sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

THATCHER, OBAMA E AS FORÇAS ARMADAS

Passaram, recentemente, a circular na Net algumas afirmações da antiga Primeira-Ministro Margaret Thatcher, relativamente à presença de mulheres nas Forças Armadas.

Texto com o qual não podemos deixar de concordar.

Por me parecer pertinente (e a memória dos homens ser curta) junto três artigos que (nas datas assinaladas escrevi) sobre o tema (o último dos quais já inserido na temática do casamento homossexual).

Nem por acaso, no dia 23 do corrente mês de Janeiro, caiu na imprensa que a Admnistração Obama, vai permitir que as militares estado-unidenses possam entrar em combate. Quanto às "mariquices", infere-se do discurso da tomada de posse...

Caíram assim por terra todas as objecções da hierárquia militar americana quanto a estes assuntos - que eram públicos e tinham anos (ao menos esses ainda se opuseram...).

Até onde nos afundaremos nos abismos morais e no erro, eis a questão que fica em aberto.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

“ORAÇÃO” AOS NOVOS PILOTOS CIVIS BREVETADOS

CAROS PILOTOS OS MEUS PARABÉNS.

PARABÉNS TAMBÉM PARA OS INSTRUTORES E TODOS O RESTANTE PESSOAL DE TODAS AS ESCOLAS, POIS SEM ELES A CERIMÓNIA DE BREVETAMENTO NÃO SE REALIZARIA. O QUE FOI FEITO SÓ SE CONSEGUE COM TRABALHO DE EQUIPA!

MAS OS “HEROIS” DA FESTA, HOJE, SÃO OS ALUNOS E A MESMA A ELES É DEDICADA.

TENDES RAZÃO PARA ESTAR SATISFEITOS.

LEVARAM A BOM TERMO UM DESÍGNIO A QUE SE PROPUSERAM. E O DESÍGNIO NÃO ERA FÁCIL. POR ISSO TEM MAIS SABOR CHEGAR AO FIM.

HOJE É O 1º DIA DO RESTO DAS VOSSAS VIDAS, PROFISSIONALMENTE FALANDO, É CLARO.

GANHASTEIS O DIREITO A TER UM BOCADINHO DO CÉU SÓ PARA VÓS…

TODO O ESFORÇO QUE TIVERAM QUE FAZER, AS NOITADAS A ESTUDAR (?); AS CATADUPAS DE BRIEFINGS E DEBRIEFINGS; AS ANSIAS PELA FALTA DE TEMPO; OS MEDOS E RECEIOS, DESDE O PRIMEIRO VOO SOLO, À 1ª VEZ QUE ENTRARAM DENTRO DE NUVENS – NA VIDA HÁ SEMPRE UMA 1ª VEZ PARA TUDO - ; AS FRUSTRAÇÕES DAS MISSÕES QUE CORRERAM MAL; OS APERTOS DE TORQUE DOS INSTRUCTORES ( E SE NÃO OS SENTIRAM É PORQUE ALGUMA COISA NÃO CORREU COMO DEVIA…), ETC., HOJE TUDO ISSO JÁ VOS PARECE UM SONHO QUE PASSOU E SÓ TENDERÃO A RECORDAR-SE DAS COISAS BOAS.

APESAR DAS DIFICULDADES, PROMETO-VOS QUE VÃO TER SAUDADES DA VIDA DE ESTUDANTE, QUE É A MELHOR QUE PODEM TER…

A PARTIR DE AGORA VÃO ENTRAR NO MUNDO REAL, COM AS SUAS PARTICULARIDADES, COM A DIFICULDADE DAS RELAÇÕES HUMANAS; AS QUESTÕES LABORAIS; AS RESPONSABILIDADES FAMILIARES E PROFISSIONAIS, ACRESCIDAS.
E LEMBREM-SE DE QUE, AO CONTRÁRIO DO QUE PASSOU A SER NORMA NO DISCURSO POLÍTICO E MEDIÁTICO, OS “DIREITOS” DEVEM DERIVAR DOS DEVERES CUMPRIDOS, NÃO ESTÃO (NEM DEVEM ESTAR) GARANTIDOS Á PARTIDA…

WELCOME TO REALITY!

QUANTO Á AVIAÇÃO, ACONSELHO-VOS HUMILDADE E RESPEITO. SÓ A PARTIR DE AGORA VÃO, REALMENTE, COMEÇAR A APRENDER, A CONHECER AS REGRAS DO MERCADO, A COMPLEXIDADE DAS LEIS, OS SEGREDOS DO VOO E O CONHECIMENTO E EXPLORAÇÃO OPERACIONAL DA MÁQUINA ONDE VÃO PASSAR A VIVER GRANDE PARTE DA VOSSA VIDA: O AVIÃO (PARA ALGUNS O HELICÓPTERO)!

ISTO, CLARO, QUANDO CONSEGUIREM ULTRAPASSAR A FASE MAIS DIFICIL QUE TÊM PELA FRENTE: ARRANJAR EMPREGO.

VÃO EXERCER UMA ACTIVIDADE TECNICAMENTE COMPLEXA, FISIOLÓGICAMENTE EXIGENTE, ECONÓMICAMENTE RELEVANTE E SOCIALMENTE ÚTIL.

E ENTRAR NUM MUNDO PROFISSIONALMENTE CONCORRENTE, RELATIVAMENTE, BEM REMUNERADO E EM TERMOS SOCIAIS MUITO BEM ACEITE.

DEVEM, AINDA, TER EM CONTA QUE SÓ EXISTEM, VERDADEIRAMENTE, DOIS GRUPOS PROFISSIONAIS QUE SÃO DEVIDAMENTE AFERIDOS NO NOSSO PAÍS: OS MILITARES E OS AVIADORES (TANTO CIVIS COMO MILITARES).

TERÃO QUE TENTAR NAVEGAR ENTRE O EXTREMO DO CAPITALISMO “SELVAGEM” E A “DITADURA” DOS SINDICATOS, COM TUDO O QUE ISSO IMPLICA, DE PREFERÊNCIA DE UM MODO EM QUE NÃO PERCAM O VOSSO CARÁCTER E SE AFIRMEM PESSOAS INTEGRAS E DE PERSONALIDADE EQUILIBRADA.

QUE AS ASAS DA CRUZ DE CRISTO, QUE AGORA OSTENTAM, VOS LEVEM E TRAGAM NA MELHOR DAS VENTURAS.

ELA – A CRUZ DE CRISTO – NÃO ESTÁ LÁ POR ACASO. MEDITEM NISSO.

BOA SORTE PARA TODOS E FAÇAM O FAVOR DE ATERRAR SEMPRE MELHOR DO QUE DESCOLAM!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A PROPÓSITO DE UMA TERTÚLIA...

Recentemente tive ocasião de assistir a uma tertúlia sobre um reconhecido cientista politico do século XX.

No periodo de debate, foi colocada uma questão sobre a explicação das forças de extrema esquerda (leia-se PCP e BE), terem em Portugal - no século XXI - cerca de 20% dos votos, o que era tido pelo questionador, como inexplicável.

O orador, Professor de Ciência Politica, se bem que ainda jovem,  não conseguiu adiantar mais do que também achar estranho e inexplicável, tal facto.

Aqui deixo o texto que publiquei, em 2008, onde se tenta enquadrar e explicar esta mesma questão.

sábado, 12 de janeiro de 2013

AS CHEFIAS MILITARES CONDECORARAM O DR. JARDIM

Pela Comunicação Social soubemos que as chefias militares tinham condecorado o Dr. João Jardim (JJ) com a medalha militar da Cruz de S. Jorge, em “reconhecimento pelos serviços prestados que em muito contribuíram para a eficácia e cumprimento das Forças Armadas na Madeira” (devia ler-se Região Autónoma da Madeira e não, simplesmente, Madeira).

Fomos ver a data e não, não era 1º de Abril. Beliscámo-nos, e sim, estávamos acordados.

Passado que está o episódio em que o saudoso coronel Lacerda assentou as costuras ao Dr. Jardim, por causa de uns trocadilhos de honra (estávamos em pleno “PREC” e consta que depois ficaram amigos), o Dr. Jardim até que não tem tratado mal a Instituição Militar (sobretudo se o compararmos com a generalidade dos políticos com responsabilidades), e bem gostaria – ao que intuímos – que a presença militar no Arquipélago fosse mais expressiva.

Além do mais cumpriu o serviço militar obrigatório (ao contrário de muitos que foram refratários, desertores e, até, traidores) e guarda do mesmo uma boa recordação de que já fez pública evidência.

Defendeu, ainda, publicamente – outra coisa rara em políticos contemporâneos – que as FAs, a Igreja e a Universidade são os pilares fundamentais da nacionalidade. Por uma das vezes que o fez até lhe escrevi uma carta a elogiá-lo e da qual recebi resposta. JJ é um político hábil e atento…

Por isso não me custa aceitar a relevância dos “serviços” invocados para o condecorar.

Mas, também, não deixa de ser verdade, que JJ tem porfiado em querer fazer drapejar a bandeira da autonomia nos quarteis da Região (o que é proibido por lei – e bem); arranjou um conflito grave com um capitão de Porto do Funchal – que levou a Armada a defendê-lo); tem conseguido trespassar para as autoridades civis algumas instalações onde os militares estavam instalados (de que é exemplo o Forte de S. Tiago e outro sobre o cais onde estavam as antenas das Transmissões) e ainda não desistiu de fazer mão baixa do Palácio de S. Lourenço (onde está instalado o Comando da Zona Militar e o gabinete do “Representante da República” – que JJ anulou, há muito, por acusações de representar o poder “colonial de Lisboa”…).

Há alguns anos atrás terá escrito uma carta ao Ministro da Defesa, de então, em que fazia depender o bom andamento da instalação do radar de defesa aérea que a Força Aérea pretendia instalar no Pico do Areeiro, da satisfação de uns compromissos financeiros para a Região (sempre as finanças…). Convenhamos que, mesmo na Política, não deve valer tudo.

O mais grave de tudo, porém, - e que há - de ensombrar, para todo o sempre, os aspectos positivos da governação daquele, a que numa intervenção infeliz o Dr. Jaime Gama apelidou de “Bokassa”- é a atitude recorrente, insensata e inadmissível, de JJ em acenar com o espantalho da “independência” – como se a Madeira alguma vez o pudesse ou devesse ser.

Ora, isto representa uma ameaça, sem propósito, à secessão daquele que é parte do território nacional português, desde 1418. Faz agora 595 anos.

O Dr. JJ já devia ter sido admoestado severamente pelos órgãos de soberania, a começar pelo PR – a quem JJ, boçalmente, apelidou de “Senhor Silva” (o qual, por acaso e por inerência, é o Comandante Supremos das FAs…) – e contra ele já há muito devia ter sido levantado um processo-crime, pela PGR, ao abrigo do artigo 308 do Código Penal (isso, vão ler, para ver se acordam).

O facto de, até agora, todos os referidos órgãos se terem demitido dessa acção, tal não exclui ou isenta, as chefias militares de tomarem as iniciativas requeridas para colocarem os pontos nos “Is” (mas, após a pouca vergonha que representou o que ficou conhecido por “descolonização” e o que se lhe seguiu, parece que vale tudo).

Numa palavra, não pode haver nenhuma outra atitude que possa ferir mais os brios militares do que um ataque à soberania nacional, por razões que me dispenso de referir.

Repito, nenhuma outra.

Bom, mas em vez de fazer saber a S. Exª (o Dr. JJ), que a Força Aérea, ao fim de duas horas de ser dada ordem, lhe pode enfiar um míssil pela janela da sala onde trabalha, na Quinta Vigia, ou que com um estalar de dedos, um pequeno comando militar o ex-filtra da ilha (mesmo que esteja escondido num “furado”[1] e o colocam nas Selvagens, numa tenda a fazer companhia às gaivotas, em vez disso, dizia, louvaram-no e condecoraram-no, tendo o cuidado de lhe chamar”… homem de honra, de uma só palavra e… patriota”![2]

Será que o CEMGFA ao dizer ter por ele “o maior respeito”, está concordante quanto aos desejos de independência? É que pode parecer.

O Comandante Operacional cessante também usou de menor prudência nalgumas frases mais entusiastas nos elogios ao ainda Presidente do Governo Regional, não só porque não são correctas face à realidade das coisas, como andou nas margens da luta política, o que lhe valeu reparos de forças político/partidárias.

Sempre defendemos que deve haver a maior harmonia possível entre as autoridades civis e militares e outra coisa não faz sentido. Mas, outrossim, tem que haver decoro e Princípios.

E, também, não se deve dizer ou escrever algo que, em consciência, não se acredite ou concorde.

Portugal tornou-se um país de pequenas dimensões e quase todos nós nos conhecemos uns aos outros.

O Dr. JJ é um homem bem-disposto, é pandego e, às vezes, tem graça. Mas já tem idade suficiente para saber que não se deve fazer chalaça com coisas sérias.

Mas, num País há muito virado do avesso e onde a realidade ultrapassa largamente a ficção, ainda me arrisco a ser eu o “mau” da fita.

O que vale é que já estou habituado.

[1] Nome que os ilhéus utilizam para designar um túnel.
[2] A primeira parte deste período poderia ser dispensada por não acrescentar nada de essencial ao escrito. Mas deu-me um certo gozo, escrevê-lo.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A PROPÓSITO DA COMUNICAÇÃO AO PAÍS DO P.R. NO PRIMEIRO DIA DO ANO

“A política não é uma ciência como supõe a maioria dos senhores professores, mas uma arte”.
Bismarck

O actual sistema político inaugurado com a Constituição da República, de 1976 e que deu início à “III República”, em Portugal trouxe-nos, ao fim de escassos 35 anos, a um bloqueamento político e a um precipício económico, financeiro e social. E, acima de tudo, a um desregramento moral muito acentuado que é, afinal, a raiz de todos os outros males.

As saídas para a crise são poucas, estreitas e dolorosas.

Como a “crise” foi ignorada desde a sua génese e desenvolvimento, nada se fez para a debelar, agravando-a mês a mês e passo a passo, como se de um plano delineado para o abismo se tratasse.

A incompetência e o desvario, supervenientes, impediram qualquer entendimento e decisão que levasse a uma solução em termos nacionais. Por isso temos a “Troika” a tentar fazer o que nos cabia a nós ter feito, e que devia, em primeiro lugar, ter sido evitado.

Quer isto dizer que jamais devíamos ter chegado a este estádio a todos os títulos lamentável e indigno de um povo civilizado, com 900 anos de História.

Parece uma verdade de “La Palisse”, sem embargo é bom lembrar e é um bom começo de conversa…

A responsabilidade do actual estado de coisas cabe, maioritariamente, a todas as forças políticas, em particular e à sociedade, em geral. Com especial enfâse nos partidos do “arco do poder”, mas também nos restantes, que fizeram tudo para sabotar o que funcionava e tentaram, com reivindicações irrealistas e algumas absurdas, fazerem com que toda a gente vivesse acima daquilo que o país produzia.

Fizeram-se leis para uma sociedade e para pessoas que não têm nada a ver com a realidade e o palco onde iam ser aplicadas…

Com a propagação mediática de conceitos errados de Democracia e Liberdade, abandalhou-se a sociedade e foi-se destruindo o Poder Nacional.

Enfim, não iremos por aí que dá resmas de papel e tentemos sintetizar os principais erros dos actuais agentes políticos que, supostamente, estão a tentar tirar o país do logro abissal em que caíu.

E não está em causa a austeridade, que essa – dados os erros terríveis cometidos, vai ter que existir por muitos e penosos anos; o que está em causa é a justiça dessa austeridade e as medidas associadas para relançar a Economia e no que é necessário fazer em todos os campos da Sociedade, para a tornar mais sã.

O primeiríssimo aspecto é o exemplo. Ninguém de boa mente, vai atrás de alguém a não ser pelo exemplo. Por isso há que dar sinais reais e concretos de que, quem quiser impor sacrifícios aos outros também os quer para si.

Daí que se deveria começar pelos orçamentos dos órgãos de soberania (sem pôr em causa a dignidade do Estado que deve ser a da Nação), os quais devem ser sujeitos a cortes superiores a todos os restantes aplicados ao todo nacional. Nem que fosse apenas uma décima…

E quem vai trabalhar para os orgãos de soberania deve ir com espirito de servir e não outro!

Tudo o que fosse cargo dirigente de empresas e bancos públicos vinha por aí abaixo e ninguém ganharia mais do que ministro. Sem a vergonha das leis com excepções.

É absolutamente imoral e obsceno ter um Presidente da TAP, da CGD, Da EDP, etc. a ganhar vencimentos estapafúrdios (fora o resto).

O estabelecimento de uma cadeia hierárquica (que apenas resta, ferida, na Igreja e nas Forças Armadas e de Segurança) é, absolutamente, indispensável para se poder pôr o país a funcionar (foi destruída por alturas de 1974/5 e nunca mais reposta).

O aspecto seguinte é escolher para cargos importantes, gente minimamente capaz. Ninguém pode levar a sério um governo que conta no seu seio figuras como o Senhor Miguel Relvas. Há mínimos…

Finalmente é necessário responsabilizar criminalmente (não apenas social e politicamente) quem incorrer nas malhas da lei, como são os casos de dolo financeiro.

Ora, aparentemente, todos encobrem todos, pois quem se arrisca a atirar pedras às telhas do vizinho, quando o telhado de cada um é o que se sabe (fora o que se suspeita).

Por outro lado, ter um plano financeiro que não permitisse escoar os 78 mil milhões que nos emprestaram a juros leoninos, sem que se possa induzir, que seja, uma mais-valia futura, ajudava…

Caso isso não aconteça – e até agora não aconteceu – quando o dinheiro se for, apenas juntámos mais dívida à que já tínhamos (e que, nos termos actuais é impagável!).

Ou seja ficaremos pior e apenas ganhámos tempo para ficar… pior!

Outro erro clamoroso é querer curar o doente em três ou quatro anos, de uma doença que leva 38 anos de incubação. Resulta que o paciente morre da cura…

Em simultâneo não se tem feito grande coisa para mudar a economia (que está associada a mil “itens”). Ora não se relançando a economia o plano inclinado não pára de se inclinar. É certo que as medidas, neste âmbito, levam tempo a produzir efeitos – por isso elas deviam ter sido iniciadas ontem - mas é urgente estancar a recessão e o desemprego.

E a impressão que dá é que não há um plano para nada nem se sabe por onde começar. Que diabo, olhem ao menos, para as colunas da balança comercial e vejam o que se pode produzir cá e o que se pode exportar mais! 

Por outro lado, não seria despiciendo apoiar a investigação nacional naquilo que possa fazer a diferença em determinados produtos e nichos de mercado. Tudo conta.

Neste particular torna-se imperioso estancar as greves e arranjar crédito barato para apoiar as micro e médias empresas. Tem que se encontrar uma plataforma de entendimento credível, em sede de concertação social, e agir-se lealmente. 

Por isso percebe-se muito mal porque é que o governo injecta dinheiro constantemente nos bancos, sem qualquer contrapartida de investimento, para já não falar na benignidade fiscal com que são bafejados.

E não seria má ideia que o senhor ministro das Finanças passasse a taxar o consumo em vez de castigar o trabalho. Aliás, lança imposto sobre tudo o que mexe ou está quieto. O último que agiu desta maneira foi um tal Conde - Duque de Olivares (de má memória), que só não foi empurrado da janela fora (como o Vasconcelos), porque estava em Madrid e não era fácil deitar-lhe a mão. Mas, a páginas tantas, em vez de dinheiro, passou a receber pólvora…

Finalmente, o sistema político tem que mudar e os seus agentes têm que passar a prestar provas antes de serem investidos em cargos importantes. Já repararam que a Política é a única actividade que não exige nenhum certificado de habilitações?

Seria sensato, para que as coisas evoluíssem e não revolucionem, fazer duas coisas em simultâneo: melhorar o actual sistema – o que ninguém quer discutir, o que constitui a negação da própria Democracia; quase ninguém, hoje em dia, se revê ou se sente representado, no funcionamento dos órgãos de soberania que a Constituição enquadra.

A outra seria estudar a implementação de uma nova organização do Estado que fosse adequada a Portugal e aos portugueses (o que vigora anda a tentar estabelecer-se, desde 1820 e só tem dado desastres, e a razão principal é a de que o modelo foi importado e não tem nada a ver connosco). Já era tempo de emendarmos a mão em vez de se insistir no erro.

A Ciência Política parou, aparentemente, no final da II Guerra Mundial. Ora quando uma ciência não se desenvolve, estiola e morre. 

Fiquemos por aqui.

Numa palavra, o Governo tem actuado desgarradamente, sem ter um plano, uma estratégia que seja, a não ser falar de mais e acertar de menos. E, pelo meio, nunca faz o que diz que quer fazer. Esquecia-me de uma coisa: aprestam-se, com afinco, a vender o país ao desbarato, apenas com o desvelo de resolver problemas de tesouraria (e dar dinheiro a ganhar a alguém). Fica-se, até, com a ideia de que estão capazes de vender a própria mãe…

Mesmo o único objectivo conhecido e repetido “ad nauseam”, que é o de regressar aos “mercados”, parece inconsistente e errado.

O primeiríssimo objectivo devia ser o de reganhar a Soberania, palavra maldita, que a classe política tem porfiado em querer alienar para uma entidade obscura que vem mudando de nome e que por agora se chama UE.

Uma “União” que virou um triunvirato, onde se destaca Frau Merkel, acolitada por um presidente francês (seja qual for), alquebrado, mas sempre pesporrente “de la grandeur de la France” e de uma Inglaterra, sempre com um pé nos EUA, que anda sempre a sabotar qualquer acordo “continental” que os possa prejudicar, como sempre fez desde a Guerra dos Cem Anos! E que, muito provavelmente, já anda a cozinhar uma nova EFTA alínea “B”…

Parece que por lá labutam uns 500 eurodeputados que se perdem em discussões soporíferas (e que perdem mais tempo a viajar ida e volta para os seus países do que a fazer o que ninguém sabe que é suposto), acolitados por duas dúzias de comissários donde se destacam uns papagaios que não riscam nada.

Os compatriotas de serviço ao Terreiro do Paço (isto é, aos paços do poder) provavelmente nem se apercebem de qual o campeonato em que andam a jogar, e aqueles que têm um olho aberto fazem, naturalmente, a diligência de arranjar uma boa reforma enquanto é tempo.

As coisas são o que são, como dizia o nosso engenheiro, e os “ventos da História” não perdoam. Além do mais tudo o que se passa é, para algumas doutas mentes, irreversível!

Isto vai tudo acabar numa tremenda de uma crise política, da qual não sairemos com “partidos”, mas apenas com “inteiros”. É fatal como o destino!

Mas o artigo - lembro - me agora - era suposto ser sobre o discurso do Presidente. Parece que não tocou em nada disto.

Foi apenas frio, redondo e calculista. Quis ser equilibrista, querendo agradar a todos, o que resultará não agradar a ninguém e não ter qualquer resultante. 

Ora o que não tem resultante costuma ser irrelevante.