sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

FORÇAS ARMADAS: ASSIM SE VAI FAZENDO A HISTÓRIA E JORNALISMO


O jornal Público publicou um título "Tropas Portuguesas decapitaram em Angola". Segue resposta. Há 51 anos passou-se um dos Natais mais dolorosos de toda a nossa História colectiva. Angola estava a "arder" e o país em pé de guerra; Goa, Damão e Diu, estavam debaixo da pata militar da União Indiana, mas a esmagadora maioria da Nação estava coesa e pronta para a luta, à volta da lareira dos seus antepassados, com a velha cruz de Ourique ao peito, a espada numa mão e a charrua na outra. A vigília foi nossa! Hoje o Sr. Ministro ds Defesa escusa-se a ir visitar as tropas no Kosovo e no Afeganistão (onde não defendem terras nem gentes portuguesas), para poupar uns euros (maldita moeda). Sinais dos tempos...
Fiquem bem.


Perigosos opressores colonialistas eliminados pelos libertadores de Angola (1961)
Com parangonas e ar de escândalo, a edição do jornal “Público”, do pretérito dia 16 de Dezembro, entendeu dar a conhecer aos seus leitores que “tropas portuguesas decapitaram em Angola”, remetendo para páginas adentro os comentários a tais façanhas retiradas de um relatório de uma acção militar, em 27 de Abril de 1961, na sanzala Mihungo, Norte de Angola.

Este relatório terá sido encontrado nos arquivos da PIDE/DGS, na Torre do Tombo, constando de um livro recentemente editado.

Presumo que o livro não trate só desta questão, mas foi esta que foi puxada à colação pelas duas jornalistas autoras do referido artigo, que enquadram o episódio na alegada “Guerra Colonial”, termos com que a ignorância atrevida e as ideologias malsãs teimam em apelidar o conflito havido.

O equilíbrio com que alguns dos entrevistados enquadra o evento não chega para ultrapassar o sentido critico, de repulsa e condenação que emana do artigo no seu todo e, especialmente, do seu titulo de 1ª página.

É claro que é fácil às duas moças jornalistas, que nunca cheiraram a pólvora, nem nos foguetes de Santo António, se façam de virgens ofendidas, por tão funesto acto; ou que burgueses, bem - postos na vida, após barriga cheia, se esmerem em dissertar sobre o “como” e o “deviam” as coisas se ter passado.

O que, seguramente, nunca fizeram foi colocar-se na situação daqueles que, há mais de 50 anos, foram confrontados com uma chacina hedionda. Sim, senhoras jornalistas, entrevistados e demais leitores, como é que pensam que reagiriam, já meditaram?

E curiosidade das curiosidades, em todo o artigo não aparece uma palavra de condenação relativamente aos terroristas genocidas da UPA e de quem a apoiou, armou e incentivou, por aquilo que fizeram![1]

A falta de vergonha na cara, desonestidade intelectual e a mais torpe parcialidade ideológica têm campeado em Portugal e tudo teremos que fazer para a erradicar da sociedade, um dia!

Por outro lado, não conheço povo mais masoquista do que aquele a que pertenço e que se compraz em autoflagelar-se – ainda por cima sem motivo para tal – ao ponto, e por ex., do cineasta português, mais consagrado de todos os tempos, se ter lembrado de fazer um filme só com derrotas que os portugueses sofreram na sua vetusta História…[2]

Não tenho qualquer dúvida que o relatório aludido é verdadeiro e que o caso relatado não foi o único que ocorreu. Isto é, não foi a única vez que se cortaram cabeças aos bandidos que nos retalharam a carne e os haveres – embora, creio, nunca se o tivesse feito a pessoas (?) vivas.

Quero acrescentar, para eventual escândalo de muitos que, apesar do horror da cena, ela se justificou. E isto não tem nada a ver com a estafada afirmação de que todas as guerras acarretam actos de violência gratuita e inumana.

Em primeiro lugar, sobretudo para os mais distraídos, deve começar por se dizer que não fomos nós que começámos…

Na imagem, um soba esventrado pelos terroristas da UPA (norte de Angola, 1961)
Depois a UPA provocou o genocídio, com inicio em 15 de Março de 1961, deliberadamente – e, também, ainda não vi ninguém preocupado em julgar os responsáveis nos tribunais internacionais, que vão sendo postos de pé para julgarem os inimigos das grandes potências, leia-se EUA e Inglaterra.

O objectivo, já ensaiado, com sucesso, no Congo Belga, era causar o pânico e o terror, provocando a debandada dos portugueses brancos e a fuga e o choque das populações indígenas.

Enganaram-se, pois os portugueses não são belgas…

Para além da aplicação do “principio” de que nas guerras se têm de aplicar os meios que melhor neutralizam as tácticas e armamento do inimigo foi, neste caso especifico, necessário usar pontualmente este método, não só para evitar que a UPA continuasse a fazer barbaridades, como a causar real medo a tal corja de assassinos, cujas hordas drogadas por feiticeiros, estavam inculcadas da ideia de que eram invulneráveis às balas.

Além disso a separação da cabeça do corpo tinha um significado religioso, pois para as crenças daquela gente, tal impedia uma futura ressurreição.

E, o que é certo é que a “táctica” teve um sucesso fulminante, pois ao fim dos primeiros dois meses, os actos selvagens por parte da UPA terminaram.

O PAIGC e a FRELIMO quando desencadearam a subversão, respectivamente, na Guiné (1963) e Moçambique (1964), não cometeram os mesmos erros.

O ocorrido não põe em causa a civilidade e, até, o humanismo com que as tropas portuguesas se comportaram na sua esmagadora maioria, em todo o longo conflito.

A Instituição Militar portuguesa tem quase 900 anos de existência e não tem pejo em se confrontar com qualquer “Exército” das nações mais civilizadas, ou outras, no modo como sempre combateu, relativamente às leis da guerra e sua evolução pelos séculos fora.

E foi sempre fiel cumpridora das convenções internacionais assinadas pelos diferentes governos portugueses, ao longo dos tempos.

Penso que isto é claro mesmo para os desertores e traidores que foram pontuando a nossa existência…

Só não estou seguro do modo como foram decididas as poucas acções deste tipo desencadeadas pelas nossas tropas e qual a cadeia de comando e directivas (se é que alguma) envolvidos. Mas já era tempo de, quem de direito, tornar público, oficialmente, o que se sabe que se passou, pois não parece que haja nada a esconder.

O mesmo se aplica à história de “Wiriamu”, que já tresanda!

Jornalistas, comentadores e “historiadores”, à falta de melhor, ressuscitam o caso quase com sincronia de calendário – é uma espécie de disco riscado – e nunca se os vê preocupados com os milhares (milhares, leram bem?), de acções violentas, raptos, bombardeamentos, trabalho forçado, assassinatos, etc., que a FNLA, o MPLA, a UNITA, o PAIGC e a FRELIMO fizeram contra as populações de todas as cores que queriam continuar portuguesas.

Só mesmo com um pano encharcado no “fácies”![3]


[1] UPA, União dos Povos de Angola, organização independentista baseada no ex-Congo Belga e chefiada por Holden Roberto.
[2] Já terão pensado, também, naquilo que as populações portuguesas faziam aos franceses invasores (1807-1811), quando os apanhavam à mão, depois das barbaridades que eles cá fizeram?
[3] Em português Vicentino (de Gil Vicente), lê-se “tromba”.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

OLIVENÇA, TERRA PORTUGUESA

Olivença, terra portuguesa, cativa de Espanha, até quando?
(as minhas desculpas por as legendas estarem em castelhano, mas ainda não houve portugueses que o fizessem em português)

Clique aqui para ver as imagens

PS. Faça-se sócio da patriótica instituição "Amigos de Olivença" em olivenca@olivenca.org  ou olivenca@olivenca.net

www.olivenca.org e www.olivenca.net

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A LEVEZA DA IRRESPONSABILIDADE E OS PERIGOS DAS ILUSÕES

"Foi-lhes dada a escolha entre a guerra e a desonra. Escolham a desonra e terão a guerra.”
Wiston Churchill

Fernando Pessoa

Ter a “Troika” a passear na Baixa Lisboeta, junto ao Martinho da Arcada – onde Fernando Pessoa terá escrito trechos dessa maravilha poética e patriótica intitulada “Mensagem”[1]- obra com muito mais significado do que ter afirmado que a sua “Pátria era a língua portuguesa”[2] - é muito mais grave do que ter a Duquesa de Mântua no antigo Palácio Real, protegida pela Guarda Alemã (ele há coincidências…), aquartelada no Castelo de S. Jorge.[3]

Apesar de esta afirmação não ser evidente para o vulgo, não me resta espaço para explicar porquê. O ponto não é esse.

O ponto é que a situação descrita revela que a nossa soberania está muito limitada – sem que alguém se preocupe em aferir até que ponto – ou seja a Nação Portuguesa tem altíssimas restrições para poder decidir do seu destino.

E cada um de nós como português, individualmente, está sujeito a essas restrições. Ou seja a liberdade de cada um está intimamente ligada à liberdade da Nação, mas a liberdade desta é mais importante que a liberdade individual, coisa que deixou de ser perceptível – logo sentida – pois deixou de fazer parte do discurso oficial, da moral política e das modernaças correntes intelectuais.

Por isso a prioridade, que devia ser de todos nós, desde os governantes ao povo miúdo, devia ser, logicamente, a de reganhar a soberania.

Mas não, além da irresponsável leveza com que a maioria dos órgãos de comunicação social, agentes económicos e sociais e público em geral trata o problema – como se de um contratempo momentâneo se tratasse – já não espanta que a prioridade dos Políticos, desde o PR à maioria dos deputados e passando pela “caixa-de-ressonância, em que se transformou o Governo, seja a de “regressar aos mercados”!

Os mesmos mercados que estão na origem da crise…

Esta matilha política e financeira enredou-se de tal ordem, num novelo de dependências e negócios, que querem acabar com as Nações – por isso o Estado já não as representa – para amalgamar os povos que as constituem, e pôr os “cidadãos” não se sabe bem de quê, a pagar os custos do nó górdio que criaram.

E que ninguém consegue desatar.

Sabem porque não se quer que o governo peça melhores condições para “gerirmos” a crise? (a dívida, como está, é impagável nos próximos 100 anos, garanto, e não sou financeiro).

Posso estar enganado, mas a razão é só uma: ainda não nos sugaram o suficiente! (independentemente do perigo de voltarmos à indisciplina e ao disparate).

O processo que levará à canga com que ficaremos escravos, sem bens, sem terra, sem eira nem beira, ainda não está suficientemente consumado. Tudo o que resta de património ainda não foi alienado ou vendido ao desbarato; os instrumentos de sobrevivência postos exangues.

Tudo vai por mau caminho e a desorientação é geral. O “nevoeiro” é muito e urge ver para além e através dele.

A Instituição Militar último reduto que resta ao país para além da Igreja (ambas muito esfaceladas) - já que a Universidade tem vindo a anarquizar e a atomizar o saber e o conhecimento – e do PCP, único partido digno desse nome, capaz de tomar conta do Poder caso a oportunidade surja (obviamente com as consequências que apenas “cheirámos” em 1974/5), tem que começar a pensar em sair da sua posição puramente institucional de fingir que nada do que se passa lhes diz respeito. É avisado prepararem planos de contingência pois quando a coisa correr mal vai sobrar para eles.

Valores mais altos se levantam.

E convém ter o dia seguinte minimamente pensado para não se dar o descalabro do dia 26 de Abril…

Isto claro se não se deixar abater como um apêndice dispensável e inútil.

O Junot, em 1807, dissolveu o Exército com um decreto. Não sei se estão recordados do que aconteceu a seguir.

Os tipos da “Troika” não devem ser lançados pela janela fora, como se fez ao Miguel de Vasconcelos, não só porque não foram eles que nos traíram, como até fomos nós (enfim, alguns de nós), que os convidámos para a nossa casa, onde até já fazem conferências de imprensa.[4]

Mas devem, de facto, ser postos na rua. Delicadamente, mas na rua.

Só que para isso ser viável é preciso ter um plano estratégico para sobreviver, que não se vislumbra em gente responsável. E qualquer plano implica muitos sacrifícios que ninguém quer fazer a não ser que acredite na “causa”.[5]

Mas a vida é luta e ir à guerra se, preciso for. E nós deixámos de querer lutar…

Quanto mais tarde nos decidirmos, maior será o sacrifício e os danos.

Podemos tentar enganarmo-nos a nós mesmos, mas não há volta a dar.

Como dizia o Churchill, ficaremos com a guerra e a desonra – como, aliás, aconteceu com a “Descolonização”…

Corro o risco de estar vivo para ver. E não me apetece nada.


[1] Única obra de Pessoa publicada em vida do Poeta, em português (1934). Premiada com o prémio “Antero do Quental”.
[2] Lamentavelmente abusada por alguns para significar, propositada ou ingenuamente, conceitos errados e perigosos…
[3] A principal força que obedecia aos Filipes, em Lisboa, eram tropas alemãs dos domínios dos Habsburgos (mercenários católicos, conhecidos como “Tudescos”).
[4] Os Árabes/Berberes também desembarcaram no “Al Andaluz” convidados por uma das partes dos Visigodos desavindos. Foi preciso 800 anos para os expulsar…
[5] Atente-se: Antes de 1640, ninguém queria pagar impostos para subsidiar as “guerras” de Filipe IV, houve revoltas e tumultos. Mas a seguir à Aclamação de D. João IV, todo o Reino (que estava paupérrimo) pagou sem murmúrio o imposto extraordinário para fazer face à guerra que aí vinha.
Todos os estudantes portugueses que estavam na Universidade de Salamanca regressaram ao país e alistaram-se para o bom combate. Parte da nobreza portuguesa que estava na Corte, em Madrid (agora pode ler-se Bruxelas), juntou os seus haveres e regressou à Pátria. Só os mais beneficiados ficaram em Madrid e renegaram as origens. Naquele tempo, Portugal estendia-se do Brasil à China e apenas uma praça – Ceuta – cujo governador era castelhano, não levantou arraial por EL - Rei de Portugal!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

MANUEL LUCIANO DA SILVA, UM FAROL DE PORTUGALIDADE NO CONTINENTE AMERICANO

Palavras proferidas na homenagem ao Dr. Manuel Luciano da Silva, na Sociedade de Geografia de Lisboa, no passado dia 6 de Dezembro de 2012.

“Deus deu aos portugueses um berço estreito para nascer, e um Mundo inteiro para morrer”.
Padre António Vieira

INTRODUÇÃO
Da vasta e rica biografia e obra do Dr. Luciano da Silva já outros trataram e a melhor título do que eu o faria.

Por isso decidi dilucidar uma faceta deste nosso compatriota – que nunca esqueceu as suas origens, apesar de ter passado a maior parte da sua vida em território estrangeiro – que o ultrapassa a ele, à sua obra, à sua Pátria e ao seu país de acolhimento, os EUA, para se tornar progressivamente universal.

Estou a querer referir-me à defesa que intentou fazer durante a maior parte da sua longa vida – depois de firmar a sua competência nas ciências médicas: a importância e pioneirismo dos Descobrimentos Portugueses, na História do Mundo, em geral, e do Continente Americano, em particular.

Assim nós saibamos dar continuidade à sua obra!

DESENVOLVIMENTO
A História de Portugal é rica em eventos de toda a natureza. Está recheada de glórias, de desastres e alegrias, e conta, também, com o seu quinhão de infâmias.

Entre o activo e o passivo, creio que ainda saímos de cabeça levantada e, num “ranking” mundial que não nos envergonha.

Nestes quase 900 anos a Nação dos Portugueses viveu intensamente e, se a Humanidade acabasse agora, nós não passaríamos despercebidos na sua História futura, pois deixámos nela, indelevelmente marcado o nosso cunho.

Foi esse “cunho” que o Dr. Luciano da Silva se dedicou a conhecer melhor, enaltecer e divulgar.

Neste âmbito, o podemos assemelhar ao notável 2º Visconde de Santarém[1], diplomata e historiador, exilado em Paris, e que em larga faixa do Século XIX, prestou um assinalável contributo para a afirmação dos Descobrimentos Portugueses no Mundo, e dos direitos de Portugal, em África.

Investigador de mérito, o Dr. Luciano da Silva, juntava às suas qualidades, a iniciativa junto com a capacidade de realização prática, que são um conjunto de atributos difícil de reunir na mesma pessoa.

Deste modo a redescoberta da “Pedra de Dighton”, em 1959, no leito do Rio Taunton, perto de Berkeley, e o seu estudo sobre o pioneirismo dos Corte Reais, que dos Açores e de Lisboa, navegaram para a Terra Nova e o Norte do Continente Americano, foram causa da sua participação no I Congresso Internacional dos Descobrimentos Portugueses, em 1960, em Lisboa.

Foi o princípio de uma longa luta de incompreensões que o acompanharam ao longo da existência.

Note-se que nem o notável “Dicionário da História de Portugal”, coordenado por Joel Serrão, quando se refere à dita Pedra, refere Luciano da Silva, fazendo apenas referência ao americano Delabarre que, a partir de 1918, falou em primeiro lugar na tese portuguesa, misturada com meia dúzia de outras, algo fantasistas. Este Delabarre chegou a ser condecorado pelo Governo Português, em 1926.

Felizmente que hoje se reconhece o valor do homenageado, ao ser-lhe concedido o grau de Comendador da Ordem de Mérito, em complemento do grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, outorgado em 1968.

Espera-se que, de igual modo, o seu nome passe a ser uma referência quanto à Pedra de Dighton aquando de uma reedição do assinalado dicionário.[2]

Reunindo apoios nos EUA conseguiu remover a citada Pedra – cujas inscrições ele estudou minuciosamente e da qual existe uma cópia no exterior do Museu de Marinha (e mesmo assim continua desconhecida da maioria dos portugueses) – e, com base nela, levantar um pequeno museu no Estado do Massachusetts, de que chegou a ser director.

Mais tarde, interessando-se pela figura do grande Almirante Cristóvão Colon, investigou as suas origens e vida, escrevendo um livro intitulado “Era Cristóvão Colon (Colombo) Português?”, em que procurou provar, em bases sólidas, a nacionalidade portuguesa desse grande personagem da História Universal.

A ele e a sua mulher se devem a notável descoberta, na Biblioteca do Vaticano, de duas bulas do Papa Alexandro VI, em que o nome do navegador aparece escrito em português, e não em latim (como seria normal), castelhano ou genovês…

Para além de numerosos artigos, conferências, entrevistas, programas de TV e rádio, em que foi parte, em vários países – e que se contam pelas centenas – Luciano da Silva ainda conseguiu criar uma Associação e Museu, com o seu nome, na sua terra natal (Cavião, Vale de Cambra), dedicada às paixões da sua vida, e foi argumentista do filme que o consagrado Manuel de Oliveira realizou, dedicada ao mistério da vida de Colon (intitulado “Cristóvão Colombo – o Enigma”), que foi premiado na Bienal de Veneza, em 2008.

Manuel Luciano da Silva foi ainda membro fundador da Associação Cristóvão Colon, com sede em Cuba, Alentejo, que se dedica à defesa da Portugalidade do incorrectamente apelidado “Descobridor da América”.

Luciano da Silva foi investigador sério e patriota, e a sua acção devia servir de exemplo para quem, em Portugal e no resto do mundo, tem tratado este tema.

De facto não queremos deixar de lamentar a “subserviência” que foi o tom da participação portuguesa na EXPO 92, em Sevilha, que permitiu aos espanhóis menorizar a grandeza lusa, proclamando aos quatro ventos a tese do “Encontro de Culturas” em detrimento da epopeia descobridora e da preterição do pioneirismo português face à “expansão dos povos da Meseta”. Entre muitas outras maldades…

Lembro ainda a oportunidade perdida da EXPO 98, em Lisboa, em que se tratou o excelente tema dos “Oceanos” sem abordar a História, tudo feito numa linguagem muito “modernista”, como a dizer que não se queria nada com o passado...

E que dizer da própria Comissão dos Descobrimentos, que eivada do “politicamente correcto” e de preconceitos da historiografia marxista e, decidiu defender a tese genovista, que dá Colon nascido em Génova e a atacar quem tal contestasse!

E, em todo este âmbito, é lamentável que o franco e necessário debate das ideias, saia do campo académico e científico, para aquele dos ataques estéreis e da ofensa pessoal.

A obra de homens com Luciano da Silva, também continua a ser ignorada pela generalidade da Escola e dos Órgãos de Comunicação Social embeiçados, que estão, na propagação das ideias europeístas e da “História da Europa”, em detrimento do estudo daquilo que fizeram os nossos antepassados.

Por isso desejo aqui expressar o meu apreço pela coragem da actual presidência da Academia Portuguesa da História, ao abrir aquela vetusta instituição ao estudo de teses que saiam fora da “verdade oficial”, como é o caso de Cristóvão Colon.

Foi pena que o homenageado de hoje, já não pudesse ter disfrutado desta abertura.

CONCLUSÃO
O Dr. Luciano da Silva foi um homem de causas e combateu o bom combate, com tenacidade, saber e coragem. E, no seu caso particular, constituiu-se ainda em farol permanente de portugalidade e patriotismo em terras estranhas – o que devia ser apanágio de todos os bons portugueses.

É da mais elementar justiça reconhecer a sua obra e apontá-lo como exemplo cívico.

Resta-me deixar um repto à Sociedade de Geografia, que serviria como derradeira homenagem a quem esta sessão é dedicada: era grata intenção de Luciano da Silva conseguir que uma réplica da Pedra de Dighton fosse transportada para a Ilha da Terceira, de onde era originário Miguel Corte Real, filho de João Corte Real, 1º Capitão Donatário de Angra.

Apesar dos esforços que fez junto do Governo Regional dos Açores, tal nunca se efectuou.

Seria uma boa acção da SGL levar a cabo este desiderato por diante.

Manuel Luciano da Silva foi mais um daqueles portugueses ilustres, retratados na citação do Padre António Vieira e homem de igual têmpera

Lá no etéreo firmamento de onde nos possa estar a escutar, vai para si, caro Dr. Luciano da Silva, um grande Bem-Haja!

-------------------
[1] Manuel Francisco de Barros e Sousa de Mesquita de Macedo Leitão e Carvalhosa 1791-1855. Era especialista e Cartografia, termo que inventou.
[2] A referência mais antiga e conhecida, referente à descoberta da Pedra de Dighton é atribuída ao Reverendo John Damporth, em 1680.