quinta-feira, 7 de junho de 2012

AS ÚLTIMAS DA DEFESA: MALDADE E VILANIA

Após mais um golpe de estado na Guiné-Bissau, consequência de, num determinado período histórico, se ter teimado em querer atribuir independência política a aglomerados de povos cujo estádio de desenvolvimento se situava na alta Idade-Média, quiçá no Neolítico, querendo forçá-los, ainda, a viverem em sistemas políticos que lhes eram, e são, de todo estranhos, o Governo Português entendeu dar um ar da sua graça.
NRP D. Vasco da Gama

Emendando a mão da penúltima intervenção em que, negligentemente, se atrasou o envio de uma força militar, fazendo-se avançar para uma zona de combate um navio mercante (o “Ponta de Sagres”), completamente desprotegido, o governo mandou zarpar uma pequena “força expedicionária” (mantendo forças de reserva), para as proximidades daquele estado-falhado – a caminhar rápido para ser um narco-estado – a fim de garantir qualquer intervenção que o “interesse nacional” requeresse, e tal não tem que confinar-se à evacuação de nacionais.

Não parece que o Governo, neste âmbito, tenha andado mal, não só pela pertinência da decisão, que o grau de ameaça justificava como, também, pelas forças envolvidas e pela discrição havida.
Esgrimiram-se, de seguida, argumentos e acções diplomáticas, não tendo a posição de Lisboa obtido sucesso até agora, salvo em que não houve a lamentar a morte de nenhum opositor político em presença.
Estando a situação estabilizada – melhor dizendo, em paz podre – entendeu-se mandar recolher as tropas a quarteis. Tinham-se passado algumas semanas.
Entretanto a posição portuguesa, após alguns rugidos de leão, não conseguiu aliados que lhe dessem vencimento, sendo completamente ultrapassada pela Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), de inspiração francesa.
Veio ao de cima, mais uma vez, a menoridade política em que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) se encontra e ficará, enquanto o conjunto das forças partidárias nacionais andarem enfeudadas à União Europeia.
Veremos o que a diplomacia ainda consegue fazer, agora que o assunto deixou de ser notícia.
O mais inusitado estava, porém, para acontecer.
Tendo as Forças Armadas, mais uma vez, respondido com reconhecida rapidez e operacionalidade, apesar dos cada vez menos recursos existentes, o governo veio afirmar que não haverá reforço de verbas para fazer face a esta operação – que o Poder Político determinou: ou seja não paga.
Não lhe querendo chamar vilania, esta atitude, pouco séria, configura no mínimo uma maldade.
Os orçamentos militares estão, há muito, abaixo de todos os mínimos e, mesmo os letrados apenas com a actual 4ª classe entendem, que uma operação destas nunca poderia estar orçamentada. É certo que alguns gastos existiriam se a operação não se efectuasse, mas o grosso dos custos não entra nesta equação.
Dado que, desta feita, o Governo não se pode desculpar com a “Troika” – mesmo que lhe tivessem ido pedir autorização (sim, já acredito em tudo!), não o iriam admitir publicamente – pura e simplesmente não se desculpou. Disse, faz e pronto. Também para quem é, bacalhau basta!
Os chefes militares, mais uma vez encaixam e cara alegre. Que podem eles fazer?
Qualquer governo, melhor dizendo, qualquer Estado que se preze tem, resguardado, um fundo de emergência para fazer face a coisas destas - parece que, na actualidade só existe para o BPN e quejandos.
Acontece que nós já estamos viver a realidade do estado exíguo que o Professor Adriano Moreira vem alertando há bastos anos e parece que todos achamos isso a coisa mais natural do mundo.
Da próxima vez que for necessário montar uma operação semelhante como reagirão os militares? Pedem o dinheiro à cabeça? Não avançam sem garantias formais de que o dinheiro aparece? Assumem que não têm meios? Ou, simplesmente, deixam-se esgotar devagarinho?
A “Força” voltou e mais uma missão se cumpriu. Tudo bem, aliás, não há dinheiro a menos o que pode haver é missão a mais…
Voltaram, todavia, para tomar conhecimento que 13.000 dos seus camaradas na reforma (e viúvas), deixaram de receber o complemento de reforma pago por um fundo para onde estes descontaram (e se continua a descontar).
Neste âmbito, porém, já não estamos propriamente, no campo das maldades; é mesmo uma vilania.
Devem ter ficado confortados.

domingo, 3 de junho de 2012

GREVES, CONTROLADORES E COGITAÇÕES AVULSAS


Aeródromo de Tires
"Obrigar o Governo às cedências que rebaixam e às violências que revoltem”
Brito Camacho

Tires, 09:30. Voo de instrução com saída para esta hora. Metereologia excelente, “cavok” (sem restrições de tecto e visibilidade).

Decorria uma greve, intermitente, dos controladores aéreos entre as 0700-0900 que continuava das 1400-1600 e das 2100-2300.

Plano de voo submetido (a horas) para o Espichel; durante o “briefing” fui avisado de que havia demora nas saídas, por causa do controle de Lisboa. Industriei o aluno para tentar coordenar o voo para se ir primeiro a Sintra. Além de proporcionar treino adicional permitia “contornar” a demora com a aproximação de Lisboa, dado que após a descolagem de Tires poderia passar directamente ao controle militar da Base Aérea 1.

Conseguida a autorização para pôr em marcha (eram 0940) e obtida a “clearence”para Sintra com a indicação de que apenas seriamos aceites até às 1030.

Eram 0950, dava tempo para uma aproximação por instrumentos, óptimo, continuou-se o “cheklist”. 1000, estávamos prontos para rolar, eis senão quando o controlador informou que Sintra deixou de autorizar a nossa ida, por ter tráfego (!). Estranha coisa esta mas, enfim, nada a que não estejamos habituados.

Deixámos, porém de estar autorizados a prosseguir, já que passámos a número dois para sair e passar ao controlo de Lisboa, e não havia estima para quando tal evento se pudesse concretizar. Há mais de meia hora estávamos em número três. Um avião de 30 em 30 minutos, rica média…

Para mais, dado que tínhamos pedido para ir a Sintra e agora queríamos voltar ao plano de voo inicial, teríamos que submeter novo plano de voo. Lá se cortou o motor e se foi cumprir o requisito.

Fizeram-se mais umas poucas tentativas para retomar a marcha, a última das quais às 1045, sem sucesso e sem previsão de melhores dias. Plano de voo cancelado, avião retornado à sua condição de “exposição estática”, papelada feita, tudo arrumado, bom dia e muito obrigado.

Saldo da coisa: uns pecados por pensamentos, palavras e (vontade de) obras, por confessar; meia manhã perdida, para mim e para o aluno; gastos em deslocamentos e nenhum provento; prejuízo para a escola (que tinha reorganizado os seus horários, em função da greve); e este escrito.

O direito à greve (que passou a ser uma espécie de vaca sagrada) e sua regulamentação está consignado na Constituição da República (CR) e não é agora a altura de sobre tal arguir. E é deixado livre à opinião pública julgar da razoabilidade de greves efectuadas por grupos profissionais dos mais bem pagos e com melhores condições de trabalho, existentes na sociedade.

Afinal entre os “trabalhadores” há uns mais iguais do que outros, podendo-se vislumbrar autênticos “baronatos” que não hesitam em sobrepor os seus interesses aos direitos dos outros. Sem sequer ter em conta que os eventuais “culpados” das situações criadas andam de carro com condutor ou deslocam-se em jacto privado. O Zé é que se trama…

Creio que vem nos livros, que uma greve deve ser feita para resolver (“in extremis”) um problema laboral – e também seria curioso saber qual a posição da Camara de Cascais que é o “dono” do respectivo aeródromo – não se percebendo muito bem onde está o busílis da questão actual.

Fora do âmbito laboral resvala-se para a Política e aí as coisas ficam todas baralhadas (não se devia permitir, por ex., que os sindicatos fossem correias de transmissão de partidos políticos). A situação complica-se ainda mais quando se passa a invocar o “interesse nacional”. Ora o interesse nacional é definido pelos órgãos de soberania, para tal mandatados. Os sindicatos não são órgãos de soberania.

Fazerem-se greves em altura de catástrofe financeira nacional e de perda acentuada de soberania, só tem paralelo na falta de responsabilização criminal de responsáveis que em tal, eventualmente, incorreram; na falta de exemplo dos representantes do Estado e na falta de vergonha de quase todos.

Acresce que o Governo, ao não tratar com equidade os cidadãos, abre o flanco a tudo, e ao não negociar com as diferentes entidades/grupos profissionais por bitola idêntica, dá azo à anarquia reivindicativa. Tal leva à lei da selva.

De facto se o Governo cede na TAP e na SATA, porque não há - de ceder na NAV ou na CP?

Isto não tem ponta por onde se pegue!

Ter uma lei da greve que permite paragens intermitentes – nomeadamente nos transportes – o que, na prática, permite estender o período da greve, e suas consequências, muito para além do fixado no pré-aviso, parece ser uma insensatez inaceitável. Trata-se de um resquício do “PREC” que a CR algo marxista e meio tola, anti nacional e, até, anti democrática, aprovada nos idos de 1976, respalda e que, passados 36 anos, ainda não foi corrigida nos seus aspectos fundamentais.

Como é tudo feito “democraticamente” como não nos cansam de dizer, isso vai-nos sossegando o espirito, mesmo que as prisões estejam a abarrotar – sem que os principais violadores da lei, por lá passem – e se tenha acumulado uma divida externa superior à soma de todas aquelas contraídas desde que Afonso, o primeiro, desembainhou a espada.

Dívida que agora todos temos que pagar, mesmo que não consigamos trabalhar como se vê pelo exemplo junto.

A cartilha republicano – carbonária de Brito Camacho voltou a estar em vigor.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

terça-feira, 29 de maio de 2012

POIS BEM!


Por Afonso Lopes Vieira
1878-1946
Se um inglês ao passar me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
se tens agora o mar e a tua esquadra ingente,
fui eu que te ensinei a nadar, simplesmente.
Se nas Índias flutua essa bandeira inglesa,
fui eu que t'as cedi num dote de princesa.
e para te ensinar a ser correcto já,
coloquei-te na mão a xícara de chá...

E se for um francês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Recorda-te que eu tenho esta vaidade imensa
de ter sido cigarra antes da Provença.
Rabelais, o teu génio, aluno eu o ensinei
Antes de Montgolfier, um século! Voei
E do teu Imperador as águias vitoriosas
fui eu que as depenei primeiro, e ás gloriosas
o Encoberto as levou, enxotando-as no ar,
por essa Espanha acima, até casa a coxear

E se um Yankee for que me olhar com desdém,
Num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Quando um dia arribei á orla da floresta,
Wilson estava nu e de penas na testa.
Olhava para mim o vermelho doutor,
— eu era então o João Fernandes Labrador...
E o rumo que seguiste a caminho da guerra
Fui eu que to marquei, descobrindo a tua terra.

Se for um Alemão que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Eras ainda a horda e eu orgulho divino,
Tinha em veias azuis gentil sangue latino.
Siguefredo esse herói, afinal é um tenor...
Siguefredos hei mil, mas de real valor.
Os meus deuses do mar, que Valhala de Glória!
Os Nibelungos meus estão vivos na História.

Se for um Japonês que me olhar com desdém,
num sorriso de dó eu pensarei: — Pois bem!
Vê no museu Guimet um painel que lá brilha!
Sou eu que num baixel levo a Europa á tua ilha!
Fui eu que te ensinei a dar tiros, ó raça
belicosa do mundo e do futuro ameaça.
Fernão Mendes Zeimoto e outros da minha guarda
foram-te pôr ao ombro a primeira espingarda.

Enfim, sob o desdém dos olhares, olho os céus;
Vejo no firmamento as estrelas de Deus,
e penso que não são oceanos, continentes,
as pérolas em monte e os diamantes ardentes,
que em meu orgulho calmo e enorme estão fulgindo:
— São estrelas no céu que o meu olhar, subindo,
extasiado fixou pela primeira vez...
Estrelas coroai meu sonho Português!

P.S.
A um Espanhol, claro está, nunca direi: — Pois bem!
Não concebo sequer que me olhe com desdém.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

UM COMENTÁRIO

Enviado anónimo como comentário ao post "O MINISTRO DAS FINANÇAS METEU-SE COM SALAZAR!", mas que decidi partilhar com todos.

Ex.mo Sr. T.Coronel Brandão Ferreira

Leio com toda a atenção os seus escritos e partilho integralmente das opiniões de VªExª que são as de um Português de lei.

Os seus escritos honram PORTUGAL e mostram-nos que, felizmente ainda há Portugueses em PORTUGAL.
Os meus sinceros parabéns.

Peço autorização para juntar um texto que em tempos escrevi noutro local e que vem a propósito das suas sábias palavras.

Noutros tempos, houve Portugueses competentes e respeitadoras dos interesses do bem público que trabalharam afincadamente e em apenas 40 anos, deixaram OBRA, PAGA COM DINHEIRO PORTUGUÊS mas, em muitos casos, foi "pérolas a porcos".

Apenas uma "pequena" Lista:

Na Região de Lisboa:
1) Bairro Social do Arco do Cego
2) Bairro Social da Madre de Deus
3) Bairro da Encarnação
4) Bairros para Polícias
5) Bairro de Alvalade
6) Aeroporto Internacional da Portela
7) Instituto Superior Técnico
8) Cidade Universitária de Lisboa
9) Biblioteca Nacional
10) Instituto Nacional de Estatística
11) Laboratório Nacional de Engenharia Civil
12) Metropolitano de Lisboa
13) Ponte Salazar
14) Captação e encanamento das águas do Alviela
15) Plantação do Parque florestal de Monsanto
16) Estádio Nacional do Jamor
17) Estádio 28 de Maio
18) Auto estrada da Costa do Estoril
19) Hospital Escolar de Santa Maria
20) Instituto Ricardo Jorge
21) Instituto de Oncologia
22) Hospital Egas Moniz
23) Assistência Nacional aos Tuberculosos com obrigatoriedade de rastreio anual à população estudantil, Comércio e Função Pública
24) Electrificação da linha do Estoril
25) Exposição do Mundo Português que permitiu a criação da Praça do Império, hoje Sala de visitas de Lisboa.
26) Monumento aos Descobrimentos
27) Regularização da Estrada Marginal Lisboa-Cascais.
28) Criação da Emissora Nacional de Radiodifusão
29) Criação da Radiotelevisão Portuguesa
30) Criação da Companhia Aérea de bandeira (TAP)

Espalhadas pelo País e Ilhas Adjacentes:
31) Várias Escolas do Magistério Primário.
32) Escolas primárias do Plano dos Centenários em quase todas as Freguesias do País.
33) Liceus Normais em todas as capitais de Distrito.
34) Escolas Comerciais e Industriais espalhadas pelo País
35) Cidade Universitária de Coimbra (Faculdade de Medicina, Faculdade de Letras, Faculdade de Ciências, Biblioteca Geral e o reordenamento urbano envolvente)
36) Hospital de S. João no Porto
37) Ponte da Arrábida
38) Ponte Marechal Carmona
39) Grandes aproveitamentos hidroeléctricos com dezenas de grandes Barragens (por exemplo Rabagão, Cávado, Douro, Mondego, Tejo, Zêzere).
40) Várias barragens para regadio por todo o Alentejo.
41) Melhoria geral da rede Rodoviária.
42) Melhoria geral da Rede Ferroviária e modernização geral das viaturas do Caminho de Ferro Nacional.
43) Bases aéreas (Ota, Montijo, Monterreal, Beja, etc.)
44) Criação das Pousadas de Portugal espalhadas por todo o Território
45) Criação das Casas do Povo
46) Criação das Casas dos Pescadores
47) Construção ou beneficiação de muitos e diversos Hospitais
48) Plano de colonização interna que permitiu grandes desenvolvimentos agrários como, por exemplo, Pegões.
49) Construção de dezenas de Palácios da Justiça
50) Construção e remodelação de diversos Edifícios Prisionais e Prisões-escola
51) Construção da Central Termoeléctrica do Carregado
52) Criação dos “Livros únicos” para o Ensino Primário e Secundário, o que proporcionou grandes economias às Famílias
53) Instituição do ABONO DE FAMÍLIA
54) Navio hospital “Gil Eanes” de apoio à Frota Bacalhoeira
55) Criação da FNAT
Quando me dizem que tudo isto foi feito à custa da exploração ultramarina, eu respondo:
E o que lá ficou edificado?
E o Povo de lá, não ficou com uma língua universal, não ficaram muitos dos autóctenes com cursos escolares primários, médios e universitários ministrados e pagos por Portugal?

Não ficaram Angola e Moçambique dotados de dezenas de CIDADES COMPLETAS onde se incluíam toda a espécie de edifícios habitacionais, Mercados, Redes de abastecimento de águas e redes de efluentes, Escolas primárias, Liceus, Universidades, Hospitais e até unidades completas de Radiodifusão?

Não ficaram disseminadas pelos territórios inúmeras Pontes, Barragens grandiosas como Cambambe e Cabora Bassa, só para citar duas, inúmeras Estradas, diversas Linhas de Caminhos de Ferro, Portos de mar e modernos (à época) Aeroportos, etc. ?

Para quem recebeu um País na Bancarrota, que atravessou as épocas difíceis da Guerra Civil de Espanha e da 2ª Guerra Mundial e teve ainda de enfrentar a Guerra do Ultramar, em três frentes, tendo deixado o País A CRESCER A 6% AO ANO, durante a sua última década de governação e mais de 600 toneladas de ouro nas reservas do Estado, é Obra!

Comparem com os dias de hoje, depois de quase 38 anos de LIBERDADE!

quinta-feira, 24 de maio de 2012

SERIA PORTUGUÊS O DESCOBRIDOR DA AMÉRICA?

Estátua de Colombo na vila de Cuba
Fica aqui o convite para a Conferência «Colombo ou Colon - a história retalhada» que terá lugar no dia 1 de Junho, pelas 18.30h na Universidade Católica do Porto.

No blogue da Associação Cristóvão Colon foi já disponibilizada uma pequena reportagem sobre o dia 19 de Maio, que pode ver aqui

Seria português o descobridor da América?
Colombo e Colon: a história retalhada.
«No ano seguinte de 1493, estando o Rei no lugar de Vale do Paraíso, que é acima do Mosteiro de Santa Maria das Virtudes, por razão da grande peste que nos lugares principais da sua comarca havia, a seis dias de Março arribou ao Restelo em Lisboa, Cristovam Colonbo ytaliano que vinha do descobrimento das ilhas de Sipango e de Antilha, que por mandado dos reis de Castela tinha feito.»

Assim descreveu , anos depois, o cronista Rui de Pina, a chegada de Cristóbal Colón a Lisboa após a sua viagem que ficou celebrizada na história como sendo a descoberta da América.

As imprecisões desta crónica são apenas uma gota no imenso mar de mentiras, deturpações, erros grosseiros e até falsificações que têm feito a História de Cristovam Colon desde que se tornou em Almirante do Mar Oceano e herói de Espanha como resultado daquela viagem.

Desde então, tudo o que se possa imaginar, tanto de positivo como de negativo, já foi escrito e dito sobre o descobridor. Milhares de livros foram publicados, centenas de monumentos foram erigidos em sua honra e poucos serão os países onde não exista, pelo menos uma rua ou avenida com o seu nome. Quase sempre errado… tal como fez Rui de Pina.

Contudo, e decorrido meio milénio sobre os acontecimentos, continuam no ar os enigmas sobre o local onde nasceu e quem foi a sua família. Parte deste desconhecimento dever-se-á ao excesso de informação equívoca que rodeou a sua figura.

Quinhentos anos de encobrimento, de análises distorcidas e de interpretações tendenciosas produziram uma tão grande confusão que qualquer prova que surja fica de imediato abafada por ela.

Praticamente se convencionou que o descobridor era um tal Cristoforo Colombo, italiano, filho de tecelões e ele próprio iniciado nessa profissão. Rebuscaram-se os arquivos para tentar encontrar a pessoa que correspondesse ao personagem. E com retalhos soltos se foi tecendo a sua história. E todos os factos da vida do Almirante Cristóbal Colón que nunca couberam nesta história foram sendo escondidos ou eliminados. A História amputada.

O seu casamento em Portugal e o seu filho português, o seu envolvimento nos descobrimentos portugueses, a sua relação com D. João II e todas as suas ligações com Portugal, inclusive o seu nome Cristovão Colon, continuam a ser ignorados e desprezados. A História retalhada.

CONVITE
Temos a honra de convidar V. Exª e sua Família para assistir à conferência a realizar no próximo dia 1 de Junho (Sexta-Feira), pelas 18h30, na Universidade Católica (Pólo da Foz), sobre o tema: «Colombo e Colon: a história retalhada». Serão conferencistas três membros da Associação Cristóvão Colon - o Eng.º Carlos Calado, o Tenente-Coronel Carlos Paiva Neves, da Força Aérea Portuguesa, e o Tenente-Coronel João Brandão Ferreira, piloto aviador e mestre em Estratégia.

A Comissão organizadora
António Carlos de Azeredo, José Manuel Monteiro, Miguel Lencastre, Nuno Lencastre, Nuno Torres, Rodrigo Brito, Vicente Paiva Brandão

segunda-feira, 14 de maio de 2012

GUERRA DE ÁFRICA – PORTUGAL MILITAR EM ÁFRICA 1961-1974

Nos passados dias 12 e 13 de Abril de 2012, realizou-se no IESM um seminário subordinado ao tema “Guerra de África – Portugal Militar em África 1961-1974 – Atividade Militar”.

Carlos de Matos Gomes e Aniceto Afonso publicaram um texto que se pode ler AQUI contestando as conclusões do seminário, o qual Garcia Leandro tem ajudado a divulgar.

Eu, deixo a réplica num texto que pode ler AQUI

Abílio Lousada publicou também uma réplica que pode ler AQUI


Chefe tradicional fula, empunhando a Bandeira Nacional
(foto tirada pelo então Tenente Roxo da Cruz)