segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O CRIME DE OSLO

O criminoso de Oslo, armado e com traje da Maçonaria.
“Não matarás”
5º Mandamento da Lei de Deus

A pressa em noticiar, ou escrever, sobre um caso como o vertente (explosão de um carro cheio de explosivos no centro da capital norueguesa, seguido de tiroteio, indiscriminado, sobre uma pequena multidão de jovens, reunidos numa minúscula ilha, nos arredores da mesma cidade, no pretérito 22 de Julho), fruto da pressão mediática e da procura de um furo jornalístico, é antagónica de uma reflexão serena e do cruzamento de informação, necessárias a um correcto enquadramento e entendimento do que se passou.

Mesmo para as autoridades que investigam directamente o caso, a “fotografia” da ocorrência pode levar muito tempo a ficar com os contornos claros.

Por isso o que vamos apor sobre o papel, são apenas algumas reflexões avulsas.

Primeiro, quem é o autor confesso do acto, de seu nome Anders B. Breivik?

Além de cidadão norueguês e do seu aspecto físico, pouco se sabe. Em termos ideológicos a confusão é enorme, aparecendo como uma mistura de auto proclamado “Templário”, em cruzada por uma Europa Cristã; membro da Maçonaria (qual?); amigo/aliado de judeus (ou sionistas?), com ideias difusas sobre o nazismo, misturadas com críticas à Igreja de Roma e simpatias pela homossexualidade. Acusações de ligações à Extrema-direita, choveram de todos os cantos.

Cabe aqui referir que a Ordem do Templo fundada em 1118, na Terra Santa, foi extinta pelo Papa Clemente VII, em 1312, após um processo pouco menos que obscuro. Em Portugal existiu desde 1128 e foi fundamental para a consolidação do Condado Portucalense e durante toda a 1ª Dinastia. Num passe de alta política, o Rei D. Dinis, nem sempre em consonância com a Santa Sé, transformou-a, entre 1317 e 1319, na Ordem de Cristo. Aquela que lançou e manteve os Descobrimentos até que D. João III a enclausurou, numa reforma pouco clara e quase nada estudada, até hoje.

Os Templários eram uma milícia cristã de elite, que praticavam a tolerância religiosa; atacavam de frente os seus inimigos, após lançarem o grito “Não a nós, Senhor, mas dá glória ao teu nome”. Convenhamos que confundir o Sr. Breivik com um verdadeiro templário, deixa um bocado a desejar…

Segundo, o homem estará no seu perfeito juízo?

A controvérsia é enorme. Também aqui é necessário tempo. A multitude de perfis psicológicos traçados é ruído, à mistura com eventuais estratégias de defesa a apresentar em tribunal. Pessoalmente penso que um indivíduo que matura uma acção do jaez daquela que foi cometida – e, eventualmente, o que lhe estaria associado – e escreve ensaios doutrinários de 1500 páginas, burro não será, nem falho de vasta cultura e informação; fundamentalista de algo e desequilibrado, parece ser. Se sofre de alguma psicopatia grave, resta provar.

Tendo pensado em tanta coisa, esqueceu-se, porém, do óbvio, que foi preparar uma escapatória para si. Foi preso com facilidade e também não intentou matar-se. Estranho…

Estaline mandou matar e escravizar milhões de pessoas e nunca lhe chamaram louco. Ainda hoje há quem goste dele. Idem, para Mao Zedong e mais uma mão cheia de variadíssimos crentes na possibilidade de fazerem um “homem novo”, e que achavam que os meios justificavam os fins. O que teve origem na Revolução Francesa…

O partido Nazi intentou exterminar vários géneros humanos e não é fácil classificar a “doença” de que sofriam; fizeram tudo, até, friamente e com uma racionalidade que desafiava os sentimentos.

Já os Aliados ingleses e americanos, só à conta deles, deixaram morrer de fome e doença, cerca de um milhão de soldados alemães, em campos de prisioneiros, já depois de a guerra ter terminado. O primeiro evento ficou conhecido como “Holocausto” e é revisitado por Hollywood de tempos a tempos; o segundo tomou o nome de “outras perdas” e nunca serviu de guião a nenhum filme.

Por último, o que terá movido o atirador, num país onde, por norma, não se mata uma mosca?

Pois parece que foram duas coisas: o predomínio da cultura marxista, mesmo passados todas estes anos após a queda do “muro de Berlim”; a invasão muçulmana da Europa, apoiada no “multiculturalismo” e em políticas erradas de muitos anos.

Perante isto prevê-se o colapso da civilização europeia e cristã em poucas décadas, onde o baixo índice de natalidade de caucasianos europeus representa uma causa de monta.

Bom, aqui a coisa fia mais fino.

É que o cidadão, que tinha mais munições para disparar do que a maioria das unidades militares portuguesas, não tendo qualquer razão nos métodos tem, na parte que toca ao argumentário, toda a razoabilidade. Goste-se ou não, e não serve de nada tentar enganar a cabeça da avestruz com o politicamente correcto.

De facto o substrato ideológico marxista e, sobretudo, “suissante huitard”, é transversal a largas camadas da sociedade europeia ocidental - os europeus de leste parece que ficaram vacinados. Gente com estas ideias – que só causaram malefícios à Humanidade – continuam nos governos, nos “média”, nos sindicatos e na intelectualidade e circuitos artísticos, influenciam os figurinos de instrução e a desconstrução da sociedade.

O combate ideológico tem sido frouxo; a cedência cobarde, a norma.

A emigração é, possivelmente, um caso ainda mais grave (embora influenciada pelo anterior), pois está fora de controlo.

Com o fito de encontrar melhor nível de vida, vagas de milhares e milhares de emigrantes, de África, Médio Oriente e Ásia, passaram a mover-se para os países europeus a partir da década de sessenta do século passado. Muita desta emigração foi, em tempos, encorajada pelos próprios governos, para fazer face à falta de mão-de-obra, nos seus países e, também, porque a maioria dos seus nacionais deixaram de querer exercer uma quantidade de ofícios e serviços, considerados de menor relevo social.

Só que os números aumentaram em tal magnitude, que passaram a causar sérios problemas sociais e de integração. Complicou o quadro, o facto de haver comunidades que, por religião ou idiossincrasia própria, se recusavam a integrar-se e a respeitar regras, criando os seus próprios “guetos”. Tal agravou-se, com o tempo, por via das segundas e terceiras gerações que, desenraizadas e sem perspectivas, passaram a ter comportamentos associais e criminosos. Pelo meio medraram inúmeras organizações ilegais que ganhavam a vida com a emigração clandestina, fracamente combatidas pelas autoridades.

Mas não eram só os emigrantes que não se integravam, a maioria dos europeus é racista e nunca se integrou com eles. A mediana (uma espécie de fronteira), passa pelo paralelo que corta a França ao meio, com o maior grau de racismo a vir de norte para sul.

Verdadeiramente o único povo europeu não racista é o português como a sua História atesta, do mesmo modo que a História dos outros evidencia a sua maneira de ser e estar. Só nós “convivemos” e nos damos, o que representa a verdadeira e superior forma de integração.

Foi isso que tentámos fazer durante quase 600 anos, em que colonizámos um pouco pelo mundo inteiro. Enquanto não acabaram com esta nossa maneira de ser e estar, politica e socialmente, fora da Europa, não descansaram. Mas nós é que tínhamos razão, não os nossos inimigos e adversários…

Para se lidar com esta nova realidade, no Velho Continente, nomeadamente nos países da União Europeia, inventou-se o “multiculturalismo”, que não é mais do que a tentativa da segregação civilizada, baseada numa tolerância postiça, comprada com muitos subsídios.

Ora deixou de haver dinheiro para subsídios, oferta de emprego já não há e multiplicam-se os bairros em que a polícia não entra. Há câmaras com presidentes e vereadores emigrantes ou ex-emigrantes e os naturais cada vez se têm que conformar com direitos e modos de vida dos “estranhos”, do que com os seus, etc. Um “etc” vastíssimo.

Ora se em cima de tudo isto fizermos umas contas simples de estatística, com matemática acessível aos menos ilustrados, veremos que apenas em poucas décadas, devido à demografia, os naturais de cada país, serão submersos por outros cuja matriz nada tem a ver com eles.

Até pode ser que seja bom, ou “inevitável”, ou qualquer outra coisa. Mas seria do mais elementar bom senso – e, até, democrático – estudar o assunto, pô-lo à discussão, pesar as consequências e, talvez, referendar decisões.

A continuarmos assim, vamos cair no abismo, e casos como os que agora sucederam em Oslo, serão apenas pequenos episódios, que se irão passar a repetir amiúde.

Pode ser, porventura, que tudo isto esteja a ser provocado e tolerado para se acabar com as nações. Mas isso já é outro patamar de discussão.

terça-feira, 26 de julho de 2011

AS ESTRELAS CADENTES E DECADENTES

A actriz Amy Winehouse morreu.

Numa sociedade “equilibrada” ler-se-ia no seu epitáfio o cristianíssimo “paz à sua alma”. Epitáfio cristão, simples e… pudico.

Em vez disto a morte da jovem cantora – que alguém agora descobriu pertencer à maldição dos artistas que morrem aos 27 anos (!!) - viu-se rodeada de uma imensa homenagem pública e mediática, nalguns casos com cenas de histerismo e choro convulsivo.

Eventos semelhantes têm sido recorrentes, o que passa a ter significado sociológico, sobretudo se tivermos em conta as multidões que arrasta, sobretudo jovens. O fenómeno merece alguma reflexão, creio, para além da sempre presente “psicologia das massas” e de algumas psicopatias avulsas.

Vejamos, em síntese, o caso vertente: segundo os versados em vozes e cantorias, o talento da moça cedo se revelou e possuía características únicas que levaram a classificar, mais tarde, a sua performance como “original”. A sua carreira foi assim tão curta quanto fulgurante.

Em simultâneo a sua vida pessoal foi pasto de muitas conturbações – o que também acontece a uma grande parte, senão à maioria das pessoas – o que a terá feito resvalar para os excessos do álcool e das drogas, o que já não sendo maioritário, sucede a muito boa gente.

São dramas pessoais que existem desde o princípio dos tempos e que se devem tentar perceber e resolver numa esfera pessoal e privada.

Ainda segundo os entendidos – porque aí não metemos prego nem estopa – Amy teria todas as condições para ter uma boa carreira e o que se convencionou apelidar de ter “o mundo a seus pés”.

Winehouse usou, também, de toda a parafernália de clichés e usanças, que encontram aconchego nos mais baixos instintos humanos e são adorados (pudera!), pela imprensa “cor-de-rosa” e não só: trajes identificadores e ousados; pinturas e adereços que desfeiteavam a sua beleza natural; entrevistas provocatórias e de “nonsense”; letras indecorosas ou subversivas; coreografias a roçar o pornográfico; poses aberrantes, etc.

Tudo isto se passou na sua curta vida, a que não é difícil imaginar um fim voluntário, misturado com escândalos vários e, a partir de certa altura, a omnipresença (até explicita) de estupefacientes – a que se foi dando a mais copiosa divulgação pública.

Ora tudo o que é explícito e publicitado, sem haver referências morais e cívicas que o enquadrem, pode passar a ser um exemplo a seguir, para o vulgo. Amy  parece-nos, porém, a antítese de qualquer exemplo que deva ser passado para a sociedade. A prova disso, se a quisesse-mos tirar, seria perguntar aos leitores e, inclusive, aos seus fãs, se a gostariam de ter como filha, irmã ou mulher…

Os seus vícios privados, mesmo que não fossem intentados ser tornados públicos, viriam inevitavelmente a público, nos dias de espectáculos interrompidos ou cancelados por indecente ou má figura. O que, traduzido na prática, revela uma enorme falta de profissionalismo e respeito por quem paga o bilhete.

Mas a vedeta do palco insiste em destruir-se até que vira cadáver e é o que se vê!

A venda de discos dispara, fecha-se a quadratura do circulo…

Todos os dias, pelo mundo inteiro, existem exemplos de santidade; de pessoas que dedicam a vida à investigação em prol da Humanidade; heróis que arriscam a vida pelas suas Pátrias ou por causas nobres que abraçam, etc., ou simplesmente os muitos milhares de pessoas “normais”, que vivem sem alardes, mas trabalham com dedicação, cuidam da família, pagam os seus impostos, isto é são cidadãos de corpo inteiro e são, efectivamente, quem faz a civilização avançar e não regredir.

Todos estes comparados com a Amy, e outros como ela, à luz do ocorrido, não valem nada.

A mim, pelo menos, parece-me que há algo de errado nisto tudo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

APRESENTAÇÃO DO ELMO DE D. SEBASTIÃO

UM DIA DE MUDANÇA!
Uma espécie de RECONQUISTA DA LUSA IDENTIDADE:

Domingo, 7 de Agosto pelas 16 horas, na Quinta Wimmer em BELAS (Estrada Nacional 117, ao km 10), 500 metros depois da igreja de Belas na estrada nacional em direcção ao Sabugo, na subida, na curva, um grande portão antigo com duas árvores enormes e um painel de azulejos indicando QUINTA WIMMER.

Atravessando o parque, sempre em frente, cerca de meio kilómetro há parque de estacionamento.

Quem amar Portugal é BEM VINDO!

Rainer Daehnhardt



sábado, 16 de julho de 2011

A “NOVELA” DA MATEMÁTICA E DO PORTUGUÊS

    Há cerca de 30 anos, mais coisa menos coisa, que andamos nisto: cada vez que há exames no secundário (e nunca se sabe para que servem e para o que contam…), e se conhecem as notas, logo se desencadeia grossa polémica sobre os (fracos) resultados e o pouco que os alunos sabem sobre as ditas matérias.



    Daqui se passam a esgrimir argumentos sobre o porquê das coisas e o que se deve fazer. Friso que assim se passa vai para 30 anos!

    Tem-se ouvido de tudo um pouco: que os exames são fáceis; que os exames são difíceis; que os exames têm erros; que não se pode obrigar os alunos a decorar; que as máquinas de calcular são boas, más e assim, assim; que os programas têm poucos autores contemporâneos, ou renascentistas, ou árcades, quiçá românticos, para já não falar nos realistas; não se liga à poesia; há poesia a mais; os alunos não estão preparados para a poesia; os alunos não gostam das disciplinas; o ensino deve ser lúdico; o aluno deve fazer o seu próprio caminho, segundo as suas faculdades e motivações; o ensino é demasiado formal; que os professores têm que saber motivar os alunos; que reprovar causa danos psicológicos a quem estuda; que têm que se atender às diferenças sociais, que sei eu?! Dava para encher sebentas.
     Na sequência têm-se inventado as mais mirabolantes teorias e experiências pedagógicas, menos para resolver o problema do que para iludir as aparências.
    Os sucessivos governos têm lidado com a realidade aos ziguezagues e em regime de cata-vento.
    Eu, sinceramente, creio que o problema é de simples resolução e não carece de complicadas congeminações multidisciplinares onde entram catervas de pedo – psiquiatras, pedagogos, sociólogos, politólogos, psicólogos e outros “ólógos”, já que só descortino quatro razões para haver más notas às citadas disciplinas:
·         Os alunos não querem estudar;
·         Os alunos não têm capacidade para aprender;
·         Os professores não sabem ensinar;
·         Uma combinação das anteriores.
Ora se os alunos não querem estudar, a solução é simples: chumbam;
Se não têm capacidade para aprender, a solução também é fácil: chumbam – em alternativa mudam de curso ou de vida;
Se os professores não sabem ensinar, têm que ser corridos, isto é, chumbam de outra maneira – para que isto não se dê, têm que ser devidamente seleccionados, preparados e avaliados;
   Qualquer combinação das anteriores salta, outrossim, à evidência, que só o chumbo purifica.
   Ou seja todo este granizé não tem razão que o justifique, a não ser que não se tenha mais nada para fazer.
    Pode, porém, dar-se o caso do Ministério não acertar com regras, matérias e definição de objectivos – que é, aliás, o que tem acontecido, acrescido de mudanças constantes de critérios – nesse caso a coisa é mais complicada, pois tem que se mudar de ministério.
     Ora é justamente neste ponto que ainda nenhum governo teve coragem de mexer a sério: o Ministério da Educação foi um dos ministérios mais subvertidos a seguir ao 25 de Abril de 74, e ainda hoje não foi completamente saneado. Fica aqui o alerta para o actual inquilino da 5 de Outubro.
    Partindo do princípio que existe um programa adequado e que é cumprido, durante o ano lectivo, os conhecimentos dos alunos devem ser aferidos em competentes exames e testes, cuja bitola de exigência deve ser compatível com o grau de conhecimento que se pretende no escalão seguinte, até se chegar às competências que um novo profissional tem que possuir para poder viver de vida própria.
     Neste âmbito optou-se, até hoje, pela manutenção de dois erros colossais, a saber: um facilitismo desmedido e transversal a todo o ensino; um grau de exigência em “paralelepípedo” em vez de “funil Invertido”. Expliquemo-nos, ao contrário do ditado popular “de pequenino é que se torce o pepino”, passou a não se torcer nunca o pepino. Ou seja desde pequenino é só facilidades que, naturalmente, continuam pelos anos fora. Resulta que os jovens não são minimamente preparados, percepcionam uma ideia errada da escola e da vida e como passam de ano sem os conhecimentos básicos, a partir de certa altura não conseguem atinar com nada, somando ondas de frustração gigantescas e entupindo todo o sistema.
    O facilitismo vem, então, ao de cima novamente, agora fortemente pressionado pelas promessas de vida fácil, com o fito de se ganhar votos nas eleições. Resulta que inundamos as universidades de analfabetos militantes, que suam as estopinhas para obterem um canudo (e os professores para lhes ensinar algo).
     Como todo o mundo deixou de acreditar no sistema de ensino e nos canudos, são as próprias “Ordens”profissionais e as empresas a quererem fazer exames de selecção e estágios de preparação, para eles poderem entrar no mundo real. Uma empresa privada não se pode dar ao luxo de ter incompetentes, senão fecha…
    Ou seja, tem sido o próprio sistema político que induz o descalabro. As estatísticas da União Europeia fazem o resto.
    Para aguentar o sistema educativo, mente-se continuadamente e despeja-se no dito cujo, euros aos milhões. Agora já não é possível nem esconder a demagogia e os maus resultados, e já não há dinheiro.
    Fazer reformas, contudo, vai encontrar oposição feroz, não só de quem se habituou ao facilitismo, como de todas as “estruturas” que se adaptaram a viver, ou a alimentar, este colossal embuste.
     Todavia, é bom lembrar, que a situação em que ora estamos teve origens ideológicas: a destruição de uma “ordem” para a imposição de uma outra; a massificação do ensino, que levou ao nivelamento por baixo; a negação das elites – um erro de catastróficas proporções; o nivelamento hierárquico que provocou a falta de autoridade e disciplina; o falso principio de que todos somos iguais, que originou uma confusão de conceitos e posturas; o desregramento criminoso e as teorias idiotas originadas no Maio de 68, em França; a desresponsabilização larvar que resultou de tornar inimputável qualquer comportamento fora da norma (qual norma?), impossibilitando a aplicação de sanções, etc.
    Enfim, as asneiras são incontáveis e o desastre é extenso e profundo, e raros são os jovens que chegam ao mercado de trabalho com preparação adequada para enfrentarem a dureza da vida e serem cidadãos de corpo inteiro.
    Dou um alvitre, se a nível dos responsáveis, andam agora de mãos na cabeça e sem saberem o que fazer, ponderem o seguinte, até inventarem uma coisa melhor: vão verificar como era no meu tempo da instrução primária e do liceu (e, por favor voltem a chamar liceu às “escolas secundárias”), e implementem. Funcionava tudo.
     Funcionava tudo, até, muito bem.

terça-feira, 12 de julho de 2011

PORTUGAL E A NATO

A Nato serve-nos?
Eis uma pergunta que passou a ser pertinente e deve ser ponderada.

    Membro fundador da aliança, em 4 de Abril de 1949, Portugal usufruiu de largas vantagens em pertencer à Nato. O país ganhou credibilidade política, sobretudo no mundo ocidental; ganhou capacidade de defesa colectiva contra a portentosa ameaça comunista, consubstanciada na “Guerra Fria”; conseguiu importantes modernizações em termos de infra-estruturas, tácticas, doutrina e armamento, para as FAs (usufruindo de meios financeiros), e tinha garantida uma participação digna entre iguais – embora uns fossem mais iguais do que outros – com regras bem definidas de actuação e âmbito.

    Portugal salvaguardou a sua posição relativamente à Aliança Inglesa e ao Pacto Ibérico e garantiu o não envolvimento directo no teatro europeu, conseguindo que os seus territórios na Europa ficassem dependentes do Saclant (Norfolk) e não do Saceur (Mons). Fez, porém, o erro de não incluir os seus territórios ultramarinos no âmbito da Aliança, mas as condições políticas não davam para mais.

    Não nos iludamos, todavia, o nosso país entrou como membro fundador por especial empenho dos EUA e da Grã-Bretanha, sobretudo por causa do Mar – fundamental para o reforço rápido da Europa – e da importância das posições que o triangulo estratégico português (Continente, Madeira, Açores – sobretudo estes), detinha nesta geopolítica. O facto do sistema político português não representar uma Democracia no sentido Ocidental do termo passou, naturalmente, a factor secundário. E assim fomos vivendo apesar dos amargos de boca causados pela questão ultramarina entre 1954-1974.

    Toda esta situação modificou-se radicalmente após a queda do muro de Berlim, em 1989. A NATO viu-se, de repente, sem inimigo – para que serve uma aliança militar se não há inimigo?

    Passado este primeiro impacto encetaram-se negociações para a aderência de novos membros e, mais tarde, de membros associados (actualmente 22). Alguns destes novos membros pertenciam ao anterior Pacto de Varsóvia, o que deixou os novos inquilinos do Kremlin muito pouco satisfeitos.

    A desintegração da ex-Jugoslávia nos anos 90 – um conjunto de nações, numa zona geopoliticamente fracturada, que o Marechal Tito tinha federado com mão de ferro, a seguir à Segunda Guerra Mundial – salvou a NATO relativamente ao inimigo, ou pelo menos em termos de missões imediatas, o que se foi consolidando com o fim da limitação da área de intervenção, o que ficou consignado na cimeira de Washington, de 1999. Os putativos inimigos passaram, deste então, a pulular.

    O aumento dos membros (são agora 28), os cenários de actuação (abrangendo mandatos da ONU e cooperação com a UE), e até a diversificação das missões (de paz, humanitárias, imposição de paz, etc.), tornou o funcionamento da NATO muito mais complexo e levou ao endurecimento na hierarquia das potências, para obter resoluções que fossem ao encontro dos seus interesses. O eventual uso dos mesmos meios (NATO/UE), em missões conjuntas ou separadas e a “cooperação” com a Rússia são ainda factores que muito complicam o funcionamento da “Aliança Militar com mais sucesso na História”.

    Em contra ciclo com tudo isto, cada vez mais se assistiu a uma redução dos efectivos, equipamento e orçamento dos exércitos ocidentais, nomeadamente, europeus. Intervir em mais cenários, cada vez com menos pessoal e armamento é uma equação que nem o melhor matemático resolve. E que a tecnologia apenas mitiga.

   Por sua vez, os teatros de operações onde a NATO se passou a empenhar, foram-se distanciando da zona geográfica onde o nosso país se insere. Uma tentativa honesta, mas talvez pouco concertada, do governo português, de tentar interessar a NATO pelo Atlântico Sul, falhou rotundamente na última cimeira de Lisboa. Esta “démarche” fora antecedida de uma recusa liminar do governo brasileiro em colaborar nesta proposta.

     Os sucessivos cortes no orçamento e sistemas de forças das FAs portuguesas também têm feito diminuir o empenhamento nacional nos meios afectos à Aliança e na participação nas missões existentes – apesar do esforço nestas últimas não ter sido despiciendo e, muitas delas não servirem, especificamente, qualquer interesse nacional português.

    No presente Portugal já pouco usufrui em termos de conhecimentos tácticos, doutrinários, em armamento, etc., e os apoios em infra-estruturas praticamente deixaram de existir.

   Algumas das operações desenvolvidas pela NATO são muito questionáveis, como seja o bombardeamento da Sérvia e o apoio à independência do Kosovo, o qual nunca deveria ter merecido o apoio do governo português.

    A intervenção no Afeganistão – que tem esgotado a organização – resultou de pressão americana para não ficarem sozinhos na refrega, juntamente com os ingleses, como acontecera no Iraque, que se revelou ser politicamente um desastre.

    A actual operação na Líbia é totalmente inaceitável, por não ter nexo de causa/efeito, por não ter havido qualquer ameaça a um país da Aliança e por esta exorbitar a peca resolução do Conselho de Segurança da ONU que, “in extremis” a caucionou.

    Se ingleses e franceses queriam atacar a Líbia, não tinham nada que arrastar a NATO para a operação. E ainda não descortinámos porque raio não atacam a Síria, o Iémen, ou qualquer outro país em que os nacionais desatem aos tiros uns aos outros.

     Assim como ninguém entende como é que o governo francês (à semelhança do que os alemães fizeram com a Croácia e a Eslovénia), resolveu reconhecer os “rebeldes de Benghazi”, sem dar cavaco a ninguém na União Europeia e na NATO. Afinal nós estamos lá a fazer o quê?

    E logo a França, que tinha saído da estrutura militar, em 1966, pela mão de De Gaulle – numa das muitas peripécias político/diplomáticas em que é fértil a História do Hexágono – tendo regressado à mesma estrutura, em 2009, não perderam tempo…

    Nada disto tem a ver com Direito Internacional, nem com a decência na convivência entre estados e povos; seguramente nada tem a ver com interesses portugueses, a não ser que nos tenhamos desqualificado a ser uma cadelinha que abana constantemente o rabo para não levar um chuto do dono.

    É na sequência de tudo isto que aparece a decisão do desaparecimento do Comando da Nato em Oeiras (onde está desde 1972,na altura com a designação de “Iberlant”, se bem que a decisão da criação seja de 1967), sendo agora substituído por uma coisa menor a que chamam “StrikeforNato”, que estava em Nápoles, acompanhado de um rebuçado mal embrulhado, que dá pelo nome de “Escola de Sistemas de Comunicações e Informação”. Isto representa, aparentemente, um compromisso mínimo para não nos ignorarem completamente e dar uma pequena satisfação ao governo português que fez alguma pressão na defesa dos seus pergaminhos.

    E, sem dúvida, Portugal tem pergaminhos a defender: é membro fundador da Aliança (e só foram 12); foi sempre um aliado leal e estrutural e doutrinariamente fiável, relativamente à Guerra Fria, enfim, descontando a tribulação do “PREC”; nunca criámos problemas no seio da Aliança; aguentámos firme, as múltiplas acções inamistosas que vários membros, ditos nossos aliados, nos fizeram durante a subversão que enfrentámos em África e na agressão da União Indiana, a Goa, Damão e Diu - numa altura em que estávamos na linha da frente do combate ao comunismo e à estratégia indirecta da URSS; engolimos estoicamente o desprezo com que a Organização reagiu à nossa proposta, mais do que lógica, de estender a acção da NATO ao Atlântico Sul; enfim sempre procurámos honrar os nossos compromissos e nunca regateámos solidariedade.

    A paga foi agora esta, ora quem não se sente não é filho de boa gente e alguma reacção não deve deixar de se fazer sentir. Exemplo disso pode ser a de anunciar a retirada das tropas portuguesas dos Balcãs e do Afeganistão; dificultar consensos no seio da Aliança; dificultar o usufruto de território nacional por parte de forças da Nato; aumentar a dureza nas negociações com os EUA, relativamente ao uso da base das Lajes, etc. E se as instalações de Oeiras se resumem a um simples “observatório” sobre o que se passa no oceano ao largo e isso interessa sobretudo aos EUA, então talvez faça mais sentido fazer um acordo bilateral com aquele país, à semelhança do que fez o governo espanhol nos anos sessenta.

    O novo conceito estratégico da NATO (lembra-se que o conceito renovado 10 anos antes, já incluía a ampliação do carácter defensivo da NATO; o direito de ingerência humanitária; a luta contra o terrorismo, o crime organizado e os problemas associados ao abastecimento de recursos vitais), aprovado na cimeira de Lisboa, vai no sentido da organização passar a ser um estado-maior da ONU (o braço armado que ela nunca teve), podendo vir a intervir em todo o mundo. Obviamente serão os EUA quem terá mais a ganhar…

     A NATO não está a ir por bom caminho; está completamente descaracterizada e quer-nos descaracterizar. Qualquer dia tem uma base na Coreia do Sul…

      Novas realidades requerem novas estratégias. À atenção do Terreiro do Paço.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

ANIVERSÁRIO DOS “COMANDOS”

Decorreu no dia 29 de Junho mais um aniversário das tropas “Comando”, a quem Portugal deve serviços muito relevantes e distintos e que é, juntamente com os ex-comandos um derradeiro reduto de resistência para quem quiser vergar ou “dissolver” o nosso país.


Neste dia ocorreu, também, o encerramento do 117º curso da especialidade e consequente imposição de boinas e crachá. É por aqui que pretendemos iniciar algumas reflexões.

Iniciaram este curso 61 militares entre oficiais, sargentos e praças, tendo terminado 25.

Ora isto representa uma percentagem de aproveitamento muito curta. Acresce que estas percentagens têm sido recorrentes. Não estamos contra a dureza da instrução nem nos passa pela cabeça baixar os parâmetros de aferição, mas ter-se-á que encontrar fórmulas de se ter um “output” maior, dado que os que acabam nem devem dar para recompletar as subunidades. Além disto fazer um curso de Comandos custa caro e empenha muitos meios, resultando daqui um custo/eficácia muito elevado.

Acreditamos que uma melhor triagem dos candidatos pode ajudar a minorar o problema e terá que se equacionar começar o curso com mais gente, pois as desistências são muito elevadas. O estado físico/psíquico/moral/cultural da juventude portuguesa está muito longe de ser o melhor.

Um outro facto preocupante tem a ver com as zonas do país onde se faz o recrutamento: são, maioritariamente, na área da grande Lisboa, sobretudo nas suburbanas. Isto coloca problemas específicos, sobre os quais não nos vamos alargar, mas que podem estar directamente relacionadas com o recente desaparecimento de armas ocorrido e ainda não desvendado.

Tudo isto é, outrossim, consequência de se ter acabado com o serviço militar obrigatório, um dos muitos erros que se fizeram em catadupa nos últimos 30 anos.

Finalmente, uma tropa deste tipo não deve estar aquartelada perto de uma grande cidade, por razões que também não vou explicitar.

Durante a cerimónia ocorreu, porém um caso inusitado e nunca até hoje visto (pelo menos por mim): quando se chegou ao “timing” das condecorações – que é uma parte sempre presente neste tipo de eventos – ouviu-se o apresentador referir que o Presidente da Câmara de Sintra, que estava presente, iria “condecorar” o Chefe de Estado Maior do Exército, que presidia à cerimónia.

E assim aconteceu, o Dr. Seara desceu do palanque seguido do CEME – invertendo-se aqui a hierarquia de quem presidia, o que não causou qualquer engulho protocolar – e lá colocou um colar ao peito do general chefe.

Salvo melhor opinião nada disto nos parece correcto. Em primeiro lugar se o Presidente da Câmara entende outorgar uma venera do seu município, deve fazê-lo nos Paços do Concelho, ou noutra dependência em que seja ele o dono da casa; por outro lado um presidente de câmara não condecora um oficial general, faz-lhe entrega de uma medalha, o que não é a mesma coisa.

Mas a estranheza do procedimento não acaba aqui, já que depois deste inédito, foram atribuídas condecorações militares, a começar por uma cruz de guerra – o que também é estranho, dado que se trata de uma condecoração relativa a um conflito que terminou há quase 40 anos.

Ora não parece curial nem é regulamentar atribuir medalhas civis antes das militares, seguramente não antes de uma cruz de guerra, parecendo que se fez a troca por se ter dado mais importância ao condecorado do que à condecoração, o que não encontra justificação em nenhum livro. Felizmente que não se chegou a convidar o Dr. Seara para impor condecorações a mais ninguém.

Não sabemos porque é que as coisas se passaram da maneira que se passaram, mas fica aqui o reparo.

Já em tempos a anterior inquilina do município resolveu dar uma “festa” na Base Aérea 1, sem ter combinado nada ou obtido prévia autorização. E deu!

Olhem se a moda pega…

terça-feira, 5 de julho de 2011

MALANDRICES POLITICAS E RESPOSTAS MILITARES

Dois ministros, dois, um da Defesa e outro das Finanças, resolveram, em fim de mandato, acusar publicamente as chefias militares – todas elas – de ilegalidades sobre promoções e pagamentos, subentendendo gestão danosa de fundos públicos.Tudo resultou de leis aprovadas pelos políticos, quando não inspiradas por eles, e de cuja modalidade de execução tiveram prévio conhecimento.
As chefias dos Ramos (que na execução da lei actuaram em sintonia), de igual modo tomaram pública uma posição em que desmentem os dois ministros (O CEMGFA tem-se mantido quedo). Foram declarações enxutas, institucionais, sem querer alimentar polémicas, mas sendo claros em que o Exército, a Armada e a FA, não cometem ilegalidades.

O Chefe do Exército foi mais longe e deu uma entrevista mais assertiva.

Ou seja, não tendo o diferendo sido resolvido pela parte política – pois é esta que se sentiu defraudada – através do diálogo, ou por uma simples ordem de suspensão, quiseram torcer o problema e tentar passar para a opinião pública que o ónus estava nos militares. É difícil ser-se mais demagogo, aldrabão e anti - ético!

Ora passando-se as coisas, em termos gerais, como as descritas resulta que ambas as partes não podem estar certas ou erradas ao mesmo tempo. Dito de outro modo: ou mentiram uns ou mentiram os outros, o que numa sociedade civilizada levaria a que se tentasse apurar a verdade e, dessa verdade, teriam que resultar consequências…
Mas não, todo o filho d’algo finge que não vê, assobia para o lado e aguarda calmamente que passem uns dias e a questão já tenha sido destronada, por um desaguisado amoroso de um príncipe, ou a transferência de um craque do futebol.
Chamar ao que temos, não direi uma democracia adulta, mas um Estado que funcione, é uma ficção.
As chefias militares não largaram a “cavalaria” e não fizeram a exploração do sucesso. A altura era muito propícia, já que era um governo que saia de cena amachucado, ao passo que permitiria marcar posição e terreno, face ao governo que entrava. Mas falta aqui sempre um rasgo, uma ideia, uma estratégia! Há sempre receios, prudências, pruridos.

Ou será melhor assim, já que em determinados assuntos os políticos (em todo o espectro partidário), se unem e defendem uns aos outros?
Em qualquer caso, parece haver muitas coisas erradas em tudo isto:
Então as leis e regulamentos – na fase da elaboração - não são discutidos entre autores, intervenientes e âmbito onde se irão aplicar? Durante a execução do regulamentado não existe acompanhamento/discussão entre as partes? Os problemas que surgem não são resolvidos no recato dos gabinetes, antes se passam para a opinião publicada? Quando se discutem os assuntos não existe lealdade e coragem suficiente, entre interlocutores para dizerem o que pensam, e acordarem no cumprimento da decisão havida, quando a haja?
Ora, parece-nos que é nestes “itens” que reside o segredo de uma boa governação e de uma salutar convivência. Mas não há maneira de convergimos nisto, resultando uma péssima prestação, de graves consequências, que a Instituição Militar e o País não merecem.
A classe política dos últimos 30 anos não tem provado nada bem e não tem merecido poder ser classificada como patriota. Generais e almirantes têm tido as maiores dificuldades em lidar com este quadro. Urge encontrar um ponto de equilíbrio sensato.
Eu sei que a vida é difícil e não é justa: Paiva Couceiro acabou exilado e Mouzinho meteu uma bala na cabeça. Mas o sol nasce todos os dias e Portugal tem que sobreviver.