhum político os deve ter lido alguma vez.
Tudo isto seria já de si suficiente para que o GT tivesse como base de trabalho o “nada” ou a sua imaginação.
As 109 páginas demonstram que essa imaginação foi usada, mas ela teve que ultrapassar ainda um outro “nada”, ou “vazio”.
Expliquemo-nos.
Não me passa pela cabeça ir analisar o que ficou escrito no sentido de o “criticar” mas, talvez, seja pertinente fazer alguns comentários, à volta do mesmo.
A primeira consideração é a de que seria desnecessário o trabalho. Porquê?
Porque do anterior nada de significativo mudou (a não ser uma coisa): não mudou a geografia, nem o carácter das pessoas, nem as ameaças ou riscos – foram apenas diminuindo as nossas capacidades…
O que mudou – e sobreleva tudo o resto – foi o desregramento financeiro medonho que colocou o país à beira da bancarrota, e debaixo do escrutínio de uma comissão internacional (e internacionalista), que reduziu grande parte da Soberania Nacional, a estilhas.
Logo, seria natural que o CEDN a delinear incidisse sobre este ponto (que impede, na prática, a decisão sobre qualquer outro).
Ou seja e em súmula, como pôr a “Troika” daqui para fora.
Mas nada disto se passou nem o Ministro Gaspar deixava…
No entretanto esclareci duas dúvidas e obtive uma informação que desconhecia.
Em primeiro lugar que o GT não recebeu qualquer directiva política sobre o Conceito Estratégico e que a diferença de designação de CEDN para Conceito Estratégico de Segurança e Defesa Nacional (CESDN) tinha sido uma iniciativa do GT e não por indicação de quem encomendou o trabalho.
Finalmente, o GT baseou todo o seu articulado na perspectiva de que o país está no limiar da sobrevivência o que, sendo uma postura realista e correcta, caíu mal em diversos círculos do poder e terá exasperado algumas figuras da política. O que deve ter ajudado à subalternização senão mesmo, à irrelevância do documento, arduamente elaborado durante 75 dias.
Para obviar a que tal possa acontecer por completo, só há uma coisa a fazer que é o de o divulgar e manter a discussão sobre o tema em diferentes “fora”.
Já relativamente à iniciativa referida de mudar o nome para CESDN e à inexistência de orientações, parece querer significar que o MDN deu carta-branca ao GT para elaborar sobre o que muito bem entendesse. O que não deixa de ser curioso a vários títulos.
Primeiro porque a Estratégia (ou as estratégias), deve derivar de uma orientação política (embora os caminhos a percorrer sejam, simultaneamente, ascendentes e descendentes) e isto significa que o Governo não a tem e delegou no GT delineá-la.
Definir objectivos políticos, estabelecer prioridades, hierarquizar cenários e considerar “timings”, é fundamental para se objectivar esforços, adquirir capacidades, orientar sinergias, etc.
E, ainda, para evitar um dos principais erros em que se caíu quando se elaboraram os anteriores CEDN, que é serem generalistas e abrangentes, ou seja davam para tudo o que resultou serem consequentes em nada!
Aliás, nada faz sugerir que todos os governos que tivemos, nas últimas décadas, tivessem a mais remota intenção de se orientarem pelo que pudesse estar escrito nesses documentos. E tirando os ministros da defesa e alguns deputados da Comissão Parlamentar de Defesa, mais nenhum político os deve ter lido alguma vez.
Tudo isto seria já de si suficiente para que o GT tivesse como base de trabalho o “nada” ou a sua imaginação.
As 109 páginas demonstram que essa imaginação foi usada, mas ela teve que ultrapassar ainda um outro “nada”, ou “vazio”.
Expliquemo-nos.
Uma estratégia pressupõe adversários, inimigos,
riscos e ameaças. E pressupõe que existe algo a defender ou, no caso vertente,
a tornar seguro – um conceito mais alargado.
Para tal é necessário definir o que importa defender, dado que se encontra esbatido na mente de quase todos desde que, na sequência do 25/4/74 se estabeleceu, de algum modo como um dogma, que “Portugal era amigo de todos e todos eram nossos amigos”…
Além disso em “Democracia” não há lugar a conflitos...[1]
Daí à genuflexão militante, foi um passo.
Ainda tivemos um arrobo de personalidade (melhor dizendo, uma má consciência do tamanho do mundo!), aquando da questão timorense – e após 10 anos de inatividade – lá tentámos reparar uma desgraça da qual os poderes em Lisboa tinham sido os principais (senão os únicos) responsáveis.
Bom, mas as relações internacionais são baseadas no Poder: poder político, diplomático, económico, financeiro, cultural, psicológico e militar. Mas sempre poder real, efectivo, que exista e possa ser exercido.
Ora os sucessivos governos portugueses têm-se entretido a desbaratar todo o Poder Nacional Português - TODO - como, aliás, o GT reconheceu ao afirmar que “apenas nos resta algum poder residual”…
E, neste âmbito, bem se pode afirmar que os diferentes órgãos de soberania se têm comportado como subversivos da Nação dos portugueses!
Logo, se não existir Poder – que se decompõe em capacidades várias - permitindo opções estratégicas variadas (quanto mais poder, mais opções…), não é possível delinear qualquer estratégia. De onde decorre que a elaboração de um CEDN torna-se um exercício vão, por se estar a elaborar sobre o … nada!
Quando muito pode-se enunciar uma estratégia genética com o título “o que se pode fazer para obter um mínimo de poder que nos baste”…
Um derradeiro comentário:
Para tal é necessário definir o que importa defender, dado que se encontra esbatido na mente de quase todos desde que, na sequência do 25/4/74 se estabeleceu, de algum modo como um dogma, que “Portugal era amigo de todos e todos eram nossos amigos”…
Além disso em “Democracia” não há lugar a conflitos...[1]
Daí à genuflexão militante, foi um passo.
Ainda tivemos um arrobo de personalidade (melhor dizendo, uma má consciência do tamanho do mundo!), aquando da questão timorense – e após 10 anos de inatividade – lá tentámos reparar uma desgraça da qual os poderes em Lisboa tinham sido os principais (senão os únicos) responsáveis.
Bom, mas as relações internacionais são baseadas no Poder: poder político, diplomático, económico, financeiro, cultural, psicológico e militar. Mas sempre poder real, efectivo, que exista e possa ser exercido.
Ora os sucessivos governos portugueses têm-se entretido a desbaratar todo o Poder Nacional Português - TODO - como, aliás, o GT reconheceu ao afirmar que “apenas nos resta algum poder residual”…
E, neste âmbito, bem se pode afirmar que os diferentes órgãos de soberania se têm comportado como subversivos da Nação dos portugueses!
Logo, se não existir Poder – que se decompõe em capacidades várias - permitindo opções estratégicas variadas (quanto mais poder, mais opções…), não é possível delinear qualquer estratégia. De onde decorre que a elaboração de um CEDN torna-se um exercício vão, por se estar a elaborar sobre o … nada!
Quando muito pode-se enunciar uma estratégia genética com o título “o que se pode fazer para obter um mínimo de poder que nos baste”…
Um derradeiro comentário:
No início das “Disposições Finais” da proposta de
CESDN, pode ler-se o seguinte: “O CESDN fundamenta-se na agregação de todos os
elementos com o objectivo final e permanente de proteger a nação portuguesa,
garantindo a sua sobrevivência como entidade política e humana, independente e
soberana”.
Ora este conceito - que está correctíssimo como
defensor e garante, daquele que foi o Objectivo Nacional Permanente Histórico,
número um, desde a fundação da nacionalidade - encerra uma contradição
insanável.
Esta contradição diz respeito à nossa permanência
na União Europeia, sobretudo desde que o nosso país assinou o Tratado de
Maastricht e, depois, o Tratado de Lisboa.
É que estes tratados são incompatíveis com aquele
desiderato expresso na proposta de CESDN. Até porque, tudo isto, de nacional
não tem nada!
Esta coisa do “Rei” teimar em se passear nú, pelas
diferentes épocas e serem só as crianças[2] a exclamar a evidência
acaba, por norma, mal.
Muito mal.
[1] E, se por remota hipótese, algo surgisse, lá estaria a NATO (quiçá a ONU e a UE
– ah, ah, ah).
[2] A quem, ainda, não taparam os olhos ou a boca…
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
A REFORMA DO ESTADO
Para
este tema, como para quase todos, podemos ter um discurso diferente. Um
discurso académico; um discurso erudito; um discurso de campanha eleitoral; um
discurso tecnocrático, um discurso popularucho, etc.. Conforme os interesses e
as finalidades.
Prefiro optar por uma linguagem simples (e verdadeira), que todos possam entender.
O princípio da discussão deve ser a de definir termos e objectivos.
Deste
modo, vale a pena, começar por definir o que é o Estado. É simples: o Estado é
a Nação politicamente organizada.
E o que será a Nação (palavra que desapareceu do léxico político)? Bom, a Nação é o conjunto daqueles que nasceram no território soberano e juridicamente constituindo, que tem uma História comum, através de laços e aspirações comuns e que, em comum, querem continuar a construir o seu futuro.
Quando essa comunidade, amalgamada por uma cultura própria, língua própria, idiossincrasia própria, etc., que gera uma identidade própria, consegue desenvolver uma espiritualidade e um devir moral comum, que se transmite e enriquece de geração em geração, passamos a ter uma Pátria – singelamente, a terra dos nossos antepassados.
E aqueles que a Providência Divina ou o acaso cósmico – conforme as crenças – fez nascer no seio dessa nação, deixam apenas de ostentar um bilhete de identidade, passam a ser patriotas: aqueles que amam a sua Pátria.
Muito bem, como a ideia anunciada não foi a de “refundar” a Nação, nem a Pátria mas, apenas, o Estado, vamos ver o que faz o Estado, para que serve o Estado?
Pois o Estado – não sendo um fim em si mesmo, note-se – serve para tentar alcançar e manter, as “aspirações utópicas” dos seres humanos, à Segurança, Justiça e Bem-Estar.[1] Por esta ordem, já que a ordem dos termos não é arbitrária.[2]
Existindo o Estado para servir a Nação, a exigência primeira que se deve fazer aos cidadãos que vão preencher os lugares da estrutura desse Estado é a que eles estejam lá para servir.
Esta Ética deve ser interiorizada com grau de exigência crescente à medida que se sobe na hierarquia (outro termo desaparecido), desse mesmo Estado.
O caso deontológico mais exigente de todos é o dos militares, que não têm só a obrigação de cumprir as suas missões, mas em que o morrer faz parte do dever (de que tomam compromisso público).[3]
Uma das coisas principais que dá alguma garantia de tal poder ser cumprido é aquilo que é conhecido pela “condição militar” e o que lhe está subjacente, coisa que os sucessivos governos se têm esmerado, não em reformar, mas em destruir.
Aqui chegados põe-se a questão: porque é necessário reformar o Estado?
Porque o que existe é incompetente para cumprir o que é suposto?
Porque a estrutura é inadequada? Tem gente a mais? Há falta de liderança? É demasiado caro?
Os objectivos estão desfasados das realidades? Existe descoordenação entre entidades?
Que capacidades quero reter e, ou, alienar?
Eis uma quantidade de perguntas a que é necessário dar resposta antes de começar a trabalhar (não a refundar!).
E também não seria má ideia elaborar sobre qual a matriz, os “standards” morais e a ética pública, que deve enformar o que se vai fazer…
Ora uma reforma (se for isso que se pretende, o que desde já duvidamos) complexa como é esta, não deve (porque poder pode) ser feita de supetão, como são aquelas que surtem de revolucionarites agudas!
Será então de bom senso tentar moderar a compressão do tempo e do espaço para que o feto não verta em aborto (apesar de não pagar, ainda, taxa moderadora).
Depois é aconselhável priorizar a reforma e ponderar o que pode ou deve, ser feito em simultâneo.
E logo uma coisa se destaca: a reforma de todo o sistema político, que é o pai e a mãe de todos os males – sem esquecer a preparação e escolha das pessoas que o vão operacionalizar.
E que, praticamente ninguém, quer discutir (o que é a negação da própria Democracia…).
Daqui resultaria uma nova Constituição (esta é mázinha graças a Deus e aos homens) e a macro estrutura do Estado e suas instituições.
Segue-se em hierarquia as funções do Estado, a Segurança, a Justiça e o bem - estar. Isto é, como é que nos vamos organizar para atingir os múltiplos objectivos dentro destes três âmbitos. Que estruturas e capacidades se devem edificar, qual o número de pessoas necessárias e quanto é que tudo custa.
E será sustentável?
Se não for sustentável então é necessário rever todo o processo e os objectivos, que podem estar desajustados.
E tudo tem de ser pensado e feito tendo como pano de fundo a realidade social, cultural e a idiossincrasia própria do povo português.
Tudo tem que ser muito bem balanceado e aferido em termos que mais se assemelham a uma arte do que a uma ciência e como tal é incompatível com modelos tecnocráticos de aplicação cega, por gente sem jeito nem conhecimentos adequados das realidades e, por vezes ao serviço de interesses estranhos (quando não, obscuros), que não têm nada a ver com a “tal Nação” e a “tal Pátria”!... [4]
Finalmente, uma reforma destas, não pode ser feita ou discutida por toda a gente, ou apenas por meia dúzia de iluminados – partindo do princípio que há alguma seriedade em tudo isto.
Tem que haver prazos e regras.
Vários modelos se podem conceber, mas todos eles devem procurar estabelecer diferentes patamares de decisão (três parece razoável) e procurar a nomeação de grupos de trabalho (GT) específicos para diferentes áreas, com profissionais capazes e independentes de “lobies” e ideologias político- partidárias. Nestes GT confluiriam contributos específicos que pudessem ter origem em iniciativas da chamada “sociedade civil”.
Os GT devem ser suficientemente alargados para acolherem todos os saberes e, em simultâneo, reduzidos para poderem funcionar. E, claro, tem que ser chefiado por alguém com capacidade de liderança.
A coordenação de todos os GT é essencial e a coordenação deve começar por estes no sentido de verificarem a áreas de sobreposição, em falta ou complementares, de modo a harmonizar todo o “edifício”.
E chega.[5]
A melhor reforma é aquela que não se dá por ela nem é anunciada previamente como indispensável, para … ontem!
É aquela que se vai fazendo à medida que se antecipa a sua necessidade.
Infelizmente, não fomos por esse caminho e estamos a pagar caro por isso.
Demasiado caro.
______________________
[1] “Utópicas” no sentido em que jamais serão alcançadas na sua plenitude; sendo intangíveis, devem constituir meta a tentar ser atingida.
[2] Se não houver Segurança não pode haver Justiça e sem existir Segurança e Justiça, não pode haver Bem-Estar…
[3] Embora se espere que, preferencialmente, façam com que sejam os da trincheira oposta a fazer esse sacrifício…
[4] Já não deve ser nada fácil encontrar portugueses que conheçam (e sintam) Portugal, dadas as tremendas machadadas que foram dadas na identidade nacional nas últimas quatro décadas…
[5] Pois não é fácil, mas tem que se tentar…
E o que será a Nação (palavra que desapareceu do léxico político)? Bom, a Nação é o conjunto daqueles que nasceram no território soberano e juridicamente constituindo, que tem uma História comum, através de laços e aspirações comuns e que, em comum, querem continuar a construir o seu futuro.
Quando essa comunidade, amalgamada por uma cultura própria, língua própria, idiossincrasia própria, etc., que gera uma identidade própria, consegue desenvolver uma espiritualidade e um devir moral comum, que se transmite e enriquece de geração em geração, passamos a ter uma Pátria – singelamente, a terra dos nossos antepassados.
E aqueles que a Providência Divina ou o acaso cósmico – conforme as crenças – fez nascer no seio dessa nação, deixam apenas de ostentar um bilhete de identidade, passam a ser patriotas: aqueles que amam a sua Pátria.
Muito bem, como a ideia anunciada não foi a de “refundar” a Nação, nem a Pátria mas, apenas, o Estado, vamos ver o que faz o Estado, para que serve o Estado?
Pois o Estado – não sendo um fim em si mesmo, note-se – serve para tentar alcançar e manter, as “aspirações utópicas” dos seres humanos, à Segurança, Justiça e Bem-Estar.[1] Por esta ordem, já que a ordem dos termos não é arbitrária.[2]
Existindo o Estado para servir a Nação, a exigência primeira que se deve fazer aos cidadãos que vão preencher os lugares da estrutura desse Estado é a que eles estejam lá para servir.
Esta Ética deve ser interiorizada com grau de exigência crescente à medida que se sobe na hierarquia (outro termo desaparecido), desse mesmo Estado.
O caso deontológico mais exigente de todos é o dos militares, que não têm só a obrigação de cumprir as suas missões, mas em que o morrer faz parte do dever (de que tomam compromisso público).[3]
Uma das coisas principais que dá alguma garantia de tal poder ser cumprido é aquilo que é conhecido pela “condição militar” e o que lhe está subjacente, coisa que os sucessivos governos se têm esmerado, não em reformar, mas em destruir.
Aqui chegados põe-se a questão: porque é necessário reformar o Estado?
Porque o que existe é incompetente para cumprir o que é suposto?
Porque a estrutura é inadequada? Tem gente a mais? Há falta de liderança? É demasiado caro?
Os objectivos estão desfasados das realidades? Existe descoordenação entre entidades?
Que capacidades quero reter e, ou, alienar?
Eis uma quantidade de perguntas a que é necessário dar resposta antes de começar a trabalhar (não a refundar!).
E também não seria má ideia elaborar sobre qual a matriz, os “standards” morais e a ética pública, que deve enformar o que se vai fazer…
Ora uma reforma (se for isso que se pretende, o que desde já duvidamos) complexa como é esta, não deve (porque poder pode) ser feita de supetão, como são aquelas que surtem de revolucionarites agudas!
Será então de bom senso tentar moderar a compressão do tempo e do espaço para que o feto não verta em aborto (apesar de não pagar, ainda, taxa moderadora).
Depois é aconselhável priorizar a reforma e ponderar o que pode ou deve, ser feito em simultâneo.
E logo uma coisa se destaca: a reforma de todo o sistema político, que é o pai e a mãe de todos os males – sem esquecer a preparação e escolha das pessoas que o vão operacionalizar.
E que, praticamente ninguém, quer discutir (o que é a negação da própria Democracia…).
Daqui resultaria uma nova Constituição (esta é mázinha graças a Deus e aos homens) e a macro estrutura do Estado e suas instituições.
Segue-se em hierarquia as funções do Estado, a Segurança, a Justiça e o bem - estar. Isto é, como é que nos vamos organizar para atingir os múltiplos objectivos dentro destes três âmbitos. Que estruturas e capacidades se devem edificar, qual o número de pessoas necessárias e quanto é que tudo custa.
E será sustentável?
Se não for sustentável então é necessário rever todo o processo e os objectivos, que podem estar desajustados.
E tudo tem de ser pensado e feito tendo como pano de fundo a realidade social, cultural e a idiossincrasia própria do povo português.
Tudo tem que ser muito bem balanceado e aferido em termos que mais se assemelham a uma arte do que a uma ciência e como tal é incompatível com modelos tecnocráticos de aplicação cega, por gente sem jeito nem conhecimentos adequados das realidades e, por vezes ao serviço de interesses estranhos (quando não, obscuros), que não têm nada a ver com a “tal Nação” e a “tal Pátria”!... [4]
Finalmente, uma reforma destas, não pode ser feita ou discutida por toda a gente, ou apenas por meia dúzia de iluminados – partindo do princípio que há alguma seriedade em tudo isto.
Tem que haver prazos e regras.
Vários modelos se podem conceber, mas todos eles devem procurar estabelecer diferentes patamares de decisão (três parece razoável) e procurar a nomeação de grupos de trabalho (GT) específicos para diferentes áreas, com profissionais capazes e independentes de “lobies” e ideologias político- partidárias. Nestes GT confluiriam contributos específicos que pudessem ter origem em iniciativas da chamada “sociedade civil”.
Os GT devem ser suficientemente alargados para acolherem todos os saberes e, em simultâneo, reduzidos para poderem funcionar. E, claro, tem que ser chefiado por alguém com capacidade de liderança.
A coordenação de todos os GT é essencial e a coordenação deve começar por estes no sentido de verificarem a áreas de sobreposição, em falta ou complementares, de modo a harmonizar todo o “edifício”.
E chega.[5]
A melhor reforma é aquela que não se dá por ela nem é anunciada previamente como indispensável, para … ontem!
É aquela que se vai fazendo à medida que se antecipa a sua necessidade.
Infelizmente, não fomos por esse caminho e estamos a pagar caro por isso.
Demasiado caro.
______________________
[1] “Utópicas” no sentido em que jamais serão alcançadas na sua plenitude; sendo intangíveis, devem constituir meta a tentar ser atingida.
[2] Se não houver Segurança não pode haver Justiça e sem existir Segurança e Justiça, não pode haver Bem-Estar…
[3] Embora se espere que, preferencialmente, façam com que sejam os da trincheira oposta a fazer esse sacrifício…
[4] Já não deve ser nada fácil encontrar portugueses que conheçam (e sintam) Portugal, dadas as tremendas machadadas que foram dadas na identidade nacional nas últimas quatro décadas…
[5] Pois não é fácil, mas tem que se tentar…
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
MORREU JAIME NEVES
Português, transmontano, militar
e amante das coisas da vida.
Conheci o Major General Jaime
Neves, mas não privei com ele. Por isso não tenho um conhecimento sequer
razoável do seu carácter e personalidade, não podendo, assim, escrever sobre
ele com profundidade. Estimáva - o como camarada mais antigo.
Mas sei que foi um combatente de eleição e um bom condutor de homens.
Era um homem franco, rijo e amigo
do seu amigo.
Como militar as suas qualidades
operacionais destacavam-se relativamente aos atributos relacionados com a
actividade de Estado-Maior. Não era um teórico nem um estudioso, mas sim um
prático e um intuitivo.
Participou no golpe de estado do
25 de Abril, como a maioria que o fez, por queixas várias contra governos e hierarquias,
algum idealismo e muita ingenuidade à mistura. Situação que virou pouco refletida
e ponderada a que não é estranha a falta de preparação política e intelectual
da maioria.
Sem embargo, e "a
posteriori", de muitos terem manchado a sua “folha de serviços” por
oportunismo e acções contrárias ao dever, brio e decoro militares.
Neste último lote não está
incluído o “Comando” – especialidade que sempre honrou – Jaime Neves que,
vendo-se envolvido na espiral de loucura que assolou o país, no Verão de 1975,
se situou no lado são, da Instituição Militar.
E, nesse âmbito, se destacou na
acção preponderante que teve como comandante do Regimento de Comandos na
contenção (mas não na derrota) das forças político – partidárias de carácter
internacionalista e totalitário, que tinham colocado o país à beira da guerra
civil. O que restou do país deve-lhe isso.
O que, infelizmente, não foi
possível fazer nas parcelas ultramarinas.
Só depois daquela acção - onde se
destacaram, também, algumas unidades aéreas da Força Aérea- se conseguiu
prosseguir com a retoma da “Democracia” (a ser tentada desde 1820…), previsto
no Programa do MFA e único desiderato dos “3 Ds” nele constante, a ter algum
sucesso até hoje.
Pelo que fez o Major General
Jaime Neves ganhou jus a ter o seu nome, para sempre, gravado na História de
Portugal.
Jaime Neves foi, sobretudo, um
bravo.
Um bravo militar do Exército
Português.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
THATCHER, OBAMA E AS FORÇAS ARMADAS
Passaram, recentemente, a circular na Net algumas afirmações da antiga
Primeira-Ministro Margaret Thatcher, relativamente à presença de mulheres
nas Forças Armadas.
Texto com o qual não podemos deixar de
concordar.
Por me parecer pertinente (e a memória dos homens ser curta) junto três artigos que (nas datas assinaladas escrevi) sobre o tema (o
último dos quais já inserido na temática do casamento homossexual).
Nem
por acaso, no dia 23 do corrente mês de Janeiro, caiu na imprensa que a
Admnistração Obama, vai permitir que as militares estado-unidenses possam
entrar em combate. Quanto às "mariquices", infere-se do discurso da tomada
de posse...
Caíram assim por terra todas as objecções da hierárquia
militar americana quanto a estes assuntos - que eram públicos e tinham
anos (ao menos esses ainda se opuseram...).
Até onde nos
afundaremos nos abismos morais e no erro, eis a questão que fica em
aberto.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
“ORAÇÃO” AOS NOVOS PILOTOS CIVIS BREVETADOS
CAROS PILOTOS OS MEUS PARABÉNS.
PARABÉNS TAMBÉM PARA OS
INSTRUTORES E TODOS O RESTANTE PESSOAL DE TODAS AS ESCOLAS, POIS SEM ELES A
CERIMÓNIA DE BREVETAMENTO NÃO SE REALIZARIA. O QUE FOI FEITO SÓ SE CONSEGUE COM
TRABALHO DE EQUIPA!
MAS OS “HEROIS” DA FESTA, HOJE,
SÃO OS ALUNOS E A MESMA A ELES É DEDICADA.
TENDES RAZÃO PARA ESTAR
SATISFEITOS.
LEVARAM A BOM TERMO UM DESÍGNIO A
QUE SE PROPUSERAM. E O DESÍGNIO NÃO ERA FÁCIL. POR ISSO TEM MAIS SABOR CHEGAR
AO FIM.
HOJE É O 1º DIA DO RESTO DAS
VOSSAS VIDAS, PROFISSIONALMENTE FALANDO, É CLARO.
GANHASTEIS O DIREITO A TER UM
BOCADINHO DO CÉU SÓ PARA VÓS…
TODO O ESFORÇO QUE TIVERAM QUE
FAZER, AS NOITADAS A ESTUDAR (?); AS CATADUPAS DE BRIEFINGS E DEBRIEFINGS; AS
ANSIAS PELA FALTA DE TEMPO; OS MEDOS E RECEIOS, DESDE O PRIMEIRO VOO SOLO, À 1ª
VEZ QUE ENTRARAM DENTRO DE NUVENS – NA VIDA HÁ SEMPRE UMA 1ª VEZ PARA TUDO - ;
AS FRUSTRAÇÕES DAS MISSÕES QUE CORRERAM MAL; OS APERTOS DE TORQUE DOS
INSTRUCTORES ( E SE NÃO OS SENTIRAM É PORQUE ALGUMA COISA NÃO CORREU COMO
DEVIA…), ETC., HOJE TUDO ISSO JÁ VOS PARECE UM SONHO QUE PASSOU E SÓ TENDERÃO A
RECORDAR-SE DAS COISAS BOAS.
APESAR DAS DIFICULDADES, PROMETO-VOS
QUE VÃO TER SAUDADES DA VIDA DE ESTUDANTE, QUE É A MELHOR QUE PODEM TER…
A PARTIR DE AGORA VÃO ENTRAR NO
MUNDO REAL, COM AS SUAS PARTICULARIDADES, COM A DIFICULDADE DAS RELAÇÕES
HUMANAS; AS QUESTÕES LABORAIS; AS RESPONSABILIDADES FAMILIARES E PROFISSIONAIS,
ACRESCIDAS.
E LEMBREM-SE DE QUE, AO CONTRÁRIO
DO QUE PASSOU A SER NORMA NO DISCURSO POLÍTICO E MEDIÁTICO, OS “DIREITOS” DEVEM
DERIVAR DOS DEVERES CUMPRIDOS, NÃO ESTÃO (NEM DEVEM ESTAR) GARANTIDOS Á
PARTIDA…
WELCOME TO REALITY!
QUANTO Á AVIAÇÃO, ACONSELHO-VOS
HUMILDADE E RESPEITO. SÓ A PARTIR DE AGORA VÃO, REALMENTE, COMEÇAR A APRENDER,
A CONHECER AS REGRAS DO MERCADO, A COMPLEXIDADE DAS LEIS, OS SEGREDOS DO VOO E
O CONHECIMENTO E EXPLORAÇÃO OPERACIONAL DA MÁQUINA ONDE VÃO PASSAR A VIVER
GRANDE PARTE DA VOSSA VIDA: O AVIÃO (PARA ALGUNS O HELICÓPTERO)!
ISTO, CLARO, QUANDO CONSEGUIREM ULTRAPASSAR
A FASE MAIS DIFICIL QUE TÊM PELA FRENTE: ARRANJAR EMPREGO.
VÃO EXERCER UMA ACTIVIDADE
TECNICAMENTE COMPLEXA, FISIOLÓGICAMENTE EXIGENTE, ECONÓMICAMENTE RELEVANTE E
SOCIALMENTE ÚTIL.
E ENTRAR NUM MUNDO PROFISSIONALMENTE
CONCORRENTE, RELATIVAMENTE, BEM REMUNERADO E EM TERMOS SOCIAIS MUITO BEM
ACEITE.
DEVEM, AINDA, TER EM CONTA QUE SÓ
EXISTEM, VERDADEIRAMENTE, DOIS GRUPOS PROFISSIONAIS QUE SÃO DEVIDAMENTE
AFERIDOS NO NOSSO PAÍS: OS MILITARES E OS AVIADORES (TANTO CIVIS COMO MILITARES).
TERÃO QUE TENTAR NAVEGAR ENTRE O
EXTREMO DO CAPITALISMO “SELVAGEM” E A “DITADURA” DOS SINDICATOS, COM TUDO O QUE
ISSO IMPLICA, DE PREFERÊNCIA DE UM MODO EM QUE NÃO PERCAM O VOSSO CARÁCTER E SE
AFIRMEM PESSOAS INTEGRAS E DE PERSONALIDADE EQUILIBRADA.
QUE AS ASAS DA CRUZ DE CRISTO,
QUE AGORA OSTENTAM, VOS LEVEM E TRAGAM NA MELHOR DAS VENTURAS.
ELA – A CRUZ DE CRISTO – NÃO ESTÁ
LÁ POR ACASO. MEDITEM NISSO.
BOA SORTE PARA TODOS E FAÇAM O
FAVOR DE ATERRAR SEMPRE MELHOR DO QUE DESCOLAM!
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