sexta-feira, 6 de agosto de 2010

“OS CHUMBOS QUASE NUNCA SÃO BENÉFICOS”: Machadada Final no Ensino

Isabel Alçada
“De pequenino é que se torce o pepino”
adágio popular

A frase que encima o título resume a entrevista que a Srª Ministra da Educação (melhor seria da instrução, já que a educação dá-se em casa…), deu ao Expresso de 31 de Julho.

Por ele ficámos a saber que está a pensar fazer mais uma reforma do ensino, a juntar às já incontáveis que ocorreram nos últimos 35 anos.

Este parece ser o golpe de misericórdia que faltava no inenarrável edifício da 5 de Outubro, onde se despeja anualmente euros às pazádas (mais de um bilião de contos/ano, nos últimos anos!).

De facto o modo como se abordou a questão mata à nascença qualquer hipótese de conteúdo positivo que a ideia contivesse. Pensem bem e recuem aos tempos em que estudavam: se por acaso aparecia um professor a dizer “esta e aquela matéria não vem para o ponto”, o que é que 99% dos alunos fazia? Isso mesmo, arrumava os livros referentes à matéria apontada e nunca mais pegava neles. O que a Srª Ministra veio dizer foi isto: nenhuma matéria vem para o ponto; melhor, já não há ponto…isto numa altura em que quase já não há exames…

Estão a ver não estão? Dando outro exemplo, é como querer que exista Exército e acabar com o RDM e o CJM , e bem têm tentado fazê-lo!

Outro erro de monta é andar constantemente a invocar o que se passa nos outros países para que nos sirva de exemplo, nomeadamente os famigerados congéneres europeus. Ora isto é outro disparate desconforme. Não, que não se deva estudar o que por lá se passa para, com as devidas adaptações, as implementarmos caso se mostrem adequadas.

Agora decalcar coisas de realidades diferentes com meios diferentes e, sobretudo, gente diferente, não é adequado nem sério. O sistema de ensino tem que ser adequado à nossa idiossincrasia, à nossa cultura e aos nossos costumes e tradições e estudado por quem conheça bem os que “de luso ou lisa, filhos foram, parece, ou companheiros”, no dizer de Camões.

Aliás, não é apenas o sistema educativo que deve tal reflectir: tudo o resto que enforma a sociedade o deve ter em conta, a começar no sistema político, no modo de gerir empresas, comandar homens em combate, ou treinar a selecção de futebol.

E já agora, no campo legislativo, pois temos que fazer leis para as pessoas pela simples razão de que não se podem fazer pessoas para as leis…

Parece, à primeira vista, que quem não entenda isto, sofre de profunda estupidez. Mas isto apenas se aplica a uma pequena percentagem da população, até porque tal tem a ver com o bom senso que é o senso comum de todos; haverá uma larga maioria que não tem informação ou conhecimentos suficientes para entender determinadas coisas – aliás a maioria dos assuntos – ou pura e simplesmente as coisas passam-lhes ao lado.

Sem embargo há, estou certo, minorias que sabem muito bem o que andam a fazer, uns porque acreditam piamente; outros porque é politicamente correcto e ainda uns quantos que estão ao serviço de determinadas ideologias ou interesses.

A classe politica entra, seguramente, na sua esmagadora maioria dentro deste último âmbito.

Ora isto de andar com as criancinhas ao colo, pôr os direitos à frente dos deveres (acabar mesmo com estes…), desresponsabilizar os delinquentes, relativizar tudo, atacar regras, hierarquias, conceitos e referências; confundir o Mal com o Bem e mais uma quantidade de ideias verdadeiramente subversivas da sociedade e do correcto convívio entre humanos, representam conceitos político-ideológicos que ainda derivam da Revolução Francesa, a que se veio misturar o lixo anti doutrinário do pós Maio 68, em França.

Junte-se a isto doses q.b. de demagogia – doença infantil da Democracia – a que qualquer governo/partido que não olhe a meios para se manter no Poder, usa e abusa, e temos uma amálgama explosiva que rebenta com qualquer nação digna desse nome. Mesmo aquelas que nasceram no século XII e ganharam maioridade no século XIII/XIV…

Não é senhora ministra?

Já não lhe chegava (e aos seus antecessores), a chusma de passagens administrativas; os exames faz de conta; as novas oportunidades; a babilónia de cursos; a indisciplina de todos; o granel nas carreiras e nas avaliações de professores; governarem para as estatísticas; a luta perdida contra o abandono escolar e mais um ror de coisas que uma resma de papel A4 não chegava para explicitar e ainda quer acabar com os chumbos?

O resultado de tudo isto é os jovens portugueses andarem há mais de 30 anos a chegarem ao mercado de trabalho na sua maioria, analfabetos encartados, sem estarem minimamente preparados para a vida – que é dura e não fácil – fisicamente definhados, civicamente meio cegos, intelectualmente diminuídos, tecnicamente mal apetrechados e moralmente baralhados. E a senhora ministra pretende é que ninguém chumbe? Ou é de propósito para terem cidadãoes acriticos,mansos e fáceis de enganar?

Os jovens de hoje, não são piores nem melhores que as gerações que os antecederam, mas têm sido pessimamente orientados e enquadrados. Até acabaram com o serviço militar obrigatório…

Por isso senhores governantes finem de vez com essa treta idiota de que toda a gente nasce igual ou é igual, pois toda a gente é diferente e cada um tem que fazer o seu percurso. Deve é tentar-se que todos tenham as mesmas oportunidades, mas isso joga-se noutro campeonato.

Deixem de meter na cabeça das pessoas que todos podem ser licenciadas em qualquer coisa. Isso representa uma irresponsabilidade e uma impossibilidade.

Ainda não perceberam que não há boas ou más profissões (e todas são necessárias!) mas sim bons e maus profissionais? Que não interessa haver muitos licenciados, mestrados ou doutorados, mas sim bons, em que o canudo corresponda às aptidões e ao saber? Os outros só lá estão a atrapalhar.

Sabe, senhora ministra, no que dá todo este descalabro? Eu digo-lhe: no campo individual, quando alguém abandona a escola e for à procura de emprego, vai ter que aí, demonstrar o que sabe e fazer os exames necessários que não fez (e devia ter feito) durante a sua vida de estudante. Sabe porquê? Porque as empresas precisam de ter lucros ao fim do ano e não se podem dar ao luxo de contratar gente incompetente para a função.

Ora isto vai ser muito doloroso para quem tem vinte e tal anos e não está preparado para a vida – de pequenino é que se torce o pepino – e muitos não vão conseguir emprego, ou preencher as expectativas que criou ou lhe criaram, com as frustrações inerentes e que não são quantificáveis.

Finalmente, os mais aptos, que conseguiram por mérito próprio, ou por bom conselho parental (e tiveram posses para isso), escaparam a este marasmo, ao verem-se atolados no pântano que leva três décadas de apodrecimento, não descansam enquanto não abandonam o país.

Em termos colectivos, o desastre da educação – que gera efeitos para toda uma vida – vai condenar o futuro de Portugal e dos portugueses.

Por isso, senhora ministra, sorria menos e pense melhor. E já agora diga-nos em que escolas estudam os seus filhos e netos, se os tiver. É só para percebermos se o que a senhora diz, coincide com o que a senhora faz.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

ESTAVA SEM MÁCULA, APENAS, A ALMA LÍMPIDA DE PORTUGAL

Mal entrou no Tejo, o Tridente, vindo da Alemanha,
avistou canoas do Tejo, da Marinha do Tejo.
Nesse momento viu que, finalmente, estava em casa.
Não estavam dignatários à sua espera.
Pensou que ainda bem, porque assim estava sem mácula, apenas, a Alma límpida de Portugal.
Soube que estava na sua Pátria.
Trazia embarcados Oficiais e guarnição. Vinha a bordo o Almirante da Esquadra.
Ele, e eles ficaram a saber o que defendem. Deus os Guarde a Ele e a todos os que nele embarcarem.
Almirante Saldanha, da Marinha do Tejo, embarcado numa canoa, com o Tridente a vista:

VIVA PORTUGAL!

sábado, 31 de julho de 2010

PARA PENSAR NAS FÉRIAS...

PORTUGAL: UM PAÍS QUE NÃO SE LEVA A SÉRIO!

Esfera armilar da Bandeira Portuguesa
É do senso comum e da sabedoria popular que um qualquer indivíduo não se deve levar demasiado a sério e conseguir, até, rir-se de si próprio.

Isto pretende significar que ninguém se deve julgar acima do que é, ou aquilo que não é, não se tornar obcecado por qualquer ideia ou pretensão e ser suficientemente saudável para, descontraidamente, se amenizar com eventuais disparates que pensou ou realizou.

Isto não quer dizer que não leve nada a sério, que abdique nos princípios ou se curve a indignidades. O mesmo se pode aplicar aos países com a diferença, significativa, de que aos órgãos do Estado, não se puderem admitir, institucionalmente, algumas atitudes desculpáveis em indivíduos.
Parece que o estado Português tem estes conceitos algo baralhados o que induz, parte da sociedade, a acompanhá-los nos erros e nas atitudes.

Alguns exemplos ilustram o ponto.
Não sei que país haverá no mundo, em que responsáveis do Estado, vêm publicamente afirmar que as forças Armadas vão enviar “espiões” para um determinado teatro de operações.
Se há, não é exemplo a seguir; pois nós fizemo-lo há escassos dias e veio escarrapachado nos jornais.

Após larga controvérsia, que durou anos, o primeiro de dois novos submarinos, que se vão tornar “NRP’s”, isto é Navios da República Portuguesa, aumentados ao serviço da Armada, foi lançado à água na Alemanha.
Nenhum membro do governo esteve presente e o evento passou despercebido na comunicação social.
Aquilo que devia constituir uma festa e ser orgulho nacional, quase parece vergonha por um parente indesejado. Só a Marinha se porta à altura, não podendo fazer mais.

Qualquer troca de seringas entre presos drogados ganha mais relevância social do que este notável aumento da capacidade militar de nação. Ou nos enganamos muito, ou a recepção dentro de poucas semanas do “Tridente” em Lisboa, vai continuar nesta maré…

Outro dia passeámos na rua principal de Beja. Esta rua, com algum favor, estende-se por uns 500 metros. No percurso contámos cerca de uma dezena de lojas chinesas. É assim no país inteiro, mas no interior nota-se mais.

Nada nos move contra a comunidade chinesa mas sabe-se dos problemas económicos e financeiros por que todos passamos. Deste modo torna-se incompreensível que o Estado Português dê incentivos de vária índole para o licenciamento destes negócios.

Tanto mais que os chineses integram-se pouco na sociedade portuguesa (é célebre o comentário que corre, de que nunca ninguém assistiu a um funeral de um dito cujo …); o “negócio” é apoiado pelo estado chinês e obedece a uma estratégia – extensos armazéns de produtos chineses encontram-se sediados em Badajoz, por ex., e não consta que nos concedam quaisquer reciprocidade.

A extensão da “malha” é de tal forma tentacular que, entre outras coisas, pode facilmente disfarçar o maior sistema de informações que alguma vez se montou. Enfim, divagações de um tolo…

Angola. Depois de, filantropicamente, termos perdoado a dívida de todos os territórios a que levianamente concedemos a independência misturados com sentimentos de culpa “colonialistas”, sem qualquer razão de ser, e de, inclusivé, termos alienado, estupidamente, todos os nossos interesses em Cabora Bassa; insistirmos numa cooperação militar e civil que se resume em nós darmos e eles receberem (e nunca agradecem) e mais umas quantas pérolas que o fim do “ex-império” teceu, e eis que nos lançamos no mercado angolano.

Mergulhámos bem, pois é do interesse das partes, melhor dizendo, dos povos. E lá fomos de boa vontade, sempre com a amizade lusa a modelar a coisa. Esquecemo-nos, contudo, que negócios em Angola passam todos, ou quase todos, pelos eleitos do partido no Poder, com os constrangimentos que tal, por si só, acarretam - ao contrário do que se passa com o investimento angolano em Portugal....

E quando, justamente, as empresas portuguesas querem ver-se ressarcidas do investimento ou do negócio efectuado vêem as suas expectativas frustradas pois, a parte angolana … não paga!
Ao fim de uns anos arranjou-se um expediente para resolver os calotes: bancos portugueses emprestam dinheiro para as autoridades/empresas angolanas, nos pagarem o que devem…
E nós em vez de lhes acenarmos com uns mísseis (ainda chegamos para isso!), enviamos-lhes o PR, que entre sorrisos e abraços confirmou que Deus estava com os anjos.

A maior navegação de todos os tempos, assim tida a nível mundial, foi feita por um português. Estamos a falar da primeira viagem de circum-navegação do globo e de Fernão de Magalhães. Não só ele, como os 22 portugueses que o acompanharam eram dos que mais conhecimentos possuíam, a bordo.

Pois para além deste notável navegador ser quase olimpicamente ignorado pela historiografia nacional, a única estátua dele existente na terra que lhe deu o berço, foi oferecida pela República do Chile…
Pior sorte tem Vasco da Gama, executor do feito, tido como maior, da História Pátria: ao que sabemos está reduzido a um busto em Sines, depois de uma tentativa frustrada de lhe erigir qualquer coisa na Vidigueira.

No local aparentemente eleito para o efeito, acabou por ficar uma garrafa de vinho, sinal irrefutável de que andamos… etilizados.
E como a actual União Indiana nem pode ouvir falar em tal Gama, lá se vai a esperança que um governo da estranja tome sobre si o que há muito nos cabia a nós fazer.

Seria, esta, talvez, uma iniciativa cívica e patriótica, que colhia bem em qualquer português digno desse nome. Mas parece que não estamos para aí virados como prova a ideia posta em marcha por um grupo de quatro oficiais do quadro permanente com a idade provecta que os habilita à promoção a “avô”, e que pretendem entregar no Parlamento uma petição a fim de se reabilitar o nome de João A. Ferreira de Almeida, soldado do Corpo Expedicionário Português.

Quem era então este aparente injustiçado?
Nada mais nada menos do que o único militar condenado em tribunal militar,e fuzilado, por crime de traição à Pátria, em 1917, na Flandres, durante a I Grande Guerra!
Qual a justificação para tal excelsa ideia, que já colocou em choro compulsivo algumas pedras da calçada? – e estamos a citar o Correio da Manhã de 21/7/10, que deu a notícia – pois a “comemorarmos o centenário da República e perante os valores de hoje, faz todo o sentido que lhe seja concedido o perdão”.

Não deixa de ser irónico: o militar morre às mãos da tal República que se quer incensar, regime que tem as mãos manchadas de sangue e que se fundou num crime de regicídio e na acção de verdadeiros terroristas políticos. E que não tem à luz da História e dos homens, uma única justificação que a desculpe.
De facto – et voilá – nós, como país, não nos podemos levar a sério e afinal a razão é simples: deixámos de ser sérios.

E isso não dá vontade nenhuma de nos rirmos.