terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O CERNE DO ACTUAL BLOQUEIO POLITICO/FINANCEIRO

Paulo Portas, Presidente do CDS
Uma proposta de Lei do CDS, apresentada na AR, apoiada pelo PCP e BE, foi rejeitada pelo PS com o apoio expresso do PSD, no dia 18 do corrente. Em que consistia esta proposta? Numa coisa simples, justa e prioritária, que se consubstanciava na existência de limites e cortes nos vencimentos escandalosos (e acrescentaria “mordomias”), dos gestores das empresas públicas do Estado.

Simples, pois é de uma evidencia cristalina; justa, pois é uma indecência pornográfica haver tais ordenados e regalias, tendo em conta os vencimentos médios da população, a condição do país e as manchas de pobreza existentes; e prioritárias, pois não se devem (porque poder já se viu que podem!), pedir sacrifícios a toda a Nação e os principais responsáveis em exercício – e também culpados maiores do descalabro criminoso em que colocaram o país – não dão uma ponta de exemplo!

Isto não é demagogia é, na mais elementar hierarquia das virtudes e da liderança, apenas bom senso. A esta gentalha não lhes falta, porém, senso. Apenas escrúpulos e vergonha.

Se, aliás, tivessem uma réstia de pensamento no serviço público nem sequer lhes seria difícil manter a equidade: bastava manter em vigor a Lei 2105 de 6 de Junho de 1960, em que se proibia que a remuneração de um qualquer gestor do Estado pudesse ser superior à de um ministro. Simples e eficaz!

Mas parece evidente que uma lei nitidamente “fascista” não podia ser aceite pelos paladinos da “Democracia”…

Os leitores farão o favor de reparar – e já é tempo de deixarem o conforto do sofá pela luta na defesa da decência na sociedade e menos na contemplação do seu umbigo – que desde que a crise se instalou, mesmo a contragosto do discurso político, todas as medidas de austeridade e contenção se situaram no âmbito da população, mas nunca onde poderia doer à classe politica.

Ou seja, no orçamento da Presidência da República; Assembleia da mesma; Governo e gabinetes dos ministérios; na administração das empresas públicas; nos bancos, nas autarquias; nos governos e parlamentos regionais; nas fundações; nas parcerias público – privadas; nos institutos públicos; nas empresas camarárias; nos tribunais supremos, etc.

De facto em qualquer âmbito que possa afectar, nem que seja ao mais de leve possível, qualquer membro de um cargo político, ou a função para onde normalmente migram depois de se sacrificarem pela Pátria…

Mesmo os 10% de corte aplicável na função pública foi largamente compensado pelos aumentos, entretanto efectuados, nos subsídios de representação, ajudas de custo e similares. E são públicas as tentativas obscenas de contornar a lei por parte de algumas administrações de empresas públicas e do Governo Regional dos Açores, por ex.

Porque é isto assim? Simples e meridianamente claro: porque a fazerem-se cortes equitativos no conjunto da população, isso iria, de facto, afectar os detentores, ex-detentores, e futuros aspirantes a detentores de cargos político – partidários. Ou seja, as clientelas dos Partidos.

Quer dizer, que umas 50000 famílias (grosso modo), cerca de 200000 pessoas, arrogam-se o direito de sugar e dispor de cerca de 90% da riqueza criada no País e dispensar os trocos restantes ao remanescente da população.

Eis a razão pela qual o PS – que é poder agora – votou contra a proposta e o PSD – que aspira a ser poder – também o fez. E sabe-se que a maioria dos que já passaram pelas cadeiras do poder também pertenceram a estas duas filantrópicas agremiações.

O BE e o PCP não têm, por seu lado, qualquer problema em votar a favor, pois sabem que não vão ser poder (isto é, não vão ocupar as tais cadeiras), ao passo que usufruem de umas migalhas gordas enquanto estiverem com um pé no sistema.

O CDS de onde parte a proposta é o caso mais curioso: está na charneira do poder: é do sistema e pode ser “bengala” do poder. Neste âmbito usufrui de todos os lados e colhe votos no eleitorado. A proposta beneficia-o e, por isso, faz sentido a sua iniciativa. Resta saber se é sentida e não apenas (mais) um rasgo demagógico.

Esta é pois uma das principais razões pela qual o actual sistema político está num impasse e bloqueado. E não tem saída própria, vai apodrecer com o tempo e as misérias humanas.

Infelizmente isto não é de agora. Tem as suas origens em 1820 e só foi interrompido durante um “buraco negro” da nossa História recente, de que não se pode falar com direito ao contraditório.

Façam o favor de estudar, reflectir e cruzar informação, que acabam por perceber.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

FAZER A ACADEMIA AEROESPACIAL!

Ao ser eleito recentemente membro correspondente da Academia de Marinha resta-me, na minha qualidade de antigo oficial piloto aviador, propor a criação da Academia Aeroespacial.

Apesar da sabedoria popular afirmar que “ninguém é bom juiz em causa própria”, não hesito em classificar esta ideia de boa e de urgente.

A “causa do Ar/Espaço”, está mal arrumada e dispersa na sociedade portuguesa, não existe uma ideia consolidada do “Poder Aeroespacial” nos meios políticos, académicos e culturais da nação e a grande maioria da população tem destas coisas uma ideia pouco mais do que vaga.

Eis pois os fundamentos e a área de acção da futura Academia Aeroespacial (AA).

Como devemos ser práticos, pragmáticos e não andar a tentar inventar o que já existe, defendemos que a AA tenha uma estrutura semelhante à da Academia de Marinha, isto é (em traços gerais):
- Depender do Chefe de Estado-Maior da Força Aérea (em Portugal é extremamente difícil uma instituição deste tipo sobreviver sem apoios de entidades já existentes…);
- Ter na sua estrutura dirigente, oficiais na situação de reserva ou reforma, bem como outros membros civis de reconhecida idoneidade;
- Estar instalada em unidade militar;
- Estar aberta a membros oriundos do meio científico, académico e profissional de algum modo ligado às actividades aeroespaciais, quer militares quer civis;
- Ser alargada a membros correspondentes, estrangeiros;
- O acesso a membro estar condicionado por “números clausus” e regras definidas.

A AA constituir-se-ia assim uma Academia de saber em que todos os assuntos relacionados com o Ar e o Espaço pudessem ser estudados, reflectidos e divulgados; um centro de reflexão estratégico sobre o poder aeroespacial e um repositório de conhecimento que poderia ser útil tanto à “sociedade civil” como aos órgãos do Estado.

A sua estrutura seria simples: uma direcção, uma secretaria, um órgão de apoio técnico, uma assembleia de académicos, um conselho científico.

Como órgãos de execução haveria secções de estudos, a começar por uma de História e outra de Tecnologia; depois e à medida da sua consolidação, poder-se-ão constituir secções relacionadas com tudo o que se relaciona com o meio aeroespacial: meteorologia, medicina; tráfego aéreo, estratégia, direito/legislação, aeródromos, etc.

A partir daqui é todo um mundo que se abre.

Como particularidade, defendo que a AA deveria albergar também, ressuscitando-o, o “Cenáculo dos Carcaças”, um “clube/tertúlia” nascido em 8 de Fevereiro de 1956, e que reunia, na altura, todos os pilotos do activo com 20 anos de brevet.
Os seus fundadores eram membros do novel Ramo Força Aérea, alguns oriundos da extinta Aviação Naval. Foram eles: Alm. Paulo Viana, Alm. Cardoso de Oliveira, Gen. Dário de Oliveira, Gen. Humberto Pais, Gen. Costa Macedo, Cor. Telo Pacheco, Alm. Carlos Sanches, Cap.m.g. Trindade dos Santos, Gen. Venâncio Deslandes, Gen. João de Freitas, Cor. Rodrigues Costa, Brig. Costa Franco e Cor. Vasconcelos de Carvalho.
O bastonário desta “ordem”, conhecido por “carcaça Mor”, era o piloto com o brevet mais antigo. Infelizmente, esta tertúlia “sentimental e evocativa”, como consignado na sua acta de fundação, deixou de existir a seguir ao 25 de Abril de 1974, sem que para tal houvesse qualquer razão ponderosa.

Quanto às instalações propomos a Base Aérea 1, em Sintra, nomeadamente o aproveitamento das antigas instalações do antigo Instituto de Altos Estudos da FA. Existe espaço, bibliotecas, messes, anfiteatros, bons acessos e parqueamento, pessoal e outras estruturas de apoio.

Existe a Academia da Força Aérea com as suas multi-capacidades e o Museu do Ar. Respira-se uma atmosfera aeronáutica.

Como alternativa, poder-se-á considerar as instalações do Estado-Maior em Alfragide, hoje subaproveitadas e que têm a vantagem de estar mais perto de Lisboa.

Cada realização tem um início, um começo. Normalmente nasce com uma ideia. Se não for agora, alguém que pegue nela mais tarde.

Portugal tem muitos talentos e gente capaz, mas andam, normalmente, dispersos, zangados ou antagonizam-se. Os tempos não se coadunam com este estado de coisas. Há que harmonizar e dar resultante às boas ideias e intenções.

Aqui fica o repto.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

AS MILITARES DA GNR QUE SE CASAM

Publicado no jornal "O Diabo" de 22 de Fevereiro de 2011

“O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem carácter, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”
Martin Luther King

Era um facto esperado que só admira por tardio. Já estava previsto acontecer logo que a iníqua lei fosse aprovada.

Temos uma sugestão a fazer às jovens nubentes: a nossa cabo deveria convidar o Sr. Ministro entre todos o primeiro, para padrinho, ou mesmo madrinha de casamento – a partir de agora a ordem é arbitrária – já que foi do seu grupo de “alfaiates” de leis, que saiu a proposta de legalidade agora em vigor; e a nossa capitão deverá endereçar o mesmo convite, ao recém-empossado inquilino de Belém, que genuflectiu sobre o diploma apesar de – confissão sua – não concordar com ele.

E que diabo, sempre se respeitava a hierarquia entre praça e oficial; bandalheira sim, mas não tanta!

Idêntico convite deveria ser endereçado ao coordenador Louçã e ao operário Jerónimo, para que, vestidos de meninas imaculadas e uns enfeites no cabelo abrissem o cortejo transportando as alianças; e também, no mínimo, uma participação do evento ao Passos laranja e ao Paulinho das feiras, a fim de poderem espreitar o evento, já que aparentaram vontade de participar na boda.

As paredes nuas do registo civil seriam ornamentadas com um grupo coral constituído por uma escolha de deputados inspirados nos tenores italianos (com voz de falsete), que cantariam árias burlesco – eróticas a quem o mestre maior do Oriente Luso, serviria de maestro. Ámen.

Já sei, sou um reaccionário sem respeito pela “liberdade” alheia que o “progresso” desacreditará. No meu estertor, porém, lamento informar que nem tudo o que se diz e faz é ou tem de ser aceitável, muito menos respeitável e que, para o caso de não terem reparado, também tenho direito a opor-me e, eventualmente, a que me perguntem o que penso, já que se dizem tão democráticos.

Ora nenhuma destas premissas parece fazer vencimento, nem em políticos, comentadores ou na classe dos jornalistas, que é quem filtra as notícias a serem divulgadas para a opinião pública. São assim como uma espécie de comissão de censura gigante, sem coronéis (visíveis) a tutelar. E há quem se lhes arrogue a autoridade de um 4º poder. Resta só saber quem os elegeu…

A campanha nos “média” a favor dos casos de acoplamento de sexos idênticos – a caminho de serem transformados em “géneros”, onde irá parar a esquizofrenia? -, destina-se a tornar o assunto banal e por isso “normal”. E a condicionar psicologicamente a maioria da população o que, diga-se em abono da verdade, têm conseguido. O assunto é até mais grave pois não fica por aqui: é um processo subversivo da sociedade.

Quando a televisão pública, por ex., dedica 30 segundos à tomada de posse do novo Chefe de Estado-Maior General das FAs – logo um acontecimento menor – (e os outros canais, creio, que nem se referiram a tal); e por causa de uma morte repugnante originada numa cena infeliz, sórdida e canalha, de um conhecido pederasta – cuja mais valia conhecida foi a de fazer crónicas sociais, de grande profundidade cultural e metafísica (!), para a imprensa cor de rosa – os telejornais (todos) abriram durante vários dias com a notícia. O que se há-de pensar? E estas notícias não duraram segundos, levaram muitos minutos e repetiam-se à exaustão, enviaram-se repórteres e coscuvilhou-se de tudo um pouco.

Isto não tem nada a ver com a sacrossanta liberdade de informação: isto merece a maior censura social porque é um nojo. E, no fundo, é como no casamento das “senhoritas”: tentar transformar vícios privados em públicas virtudes.

Filosofemos.

É por estas e por outras que, enquanto os povos sujeitos a ditaduras, aspiram à democracia (mesmo sem saberem muito bem o que isso é), nas democracias, ao fim de algum tempo, sobretudo nas que se deixam degenerar nas regras e na moral, os povos começam a pensar em ditadura! Infelizmente, a solução não está em nenhuma delas (isto depois de se terem inventado e testado numerosas ideologias e formas de governo, à esquerda e à direita, falhando todas!).

A solução está na escolha representativa dos homens bons, íntegros, capazes e desprendidos, que sejam pelo bem comum e que sejam colocados nos lugares de responsabilidade. Quando, raramente, isso acontece os povos prosperam, a justiça aperfeiçoa-se, a vida melhora.

No fundo, trata-se da eterna luta entre o Bem e o Mal. Luta essa que nenhuma religião, também, conseguiu “resolver”, sem embargo das teologias existentes – que também lutam entre si – e que, sem excepção postergam a solução final para o que acontecer depois da morte…

Verificando-se que a vida na terra – inserida no cosmos – consubstanciada nas leias da natureza, o que engloba os seres vivos e inanimados, a geografia, o clima, etc., vivem em equilíbrio e geram o equilíbrio, não deixa de ser assaz perturbador constatar que o homem constituiu-se no único e extraordinário perturbador das leis naturais. É o único ser vivo que pratica a guerra; depreda até à exaustão os recursos naturais; altera o clima; quer mudar as leis genéticas; é capaz de matar a sua descendência ainda antes desta nascer e mesmo não acreditando em Deus intenta desafiá-lo no seus poderes e competências…

E passou a estar de tal modo centrado no seu “eu” que deixou de perceber porque é que uma zebra fêmea não se satisfaz sexualmente com outra fêmea até porque isso representa romper com o equilíbrio da espécie.

E não se querer perceber, ainda, a gravidade que um comportamento semelhante tem numa Instituição Militar é algo de que já não me ocuparei hoje. Já filosofei demais.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

MORREU O CEMGFA, VIVA O CEMGFA!...

Publicado no jornal "Públíco" de 20 de Fevereiro de 2011

Dia 7 de Fevereiro foi data de mudança de inquilino no sexto piso do edifício que alberga o Estado-Maior-General das FAs. Ou seja do respectivo chefe (CEMGFA). Sai o General Valença Pinto (VP) entra o General Luís Araújo.

O CEMGFA é a autoridade militar de maior graduação que preside a um de dois órgãos fundamentais definidos na actual legislação enformadora das relações político-militares: o Conselho de Chefes de Estado-Maior (cCEMs). O outro é o Conselho Superior Militar, onde se reúnem os quatro chefes militares com o Ministro da Defesa (MDN), que preside.

Estes dois órgãos são fundamentais para o bom funcionamento das Forças Armadas e para a correcta articulação com o poder executivo, em funções.

No primeiro órgão discutem-se, analisam-se, aprovam-se e fazem-se executar as principais linhas de orientação, para os três ramos sem prejuízo das competências próprias dos respectivos chefes; no segundo órgão encontra-se o nível estratégico e o conselho militar com a ideia política.

Sem querer entrar nas vantagens/inconvenientes e consequências da actual organização, pretendemos apenas fazer sobressair a importância e responsabilidade das funções das pessoas que ocupam os respectivos cargos. Porquê?

Por causa do modo como decorreu a cerimónia de despedida do general VP no passado dia 4/2, no Instituto de Estudos Superiores Militares (IESM), em Pedrouços.

Das notícias que vieram a público – e são essas que mais marcam a opinião publicada – ressaltou o carácter “informal” da cerimónia.

Ora não parece curial que se convide a nata da hierarquia militar para um IESM, para marcar oficialmente a despedida de um CEMGFA e se transforme o acto numa “informalidade”.

Para isso seria preferível marcar uma qualquer “happy hour” na messe. Mas o mais espantoso foram alguns dos termos usados pelo senhor ministro e a desenvoltura do tratamento com que mimoseou o homenageado, tratando-o pelo nome próprio, quase a roçar o “tu cá tu lá”. Parece que fizeram a recruta juntos!

No elogio, porém, o que realçou como qualidades, foram a “impaciência e a frontalidade”. A frontalidade é própria dos militares (ou deve ser), agora a impaciência? Impaciência quer dizer “pressa”, ”sofreguidão”, “inquietação”, “frenesim” e impaciente é aquele que é “falho de paciência”, “frenético”, “apressado”, “precipitado”. Ou seja tudo aquilo que nós não queremos que um chefe militar seja.

Terá o senhor ministro tido um “lapsus lingue”, estava no gozo, ou passado mal a noite? É que a seguir ainda referiu um “tique” do general que só a intimidade consente: “… um sinal físico que é a perna direita a começar a agitar-se”. E chamou “eloquente” a esse sinal. Informalidade?

O MDN referiu, aliás, que a “paciência” era um defeito do povo português. Esta afirmação é espantosa, sobretudo vindo de um possuidor de um doutoramento em sociologia (ainda por cima não obtida numa qualquer universidade independente).

A paciência só será um defeito quando confundida com “resignação” ou “conformismo”, não como significando “calma”, “conformidade” ou “perseverança tranquila”.

De facto já não há é paciência para ouvir tanto dislate…

Por último ficámos a saber que o Sr. MDN encara o agora ex–CEMGFA como a encarnação da concepção “moderna”, “democrática” e “cosmopolita”, com que quis caracterizar a Instituição FAs.

Estou elucidado: moderna, não quer em si dizer nada; democráticas as FAs não podem ser, pois não há eleições na tropa nem as decisões são obtidas através de votos; e espero que o termo “cosmopolita” não queira significar que os militares portugueses andam espalhados pelo mundo, deleteriamente, para verem e serem vistos…

Das palavras do general VP – também elas “informais” – quando nos congratulávamos em ouvir dizer a honra que tinha em pertencer ao Exército e a consciência do dever cumprido, topámos com a confissão de ainda estar à espera do despacho a um requerimento que fez, em 1973, quando era capitão, em que pedia a demissão de oficial do Exército “por querer um Portugal melhor”.

Afinal, sorte sua e azar nosso: se lhe tivessem deferido o papel não teria sido CEMGFA, mas talvez hoje o país estivesse, de facto, melhor, dadas as vicissitudes vividas.

É costume nestas ocasiões saudar quem sai e quem entra. Não levem a mal não o fazer mas vou esperar melhores dias. Dias em que as FAs, como Instituição, se voltem a dar ao respeito.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A FORÇA AÉREA E O ESTADO DO SÍTIO

Publicado no jornal "O Diabo" de 15 de Fevereiro de 2011


Soubemos, por uma notícia da agência “Lusa” que o Sr. Ministro da Defesa (MDN) afirmou que a Força Aérea Portuguesa (FA) “está disponível para repatriar todos os portugueses que desejem abandonar o Egipto” e que os “meios da FA estão, evidentemente, como é sua obrigação, empenhados nessa operação de repatriamento” (sublinhados nossos) e, ainda, que a “operação é tutelada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros” (MNE) o que não se sabe muito bem o que tal quer dizer, já que o MNE não comanda qualquer força militar.

Finalmente, que “nunca as FAs faltaram às suas obrigações no que diz respeito a uma das suas missões constitucionais…”.

O que o Sr. ministro não disse é que as missões estão a ser feitas no fio da espada e que está tudo preso por arames, cada vez mais finos. E não referiu também que não lembraria a nenhum Estado-Maior, deixar partir turistas para uma área de conflito perigoso (para depois os ter que repatriar...), numa demonstração grosseira de falta de informação estratégica e, ou, capacidade de análise e decisão. Já bastaria ter que ir buscar os que lá foram apanhados desprevenidos!

E está tudo preso por fios (ou “pinças”) porque a desmontagem das capacidades militares efectuada nos últimos 25 anos, tem desmantelado de tudo um pouco e as carências em pessoal, material e financeiras são gritantes. E isto não tem nada a ver com a actual crise económico/financeira de que, aliás, as FAs são completamente alheias.

No caso em apreço a FA dispõe de seis aeronaves C-130, com cerca de 30 anos de serviço, cada vez mais difíceis de manter e a necessitar modernizações urgentes, e cuja substituição já deveria estar a ser equacionada e processada há meia dúzia de anos. A prontidão é, assim, baixa e um dos aviões destacados para esta operação foi confrontado com uma avaria em Creta. Teve que se transportar uma equipa de manutenção de Falcon, para se resolver o problema.

Quanto a pessoal a situação ainda é mais crítica, já que a Esquadra só dispõe de três tripulações e meia (a média dos últimos 10 anos deve rondar as quatro - ou seja é um problema crónico), quando para uma exploração adequada da frota, devia dispor de 12 (julgo que na FA ainda haverá alguns oficiais capazes de explicar ao Sr. MDN o porquê). A situação é de tal modo crítica que já se chegou ao ponto de ter um Oficial General no Estado-Maior a cumprir missões regulares na esquadra e para se cumprir o actual repatriamento, teve que se ir buscar um ex-comandante de base, a frequentar o curso de promoção a Oficial General, em Pedrouços.

E tudo isto porque não mais se parou de menorizar a condição militar, a partir de 1982 (fim do Conselho da Revolução e entrada em vigor da Lei da Defesa Nacional e das FAs), e de se tentar reduzir a Instituição Militar à expressão mais simples, tendendo para “zero”.

No caso particular dos pilotos (e outras especialidades críticas), a causa principal – além dos “dourados” da farda, já não terem brilho – é a disparidade pornográfica com que o mesmo patrão, isto é o Estado, trata dos seus “servidores” em termos de vencimentos e regalias sociais.

No caso vertente focamo-nos nas empresas públicas de transporte aéreo, com destaque para a TAP. É impossível reter pessoal navegante, quando um co-piloto entra na TAP a ganhar o mesmo que o Chefe de Estado-Maior do Ramo, ou quando um comandante na vida civil (a quem nem sequer é exigido uma licenciatura), ganha três vezes mais do que um Coronel (ou mesmo mais), e quando os pilotos de longo curso fazem, em média, um voo, vírgula qualquer coisa (leram bem?) por mês! Isto porque em vez de terem sete tripulações por avião, têm cerca de 12, quando seis já lhes dariam uma vida confortável.

Mas mesmo tendo gente a mais (ou aviões e ligações a menos), acabaram de abrir mais um concurso para pilotos que vai levar mais uns quantos oriundos da FA, isto, claro, se as vagas não forem todas preenchidas por filhos de funcionários da “casa”, dadas as “tradições monárquicas” de longa data, existentes. Mas quando é preciso ir arriscar a vida e, ou, cumprir missões difíceis e arriscadas vai a FA, pois é sua “obrigação”.

A FA não tem obrigação, mas sim o dever de cumprir as missões que lhes estão consignadas, e tem-no feito com eficácia, apesar dos constrangimentos apontados. O governo é que tem a obrigação de lhe proporcionar os meios necessários e consentâneos com essas mesmas missões e prover à equidade social dos seus mais fiéis servidores. E pôr na ordem quem exorbita, ou não cumpre o que lhe é devido, ajoelhar constantemente quando o sindicato dos pilotos, vírgula, da TAP, ponto, ameaça fazer greve; ser incapaz de sanear as contas de uma companhia que desde 1974 não dá lucros e que acumulou um passivo de cerca de 2,3 biliões de euros (segundo o relatório e contas de 2009, com tendência para aumentar…) – como é que dizem que a querem privatizar?

E pagam a um estrangeiro para servir tal empresa mais de duas vezes o vencimento do presidente dos EUA. O que, incrivelmente, ou não, só foi dado conta, há uns dias, pelo directório de um partido da oposição! A TAP está tecnicamente falida e em situação ilegal, pois está com os capitais próprios negativos o que não é permitido pelo código das sociedades comerciais (artº 35).

Não consta, porém, que toda esta situação incomode qualquer jornalista ou comentador, ou tire o sono a nenhum general ou almirante (já nem vale a pena falar em políticos…).

No fim disto tudo não se vai resolver coisa nenhuma e o abaixo-assinado é que vai passar por ser o “chato” da fita. Além de ter acabado de ganhar mais uns quantos inimigos.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

CICLO DE CONFERÊNCIAS - PENSAR PORTUGAL!

Para quem estiver interessado, fica o programa de conferências a realizar brevemente pela SHIP.
São às 18 horas. Uma delas a proferir por esta "praça velha".

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

LIVROS PUBLICADOS

À Frente do Tempo II
Lisboa: Caminhos Romanos, 2014.

 
 


As nossas ilhas selvagens disputadas no jogo geoestratégico
Com preâmbulo de Dulce Abalada
Lisboa: Apeiron, 2014.
 
Em Nome da Pátria.
Portugal, o Ultramar e a Guerra Justa
Com prefácio do Prof. Adriano Moreira
Lisboa: Publicações D. Quixote (Leya), 2009.
ISBN 978-972-20-3335-0












A Evolução do Conceito Estratégico Ultramarino Português – Da Conquista de Ceuta à Conferência de Berlim.
Com prefácio do General Pedro Cardoso
Lisboa: Atena, 2000.
ISBN 972-8435-34-7













A Evolução do Conceito Estratégico Ultramarino Português - Da Conferência de Berlim à Descolonização.
Com prefácio de António José Telo
Lisboa: Hugin, 2002.
ISBN 972-794-132-X












A Inserção das Forças Armadas na Sociedade.
Com prefácio do General Loureiro dos Santos
Lisboa: Hugin, 2003.
ISBN 972-8310-81-1














À Frente do Tempo.
Com prefácio do General Lemos Ferreira
Lisboa: Prefácio, 2008.
ISBN 978-989-8022-57-8















Informações e Segurança – Estudos em Honra do General Pedro Cardoso.
Coordenação de Adriano Moreira
Lisboa: Prefácio, 2004.
ISBN 972-8816-13-8



Crónicas Portuguesas.
Coordenação de Abel Matos Santos
Lisboa: O Jornal de Coruche, 2009.
ISBN 978-989-36339-0-2
Para descarregar este livro em PDF clique no link seguinte
http://ojornaldecoruche.com/docs/Livro_cronicasportuguesas.pdf


Nuno Alvares Pereira – Homem, Herói e Santo.
Coordenação de Humberto Nuno Oliveira, Cristina Moita e Ismael Teixeira
Lisboa: Univ. Lusíada e Ordem do Carmo, 2009.
ISBN 978-989-640-041-5


Revisitar Goa, Damão e Diu.
Com prefácio do General Ramalho Eanes.
Coordenação de Manuel Barão da Cunha, Manuel Bernardo e Sara Roque.
Lisboa: Liga dos Combatentes, 2010.
ISBN 978-972-97209-5-6




Finis Mundi - A Última Cultura
Lisboa, Antigona, 2010
Direcção de Flávio Gonçalves