O REGULAMENTO DE DISCIPLINA MILITAR
O FIM DOS COLÉGIOS MILITARES?
UM OÁSIS NO “DESERTO” PORTUGUÊS: O COLÉGIO MILITAR
Este blogue apresenta os pensamentos, opiniões e contributos de um homem livre que ama a sua Pátria.
sábado, 20 de novembro de 2010
terça-feira, 16 de novembro de 2010
O MDN APOIA MANUEL ALEGRE
08/11/10
Soube-se há dias que o Dr. Santos Silva faz parte da Comissão Politica Nacional do candidato a PR, cidadão Manuel Alegre (MA). Faz parte de uma grande plêiade de portugueses que também o vão apoiar, quer seja por convicção, mal menor, quer por ser essa a indicação partidária.
Cerca de um milhão de eleitores nele votaram há cinco anos atrás. Apesar de serem muitos não quer dizer que estejam correctos, lúcidos ou disponham de informação adequada. E, para além disto, baralhados de referências – como iremos perceber porquê.
Cerca de um milhão de eleitores nele votaram há cinco anos atrás. Apesar de serem muitos não quer dizer que estejam correctos, lúcidos ou disponham de informação adequada. E, para além disto, baralhados de referências – como iremos perceber porquê.
Nada de especial haveria a dizer do também cidadão Santos Silva, caso ele não ocupasse transitoriamente o cargo de Ministro da Defesa Nacional (MDN) e, nessa qualidade, exerça a tutela das Forças Armadas.
Onde está, então, o busílis da questão? Nisto: o dito candidato a PR e Comandante-chefe das Forças Armadas ter praticado no seu passado actos que configuram o crime de traição à Pátria. Não temos a certeza que na actual jurisprudência portuguesa esse tipo de crimes tenha prescrito. Mas, numa sociedade com vergonha na cara, não deveriam prescrever.
Tecnicamente MA não desertou do Exército como é “vox populi”. Depois de ser incorporado em Mafra, foi colocado nos Açores e daí marchou para Angola em 1962, em rendição individual. Acusado de actividades subversivas (que convinha conhecer e explicitar) foi preso pelas autoridades militares, que acabaram por lhe dar a comissão militar por finda e passá-lo à disponibilidade. Tal, certamente, ocorreu para permitir à então PIDE (que por norma não se imiscuía no âmbito das FAs nem prendia militares), instaurar-lhe um processo.
MA acabou por regressar a Lisboa e quando estava na iminência de ser novamente preso, fugiu para Paris, e daí para Argel. Estávamos em 1964.
Se MA tivesse imitado uma das suas “referências” políticas, o ex-presidente da República Teixeira Gomes, que farto de aturar a balbúrdia da I República abdicou do cargo e foi exilar-se e morrer em Bougie, a história do vate Alegre acabaria aqui. Ou mesmo se tivesse limitado a combater politicamente ou pelas armas, os órgãos de soberania portugueses de então, isso ficaria apenas nos anais das desavenças lusas assumindo cada parte as suas responsabilidades.
Acontece que MA não se limitou a fazer isto, mas fundou, com alguns correligionários, uma rádio e, da capital argelina, passou a emitir programas que apoiavam os inimigos de Portugal e as forças que em Angola, Guiné e Moçambique nos emboscavam as tropas. Há dezenas de milhares de ex-combatentes vivos que são testemunhas disto.
Ora estes actos não configuram luta política contra um regime ou governo de que não gostamos; Alegre actuou directamente contra os seus ex-camaradas de armas. Tal não tem nada a ver com regimes políticos, nem com liberdade ou seja o que for. Tem a ver com integridade de carácter, lealdade e patriotismo. Conceitos a que o agora candidato a PR apela com voz grossa, quando há 40 anos pertencia ao PCP que seguia religiosamente as “ordens” do Partido Comunista da União Soviética (grandes patriotas!), que como se sabe era um exemplo de democracia e exercício das liberdades.
Julgo que não necessitamos de entrar em mais considerações que estão relatadas por testemunhas insuspeitas e que vão do tratamento de exilados portugueses que desembarcaram na grande “democracia” que era a Argélia de então, às relações com o General Humberto Delgado e que, aparentemente, desembocaram na tragédia de Vilanueva del Fresno.
Ora o ministro Santos Silva não deve desconhecer tudo isto e tendo o PS apoiado, mesmo a contra gosto, a candidatura do poeta – campo em que unicamente exerceu algo parecido com uma profissão – deveria ter tido o bom senso em delegar a função noutro e não se envolver ostensivamente na campanha. Poupava assim mais uma humilhação à Instituição Militar e um embaraço à sua hierarquia.
É certo que o MDN sempre pode alegar que foi uma junta militar encabeçada por um general ambicioso, que se veio a revelar um péssimo político, e o então MFA, que insensatamente deixaram entrar no país uma quantidade de gente pouco recomendável, sem ter assegurado o mínimo de condições para o fazer. E entre eles estava o actual quase deputado vitalício.
É verdade. Mas isso são águas passadas cometidas em tempos de “loucura anarquizante”, que a ingenuidade e impreparação dos meus camaradas de então, permitiram, embora não os isentando da responsabilidade. O doutor S. Silva agora é ministro, deve velar pela dignidade do cargo e das instituições que tutela. Eu poderia até acrescentar que há ex-combatentes que não se importam de apertar a mão ao dito candidato e ex-locutor, mas levo isso na conta das fraquezas de carácter tão usuais na natureza humana. A responsabilidade de ministro é, porém, diferente.
Os países definham a desaparecem não é por terem crises económicas, financeiras ou sociais. É por terem crises morais. E esse é o estado em que verdadeiramente caiu o nosso Portugal, que está subvertido de valores, exangue de coragem e sem norte. E está envelhecido, abúlico, sem liderança e com deficit de portuguesismo.
Fica aqui este registo para não se dizer, mais tarde, que ninguém viu e ninguém se opôs.
João José Brandão Ferreira
TCor/Pilav (Ref.)
(Das mui antigas, nobres, por vezes gloriosas, mas quase extintas Forças Armadas Portuguesas)
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
A VERGONHA DO FUTEBOL
“Ó mar salgado quanto do teu sal são lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!”
Fernando Pessoa
7 de Novembro dia de FC Porto x SL Benfica, chamam-lhe um “clássico”. Não se trata de um filme, uma peça de teatro, um livro, ou qualquer obra de arte, trata-se de um jogo de futebol, desporto estimável que a clubite aguda e a ambição dos homens extremou e transformou num mega negócio, que a comunicação social tornou global.
Fernando Pessoa
7 de Novembro dia de FC Porto x SL Benfica, chamam-lhe um “clássico”. Não se trata de um filme, uma peça de teatro, um livro, ou qualquer obra de arte, trata-se de um jogo de futebol, desporto estimável que a clubite aguda e a ambição dos homens extremou e transformou num mega negócio, que a comunicação social tornou global.
Por ele, “poucas noivas ficaram por casar, nem mães choraram, nem filhos em vão rezaram”, mas quase todos os clubes e federações se endividaram, arruinaram ou cometeram os maiores excessos, irregularidades, etc., para que fossem deles a vã glória do futebol. Amiúde com pouco claros conúbios com políticos e políticas, numa promiscuidade malsã.
Dos desregramentos, paixões, jogadas “off side”, e suspeitas de casos de corrupção activa e passiva, são-nos dado conta, diariamente, pelos abundantes “media” que tratam do assunto, especializados ou não. Aos craques do futebol quase tudo se lhes permite e ninguém se choca com os maus exemplos que de quando em vez dão, nem com os proventos milionários que se lhes oferecem numa espiral ensandecida. Perder um jogo transformou-se quase num crime de lesa Pátria…
Tudo isto é um péssimo exemplo para a sociedade que a imprensa e a rádio e a televisão ampliam “ad naseum”. Dizem que o público gosta. Eu não gosto.
Passando-se as coisas assim, medram aqui e ali os actos de violência e as situações mais deploráveis. Desta feita ficámos a saber através dos canais de TV de maior audiência, que abriram os seus noticiários com abundantes minutos sobre o “clássico”, que o autocarro do SLB teve que ser escoltado por numerosos carros e motas da PSP (mesmo assim não se livrou que lhe partissem um vidro), e se organizaram comboios especiais para levar adeptos para a Invicta escoltados por 145 polícias (!), a que se juntou um novo e amplo dispositivo policial na capital do norte a fim de escoltar e separar as claques!
As pessoas entram como gado para o estádio, são revistadas, condicionadas, etc., nas nunca devem estar sossegadas pois nunca se sabe quando levam com uma bola de golfe ou com um very light. Parece o Farwest no seu esplendor. A gente tem que assistir a isto tudo e ainda por cima pagar. Antigamente só tínhamos que aturar os treinadores de bancada, muitos deles sem nunca terem dado um chuto numa bola; agora aturamos também as perguntas meio parvas dos entrevistadores e as respostas de igual coturno dos entrevistados, ruidosos e excitados. Finaliza-se com conferências de imprensa muito concorridas onde jogadores e treinadores fazem comentários e tecem considerações inteligentíssimas. Estas cenas sucedem-se sucessivamente sem cessar.
As autoridades assistem a tudo isto impávidas e serenas, apenas preocupadas em acompanhar a onde popular (votos a quanto obrigas), sem um esforço pedagógico, sem um ar de autoridade (também se o fizessem a malta ria-se), sem ânimo para reprimir excessos e sem lei para prender vândalos.
Para cúmulo permitiram aquela cena patética e ridícula de tentar “requisitar” o Mourinho, ao Real Madrid, para orientar dois jogos da selecção e apoiaram a candidatura ibérica – essa sim, politicamente errada e grave – de organização do próximo mundial de futebol, em 2018!
Nós estamos a desclassificarmo-nos como povo adulto e evoluído e andamos à deriva, sem sequer termos clara consciência disso.
Poderão argumentar que é assim um pouco por todo o lado. Pois será, mas nem sequer me serve de consolação.
domingo, 31 de outubro de 2010
ALMOÇO CURSO ALVES ROÇADAS 39.º ANIVERSÁRIO
Charla que proferi no 39.º aniversário do curso Alves Roçadas (entrada na Academia Militar em 1971/2)
30/10/2010
Ilustres convidados
Para vós a minha primeira e agradecida saudação. A vossa persistência em estar presente nestes convívios certamente que será devidamente apreciada nas contas do deve e do haver para se atingir o etéreo. Sejam bem vindos!
Roçadinhas fêmeas (por afinidade!), folgo em vê-las lustrosas e luzidias apesar do gólgota a que subsistes, quando juntastes os trapinhos com tão jurássicos vertebrados; a minha simpatia por tão penosa penitência que faz parecer as auto flagelações dos xiítas um divertimento de fim de tarde.
Em boa hora nascestes mais cedo e assim não estivestes passíveis de cair na tentação em se alistarem nas fileiras por onde passaram os Gonçalves Mendes da Maia, os Salvadores Correia de Sá e tantos outros e, desse modo, fazerem jus a essa grande conquista do mulherio e da civilização moderna, que foi o de trocarem os carinhos maternais pela dureza da recruta. Sortudas, que não tiveram que escolher entre ouvir um “e que tal se fossemos jantar com música e velas”, e um “às 1000Z (este zulu aplica-se apenas ao pessoal da Força Aérea…), pronta para sair em patrulha…”; e que pena não haver mais generais como aquele comandante dos marines que, a uma pergunta de uma senadora do congresso sobre porque não permitia que as mulheres fossem para as especialidades de combate respondeu: “madam, war is a business of destroying things and killing people, and we both know, that women are not very good is doing that!” Não houve mais perguntas.
Ou seja, antigamente a malta convidava as moçoilas para o namoro e para a cama; agora – os que ainda praticam (parece que vai para aí grande moléstia!), convidam-nas para a guerra! Há quem chame a isto o progresso da sociedade e a igualdade dos direitos.
Roçadinhas machos – vós próprios, mesmos – começo por vos acutilar, não com uma citação de Virgílio, pois o vosso estádio evolutivo não passou ainda do incipiente ao enconatus; dizia, mas apresentando-vos uma simples citação do tempo em que se referiam à Hispânia, como uma entidade geográfica.
Reza assim: “adeamus ad montem fodere putas cum porribus nostrus”; que é como quem diz “vamos à montanha plantar batatas com as nossas enxadas…”. (se tivessem estudado latim não teriam pensado besteira…).
E é assim, caros colegas, que entrámos no trigésimo nono ano em que nos cruzámos pela primeira vez naquela mole infrática, e que ainda hoje não está longe daquela definição que nos persegue.
Ou seja, “um infra é um himalaia de m…. que ocupa a posição de homus erectus por uma aberração da natureza e está 30 pontos abaixo de cão e 5 acima de polícia”!
Ah, e aqui estamos nós, na polícia, usufruindo desses cinco pontos de vantagem que (ainda) vamos tendo, agradecendo aos dois infráticos do curso que atingiram na PSP altos cargos e que parecem irem ser os últimos daquela legião iniciada em 1801, (como guarda real de polícia), que enquadraram a corporação do longo dos tempos. Pelo menos até uma próxima bernarda obrigar novamente o exército (se ainda houver), a pôr ordem na casa. Mas como não viemos aqui fazer futurologia, fiquemo-nos por realçar a qualidade do ágape, que saiu fora das normas da manutenção militar, usando a velha fórmula de que “estava bom, abundante e bem confeccionado, agradando de um modo geral a quem dele se serviu”. O infra cão Aguiar fez, até, a prova prévia do rancho, junto às cavalariças…
Ao fim de 39 anos de vos tentar aspergir a massa encefálica com alguma luz e sustento espiritual, em simultâneo com alguns dizeres com que vos consiga arreganhar a “taxa”, fico sempre com esta dúvida existencial que é o de saber o que dizer mais. Lá me tenho conseguido desenrascar em cada ano, o que não deixa de constituir uma prova teológica de que “Deus existe”. Só pode! …
Desta vez não tive que pedir ajuda à providência divina, a escolha foi fácil, a “crise”, isto é, o início da agonia, dava pano para mangas.
Comecei por me inspirar numa quadra do fado vadio, reza assim:
“A pobre da Miquelina (que era costureira)
trabalha sempre que possa
de dia, de agulha fina,
à noite, de agulha grossa.”
E foi assim que as forças vivas representantes do Estado da República – e do estado a que isto chegou – tenham esperança que vai piorar – vieram pedir a ajuda do curso Alves Roçadas a fim de se debelar a crise.
Os roçadinhas não se fizeram rogados e seguindo sempre o exemplo do seu patrono e o estímulo pavloviano que aprenderam quando formavam nas cagadeiras de número três e sem nada por baixo, responderam em uníssono:
Prontos para se “prejudicarem”, alínea "f"! E lá rumaram todos para a Porcalhota, vulgo Amadora.
Como já não havia corneteiros, nem de resto, quaisquer músicos, por os instrumentos musicais terem sido empenhados, na associação dos prestamistas lisbonenses, a fim de se poder financiar a ida de uma secção de saúde para a fronteira entre a China e a Coreia do Norte e, desse modo, garantir o prestígio português na cena internacional, pediu-se emprestado o vozeirão do infra morteiro para mandar formar (morteiro é a tua deixa…).
E foi assim que o infralhão formou na parada da Amadora, a qual apesar dos apetecíveis hectares, ainda não sucumbiu na especulação imobiliária.
Como o pessoal já estava mais para lá do que para cá e muito relapso à ordem unida e muito menos a acertar o passo, foi chamar-se o candidato Canelas, também conhecido por “bicho”, a fim de impor alguma ordem nos pelotões.
Antes de se entrar na atribuição de tarefas, começou-se por satisfazer um pedido da sociedade republicana das belas artes, que queria homenagear o centenário que se comemorava, com um novo busto da República. Ora dados os custos exorbitantes das coristas para posarem, mesmo que só descascadas em parte, aquela prestimosa agremiação veio solicitar um voluntário ao curso, para cumprir a função.
Resulta que, saiu nomeado por unanimidade e aclamação, para esta patriótica missão, o infra Óbus 14, com a indicação para fazer um implante mamário, a fim de realçar as formas (não vejo porque se riem, a coisa também não merecia mais!).
Ora bem, com o lema “minorar custos (para os lorpas), e aumentar a produção (sem trabalhar muito)”, lá se começou a distribuição de tarefas, isto sem que o infralhão tivesse que formar e destroçar umas 18 vezes já que os estafetas do governo nunca mais entregavam as “ordens” apesar de se apresentarem cheios de sono e com olheiras e se confessarem cansados. Felizmente que nada disto saiu nos “media”, dado que os jornalistas andavam todos num afã à procura do submarino tridente (que a marmotaria escondeu nos braços de Neptuno, não fosse o diabo tecê-las), a fim de lhe encontrarem comprador. Esse afã de venda está a ser prejudicado por causa do processo “face oculta”, que mantém alguns sucateiros arrecadados até que a próxima alteração do código do processo penal, os liberte.
Quando, finalmente, as ordens chegaram a prioridade ia para o estabelecimento de um sistema de comunicações com Bruxelas donde vêm as ordens e o escrutínio dos diplomas que ainda vamos elaborando. Assim o pessoal de cavalaria vai montar um sistema de diligências e estafetas entre o Caia e a “Grand Place” com uma derivação até Estrasburgo. Este sistema tomou o nome de “nova mala-posta”. Como também era necessário chegar ao QG do comandante-chefe, sito em Berlim, que ficava longe e já não havia pilecas suficientes para o transbordo, os infra Truta e Orelhudo foram encarregues de montar um sistema de pombos-correios entre S. Bento e a porta de Brandeburgo e daqui directamente para a srª Merkel.
Ainda na ânsia de reduzir custos o pombal de S. Bento seria feito aproveitando os restos de um galinheiro em tempos utilizado por um obscuro anterior inquilino, que assim aliviava os gastos e mantinha viva a vida campestre.
Obscuro e incompetente, pois não é que o magano, ao fim de um ano de lhe terem entregue as contas públicas para a mão, que estavam em bancarrota havia décadas, ele as equilibrou, tendo a ousadia de as manter equilibradas e com superavit até morrer!? E que mau exemplo deu, entrando pobre para o poder e pobre morrendo, apresentou sempre contas de tudo e nunca mentiu! Não se faz…
O pessoal do barrote ao alto (ao alto, ao alto), ou seja os infras Chicalhão, Cavalo, Contrabandista, Dardo, Velho, Catatau e Get Smart – o infra Valongueiro Nunes teve que ser admoestado para se juntar ao grupo, pois andava baldado, a passear a cadela do capitão “In”, Curado, que apesar dos seus 39 anos andava com um cio desgraçado – dizia, foi encarregue de pôr de novo nos carris o Batalhão dos Caminhos de Ferro.
Para isso foi-lhes entregue a antiga casa mãe onde deixou de funcionar a Escola do Serviço de Saúde Militar, que já não servia para nada pois tinham enviado os enfermeiros que sobravam para as escolas civis por ser… mais barato!
Quartel este cheio de história, pois foi fundado pelo saudoso Conde de Lippe, em 1762, entre cujas primeiras medidas se contam o ter proibido que os oficiais superiores o servissem à mesa pois segundo disse “queria que eles estivessem sentados com ele à mesa”; levantou a infamante obrigação dos algarvios (vá-se lá saber porquê) estarem destinados a servir como tambores ou corneteiros e proibiu os jogos de azar a dinheiro e as paneleirices! Abençoado seja para todo o sempre!
Não esquecer ainda, que anos depois estava lá aquartelada Infantaria 16 que, apesar de ser uma das últimas unidades que os republicanos esperavam que se revoltasse, foi a primeira a sair à rua na madrugada pouco heróica de 5 de Outubro, depois de um grupo de carbonários ter liquidado o comandante, acto que não tem deixado de ser devidamente enaltecido!
Constato agora – no meio desta magnífica oração de sapiência, antigamente chamada “Oração Pró Róstris” – os vossos holofotes esbugalhados, que a miopia galopante não consegue disfarçar, acompanhado da posição da cavidade auricular, que se assemelha à dos ungulados herbívoros, antes de matarem a sede nos riachos africanos, apurando a atenção e sustendo a admiração a fim de descortinarem porque obra de santa Engrácia, o eminente estado-maior havia de querer restaurar os antigos sapadores de caminhos de ferro!? Pois é simples: alguém tem que ir construir o troço de via-férrea entre o Poceirão e Xabregas, a fim do TGV – tanga, grande e vergonhosa – poder chegar à capital do ex-império!
*****
Chegou agora a vez da padaria entrar em cena, Caetano, chama-os lá!... (eh padaria!)
E em boa hora chegaram, pois era urgente despachá-los para S. Bento onde havia um grupo de desgraçados quase a morrerem de forme. Não, não foram os monges beneditinos, que fundaram o convento, muito oportunamente requisitado para servir de parlamento – ó ironia do destino – que queriam montar uma nova sopa dos pobres. Tratava-se de acorrer aos senhores deputados, que aliás são eleitos sem ninguém os conhecer, que se queixaram das desgraçadas condições em que vivem. Ou seja, as ajudas de custo e demais rol de “emolumentos” não chegam para se alimentarem. Tão pouco os 961.000 euros que estão orçamentados para o ano corrente – e nós pagamos – para subsidiar o refeitório de S. Excelências, pois os poucos euros que pagam por refeição, obviamente não chegam para pagar o custo da dita.
Assim lá foram os infra Boi, Minhoca, Landrú, Esqueleto, Tagarela e Rabit, com umas cozinhas de campanha, para lhes preparar uma sopinha e distribuir umas quantas rações de combate, compradas em Espanha (oh meu Santo Nuno Álvares Pereira, volta-me à terra!), e que por serem intragáveis estavam a apodrecer numa cratera enorme onde em tempos funcionou a manutenção militar, a qual em tempos idos – e apesar do Valentim Loureiro – conseguiu alimentar, fardar e equipar 200.000 homens em pé de guerra em quatro continentes e em simultâneo!
Do mesmo modo, a padaria aeronáutica, onde se destacam os infras Paula, Vira Latas, Faquir, Avó e Cricri, munidos dos mealheiros dos antigos peditórios da Cruz Vermelha Portuguesa e depois de vestidos e maquilhados pela Fátima Lopes, iriam pelos caminhos dos diferentes santuários pedir umas moedinhas para complementar as diferentes reformas dos 4560 gestores das empresas públicas, fundações, parcerias público-privadas, empresas municipais, etc., do Estado, que andam combalidos, por já não conseguirem almoçar e jantar no “Eleven” e quejandos, sete dias por semana. Agora só lhes dá para seis vezes, coitados!
O pessoal de Artilharia que tem fama de perceber umas coisas de matemática e balística – embora eu duvide o mais possível, pois os gajos limitam-se a espreitar pela alça e depois bombardeiam as tropas amigas – e que, por vezes, concorrem com a Cavalaria em termos de ver quem é mais bruto, vão reiniciar as escolas regimentais! Isso mesmo, e para uns alunos especiais: a multidão de economistas e financeiros que, nos últimos 30 anos, serviram os governos desta 3.ª república.
Deste modo, os infras Pacote de Tabaco, Freitas, Gansolino, Cueca, Ciclista e Azul, vão ensinar aos seus asnos alunos, coisas simples tais como: a receita tem que igualar a despesa; não se pode pedir mais do que se pode pagar; é preciso produzir primeiro para distribuir depois – e não o contrário –; que a moeda deve valer o seu valor facial; não se pode gastar mais do que o que se tem e outras equações simples de aritmética e de bom senso, que qualquer boa dona de casa sabe, sem ninguém lhe ensinar.
Donde se pode concluir que os economistas e financeiros são um produto supérfluo da sociedade, são ou incompetentes ou mentirosos, pois nunca acertam nas previsões, e perniciosos, pois albardam o burro à vontade da demagogia dos votos e vêm hoje justificar o que contrariaram antes.
E conseguem ainda ser piores que o Conselho de Chefes pois não há dois que acordem em coisa alguma!
O infra Cueca tem ainda uma missão adicional que é o de ministrar uma aula de volteio com as mulas sobreviventes da artilharia de montanha, àqueles que se enganarem nas contas de somar; à parte o Freitas que se voluntariou para assapar os asneantes que tenham cara que peça murro!
*****
Os infantarocos que já estavam a ruminar a um canto por ninguém lhes ligar pevide, pois não se descortinava onde haveria um QG inimigo onde eles pudessem amarinhar pelo poste acima a fim de desfraldar a bandeira e assim consumar a vitória, acabaram por receber guia de marcha para passarem pelas antigas oficinas de fardamento a fim de se disfarçarem à século XVIII e a seguir pelo museu militar – que se devia talvez chamar do exército, pois assim faz parecer que os museu do ar e da marinha não têm aquela qualificação (de militar) – a fim de receberem alabardas. O passo seguinte foi dirigirem-se ao palácio Palmela onde estacionariam com a missão de prestar honras ao respectivo inquilino, o Procurador-Geral da República. A racional é cristalina: tendo S. Ex.ª declarado ser idêntico à rainha de Inglaterra em questão de poderes, ficava mal ao estado português não lhe arranjar uma pequena corte.
Ainda se pensou em contratar dois cidadãos de epiderme negróide para o abanar, que estivessem a receber subsídio de desemprego, mas tal foi chumbado pelos berloqueiros esquerdoides, por tal não ser de bom-tom face à “ética republicana”. Aos observadores independentes pareceu muito mais consequência da srª Merkel ter declarado, recentemente, que o “multiculturalismo tinha falhado na Alemanha!..”
Por falar em justiça, os infras Lamelas e Porco Espinho – que se devem ter zangado com o curso pois nunca puseram os pés nestes encontros – foram despachados para fazer a manutenção da frota de luxo automóvel dos 17 juízes, 17, de nomeação política, do Tribunal Constitucional, apêndice de ostentação oriental, que ninguém sabe muito bem para que serve … ora como a dita frota custou quase um milhão da moeda que em má hora substituiu os saudosos escudos – que ainda espero ver de volta – passo, que nem o Conde Duque Olivares se atrevera a dar – dizia, agora já não resta um cêntimo para os manter, na marca de origem!
Os camaradas infráticos resolveram a questão em três tempos: rebuscando nos apontamentos amarelecidos das mui antigas aulas de química, construíram uns cordões detonantes, e lembrando-se de uma célebre pergunta do infra Tonecas pára-quedista para o catedrático Jack Dinamite, relativamente à quantidade do dito cordão, necessária para destruir um Volkswagen verde (que era o carro do professor), rapidamente os carros dos pobres juízes foram para o galheiro. Eles que se fossem queixar ao sindicato!...
Finalmente, o nosso almirante de esquadra honorário, infra Pedragulho, acolitado pelo infra Pato Donald – que andava a tirar um curso de patrão de costa, a fim de poder utilizar as suas membranas natatórias intersticiais, fora das lagoas, enseadas e charcos onde chapinhava – foram requisitados para o ministério da educação para irem remodelar os cursos das “novas oportunidades” cujo objectivo agora era o de dar mestrados em “generalidades e culatras”, reconhecidos por Bolonha a todos os desvalidos que estavam a receber o rendimento mínimo de inserção, indevidamente (com excepção dos ciganos, já se vê); incendiários presos pela terceira vez; recambiados da prisão de Guantanamo; arrumadores de carros arrebanhados; os expulsos das escolas secundárias por baterem nos professores, ex-drogados a quem a metadona já não faz efeito, etc. mediante a frequência de quatro semanas de aulas com horário entre as 10 e as 16 com duas horas para almoço e dois intervalos para puderem fumar uns charros e curtir umas marmeladas.
Eis algumas perguntas que farão parte do exame final:
• Por que é que os Flintstones comemoravam o natal se eles viviam numa época antes de Cristo?
• Porque é que a série se chamava “missão impossível” se eles sempre conseguiam cumprir as missões?
• Porque é que os filmes de batalhas no espaço tem explosões se o som não se propaga no vácuo?
• Se os homens são todos iguais, porque é que as mulheres escolhem tanto?
• Porque é que as mulheres abrem a boca quando estão a passar um creme no rosto?
• Porque é que a palavra “grande” é menor que a palavra “pequeno”?
• Como se escreve zero em algarismos romanos?
• Porque é que as luas dos outros planetas tem nome, mas a nossa é chamada só de lua?
• Porque é que as pessoas apertam o controlo remoto com mais força quando a pilha está fraca?
• Quando inventaram o relógio, como sabiam que horas eram, para poder acertá-lo?
• Se depois do banho estamos limpos porque lavamos a toalha?
• Como foi que a placa “é proibido pisar a relva” foi lá colocada?
• Porque é que quando alguém nos pede que ajudemos a procurar um objecto perdido, temos a mania de perguntar “onde é que você o perdeu”?
• Porque é que existem pessoas que acordam outras para perguntarem “se estavam a dormir”?
• Porque é que as lojas “24 horas” tem porta, se ela está sempre aberta?
• Se cárcere e prisão são sinónimos, porque é que carcereiro e prisioneiro não são?
• Se a ciência consegue desvendar até os mistérios do ADN, porque é que ainda ninguém descobriu a fórmula secreta da Coca-Cola?
• Se deus está em todo o lugar porque é que as pessoas olham para cima para falar com ele?
• Se o vinho é liquido como pode ser seco?
• Se o pato Donald não usa calças, porque é que ele usa uma toalha enrolada na cintura quando sai do banho?
• Porque é que numa festa ou num bar, as mulheres nunca vão sozinhas à casa de banho?
• Se toda a regra tem excepção, e isso é uma regra, qual é a excepção dessa regra?
• Porque é que “separado” se escreve tudo junto e “tudo junto” se escreve separado?
• Porque “abreviação” é uma palavra tão grande?
• Deve-se usar agulha esterilizada para injecção letal num condenado à morte?
• Porque é que não há comida para gatos com sabor a rato?
• Se uma palavra estivesse mal escrita num dicionário, com saberíamos que estava errada?
• É possível carregar um cacho de bananas no porta – malas do carro junto com o macaco?
• A zebra é preta com listas brancas, ou branca com listas pretas?
• Porque é que os sabonetes tem diversas cores, se a espuma de todos é sempre branca?
• Finalmente, um avião embatendo num navio, configura um acidente aéreo ou marítimo?
Sem dúvida que estes novos cursos tornariam Portugal um exponente na pedagogia do século XXII e imbatível em qualquer modalidade estatística…
Caros camaradas, eis o caminho para o grande futuro que nos espera!
Por isso antevejo e prometo-vos, que para o ano iremos festejar as 40 primaveras do curso numa praia da Polinésia francesa.
Beijinhos, vejam se não morrem ou desfalecem e até para o ano.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
LA CRISE, TOUJOURS LA CRISE!
Pululam as entrevistas, as mesas redondas, os colóquios, as conferências, etc., sobre a crise. Leia-se crise económica e financeira. Desta vez, foi na Universidade Católica, envolvendo três prestigiados economistas.
Pela enésima vez abundaram gráficos, números, razões da desgraça, diagnósticos, que sei seu?
Há muito que se sabe tudo isto, o problema é que ninguém aponta saídas/soluções para o buraco em que estamos metidos.
Desta vez também não se fugiu à regra tirando as já estafadas necessidades de reduzir os gastos do estado e aumentar as exportações. Pois, mas como, onde e quando?
Sala cheia como se, finalmente, as pessoas tivessem acordado duma longa letargia – pudera estão-lhes a ir ao bolso (só é pena que não reajam da mesma maneira quando lhes atingem a alma e o coração) – e não tivessem dado por nada e fossem alheias, ao que foi acontecendo no país ao longo dos últimos 35 anos…
Não serviu então para nada a sessão? Serviu, as pessoas levam tempo a consciencializar-se das coisas e o princípio leninista de que uma mentira repetida muitas vezes, passa a verdade, nunca mais deixou de fazer escola. Agora, não estiveram a discutir o cerne da questão. O cerne da questão não é a economia nem as finanças, mas sim a política. Nós não temos uma crise económica e financeira, temos é uma dramática crise política. Melhor dizendo, nós temos problemas económicos e financeiros, mas estes derivam e são consequência de uma crise profunda, da política e dos políticos. E sem se resolver aquela e estes, não se pode acudir ao resto. Daí a principal razão pela qual os economistas não se atrevem a apresentar soluções...
Aliás tudo, mas tudo, o que os oradores disseram, apontava para isto mas, objectivamente ninguém o referiu. Como, de igual modo, a uma pergunta de um general, que estava na assistência, sobre a qualidade e responsabilidade dos políticos sobre a “crise”, nenhum dos membros da mesa se dignou dirigir-lhe uma palavra!
Houve até, um comentador aos conferencistas, que afirmou várias vezes (desculpou?), que a maioria das asneiras feitas, terá sido feita com boas intenções. Pois é, meu caro senhor mas, como sói dizer-se de boas intenções está o inferno cheio!... E isso não retira responsabilidades aos fautores.
De facto, existe uma crise política que tem três vertentes principais: a qualidade do sistema político em si (que é mauzinho, graças a Deus!); o modo como se põe em funcionamento o sistema político (que é ainda pior…) e a qualidade dos políticos que o servem, melhor dizendo, que dele se servem!
Isto tem tido duas resultantes: uma crise de moral pública e muitos casos de polícia. A crise de moral pública funda-se no relativismo moral que leva à bandalhice dos costumes; os casos de polícia resultam da impunidade que as prevaricações do dia a dia registam, a que não é alheio a alínea anterior e a ineficácia do sistema judicial (entretanto blindado para garantir a corrupção e status quo político). Ora os corruptos e os ladrões têm que ser presos onde não existam estatutos de privilégio, onde se trabalhe no duro, não haja TV, ginásios, telemóveis, droga e salas para actos sexuais aprovados. Não pode, pois, ser numa prisão portuguesa, tem que ser numa prisão a sério!
Uma outra questão fundamental que também cai na área política é que a economia não deve ser encarada como um fim em si mesmo. Tem que derivar de uma política e ser instrumento de uma estratégia. Do mesmo modo, o sistema financeiro deve ter como objectivo apoiar a economia e dar resposta a preocupações sociais e não servir apenas para especulação bolsista (ou outra), apoiar o consumo e engordar banqueiros.
Por tudo isto entende-se a dificuldade dos economistas (que qualquer dia são mais que os consumidores…) – dando já desconto a que não existem dois que se entendam sobre seja o que for – em apontar soluções para o futuro. Tinham que entrar em opções políticas em que não se querem comprometer. Sabendo de antemão – até foi dito que os políticos não se emendam – que só uma ditadura de homens honestos e competentes (uma espada servida por um pensamento, como diria o Eça), poderá fazer sair o país do atoleiro em que está (os países ocidentais, note-se, não estão melhores). Mas isso só apoiarão quando for tarde demais, ou já estiver em curso.
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